O MESTRE RESSUSCITOU...
INTRODUÇÃO
– A ressurreição de Jesus é o episódio que dá sentido e
significado à fé cristã. Sem ela, como disse o apóstolo Paulo, o cristianismo
não teria razão de ser (I Co. 15:14).
– A ressurreição de Jesus é o fato que distingue o Cristianismo
de toda e qualquer outra religião, a verdade que demonstra que Jesus é o
Salvador do mundo, a Verdade e a Vida.
I – A RESSURREIÇÃO ANUNCIADA
– “Ressurreição” é palavra que vem do latim “ressurrectio”, cujo
significado é “reerguimento, reanimação, restabelecimento, recomeço”. Segundo o
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “ressurreição” é “ato ou efeito de
ressurgir ou ressuscitar; retorno da morte à vida”.
– A ideia de “ressurreição” sempre esteve presente nas
civilizações mais antigas da Terra, ainda que de forma impessoal, como um ciclo
da existência. Com efeito, a ideia de “ressurgimento da vida” estava vinculada
à própria sequência das estações do ano, pois, no inverno, na zona temperada (onde
floresceram as mais antigas civilizações), toda a vegetação desaparece e boa
parte dos animais tem de hibernar, dando ao homem a impressão de que a vida
acabou. Com a primavera, há o degelo e a vegetação reaparece, assim como os
animais. Diante deste quadro, resultante do dilúvio (Gn.8:21,22), a imaginação
humana, deturpada pelo pecado e que havia recorrido à idolatria (Rm.1:22,23),
acabou criando os “mitos da ressurreição”, nos quais havia sempre uma sequência
de morte e de nascimento de “deuses”, notadamente dos “deuses da fertilidade”,
como era o caso do babilônico Tamuz e do cananeu Baal.
– No que parece ser o mais antigo livro da Bíblia, no livro de
Jó, o patriarca afirma que espera ver o Senhor na sua própria carne, ou seja,
não em um corpo de uma outra pessoa, mas num corpo seu e somente seu para se
apresentar diante de Deus: “em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26 “in fine”).
É certo que, a este tempo da revelação divina, o patriarca ainda não tinha a
compreensão que haveria no tempo do apóstolo Paulo, de que o corpo com o qual
veremos a Deus não é o corpo de carne e ossos que agora temos, mas, sim, um
corpo incorruptível e glorioso (cf. I. Co.15:44-54), mas, de qualquer maneira,
e é o que nos importa aqui, tinha plena consciência do que era a ressurreição,
prova de que toda a mitologia então existente não fora capaz de empanar um
conceito que, muito seguramente, havia sido revelado por Deus aos mais antigos
patriarcas (Enoque certamente deveria ser um deles, pois, se havia profetizado
sobre o retorno de Cristo com os Seus santos, como se verifica em Jd.14, não é
desarrazoado pensar que lhe tivesse sido dito algo sobre a ressurreição).
– No Antigo Testamento, portanto, vemos que a ideia da
ressurreição já está presente, ainda que de forma tímida, como não poderia ser
diferente, já que a ressurreição, como tudo o que haveria de se concretizar na
pessoa de Jesus, tinha de ser apresentada como sombra, como figura (Rm.15:4;
Hb.10:1).
– A ressurreição é a restituição à vida, ou seja, o retorno à
unidade entre corpo, alma e espírito, que havia quando da vida física. Jó tinha
plena consciência que retornaria, no fim dos tempos, a ter a mesma unidade que
o caracterizara na sua existência terrena, ou seja, que tornaria a ter um
corpo, no qual estariam sua alma e espírito.
– A ressurreição, para os judeus, era ainda a ideia imperfeita
que possuía o patriarca Jó ainda antes da formação do povo de Israel. A ideia
de Jó perdurou entre os israelitas, tanto que, em trechos como Is.26:19 e
Dn.12:2, vemos realçada a crença na ressurreição final.
– Conforme vemos na Bíblia, nos tempos de Jesus, os judeus
aguardavam uma ressurreição no último dia, quando ressurgiriam com seus
próprios corpos (Jo.11:24). Todavia, a plenitude da revelação divina a respeito
deste assunto veio com o próprio Jesus, “as primícias dos que dormem” (I
Co.15:20), que, com Sua ressurreição, mostrou à humanidade precisamente como se
daria a ressurreição não só dos santos, que, em tudo será semelhante a de
Cristo (cf. I Co.15:23; Ap.20:4,6), como também dos que não são de Cristo, que
também ressurgirão, ainda que sem glória e para serem lançados no lago de fogo
e de enxofre (Ap.20:5,11-15). Aliás, a ressurreição de Cristo, como nos mostram
os apóstolos, vaticinada fora pelo salmista (Sl.16:10; At.2:25-32).
– No Antigo Testamento, vemos sempre afirmações bíblicas de que
é impossível o retorno à vida a não ser no instante da ressurreição final, como
deixam claro textos como os de II Sm.12:23, Sl.49:14-20 e Ec.9:10, entre outros
versículos. Tal circunstância mostra que, ao contrário do que ensinam os
espíritas kardecistas, o conceito de ressurreição nada tem que ver com o de
reencarnação. Vejamo-los rapidamente:
a) II Sm.12:23 – Aqui o rei Davi diz que o seu filho falecido
não voltará mais ao mundo dos vivos, mas ele, Davi, irá para o mundo dos
mortos. Ao assim exclamar, Davi mostra, claramente, que não havia possibilidade
de uma nova existência terrena para seu filho morto.
b) Sl.49:14-20 – Aqui o salmista (que não é Davi mas os filhos
de Coré) mostra que o homem que morre vai para a geração dos seus pais, ou
seja, não mais retorna para esta terra, quer seja rico, quer seja pobre, não
havendo, portanto, qualquer possibilidade de retorno.
c) Ec.9:10 – Neste versículo, que sintetiza todo o pensamento de
Salomão neste que é seu livro da velhice, vemos que só há uma oportunidade para
o homem na “vida debaixo do sol”, oportunidade que, se for perdida, nunca mais
será recuperada. Depois da sepultura, não há mais qualquer possibilidade de se
fazer algo nesta vida debaixo do sol para Deus ou para quem quer que seja.
– Percebemos, portanto, que, na Bíblia Sagrada, no Antigo
Testamento, havia a nítida noção, ainda que implícita, de um retorno à vida,
ainda que no momento final da história, a demonstrar, portanto, que a ideia de
ressurreição não era estranha aos escritos sagrados e que nada tinha que ver
com as ideias mitológicas relacionadas com o ciclo das estações do ano nem
tampouco com os conceitos de reencarnação, que caracterizavam os sistemas
religiosos do hinduísmo, do budismo e até certos setores da filosofia e
religião gregas e que, inclusive, haviam influenciado alguns judeus, como se
verifica, por exemplo, da indagação dos discípulos com relação ao cego de
nascença (Jo.9:2).
– Entretanto, o próprio Jesus foi o principal arauto da Sua
própria ressurreição. Logo após a famosa “declaração de Cesaréia”, em que o Pai
revelou a Pedro que Jesus era o Filho de Deus vivo, como vimos na lição
anterior, Jesus começou a dizer aos Seus discípulos que haveria de padecer e
morrer, mas, também, desde então, começou a afirmar que haveria de ressuscitar
ao terceiro dia (Mt.16:21; Mc.8:31,32; Lc.9:22). Assim como os discípulos não
compreenderam a necessidade da morte de Jesus, algo totalmente contrário ao
conceito judeu do Messias, também não puderam compreender o significado da
ressurreição, até porque seria o primeiro caso de ressurreição propriamente
dita de toda a humanidade (Mc.9:31,32; Lc.9:44,45).
– Muitos, aliás, aproveitam estas passagens dos Evangelhos para
apontar “contradições” no texto sagrado. No entanto, quando lemos as
Escrituras, verificamos que a realidade da ressurreição de Jesus, embora por
Ele anunciada, não havia sido revelada aos discípulos. A ressurreição, como
tudo que diz respeito ao Senhor Jesus, não pode ser apreendida pelo intelecto,
pela razão, mas deve ser algo que venha da revelação divina, algo que seja
proveniente da graça de Deus, porque ela e a verdade vieram por Jesus
(Jo.1:17). As coisas espirituais discernem-se espiritualmente (I Co.2:11,14).
– Os discípulos somente puderam compreender a realidade da
ressurreição e o seu significado, inclusive nas Escrituras e ditos de Jesus,
depois de sua ocorrência, quando o Senhor Se apresentou ressurreto para eles,
como se lê em Lc.24:45, quando o próprio Jesus lhes abriu o entendimento, até
porque ali eles receberam o Espírito Santo (Jo.20:22).
– Esta circunstância, aliás, é uma necessidade para mostrar como
a ressurreição é um fato real e concreto, pois os discípulos, que não haviam
compreendido as profecias de Jesus a respeito de Sua ressurreição, não a
aguardavam ansiosamente durante os três dias em que Jesus estava no túmulo.
Muito pelo contrário, estavam desanimados, desesperançados (cf. Lc.24:19-21),
trancafiados no cenáculo, com medo dos judeus (Jo.20:19).
– Diante desta circunstância, não há como dar qualquer crédito
às invencionices que, desde o tempo da própria ressurreição (cf. Mt.28:11-15),
procuram alardear que Jesus não ressuscitou, mas que Seu corpo foi furtado
pelos discípulos, a fim de que se “cumprisse” a profecia da ressurreição. Os
discípulos não haviam entendido que Jesus iria ressuscitar, estavam
completamente desesperançados e desanimados, de forma que não tinham sequer
como pensar numa atitude como esta. Deus não permitiu que os discípulos entendessem
a profecia de Jesus precisamente para que as mentiras concernentes ao furto do
corpo de Jesus pudessem ser cabalmente desmascaradas. Deus não é Deus de
confusão (I Co.14:33). Aleluia!
– Além das palavras claramente anunciadas aos Seus discípulos
com relação à Sua ressurreição, Jesus, também, anunciou esta verdade ao povo em
geral, mas, como soia ocorrer neste caso, de forma um tanto quanto enigmática
(Mt.13:10-17). Assim, quando da purificação do templo, Jesus afirmou que, se o
templo fosse derribado, em três dias o reconstruiria (Jo.2:19). Tal afirmação,
tomada literalmente pelos judeus e que foi um dos motivos principais de sua
condenação (Mt.26:61) e do escárnio durante a crucifixão (Mt.27:40), prova de
que foi um dito de Jesus que ficou bem guardado na mente do povo, nada mais era
que uma profecia a respeito de Sua ressurreição, como deixa claro o evangelista
João (Jo.2:21) e que, também, só foi entendido pelos próprios discípulos depois
da própria ressurreição (J.2:22). Temos, pois, que, de forma insofismável, a
ressurreição de Jesus foi anunciada tanto pelas Escrituras quanto pelo próprio
Senhor Jesus, mas que não foi compreendida nem sequer pelos discípulos até que
acontecesse.
II – A RESSURREIÇÃO REALIZADA
– Morto Jesus, a Bíblia nos diz que Seu corpo foi reclamado por
José de Arimatéia junto a Pôncio Pilatos (Jo.19:38), que, juntamente com
Nicodemos, fizeram uma rápida preparação do corpo de Jesus, pois se aproximava
o início do dia da Páscoa, tendo, então, em local próximo ao próprio local da
crucifixão, posto Jesus num sepulcro novo (Jo.19:38-42).
– Estes pormenores trazidos por João não são repetidos pelos
demais evangelistas, nem o poderiam ser. Não podemos nos esquecer de que João
foi o único discípulo que esteve com Jesus até o fim, tendo, inclusive, ao pé
da cruz, recebido Maria como sua mãe para dela cuidar, a pedido do Senhor Jesus
(Jo.19:25-27). João, portanto, foi testemunha ocular de tudo o que se passou,
ao contrário dos outros evangelistas, dois dos quais, aliás, nem sequer fizeram
parte do colégio apostólico.
– Além do mais, a narrativa de João não é, em momento algum,
infirmada pelos relatos dos outros evangelhos que, por sinal, segundo os
estudiosos das Escrituras, foram escritos antes do Evangelho segundo João.
Mateus confirma que José de Arimatéia pediu o corpo de Jesus e que o pôs em um
sepulcro novo, de sua propriedade, que havia aberto em rocha, o que foi
presenciado por Maria Madalena e a outra Maria (Mt.27:58-61). Marcos diz a
mesma coisa (Mc.15:42-47), destacando, ainda, que José de Arimatéia era um
senador honrado, ou seja, uma pessoa de destaque e que, portanto, tinha uma
sepultura também em local destacado. Lucas confirma precisamente o que
relataram os outros dois evangelistas (Lc.23:49-56).
– Pelo que se vê, portanto, da narrativa dos quatro
evangelistas, Jesus foi sepultado no final do dia da preparação, ou seja, a
“véspera do sábado” (Mc.15:42), um dia antes da páscoa, às pressas, o que
indica que seu sepultamento se deu antes do pôr-do-sol, pois é aí que se inicia
o dia segundo os judeus. Muito se discute se este dia corresponde, ou não, a
uma sexta-feira, pois entendem alguns que o “sábado” mencionado não seria
literal, mas, apenas, uma denominação do “feriado da Páscoa”. Toda esta
discussão tem apenas a finalidade de defender a guarda do domingo ou a guarda
do sábado, sendo, portanto, “questão de dias”, com a qual o verdadeiro salvo
não mais se deve preocupar, pois seu descanso não é dia algum, mas uma vida em
Cristo Jesus (Gl.4:9-9-11; Hb.4:3-13).
– O que é certo, destas narrativas, é que o sepultamento de
Jesus foi assunto tratado diretamente com Pôncio Pilatos e que chegou
plenamente ao conhecimento dos algozes do Senhor, tendo Jesus sido sepultado em
local plenamente conhecido, um sepulcro novo de uma pessoa importante, que
havia sido aberto numa rocha. O sepulcro de Jesus, portanto, era um lugar do
conhecimento de todos, tanto que não houve qualquer dificuldade em ser
reconhecido e se pôr uma soldadesca para impedir o furto de Seu corpo, como solicitado
foi pelos escribas e sacerdotes a Pilatos (Mt.27:62-66).
– As narrativas da ressurreição mostram, também, que o sepulcro
foi fechado com uma pedra, o que, aliás, os arqueólogos, na atualidade,
confirmam ser o costume daquele tempo em Israel. Havia uma grande pedra que foi
colocada na frente do sepulcro, pedra esta que, além do mais, por força do
pedido dos príncipes dos sacerdotes e dos fariseus, foi selada e guardada por
soldados. “…A evidência que os eruditos têm reunido para a ressurreição tem se
solidificado como a grande pedra que bloqueava a entrada da tumba. A
arqueóloga, Kathryn Kenyon, calcula que aquela pedra pesava de 5 a 6 toneladas
e a evidência é extremamente sólida.…” Como entender que um grupo poderia,
mesmo burlando a guarda, calmamente, durante a noite, mover esta pedra sem ser
percebido?
– Não há, pois, como prevalecer as invencionices que surgiram,
ao longo dos séculos, de que as mulheres erraram de sepulcro, pois, bem
observaram onde Jesus havia sido posto, num sepulcro novo, prova de que se
estava em local onde não havia muitas sepulturas. Além do mais, a pedra foi
selada, numa clara demonstração de que a pedra revolvida seria bem reconhecida
pelas mulheres. Como se não bastasse, caso o sepulcro não fosse o de Jesus,
claramente os príncipes dos sacerdotes e os escribas teriam mostrado o sepulcro
onde Jesus jazia e, assim, desmascarado toda a pregação dos discípulos que,
aliás, começou apenas 50 dias depois dos fatos.
– A “teoria do erro do sepulcro”, aliás, é desmentida pela
própria “mentira dos judeus”. Por que dizer que o corpo de Jesus tinha sido
furtado, se ocorrera “engano de sepulcro”? Não seria muito mais fácil aos
príncipes dos sacerdotes e dos escribas acabar com a pregação dos cristãos com
a mostra do cadáver no sepulcro correto? Vemos, portanto, que cabimento algum
tem esta teoria, defendida por alguns segmentos, notadamente espíritas.
– A outra invencionice que surge a respeito da ressurreição de
Jesus é a de que furtaram o corpo de Jesus. Foi a chamada “mentira dos judeus”
(Mt.28:11-15), que, por si só, não se sustenta. Mediante paga, os soldados
romanos disseram a Pilatos que, enquanto dormiam, os discípulos vieram e
furtaram o corpo de Jesus de noite. Pergunta-se, porém: como poderiam soldados
tão bem treinados como aqueles, soldados romanos que eram, dormir, exatamente
durante a noite, quando o furto poderia ser mais fácil, e todos ao mesmo tempo?
E, mais ainda, como dormiram a ponto de permitir que os discípulos retirassem
uma pedra pesada, que estava selada, sem que ninguém conseguisse acordar? E,
por fim, como, ante sono tão profundo, puderam os soldados contar com detalhes
o que aconteceu enquanto estavam dormindo? À evidência, esta mentira não se
sustenta e sua divulgação e aceitação pelos judeus é fruto da sua própria
incredulidade.
OBS: A propósito, tal mentira tem a mesma consistência e
credibilidade das mil e uma justificativas dos políticos brasileiros nos mais
variados escândalos que se sucedem em nossa história e que são aceitos apesar
de não terem a mínima fundamentação em virtude dos escusos interesses
envolvidos...
– Ainda hoje, há quem diga que o corpo de Jesus foi furtado e
que não houve ressurreição. Chegou-se, mesmo, a dizer que os anjos vistos pelas
mulheres teriam sido “essênios” que teriam vindo furtar o corpo de Jesus. Como
esses “essênios” conseguiram burlar a soldadesca romana, estes inventores não
explicam. Por que os essênios, que criam na vinda de um Messias militarista e
guerreiro vencedor, teriam ido furtar o corpo de Jesus, um Messias que deixara
ser crucificado, e com que finalidade, já que, como essênios”, eram muito
ciosos da pureza ritual e ter consigo um cadáver era o cúmulo da impureza,
também não explicam. São verdadeiros absurdos, fruto apenas do espírito do
erro, que toma conta daqueles que rejeitam a Verdade, que é a Palavra de Deus.
– Outros, ainda, procuram dizer que o furto do corpo de Jesus
não foi bem o furto do corpo, mas, sim, um resgate de Jesus ainda agonizante,
que não tinha morrido e que, após ser resgatado, foi tratado e curado das suas
feridas e, em seguida, teria viajado para a Índia, onde prosseguiria Seu
ministério até a Sua morte. Outro grande absurdo, pois, ante tais
circunstâncias, como explicar a pregação dos discípulos a respeito da
ressurreição, ressurreição que não haviam sequer compreendido antes que
ocorresse? Como aceitar que pessoas tenham sido levadas à morte e à perda de
todos os bens e familiares em nome de uma fantasia? E, mais ainda, como aceitar
que, ante tais circunstâncias, não houvesse, por parte dos muitos inimigos dos
cristãos, ninguém que pudesse desmentir.
Ressurreição, com testemunhas (que não seriam poucas…) de que
Jesus nem sequer morrera e que fugira para a Índia?
– Mais absurda, ainda, é recente teoria apresentada pelo
cineasta James Cameron em seu documentário “O túmulo perdido de Jesus”,
apresentado em 2007 pelo Discovery Channel e que foi alvo de inúmeras críticas
por parte de especialistas, em que procurou demonstrar que um túmulo encontrado
na década de 1980 pelo inspetor da Direção de Antiguidades de Israel, Yosef
Gat, no subúrbio de Talpiot, em Jerusalém, onde foram encontrados ossos de
pessoas supostamente de uma mesma família identificadas em aramaico como
“Maria; Mateus; Jesus, filho de José; Mariamne (que teria sido considerada como
sendo Maria Madalena); e Judas, filho de Jesus”, fosse o túmulo da suposta
família de Jesus. Como admitir que Jesus tenha vivido em plena Jerusalém e
constituído família ali enquanto Seus discípulos diziam que havia ressuscitado
e, como admitem os próprios membros do Sinédrio, “enchido Jerusalém dessa
doutrina” (At.5:28)?
– Além do mais, os nomes encontrados eram extremamente comuns
nos dias de Jesus, sem se falar que a suposição de que a Mariamne era Maria
Madalena é uma ilação sem qualquer respaldo científico. O próprio responsável
pelas escavações no local, o arqueólogo israelense Amos Kloner bem sintetizou o
que é este filme: “…É uma ótima história para um filme, mas é impossível. É
bobagem’, disse ele, segundo o jornal ‘Jerusalem Post’. ‘Jesus e seus parentes
eram uma família da Galiléia, sem laços com Jerusalém. A tumba de Talpiot
pertencia a uma família de classe média do primeiro século.’…” (BBC BRASIL.
Diretor de Titanic diz ter encontrado túmulo de Jesus. . Disponível em:
http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2007/02/26/294707502.asp Acesso em 25 jan.
2008) e, ainda, “…É um óptimo argumento televisivo, mas um disparate do ponto
de vista histórico. José pai de Jesus, era um humilde carpinteiro que nunca
poderia ter providenciado sarcófagos tão luxuosos para a família
OBS: Recentemente, em um simpósio realizado em janeiro de 2008
em Jerusalém, a viúva de Yosef Gat disse que seu marido não divulgou seu achado
em vida porque, embora estivesse convencido de que o túmulo fosse de Jesus,
isto poderia desencadear uma “onda de antissemitismo”. Agora, pergunta-se: como
tal descoberta afetaria os judeus, se eles não aceitam a divindade de Jesus e
isto seria um grande passo para dizerem que estariam certos? Como se vê, o
“non-sense” é total neste episódio.
– Como se percebe, tais “teorias” são exercícios de imaginação
que não se sustentam por si mesmas, não sendo necessário sequer recorrer ao
texto sagrado. A história da Igreja, a evangelização promovida nos dias
apostólicos são fatores que desmentem cabalmente toda e qualquer insinuação de
que Jesus não ressuscitou.
– O fato é que, no primeiro dia da semana, ainda de madrugada,
as mulheres que bem sabiam onde Jesus havia sido sepultado, tomaram dos
unguentos e especiarias que haviam adquirido para ungir o corpo de Jesus. Foram
a caminho do sepulcro decididas a realizar tal ato, que era totalmente
contrário à lei e aos costumes judaicos, mas elas não se sentiam guiadas pela
lei, mas única e exclusivamente pelo seu amor a Jesus, mesmo tendo Ele morrido.
Na caminhada, perguntavam a respeito da pedra, pedra que não poderiam remover,
mas que não as impediu de prosseguir. As mulheres mostram-nos uma lição de fé,
uma disposição de ir ao encontro de Jesus mesmo que todas as circunstâncias
sejam adversas. Por isso, quando falamos na ressurreição, temos, em primeiro
lugar, de deixar de lado todas as explicações lógicas, materialistas e
científicas, para crer em Jesus ressuscitado, pois isto se obtém pela fé, não
pela razão humana. Aliás, se não crermos que Jesus ressuscitou, não temos como
alcançar a salvação (Rm.10:9; I Ts.4:14).
– Lá chegando, as mulheres não encontraram nem a soldadesca
romana nem o corpo de Jesus. A pedra fora removida e nela se encontrava um anjo
que anunciou a elas a ressurreição de Jesus. A ressurreição foi acompanhada de
um grande terremoto e um anjo removeu a pedra (Mt.28:2). Jesus não precisou da
remoção da pedra para sair do túmulo nem tampouco o terremoto era necessário
para a ressurreição, mas estes eventos se deram para que houvesse a cabal
comprovação de que Jesus havia sido ressuscitado.
– É importante observar que Jesus ressuscitou enquanto homem e,
portanto, foi Deus quem O ressuscitou (At.2:32; 3:15; 4:10; 10:40; 13:30,37;
Rm.4:24; I Co.6:14; 15:15; I Ped.1:21). O Espírito Santo O ressuscitou (Rm.8:11)
assim como o Pai (Gl.1:1; I Ts.1:10), pela glória do Pai (Rm.6:4). Com a
ressurreição, Jesus foi exaltado sobre todo o nome (Fp.2:9), passando, então, a
ser chamado de Nosso Senhor (Rm.1:4), tendo todo o poder no céu e na terra
(Mt.28:18).
– Esta é a primeira ressurreição daquelas que haviam sido
anunciadas no Antigo Testamento e pelo próprio Jesus, pois é a ressurreição que
significa o retorno à vida verdadeira, à vida eterna, àquela comunhão que
existia com Deus antes que o pecado entrasse no mundo. Jesus veio trazer vida e
vida com abundância (Jo.10:10) e para nos fazer passar da morte para a vida
(Jo.5:24). Por isso, a páscoa prefigurava a morte e ressurreição de Jesus, pois
páscoa significa “passagem” e a ressurreição é a prova de que o sacrifício de
Jesus foi aceito e tirou o pecado do mundo, permitindo, assim, que nós passemos
a desfrutar de uma comunhão eterna e perfeita com Jesus, uma vez aceitando a
Jesus como único e suficiente Senhor e Salvador, tendo perdoados os nossos
pecados, alcançando a justificação (Rm.4:25).
– Todas as outras ressurreições narradas nas Escrituras (os
milagres operados por Elias, Eliseu e o próprio Jesus e, na dispensação da
graça, todos os milagres operados pelos seguidores de Jesus) eram apenas
demonstrações de que Deus era o Senhor da vida e que, por isso, poderia fazer
pessoas mortas reviver, mas nenhuma delas representou a passagem para uma
dimensão eterna, tanto que todas as pessoas que ressuscitaram tornaram a
morrer. Jesus é o primeiro que ressuscitou e não mais morreu, nem morrerá,
porque está em corpo glorificado, visto que não pecou e venceu o pecado e a
morte, morte que é o último inimigo a ser vencido (I Co.15:54,55). Por isso,
Jesus foi feito “as primícias dos que dormem” (I Co.15:20).
– O retorno de Jesus à vida é a demonstração de que o Seu
sacrifício foi aceito por Deus (Is.53:10-12), assim como a saída do sumo
sacerdote do lugar santíssimo em vida significava, no tempo da lei, que Deus
havia perdoado as iniquidades do povo e que cobrira os pecados por mais um ano
(Lv.16:29-34).
– O retorno de Jesus à vida é a demonstração de que Ele venceu a
morte e que, por isso, também nós poderemos nEle vencê-la e alcançar a vida
eterna (Rm.8:11; II Co.4:14; Ef.2:6; I Ts.4:14).
– O retorno de Jesus à vida é a prova cabal de que o Evangelho é
a verdade, de que podemos crer em Jesus, pois é a ressurreição que nos mostra
que a fé em Jesus não é uma ilusão, uma fantasia, mas algo inteligente,
palpável. Esta, aliás, é a verdadeira “fé inteligente”, a crença em Jesus e na
Sua obra expiatória, a certeza e convicção de que, se nos arrependermos de
nossos pecados e crermos em Jesus, alcançamos a vida eterna, pois Jesus morreu
por nós e pagou o preço de nossa alma, sendo a prova da eficácia deste
sacrifício a Sua ressurreição (I Pe.1:21).
– O retorno de Jesus à vida é a principal garantia de que
devemos morrer para este mundo e viver para Deus, de que vale a pena renunciar
a si mesmo e seguir a Jesus, porque Jesus a tudo renunciou, inclusive à própria
vida, mas isto agradou a Deus que O ressuscitou e O exaltou sobre todo o nome.
Assim, também, se formos “inteligentes” e não buscarmos as coisas e prazeres
desta vida, mas única e exclusivamente fazer a vontade de Deus, também teremos
o mesmo destino que teve o Senhor Jesus – o de agradar a Deus e ser levado à
glória assim como foi o Senhor (Rm.6:4; 7:4; II Co.5:15; Cl.2:12).
– O retorno de Jesus à vida é a principal garantia de que
devemos aguardá-lo, pois, assim como Ele ressuscitou, como havia prometido, Ele
também voltará para arrebatar a Sua Igreja e nos livrar da ira futura (I
Co.15:51-57; I Ts.1:10).
– Dissemos que a ressurreição de Jesus foi a primeira
ressurreição propriamente dita, porque Jesus ressuscitou em corpo glorificado,
para não mais morrer. Muitas são as evidências que demonstram que a
ressurreição de Jesus é a primeira ressurreição propriamente dita.
– Por primeiro, vemos que Jesus realmente ressuscitou, pois o
Seu corpo de carne e sangue foi transformado, tanto que o túmulo estava vazio.
Não há sentido algum em dizer que Jesus era um espírito, pois o próprio Senhor
negou que o fosse (Lc.24:37-43). Jesus ressuscitou e, por isso, o Seu corpo
anterior não foi encontrado no túmulo, visto que a ressurreição envolve a
transformação do corpo e a sua união com o homem interior (alma e espírito)
(cf. Ap.20:12,13).
– Por segundo, vemos que Jesus, embora tenha ressuscitado, não
voltou a ter o corpo anterior, mas passou a ter um corpo glorificado, um corpo
espiritual, como explicaria, mais tarde, o apóstolo Paulo (I Co.15:42-50). Tanto
assim é que Maria Madalena não reconheceu Jesus de imediato (Jo.20:14-16), nem
tampouco os discípulos no caminho de Emaús (Lc.24:15,16,31). Verdade é que, no
caso de Maria Madalena se possa argumentar que, pelo seu estado emocional e
pelas circunstâncias, só tenha olhado para Jesus no instante em que a chamou e
que o texto sagrado, no caso dos discípulos do caminho de Emaús, tenham sido
impedidos pelo próprio Senhor de O reconhecer até o momento da bênção.
– Mas, ainda que assim se entenda e se diga que Jesus não tenha
modificado Sua fisionomia, tanto que foi prontamente reconhecido no cenáculo, o
fato é que a circunstância de ter desaparecido após ter abençoado e partido o
pão em Emaús (Lc.24:31), de ter entrado no cenáculo apesar de as portas estarem
e terem continuado fechadas (Jo.20:19) e de ter subido aos céus (At.1:9)
mostram, claramente, que o corpo de Jesus era diverso do que fora crucificado,
que as leis da física não mais se lhe aplicavam.
– Verdade que Jesus podia Se materializar e mostrar-Se de forma
que fosse reconhecido pelos discípulos e de modo a que comprovasse que era Ele
mesmo e não um espírito, mas isto não retira o fato de que tal materialização é
mais uma prova de que o corpo de Jesus é algo superior ao corpo físico que
temos o “corpo espiritual”, que tem a glória divina, glória de que havia Se
despido quando de Sua encarnação. Tanto assim é que, na ilha de Patmos, aparece
bem diferente a João, pois necessidade alguma havia de comprovar a Sua
ressurreição naquela oportunidade.
– A propósito, é o próprio João quem nos ensina que o corpo com
que Jesus ressuscitou é diferente do nosso atual corpo, pois diz que seremos
semelhantes ao que Ele é agora, o que demonstra que não somos semelhantes a Ele
agora (I Jo.3:2). Ninguém mais que João, que acompanhou a Jesus em Sua paixão e
morte até os últimos instantes e que depois viu a Jesus ressuscitado e glorioso
na ilha de Patmos para nos dizer se Jesus tinha, ou não, um corpo diverso após
a ressurreição.
OBS: No seu evangelho, que muitos entendem ter sido o último
escrito de João e do Novo Testamento, fica bem claro que “o Verbo Se fez
carne”, ou seja, não era mais carne quando João escreveu o Evangelho.
III – A RESSURREIÇÃO COMPROVADA
– Morto Jesus, a Bíblia diz que o véu do templo se rasgou de
alto a baixo (Mt.27:51; Mc.15:38; Lc.23:45), numa demonstração de que Deus
havia aceito o sacrifício de Jesus que, como Cordeiro de Deus, tirara o pecado
do mundo, abrindo um novo e vivo caminho para o homem em direção a Deus, por
Jesus Cristo (Hb.10:19-22).
– A ressurreição, porém, seria a prova cabal desta aceitação do
sacrifício de Jesus e da vitória sobre o pecado e a morte, com a consequente
salvação da humanidade pela fé em Jesus. Não é outro o motivo pelo qual a
ressurreição foi cercada de “muitas e infalíveis provas” (At.1:3), a fim de que
não houvesse como negá-la justificadamente.
– Em primeiro lugar, Jesus, ao ressuscitar, apareceu para as
mulheres que tinham ido ao sepulcro para ungir Seu corpo. Elas já sabiam que
Jesus havia ressuscitado pois, além de terem visto o túmulo vazio, um anjo lhes
anunciou a mensagem da ressurreição. Elas, apressadamente, foram até onde
estavam os discípulos e contaram o que havia se passado.
– Neste primeiro contato, já havia, pelo menos, quatro
testemunhas, pois foram ao sepulcro Maria Madalena, a outra Maria, chamada mãe
de Tiago, o menor e de José e Salomé, que era a mãe de Tiago e de João e Joana
(Mt.28:1; Mc.16:1; Lc.24:10; Jo.20:1). Tinha-se, pois, número suficiente para
que se considerasse verdadeiro o testemunho das mulheres segundo a lei de
Moisés (Dt.19:15; Mt.18:16).
– No entanto, ainda que mais de quatro tinham sido as mulheres
que testemunharam que o túmulo estava vazio, fato, aliás, que independia de
testemunhas, pois era algo que se podia comprovar facilmente e que foi admitido
pelos próprios inimigos de Jesus, que, com a história inventada pelos soldados,
tiveram que admitir que o corpo já não estava mais no referido sepulcro, Jesus
Se apresentou somente a Maria Madalena, com quem conversou. Para que não
pairasse qualquer dúvida, seguiram-se outras aparições a fim de que a
ressurreição, razão de ser da fé cristã, jamais pudesse ser posta validamente
em dúvida.
– Assim que as mulheres testemunharam aos discípulos sobre a
ressurreição do Senhor, Pedro e João foram até lá para se certificarem do
ocorrido e puderam ver que, realmente, Jesus não estava mais no túmulo e que,
inclusive, os panos que haviam sido usados no seu sepultamento estavam dobrados
à parte (Jo.20:3-10). A notícia se espalhou entre os discípulos, tanto que já
eram do conhecimento daqueles que iam para Emaús (Lc.24:22-24), mas ninguém
ainda vira a Jesus a não ser Maria Madalena.
– Foram estes mesmos dois discípulos os que viram a Jesus,
tendo, imediatamente, voltado para Jerusalém para contar aos demais tal
circunstância (Lc.24:33-35). Não se tratava mais de “depoimento de mulheres”,
nem tampouco de alguém que tivesse visto a Jesus solitariamente, como foi o
caso de Maria Madalena. Ao chegarem, os próprios discípulos diziam que Jesus já
havia aparecido a Simão (Lc.24:34; I Co.15:5), uma aparição que, como a que se
fez a Tiago, irmão do Senhor (I Co.15:7), são mencionadas mas não descritas no
texto sagrado.
– Não bastasse isso, Jesus, na tarde daquele mesmo dia, acabou
aparecendo a todos os apóstolos no cenáculo, com exceção de Tomé (Jo.20:19-24).
Oito dias depois, tornou a aparecer aos discípulos, estando Tomé, desta feita,
presente (Jo.20:26-29). Alguns dias depois, tornaria a aparecer aos discípulos
no mar de Tiberíades (Jo.21), tendo, ainda, aparecido a mais de quinhentos
irmãos (I Co.15:6), sem falar da aparição e desaparecimento no dia da ascensão
(At.1:6-9), totalizando um período de quarenta dias em que apareceu antes de
subir aos céus (At.1:3).
– Todas estas aparições de Jesus tiveram por finalidade mostrar
que Ele verdadeiramente ressuscitou e que, portanto, não havia como negar este
fato concreto, que, além do mais, se encontrava demonstrado pelo túmulo vazio.
Os discípulos, que não haviam compreendido que Ele havia de ressuscitar, ao
verem Jesus ressurreto, não tiveram dúvida alguma da veracidade desta mensagem
e passaram a pregá-la com veemência e intrepidez.
– Muitos chegaram a dizer que as aparições de Jesus não
ocorreram, que eram invenções dos apóstolos, mas como dizer que meras alucinações
e imaginações fossem unir um número tão grande de pessoas, mais de quinhentas,
que aceitaram arriscar e perder suas vidas em nome de fantasias? Como dizer que
a ressurreição de Jesus foi fruto de uma “manifestação coletiva”, se muitos
eram os adversários de tal pregação que, entretanto, não conseguiram sequer uma
pessoa que dissesse que havia se enganado e que Jesus não lhe aparecera?
OBS: Entre os que negam a realidade da ressurreição, dizendo
apenas que se tratou de “ressurreição da mensagem de Jesus” estão alguns
“teólogos liberais”, como Rudolf Bultmann. Mas como poderia “ressurgir” uma
pregação como a de Jesus com base em uma farsa, em uma mentira? “…Ainda é de se
ponderar o seguinte: se a ressurreição de Cristo não fosse real, o Cristianismo
estaria baseado sobre enorme mentira ou alucinação, pois os pregadores do
Evangelho nunca anunciaram a Boa Nova sem incluir necessariamente a notícia da
ressurreição corporal do Senhor. Algo de falso ou de mórbido seria o pedestal
de vinte séculos de Cristianismo. Ora tal hipótese supõe um portento ou um
milagre de primeira grandeza; as mentiras ou falsidades não resistem ao tempo
e, cedo ou tarde, são desvendadas (tal foi o caso da lenda dos LXX, da “Doação
de Constantino”, das “Decretais do Pseudo? Isidoro”, das obras do Pseudo?
Dionísio Areopagita. . .). Ora até hoje não se pôde derrubar a crença na
ressurreição de Cristo como se fosse lendária ou mítica. As teorias que
tencionam fazê-lo (alegando fraude dos Apóstolos ou sepultamento de Cristo
ainda vivo) se comprovam como ridículas e destituídas de peso científico. É,
por conseguinte, mais razoável crer no milagre da ressurreição de Cristo por
obra da Onipotência Divina do que crer que, segundo o “milagre” do racionalismo
moderno, a mentira e a doença mental tenham dado o fruto de vinte séculos de
Cristianismo,… séculos que foram certamente beneméritos não só para a religião,
mas também para a cultura e o progresso da humanidade. O edifício do
Cristianismo logicamente requer um pedestal mais sólido do que a desonestidade
e a debilidade mental.…”– É importante observar que, mesmo durante o ministério
de Jesus, pessoas houve que Lhe seguiram e que O abandonaram. A Sua própria mãe
titubeou na fé, tanto que a vemos acompanhando os irmãos de Jesus numa
tentativa de prendê-lo ou demovê-lo de Sua pregação (Mc.3:21, 31-35), muitos
discípulos O deixaram depois que acharam muito duro o Seu discurso (Jo.6:60,66),
sem falar em Judas Iscariotes, que O traiu. Como, então, nenhum dos que viram a
Jesus pôde desmentir a Sua ressurreição ou dizer que tudo era uma farsa ou uma
alucinação? Simplesmente porque a ressurreição foi um fato real, concreto,
inequívoco, com “infalíveis provas” que não se poderiam contestar.
– A propósito, não devemos nos esquecer de que os irmãos de
Jesus eram incrédulos (Jo.7:5). Ora, como, então, entender que tenham crido em
Jesus e, inclusive, juntamente com sua mãe, esperaram o derramamento do
Espírito Santo até o dia de Pentecostes no cenáculo (At.1:14), senão pelo
impacto gerado pelo fato de Jesus ter aparecido a Tiago após a ressurreição?
Pessoas que não creram em Jesus enquanto Ele curava, expulsava demônios, fazia
milagres, teriam passado a crer com base em alucinações, farsas e fantasias?
Evidentemente que não! Jesus realmente ressuscitou e isto não pôde ser
desmentido por ninguém! Aleluia!
– Paulo é outro que, após ter sido grande perseguidor da Igreja,
ao ter um encontro pessoal com Jesus, o Jesus ressurreto(I Co.15:8), não pôde
negar esta realidade e passou a pregá-la(I Co.15:1-4), mesmo quando isto
representasse o escárnio dos intelectuais de seu tempo (At.17:32). Como
entender que alguém tão letrado e versado tanto na lei judaica, quanto na
filosofia grega ou no direito romano, renegasse tudo o seu conhecimento e saber
em nome de uma ilusão, de uma alucinação, alucinação que o levaria a enfrentar
morte e perseguição? Não há como justificar-se tal fato senão pela
circunstância de que a ressurreição é uma realidade que gera fé e esperança por
meio de Jesus, que dá sentido à vida espiritual.
Deus. É a garantia da nossa fé. É o grande diferencial do
Cristianismo com relação a toda e qualquer religião ou sistema
filosófico-religioso. Os grandes líderes religiosos estão todos sepultados e
seus sepulcros, até contra a vontade deles, são locais de peregrinação e de
idolatria. Seus ensinamentos, ainda que sábios e valiosos, não foram
suficientes para que eles vencessem a morte e o pecado. Jesus, porém, mostra
Sua superioridade ao ter vivido sem pecado e triunfado sobre o grande problema
da humanidade — o pecado e a morte. O túmulo vazio é a prova indelével de que
só Jesus é a verdade, só Ele pode nos levar à comunhão com Deus.
– Por fim, muitos dizem que Jesus deveria ter aparecido a todos
e não somente aos Seus discípulos, se realmente quisesse que a ressurreição
fosse comprovada. Ledo engano dos que assim afirmam, porém. Em primeiro lugar,
não se faz necessário que um fato seja visto por todos para que esteja provado,
pois, se assim fosse, nada seria provado no mundo.
– Por segundo, mesmo que todos vissem a Jesus, nem por isso
creriam. Não foi o fato de terem visto Jesus que levou os discípulos a crerem
na Sua ressurreição, mas, sim, a circunstância de terem tido o discernimento
espiritual por meio das Escrituras. Foi a fé nas Escrituras, a crença em Jesus
que os levaram a crer (Lc.24:41-48). Não são os sentidos do homem natural que
nos levam a crer no Senhor Jesus, mas a fé que vem pelo ouvir e o ouvir pela
Palavra de Deus (Rm.10:17). Tanto assim é que, embora todos vejam a realidade
da existência de Deus pela criação, nem por isso todos creem em Deus
(Rm.1:19,20).
– Por terceiro, Jesus tinha de Se manifestar somente aos Seus
discípulos, para que estes tivessem o vigor necessário para a pregação do
Evangelho (Lc.24:47,48; At.2:32,33; 3:15,16,26), pregação que não poderia parar
naquela geração mas que tinha de prosseguir até os tempos da restauração de
tudo (At.3:21). À Igreja incumbe a pregação do Evangelho (Mc.16:15) e, por
isso, não havia necessidade alguma de uma aparição física a todos os ouvintes,
o que se deveria fazer a cada geração. A bem-aventurança não está em ver para
crer mas, sim, em crer sem ver (Jo.20:29).
OBS: Por isso, além de fantasiosa, é totalmente fora dos
propósitos divinos a suposta aparição de Jesus aos “judeus que viviam na
América” após a ressurreição, como se relata no Livro de Mórmon.
– Por quarto, como o meio da salvação é a fé em Jesus, não
haveria como se negar o exercício da fé quanto à própria garantia da salvação,
a ressurreição de Jesus. A despeito das infalíveis provas, ninguém pode crer em
Jesus se não crer em Sua ressurreição. A fé é necessária para a salvação e,
portanto, também tem de ser necessária para a aceitação da ressurreição, ainda
que, pelas provas trazidas no texto sagrado, esteja longe de ser uma crendice
ou uma superstição. Daí porque Jesus só ter Se apresentado vivo aos discípulos,
devendo isto ser crido por tantos quantos Deus chamar a esta graça. A crença em
Jesus e em Sua ressurreição é a condição para termos a vida eterna (Jo.11:25).
– É extremamente elucidativa, ademais, uma descoberta
arqueológica ocorrida em Jerusalém recentemente, como relata o pastor
adventista Mark Finley, que ora transcrevemos: “… Alguns anos atrás, o
Professor E. L. Sukenik, um arqueólogo judeu, começou a escavar uma tumba
cristã nas áridas montanhas calcárias ao redor de Belém. Foi encontrado na
tumba várias caixas de pedra chamadas ossuários aonde os ossos do morto eram
colocados. Ele encontrou marcas nestes ossuários que o levou a alegar ter
encontrado as mais antigas evidências do Cristianismo jamais descobertas. Em
todos os quatro lados de uma das caixas, Sukenik achou grosseiros desenhos de
cruzes feitas a carvão. Ele também encontrou várias inscrições em Grego nos
ossuários. O que fez esta descoberta particularmente importante foi a idade da
tumba. Cacos de cerâmica encontrados dentro dela são de um tipo conhecido como
Herodiano. E também foi descoberta uma moeda datada. Ela havia sido cunhada por
Agripa I no ano 41 D.C. e nenhuma moeda ou cerâmica de uma origem posterior foi
encontrada. Então nós temos evidências da fé Cristã nos anos 40 D.C., cerca de
dez anos após a crucifixão de Cristo em 31 D.C. Agora, chegamos na descoberta
realmente estarrecedora. Dois ossuários tinham inscrições com o nome Jesus.
Estes não eram os nomes das pessoas dentro do ossuário; eles eram na verdade
declarações de fé, palavras de dedicação. Em uma, o nome de Jesus foi seguido
das letras gregas “iou”. Agora, gnósticos e pagãos em geral usam frequentemente
esta palavra para denotar Deus. É uma versão abreviada de Jeová. Então o que
nós temos numa tumba dos anos 40 D.C. é uma inscrição dizendo: Jesus Jeová ou
Jesus é Deus. O outro ossuário que carrega o nome de Jesus tem as letras gregas
“aloth”, que em hebraico significa “o ascendido”. Isto mesmo, “aloth”, o
ascendido. Você está começando a compreender o significado disto? Jesus, o
ascendido. Amigo, dentro de poucos anos após a morte de Jesus você tem pessoas
sepultando seus mortos com declarações de fé cinzeladas na pedra: Jesus é Deus.
Jesus, o ascendido, aquele que subiu. Isto é o que estas inscrições na pedra
proclamam alto e claro. As pessoas acreditaram na divindade e ressurreição de Jesus
logo após Sua crucifixão. Você sabe o que isto faz com a teoria da Distância, a
teoria do Mito, a ideia de que a ressurreição de Cristo foi uma lenda que de
alguma forma surgiu na história da Igreja? Isto as sepulta. As pessoas estavam
proclamando a ressurreição de Cristo em quarenta e poucos anos D.C., enquanto
milhares, que tinham conhecido e visto Jesus, ainda estavam entre elas. Se
Jesus, o Salvador Ressurreto, foi um mito, foi o primeiro e único mito
instantâneo do mundo.
– Desde a pregação dos apóstolos, como não poderia deixar de
ser, a ressurreição de Jesus ocupou posição de grande importância entre os
cristãos. É a própria razão de nossa fé, como disse o apóstolo Paulo (I
Co.15:14). Este é um fato tão singular que o próprio Jesus determinou, como
ordenança, que a Igreja celebrasse a Sua morte e ressurreição até a Sua volta,
por meio da ceia do Senhor (I Co.11:23-34).
– No entanto, cedo se passou a também celebrar a ressurreição de
Jesus numa data especial, por ocasião da Páscoa judaica, quando, então, dentro
do calendário israelita, se relembrasse que Jesus era o verdadeiro Cordeiro
pascal, aquele que tinha tirado o pecado do mundo. Passou-se, então, a haver a
“Páscoa cristã”, onde se celebrava a ressurreição de Jesus, tendo havido,
durante séculos, discussão quanto à correta data de celebração, pois muitos a
celebravam juntamente com a Páscoa judaica, enquanto outros preferiram
estabelecer uma nova data, no domingo, para distinguir a festa judaica da festa
cristã. Aliás, foi esta a orientação que acabou sendo seguida, de modo que a
Páscoa, a partir do Concílio de Nicéia (325 d.C.) é sempre celebrada no
primeiro domingo de lua cheia que ocorre no dia ou depois de 21 de março, lua
esta que não é a lua real, mas a lua conforme as chamadas “tabelas
eclesiásticas”.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião
Dr. Edson Cavalcante
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