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sábado, 5 de junho de 2021

IMAGEM E SEMELHANÇA " A CRIAÇÃO DO HOMEM ".

 

                                     IMAGEM E SEMELHANÇA " A CRIAÇÃO DO HOMEM ".

O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Isto significa que o homem é parecido com Deus ao passo de que, diferentemente de qualquer outra criatura, ele é portador de Sua imagem (Gênesis 1:26).

Muitas pessoas possuem algumas dúvidas sobre o verdadeiro significado da expressão “imagem e semelhança de Deus”. De fato essa expressão representa alguns desafios de interpretação. Então, neste estudo, iremos refletir sobre qual é a doutrina bíblica sobre este tema.

O que é ser à imagem e semelhança de Deus?

Quando a Bíblia diz que o homem é a imagem e semelhança de Deus, ela não quer dizer exatamente que somos fisicamente parecidos com Deus. Deus é Espírito e não possui um corpo como o nosso (João 4:24).

Apesar disso, devemos entender que o homem, em todo o seu ser, é a imagem e semelhança de Deus, de modo que sua plena constituição, material e imaterial (corpo e alma/espírito), representa a Deus. O homem é uma criatura racional, pessoal, criativa e moral, com quem o próprio Deus compartilha seus atributos comunicáveis. Ele possui vida proveniente de Deus e potencial para se relacionar com Ele.

Assim, os seres humanos são capazes de: expressar vontades; tomar decisões; avaliar situações; demonstrar emoções; pensar de forma lógica e racional; exercer domínio; possuir responsabilidades e criar coisas incríveis.

Com base neste conceito, podemos notar algo muito interessante. Muitas pessoas pensam que quando a humanidade desenvolve algum avanço significativo na área da ciência, por exemplo, isso implica numa independência cada vez maior de Deus. Na verdade muitas pessoas acreditam nisso, e até utilizam tais avanços para contestarem a existência do próprio Deus. Mas na verdade, é exatamente o contrário disto. Cada coisa grandiosa que o homem desenvolve, necessariamente reflete a verdade de que ele foi criado à imagem e semelhança de Deus.

Existe alguma diferença entre “imagem” e “semelhança”?

Algumas pessoas tentam estabelecer diferenças entre “ser à imagem de Deus” e “ser à semelhança de Deus”. Todavia, as palavras “imagem” e “semelhança” são sinônimas. Na Bíblia elas são aplicadas para se referir ao mesmo significado.

Os termos hebraicos tselem e demuch são traduzidos como “imagem” e “semelhança” respectivamente. Apesar da Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento) e a Vulgata (versão latina da Bíblia), inserirem um “e” entre essas duas expressões, na frase em hebraico não existe nenhuma conjunção entre essas palavras. Isto significa que no original lemos: “à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.

É muito fácil notar que não há diferença entre “imagem” e “semelhança” nesse sentido no texto bíblico. Isto pode ser percebido quando analisamos alguns versículos do próprio livro de Gênesis. O autor bíblico utiliza essas duas palavras de forma intercambiável.

Gênesis 1:26 é a primeira vez que o conceito de que o homem é a imagem e semelhança de Deus aparece nas Escrituras. No versículo seguinte, 27, apenas a palavra “imagem” é usada. Já em Gênesis 5:1, o autor do livro resolveu utilizar apenas a palavra “semelhante”. Por fim, em Gênesis 9:6, mais uma vez aparece apenas a palavra “imagem”.

Com isto, podemos perceber que ambas as palavras são utilizadas indistintamente, como sinônimos. Logo, devemos entender que a expressão “à semelhança de Deus” é apenas outra maneira de se dizer que “somos criados à sua imagem”.

Mesmo ficando claro que essas expressões são sinônimas, é possível que talvez o autor de Gênesis tenha usado essa repetição particularmente em Gênesis 1:26, para garantir que as pessoas compreendessem algo muito importante. Apesar do homem ser criado à imagem de Deus de modo algum ele é divino. Em outras palavras, o homem é uma representação de Deus, mas não é um semideus. O homem reflete sua imagem, na medida em que é semelhante a Ele em alguns aspectos.

O homem perdeu a imagem e semelhança de Deus após o pecado?

Esse talvez seja o assunto mais discutido dentro do conceito de imagem e semelhança de Deus. Algumas pessoas tentam fazer uma distinção significativa entre as palavras “imagem” e “semelhança”. Então elas afirmam que o homem perdeu a imagem de Deus, e não a semelhança, e vice-versa. Todavia, como vimos no tópico anterior, não há qualquer possibilidade de fazer uma distinção nesse sentido.

Nos resta então afirmar ou que o homem perdeu a imagem e semelhança de Deus ou que não a perdeu. Poucos teólogos na história da Igreja Protestante afirmaram que o homem perdeu a imagem e semelhança de Deus após a Queda.

Martinho Lutero foi um destes poucos teólogos. Sua posição sobre esse assunto era bastante inflexível. Sua percepção sobre as qualidades do homem, sobretudo em aspectos morais após o pecado, era bastante negativa. Na verdade seu posicionamento era bem mais radical do que a posição de outros reformadores, como João Calvino, por exemplo.

Mas a doutrina bíblica sobre isso é bastante clara. As Escrituras afirmam categoricamente que após a Queda, o homem continuou sendo a imagem e semelhança de Deus.

Em Gênesis 1:26, antes da Queda, vimos que o homem é denominado como sendo a imagem e semelhança de Deus. Já em Gênesis 5:1, agora após a Queda, o homem continua sendo designado como a imagem de Deus.

Ainda em Gênesis 9:6, lemos que atentar contra a vida de um homem é um pecado grave, pois Deus o fez à sua imagem. Em outras palavras, o homicídio não apenas tira a vida de alguém, mas é um atentado contra a imagem do próprio Deus ali representada. Por isto, segundo o texto bíblico, a punição também deveria ser a pena capital.

Saindo do livro de Gênesis, o Salmo 8, mesmo de forma implícita, revela que o homem caído ainda é portador da imagem de Deus. Quando partimos então para o Novo Testamento, esse ensino fica ainda mais claro.

A passagem bíblica mais direta e explicita sobre esse princípio está em Tiago 3:9. Nesse texto somos exortados a respeito do erro em amaldiçoar alguém, pois os homens “foram criados à semelhança de Deus”. Em outras palavras, o ensino bíblico nesse capítulo é que quando maldizemos alguém, indiretamente estamos maldizendo o próprio Deus, pois o homem reflete a sua imagem.

Logo, tanto do ponto de vista do Antigo quanto do Novo Testamento, o homem, mesmo após a Queda, traz consigo a imagem de Deus. Se o homem tivesse perdido essa imagem, não faria qualquer sentido os escritores bíblicos continuarem se referindo ao significado e importância desse ensino revelado nos primeiros parágrafos das Escrituras.

Além do mais, em Gênesis 5:3 lemos sobre o nascimento de Sete, onde a expressão “imagem e semelhança” aparece novamente. Porém, dessa vez, ela se refere ao fato de que Adão teve um filho à sua imagem e semelhança.

Quando nos é dito que Sete era imagem e semelhança de Adão, também podemos entender que a imagem de Deus continuou a ser impressa na humanidade através do ato da procriação que representa uma continuidade do ato criador de Deus. Isto significa que se Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus, e Sete, por sua vez, nasceu à imagem e semelhança de Adão, logo Sete também possuia a imagem de Deus.

Portanto, Gênesis 5:3 estabelece uma correlação verbal com Gênesis 1:26-28. Todavia, da mesma forma com que a imagem de Deus continuou a ser transmitida a cada ser humano, a corrupção da natureza de Adão após a Queda também foi transmitida a cada um dos homens. Isto nos leva a outra verdade presente nas Escrituras: após a Queda, a imagem de Deus no homem foi desfigurada.

A imagem e semelhança Deus no homem foi desfigurada

Deus criou o homem de forma perfeita, irrepreensível, com caráter puro e sem contaminação. Porém, o pecado distorceu e maculou essa imagem, deformando o seu caráter. Antes da Queda o homem era verdadeiramente livre, isto é, não estava contaminado pelo pecado.

Porém o homem pecou, e a imagem de Deus foi manchada, maculada, desfigurada e completamente deteriorada. Ele se tornou incapaz de produzir qualquer justiça própria que o credencie a salvação. Assim, o pecador continua sendo o ser criado à imagem e semelhança de Deus, visto que essa é a base da dignidade ordenada divinamente presente em todo ser humano. Mas essa imagem está fracionada e desfigurada pelo pecado.

Em alguns, essa imagem se apresenta de forma um pouco mais precisa. Já em outros, a imagem de Deus parece estar bem mais distorcida. Mas em ambos os casos, a imperfeição moral da humanidade é revelada. A compreensão desse princípio, juntamente com a noção da graça comum que Deus derrama sobre a humanidade, explica o fato de muitos incrédulos demonstrarem, por exemplo, bondade, caridade, lealdade e as mais variadas boas ações.

Mesmo o pecador estando escravizado pelo pecado, a imagem de Deus, ainda que distorcida, está impressa nele. Por isso ele pode produzir coisas boas em seu convívio com a sociedade, no uso de suas habilidades criativas e intelectuais, e até mesmo na esfera moral. Obviamente a maioria dos seres humanos não é tão má quanto poderia ser.

O homem é a imagem e semelhança de Deus, e essa característica não pode ser separada de sua natureza. Porém por esta mesma natureza ter sido corrompida, a imagem de Deus no homem foi fatalmente atingida e desfigurada.

A imagem e semelhança de Deus restaurada no homem

Vimos que o homem ainda é imagem e semelhança de Deus, porém numa versão pálida, distorcida e corrompida pelo pecado. Também vimos que por si mesmo homem algum pode recuperar a imagem perfeita e imaculada com a qual foi criado originalmente.

A boa notícia é que a Palavra de Deus nos revela que essa qualidade danificada pelo pecado é em Cristo restaurada (Romanos 8:29). Cristo é a perfeita imagem do próprio Deus (Colossenses 1:15). Ao nascer de novo, a imagem de Deus no homem começa a ser reconstruída, de modo que o verdadeiro seguidor de Cristo torna-se como Ele “em justiça e retidão” (Efésios 4:24).

Sobre o cristão como sendo a imagem e semelhança de Deus, talvez a melhor definição seja dizermos que quando o homem é regenerado, ele passa a ser a “imagem redimida de Deus”. O apóstolo Paulo escreve exatamente sobre isto. Ele diz que o cristão genuíno se reveste do novo homem “que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:10).

Esse processo de restauração da imagem de Deus que ocorre nos santos é um processo progressivo e contínuo. Ele alcançará sua plena realização apenas no dia vindouro do maravilhoso retorno de nosso Senhor. Nesse dia seremos a perfeita imagem e semelhança de Cristo. Diante dele, nós nos encontraremos profundamente extasiados, admirando o esplendor daquele que nos resgatou. Nesse momento, a imagem de Deus terá sido completamente restaurada em nós.

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

O ABANDONO.

 

O ABANDONO.

2Timóteo 4:9-18

“Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca” (Sl 68:6)

INTRODUÇÃO
Estamos estudando neste trimestre a respeito das aflições do justo; uma série de Aulas que tentam explicar por que passamos por aflições. Na primeira Aula vimos que, enquanto estivermos neste mundo, as aflições são inevitáveis na vida do crente. Nesta Aula, estudaremos os efeitos que o abandono ocasiona na vida do servo de Deus. O abandono é uma das piores experiências pelas quais um ser humano pode passar. Pense em um soldado sendo abandonado para morrer em um campo de combate; ou um pastor, que depois de dedicar toda sua vida à uma igreja, ser abandonado por ela na sua velhice; ou ainda um bebê sendo deixado de lado por sua própria mãe. Pasmem, esses incidentes acontecem com frequência e que não estão distantes de nós. Nem Jesus escapou do abandono; antes de ser crucificado, foi deixado de lado por todos os seus discípulos. O nosso consolo é saber que Deus não nos deixa só. O Senhor nos enviou o Espírito Santo justamente para nos consolar e nos guiar em todas as coisas (João 14:16).

I. O ABANDONO FAMILIAR
A família em nossos dias vem sofrendo os mais duros ataques por parte do Diabo. Vícios no lar, infidelidade dos cônjuges, alto índice de divórcio, drogas, violência doméstica e abandono de filhos são alguns dos exemplos mais comuns dessa ação diabólica. Satanás sabe muito bem que se atingir a família, atingirá a sociedade como um todo, bem como ao maior projeto estabelecido por Deus para salvação da humanidade, que é a Igreja. Certamente a manutenção da instituição familiar constitui-se no maior desafio que se nos apresentam nos dias de hoje, no presente século. O adversário de nossas almas tem atacado violentamente a família, porque sabe que, uma vez atingida a família, a um só tempo, estará destruída tanto a sociedade, quanto cada um dos integrantes da família. O comportamento humano é construído sobre os alicerces lançados na família. Entretanto, a cada dia fica mais difícil encontrar famílias saudáveis. É comum famílias desestruturadas que não cuidam dos seus próprios integrantes, não lhes suprindo as mais básicas necessidades. Muitas das vezes abandonam seus ente queridos nos momentos em que mais precisam de amparo. Paulo adverte que “se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1Tm 5:8). Este tópico da nossa lição fala em especial de três situações de abandono na família:

1. Na doença. A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem (ler Gn 3:17). A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem. Ninguém, portanto, está imune às doenças, nem mesmo os filhos de Deus. Quando a doença chega, todos precisamos de ajuda das pessoas da família. Mas, infelizmente, o que se tem visto é o abandono nesses momentos mais necessários; abandonam o doente à própria sorte, demonstrando assim uma atitude impiedosa e anticristã, uma verdadeira ausência de amor a Deus e ao seu próximo. Uma pessoa que não demonstra amor ao seu próximo, que vê, como amará a Deus que nunca viu? (1João 4:20).

2. No vício. O Diabo sempre teve interesse em devorar o ser humano através de seus ardis (1Pe 5:8). As drogas de um modo geral têm sido usadas por Satanás para destruir o ser humano, tanto jovem, adolescentes, adultos, as famílias constituídas. O desejo dele é a preservação da humanidade fora dos planos da salvação de Deus. Muitos não suportam uma pessoa viciada conviver no seu mesmo ambiente social, por isso a abandonam à própria sorte, o que faz ainda mais piorar a vida dessa pessoa. Sem direção e desamparada, a pessoa viciada perde a noção de certo e errado e, para satisfazer o vício, é capaz de roubar e até matar. Alguns chegam até o suicídio, por se sentirem sozinhos e abandonados pelos amigos e pelos da família. Lidar com viciado não é fácil, mas é nessa hora que a família precisa fazer-se presente e estar unida para ajudá-lo a livrar-se dos vícios. Todavia, a pessoa drogada deve aceitar, incondicionalmente, a mão amiga, quando esta oferece ajuda a qualquer custo. Um dos maiores problemas a ser vencido, para a pessoa que usa qualquer substância química, é a dificuldade de amar o próximo, pois o amor ao seu ego, faz com que a pessoa fique cega para as pessoas que estão ao seu redor. Para ela só existe sua satisfação, custe o que custar e para quem custar. Desta forma, a pessoa dependente química ofende muito aqueles que a amam e deve se arrepender, pedindo a Deus que a lave com Seu precioso sangue, e também deve pedir perdão às pessoas ofendidas, que foram roubadas e que as deixaram sem dormir de preocupação, ferindo-as, humilhando-as, e deixando-as sem esperança em suas vidas pessoais devido a sua situação.

3. Na terceira idade. A chamada terceira idade é talvez o momento em que as pessoas mais precisam de assistência por parte dos seus familiares, em razão do esmaecimento das forças, com as consequentes doenças. Em nossa sociedade, muitas vezes, os idosos são desprezados; algumas famílias chegam a desampará-los por completo, colocando-os em casas de repouso ou asilos, sem nenhuma assistência familiar. A Bíblia relata que os mais velhos devem ser respeitados e ouvidos pelos mais novos (Js 23:1-2; Lm 5:12,14; Lv 19:12; Ex 20:12). O mandamento do Senhor de honrar o pai e a mãe continua válido para os dias atuais (Ef 6:1-3).

II. O ABANDONO EM SITUAÇÕES DIFÍCEIS
Existem muitas situações difíceis pelas quais podemos sofrer as consequências do abandono em nossa vida. Dentre elas o comentarista da lição destaca:

1. O Abandono no desemprego. O desemprego é um dos fatores mais drásticos que uma pessoa pode passar, principalmente aqueles que tem família para sustentar e com débitos pendentes de liquidação. Geralmente, nessas horas até mesmo aqueles que se diziam amigos desaparecem; até os familiares fogem, pois temem emprestar dinheiro e ouvir as lamentações do desempregado. A Bíblia ensina a amar o próximo e ajudá-lo nos momentos de necessidade (ver Lc 10:25-37). Creio que se formos fiéis ao Senhor ele não nos abandonará nesse momento difícil. Está escrito que ”o Senhor não desampara os seus santos“ (Sl 37:28).

2. Da amizade. A Bíblia nos mostra exemplos de amizade verdadeira, sincera e desinteressada, como a de Davi e Jônatas (1Sm 18:1), ou a de Rute e Noemi (Rt 1:8-18). É o desejo de todos nós ter uma amizade como essa. Mas é frequente as pessoas serem traídas por aqueles que pareciam grandes amigos. Até Paulo sentiu a dor do abandono de seus amigos mais chegados (cf 2Tm 4:16). Ele sentiu de perto o peso do abandono da amizade, num momento em que mais precisava de uma mão amiga. Já perto do fim da sua vida, preso em Roma, Paulo reclama a Timóteo do abandono de seus irmãos mais próximos. O texto básico desta Aula (2Tm 4:9-18) mostra claramente os sentimentos de tristeza e abandono que tomaram conta de Paulo nesse momento difícil. Paulo sabia que estava chegando perto do fim de sua vida, e pede a Timóteo que vá vê-lo depressa. Mais do que precisar da companhia de Timóteo, Paulo queria lhe ministrar um último ensinamento: mostrar a Timóteo como um cristão deveria morrer por sua fé. Em seguida, Paulo esclarece o porquê está sozinho: Demas o havia desamparado, amando as coisas do mundo; Crescente, Tito e Tíquico também estavam longe, provavelmente pregando o Evangelho; apenas Lucas tinha ficado com ele. E por isso Paulo pede a Timóteo que tome a Marcos e vá vê-lo (convém notar que este é o mesmo João Marcos, sobrinho de Barnabé, que Paulo recusou anos antes como companheiro, porque ele os tinha abandonado na viagem, mas agora ele era útil, e Paulo o reconheceu). Paulo relata a Timóteo o problema que teve com Alexandre, o latoeiro (provavelmente o mesmo blasfemador citado em 1Tm 1:20), para que Timóteo guarde-se dele. Paulo termina o relato dizendo que ninguém o assistiu em sua defesa, mas ele sentiu a presença do Senhor o amparando – “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto não seja imputado“(2Tm 4:16). Nota-se que Paulo se recusou a ficar amargurado por essa experiência. Sua oração pelos que o abandonaram é semelhante à oração de Estevão por seus assassinos: “Senhor, não lhes imputes este pecado“(At 7:60). A Bíblia nos adverte a não abandonar o amigo – “Não abandones o teu amigo… (Pv 27:10). Devemos ser fieis, leais e amorosos – “Em todo tempo ama o amigo…” (Pv 17:17).

3. Da igreja. É dito por muitos que a igreja é a extensão do lar, da família. Um dos muitos modos de referir-se à igreja é como família de Deus. Entende-se que a família vive de relacionamentos, logo, como espaço para relacionamentos, precisa proporcionar um ambiente propício a que seus membros possam relacionar-se saudavelmente. Nós somos membros uns dos outros, então, devemos cuidar uns dos outros. Infelizmente, há igrejas que se esquecem de seus membros, não os visitam, não oram por eles e não lhes tratam as feridas. Até mesmo os missionários muitas vezes estão abandonados pelas igrejas que os enviaram, passando por diversas necessidades. Jesus disse que os falsos cristãos seriam caracterizados justamente pelo desamor e desprezo em relação aos desvalidos (Mt 25:31-46). É hora de acordarmos para este problema; a igreja precisa tratar as carências dos seus membros. Somos um só corpo (1Co 12:12); se um membro padece, todo o corpo padece (1Co 12:26-27). Devemos cuidar e zelar uns dos outros, para que a igreja de Cristo desfrute perfeita saúde. Deus deseja que Seus filhos vivam em comunhão uns com os outros (Sl 133) e que os desvalidos, desfavorecidos e vitimados pela vida encontrem apoio, atenção e ajuda em Sua casa (Tg 1:27). Convém lembrar que Deus usa os crentes para consolar outros crentes, como fez com Tito em relação a Paulo (2Co 7:6).

III. O DEUS QUE NÃO ABANDONA
1. Na angústia. É justamente nos momentos de angústia e aflição que o ser humano sente-se esquecido por todos, inclusive pelos mais chegados. Quantas vezes nos sentimos sozinhos, angustiados e esquecidos pelos nossos amigos, parentes e pelos nossos irmãos em Cristo. Mas, mesmo nos momentos difíceis da vida, existe alguém que nunca nos abandona, Jesus. Portanto, se a angustia bater no seu coração, lembre que você pode invocar o Senhor. O Salmo 50:15 diz: “invoca-me no dia da angustia, eu te livrarei, e tu me glorificarás“. Foi assim que Ana alcançou a benção de ter um Filho (1Sm 1). Foi assim que Moisés alcançou os milagres nas horas mais difíceis. Foi assim que aconteceu com o cego de Jericó; ele gritava pedindo que Jesus tirasse dele aquela angústia, a cegueira física: “Jesus Filho de Davi, tem misericórdia de mim“; o Senhor atendeu o seu pedido, ele foi curado, física e espiritualmente. Jairo também foi até Jesus num momento de angústia, a sua filha estava morrendo; quando estava pedindo a misericórdia do Senhor, recebe uma má noticia: “não precisa mais incomodar o Mestre, ela[a criança] já morreu”. Em muitas das vezes você vai encontrar pessoas que querem incentivar você a desistir, mas não desista! Jairo mesmo recebendo a noticia da morte de sua filha confiou em Jesus e alcançou a benção. Somente em Deus encontramos refúgio e fortaleza nos momentos de angústia. Está escrito:”Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia“ (Sl 46:1). É bom ressaltar que Deus nem sempre nos livra “da” angústia, mas “na” angústia. Ele não é o Deus da previsão e sim, da provisão. Não é o Deus da previdência e sim da providência. Ele não age antes, mas também não se atrasa. Ele disse: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”(Mt 28:20). Seja qual for as tuas angústias ou problemas, continuem confiando em Deus. Ele nos livra “nos” problemas e “nas” angústias – “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei” (Sl 91:15).

2. O amigo. O verdadeiro amigo é aquele que se dispõe a tomar a carga do outro, de colocar o seu próprio destino juntamente ao do outro, de compartilhar as agruras, as dificuldades e as adversidades. O amigo se conhece no momento das dificuldades, não no momento das vitórias e das realizações. Como diz Salomão, o amigo ama em todo o tempo (Pv 17:17a) e não pode abandonar o seu amigo (Pv 27:10). Ser amigo é algo muito profundo e, em um modo geral, nunca teremos muitos amigos, pois é muito intensa a intimidade do amigo. Esta intimidade faz com que tenhamos, quase sempre, poucos amigos, mas não importa a quantidade, mas, sim, a qualidade desta amizade. Os amigos de Paulo não eram muitos(Cl 4:11), mas o suficiente para que o apóstolo não ficasse desamparado e prosseguisse o seu ministério. Os amigos não são muitos, mas, mais importante do que isto, é saber que o crente, além de ter os seus indispensáveis amigos, tem um amigo que é mais chegado do que um irmão (Pv 18:24b), a saber, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Jesus chamou Seus discípulos de amigos, em lugar de servos (João 15:15). Nós também temos esse privilégio. Ele é o amigo fiel, que não nos abandona na hora da angústia. Ao morrer em nosso lugar, Jesus ofereceu a maior prova de amor e lealdade que um amigo pode dar (João 15:13). Cristo morreu na cruz do Calvário para que hoje tivéssemos direito à vida eterna. Para termos esse amigo fiel ao nosso lado, apenas precisamos aceitá-lo como Salvador pessoal. Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e nossas dores (Is 53:4), inclusive as dores da discriminação e do abandono. Abraão foi chamado de “amigo de Deus”(2Cr 20:7;Is 41:8; Tg 2:23). O fato de Abraão ser chamado de “amigo de Deus” já é suficiente para buscarmos seguir o seu exemplo, já que, como servos do Senhor Jesus, também somos reputados como seus amigos (João 15:15). Se Abrão é chamado amigo de Deus é porque tinha o mesmo sentimento de Deus, tinha uma profunda comunhão com o Senhor. Comunhão é o estado em que há uma comunidade de sentimentos, de propósitos, de ideias, ou seja, os sentimentos, os propósitos e as ideias de Abrão e de Deus eram iguais, eram idênticos, eram comuns. Disse Jesus: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15:14).

3. A sua Igreja. A igreja é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja. Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história da humanidade, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destruí-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida. No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer. Jesus prometeu que estaria com a Igreja, sempre: “eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28:20). Ao revelar o Seu mistério, isto é, a Igreja, disse que a edificaria e que as portas do inferno não prevaleceria contra ela (Mt 16:18). Jesus foi constituído Senhor sobre todas as coisas (Mt 28:18; Rm 14:9) e não deixaria de sê-lo com relação à sua Igreja, que Ele comprou com o seu próprio sangue (At 20:28). Tendo criado a Igreja, nada mais natural que seja o seu Senhor, o seu Rei, o seu Governante. Portanto, Jesus jamais abandona a Sua Igreja.

CONCLUSÃO
Na época do profeta Isaias, o povo de Israel experimentaram grande sofrimento e, por isso, se sentiam abandonado e esquecido por Deus. Mas Deus lhes deu a seguinte resposta: “Pode uma mulher esquecer-se também do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti“ (Is 49:15). Esta resposta de Deus é a garantia divina a todo crente que passar por períodos de provação, ou até mesmo ser esquecido pelo seu ente querido. O amor de Deus por nós é maior do que a afeição natural que uma mãe amorosa dedica a seus filhos. Sua compaixão por nós nunca cessará, sejam quais forem as circunstâncias da nossa vida. Ele zela por nós com grande amor e ternura, e estejamos convictos de que Ele nunca nos abandonará. A evidência do grande amor de Deus é que Ele nos gravou nas palmas das suas mãos, de tal maneira que nunca nos esquecerá. As marcas dos cravos nas suas mãos, estão sempre diante dos seus olhos como lembrança do grande amor que Ele tem por nós, e do seu cuidado. Portanto, ainda que a família e os amigos venham a abandonar-nos, Deus sempre nos acolherá. Ele está sempre ao nosso lado. Amém!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

A IRA DO CORDEIRO DE DEUS.

A IRA DO CORDEIRO DE DEUS.

E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da IRA DO CORDEIRO; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir? Apocalipse 6:15-17 - ACF

Deus é amor, Deus é amor. Frase comum hoje em dia, partilhada por muitos, compreendida por poucos. De fato, uma afirmação bíblica. João, em sua epístola afirmou esta verdade, usando as mesmas palavras (1 João 4:16).

Tendo isto em vista, muitas pessoas hoje tem dificuldades em entender uma grande verdade sobre o caráter de Deus: que o Deus que ama também odeia, e sua ira está contra todo pecado e iniquidade. Uns chegam ao absurdo de negar a existência de um inferno. Deus é amor, dizem, e como tal, não condenaria ninguém ao inferno. Será isso verdade, ou apenas a repetição ignorante de um clichê pós-moderno? Será esse “Deus de amor” moderno o Deus da Bíblia? E a resposta é um contundente NÃO! Se você quer entender quem é o Deus da Bíblia precisa considerar seus atributos por completo, em igualdade, jamais ignorando um em detrimento de outros. Para iniciar nossa análise, deixe-me instiga-lo com uma questão? Pode Deus perdoar seus pecados? Claro que sim, alguém responderia! Deus é amor, e como tal ele pode perdoar meus pecados. Para a surpresa de muitos, a Bíblia NÃO ensina esta doutrina. Pois perdoar um pecado implica em deixar o transgressor livre da merecida condenação. E Deus não faz isso. Por que? Pois Ele é JUSTO! Você ficaria satisfeito se um juiz, por ser benéfico e compassivo, deixasse um assassino de crianças livre? Ah, mas o juiz é amor, você seria forcado a dizer se fosse levar seu argumento a respeito de Deus a sério. Deus é amor, sim, mas também é justo, e como tal Sua Ira contra os pecados da humanidade DEVE ser satisfeita, e ela seria satisfeita se Ele lançasse a nós todos no fogo do INFERNO!

Agora que consideramos tudo isso, eu mesmo usarei o atributo amoroso de Deus em minha exposição. Deus é amor. Agora estamos chegando perto de usar esta verdade sabiamente. Prossigamos. Deus é justo e não pode deixar um miserável pecador como eu e como você sem punição. Foi isso que Moises disse ao ver a majestade de Deus: “E passou diante de Moisés, proclamando: "Senhor, Senhor, Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade, que mantém o seu amor a milhares e perdoa a maldade, a rebelião e o pecado. Contudo, não deixa de punir o culpado; castiga os filhos e os netos pelo pecado de seus pais, até a terceira e a quarta gerações” (Êxodo 34:6-7 - NVI). Estranho, não? Paradoxal. Deus NÃO deixa de punir o pecado, mas mesmo tempo deixa de puni-lo, pois é o que perdoar significa. Segundo o dicionário de Oxford – para a palavra forgive, perdão em inglês – perdoar é “desistir de ressentimento ou reivindicação de recompensa para (um delito)”. E isso já vimos que Deus, justo, não faz. Qual a resposta então? Como resolver o paradoxo de Êxodo 34:6-7? E a resposta é a Cruz. Na Cruz, a Justiça e Amor de Deus se encontraram!

Este é o entendimento que nos cristãos temos da Cruz. E é inaceitável que alguém se diga Cristão se não crer desta forma. O que Jesus fez na Cruz não foi sofrer chicotes e açoites apenas. Tampouco o escárnio ou os pregos. O que Jesus temeu, e o fez soar sangue, foi a IRA de DEUS. Era o que havia no cálice o qual Ele pediu ao Pai que afastasse de si. O que havia nesse cálice era a punição, a Ira, o ODIO santo de um Deus justo pelo pecado do povo. E Jesus bebeu este cálice, todo. Nenhuma gota restou. Voltemos a pergunta inicial: Deus perdoa pecados? Agora sim, e por que? Por que o débito foi pago, a ira satisfeita. O pecado, este foi punido. Louvado seja Deus por Jesus Cristo!

Mas, no início desta reflexão, lemos o Apostolo Joao falar sobre a IRA do Cordeiro. Talvez você pense: Cristo já pagou pela Ira, então eu não tenho o que temer. Cuidado! Cristo pagou pela Ira dos Seu povo! Você faz parte do povo de Deus? Você se ARREPENDEU dos seus pecados, voltou-se para Deus e busca santificar-se? Sua mente e coração doem pelo seu pecado? Você creu e recebeu Jesus como a fonte de toda sua vida e esperança? As palavras-chave são fé e arrependimento. Se você não o fez, devo te alertar com temor e tremor, faça-o logo! Não ouse esperar a morte e passar para eternidade sem receber os benefícios do sacrifício de Cristo. Não tema o diabo. Tenha medo de Deus! Ai dos que passam para o além sem serem perdoados. Enfrentarão a Ira de Deus! Arrependa-se, e volte para Cristo, enquanto Ele ainda é um Cordeiro misericordioso. Não espere ele se tornar o Cordeiro Irado!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

MARIDOS NÃO DESPREZEIS AS VOSSAS MULHERES.

 

MARIDOS NÃO DESPREZEIS AS VOSSAS MULHERES.

1 Pedro 3.7

Introdução

O ponto que desejamos enfatizar nesta lição é que o marido tem o papel principal, primordial, para que o casamento funcione bem. Isso não significa que a mulher não tem nenhuma responsabilidade quando as coisas dão errado no relacionamento. O que estamos dizendo é que a responsabilidade primeira quanto ao bom andamento do casamento, de acordo com a Bíblia, é do marido.

Todos nós estamos familiarizados com o relato de Gênesis, de como Deus criou o homem e a mulher, colocou-os no jardim, e disse ao casal que não deveriam tocar no fruto do conhecimento do bem e do mal. Quem desobedeceu primeiro foi a mulher. Ela viu o fruto, pegou-o, comeu, e deu ao marido. Mas quando Deus veio apurar as responsabilidades, dirigiu-se ao marido. Ou seja, Deus colocou a responsabilidade em primeiro lugar sobre o marido.

O marido tem a responsabilidade maior de fazer com que o seu casamento e a sua família andem bem. No texto básico, Pedro dá orientações práticas aos maridos sobre como eles devem tratar as suas esposas. Vamos a elas.

I. Como viver bem no lar

A única ordem que aparece no texto pode parecer estranha ou desnecessária, mas na verdade é extremamente importante. Pedro determina aos maridos que vivam a vida comum do lar com a sua esposa.

Na sociedade moderna, geralmente o marido sai de casa pela manhã e só volta à noite. Quem praticamente faz com que as coisas andem bem no lar é a esposa, no caso em que a esposa trabalha em casa. É ela quem cria os filhos e quem resolve problemas domésticos; mas o marido deve compreender que a vida no lar é também responsabilidade dele. Ele deve viver a vida comum do lar com a esposa. Ele também tem responsabilidades no andamento da casa. Por isso, a primeira coisa que Pedro diz para os maridos é: vivam com a sua esposa a vida comum do lar. Que mandamento precioso e importante a ser obedecido hoje. Vejamos três maneiras de se viver bem no lar.

A. Viva com discernimento

A primeira, é que os maridos vivam com a esposa “com discernimento”. Essa palavra significa “conhecimento”. Pedro instrui os maridos a terem discernimento, ou seja, conhecimento no trato com sua esposa. Pedro não explica que conhecimento é este, mas evidentemente é tudo aquilo que o marido deve saber para que a relação com a sua esposa seja feliz. É um conhecimento que vai fazer com que o casamento seja bem-sucedido e certamente isto significa conhecer três coisas:

1. O marido deve conhecer a si mesmo. Ele tem de saber quais são os seus limites, quais são suas fraquezas (Pv 27.19). Ele tem de saber quais são suas áreas fortes, com as quais pode se envolver e ajudar a esposa. Para isso, o marido deve se conhecer. Ele precisa ter uma avaliação correta de si mesmo. Às vezes o marido não percebe as coisas com exatidão porque ele não está consciente de quem é e do seu papel no lar.

2. O marido precisa conhecer sua esposa. Conhecer a esposa é fundamental para não tratá-la com amargura (Cl 3.19). Quais são os seus sonhos, seus ideais, seus anseios e suas angústias, suas preocupações? Esse conhecimento da esposa é essencial para que o marido desempenhe o seu papel corretamente. Muitos dos problemas do casamento decorrem disso: os maridos não têm diálogo, comunicação e comunhão íntima com a esposa e, portanto, os anos se passam sem que ele venha a conhecê-la. Ela se torna para ele uma estranha em casa.

3. O marido precisa conhecer a Deus (Os 6.3). Se não conhecer a Deus e depender dele, o seu relacionamento com sua esposa dificilmente alcançará o nível de satisfação, de alegria e de realização como deve ser. Sem a presença de Deus não há felicidade plena (Sl 16.11). Casamento feliz tem de ser a três. O homem, a mulher e Jesus Cristo. É somente à luz do conhecimento divino que podemos entender quem somos e por que estamos aqui. Assim sendo, podemos interpretar as palavras de Pedro nesta passagem, como sendo primeiramente uma exortação aos maridos a que cresçam no conhecimento de Deus, o que fará que convivam com entendimento com sua esposa.

B. Viva com sensibilidade

A segunda orientação é que o marido viva com a esposa tendo consciência de que ela é a parte mais frágil. No original grego, Pedro refere-se à mulher usando a palavra “vaso”, metaforicamente referindo-se à personalidade humana em geral. O marido, portanto, tem de ter consciência de que a mulher é o vaso mais frágil. O homem também é frágil, mas a mulher é mais do que ele. O sentido da exortação é este: o marido não deve se aproveitar do fato de ser mais forte. Há alguns sentidos em que isso é verdade.

Primeiro fisicamente. Não é difícil para o homem sobrepujar fisicamente a sua esposa. A mulher por natureza é mais fraca do que o homem e às vezes o homem tira vantagem disso.

Em segundo lugar, a advertência de Pedro tem relação com o exercício da autoridade na família. Apesar de todos os esforços do movimento feminista, e de a sociedade ter mudado bastante neste sentido, ainda predomina o padrão tradicional da família em que o homem é o líder. É verdade que em alguns casamentos isso não é mais verdade, entretanto, o normal é que seja assim. Contudo, o homem não deve se valer disto e se aproveitar de sua esposa, por ela ser o vaso mais frágil.

Em terceiro lugar, a mulher é mais frágil emocionalmente. Ela é mais sensível, se machuca mais no conflito com o marido. Estamos dizendo isso não somente pela observação, mas também por haver um mandamento na Bíblia que diz exatamente isto: “maridos… não a trateis com amargura.” (Cl 3.19). Por quê? Porque ela é o vaso mais frágil. A sensibilidade dela é maior. A angústia dela é maior.

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C. Viva com dignidade

Pedro vai além e diz que os maridos devem viver a vida comum do lar com a sua esposa, com conhecimento, sabendo que ela é o vaso mais frágil e, por isso, devem tratá-la com dignidade. Esse é o terceiro aspecto da vida comum no lar.

Há vários modos pelos quais o marido pode tratar sua esposa dignamente. Um deles é tratá-la de modo respeitoso e digno em público, na presença de outras pessoas. Outro é reconhecendo e dizendo para ela todas as coisas boas, agradáveis e corretas que ela faz. É muito bom quando o marido reconhece o valor da sua esposa e afirma isso a ela e também em público, na presença dos amigos, com sinceridade. Infelizmente, às vezes, acontece o contrário. O marido provoca a esposa na presença dos amigos, humilhando-a na presença dos outros. É muito importante que o marido se lembre de tratá-la sempre com dignidade e honra. É o que diz a Palavra de Deus.

Aqui devemos ter cuidado para não ir ao outro extremo e pensar que honrar a mulher significa sempre fazer suas vontades, como Adão que deu ouvidos à Eva. Temos de amar, respeitar e apreciar a esposa, mas a nossa apreciação por Deus está acima de qualquer coisa.

II. Razões para viver bem no lar

Pedro dá duas razões para que os maridos tratem a esposa com conhecimento, sensibilidade e dignidade.

A. Iguais apesar de diferentes

A primeira razão é: se por um lado a esposa é o vaso mais frágil, por outro, ela é igual ao homem. As esposas vão receber a mesma vida que Deus dá aos maridos, explica Pedro. Elas são juntamente herdeiras da mesma graça divina (1Pe 3.7). A Bíblia ensina que há uma diferença fundamental entre o homem e a mulher. Essa diferença remonta ao tempo da Criação. A mulher é o vaso mais frágil. Foi assim que Deus a fez. Isso não quer dizer que ela não possa exercer determinadas atividades que tradicionalmente eram do homem, mas isso não diminui a diferença entre ambos. Por outro lado, a Bíblia ensina que o homem e a mulher são iguais em valor diante de Deus. As Escrituras nos ensinam a igualdade essencial do homem e da mulher bem como as diferentes atribuições de ambos em seus papéis na igreja e na família.

Na passagem que estamos estudando, Pedro ensina que ambos, homem e mulher, têm o mesmo valor diante de Deus, sendo participantes da mesma graça da vida. O homem não é melhor que a mulher em nenhum aspecto, espiritual, moral, intelectual ou emocional, pelo contrário, ambos são pecadores que precisam da graça (Rm 3.10,23; 5.12,18).

Quando o marido reconhece que ele é diferente da sua mulher, conscientiza-se de que tem determinados papéis a cumprir por causa destas diferenças, e os assume. Quando ele reconhece que a esposa vai herdar com ele a mesma vida eterna que Jesus Cristo prometeu, passa a tratá-la com dignidade e respeito. Aí temos o equilíbrio.

B. Não ter a oração interrompida

A segunda razão que Pedro apresenta aos maridos para que tratem a esposa como convém é que o relacionamento conjugal influencia diretamente na vida de oração. Ele diz “para que não se interrompam as vossas orações” (3.7b).

A advertência de Pedro pode ser entendida de duas maneiras. Primeira, Pedro adverte que conflitos, gritarias e coisas do gênero por parte dos maridos fazem com que Deus interrompa as respostas às suas orações. Se os maridos falharem em seu papel, haverá reflexos em sua vida espiritual. A força do argumento de Pedro repousa no fato de que todo marido cristão sabe da importância de manter sempre ativo e vivo o seu relacionamento com Deus. Este argumento não valeria para maridos descrentes. A interrupção das orações é parte da disciplina que Deus impõe ao marido faltoso.

Muito embora Pedro não afirme explicitamente, subentende-se que quem vai interromper as orações é o próprio Deus. Na verdade, podemos dizer que não são as orações que serão interrompidas, mas as respostas que Deus daria a elas. Deixar de ter as orações respondidas é de fato um castigo severo para qualquer cristão. É uma indicação de quão seriamente Deus vê o tratamento que os maridos devem dar a sua esposa.

A segunda explicação para a advertência de Pedro é que ele pode estar dizendo que os conflitos e agressões separam o marido e a esposa, de modo que as orações domésticas ficam interrompidas. A forma de ameaça de Pedro, neste caso, é exatamente a importância das devoções familiares para a manutenção da vida doméstica. A ameaça de ter as orações com a esposa interrompidas deveria levar os maridos a refletir nas consequências de suas atitudes. Pedro destaca o valor da vida de oração do marido e da esposa. Oração mútua não pode existir onde não há amor e perdão mútuos.

Conclusão

O marido deve amar sua esposa e buscar viver bem dentro do seu lar, com discernimento, conhecendo a si mesmo, a sua esposa e a Deus, tratando a esposa com sensibilidade, como parte mais frágil, com dignidade e com toda honra. Por fim, o marido deve agir assim dentro do seu lar porque ambos são iguais diante de Deus, e para que não tenha suas orações interrompidas.

Marido cristão, você deve tratar bem a sua esposa, como parte mais frágil, dentro e fora do seu lar. Procure saber quais são as suas atitudes que causam ira ou tristeza na sua esposa e evite-as. Ao mesmo tempo, procure conhecer mais a sua esposa, seus gostos, desejos, vontades, aquilo que a agrada e a torna mais feliz. Jamais levante um dedo para a sua esposa. Trate-a com carinho e respeito. Lembre-se que palavras machucam mais do que gestos, então, seja delicado nas palavras. Faça elogios à sua esposa, em família e em público. Evite chamar a atenção de sua esposa, discutir com ela ou ofendê-la em público. Resolva as suas diferenças entre vocês dentro de sua casa, com muita sabedoria. Não exponha sua esposa a uma situação ridícula, como brincadeiras ou piadas de mau gosto. Seja um marido meigo, romântico, doce, simpático, afetuoso, compassivo e perdoador. Principalmente, seja um marido crente, de oração e cheio do Espírito Santo.

Além destas ações, o que mais você pode fazer para demonstrar seu amor por sua esposa?
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

ROUBARÁ O HOMEM A DEUS?

 

ROUBARÁ O HOMEM A DEUS?

A nossa motivação ao devolver o dízimo não é conseguir bênçãos materiais de Deus, mas expressar gratidão e adoração pelas dádivas recebidas. Deus não faz troca com ninguém.

“Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas”. Malaquias 3:8.

Em Gênesis 14:20 lemos que Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque que era não apenas um rei, mas também sacerdote do Senhor. O ato de Abraão revela que o receptor do dízimo deve ser alguém separado por Deus para uma tarefa santa. Abraão obedeceu (e note bem, ele poderia usar o dízimo para o que quisesse, mas não o fez. Ele cria no plano de Deus) e deu o dízimo a quem de direito.

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No sistema israelita Deus estabeleceu regras ainda mais claras a respeito do dízimo. O dízimo foi dado aos levitas como herança e deveria ser administrado por eles (Números 18:21 a 32). Tanto é que o doador não podia manipular a décima parte. A pessoa não devia separar o bom do defeituoso ou fazer qualquer substituição (Levítico 27:33). Por exemplo, em um rebanho o décimo animal que passasse sob o cajado do pastor pertencia ao Senhor, não importando a sua condição. O israelita também não dava seus dízimos e ofertas para simplesmente “pagar” o salário dos levitas. O dízimo era na verdade não oferta para os levitas, “mas para o Senhor” (Números 18:26).

Esta verdade é reforçada em Malaquias 3:8 quando Deus diz: “… vós me roubais”. O roubo não é contra os levitas ou sacerdotes, mas contra Deus.

Os dízimos e as ofertas servem para tirar o egoísmo do nosso coração e nos ajudam a colocar nossa confiança não no dinheiro, mas em Deus (Lucas 12:15). Como resultado desse relacionamento de confiança, teremos mais sabedoria para administrar os 90% restantes, pois adquirimos uma perspectiva correta da nossa escala de valores, sabendo, assim, diferenciar o que é realmente essencial daquilo que é supérfluo. Também saberemos usar as coisas e amar as pessoas, jamais o contrário.

Vale lembrar que:
A nossa motivação ao devolver o dízimo não é conseguir bênçãos materiais de Deus, mas expressar gratidão e adoração pelas dádivas recebidas. Deus não faz troca com ninguém. Existem igrejas que ensinam a teologia da prosperidade, um tipo de barganha com Deus. Mas Deus não pode ser comparado a um fundo de investimento, não é essa a relação que Ele deseja ter com Seus filhos. O Senhor nos ensina a ofertarmos humildemente e em sinceridade, não por ostentação ou interesse (Lucas 21:1-4).

Devolver o dízimo é um ato de adoração.
Mesmo sendo o Dono de tudo, Deus confiou ao homem o gerenciamento da terra e dos seus recursos (Gênesis 1:28; 2:15). Os israelitas foram ensinados a adorar a Deus com o dízimo, ou seja, 10% de tudo o que se produzia. Abraão já tinha esse costume (Gênesis 14:18-20), que perdurou no Novo Testamento (Mateus 23:23; Hebreus 7:2). Além dos dízimos, as ofertas também são mencionadas (Êxodo 36:3; Deuteronômio 16:17, 1 Coríntios 16:2). Enquanto o dízimo aponta nossa fidelidade a Deus, as ofertas revelam nossa gratidão (2 Coríntios 9:5).
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.