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domingo, 9 de agosto de 2020

                                                     QUE TIPO DE PAI VOCÊ É

Introdução

A. Há uma grande necessidade em nossos dias de pais que cumpram com suas tarefas dadas por Deus.

1. Uma das razões porque a Igreja é tão fraca como é muitos lugares, é porque os pais não estão cumprindo suas funções espirituais

2. Uma das razões porque muitos dos jovens dos nossos dias estão envolvidos em drogas, sexo pré-marital, atividades ilícitas e uma série de outras coisas pecaminosas é porque os pais não estão cumprindo suas responsabilidades

B. É tempo de nós como pais percebermos a enorme responsabilidade que temos na formação da vida espiritual de nossos filhos

1. É o momento de os pais fazerem mais por seus filhos que apenas jogar bola ou praticar qualquer outra atividade com eles.

2. É tempo de os pais agirem como gigantes espirituais na família

C. Em nosso sermão de hoje vamos discutir:

1. O tipo de pais que não precisamos

2. O tipo de pais desesperadamente necessários hoje

I. O tipo de pais que não precisamos

1. Nós não precisamos de pais hoje que armam suas tendas até Sodoma como fez Ló.

a. Quando chegou o momento da separação de Abraão e Ló, Ló fez claramente uma escolha indicando seu materialismo

b. Gênesis 13:10-13

c. Sodoma não era um lugar ideal para criar uma família

d. 2 Pedro 2:7-8

e. Se o justo Ló era atormentado dia a dia por causa da maldade que o rodeava, pensa no efeito que isso teria sobre sua família

f. Gênesis 19 parece indicar que alguns dos filhos de Ló escolheram ficar para trás - e não sair com Ló.


g. Com demasiada frequência, os pais tomam muitas das decisões da vida com o materialismo como um fator dominante


2. Nós não precisamos de pais hoje que não disciplinam seus filhos como fez o velho Eli.

a. 1 Samuel 2:12, 17, 24 ... a razão que eles eram tão maus - Eli "não os repreendeu" (1 Samuel 3:13)

b. A nossa época é permissiva

1) Muitos meninos e meninas crescem e nunca viram o papai estabelecendo uma linha de limite para suas ações

2) Eles nunca ouviram papai dizer não às suas exigências

3) Eles nunca sentiram o peso por trás da disciplina punitiva

c. Pais que são demasiados permissivos são os maiores inimigos de uma criança

1) Provérbios 29:15, 17

2) Os pais devem disciplinar seus filhos

3. Nós não precisamos de pais de hoje que praticam roubos, enganos e desonestidades como fez Acã nos dias de Josué.

a. Israel acabara de cruzar o rio Jordão e foram feitos os planos para conquistar Jericó ... Deus disse - Josué 6:2

1) O Senhor deixou claro que todos os despojos pertenciam a Ele ... Josué 6:17-19

2) Depois que Israel derrotou Jericó, eles prosseguiram para conquistar Ai, mas Ai derrotou Israel - Josué pergunta a Deus por quê? ... Josué 7: 11 - havia pecado no acampamento

3) Alguém tinha tomado aquilo que pertencia a Deus e toda a congregação estava sofrendo as consequências

4) Acã era o culpado ... Josué 7:20-21

5) Josué 7:25-26

b. A prática da desonestidade marcha desenfreadamente pela terra hoje

1) Como pode pais que praticam a desonestidade ser bons pais?

4. Nós não precisamos de pais hoje, como Jeroboão foi para Nadabe

a. Jeroboão foi o primeiro dos 19 reis do reino do Norte, e teve a oportunidade de definir um tom justo para seu governo e para seus sucessores, quem seria seu filho Nadabe - mas ao invés disso ele optou por caminhar por sua própria teimosia pecaminosa

b. Observe 1 Reis 15:25-26

c. Nadabe não tinha um pai justo para o ensinar

5. Nós não precisamos de pais hoje que criam os filhos com o discurso de Asdode

a. Tal foi o caso nos dias de Neemias

1) Neemias 13:23-24

2) A raiz do problema foi que os homens judeus fizeram a escolha errada com relação as mulheres, e isso estava afetando a pureza de suas falas

b. Fazendo aplicação espiritual para isso - nós estamos removendo ainda mais do nosso falar a linguagem da sã doutrina

1) Muitos dos nossos jovens não chamam as coisas da Bíblia por nomes bíblicos e não estão fazendo as coisas da Bíblia de uma maneira bíblica

2) Os pais são muitas vezes os culpados

II. O tipo de pais desesperadamente necessários hoje

1. Precisamos de pais hoje que seguem o exemplo de Enoque

a. Genesis 5: 21-24

b. Hebreus 11:5

c. Judas 14-15

d. Estes versos mostram Enoque como um pai que andava com Deus, um homem de grande fé e um homem que não tinha medo de falar contra o discurso e conduta dos ímpios

e. Somos nós, pais que deixam este tipo de exemplo para os nossos filhos?

2. Precisamos de pais hoje que seguem o exemplo de Noé

a. Hebreus 11:6

b. Pedro o chamou de "pregador da justiça" (2 Pedro 2:5)

c. Gênesis 6:8-9

d. Noé era um grande pai:

1) Preocupado com a salvação de seus filhos

2) Ele ensinou-lhes (pregador da justiça)

3) Ele andou com Deus deixando para os seus filhos um grande exemplo a seguir

3. Precisamos de pais hoje que seguem o exemplo de Abraão

a. Gênesis 18:19

b. Ele "Instruiu o menino no caminho em que deve andar" (Provérbios 22:6)

c. Efésios 6: 4

d. Se Abraão tivesse falhado como pai, certamente ele não teria o título de "pai de todos os que creem" (Romanos 4:11)

4. Precisamos de pais hoje que seguem o exemplo de Josué

a. Josué confiava em Deus quando outros não (espia.... Terra prometida) ... que grande exemplo para deixar para seus filhos!

b. Josué 24:15

1) Josué não se importava com o que outros pais estavam fazendo - ele e sua família estavam indo servir ao Senhor

2) Você já determinou que você e sua família servirá ao Senhor?

5. Precisamos pai hoje que seguem o exemplo de Zacarias, o pai de João Batista

a. Lucas 1:5-6

b. Estes são grandes elogios para um homem

1) Ele adquiriu essas qualidades antes de se tornar um pai

2) Ele escolheu uma mulher com as mesmas qualidades

3) A piedosa preparação para a paternidade é imperativa

4) Os homens precisam se destacar na observação dos mandamentos bíblicos se desejam ter sucesso como pais.


Conclusão

A. Hoje é Dia dos Pais, um dia que nos lembramos e honramos os nossos pais - um dia que nós dizemos obrigado Papai!

B. Mas vamos também usar este dia para avaliar a nossa paternidade.

1. Será que estamos sendo o tipo de pais exemplo espiritual para os nossos filhos?

2. Estamos sendo o tipo de pais agradáveis ​​a Deus?

C. Pais, vamos trabalhar mais em nossas obrigações como pai de nossos filhos.

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.


sábado, 8 de agosto de 2020

APRENDA NA DOR

                                                               APRENDA NA DOR

Jó estava sofrendo por causa de uma disputa entre Deus e Satanás. Jó nunca soube disso. Nem os seus amigos sabiam. Por isso todos se esforçaram em encontrar explicações para seu sofrimento a partir da perspectiva de sua ignorância. A vontade permissiva de Deus operou para propósitos que Jó não pôde tomar conhecimento. Deus estava oculto dele junto com as razões para o seu sofrimento.

Inicialmente as palavras de Jó demonstravam sua confiança em Deus. No capítulo 3, Jó, em profunda dor e desespero, amaldiçoa o dia em que nasceu e desejou ter morrido logo após seu nascimento. No capítulo 6 Jó se volta contra seus consoladores que passaram a acusá-lo de pecado como causa de seu sofrimento. No capítulo 7, Jó está convencido de que seu sofrimento foi resultado do pecado e direciona suas palavras para Deus:

Se pequei, que te farei, ó Guarda dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado? E por que não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? (Jó 7:20-21)

Bildade diz a Jó que Deus não rejeita ao reto (8:20). No capítulo 9 Jó questiona a justiça de Deus e porque Deus não se fazia conhecer. Ele diz “como pode o homem ser justo para com Deus?” (9:2). Sua angústia contra Deus toma conta de si:

Ainda que chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz. Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa. Não me permite respirar, antes me farta de amarguras (Jó 9:16-18).

No capítulo 10 Jó avança em suas queixas contra Deus. Ele acreditava ser inocente e, de forma sarcástica, questionou se Deus estava limitado em sua capacidade de discernir a condição espiritual dele como estavam seus amigos. Concluiu afirmando que Deus de fato sabia que ele era inocente e que não havia uma instância superior à qual ele pudesse apelar.

Até que, a partir do capítulo 38, Jó se encontra diante de Deus. A arrogância de Jó foi calada, suas perguntas desapareceram. E Deus não lhe deu nenhuma explicação. Deus perguntou se Jó era eterno, poderoso, grande, sábio e perfeito como Ele. Se não, teria sido melhor que Jó ficasse calado e confiasse Nele. E o Senhor disse a Jó:

Porventura o contender contra o Todo-Poderoso é sabedoria? Quem argui assim a Deus, responda por isso. Então Jó respondeu ao Senhor, dizendo: Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho à boca. Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me explicarás. Porventura também tornarás tu vão o meu juízo, ou tu me condenarás, para te justificares? (Jó 40: 2-4; 7-8).

E Deus diz a Jó que ele era incapaz de negociar com um simples crocodilo e que não poderia controlá-lo (41:1-10). Então Deus diz mais:

Quem, pois, é aquele que ousa erguer-se diante de mim? Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu (Jó 41: 10-11)

Por fim, no capítulo 42, Jó declara:

2 Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.
3 Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia.
4 Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
5 Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.
6 Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

Jó então apoiou-se unicamente em sua fé na bondade de Deus e na esperança da redenção. Quando não há nenhuma explicação racional, nem mesmo teológica, para a dor e o sofrimento, confie plenamente em Deus.

Por que o justo sofre? O livro de Jó não responde a essa pergunta. Jó e seus amigos nunca souberam a razão. Por fim, quando Jó foi confrontado por Deus, restou-lhe o silêncio. Ficou apenas a fé nos propósitos de Deus. Ninguém jamais sabe o verdadeiro motivo do seu sofrimento, porém a confiança na soberania de Deus é a verdadeira resposta ao sofrimento.

Satanás corrompeu os anjos caídos, e assim pensou que poderia ceifar a fé de Jó, assim como tentou ceifar a fé de Pedro. Mas ele fracassou. Deus o permitiu provar a ambos, mas a fé salvadora verdadeira provou-se inabalável.

Quando Satanás faz de tudo para destruir a genuína fé salvadora, esta permanece firme. Deus provou a Satanás que a fé salvadora jamais pode ser destruída, não importa quanta provação um santo sofra, ou quão incompreensível e imerecida lhe pareça.

Será que a história de Jó sugere uma falta de compaixão e misericórdia da parte de Deus para com Seu servo? De modo algum. Tiago 5:1 diz:

Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.

Deus determina que os seus filhos caminhem em dor e sofrimento, e as causas são:

Por causa do pecado (Números 12:10-12);
Para correção (Hebreus 12:5-12);
Para fortalecimento (II Corintios 12:7-10; I Pedro 5:10)
Para revelar seu consolo e graça (II Coríntios 1:3-7)
Mas há vezes que a razão para o sofrimento dos santos é desconhecida porque ela tem propósitos celestiais que os que estão na terra não conseguem discernir (Ex. 4:11; Jó 9:1-3).
Jó e seus amigos queriam analisar a fim de encontrar causas e soluções. Empregando toda a sã teologia e discernimento da situação de que dispunham, eles procuraram por respostas, mas tudo que encontraram foram ideias erradas e inúteis, pelas quais Deus os repreendeu no final (Jó 42:7).

Os amigos de Jó vieram consolá-lo. Após sete dias a missão deles provou-se fracassada e o consolo se tornou em maior tormento para Jó. Eles não podiam compreender porque Jó sofria, pois desconheciam o que havia acontecido no céu entre Deus e Satanás. Achavam que conheciam todas as respostas, porém, com insistente ignorância deles, apenas intensificaram o dilema.

Podemos destacar os seguintes pontos na experiência de Jó:

Há questões que estão sendo tratadas no céu por Deus que são totalmente desconhecidas dos crentes, no entanto a vida deles pode ser afetada por elas.
Até mesmo o melhor dos esforços para explicar as questões da vida pode ser inútil.
O povo de Deus sofre. Coisas ruins acontecem o tempo todo com pessoas que foram justificadas. Ninguém pode julgar a espiritualidade de outra pessoa com base em suas aflições ou sucessos.
Ainda que Deus pareça distante, perseverar na fé é a melhor virtude, uma vez que Ele é bom e podemos confiantemente entregar nossas vidas em Suas mãos.
Em meio ao sofrimento, o crente não deve se afastar de Deus, mas aproximar-se dele para que a comunhão possa lhe trazer consolo – sem receber nenhuma explicação.
O sofrimento pode ser intenso, mas chegará ao fim para o justo, que será grandemente abençoado por Deus.
As longas e calorosas discussões entre Jó e seus acusadores não passaram de tentativas de conciliar a aparentemente injusta punição por parte de Deus nas experiências de Jó. Este é um caminho perigoso. No final Deus não deu nenhum explicação a Jó e chamou todos para um nível mais profundo de confiança no Criador que governa o mundo dominado pelo pecado com poder e autoridade, dirigido pela perfeita sabedoria e misericórdia.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.


DEUS TRATANDO O SOFRIMENTO

                                           DEUS TRATANDO O SOFRIMENTO

Algumas perguntas iniciais: “o sofrimento é um enigma?”, “Por que sofremos?”, “Sofrimento e Deus combinam?”, “Deus apenas permite ou também o determina?”, “Se sofro é porque estou em pecado?”, “Há algo de bom no sofrimento?”. Perguntas como essas povoam a mente da maioria das pessoas, inclusive dos crentes em Cristo. Na realidade, para o crente em Cristo o sofrimento não é um enigma! Ele faz parte do plano de Deus para tratamento do seu povo durante sua caminhada. Pedro escreve: “não estranhem o fogo (sofrimento) que há entre vocês” (1 Pe. 4.12).

O paraíso do crente não é aqui, mas para quem é discípulo de Cristo, este curtíssimo espaço de tempo vivido na terra é a única experiência mais próxima do que poderíamos chamar de “paraíso”. Foi Jonathan Edwards quem disse: “A terra é tudo de melhor que o ímpio pode experimentar e tudo de pior que um cristão experimentará”.

Há um perigo em tentar racionalizar tudo que diz respeito ao sofrimento. Foi isso que fizeram os amigos de Jó, tentaram de todas as formas prová-lo que ele estava sofrendo por causa de algum pecado escondido em algum lugar de sua vida, quando, na verdade, não estava acontecendo nada disso. Impossível esquecer das perdas e sofrimentos que fazem parte da nossa vida e que muitas vezes nos assaltam, trazendo dor e angústia. Algumas vezes entendemos a razão da dor, outras não. Ficamos como nosso irmão Jó, sem saber a razão pela qual sofremos. Também gastamos muito tempo e energia tentando encontrar explicações para o sofrimento. Isso, às vezes, nos leva à exaustão e, não raro, à frustração e depressão. A tentativa de encontrar razões tem ofuscado o seu propósito. A Palavra de Deus afirma que não há discrepância entre sofrimento e alegria. Eles podem conviver no mesmo calendário, na mesma agenda.

Obviamente, o sofrimento faz parte da natureza humana, que é finita e limitada. Ninguém está imune à dor, ou à tristeza, ou à angústia, ou à pressão que é exercida sobre todo ser vivo deste planeta. Contudo, para o crente em Cristo há uma grande notícia: enxergar o sofrimento pela ótica divina.

Todos nós conhecemos o conceito que as pessoas normalmente têm sobre o sofrimento, a dor, a perda, as adversidades gigantes. Se estas situações puderem ser evitadas, ninguém titubearia em evitá-las. O Senhor Deus quer que seus filhos enxerguem o sofrimento por outro viés. Para Ele, os que sofrem estando no Caminho, em Cristo, são, de fato, bem-aventurados. Entretanto, o que pode ser visto atualmente é uma rejeição ao sofrimento. Isso é fruto da secularização da fé evangélica, da espiritualidade cristã.

O Apóstolo Pedro, em sua primeira carta, deu um lugar importante ao sofrimento na identificação do crente com Cristo (1 Pe 4.1-2). Para ele, o sofrimento de Cristo não foi apenas um fato relacionado à sua obra salvadora, mas também para ser um exemplo a ser seguido.

Os profetas que anunciaram o advento de Cristo não deixaram de falar sobre seus sofrimentos. Isaías, por exemplo, o descreveu como um servo sofredor (Is 53). E Pedro lembra-nos que na caminhada Cristã devemos ser coparticipantes dos sofrimentos de Cristo (1 Pe 4.13). Ele não inclui aqui o sofrimento de alguém como fruto do pecado ao qual está ainda amarrado, mas sim o sofrer como servo de Cristo. Falta visão do Eterno àqueles que maldizem os momentos nos quais enfrentam dificuldades e passam por sofrimentos. Sem dúvida, perdem oportunidades preciosas de serem identificados ainda mais com seu Mestre. Não estou dizendo, com isto, que devemos sair à procura de sofrimento. Não estou defendendo o masoquismo. O masoquismo é uma perversão e estamos falando de virtudes. A Bíblia não quer fazer com que tenhamos uma espiritualidade masoquista. Ou seja, não nos exorta a procurarmos o sofrimento. A exortação é não fugirmos dele. Sabemos que não precisamos procurar o sofrimento. Ele nos acha.

O sofrimento faz parte da boa vontade de Deus para os seus filhos. Isso mesmo! Por ser boa, a vontade de Deus pode ser confundida, quando o conceito de bondade está relacionado com o paladar humano. Por ser boa, ela está comprometida com o próprio Deus e não com os pensamentos, preferências e hábitos humanos. É importante crermos nesta verdade, caso contrário, teremos muitíssima dificuldade em conciliar o sofrimento humano com a bondade de Deus.

Quem é de Cristo não pode pensar que foi abandonado. Aliás, discipulado cristão e sofrimento caminham pela mesma estrada. Não há cristianismo sem cruz, Pentecostes sem Calvário, ressurreição sem morte, poder sem rendição, superação sem confronto, crescimento sem sofrimento, alegria sem lágrimas…

O fato de Cristo ter levado sobre Ele nossa dor e ter coberto nossos sofrimentos com suas feridas não implica em dizer que não sofreremos por causa disso. Quem pensa em seguir Jesus para se livrar do sofrimento encontrará decepção não muito depois do início da caminhada.

Muitas oportunidades perdidas para crescer na caminhada da fé têm explicação na dificuldade em enxergar a mão do Senhor em cada momento da nossa vida. O sofrimento é uma certeza, apesar de não ser desejado. O sofrimento é um ótimo professor para alguém que deseja aprender mais sobre a vontade do Senhor. Nenhum sofrimento na vida de um filho de Deus tem poder suficiente para pôr um fim no amor de Deus.

Em tempos de sofrimento, vale muito mais quem Deus é do que Ele é capaz de fazer. Seu silêncio não é sinônimo de ausência. No livro “Um mês para viver”, os autores escreveram: “Deus muitas vezes nos responde com sua presença, não com seus presentes”.

O sofrimento não é um enigma! O sofrimento é uma oportunidade para uma pessoa desfrutar do cuidado especial de Deus em circunstâncias mais adversas. Com Cristo, sofrer é um privilégio, não um castigo.

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante


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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

PATERNIDADE ESPIRITUAL

                                                           PATERNIDADE ESPIRITUAL

Somos uma igreja apaixonada por Deus e por pessoas, por isso desejamos obedecer a Deus, segundo à Sua Palavra, e servir as pessoas, conforme a bíblia nos orienta. Hoje em dia fala-se muito no meio evangélico sobre o tema “paternidade espiritual”, um termo cujo uso é relativamente novo em nossa igreja. Sabendo que a bíblia nos ensina a “por à prova todas as coisas” afim de reter o que é bom (1 a Tessalonicenses 5.21), desejamos esclarecer qual é a nossa posição, baseados na Bíblia, acerca desta questão.

O QUE NÃO É PATERNIDADE ESPIRITUAL
Antes de qualquer coisa é preciso esclarecer que não é possível que uma pessoa seja gerada espiritualmente por outra, ou nasça espiritualmente de outro indivíduo. Esta ideia não possui nenhum respaldo bíblico e deve ser rejeitada. Jesus explicou isso claramente a Nicodemos quando disse que “o que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito” (João 3.6). Todo nascimento espiritual é realizado por Deus, pela Sua soberana vontade, através do Espírito Santo. Veja:

“Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. João 1.12-13.
“Respondeu Jesus: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito.” João 3.5
“O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.” João 6.63
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.” Efésios 2.1

“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus.” 1 a João 5.1

Entendendo isso, rejeitamos qualquer ideia de que um cristão exerce, por direito, algum tipo de poder espiritual sobre outro. Desaprovamos qualquer prática de opressão, maldição, coerção, e imposição de um cristão sobre o outro, que use o termo “paternidade espiritual” como pretexto. Não vemos respaldo para isso na Palavra de Deus e reprovamos essas atitudes em nossa comunidade de fé.

O QUE É PATERNIDADE ESPIRITUAL
Segundo o Dicionário Strong, o termo grego usado por Paulo para “filho”, denota ser um “nome transferido para aquele relacionamento íntimo e recíproco formado entre os homens pelos laços do amor, amizade, confiança, da mesma forma que pais e filhos; no NT, alunos ou discípulos são chamados filhos de seus mestres, porque estes pela sua instrução educam as mentes de seus alunos e moldam seu caráter” Assim, podemos dizer que a “paternidade espiritual” bíblica é um vínculo relacional, onde um cristão se sente profundamente ligado e comprometido a ajudar outro cristão a amadurecer em sua vida com Deus. Ainda que o novo nascimento espiritual seja obra exclusiva do Espírito Santo, o novo convertido precisa da ajuda de alguém mais maduro, que, baseado na Palavra de Deus, o ajude a dar os primeiros passos na fé. É a este relacionamento que a Bíblia chama de Paternidade Espiritual.

PAULO ERA UM PAI ESPIRITUAL
Tito, Timóteo e Onésimo com certeza não eram filhos biológicos de Paulo, mas ele os considerava como “filhos espirituais”. Ele se refere a Tito como um “verdadeiro filho, segundo a fé” (Tito 1.4), e a Timóteo como um verdadeiro filho na fé” e um “amado filho” (1 a Timóteo 1.2; 2 a Timóteo 1.2). Em outra carta, o apóstolo diz: “peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões" (Filemom 1.10).

Ele usa este mesmo termo quando fala aos crentes de Corinto, dizendo: “Não estou tentando envergonhá-los ao escrever estas coisas, mas procuro adverti-los, como a meus filhos amados. Embora possam ter dez mil tutores em Cristo, vocês não têm muitos pais, pois em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por meio do evangelho.” (1 a Coríntios 4.14- 15). Para o apóstolo, este termo traduz um profundo sentimento de afeto pessoal e responsabilidade em ajudar estas pessoas a obter um desenvolvimento espiritual verdadeiro.

A NECESSIDADE DE PAIS ESPIRITUAIS NO NOVO TESTAMENTO
Os primeiros cristãos eram frequentemente rejeitados por suas comunidades ou repudiados por suas famílias. Portanto, o vínculo da “família de Cristo” incluía a criação de uma nova ordem de pais e filhos. Jesus falou sobre isso quando disse a Pedro que os que desistem de suas famílias por ele e pelo evangelho receberão em troca “irmãos, irmãs, mães e filhos” (Marcos 10.30).

Os pais espirituais na igreja primitiva tinham a oportunidade de ajudar a educar os seguidores de Cristo que experimentariam a presença e o poder de Deus atuando em suas vidas. Essa tarefa envolvia a participação ativa (e geralmente diária) na vida do “filho espiritual” e seu aconselhamento contínuo em como viver a vida cristã na igreja e na comunidade.

A NECESSIDADE DE PAIS ESPIRITUAIS EM NOSSOS DIAS
Hoje em dia existem milhões de convertidos no Brasil, mas a maioria deles não possui alguém que os ensine a caminhar, passo a passo, desde sua conversão. Por causa disso há muitos que ser converteram há anos, mas que ainda são espiritualmente imaturos. Como alguém já disse, “o evangelho no Brasil possui muitos quilômetros de extensão, mas apenas alguns centímetros de profundidade”.

Precisamos urgentemente de homens e mulheres dispostos a se tornarem pais e mães espirituais. Através do discipulado um a um buscamos garantir que cada novo convertido tenha um “pai” ou uma “mãe” que o ensine desde o início a como caminhar em santidade, com amor por Jesus e por Sua Palavra.

Oramos para que Deus levante em nosso meio, homens e mulheres de Deus, com vida de oração, firmes, convictos, ousados e conscientes, capazes de aplicar disciplina, exortar com amor, graça e misericórdia, que digam-nos “assim diz o Senhor”, e que se proponham a pagar um preço na difícil tarefa de serem verdadeiros pais na fé de outras pessoas, a ponto de torná-los homens e mulheres de Deus.

A PATERNIDADE ESPIRITUAL É MAIS DO QUE UM TÍTULO
Como vimos, a paternidade espiritual é muito mais do que apenas um título vazio – é uma vida de amor e dedicação aos seus filhos na fé. Em Mateus 23.9, Jesus repreende os líderes de sua época que utilizavam o título e “mestres” e “pais” de forma abusiva, para sustentar uma falsa religiosidade. A crítica de Jesus era que eles desejavam ser reconhecidos como líderes mas não praticavam o que pregavam (Mateus 23.3).

Não precisamos levantar “pais espirituais” apenas para dizer que os temos. Uma vez que o termo é bíblico, não faz mal a nós fazermos uso da expressão, desde que façamos também o uso do mesmo modelo prático de amor, cuidado, serviço e ensino.

O VERDADEIRO PAI ESPIRITUAL
O verdadeiro pai espiritual é aquele que, primeiramente, é considerado por seus discípulos como o maior dos servos. Eles, por livre vontade, dão a esses “pais espirituais” a autoridade para liderá-los, porque veem neles pessoas que amam a Deus e dão a vida por suas ovelhas. Assim os filhos desejam imitar a fé daqueles que investiram tanto em suas vidas (Hebreus 13.7).

OS DEVERES DE UM PAI ESPIRITUAL
Cremos que o cristão que deseja ser pai espiritual e ajudar outros, deve:

Empenhar-se para gerar no filho espiritual amor pela Palavra de Deus;
Ensiná-lo a buscar um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus;
Motivá-lo a estabelecer um vínculo com a igreja de Jesus, onde ele poderá servir ao Senhor e ser edificado na fé;
Orar com e pelo filho espiritual, motivando sua comunicação pessoal e contínua
com Deus.
No livro “A Cruz de Cristo”, John Stott afirma que: “visto que o próprio conceito de paternidade humana provém da eterna paternidade divina (Efésios 3.14-15), os pais cristãos hão de naturalmente modelar o seu amor no de Deus. Conseqüentemente, o verdadeiro amor paterno não elimina a disciplina, visto que "o Senhor corrige a quem ama. De fato, é quando Deus nos corrige que ele nos trata como filhos. O princípio que se aplica à família, aplica-se também à família da igreja. Ambos os tipos de família precisam de disciplina, e pela mesma razão. Entretanto, hoje é rara a disciplina na igreja, e onde ela é exercida, muitas vezes é inabilmente administrada.” (p. 132).

DEUS É O NOSSO GRANDE PAI
Nenhum homem deve ocupar o lugar que é só de Deus. Ele é o nosso grande Pai. O apóstolo Paulo nos lembra disso em vários momentos:

“A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. 1 a Coríntios 1:3a
“A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. 2 a Coríntios 1:2a
“A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. Gálatas 1:3a
“A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. Efésios 1.2a
“A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. Filipenses 1.2a
“A nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre. Amém.” Filipenses 4.20
“Que o próprio Deus, nosso Pai, e nosso Senhor Jesus preparem o nosso caminho até vocês.” 1 a Tessalonicenses 3.11
“A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. 2 a Tessalonicenses 1.2a
“A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. Filemon 1.3a
Concluímos reafirmando que jamais alguém deve colocar-se entre o relacionamento de outra pessoa com Deus. Devemos apenas servir como um instrumento do Senhor para aconselhar, exortar, abraçar, orar e servir a comunidade cristã. Todos nós temos o Espírito Santo e é Ele quem nos ensina todas as coisas, ainda que o faça, por vezes, através de um “pai espiritual”. João ensinou aos seus discípulos:

“Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.” 1 João 2.27
A verdade é simplesmente uma: que toda paternidade tem suas raízes em Deus Pai. A paternidade, seja espiritual ou física, é boa aos olhos de Deus quando é humildemente exercida em Seu Nome.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

SAL DA TERRA

                                                          SAL DA TERRA

O Sal da Terra (Mateus 5:13)

Jesus faz uma clara distinção entre os dois elementos que ele utiliza como figura da igreja. Ele diz que a luz é do mundo. Mas o sal é da terra. Explicar os mistérios da luz não é tão difícil. Mas por que Cristo usou o sal como figura? O sal da terra? Ele, obviamente está se referindo à sua igreja. Sua representante na terra é a igreja. Ela só faz sentido aqui e, quando for retirada daqui, a terra ficará entregue à tribulação. Se tivermos que ser sal, tem que ser aqui, agora. Depois não será possível. Nem necessário. Como Criador de todas as coisas, nosso Senhor conhece bem o sal. Ele criou o sal. Sabe exatamente do que ele é feito e para que ele serve. E ele quer que sejamos como ele.

1. O sal mantém as coisas como são. Ele conserva os alimentos. Em Malaquias 3:6 Deus diz “Eu, o Senhor, não mudo. Por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”. Ser sal é se manter fiel a Deus, é conservar a vida diante do altar do Senhor. Um dos grandes problemas dos hebreus desde o deserto era a inconstância, a mania de coxear entre dois ou vários pensamentos. Como sal devemos conservar o alimento. E qual é o alimento do crente? A Palavra de Deus. Deixa-la como está, sem alterá-la, modifica-la, ainda que isso incomode a humanidade. Esse é o segredo de se permanecer firme diante de Deus. O vai e vem não agrada a Deus, a inconstância, a instabilidade, os inúmeros desvios, tudo isso acaba nos fazendo deixar de receber muitas bênçãos. Por isso devemos ser sal. E manter as coisas de Deus como é desde o princípio.

2. O sal altera (modifica) e melhora o gosto das coisas. O que é uma comida insossa? É aquela sem gosto. Experimente um feijão sem sal. Por mais bonito que ele seja. Que gosto terá? O de feijão. Mas é bom? Não, não é bom. É como o mundo. Ele é o que é, parece bom, até pode cheirar bem. Mas ao colocado na boca imediatamente denuncia que há algo errado. O resultado final é desagradável. Como sal a igreja faz da terra um lugar melhor. Eu tenho que fazer do mundo que me cerca um lugar melhor. Foi eu quem Cristo designou para fazer a diferença. Ele diz em João 15:16 “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu quem vos escolhi, e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça”.

3. O sal, ao contrário do açúcar, não tem atrativo algum em si mesmo. Ele só funciona quando utilizado em função dos outros. Assim é o cristão. Jesus nunca diz que devemos ser doces. Doce atrai moscas, formigas, baratas… E o sal, o que atrai? O que é doce pode ser ingerido cru, sem problema, mas sal… Esse é o problema. Não queremos ser o sal da terra. Queremos ser o doce. Ser procurados, bem recebidos, elogiados. Precisamos entender que a nossa vida com Cristo só faz sentido se pudermos cumprir pelo menos dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E isso é feito quando falamos a verdade de Deus ao próximo. Quando não nos conformamos com esse mundo. Quando não nos rendemos aos ventos de doutrina.

PROPAGANDA
4. O sal dá sede. E sabe por quê? Porque ele retém água. A água é a Palavra de Deus. Quem é sal segura a Palavra de Deus. E, ao reter a água, provoca a falta dela, o que causa mais sede. Quem é sal tem sede de Deus. E quanto mais bebe da fonte de água viva, mais quer dela. E nestes últimos dias, mais do que nunca, quando as igrejas optaram em ser açúcar em vez de sal. Resolveram parecer doces, pregando o que as pessoas querem ouvir para se sentirem bem e não o que todos nós devemos ouvir, para parecerem mais atrativas e com isso mais rentáveis, é que o verdadeiro sal da terra deve aparecer, as ovelhas do Rei Jesus. As portadores de suas palavras.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.