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sábado, 4 de maio de 2019

FIDELIDADE E INFIDELIDADE CONJUGAL


                                           FIDELIDADE E INFIDELIDADE CONJUGAL
"Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Fígelo e Hermógenes. Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas. antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso."  2 Timóteo 1.15-18

 

Introdução

Até onde você está disposto a ir com Cristo? Até quando você será fiel a ele?

O caminhar com Cristo nos leva a lugares diversos, a situações diversas. Pensemos, por exemplo, na caminhada dos discípulos com Jesus. No início, tudo era agradável; Jesus transformou a água em vinho, multiplicou pães e peixes, curou enfermos, ressuscitou mortos, libertou os oprimidos, etc. Que maravilha! Como é bom andar com Jesus! Mas o tempo foi passando e as circunstâncias foram ficando difíceis. Muitas pessoas foram se levantando contra Jesus e contra os seus discípulos. Fariseus, saduceus, escribas, sacerdotes, líderes políticos, muitos passaram a perseguir Jesus, e tudo isso culminou com a sua crucificação.

Andar com Jesus é muito bom, pois esse é o caminho da salvação e da vida eterna, mas no meio dessa estrada existe uma cruz. Os discípulos não esperavam por isso, não contavam com esse lado da vida cristã. Por isso, quando Jesus foi preso, todos os discípulos fugiram.

Ser fiel a Deus no meio das bênçãos é muito fácil. Ele espera que sejamos fiéis também no momento da dificuldade.

Explicação

Pois não há motivos para que tenhamos vergonha de sermos cristãos. Pelo contrário,  nós devemos reter e viver o evangelho, como Paulo tratou nos versículos anteriores. 

E para reafirmar tal realidade Paulo cita dois exemplos, um positivo e o outro negativo.

Porque há muitos que falham, que desistem, que nos momentos críticos são infiéis. Isso para nós é um alerta. Assim como há aqueles que permanecem fiéis literalmente até a morte. Isso para nós é uma motivação e encorajamento.

Frase de transição: Com qual exemplo nossa vida se identifica? 

1. EXEMPLO DE INFIDELIDADE 

"Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Fígelo e Hermógenes."  2 Timóteo 1.15 O fato de Timóteo ser exortado nos versículos anteriores para que não se envergonhasse do evangelho e nem de Paulo, que estava preso, tem ligação com uma realidade que já estava acontecendo: muitos estavam se envergonhando e abandonando a Paulo.

Quando o apóstolo fala que TODOS o abandonaram ele está usando de uma hipérbole, de um exagero pra enfatizar a extensão da deslealdade. E a extensão era numeral e geográfica.  A maioria das pessoas na região que Timóteo morava, a província da Ásia (confira no mapa de sua Bíblia), na qual Éfeso era a principal cidade, tinham abandonado Paulo. Tinham se esquecido dele. 

E ao falar dessas pessoas o apóstolo cita duas em especial: Fígelo e Hermógenes. Destes dois nós não temos qualquer referência no Novo Testamento, mas Timóteo sabia quem eles eram. Para serem citados aqui, provavelmente eram cristãos muitos importantes que decepcionaram grandemente a Paulo quando o desampararam.

Como eles abandonaram Paulo? Não sabemos exatamente como se deu esse afastamento. Pode ser que Paulo tenha pedido e esperava que eles o ajudassem no tribunal, que testemunhassem a favor dele. Seja como for, se esperava muito de Fígelo e Hermógenes, mas eles não corresponderam. Eles não se atreveram a se aproximar de Paulo por medo de comprometer a sua segurança.

Perseguição

Mas por que estes dois tiveram tanto medo? E por que muitos outros também abandonaram a Paulo?

Porque aqueles dias eram dias difíceis para os cristãos.

E aí cabe outra pergunta: o que os cristãos fizeram de errado para serem tão perseguidos? Afinal os cristãos pregavam o amor ao próximo, a fraternidade, a paz. Por que foram cruelmente perseguidos? E por que os judeus não eram perseguidos dessa maneira?

Império Romano

A resposta é que o Império Romano apenas tolerava a religião dos povos conquistados, enquanto ela não tentasse fazer novos seguidores. Por isso que o Judaísmo era considerado uma religião permitida, porque o judeu quase não tinha contato com o gentio , e isso se transformava em uma barreira para a evangelização. Os judeus não eram de evangelizar e por isso o Império não os perseguia.

Mas os cristãos eram diferentes. Eles atenderam e aplicaram as ordens de Jesus para evangelizar. Eles não mediam esforços e empregavam todos os recursos possíveis a fim de fazerem novos convertidos.

Além disso, o cristianismo sempre teve uma tendência para se tornar universal e viver independente do Estado, por isso foi considerado pelas autoridades romanas, para quem o Estado era tudo, como algo perigoso ao Império.
Para os Romanos a sua nação era sua própria religião. Os seus líderes eram seus próprios deuses. Muitos deles tinham estátuas em templos. Portanto, pregar o Evangelho do Reino de Deus era uma ofensa política aos Romanos na sua arrogância nacional.

Além do mais, os cristãos também prejudicavam os interesses de outras classes como os sacerdotes, os vendedores de animais para o sacrifício, os fabricantes e os vendedores de ídolos (uma pessoa que se convertia para o cristianismo não fazia mais sacrifícios ou adorava a ídolos, gerando prejuízo econômico).

Os cristãos tiveram novas posturas quanto a guerra, as diversões públicas, a escravatura, o direito de propriedade, a filantropia, a família, a literatura pagã, a cultura e o estado.  De forma que essa determinação dos cristãos de se separarem do mundo, levou-os a serem considerados como ateus – inimigos dos deuses e da humanidade, e era esse o maior crime da época.

Pela perseguição muitos cristãos se reuniam à noite escondidos e o amor e a comunhão íntima que tinham entre si abria espaço para que fossem acusados de libertinagem. Tudo quanto era mau era atribuído aos cristãos. A fome, os terremotos, os conflitos militares, as revoluções, os incêndios – esses desastres sempre se voltavam contra os cristãos, pois segundo o Império eles eram inimigos dos deuses, só eles poderiam ter provocado sua ira.

Por esses motivos os cristãos eram cruelmente perseguidos. E com medo das conseqüências é que muitos abandonaram a Paulo. Porque buscar e visitar um cristão condenado à morte era perigoso e poderia também levar à morte.

E ainda que Paulo confiasse em Deus e não nas pessoas, isso foi um golpe forte para ele. Por isso Paulo lembra estes exemplos a Timóteo, pois não queria que o mesmo acontecesse com ele.

Aplicação

Isso nos ensina que a prova de que alguém é fiel se dá em tempos difíceis e não necessariamente em tempos fáceis. (TRANSPARÊNCIA)

• O marido e esposa mostram a sua real fidelidade um ao outro não apenas quando estão juntos, mas especialmente quando estão sozinhos em lugares diferentes com pessoas do sexo oposto.

• Um amigo se mostra fiel não quando está ao seu lado apenas, mas especialmente quando ele está longe e o que ele fala de você. É isso que vai provar sua fidelidade.

A mesma realidade pode ser aplicada na nossa vida com Deus.

"E sereis odiados de todos por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo."  Mateus 10:22

• Ser fiel a Deus aqui na igreja é mais fácil, pois estamos todos entre irmãos e temos a mesma fé. Mas o que prova realmente a nossa fidelidade é o que acontece fora da igreja.
Quando há perseguição, discriminação ou zombaria, no ambiente do trabalho, na escola, entre grupos de amigos – é aí que provamos se somos crentes fiéis ou omissos. Se assumirmos nossas posturas ou se voltamos às costas para aquilo que cremos.

É bom que nos lembremos que Jesus quer de nós compromisso. Quer de nós fidelidade, porque não há “meio-fiel”, “mais-ou-menos-compromissado”.

"E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido. Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele. Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna."  João 6:65-68

2. EXEMPLO DE FIDELIDADE – 16 a 18

"Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas. antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso."  2 Timóteo 1.16-18

Felizmente, um cristão não abandonou a Paulo. Seu nome era Onesíforo, um cristão de Éfeso. Mesmo quando muitos deixaram de atender a Paulo na prisão, Onesíforo se esforçou sozinho, além do que se esperava.  Ele fez justiça ao seu nome, que significava “portador de vantagens”.

Veja algumas qualidades que encontramos em Onesíforo: 

a) Era líder de uma família abençoadora

Veja que não só ele, como também sua casa, sua família dava ânimo a Paulo. Era pelo que tudo indica uma família tão espiritual, tão repleta do amor de Deus, que animava o apóstolo quando ele se encontrava preso ou em dificuldades. Era uma família que encorajava Paulo e orava por ele. A família de Onesíforo era uma família fiel, uma família que era exemplo de fidelidade.

Famílias como a de Onesíforo precisam ser encontradas na igreja! E não famílias que querem mandar, disputar poder, fofocar.

Esse é o chamado para as nossas famílias. E a iniciativa é do marido cristão, como sacerdote do lar, guiar sua familiar para que ela seja bênção para a vida de outros crentes.

b) Possuía lealdade, coragem e dedicação

Enquanto muitos abandonaram Paulo, Onesíforo não teve medo de ficar junto ao Paulo esse tempo todo, inclusive na prisão.

Tanto que, quando chegou a Roma, imediatamente se pôs a buscar a Paulo, pois não sabia em que prisão Paulo estava encarcerado.
Isso quer dizer que Onesíforo teve que perguntar a muitas pessoas informações precisas de como chegar até Paulo.
Foi uma busca dedicada, detalhada e difícil, pois provavelmente chamou atenção das autoridades. Ele demonstrou nessa busca por Paulo ânimo, atrevimento e fé.

Ele não se importou com o risco real que corria ao visitar Paulo. E de fato ele foi até o fim. A tradição histórica afirma que Onesíforo também foi martirizado, morto amarrado a dois cavalos que o rasgaram pelo meio.

c) Era constante no exercício da bondade

O tipo de bondade que Onesíforo e sua família ofereceram a Paulo não era casual ou esporádica. Não aconteceu apenas uma vez ou duas, mas muitas vezes!

E como aquilo renovou a Paulo! As prováveis cartas que ele recebia daquele homem com sua família, os seus conselhos, confortos, a visita na cadeia – Onesíforo não tinha vergonha de ser amigo de alguém condenado à morte. Ele e sua família foram amáveis de maneira muitas vezes, de maneira constante.

Não apenas quando Paulo esteve em Éfeso entre os seus próprios amigos, mas quando também em Roma Onesíforo procurou a Paulo até achá-lo.

A oração de Paulo

A um amigo, a uma família abençoadora como esta Paulo agradece imensamente com as suas orações. E nos dois versículos ele pede misericórdia.

• Misericórdia pela família, pois Onesíforo ainda estava em Roma, longe  dos seus. 

• Misericórdia por Onesíforo, para o Dia do Julgamento. Sabemos que o Dia do Julgamento será um dia terrível para os que não são crentes e de vitória para os crentes. Mas os cristãos só passarão ilesos pela misericórdia de Deus em Cristo Jesus. Jesus satisfaz a justiça de Deus. É por meio de Jesus que obtemos misericórdia e nos achegamos trono da graça de Deus. Isso nos ensina que se alguém quer ter misericórdia naquele último dia, deve buscá-la HOJE em Jesus.

"Conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna."  Judas 1:21

APLICAÇÃO

Precisamos de crentes e pastores como Onesíforo. Precisamos de famílias como a de Onesíforo. Pessoas que não tenham medo de ser fiéis.

Porque há muitos “Paulos” hoje no nosso mundo sofrendo perseguições, sendo assassinados e oprimidos por pregarem o evangelho.

• MOSTRAR TRANSPARÊNICA ANEXA – A IGREJA PERSEGUIDA
Há muitos na situação de Paulo. E nós aqui, temos tomado as mesmas atitudes que Onesíforo. Temos pelo menos orado pelos cristãos perseguidos?

CONCLUSÃO

Para pensar
• Tenho sido fiel aos meus irmãos na fé, pastores e líderes? Tenho apoiado, encorajado e orado por eles?

• Tenho compreendido a importância de uma simples ajuda ao próximo? Quando não ajudamos as pessoas, as marcas ficarão. Quando a omissão nos cala, a solidão do próximo grita.

• Tenho esperado demais a iniciativa de outros para fazer o bem? Uma pessoa boa procura oportunidades para fazer o bem, e não irá se afastar de qualquer oferta. 
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

sexta-feira, 3 de maio de 2019

CURANDO AS FERIDAS DA ALMA


                                           CURANDO AS FERIDAS DA ALMA
“José teve dois filhos que nasceram antes dos anos de fome. Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, era a mãe. José deu ao primeiro o nome de Manassés, dizendo: Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e a casa dos meus pais. Ao segundo filho deu o nome de Efraim, dizendo: Deus me fez prosperar na terra da minha tristeza.” (Gênesis 41.50-52)
José foi um personagem bíblico que sempre me impressionou. Porém, relendo sua história, uma nova faceta desse personagem foi aberta aos meus olhos. Descobri um José tão semelhante a cada um de nós, com angústias, pressões, dores e abundantes lágrimas. Um José, fruto de uma família emocionalmente doente, cheio de reações com as quais nos identificamos no nosso dia a dia. Através das lágrimas de José, e em seus momentos mais dolorosos, somos levados a levantar a cortina para mostrar como as feridas da alma que nascem em casa não são escondidas pelo tempo e, quando começam a aparecer, trazem consequências absurdas.
A verdade é que as marcas deixadas pelo passado devem ser tratadas e devidamente curadas. Os dramas e conflitos de José permitem uma identificação com os conflitos de cada um de nós, e sua cura torna-se palavra de esperança para cada coração ferido. José é um exemplo claro de que na Bíblia as pessoas usadas por Deus eram passíveis de falhas, problemas e dificuldades. O coração de José era o próprio retrato do seu fracasso familiar. Porém, é impressionante a maneira tão especial como Deus tratou da ferida da alma de José.
José era um homem bem-sucedido em tudo o que fazia, era um homem temente a Deus e era um homem cheio do Espírito Santo. Mas, então, quais são os sinais de que a alma de José estava completamente ferida?
1º Sinal de uma alma ferida – O ABORTO da FAMÍLIA no CORAÇÃO
“José deu ao primeiro o nome de Manassés, dizendo: Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e a casa dos meus pais.” (Gênesis 41.51)
O nome Manassés quer dizer “aquele que faz esquecer”. Ele pega o seu garoto no colo, ele olha para o seu filho e diz: esse menino vai se chamar o desejo da minha alma! Eu quero me esquecer da minha história. Esse filho vai se chamar “esquecimento”. Então, ele espiritualiza o seu problema, ele faz essa confusão, ele coloca Deus na história, e diz: “porque Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”. José estava ferido, mas não se dava conta disso. Para muitos, ele era um homem ideal, admirado por todos. Entretanto, o que ninguém sabia era que seu passado era triste e doloroso. Tudo isso estava vivo e, ao mesmo tempo, enterrado dentro de sua alma. Ele havia abortado sua família do coração.
2º Sinal de uma alma ferida – O uso de MÁSCARAS
“José reconheceu os seus irmãos logo que os viu, mas agiu como se não os conhecesse…” (Gênesis 42.7a)
Toda alma ferida não se deixa revelar. É uma alma muito bem maquiada. É uma alma muito bem vestida. É uma alma muito bem mascarada. E isso é sinal de uma alma ferida. Uma alma ferida, que não se permite tratar, é aquela que fica se escondendo atrás de cargos, atrás de ministérios, atrás de dons espirituais, atrás de revelações. Muitas vezes alguém que tem uma espiritualidade excessiva está tão preocupado em revelar os mistérios de Deus para os outros quando na verdade a sua própria vida deveria ser revelada. Está tão preocupado em revelar aos outros para que ele não se revele. Precisamos revelar quem somos de verdade!
3º Sinal de uma alma ferida – A Reação AGRESSIVA
“… e lhes falou asperamente: de onde vocês vêm? Responderam eles: da terra de Canaã, para comprar comida.” (Gênesis 42.7b)
José não via seus irmãos há muitos anos, entretanto, sua reação diante deles foi agressiva. Não vemos lágrimas, nem dor, nem saudade, mas um coração cheio de amargura e desejo de vingança. Ao contrário de emoção, saudade e choro, o que subiu ao coração de José quando viu seus irmãos foi amargura e raiva. José havia guardado dentro de si, por todos aqueles anos, tudo que seus irmãos lhe haviam feito. Como você reage quando se encontra com alguém que o feriu? Como é a sua reação diante de pessoas que fizeram mal a você? Você sempre reage na defensiva? A sua resposta revelará se a sua alma está ferida ou não.
4º Sinal de uma alma ferida – A vida PRESA ao PASSADO
“Lembrando-se dos sonhos que havia tido a respeito deles, José falou: vocês são espiões! Vieram ver os pontos mais desguarnecidos da nossa terra.” (Gênesis 42.9)
José lembrou-se do seu passado. Seu passado estava diante dele como um filme. Sua vida ainda estava presa, devidamente presa ao seu passado. Passado não resolvido é presente que incomoda. Quando seu passado não está resolvido, ele não é mais passado, é presente que perturba. Passado não resolvido é presente que comparece no seu relacionamento, no seu casamento, na sua relação com seus filhos, comparece na sua relação com Deus.
5º Sinal de uma alma ferida – A DESCONFIANÇA das Pessoas
“Se forem homens honestos como dizem, um de vocês ficará preso aqui, e os outros voltarão para levar alimento e matar a fome de suas famílias. Mas terão de trazer seu irmão caçula à minha presença, para confirmar o que me disseram. Assim, nenhum de vocês morrerá.” (Gênesis 42.19-20)
Assim que José disse que seus irmãos não passavam de espiões, imediatamente, eles se defenderam, alegando serem homens honestos. Porém, José não demonstrou confiança neles. Este é mais um sintoma de uma alma ferida: não conseguir confiar nas pessoas. Todas às vezes que nós somos machucados por pessoas, nós desconfiamos de pessoas. Nossa tendência é criar uma série de defesas emocionais, evitando confiar nas pessoas que nos feriram.
6º Sinal de uma alma ferida – Um FALSO ARREPENDIMENTO
“Nisso José retirou-se e começou a chorar, mas logo depois voltou e conversou de novo com eles…” (Gênesis 42.24a)
Em meio ao tumulto de seus pensamentos e sentimentos em relação aos seus irmãos, a Bíblia diz que José se retirou e chorou. Infelizmente, porém, esse choro de José não foi um choro de cura. Esse choro indica muito mais a sua reação em relação aos problemas e dificuldades vividas. Foi um choro que revelou apenas um falso arrependimento.
Por vezes, pensamos que algumas coisas são capazes de curar as feridas da nossa alma. Temos a tendência de achar que sabemos o que pode curar o nosso passado de dor e sofrimento. O que não pode curar o passado?
 O TEMPO não apaga as dores
A esta altura da sua história, José estava distante da sua família havia 22 anos, e agora, com 39 anos, não se dava conta dos reflexos de seus traumas, do passado não resolvido em sua vida. O tempo não pode curar o nosso passado, nem resolver questões ainda não trabalhadas.
 A DISTÂNCIA não cura as dores
José estava no Egito; sua família, em Canaã. Embora estivessem em países diferentes e em localidades distantes, isso não resolveu as questões pendentes entre eles. A cura não vem pela distância, mas pelo enfrentamento do problema, ainda que seja doloroso demais.
 Ser CHEIO DO ESPÍRITO SANTO não cura as dores
José era um homem cheio de Deus. Ainda bem jovem Deus compartilhava com ele sonhos proféticos. Depois receber o dom de interpretar sonhos e o próprio Faraó declarou a seu respeito:
“… Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino.” (Gênesis 41.38)
O indivíduo é cheio do Espírito Santo, flui nos dons, nos carismas, mas isso não quer dizer que a sua alma está em ordem. José era cheio do Espírito Santo, mas matou a sua família no coração.
 O ESQUECIMENTO não cura as dores
José confundiu esquecimento com a cura da alma. O seu esquecimento lhe dava a impressão de que tudo estava resolvido, quando na realidade não estava. Talvez essa seja a sua realidade: o que eu mais quero é ser curado, mas o que menos quero é tocar no assunto.
O que foi necessário José fazer para trazer cura às feridas da sua alma? Os capítulos 43 e 44 de Gênesis são importantes para entendermos as etapas da cura das feridas da alma de José. Seus irmãos trazem Benjamim, e isso mexeu profundamente com o coração de José. Ele mandou preparar uma refeição e foi comer com seus irmãos. Assim que acabaram de comer e se preparavam para partir, José armou uma cilada para seus irmãos. Como vocês já sabem, a taça de José foi encontrada no saco de mantimento de Benjamim. E Judá já havia dito o que deveria acontecer com aquele com quem fosse achada a taça de José:
“Se algum dos seus servos for encontrado com ela, morrerá; e nós, os demais, seremos escravos do meu senhor.” (Gênesis 44.9)
Todos ficaram desesperados. O que iriam dizer ao pai? Como voltar para Canaã e dizer-lhe que o seu segundo filho com Raquel agora também estava morto? A partir de agora, o relato bíblico revela-nos uma das intercessões mais comoventes e brilhantes de que temos notícia: a intercessão de Judá pelo seu irmão Benjamim. A intercessão de Judá é terapêutica. Ela é um excelente modelo de como o Espírito Santo pode sondar nossas dores e tratar dos nossos traumas. Ela foi um bisturi de Deus para atingir a ferida de José.
Judá vai contar a história da tragédia do irmão. Ele vai dizer: nós tínhamos um irmão que não está mais vivo. Judá vai falar da tristeza do pai e Judá vai falar da possibilidade de um novo sofrimento na vida do pai por causa de Benjamim. Quando Judá encerra sua intercessão, começa o processo da cura das feridas a alma doente de José. Vamos aprender com José?
Para curar as feridas da alma…
1. ABRA o coração e FALE toda a VERDADE
“A essa altura, José já não podia mais conter-se diante de todos os que ali estavam, e gritou: façam sair a todos! Assim, ninguém mais estava presente quando José se revelou a seus irmãos.” (Gênesis 45.1)
Neste ponto José decidiu abrir o coração e contar toda a verdade. Chega de dissimulação. O filho ferido começou a se abrir aos que o tinham vendido para o Egito. José toma a decisão de ser curado. Ele precisou tirar a máscara de governador. Todo processo de cura e restauração da alma se dá quando decidimos abrir o coração e falar toda verdade para alguém. Enquanto estivermos fechados a isso, pouca coisa poderá ser feita para a nossa cura. A ferida que existe em nosso caráter precisa ser tocada e curada.
Para curar as feridas da alma…
2. EXPRESSE seus SENTIMENTOS sem reservas
“E ele se pôs a chorar tão alto que os egípcios o ouviram, e a notícia chegou ao palácio do Faraó.” (Gênesis 45.2)
Um dos grandes entraves na cura das feridas da alma é esconder a nossa dor e contar a nossa história de vida apenas fazendo uso da nossa razão. Isolamos o coração, ocultamos os sentimentos doloridos, e assim damos um relatório racionalizado de nossos traumas. José permitiu que os seus sentimentos mais profundos viessem à tona. Ele chorou toda a dor que um dia não pôde ou não tenha conseguido expressar. O choro que resolve o problema da nossa alma doente é aquele que é ouvido por outras pessoas, e não aquele que é feito em secreto no nosso quarto. Jesus era o Filho de Deus mas, quando perdeu seu amigo Lázaro, ele chorou. Como Filho de Deus, teve fé e poder para ressuscitar o morto; mas, como filho do homem, chorou a perda do amigo amado, pois tinha emoções, como todos nós temos.
Para curar as feridas da alma…
3. DIGA o NOME da sua DOR
“Disse José aos seus irmãos: cheguem mais perto. Quando eles se aproximaram, disse-lhes: eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito.” (Gênesis 45.4)
José, após expressar suas emoções em forma de choro diante dos irmãos, teve uma outra atitude: ele deu nome à sua dor. Ele disse: “eu sou aquele que vocês venderam ao Egito”. É preciso compreender que os nossos sentimentos feridos têm nomes específicos e por vezes relutamos em nomeá-los. Sem essa compreensão, não haverá cura. Qual é o nó que ainda está presente em sua alma? Por favor, não saia daqui sem dar nome à sua dor: eu fui vendido para o Egito; eu fui abusado sexualmente; minha mãe tentou abortar-me; meu marido me trocou por outra mulher; perdi o meu filho e nunca aceitei isso; guardo mágoas do meu pastor; estou revoltado com Deus; ainda não superei a dor do meu divórcio, etc. Qual é o nome da sua dor? Você vai precisar dizer nome por nome para que sua alma ferida encontre a cura.
Para curar as feridas da alma…
4. Tome a INICIATIVA da RECONCILIAÇÃO
“Então ele se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou, chorando. Em seguida beijou todos os seus irmãos e chorou com eles…” (Gênesis 45.14-15)
José tomou a iniciativa da reconciliação. Ele abraçou, beijou e chorou com todos os seus irmãos. Seu coração estava livre de toda aquela amargura inicial e dos sentimentos de vingança. Porém, isso só foi possível depois que José abriu o seu coração completamente e falou toda a verdade, expressou sem reservas os seus sentimentos e disse o nome da sua dor. Não podemos pular as etapas deste processo. Como é importante o pai abraçar o filho e pedir-lhe perdão por suas faltas. Como é importante o marido abraçar a esposa e sinceramente pedir-lhe perdão por alguma palavra mais áspera ou por coisas piores. Como é importante os irmãos, que já não se falavam, consertarem-se diante de Deus e dos homens. É tremendo o que Deus pode fazer através de um abraço sincero e quebrantado. Ainda que você seja o ferido, tome a iniciativa da reconciliação.
Conclusão:
Quais são as provas de que a alma de José foi curada? Assim que José decidiu abrir o coração e permitir que Deus agisse, houve mudanças drásticas em seu comportamento. Quais são os sinais da cura da alma de José?
 REAPROXIMAÇÃO
“Disse José aos seus irmãos: cheguem mais perto…” (Gênesis 45.4)
O primeiro sinal de cura que percebemos na vida de José é este: ele começou a reaproximar-se dos seus irmãos. As barreiras começaram a ruir. Ele não teria feito isso se não estivesse aberto ao concerto e sem muitos dos sentimentos hostis antes travavam a sua alma.
 VER o OFENSOR de maneira DIFERENTE
“Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá…” (Gênesis 45.5a)
Que fato interessante! O mesmo José, que tinha acusado seus irmãos de espiões, expressando-se de um modo tão amargo e cheio de ira, agora diz a eles para não se afligirem, para não ficarem preocupados, nem se irritarem consigo mesmos. Algumas pessoas, após desabafarem suas profundas mágoas e serem direcionadas ao perdão, em pouco tempo têm uma nova visão e novos sentimentos em relação àqueles que os feriram. Enxergar o ofensor com outros olhos é um dos indicativos da cura.
 ENXERGAR o PROPÓSITO de Deus
“Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês.” (Gênesis 45.5)
José começou a enxergar o seu passado e a sua história sob uma perspectiva não mais da carne, mas de Deus. O olhar não era mais de um filho ferido, mas de um homem curado. No Reino de Deus nada se perde. O que no passado foi instrumento de dor e vergonha, agora no presente pode ser reciclado pelo Espírito Santo, com o fim de ajudar muitas outras pessoas.
 A RESTAURAÇÃO da FAMÍLIA
“Voltem depressa a meu pai e digam-lhe: assim diz o seu filho José: Deus me fez senhor de todo o Egito. Vem para cá, não te demores.” (Gênesis 45.9)
O mesmo José que havia ficado treze anos longe da sua família e, ainda assim não queria rever os seus irmãos, agora é um outro homem. Toda a sua morosidade em relação à sua família transformou-se em correria. José ainda pediu aos seus irmãos que dissessem ao seu pai:
“Tu viverás na região de Gósen e ficarás perto de mim – tu, os teus filhos, os teus netos, as tuas ovelhas, os teus bois e todos os teus bens.” (Gênesis 45.10)
José desejou em seu coração reunir toda a família, como antes. O que Deus fez na família de José é o que podemos chamar de conserto e restauração. Todos choraram, todos abraçaram-se, todos perdoaram-se. É isto que Deus também quer fazer na sua vida hoje. Sua alma ferida gera uma família ferida. Uma família ferida gera uma igreja doente. É um ciclo que precisa ser definitivamente quebrado. E Deus o trouxe aqui porque Ele é o maior interessado na cura das feridas da sua alma.
Para curar as feridas da alma…
1. ABRA o coração e FALE toda a VERDADE
2. EXPRESSE seus SENTIMENTOS sem reservas

3. DIGA o NOME da sua DOR
4. Tome a INICIATIVA da RECONCILIAÇÃO
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

A FÉ QUE NOS LEVA A DEUS


                                                      A FÉ QUE NOS LEVA A DEUS
Para começar esse estudo sobre fé, vamos ler alguns textos bíblicos importantes:
Hb 11:1 “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.”
B.l.h.”A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não vemos.”
Hb 11:6 “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”
B.l.h. “Sem fé ninguém pode agradar a Deus porque quem vai a Deus precisa crer que ele existe e que recompensa os que o procuram.”
Podemos dizer, baseados nestes textos:
1) Que a  é a realização de algo muito difícil, algo fora do meu alcance.
2) Que Deus presenteia quem o busca.
Mas como experimentamos estas coisas?
Quando entregamos nossa vida ao Senhor começamos a vivenciar estas coisas. Cremos que Jesus morreu pelos nossos pecados, aprendemos que o propósito de Deus é que sejamos parte de uma família de filhos que Deus fará serem semelhantes a Jesus. Somos chamados de crentes porque cremos em Jesus! Nos tratamos como irmãos porque somos filhos do mesmo Pai que é Deus! Somos chamados de evangélicos porque cremos no evangelho que é Cristo, a vida de Deus para todo o que crê!
Porém, a diferença de um nome está naquilo que este nome significa! Creio em Jesus? Vou procurar conhecê-lo!
Sou filho de Deus? Vou procurar o meu Pai!
Se eu não fizer isso, serei religioso, sem vida com Deus, sem experiência de fé!
Me lembro de como Deus falou comigo a primeira vez: minha mãe poderia ter um câncer; eu tinha 16 anos, mas naquela época a possibilidade de eu ficar sem a minha mãe era para mim terrível; meus pais não eram cristãos, eu não sabia como buscar a Deus, mas eu precisava de um milagre, então fiz tudo o que podia até Deus me dar uma resposta. A resposta foi que minha mãe não tinha câncer. Quando soube disso fiquei muito feliz, mas me senti devedor de Deus. Não podia buscar a Deus e depois de ter meu problema resolvido continuar vivendo de qualquer jeito, ou seja, só buscar a Deus na hora da necessidade; comecei a viver como religioso, ia na missa aos domingos, pensava que assim estaria bem caso tivesse outras necessidades futuras; 3 anos mais tarde, com 19 anos minha vida estava difícil, muitas dúvidas, falta de direção, falta de emprego, etc; meus pais não conseguiam me orientar, os conselhos que eu recebia não me animavam, eu precisava de paz! Eu gostava de música e queria ser músico e o Senhor usou isso para me trazer para Ele. Vi um amigo meu que era um maestro, que poderia viver de música se quisesse, dizer-me que usava a música só para louvar a Jesus; ele me apresentou outros jovens que pensavam da mesma forma, cada jovem que eu falava me contava do amor de Deus. Era o que eu precisava, do amor de Deus! Desta paz!
Uma das coisas que me angustiavam era ver alguns colegas meus entrando em faculdades, definindo seus futuros, mas eu não queria estudar mais. Queria trabalhar, mas não tinha emprego. Queria me casar com, no máximo, 24 anos, mas esse sonho parecia ficar cada vez mais distante. Mas o Senhor me envolveu com seu amor, trouxe-me a paz que eu precisava, trouxe-me esperança; a primeira coisa que Deus falou comigo foi: no momento certo eu iria conhecer a minha esposa! Que maravilha! Eu fiquei tão tranquilo que quando chegou a hora eu achava que não era a hora, pois os meus pensamentos não são os pensamentos de Deus! Mas nesse tempo eu estava buscando conhecer a Deus, por isso o que parece difícil ou impossível começa a acontecer.
No ano em que eu completei 24 anos eu me casei! Glória a Deus!
Minha história com Deus não é a história do meu discipulador, não é a história do meu pastor, não é a história do meu filho, da minha filha; é a minha história! Conhecer a história dos meus irmãos me anima porque eu vejo o milagre de Deus se cumprindo na vida daqueles que buscam a Ele! Vejo que Deus é fiel a sua palavra!
Em Oséias 6:3 está escrito: “conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e Ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”
A medida que obedecemos a Palavra de Deus nós o conhecemos, e isso é para toda a vida !
Ef 3:20-21: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”
Relembrando: Hb11:1 “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.”
Hb 11:6 “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”
Somos predestinados a ser filhos de Deus! Rm 8:29 “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” Deus é nosso Pai ! Como Pai ele espera de nós obediência!
Obediência em tudo o que ele nos ensina em sua palavra!
Mas porque alguns irmãos têm dificuldades com a falta fé? Por exemplo: na ceia, o pão é o corpo do Senhor Jesus. Se eu não creio que compartilho do corpo do meu Senhor, vou me preocupar em quantos quilos vou ganhar em cada ceia, ou quanto glúten vou ingerir, ou se vou ficar embuchado porque a massa do pão está muito seca, etc. Se não creio que bebo do sangue do meu Senhor, vou ficar preocupado em não cair em nenhuma barreira policial e ser multado no teste do bafômetro, vou tomar suco de uva na ceia, pois eu já fui alcoólatra, etc. Não é de uma hora para outra que a fé se manifesta, ela se manifesta pela obediência, pelo desejo de experimentar o Senhor naquilo que estamos praticando. A fé é uma certeza!
Quando obedecemos a palavra, podemos questionar a Deus, pois Ele é fiel a sua palavra! Ele nos responde de acordo com a sua palavra e não segundo a nossa interpretação! Não é um negócio! É relacionamento de Pai e filho!
Não importa o que o mundo diz, o que a minha família pensa, eu tenho um compromisso com meu Pai, que me presenteia ao mesmo tempo em me ensina sobre ter fé.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quinta-feira, 2 de maio de 2019

SALVAÇÃO POR MEIO DE CRISTO


                                                SALVAÇÃO POR MEIO DE CRISTO.
Efésios 2.1-10
Hoje iniciamos um trimestre de estudos so­bre a salvação. Embora esse seja um dos temas centrais de toda a Bíblia, vários cristãos têm muitas dúvidas sobre o assunto. No intuito de apresentar com fidelidade e clareza o ensino bíblico sobre a obra da salvação, esmiuçamos o tema e vamos apresentá-lo detalhadamente ao longo das lições, mostrando cada um dos aspectos desta importante doutrina bíblica. Você sabe dizer o que é a salvação? Sabe como ela é adquirida? Aliás, você sabe dizer por que precisamos dela?

1. O que é a salvação?

A salvação é a maior de todas as bênçãos espirituais que o ser humano pode receber de Deus. Apesar disso, muitas pessoas não sabem o que ela é. Isso se deve, em parte, ao caráter simplório e superficial de boa parte da educação cristã ministrada em algumas denominações evangélicas e, em parte, pela ampla divulgação de algumas doutrinas massificantes que não chegam à essência da questão. Por isso, antes de vermos o que a salvação é, veremos o que ela não é. 
  1. Salvação não é a mesma coisa que filiação a uma denominação religiosa. Este é um pensamento popular muito comum. Muitas pessoas pensam que ser salvo significa perten­cer a uma igreja. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. É perfeitamente possível que uma pessoa seja membro de uma denominação religiosa por muitos anos e não tenha um rela­cionamento com Jesus baseado na graça.
  2. Salvação não é a mesma coisa que pros­peridade material. As denominações adeptas da chamada “teologia da prosperidade” falam tanto sobre a prosperidade financeira que se esquecem de anunciar o perdão de pecados e da salvação em Cristo. Assim acabam trans­mitindo a falsa noção de que Jesus morreu na cruz para nos dar boa saúde, um bom carro, uma boa casa e para salvar nosso negócio. A mensagem da cruz fica totalmente perdida em meio às questões materiais. Jesus não morreu para nos dar bênçãos materiais e sim para nos trazer a salvação. É certo que Deus nos abençoa financeira e materialmente, dando-nos o suficiente para nossa peregrinação neste mundo, mas o cerne das boas-novas não é um carro possante, mas a salvação eterna.
  3. Salvação não é a mesma coisa que par­ticipação em eventos religiosos. Este também é um pensamento comum. Muitas pessoas pensam que o fato de fazerem peregrinações e romarias é sinônimo de salvação. A ver­são evangélica mais comum deste engano é pensar que a participação em incontáveis atividades realizadas na igreja é sinônimo de salvação. Algumas atividades eclesiásticas são realmente proveitosas e edificantes. Ou­tras consistem apenas em um ativismo vazio. Salvação é um relacionamento piedoso com Deus baseado na graça mediante a fé e não em um ativismo religioso.
A esta altura, você deve estar se perguntan­do: mas afinal, o que é a salvação? Salvação é a mudança do estado de condenação em que o pecador se encontra, por causa do pecado, para o estado de bem-aventurança, para o qual é conduzido pela graça de Deus. O apóstolo Paulo menciona esta mudança de estado em sua carta aos crentes de Colossos: “Ele [Deus] nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13-14).
De acordo com a Escritura, a pessoa que não é redimida, que chamaremos de homem natural, vive em trevas espirituais e é mere­cedor da condenação de Deus por causa de seu próprio pecado (Rm 3.23; 6.23). O apóstolo Pedro menciona esta mudança de estado ao dizer que “vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). Nós éramos trevas, porém, agora, somos luz no Senhor (Ef 5.8).

2. Por que o ser humano precisa de salvação?

Outra pergunta que precisa ser respondida no início de nossos estudos sobre a salvação diz respeito à sua necessidade: por que pre­cisamos ser salvos? A resposta é simples: precisamos desesperadamente de salvação porque esta é a única maneira de termos nossa comunhão com Deus restaurada e, também, de escaparmos da condenação do inferno.
A Escritura afirma com muita clareza que todos os seres humanos são pecadores (Rm 3.23; 5.12). Portanto, todos nós somos igual­mente merecedores da retribuição correspon­dente ao pecado. De acordo com a Escritura, esta justa retribuição é a morte (Rm 6.23) no seu sentido mais profundo e abrangente: morte física, morte espiritual e morte eterna. Isso implica no total rompimento de nossa comunhão com Deus.
  1. Morte física. Desde tempos imemoriais, as pessoas nascem, crescem e morrem. Devi­do à regularidade desse processo, já devíamos estar acostumados com a morte física. No entanto, ela continua sendo motivo de tristeza e dor. Ela sempre nos abate, causando o mais profundo pesar. Isso se explica pelo fato de o ser humano ter sido criado para viver, não para morrer. A morte é uma invasora em nosso sistema, por isso sempre a vemos com estranheza e dor. O ser humano foi criado para desfrutar da vida abundante que Deus havia preparado para ele no jardim, em plena comunhão com seu Criador. O pecado, po­rém, fez com que ele se tornasse merecedor da morte, que era o castigo previsto no caso de desobediência. Pela sua misericórdia, o Senhor não tirou a vida física de Adão e Eva imediatamente depois da realização do pri­meiro pecado. Ele permitiu que aquele casal vivesse por muitos anos depois disso e visse seus filhos e netos. Contudo, no momento em que o primeiro pecado foi cometido, a morte entrou no mundo (Gn 3.1-19).
  2. Morte espiritual. Paulo começa o re­lato de nosso texto básico dizendo que “ele [Cristo] vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). O pecado provoca uma separação entre nós e Deus. Morte espiritual é exatamente isso: separação de Deus (Is 59.2). Certamente essa é a mais terrível de todas as consequências. Deus é a única fonte de toda luz, de todo bem e de toda vida. Por isso, quando nos separamos dele por causa do nosso pecado, entramos em um estado de morte espiritual. A reversão deste estado de morte para a vida que há em Cristo Jesus é o que chamamos de salvação.
  3. Morte eterna. Este é um dos ensinos bíblicos mais combatidos em nossa época. A mentalidade pós-moderna de nossos dias não suporta a ideia de um castigo eterno. No entanto, a existência do inferno é um claro ensino bíblico. A pessoa que permanece es­piritualmente morta durante toda a sua vida, isto é, o pecador que não recebe a salvação, vai para o inferno. A condenação ao inferno é o modo como a Escritura descreve a realidade além-túmulo daqueles que morrem sem se renderem ao amor e à justiça de Deus. Para descrever esta realidade terrível, a Escritura usa uma linguagem figurada, termos simbó­licos, que retratam os horrores da punição mais severa que se pode imaginar. No entanto, embora a linguagem seja figurada (ranger de dentes, lago de fogo e enxofre, etc.), o fato que ela descreve é real. O inferno é um lugar real onde os que não forem salvos estarão eternamente separados de Deus. O próprio Jesus fala sobre a realidade do inferno muitas vezes (Mt 5.22,29-30; 10.28; 11.23; 16.18; 18.9; 23.15,33).

3. A salvação é um dom de Deus

Outra pergunta que surge imediatamente quando abordamos o tema da salvação é: Como a salvação acontece? A salvação é um dom de Deus, algo que ele dá de graça. Aqui também precisamos mencionar algumas opiniões bem populares que não encontram fundamento na Bíblia.
  1. A salvação é uma recompensa que recebemos de Deus pelas boas obras que praticamos. Esta é uma opinião muito co­mum, especialmente entre os espíritas. Ela se baseia em uma ideia de mérito entre a pessoa que pratica as obras e o oferecimento da salvação. No entanto, quando Deus nos dá o que merecemos, ele nos dá a punição eterna, afinal de contas, todos nós somos pecadores. Ao nos dar a salvação, Deus não nos trata como merecedores dela, mas nos concede uma bênção à qual não temos direito. Esse é exatamente o conceito de “graça de Deus”. Paulo afirma isso ao dizer: “pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).
  2. A salvação pode ser comprada. Esta tam­bém é outra opinião muito comum. Ela se ba­seia na ideia, consciente ou não, de que quem dá a salvação não é Deus, mas uma instituição chamada igreja. Ninguém pensaria em com­prar de Deus a salvação, pois ele já tem tudo, mas comprar da igreja. Essa prática foi muito comum na Idade Média, quando vendedores de indulgências saíam pela Europa vendendo documentos eclesiásticos que supostamente asseguravam o perdão de pecados em troca de uma quantidade de dinheiro. A ideia era pagar na terra por uma bênção celestial a ser desfrutada depois da morte.
João Tetzel, um monge dominicano que se destacou como o maior vendedor de indulgên­cias da Europa, tem uma frase famosa que diz: “Assim que a moeda bate no fundo do cofre, uma alma sai do purgatório”. Esta prática de trocar dinheiro por bênçãos tem suas rami­ficações também nas igrejas evangélicas de nossos dias. Não se trata mais de pagar pelo perdão e pela salvação, mas por bênçãos terrenas. A prática é pagar aqui para que, do céu, sejam enviadas bênçãos temporais. É essa ideia que está por trás, por exemplo, das “banquinhas de oração”. O cliente/fiel paga uma quantia em dinheiro (geralmente de 5 a 10 reais) e a pessoa faz uma oração por ela e ainda anota o nome dela para orar depois, na companhia de outros membros da igreja ou dos pastores. Isto é venda de orações!
De acordo com nosso texto básico, a salvação é um dom de Deus (Ef 2.8). Ela é oferecida graciosamente, é de graça. Não podemos merecê-la com nossas obras nem pagar por ela com nossos recursos financeiros. Ela é dada graciosamente por Deus. Tudo o que precisamos fazer é aceitá-la pela fé, que também é dada por Deus.

Conclusão

A salvação é a ação de Deus que nos tira do império das trevas e nos conduz gracio­samente ao reino de seu Filho. Esta salvação oferecida graciosamente por Deus em Cristo é a única solução para o problema do pecado e o único recurso dado por Deus para que o homem não seja condenado ao inferno, mas desfrute da eterna e gloriosa comunhão com seu Senhor.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O CHORO DE HAGAR


                                                           O CHORO DE HAGAR
Pela segunda vez Hagar sai da casa de Abraão de forma conturbada. Na primeira vez que isso aconteceu, ela ainda estava com seu filho Ismael no ventre, fruto das manipulações de Sara e Abraão para gerar um filho que fosse, o filho da promessa. Porém, Deus visitou Hagar no deserto, a consolou e ordenou que Hagar voltasse para casa de sua senhora e se submetesse a ela (Gênesis 16.1-15).
Na segunda partida de Hagar, Deus não dá a mesma ordem, afinal, ela agora foi expulsa, e continua errante no seu caminho, porém, dessa vez ela não está com seu filho no ventre, mas ele já nascera, é um menino, ele está com idade entre 11 a 13 anos, e, ambos estão em uma estrada cheia de perigos, armadilhas e incertezas. Hagar desiste da vida, a única água que lhe restara findou-se, então ela deixa o seu filho distante para não ver o fruto do seu ventre morrer sem nada poder fazer. Hagar chora.
Mas um fato ocorre nesse drama que não passa desapercebido, o menino também chora, brada com desespero, o medo do oculto faz a criança derramar as lágrimas da alma. A Bíblia Sagrada chama atenção para algo que ocorre na sequência, dizendo: “Deus ouviu o choro do menino” (Gênesis 21.17).
O choro do menino é algo que se destaca, não pelo fato de uma criança estar apenas chorando, mas pelo fato do choro da criança não ter nada a ver com os choros dos adultos, ou quase nada. Vez por outra, os nossos choros são carregados de amargura, autocomiseração, mácula, justiça própria. Choros que são mais marcados pela ira do que pelo quebrantamento ou pelo clamor legítimo da alma sedenta.
Hagar certamente tinha seus motivos para ter saído da casa de Abraão, tendo em vista que sua senhora a maltratava e agora ela tinha um filho para cuidar e criar. Mas além da criança, Hagar está envolvida em um jogo de disputa, poder, paixão, herança, é um jogo de emoções afloradas, luta por conquista de um espaço que talvez nunca lhe pertenceu. É o jogo que gostamos de chamar de vida, porque a fazemos assim.
Hagar sai com seu filho, sem ter um destino certo, virou andante no deserto de Berseba. Sabe-se apenas que ela estava em desespero, foi expulsa pela sua senhora, precisa ir, mas sem saber para onde. Mãe e filho choram, choram porque na estrada da vida, ninguém é poupado das lágrimas, sejam elas justas aos nossos próprios olhos ou não. Mas a verdade linda por trás da trama é que “Deus ouviu o choro do menino”.
O choro do menino é o choro da sinceridade, é o choro de quem precisa de colo, de ajuda, é o choro desejoso de amparo, é o choro da nossa criança interior, clamando pelas necessidades reais da alma, do coração. O choro do menino representa o choro das necessidades verdadeiras, assim como cada um de nós, quando choramos com o coração “rasgado” diante de Deus.
O choro de Ismael não está ligado ao sentimento ressentido pela vingança mal sucedida ou pela perca de poder, o choro dele não está atrelado ao grito daquele que chora com ira, mas sim do interior verdadeiro de cada um de nós que clama, Aba!
Ainda que canalizemos todas as nossas energias em coisas sem sentido real para a vida, o choro que está em nós é o choro do coração que precisa ser preenchido pelo amor do Deus misericordioso que não desampara os que têm um coração quebrantado e contrito (Salmo 51:17).
Quem tem um coração camuflado pelas fantasias da visão desse mundo, cheio de vaidades, disputa de poder e espaço, e não consegue se assumir como pessoa, viverá a vida com seus choros abafados pelo egoísmo e sem ter nenhum consolo.
O meu convite é para que deixemos a nossa alma chorar o choro verdadeiro, identificando que necessitamos mais e mais de Deus e não das coisas que supomos precisar. Permita que a criança interior se derrame diante do Pai dizendo: Aba, Pai!
Nele, somente Nele, somos acolhidos com amor e proteção, Ele e só Ele, é Aquele que disse:
“Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus” (Mateus 18:3)
Ele pode ouvir o choro secreto de nossa alma carente e sedenta.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante