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sábado, 29 de agosto de 2020

OTIMISMO


OTIMISMO

2 CRÔNICAS 20 --

O segundo livro de Crônicas (2 Crônicas 17 a 20) narra a trajetória do quarto rei de Judá (reino do sul de Israel): Josafá, filho de Asa e que governou a partir de Jerusalém por 25 anos (873–849 a.C.).
Antes dele atuaram os reis Asa (913-873), seu pai, Abias (915-913); seu avô, e Roboão (922-915 ou 931-915), filho de Salomão. Em seu lugar, ficou seu filho, Jeorão (849–842). Seu pai e seu avó foram aprovados por Deus, mas seu bisavô e seu filho foram reprovados.
O capítulo 20 descreve uma situação difícil para Josafá. Seus adversários lhe declararam guerra. Um "exército poderoso" se aproximava perigosamente. O medo tomou conta dos corações de todos.
O PODER DO OTIMISMO
O resto da história forma um contraste com aquilo que poderíamos chamar de "otimismo", considerado como uma das chaves para o sucesso na vida. De fato, o otimismo é algo de grande valor, mas tem seus limites.
Quando eu era adolescente, li com muito proveito os livros de Norman Vincent Peale, que, entre outros, escreveu "O poder do pensamento positivo". Tenho de outra obra dele uma lembrança bem pessoal ("Mensagens para a vida diária"). Quando o li na biblioteca do Seminário onde estudava, um consulente antes de mim anotou em uma página que o livro era asqueroso e falso em seu otimismo. O estudante que fez estas anotações (o nome dele ficou registrado...) até hoje é rabugento, enfurnado e mal-humorado. Achei o comentário exagerado.
Sempre gostei de Norman Vincent Peale (1898-1993), um pastor reformado na cidade de New York, que insistiu a vida toda no valor de ter uma atitude positiva na vida, mas sempre contando com o apoio divino. Em outro livro, ele diz:
"Para auxiliá-lo a visualizar-se" como uma pessoa forte, "sugiro que use, diariamente, a seguinte afirmação: 'Deus me fez forte. Vejo-me como realmente sou: forte. Com a ajuda de Deus não sou fraco, e sim forte. Graças dou a Deus pela minha força'. Continue dizendo isso, acreditando nisso. Continue praticando o que diz também, e no tempo preciso sua mente consciente aceitará essa afirmação como um fato. Desde que a força se torne estabelecida com firmeza em seu subconsciente, ela se tornará característica determinante de sua personalidade, pois você é o que o que sua mente subconsciente de fato acredita que seja".

"Fomos criados para sonhar com o vir a ser. Estamos em transformação constante e não devemos nos contentar com a realidade do jeito que está. Estamos sempre vislumbrando novas possibilidades, novos e empreendimentos. (...) Não tenho conhecimento de nenhum empreendedor que seja realista ou pessimista. Os grandes realizadores forçam a realidade até transforma-la em algo melhor. Sonham com o ótimo, por isso são otimistas. Desafios existem para pessimistas, realistas e otimistas. (...) Busque forças lá de dentro de seu ser e mude de foco de seu questionamento. Diga para si mesmo: “Eu estou frente a um desafio e vou enfrentá-lo. Qual é a melhor forma de encarar esse desafio com firmeza e, além disso, transforma-lo em uma oportunidade para meu desenvolvimento pessoal?”.
A Bíblia Sagrada está cheia de palavras de ânimo. A maioria dos salmos -- e daí a nossa predileção por eles -- nos encoraja, como estes:
. "O Senhor é o meu pastor. Nada me faltará" (Salmo 23.1).
. "Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor" (Salmo 40.1)
. "Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará" (Salmo 37.5).
. "O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua vida" (Salmo 121.2 e 7).
Fora dos salmos, somos estimulados em outros livros da Bíblia a uma vida firme:
. "Ele dá força ao cansado, e aumenta as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão" (Isaías 40.29-31).
O Novo Testamento é pródigo na arte de encorajar:
. "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" (Mateus 6.34).
. "E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8.28).
. "Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (Filipenses 4.13).
No entanto, sejamos otimistas ou pessimistas, crentes ou não, as doenças nos derrubam, as dívidas nos desestruturam, as dificuldades nos desequilibram, as decepções nos debilitam, quando são mais fortes (e às vezes são) que nós e nossas redes de proteção e autoproteção.
Mas como enfrentamos as doenças, lidamos com as dívidas, superamos as dificuldades e vencemos as decepções? Os vencedores são os otimistas. Têm razão os promotores do poder do otimismo, mas a razão é parcial. Se dermos poder absoluto ao otimismo, ignoraremos a condição humana.
Se atentarmos para a Bíblia, veremos que ali há um otimismo diferente, que vem não do interior do coração humano, mas de Deus mesmo, como instrumento para a vitória humana.
O JEITO DE DEUS
A história de Josafá ilustra claramente este modo divino de agir conosco. Naqueles momentos, o medo dominava todos os corações.
Reouçamos a história.
"[3] Alarmado, Josafá decidiu consultar o Senhor e proclamou um jejum em todo o reino de Judá.
[4] Reuniu-se, pois, o povo, vindo de todas as cidades de Judá para buscar a ajuda do Senhor.
[5-6] Josafá levantou-se (...) no templo do Senhor (...) e orou:
[12] (...) "Não temos força para enfrentar esse exército imenso que vem nos atacar. Não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos se voltam para ti”. [14] Então o Espírito do Senhor veio sobre Jaaziel (...) no meio da assembléia. [15] Ele disse: “Escutem (...) ‘Não tenham medo nem fiquem desanimados por causa desse exército enorme. Pois a batalha não é de vocês, mas de Deus. (...) [17] Vocês não precisarão lutar nessa batalha. Tomem suas posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o Senhor lhes dará, o Judá, o Jerusalém. Não tenham medo nem desanimem. Saiam para enfrentá-los amanhã, e o Senhor estará com vocês’ ”.
[18] Josafá prostrou-se com o rosto em terra, e todo o povo de Judá e de Jerusalém prostrou-se em adoração perante o Senhor. (...)
[20] De madrugada partiram para o deserto de Tecoa. Quando estavam saindo, Josafá lhes disse: “Escutem-me, Judá e povo de Jerusalém! Tenham fé no Senhor, o seu Deus, e vocês serão sustentados; tenham fé nos profetas do Senhor, e terão a vitória”.
[21] Depois de consultar o povo, Josafá nomeou alguns homens para cantarem ao Senhor e o louvarem pelo esplendor de sua santidade, indo à frente do exército, cantando: “Dêem graças ao Senhor, pois o seu amor dura para sempre”.
[22] Quando começaram a cantar e a entoar louvores, o Senhor preparou emboscadas contra os homens de Amom, de Moabe e dos montes de Seir, que estavam invadindo Judá, e eles foram derrotados". (2 Crônicas 3-22)
O otimismo que vem de Deus leva aquele que crê a, mesmo alarmado diante do perigo, a buscar a ajuda de Deus. No caso de Josafá, seu poder vem do Alto, não de dentro de si mesmo. A oração ao Senhor Altíssimo é o seu recurso, não a reunião de forças internas (versos 3-5), tarefa necessária e vigorosa, mas insuficiente porque dependente de si mesmo. O otimismo de Josafá, que deve ser o nosso, é o otimismo de quem se prostra, não de quem bate no peito. Nosso otimismo deve ser o de quem ouve as palavras de Jesus: "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus" (Mateus 5.3).
O otimismo que vem de Deus reconhece o tamanho da adversidade. Ele não é um ingênuo, como se tudo sempre estivesse bem. Há problemas reais e ele não vê outra solução que não seja a intervenção de Deus (verso 12). Josafá reconhece que não tem forças para derrotar o inimigo. O rei não sabe o que fazer, senão esperar em Deus. Este deve ser o nosso tipo de otimismo, um otimismo que escuta o apóstolo Paulo assoviando, confiante: "O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus" (Filipenses 4.19) Deus "nos livrou e continuará nos livrando de tal perigo de morte. Nele temos colocado a nossa esperança de que continuará a livrar-nos" (2 Coríntios 1.10).
O otimismo que vem de Deus se baseia na revelação de Deus. Quem não gostaria de ouvir: "Não tenha medo nem fique desanimado. A batalha não é sua, mas de Deus. Você não precisará lutar nessa batalha. Permaneçam firme e vejam o livramento que o Senhor lhe dará. Não tenha medo nem desanime"? (verso 24, modificado). No entanto, quem diz a Josafá tais palavras? Foi o próprio Deus, a quem Josafá consultou. O rei não disse: sou forte, vou nesta. Ele disse: Senhor, sou fraco, me ajude. O otimismo que vem de Deus é realista, porque examina a realidade. O otimismo autogerado pode ser ilusório. Você tem uma batalha para enfrentar? Consulte ao Senhor. O apóstolo Paulo queria muito ir a Roma? O que fez: muniu-se do pensamento positivo (tudo vai dar certo!) e foi? Não: consultou ao Senhor, que lhe disse "não" (Romanos 1.13, 15.22). Se Deus nos mandar ir, Ele vai na frente. Este é o otimismo que vem de Deus.
O otimismo que vem de Deus parte para a ação, infundindo em quem crê a confiança no poder de Deus. A batalha de Josafá era a batalha de Deus, mas Josafá teve que ir para o campo lutar e de madrugada. Então o rei, repetindo o recado do profeta de Deus, passa sua mensagem de ânimo, nessa hora: "Tenham fé no Senhor, o seu Deus, e vocês serão sustentados; tenham fé nos profetas do Senhor [isto é, tenham fé no Deus que fala por meio do profeta] e terão a vitória” (verso 20). O otimismo que vem de Deus é um convite à ação, ação que se desenvolve de modo confiante. O otimismo que vem Deus depende do poder de Deus, não no poder de si mesmo ou no poder dos outros. Tristemente, mais tarde, Josafá fez aliança com Acabe, em lugar de fazer aliança com Deus, e perdeu (versos 35-37). O otimista segundo o coração de Deus confia que Deus é "Aquele que supre a semente ao que semeia e o pão ao que come, também lhes suprirá e multiplicará a semente e fará crescer os frutos da sua justiça"(2 Coríntios 9.10).
O otimismo que vem de Deus se expressa em adoração, pelo que Deus ainda fará. Antes que Deus entrasse em ação e desbaratasse o até então "exército poderoso" do inimigo, o povo começou a cantar e a entoar louvores (verso 22). Parece que Paulo e Silas beberam nesta fonte, quando estavam presos. Em lugar de se lamuriarem pela injustiça que sofriam, cantaram louvores; pouco depois, as portas da prisão foram abertas (Atos 16.25). O otimista de inspiração divina não perde tempo reclamando, porque reclamar, além de ser perda de tempo e energia, é dês-confiar de Deus.
O DEUS QUE SUPRE, OUVE, GUARDA, RENOVA, CUIDA, CONVERGE, FORTALECE
Eis o que aprendemos com Josafá, mas voltemos aos textos que nos estimulam ao otimismo.
. "O Senhor é o meu pastor. Nada me faltará" (Salmo 23.1). Quem supre? Deus.
. "Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor" (Salmo 40.1). Quem ouve? Deus.
. "Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará" (Salmo 37.5). Quem age? Deus.
. "O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua vida" (Salmo 121.2 e 7). Quem guarda? Deus.
. "Ele dá força ao cansado, e aumenta as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão" (Isaías 40.29-31). Quem nos renova? Deus.
. "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" (Mateus 6.34). Quem cuida? Deus.
. "E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8.28). Quem faz as coisas convergirem para o nosso bem? Deus.
. "Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (Filipenses 4.13). Quem fortalece? Deus.
Que o nosso otimismo venha de Deus, não de nós mesmos.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

JESUS E OS LADRÕES

 


                                                         JESUS E OS LADRÕES

Jesus Cristo morreu como um criminoso, com verdadeiros criminosos dos dois lados. Dois ladrões condenados à morte foram crucificados com Jesus. Quando outras pessoas blasfemavam e zombaram de Jesus, esses ladrões também o insultaram (Mateus 27:44; Marcos 15:32).

Em algum momento durante as seis horas que Jesus ficou pendurado na cruz, a conversa dos ladrões mudou. Um continuou zombando do Senhor, mas o outro percebeu o erro destes comentários e o repreendeu. Ele disse: “Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Lucas 23:40-42).

Não sabemos o nome deste ladrão, nem outros detalhes da sua vida, mas sabemos que chegou a reconhecer a inocência de Jesus e sua posição no plano de Deus. Jesus seria o Rei eterno, e o ladrão arrependido queria participar desse reino.

Depois destas palavras do ladrão, a resposta de Jesus mudou o destino eterno deste homem. “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). O ladrão não mereceu a salvação, e neste fato bem representa todos nós, pois não merecemos a vida eterna (Romanos 3:23; 6:23). O ladrão foi salvo por causa da sua fé mediante a graça do Senhor, que é o único caminho para a nossa salvação (Efésios 2:8-9). Quando reconhecemos o problema do pecado que nos separa de Deus, percebemos que temos muito em comum com o ladrão que confessou sua fé em Jesus na cruz.

Há, porém, diferenças importantes entre nós e o ladrão na cruz. É importante observar essas diferenças para evitar o erro comum de procurar a salvação em exatamente os mesmos termos que observamos no caso desse ladrão. Os mesmos princípios básicos – a salvação pela fé mediante a graça – são válidos para todos. Mas seria errado procurar ser salvo exatamente como ele foi. Considere algumas diferenças importantes.

1) Nós não estamos morrendo numa cruz. Pessoas que falam de serem salvas da mesma maneira nunca querem repetir toda a experiência do ladrão. Ele foi crucificado!

2) Jesus não está fisicamente presente conosco. Durante seu tempo aqui na terra, Jesus perdoou os pecados de várias pessoas por simples declarações. Ao paralítico em Cafarnaum ele disse: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Marcos 2:5). Quando uma mulher pecadora ungiu seus pés na casa de um fariseu, Jesus viu seu amor e disse: “Perdoados são os teus pecados” (Lucas 7:48). Esses casos servem para provar o poder divino de Jesus, como ele mesmo explicou: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Mateus 9:6). Mas, ninguém nos leva numa maca para a casa onde Jesus está fisicamente presente, e não chegamos a tocar nos pés dele. Ele agia assim durante seu tempo aqui na terra, deixando os homens verem de primeira mão sua misericórdia e seu poder.

3) Nós vivemos depois da morte de Jesus. Talvez a mais importante das diferenças entre nós e o ladrão na cruz é o fato de estarmos em lados opostos da cruz! O ladrão procurou e recebeu a salvação antes da morte de Jesus. Nós procuramos a salvação depois da sua morte. Este fato faz uma diferença crítica. Um testamento entra em vigor após a morte do testador (Hebreus 9:16-17). O testamento de Jesus tomou efeito depois da sua morte. No Novo Testamento que Jesus nos deu por meio dos apóstolos, ele não exige um contato físico com ele, nem a morte na cruz. Ele revelou seus termos para a nossa salvação quando falou da necessidade da fé, da confissão, do arrependimento, do batismo e da obediência ao evangelho (Marcos 16:16; Romanos 10:9-10; Atos 2:38; 22:16; Hebreus 5:9).

O ladrão não precisou ser batizado, e nós não precisamos morrer numa cruz, mas para entrar e permanecer no reino de Cristo, precisamos demonstrar a mesma fé submissa e obediente.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

ÉTICA CRISTÃ

 


ÉTICA CRISTÃ

Romanos 12.9-11
“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo” (Fp 1.9-10).

Iniciamos esta lição com Provérbios 26.18-20: “Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz por brincadeira. Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda”.

Paulo começa a seção ética de sua carta aos Ro­manos com a excelência do “culto racional” e da diversidade dos dons espirituais que devem estar a serviço da igreja. Entre os dons espirituais e os degraus do comportamento cristão, exatamente no começo de Romanos 12.9, ele coloca a pedra angular da ética cristã: “o amor seja sem hipocrisia”. O amor, que é realmente o princípio governante da vida cristã, é mais do que uma emoção, e é de natu­reza mais firme do que mero sentimentalismo ou pura filantropia. Salomão poetiza esse amor sem hipocrisia, dizendo: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes laba­redas. As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8.6-7). A partir do “amor sem hipocrisia”, vêm os degraus da ética do comportamento cristão, que vamos estudar em lições seguintes. Nesta lição trataremos de seis desses degraus.

I – DETESTAI O MAL

Detestar o mal é o mesmo que odiá-lo. Paulo usa várias vezes a palavra “fugir” para significar a re­pulsa que o cristão deve ter das coisas que são más (1Co 6.18; 10.14 e 1Tm 6.11): “Tu, po­rém, ó homem de Deus, foge destas coisas”. Carlyle, escritor cristão, comentando esse texto, diz: “O que necessitamos é ver a infinita beleza da santidade, e a infinita maldição e o horror do pecado”. O apóstolo João, em sua primeira epístola, coloca esse “detestai o mal” da seguinte maneira: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo2.15).

II – APEGAI-VOS AO BEM

O verbo “apegar” sugere um desejo intenso de apropriar-se de alguma coisa. O salmista assim se expressa: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.” (Sl 63.1).
O comportamento ético do cristão é uma busca constante e intensa do que é bom. As palavras usadas por Paulo são firmes: “detestai” e “apegai”. Elas podem ser ilustradas com dois versos de Colossenses, como veremos a seguir.

1. Detestai

“Agora, porém, despojai-vos, igual­mente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos des­pistes do velho homem” (Cl 3.8 e 9).

2. Apegai-vos

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longani­midade” (Cl 3.12).
Tudo isso nada mais é do que empurrar para longe de nós o mal e abraçar de corpo e alma o que é bom, o que edifica.

III – AMAI-VOS CORDIALMENTE UNS AOS OUTROS

Devemos ser afetuosos uns com os outros em amor fraternal. A palavra “cordialmente” é que qualifica esse amor. “Seja constante o amor fraternal. Não negli­gencieis a hospitalidade, pois alguns, pra­ticando-a, sem o saber acolheram anjos” (Hb 13.1-2). Esse degrau do com­portamento ético do cristão é um dos muitos mandamentos da mutualidade. O amor cordial é recíproco: “uns aos outros”. Dentro da igreja não somos estranhos; muito menos unidades isoladas. Somos irmãos, porque te­mos o mesmo Pai. A igreja não é um clube onde as pessoas se associam; nem simplesmente uma reunião de amigos. A igreja é a família de Deus. A reciprocidade no amor é a marca mais visível no Corpo de Cristo.

IV – NO ZELO, NÃO SEJAIS REMISSOS

O descuido da vida cristã acarreta sérios problemas. O cristão não pode tomar as coisas de qualquer maneira. O nosso cotidiano é sempre uma alternativa entre a vida e a morte. O tempo é curto e a vida terrena é uma preparação para a eternidade. O profeta Jeremias exorta-nos: “Mal­dito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!” (Jr 48.10). Costuma-se dizer que o cristão pode abrasar-se, porém nunca oxidar-se. Jesus, em carta à igreja de Laodicéia, exorta: “Eu repre­endo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Ap 3.19).

V – SEDE FERVOROSOS DE ESPÍRITO

“Devemos manter nosso es­pírito sempre em alta. Espírito fervoroso é espírito que transborda em amor por Deus e pelo próximo. Ilustra-se esse fervor com uma vasilha de água fervendo no fogo”. Foi exatamente nessa dimensão que Jesus advertiu a igreja de Laodicéia: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem deras fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Ap 3.15-16). O que se requer do verdadeiro cristão é que ele seja “fervoroso de espírito”. Isto é, uma pessoa entusiasmada e apaixonada pela salvação das almas e pela santificação da Igreja.

VI – SERVINDO AO SENHOR

Quem serve ao Senhor, está servindo ao seu próximo, e quem serve ao seu próximo está servindo ao Senhor. Jesus coloca esse assunto da seguinte manei­ra: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40). O salmista, no hino de ingresso ao templo, declara: “Servi ao Senhor com alegria”. Esse sentimento deve ser constante no serviço cristão. O crente deve ter prazer no que faz servindo ao Reino de Deus. Por isso mesmo, aconselha o apóstolo: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportuni­dades” (Cl 4.5). “Quem não vive para servir, não serve para viver”.

CONCLUSÃO

“Deus espera de Seus filhos pecadores e redimidos pelo sangue de Jesus um padrão de excelência em tudo. Deste lado da glória não atingiremos perfeição no sentido de não pecarmos, mas somos aperfeiçoados a cada dia, à medida que nos achegamos Àquele que cumpre em nós o querer e o realizar”.
Na carta aos Romanos, Paulo diz: “Fo­mos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.4).
A vida cristã é uma experiência que se re­nova a cada dia em nosso relacionamen­to com Deus e com o nosso próximo.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

O DEUS IMUTÁVEL



                                                                        O DEUS IMUTÁVEL

Deus é imutável! Essa afirmação descansa o nosso coração, pois Deus é imutável em Sua essência, caráter/atributos e em propósitos e promessas. Deus não muda.

1. DEUS É IMUTÁVEL EM SUA ESSÊNCIA.

O Ser de Deus não se altera, não passa por mudanças. Deus é o mesmo ontem, hoje e será eternamente. Deus é o mesmo desde a eternidade. Sua essência permanece intacta. Deus é perfeito e não precisa de mudanças para melhorar em nenhum aspecto.

a) Evidências Bíblicas: Êxodo 3.14; Malaquias 3.6; Tiago 1.17

b) Deus é imutável em seus atributos/caráter.

Os atributos são a qualidade do Seu ser, sendo assim, como sua essência, não mudam. Isto quer dizer que Deus permanece o mesmo em suas atitudes para como os seus servos.

Jeremias 31.3 diz: com amor eterno te amei e João 13.1 diz: como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. Esses textos nos mostram que o amor de Deus em relação ao ser humano não muda, começou na eternidade, permaneceu até a Cruz, e permanecerá até o fim de todas as coisas, até o dia em que os santos estiverem com Ele na glória.

Deus é bom e sua misericórdia que não nos deixa ser consumidos, dura para sempre – não muda. Sl 106.1

Não somente o amor e a misericórdia não mudam, mas também todos os outros atributos, graça, bondade, fidelidade, paciência, etc.

2. DEUS É IMUTÁVEL EM SEUS PROPÓSITOS E PROMESSAS.

“Se Deus determinou e disse algo, isso certamente se cumprirá”. Essa frase não é chavão de escritor ou pregador, é uma verdade acerca dos propósitos e promessas de Deus. De fato, ele não falha em nada, pois não muda.

a) Propósitos.

Não há ninguém semelhante a Deus, pois seus propósitos são todos executados. Não há deuses, anjos ou homens que tenham propósitos que não sofram alteração como o Senhor. Enquanto os seres humanos estão no processo de mudanças em si e em seus propósitos, Deus permanece o mesmo no cumprimento de seus propósitos. Isto é o que difere o Criador da criatura, enquanto o homem muda, Deus permanece imutável. Is 46.9-11. Hb 6.17-18

O Sl 33.11 diz: O conselho do SENHOR permanece para sempre. A NVI diz: Mas os planos do Senhor permanecem para sempre. Este texto afirma claramente que Deus é imutável em seus propósitos, pois seus planos permanecem para sempre.

b) Promessas.

Algumas pessoas ficam temerosas em relação ao não cumprimento das promessas que Deus fez. Porém, Deus é fiel às suas promessas.

Além de ser imutável em seus propósitos, Deus é imutável em suas promessas. Uma vez que tenha prometido algo, certamente cumprirá tudo. Não pode ser infiel à sua promessa. Nm 23.19

Essa verdade gera confiança que Ele é Fiel para cumprir tudo que prometeu.

3. OBJEÇÕES E ESCLARECIMENTOS A AFIRMAÇÃO DE QUE DEUS É IMUTÁVEL.

A objeção à verdade de que Deus é imutável, vêm por meio de alguns textos da escritura que merecem, neste estudo, à luz da Palavra, alguns esclarecimentos.

a) O arrependimento do Deus imutável.

Em Gn 6.6 diz, que o Senhor se arrependeu de ter criado o homem. Aparentemente essa afirmação contradiz a imutabilidade de Deus, mas em outro texto somos informados, que Deus não se arrepende. Nm 23.19

Qual é explicação para esta aparentemente contradição? Deus para ser conhecido, demonstra sentimentos que podem ser entendidos pela limitação do homem. O termo arrependeu-se, quer dizer Deus mudou sua ação para com aquele povo em resposta a sua pecaminosidade. É para mostrar que houve uma mudança em sua ação para com os homens. Não que o ser de Deus sofreu alguma mudança, pois Ele é imutável. Essa explicação serve para outros textos. 1 Sm 15.10; Jn 3.10

b) A oração e o Deus imutável.

Algumas pessoas acreditam que a oração pode mudar o Ser e os propósitos de Deus. O que muda em Deus na oração é a Sua ação para com os homens e a situação que eles estão enfrentando.

Is 38.1-5. Esse texto não ensina que a oração de Ezequias mudou o Senhor. O Senhor não mudou em Sua essência, caráter e propósito porque Ezequias não morreu. O que houve aqui, foi uma mudança na atitude de Ezequias provocada pelas palavras de Isaías. O Senhor queria, com essas palavras, que Ezequias O buscasse e, assim, a situação mudaria. Se as coisas permanecem como estavam o rei morreria, porém a situação mudou e o Senhor lhe deu mais quinze anos de vida. Neste caso a oração não mudou o Ser de Deus, mas a sua ação em relação à situação.

A imutabilidade de Deus é um incentivo a oração, pois a oração é feita a um Deus que ao mesmo tempo não muda em si e em seus propósitos, mas muda suas ações para com os que oram. 1 Jo 5.15

CONCLUSÃO:

Este atributo leva-nos a não confiar em nós mesmos e nos homens, pois estamos em constantes mudanças. Mas, por outro lado, confiar e descansar em um Deus que é fiel porque é imutável.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

HONRAR TEU PAI É UM DEVER

                                   

                                                    HONRAR TEU PAI É UM DEVER

Para se viver em sociedade de forma harmoniosa, só é possível mediante a existência de normas e de regras que garantam direitos, deixando claras também as obrigações de cada pessoa no contexto social. Por outro lado, de nada valeria tais preceitos se eles não fossem aceitos, internalizados e observados.

Deus, o arquiteto do universo e seu Criador Supremo, em sua sabedoria infinita, também criou normas para orientar nosso relacionamento com Ele e com as demais pessoas, explicitados no decálogo divino, em Êxodo 20.1 a 17. Falar sobre regra, norma ou regulamento, sei que não cai na simpatia de vocês jovens, em função da fase da vida que vocês atravessam. Nem por isso devemos ou podemos deixar de falar-lhes a respeito delas, vez que elas fazem e farão parte da existência de vocês por toda vida. Seria omissão de nossa parte e soaria como irresponsabilidade para com vocês. Então, vamos lá.

Você já foi traído pela memória? Já foi vítima de algum tipo de esquecimento? Se isso já aconteceu com você, acalme-se. Já aconteceu comigo também e acontece com todas as pessoas, onde quer que elas estejam. Pessoas esquecem a chave na porta..., do lado de fora! Esquecem o ferro de passar roupa ligado. Há quem esqueça a mulher no shopping, na igreja, no cabeleireiro. Os que tiveram a infelicidade de esquecer o filho no carro. Os que esquecem de pagar uma dívida, e por aí vai. Querendo ou não, trata-se de um fenômeno comum que, em maior ou menor grau, ocorre com qualquer pessoa. E é frequente o número de pessoas que se sente incomodado com o problema, saindo à procura de solução. Pesquisas dão conta de que uma alimentação saudável, associada à prática de exercícios físicos regulares, contribui para a ativação da memória.

Chamo sua atenção, agora, meu jovem, para alguns valores ou formas de tratamento que vão se perdendo no tempo: Não faz muito tempo, era hábito os filhos pedirem a bênção aos pais ao se deitarem, ao se levantarem ou ao chegarem em casa. - Sua bênção, meu pai; sua bênção mãe! E os filhos ouviam dos pais a doce correspondência: Deus te abençoe, meu filho! Deus te abençoe, minha filha!

Hoje em dia, são raros os filhos e pais que ainda conservam esse saudável tratamento. Se você é um deles, meus parabéns! Veja só outro detalhe: um abraço, um beijo entre pais e filhos, como demonstração de afeto, era, de certo modo comum em muitas famílias. Lamentavelmente, essa forma de tratamento vem sendo esquecida e abandonada por muitos de nós, como se fosse algo sem importância. Com isso, os relacionamentos vão se tornando frios, mecânicos, circunstanciais e impessoais. Assim, as relações humanas acabam sendo substituídas por relações utilitárias, ou seja, apenas baseadas em interesses pessoais secundários.

Convido a você, agora, a observarmos o que a Bíblia diz sobre o respeito aos pais tanto no Antigo como em o Novo Testamento:

Antigo Testamento: Êx 21.17 - "Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto".

Lv 20.9 - "Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre ele".

Pv 20.20 - "A quem amaldiçoa a seu pai ou a sua mãe, apagar-se-lhe-á a lâmpada nas mais densas trevas".

Pv 23.22 - "Ouve a teu pai, que te gerou e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer".

Pv 30.17 -"O olho que desdenha um pai e despreza a obediência à mãe, que os corvos o arranquem, e as águias o devorem" (Bíblia de Jerusalém).

Veja como era tratado o filho rebelde, em Dt 21.18-21: "Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, pegarão nele seu pai e sua mãe e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz: é dissoluto e beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; assim eliminarás o mal no meio de ti: todo o Israel ouvirá e temerá".

Note que a coisa era feia, não havia moleza para o filho desobediente a pai e mãe.

Vamos ao Novo Testamento: Ef 6.1-3 - "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isso é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), PA a que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra".

Cl 3.20 - "Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor".

I Tm 5.3-4 - "Honra as viúvas verdadeiramente viúvas. Mas, se alguma viúva tem filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria casa, e a recompensar os seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus".

I Tm 5.8 - "Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé, e é pior do que o descrente".

OBSERVE O EXEMPLO PESSOAL DE JESUS, em Lc 2.51-52: - "E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração. E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens". Em sua natureza humana, Jesus foi modelo de submissão e de obediência a seus pais, José e Maria.

Ainda nos dias de Jesus, no tempo de seu ministério aqui na terra, alguns filhos fugiam da responsabilidade de honrar os pais e de cuidar deles, mediante um voto que não passava de um truque. Esses filhos diziam: O que eu poderia dar a vocês é Corbã; uma oferta ao Senhor. Assim, procuravam isentar-se do dever moral de cuidar dos pais. Desse modo, após a morte deles, viam a possibilidade de quebrar esse voto, negociando com os sacerdotes a recuperação desse valor ou de parte dele, para suas mãos. Por essa razão, eles foram censurados por Jesus ao substituírem o mandamento de honrar pai e mãe, por uma tradição humana - corbã.

Caríssimos filhos. Honrar pai e mãe não é questão de sentimento - é dever, é obrigação . Seus pais são um presente de Deus para sua vida.

E ATENÇÃO, jovem. Alguém disse assim: Quando você iniciar um namoro, procure observar como o seu namorado(a) trata os pais dele(a)..., (será que isso lhe diz alguma coisa?).

Saiba você, filho(a), mais cedo ou mais tarde seus pais serão tirados de você. Inevitavelmente, ELES IRÃO MORRER! E memórias póstumas não produzem nenhum efeito para quem já morreu. No máximo, pode aliviar o peso da consciência de algum filho com sentimento de culpa.

É triste dizer, mas existe um número considerável de pais institucionalizados, ou seja, que foram segregados ou colocados em asilos, involuntariamente, sob a alegação de que lá eles serão melhores cuidados, etc. Por conta disso, muitos sofrem de transtornos depressivos, sensação de solidão pela exclusão social e sentimento de rejeição decorrente do abandono familiar. Alguém pode dizer: Dá trabalho cuidar de pais idosos, pastor! Eu Contra-argumento: Por acaso você não deu trabalho a eles? Devo ressaltar que há casos difíceis nalgumas famílias, pois cada uma tem o seu histórico e sua dinâmica própria, de modo que não tenho a pretensão, nem o direito de fazer juízo sobre o comportamento de ninguém. O que quero, isso sim, é provocar uma séria reflexão nos filhos, entre os quais eu me incluo, à luz do que ensina a Bíblia Sagrada.

Na prática, quando chega a hora de acolher o idoso, que pode ser sua mãe, seu pai, sua sogra, seu sogro, fique atento e observe se a preocupação primeira será com a pessoa do idoso ou com as dificuldades que isso trará. Estamos falando a respeito de Um Mandamento Esquecido: "Honra a teu pai e a tua mãe...". É importante frisar que não é um preceito condicional e também não é meritório. Para obedecê-lo, você não precisa concordar com as idéias de seus pais, nem com seus comportamentos, distanciamentos ou insensibilidades. A Bíblia diz: "Honra a teu pai e atua mãe!".

A Bíblia Sagrada nos apresenta um princípio divino extraído de uma lei natural; A Lei da Semeadura. Paulo, diz assim aos Gálatas 6.7: "Não vos enganeis; de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear; isso também ceifará". O que você, jovem, filho(a), deseja colher no futuro da sua existência? - Depende do que você está plantando, hoje! Pra você que é casado e tem filhos pequenos ou já crescidos, saiba que eles estão vendo como você trata seus pais, os avós deles. Você está servindo de modelo para eles, e é assim que eles irão tratar a você amanhã. Pense nisso!

É preciso resgatar o Pacto Entre as Gerações; os pais cuidam dos filhos - os filhos cuidam dos pais. Existe uma música cantada décadas atrás, pela dupla sertaneja Tonico e Tinoco, e Sérgio Reis, entre outros, cuja letra retrata fielmente o que quero dizer a você, observe:

Conheço um velho ditado, que é do tempo dos atrás,

Diz que um pai trata dez filhos, dez filhos não tratam um pai.

Sentindo o peso dos anos, sem poder mais trabalhar,

O velho, peão estradeiro, com seu filho foi morar.

O rapaz era casado e a mulher deu de implicar.

"Você manda o velho embora, se não quiser que eu vá".

E o rapaz, de coração duro, com o velhinho foi falar:

Para o senhor se mudar, meu pai eu vim lhe pedir,

Hoje aqui da minha casa o senhor tem que sair.

Leve este couro de boi que eu acabei de curtir,

Pra lhe servir de coberta aonde o senhor dormir.

O pobre velho, calado, pegou o couro e saiu.

Seu neto de oito anos que aquela cena assistiu

Correu atrás do avô, seu paletó sacudiu,

Metade daquele couro, chorando ele pediu.

O velhinho, comovido, pra não ver o neto chorando

Partiu o coro no meio e pro netinho foi dando.

O menino chegou em casa, seu pai foi lhe perguntando;

Pra que você quer este couro que seu avô ia levando?

Disse o menino ao pai: Um dia vou me casar,

O senhor vai ficar velho e comigo vem morar.

Pode ser que aconteça de nós não se combinar,

Essa metade do couro, vou dar pro senhor levar!

Que Deus nos livre de tamanha desgraça!

Para aqueles que já não tem os pais vivos, convivam com as boas lembranças que a vida guardou. Se, todavia, a consciência lhe acusar a ponto de instalar um sentimento de culpa pelo que deveria ter feito e não o fez, peça perdão e misericórdia a Deus. Agora, para todos vocês que ainda têm os pais vivos, não percam tempo. Celebre a vida com eles, dedicando-lhes tempo, atenção e amor. Ore com eles e declare sua gratidão e admiração. Agindo de forma concreta para honrar aos pais, você será instrumento da bênção de Deus na vida deles. E o Deus fiel, que não pode negar-se a si mesmo, certamente cumprirá em sua vida a bela promessa contida no 5º mandamento: Dará a você vida longa e abençoada. Amém!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.