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terça-feira, 26 de abril de 2016

DOZE ANOS DE HUMILHAÇÃO...


                                             DOZE ANOS DE HUMILHAÇÃO...

Dentre todas as passagens das Escrituras, uma delas me chamou muita à atenção: a mulher do fluxo de sangue –  Lc 8:43-48:
E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada,
Chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue.
E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou?
E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude.
Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como logo sarara.
E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.
Como era de costume segundo a Lei, toda vez que uma menina tinha sua primeira menstruação, os pais deveriam pegar a menina e levá-la para fora da cidade e ainda dizer no caminho “minha filha está imunda” isso quer dizer que a menina em todo o tempo que durasse esse período do ciclo natural da mulher era considerada imunda (Lv 15:25-27).
O povo judeu obedecia com toda a reverência a Palavra de Deus e por isso essa mulher era considerada imunda por todo esse tempo.
Era mais comum a mulher ser considerada impura por apenas sete dias - tempo necessário para o período menstrual (Lv 15:19).

Mas não foi isso exatamente o que aconteceu. Os pais deixaram a menina que por volta dos seus 12 anos (idade aproximadamente em que começa o ciclo menstrual) com uma espécie de “madre maior” que ficava fora da cidade, num lugar chamado de Vale dos Rejeitados, onde havia pessoas como os leprosos e outros com suas anomalias. Essa menina passou boa parte de sua vida junto com pessoas rejeitadas pela sociedade, pessoas que praticamente não serviam pra nada perante aqueles que eram normais. O tempo foi passando, depois dos 7 dias os pais dessa menina voltaram para buscá-la, mas como as escrituras nos dizem, ela ainda continuava com o fluxo de sangue. Não bastava apenas buscar a menina, os pais também gastavam muito dinheiro para tentar curá-la. Os tempos se passaram, já havia 12 anos que ela continuava com o fluxo de sangue.
Se pelos cálculos estivermos certos, quando ela foi para o Vale dos Rejeitados, por volta de seus 12 anos, as escrituras diz que ela estava com essa enfermidade à 12 anos, sua idade deveria ser de aproximadamente 24 anos.
Imagine agora: 24 anos sem ir à escola, sem se divertir com outras moças da sua idade, vivendo em um lugar onde haviam leprosos e pessoas rejeitadas pela sociedade, como você acha que estaria a mente dessa moça? Os cegos recebiam uma capa, os leprosos poderiam entra na cidade e mendigar em um período curto de tempo para depois retornar para fora da cidade. E a moça com o fluxo de sangue? Não tinha nenhuma espécie de “alvará” da prefeitura para qu ela pudesse entrar na cidade.
Um belo dia, uma notícia veio a chegar no Vale dos Rejeitados: Jesus Cristo estava passando pela cidade e todos aqueles que tocavam em suas vestes eram curados! A mulher que havia 12 anos padecendo daquela enfermidade não pensou duas vezes: se  eu tão somente eu tocar nas orlas de suas vestes serei curada! Perante a Lei ela seria morta, pois estava transgredindo um mandamento de Moisés, mas imagino ela pensando:
- De qualquer modo morrerei, mas pelo menos morrerei tentando. Quero olhar nos olhos da morte e falar para ela: você pode até me levar, mas não será fácil como você imagina (que mulher!).
Ela então recebe os comentários que uma multidão estava em volta de Cristo, todos o apertavam, e mais ainda, ele estava a caminho da casa de Jairo, o chefe da Sinagoga. Usando uma boa estratégia, ela consegue passar pela multidão e tocar na Orla das vestes de Cristo, onde o Senhor para diz:
- Alguém me tocou!
Eu imagino Pedro, que tinha uma espada guardando ela, pois ele estava tentando afastar a multidão que apertava a Cristo juntamente com os discípulos dizendo em um tom de sarcástico:
- Mestre a multidão te aperta e tu dizes quem me tocou?
Pela fé podemos imaginar a cena: todos pararam imediatamente de tocar em Cristo e começaram dizer uns para os outros: não fui eu.
Imediatamente a resposta de Cristo foi:
- Eu senti que alguém me tocou diferente, porque de mim saiu virtude!
Naquela mesma ocasião, saiu detrás da multidão uma “criatura” com a pele branca, olhos fundos, boca roxa, afinal, ela estava perdendo sangue há 12 anos. Pelo que nós sabemos, nosso corpo é composto por 70% de água, os outros 30% é sangue. O volume de sangue no corpo humano é de 4,5 a 5 litros e você pode doar de 2 a 3 vezes por ano.  (Ela se parecia como um cadáver!)
Mas como as escrituras nos ensinam, no momento em que ela tocou na orla das vestes de Cristo, imediatamente a hemorragia foi curada.
Cristo olhando com compaixão para ela disse: Filha a tua Fé te Salvou; vai em paz!
Em meio a essa história, uma das mais conhecidas das escrituras, podemos tirar algumas lições:
1. Cristo em primeiro Lugar trata com o pecador
Aquela mulher estava em pecado, pois havia transgredido uma Lei de Moisés, mas pela sua Fé e atitude o Senhor a salvou da morte e a curou.
2. O que Cristo espera de você é que tenha fé nEle e não olhe para a situação em que você esteja.
3. Ainda que você tenha gastado tudo o que tem e você seja considerado como um rejeitado em meio as circunstâncias que te rodeiam, Cristo espera que você dependa apenas dEle, afinal, ela havia gastado todo seu dinheiro para ser curada e apenas Cristo a livrou dessa enfermidade que acompanhava a 12 anos.
4. Não existe enfermidade que Cristo não possa curar...
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante


domingo, 24 de abril de 2016

AMIZADES SELETIVAS...


                                                     AMIZADES SELETIVAS...
Na literatura das ciências sociais que tratam sobre o tema, a amizade é vista em geral como uma relação afetiva e voluntária, que envolve práticas de sociabilidade e ajuda mútua e necessita de algum grau de equivalência ou igualdade entre amigos.
A Amizade é um bem que infelizmente tem se tornado cada vez mais difícil de ser encontrado. Muitos se chamam amigos, mas a palavra já perdeu muito de seu real significado.
A palavra amigo é cheia de significado como se pode ver pelo texto de I Sm. 18.1: ”Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma.” Esta passagem nos mostra que uma amizade verdadeira é estabelecida por um vínculo muito forte, o vínculo do amor fraternal.
I – Uma Amizade Verdadeira Pode Trazer Riscos
A amizade que nasceu no coração de Jônatas e Davi era algo tão profundo que levou Jônatas a arriscar-se em favor de seu amigo. Em I Sm 20.33 Saul tenta matá-lo por estar defendendo Davi: “Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi.” Jônatas, que parecia ter dificuldades em acreditar que seu pai ainda queria matar a Davi (I Sm 20.2: “Ele lhe respondeu: Tal não suceda; não serás morto. Meu pai não faz coisa nenhuma, nem grande nem pequena, sem primeiro me dizer; por que, pois, meu pai me ocultaria isso? Não há nada disso.”), agora tinha motivos de sobra pra crer que Saul estaria pronto a tudo para eliminar Davi, até mesmo matar seu próprio filho. A princípio Jônatas tinha porque duvidar que seu pai ainda quisesse matar Davi, pois ele havia lhe jurado que não o faria (I Sm. 19.6: “ Saul atendeu à voz de Jônatas e jurou: Tão certo como vive o Senhor, ele não morrerá.”). Porém as atitudes de Saul durante a Festa de Lua Nova não deixavam mais dúvidas de que aquele juramento não seria cumprido.
Jônatas agora sabia que se sua amizade com Davi fosse mantida ele corria risco de vida. Contudo isso não foi razão forte o suficiente para abalar aquela aliança de amor firmada entre Jônatas e Davi. Jônatas não estava disposto a abrir mão desta amizade por coisa alguma.
Davi também correu riscos em virtude de sua amizade com Jônatas. Após a morte de Jônatas Davi procurou saber se ainda havia algum descendente de Saul vivo: Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas?” II Sm. 9.1. Ao ser informado de que havia um filho de Jônatas vivo Davi o levou para morar no palácio e comer da sua mesa:”Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para a casa de teu senhor tenha pão que coma; porém Mefibosete, filho de teu senhor, comerá pão sempre à minha mesa. Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos”. II Sm. 9.10. O mais comum em uma situação como aquela seria procurar eliminar todos os descendentes de Saul já que estes poderiam procurar promover um levante ou o assassinato de Davi para recuperar o trono, no entanto, Davi ao invés de temer perder o trono e quem sabe a sua própria vida corre o risco por amor a Jônatas. Ë preciso lembrar que Jônatas era amigo de Davi e o amava, mas Mefibosete não necessariamente.
No Novo Testamento nós também temos o exemplo de Epafrodito que foi outro a não se importar em correr riscos por uma verdadeira amizade. Paulo era acusado de traição ao Império Romano, e esta era uma acusação grave. Paulo poderia ser condenado a morte e, quando um prisioneiro era condenado a morte, quem estava com ele deveria morrer também. Mesmo sabendo disso, Epafrodito abandona sua cidade, sua casa, todos os seus e vai para Roma cuidar de Paulo. Isso é amizade verdadeira, isso é comprometimento. Que coisa maravilhosa é ter amigos assim. Felizes são aqueles que podem ser e contar com amigos deste porte.
II – Uma Amizade Verdadeira Põe seus Interesses Pessoais em Segundo Plano.
Parece que Jônatas era o príncipe herdeiro pois Saul lhe diz que enquanto Davi vivesse nem Jônatas e nem seu reino estariam seguros (I Sm 20.31: “Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda busca-lo, agora, porque deve morrer.” ). Davi era portanto uma ameaça a Jônatas e conseqüentemente a toda a sua posteridade já que se Davi assumisse o trono Jônatas não seria o próximo rei, seu filho não seria o príncipe herdeiro e assim por diante. 
No entanto, ao invés de odiar Davi e tentar elimina-lo, ele o ama e protege. Eliminar Davi não seria difícil já que ele dispunha de informações privilegiadas a respeito de Davi e este confiava nele. Davi fugiria de Saul, mas não de Jônatas. Pior do que um inimigo é um falso amigo. Dizem que um sábio antigo orava pedindo a Deus que cuidasse de seus amigos pois dos inimigos ele era capaz de cuidar. Se Jônatas fosse um falso amigo, se Jônatas se deixasse levar por interesses pessoais Davi estaria correndo serio risco. E é preciso lembrar que o interesse pessoal de que estamos falando não era uma coisa qualquer, era o trono de Israel.
Muito triste é quando se confia em alguém, o tem como amigo sincero, como irmão e se vê traído pelo mesmo ter se deixado levar por interesses, por benefícios muito menores que aquele do qual Jônatas estava abrindo mão. Infelizmente isto não é algo incomum. Jônatas sabia que pessoas valem mais que coisas, mais que posição. Para Jônatas o trono não era mais importante que a amizade de Davi.
III – Uma Amizade Verdadeira Está Firmada num Firme e Sincero Amor
Esta característica da verdadeira amizade é o vínculo da mesma. Foi o amor que moveu Jônatas a por sua vida em risco e com certeza foi um amor sincero e firme que moveu Epafrodito a viajar cerca de 2.000 Km da Macedônia a Roma para cuidar de Paulo, podendo com isso perder muito, inclusive sua própria vida, seja através de um acidente durante a viagem, uma enfermidade contraída – o que acabou acontecendo e quase o ceifou ( Fp 2.27: Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.) – ou ainda pela condenação de Paulo.
Foi o amor que moveu tanto Jônatas quanto Epafrodito a deixar interesses pessoais para cuidar dos interesses do objeto de seu amor. Paulo em I Co. 13.4 e 5 diz o seguinte: “O amor ……. não procura os seus interesses, ….” . Isso era uma realidade na vida destes amigos.
Jônatas estava pronto a abrir mão do trono, enquanto que Epafrodito abriu mão de trabalho, presença da família e dos irmãos da Igreja. Paulo diz que enviou Epafrodito de volta a Macedônia pois este estava com saudades da Igreja ( Fl. 2.25, 26: “Julguei, todavia, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas minhas necessidades; Visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu.”). Vejam que a amizade era recíproca pois Paulo abre mão de sua ajuda para que ele pudesse visitar os seus e sua igreja.
Quando o amor fraternal rege os relacionamentos, há paz, respeito, sinceridade, transparência. Aquele amor foi algo tão significativo na vida de Davi e Jônatas que Davi ao saber da morte do Jônatas afirma: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres”. (II Sm. 1.26).
Lamentavelmente esta passagem, e de modo geral a amizade entre Jônatas e Davi, é muito mal interpretada por alguns que erotizam o amor entre Davi e Jônatas. No Entanto, a luz do ensino geral das Escrituras fica claro que o amor que unia Jônatas e Davi era o amor fraternal.
IV – Uma Verdadeira Amizade é Fiel
Jônatas e Davi tinham uma aliança. Em I Sm. 18.3 é dito que Davi e Jônatas fizeram aliança (“Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como a sua própria alma”). A natureza da aliança não é aqui declarada de modo explícito, mas creio que podemos inferir ser uma aliança de amor fraternal, ou seja, uma aliança de amizade.
Nossa conclusão pode ser atestada pelo que encontramos no capítulo 20 verso 8: “ Usa, pois, de misericórdia para com o teu servo, porque lhe fizeste entrar contigo em aliança no Senhor; se, porem, há em mim culpa, mata-me tu mesmo; por que me levarias a teu pai?” . Ali vemos Davi evocando a aliança entre eles para pedir sua ajuda. Jônatas não se furta da aliança, mesmo sendo aquele um momento muito delicado onde muitas perdas e muita dor poderia ser experimentada, como já pudemos considerar acima.
Jônatas não só mantêm a aliança como a renova e amplia nos versos 16 e 17: “Assim, fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: Vingue o Senhor os inimigos de Davi. Jônatas fez jurar a Davi de novo, pelo amor que este lhe tinha, porque Jônatas o amava com todo o amor da sua alma”. Os versos seguintes mostram que o que havia sido combinado foi fielmente cumprido da parte de Jônatas e a passagem encontrada em II Sm. 9 mostra que Davi foi fiel a aliança que tinha com seu amigo Jônatas mesmo após sua morte. Ao saber que havia um filho de Jônatas vivo providencia para que ele recebesse tudo de que fosse necessário para ele e para os seus (II Sm 9.9, 10: “Chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e lhe disse: Tudo o que pertencia a Saul e toda a sua casa dei ao Filho de teu senhor. Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que a casa de teu senhor tenha pão que coma; porém Mefibosete, filho de teu senhor, comerá pão sempre à minha mesa. Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos”) .
Uma verdadeira amizade é marcada pela fidelidade.
Conclusão
Amigo é aquele com quem podemos ser nós mesmos. Ser nós mesmos implica uma apresentação sem reservas e espontânea de si mesmo, sem o autocontrole exigido pelas regras da polidez. Li certa vez que amigo é aquele com quem se pode pensar alto.
Amizade em nossos dias, em muitos casos, significa se aproximar de alguém que pode oferecer algo. Quando não tem mais o que oferecer deixa de ser amigo e aquele que até então não era amigo mas agora tem algo a oferecer, passa a ser o amigo da vez. Salomão fala sobre isso de modo claro em pelo menos duas passagens de Provérbios: Pv. 19.4, 6 – “As riquezas multiplicam os amigos; mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa… Ao generoso, muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes”. 
O cachorro e o gato são interessantes ilustrações do que acabamos de dizer: Alguém já viu andarilhos ou moradores de rua com gatos? Certamente não, mas todos já os vimos com cachorros. Um cão morre de fome ao lado de seu dono, mas não o abandona, enquanto que o gato segue o primeiro que lhe oferecer comida. Vê-se que quando alguém quer ofender um falso amigo chamando-o de cachorro comete uma grande injustiça (com os cachorros, é claro).
Que tipo de amigo você tem sido e que tipo de amigos você tem ao seu redor? Que Deus faça de nós amigos de verdade e assim também nos dê amigos com quem tenhamos uma real aliança de amor fraternal.
Só pode ser amigo de verdade aquele que confia no Senhor, aquele que sabe que Deus está no controle de todas as coisas e que cuida dos seus. Em Pv. 29.25 encontramos as seguintes palavras: “Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro”. Quem confia no Senhor não precisa de armações, associações com falsas amizades pois ele tem a sua vida confiada no Senhor. Só este consegue ser amigo de verdade, sem medo de ser traído, sem medo de ser passado pra traz, sem busca de interesses pessoais.
“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” Pv. 17.17...
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante


sábado, 23 de abril de 2016

CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER...


                                       CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER...
João 9.1-12
- Introdução: Como diz o ditado: ‘o pior cego é aquele que não quer ver’. Características da cegueira espiritual:

1- RELIGIOSIDADE: v.1-3
Os fariseus estavam mais cegos espiritualmente do que o homem que não tinha visão física. Já tinham uma resposta pronta pela sua tradição dizendo que o pecado seria a causa de uma doença.
Jesus mostrou que Deus pode usar qualquer situação para mostrar a sua glória. A religiosidade faz muitas pessoas enxergarem o que não existe e não conseguir visualizar o que é verdade.
2- TREVAS: v.4,5
As trevas do mundo impedem a visão espiritual. Por isso Jesus alertou sobre a necessidade de luz. Os fariseus estavam na escuridão sem Jesus.
Não adianta ter olhos e não os abrir para enxergar ou mesmo estar obscurecidos. Somente Jesus pode iluminar a vida espiritual para ver a verdade.
3- DESOBEDIÊNCIA: v.6-12
Os fariseus sabiam muito sobre a lei, mas não obedeciam. Jesus tocou os olhos do cego com o mesmo barro que criou o ser humano (Gênesis 2.7). Isso serviu para que o cego tivesse que obedecer a ordem de Jesus para ir ao tanque de Siloé (v.7).
O cego também precisou dar testemunho sobre sua cura (v.10-12). A falta de testemunho também atrapalha a visão espiritual de quem precisa ver o que Jesus faz.

-Conclusão: Peça a Jesus que abra os seus olhos espirituais para ver a sua vontade...
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

JESUS CRISTO A FONTE DE ÁGUA VIVA...


                                      JESUS CRISTO A FONTE DE ÁGUA VIVA...
João 7.37-39   
No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 
Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.

Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.

Era a época da festa das cabanas. Aquela festa rememorava a experiência vivida por Israel no deserto quando Moisés tirou água da rocha para o povo beber.

Naquela festa havia a cerimônia da água em que uma procissão liderada por um sacerdote descia ao tanque de Siloé onde um jarro de ouro era enchido de água e levado templo.

A água era derramada no altar, e o coro do templo cantavam os Salmos 113 a 118,.
Também, aquela festa trazia em si o sentido da expectativa da vinda do Messias.

Provavelmente, no oitavo dia, era realizada uma oração para que a chuva viesse sobre a terra. E nesse momento que Jesus, de pé, no meio do templo, se apresenta como o manancial prometido.

(Vs. 40-44) O texto diz que alguns creram que ele era um profeta, outros que era o Cristo e os fariseus queriam prende-lo.
Mas Jesus estava ali para dizer que aquele ritual nada mais tinha de significado, pois ele era a fonte da águas vivas.

1. Jesus é fonte das águas vivas.

Se ele disse ser a fonte das águas vivas, podemos concluir que poderiam haver outras fontes das quais as pessoas bebiam. Jeremias 2:13, Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.

Israel, como povo de Deus, havia deixado a Deus para cavar as suas cisternas tentando saciar a sede de sua alma em outros lugares. Se na antiguidade esse povo ao invés de contar com o poder de Deus preferia aliar-se as nações poderosas, agora esse povo vivia em função de uma lei que em muito se distanciava do propósito de Deus.
E naquela festa Jesus veio alertar que não adiantava fazer a festa, o ritual e buscas saciar a sede em outras fontes.

Esse brado de Jesus (disse em alta voz) também é para nós hoje. “ Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, do seu interior fluirão rios de águas viva.”

Hoje também, existem muitas fontes nas quais o homem tem procurado beber. O homem procura saciar a sua sede em terapias alternativas, como é comum ver as pessoas procurando o zen budismo, as filosofias orientais para diminuir o stress, buscando o poder dos cristais, meditando em pirâmides, buscando na  ioga um equilíbrio interior, fazendo romarias a lugares santos, procissões em busca de um milagre.
Mas Tudo isso é em vão, são cisternas rotas como eu disse. As águas dessa cisterna são misturadas, inúteis para saciar a sede da alma.

São águas que não curam as enfermidades do espírito. Só Jesus é a fonte das águas vivas.

2. Jesus é fonte acessível e de graça.

Jesus convida a vir até a ele. Se alguém tem sede, venha e beba.

Não é preciso fazer penitências, não é preciso subir escadas de joelhos, não é preciso caminhar milhares de quilômetros, não é preciso repetir preces intermináveis, não é preciso repetir mantras desconhecidos, não é preciso viajar quilômetros até Meca, não é preciso tomar banho em nenhum rio, não é preciso viajar para nenhum santuário, não é preciso sair de igreja em igreja.

Jesus é a fonte que podemos chegar e
Ele estará na sua casa quando você chegar,
Ele estará junto ao seu lado quando você deitar.
Ele está aqui, e agora mesmo Você pode aqui, agora, beber da água viva, você pode a qualquer momento beber da água viva.

A fonte é acessível: se alguém tem sede venha a mim e beba...

A qualquer momento, a qualquer hora, em qualquer lugar, sem pagar nada, sem sacrifícios, você pode beber água viva.

3. Jesus é fonte inesgotável.

1 Coríntios 10:4, e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo.

João 4.13 e 14, Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.

Jesus Cristo é fonte eterna por isso é inesgotável.
Israel bebeu no deserto de uma fonte espiritual, quando Moisés tocou a rocha e água jorrou. 

E Hoje, nós bebemos da mesma fonte, Jesus.

Na eternidade beberemos dessa mesma fonte, Jesus. Apocalipse 22:1 Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.

Todas as fontes que o mundo oferece, além de não saciarem a sede do coração do homem, desaparecerão.
Jesus é fonte inesgotável de água viva, porque Jesus é o princípio e o fim, o alfa e o ômega.

Um dia, todos os livros de meditação virarão pó.
Um dia, todos os ensinamentos de Buda serão esquecidos.
Um dia, todos os escritos para tentar saciar a sede do homem serão apagados e de nada servirão.

Mas as palavras de Jesus são eternas. Passarão os céus e a terra; mas, as palavras de Jesus não passarão.

4. Jesus é fonte de transformação.

Quem bebe dessa fonte, não permanece o mesmo.
Essa fonte cura feridas, essa fonte limpa os pecados,
Essa fonte muda o coração,
Essa fonte dá uma nova natureza,
Essa fonte dá vida abundante.

A fonte é Jesus, a água que Ele dá é o Espírito Santo.

Você é transformado porque quando você bebe na fonte, a água da fonte passa a viver em você.
Por isso ela é chamada de água viva. Quando você bebe na fonte a água da fonte passa a fluir a partir de você.

As outras fontes que existem, mas que não são fontes de águas vivas não produzem refrigério para o coração. As pessoas estão sempre buscando, mas, nunca alcançando.
Em todas elas as mudanças são buscadas de fora para dentro.

Jesus, a fonte de água viva nos muda de dentro para fora:

2 Coríntios 3:18, E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.

Sem que eu perceba, sem que você perceba o Espírito Santo, a água viva que flui de dentro de nós, vai nos moldando à imagem de Cristo, porque:  Filipenses 1:6, Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

Se você ainda não veio à fonte, venha para Jesus. Se você está sedento, se sua vida é sem sentido, se você está sempre com aquele sentimento de que alguma coisa está faltando; Jesus está dizendo para você: se você tem sede venha a mim e beba...

Se você já veio, descubra as inesgotáveis e eternas riquezas que há nessa fonte.

Na fonte que é Jesus, quanto mais você bebe, mais você quer beber. Quanto mais você quer beber, mais você tem para beber...
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.



quinta-feira, 21 de abril de 2016

APRENDENDO COM A HUMILDADE DE JAIRO...


                                 APRENDENDO COM A HUMILDADE DE JAIRO...
Marcos 5:22-24; 35-42
Introdução: Anteriormente, eu compartilhei com vocês como Jesus curou uma mulher que sofria de "Hemorragia". Jesus a curou enquanto estava a caminho da casa de um líder da sinagoga, chamado Jairo, cuja filha estava prestes a morrer.

Hoje vamos ver o que se seguiu este grande milagre e o que podemos aprender com esse incidente?

1. Deus mostra misericórdia para com as pessoas de humildade e fé sincera. V. 22-24
A. Jairo - Um homem humilde
1. Estou certo de que Jairo encontrou muita dificuldade para chegar a Jesus.
2. Ele era um líder da sinagoga e as sinagogas eram praticamente fechadas para Jesus por causa de suas atividades no sábado e a oposição aos Fariseus.
3. Esse homem que vem a Jesus mostra que ele tinha um coração humilde.
4. Ele caiu aos pés de Jesus: Jairo era um homem de autoridade. Mas ele reconheceu autoridade maior de Jesus.
B. Fé sincera
1. Ao contrário do centurião, que tinha fé para acreditar que se Jesus dissesse apenas uma palavra de cura era suficiente para curar seu criado que estava em casa; Jairo pediu a Jesus para entrar em sua casa. Mas embora Cristo aplaude uma grande fé, ele não desanima ou rejeita uma fé fraca, desde que seja sincera.
2. Portanto peça a visita de Deus em todos os seus problemas. (É claro que isso não significa que Deus sempre mudará as circunstâncias. Mas a maioria das vezes ele vai nos mudar nas circunstâncias).

2. Para Deus nunca é cedo demais – Como nunca é tarde demais. V. 5:35-37
A. Nada está além do controle de Deus
1. Assim que Jesus despediu a mulher, mensageiros vieram da casa de Jairo. Eles disseram: "Não incomodes mais o Mestre”. Era tarde demais, nada mais poderia ser feito, e a vida da criança tinha ido.
2. Eles não acreditavam que até mesmo a morte está sob o controle de Jesus.
B. Temos a garantia de Deus, independentemente de nossa situação.
1. Observe as palavras de Jesus para Jairo. "Não temas, crê somente e ela será curada"
2. Não deixe o medo de se levantar contra sua fé em Deus. Em vez disso lembre-se que você tem a garantia de Deus e que ele trabalha no seu tempo perfeito.

3. É preciso ver as coisas de maneira diferente. V. 38:42.
A. Deus vê as coisas de forma diferente - podemos ver as coisas do ponto de Deus?
1. Naquela época era um costume contratar carpideiras para lamentar a morte de um indivíduo. Havia um frenesi terrível nisso. Elas teriam na verdade, que rasgar suas roupas, arrancar os cabelos, e chorar com gritos altos e uivos.
2. "Pare todo esse barulho!" Jesus disse: "Ela não está morta, mas dorme".
3. Imediatamente, o clima mudou de tristeza ao ridículo. De mestre sábio, Jesus passou a ser considerado como tolo e ignorante. A multidão sabia melhor que ele. Eles tinham as evidências, e ele estava apenas falando palavras.
4. No entanto, como veremos, as palavras de Jesus é muito mais poderosa do que a evidência de um cadáver sem vida.
5. Jairo foi desafiado a ver de forma diferente. Nem mesmo os discípulos acreditavam. Jesus chamou apenas três deles para atuar como testemunhas. Nós sabemos o que aconteceu em seguida. A menina morta foi trazida de volta à vida.
B. Às vezes a nossa fé é controlada por aquilo que vemos
1. Conhecer melhor do que Deus está no cerne de nossa natureza pecaminosa. Nós sempre encontramos evidências para provar que estamos certos, mesmo quando estamos errados!
2. Porque não podemos saber o futuro, normalmente prevemos o futuro com base na nossa experiência do passado. Nós não permitimos a possibilidade de que Deus vai mudar o curso das nossas circunstâncias presentes.

Conclusão: Nós somos chamados para coisas melhores! Ele tem o poder de mudar qualquer coisa que está fora de Sua vontade. Assim Ele nos convida a colocar a nossa fé n'Ele, a crer em Suas promessas e viver na confiança de que Ele está no controle do futuro: porque Sua Palavra é todo-poderoso. Muitos vão nos desencorajar fazê-lo, mas só a voz do Senhor, precisamos ouvir acima do barulho da desesperança do mundo...

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

JESUS NOS DEU PODER E AUTORIDADE...


                                     JESUS NOS DEU PODER E AUTORIDADE...
“Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” ( Lc 10:13 )
 Antes de abordarmos o tema central deste verso, vale destacar que essa promessa de Cristo refere-se à sua igreja, o que inclui; todos os cristãos e todo tempo em que a igreja permanecer no mundo.
A promessa de Jesus: ‘estarei convosco até a consumação dos séculos’ ( Mt 28:20 ), se estende a todos os membros da sua igreja, assim como a ordem: ‘Ide por todo mundo’ ( Mc 16:15 ). Considerando que a promessa e a ordem de Cristo referem-se a todos os cristãos em todos os tempos, obrigatoriamente devemos concordar que a promessa: “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão” ( Mc 16:17 -18), não se restringe aos apóstolos e aos primeiros discípulos.
Quando Jesus pediu ao Pai que não tirasse os que eram d’Ele do mundo, seu pedido tinha por alvo os discípulos naquela época e todos quantos cressem em Cristo em todos os tempos ( Jo 17:16 ), portanto, as promessas e a ordem que foi testemunhada pelos apóstolos e alguns discípulos, abrange todos os cristãos em todos os tempos ( Mt 28:20 ).
A oração que Jesus fez: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim" ( Jo 17:20 ), demonstra que as promessas de Deus não se restringiam aos apóstolos e discípulos "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" ( At 2:39 ).
Nossa proposta é descortinar a compreensão dos leitores acerca desta promessa de Cristo: Eis que vos dou poder. Não é porque muitos fazem mau uso do texto sobre sinais que negaremos as promessas de Cristo para evitar que façam mau uso, pois seria o mesmo que tolher a verdade.
 Poder para ser feito filho
O evangelista João deixou registrado que todos os que creem em Cristo recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Neste verso o discípulo amado fez um adendo explicando que ‘receber’ o Cristo é o mesmo que ‘crer’ n’Ele “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ).
Para compreender a dimensão desta colocação do evangelista João, se faz necessário perguntar: que poder é esse que é dado aos que creem? No que consiste tal poder? Para responder essas perguntas é necessário usar as Escrituras.
O apóstolo Paulo deixou registrado que o evangelho de Cristo é poder de Deus para salvação de todos os que creem ( Rm 1:16 ). Na carta aos Corintos, ele também deixou registrado que Cristo é o poder de Deus “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ). Ora, Deus criou todas as coisas por intermédio de Cristo, ou seja, pela palavra do seu poder, de modo que Cristo é o poder de Deus ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ).
Todos os que recebem a Cristo, ou seja, que creem em seu nome, recebem poder de Deus para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Só é possível alguém crer em Cristo quando lhe é anunciado a palavra de Deus ( Is 52:7 e 53:1). É essencial que haja quem pregue e que, a mensagem seja a mesma anunciada por Cristo e os apóstolos "Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão se não há quem pregue?" ( Rm 10:14 ; 1Jo 1:3 ); "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus" ( 2Tm 1:13 ).
Ao fazer referência ao seu papel evangelístico, o apóstolo Paulo disse: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:2 -4).
A mensagem que o apóstolo dos gentios anunciou aos cristãos tinha por tema o Cristo crucificado, de modo que é possível concluir com segurança que expor a mensagem do evangelho é demonstração de espírito e poder. Demonstrar que ‘Jesus de Nazaré crucificado’ é o Cristo de Deus é exposição de poder.
Quando o apóstolo Paulo foi ter com os crentes de Corinto, sua condição socioeconômica havia sido alterada drasticamente, e ele afirma que estava em fraqueza, temor e receio.
 A fraqueza do apóstolo Paulo
No caminho de Damasco Saulo, o perseguidor dos cristãos, se fazia acompanhar de uma comitiva e, estava de posse de cartas de recomendação dos magistrados concedendo-lhe autoridade para lançar mão da igreja de Cristo ( At 9:2 ). Ele tinha o apoio dos maiorais da sua nação e da religião, era o forte braço do farisaísmo, mas, quando o apóstolo Paulo chegou a Corintos como servo de Cristo, não havia carta de recomendação, comitiva, e tão pouco o apoio dos seus compatriotas.
A expectativa do apóstolo Paulo de como seria aceito entre pessoas que no passado foram perseguidas por ele, resultou no que é descrito como fraqueza, temor e tremor. Quando chegou entre os cristãos, o apóstolo não possuía carta de recomendação ou autoridade segundo os homens, o que se traduz em fraqueza, temor e receio. Só mais tarde os cristãos de Corinto tornaram-se a sua carta "Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens" ( 2Co 3:2 ).
Mesmo vulnerável e tendo que trabalhar com tendas, o apóstolo dos gentios comparecia às sinagogas para disputar com os judeus, demonstrando perante os algozes de Jesus, que aquele Jesus de Nazaré era o Cristo de Deus ( At 18:4 ). Ao escrever aos cristãos de Corinto, o apostolo não hesitou em afirmar que a sua mensagem, a saber, a mensagem da cruz de Cristo, é demonstração de espírito e de poder.
O apóstolo não expôs filosofias, tradições, ou qualquer outra forma de conhecimento ou sabedoria humana. A base do ministério do apóstolo dos gentios era convencer as pessoas de que o Jesus de Nazaré, aquele que fora crucificado em Jerusalém, era o Cristo, a mesma mensagem que levou Saulo a apedrejar Estevão ( Rm 1:1 -5; At 7:52 ).
Antes da sua conversão, o apóstolo Paulo era ministro da lei, e após a conversão, tornou-se ministro do evangelho, que em outras palavras é ‘ministro do espírito’. Na condição de ministro do evangelho (espírito), o apóstolo dos gentios deixa claro que expor o evangelho é demonstração de espírito, demonstração de poder “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica”( 2Co 3:6 ).
 As palavras de Cristo
O Senhor Jesus Cristo disse acerca de seu ensino: as palavras que vos tenho falado é espírito e vida, e o apóstolo Paulo afirma que veio aos cristãos de Corinto com espírito e poder, o que demonstra que o evangelho é espírito e poder "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida" ( Jo 6:63 ).
O apóstolo Pedro, ao exortar os cristãos, recomenda que: "Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém" ( 1Pe 4:11 ). 
Em outras palavras, cada cristão deve falar segundo a verdade do evangelho, ou seja, exponha, administre, entregue o poder que Deus dá; que entregue a mensagem que vivifica. Quando administrar, os cristãos fazer sua administração segundo o evangelho de Cristo, e não com base em conhecimento e sabedoria dos homens. 
Por que foi necessária esta recomendação?Porque já naquele tempo haviam surgido muitos falsos profetas, de modo que havia muitos espíritos. A explicação vem do evangelista João, que alertou quais espíritos eram estes? Se as palavras de Cristo é espírito e poder, o que seriam estes ‘espíritos’ que o apóstolo João adverte? Tais espíritos eram mensagens, pregações, ensinamentos propagados pelos falsos profetas. Daí o alerta: é necessário ‘provar’ os espíritos.
 O termo 'espírito'
O termo ‘espírito’ quando empregado por João refere-se ao conteúdo da mensagem pregada, conteúdo este que pode ser de Deus ou do anticristo, de modo que quem ‘prova’ os espíritos deve seguir a regra proposta pelo evangelista João no verso 3 do capítulo 4 da sua primeira epístola “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” ( 1Jo 4:1 -3).
Qualquer que não conserva o modelo das sãs palavras do evangelho, fala segundo o espírito do anticristo "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus" ( 2Tm 1:13 ; 1Jo 2:18 ).
 Espírito e possessão
Quando o apóstolo Paulo diz: "E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" ( 1Co 14:32 ), ele está demonstrando que a ‘palavra’ dos profetas é sujeita aos profetas. Significa que o profeta possui controle sobre a mensagem que anuncia, de modo que os profetas de Deus não são submetidos a uma ‘possessão divina’ ao anunciar o evangelho, que é a palavra da profecia. De igual modo, significa que os profetas do anticristo também não são tomados por uma possessão maligna, antes o que ensinam decorre de uma carnal compreensão ( 1Co 2.14 ; Cl 2:18 ; 2Pe 2:12 ; Jd 1:4 ).
O profeta de Deus deve trazer vívido na memória isto: "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação" ( 2Pe 1:20 ; Ap 22:18 ), e em segundo lugar: que a ‘profecia’, ou a ‘firme palavra dos profetas’ não decorrem da vontade do homem, antes, o que os profetas falaram foi segundo o Espírito Santo ( 2Pe 1:21 ).
Ao escrever aos cristãos de Tessalônica, o apóstolo Paulo lembra que não foi ter com eles somente com palavras (o termo ‘palavras’ substitui a ideia de sabedoria humana), antes expôs (demonstrou) aos seus ouvintes poder, pois o evangelho é poder de Deus "Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós" ( 1Ts 1:5 ).  
O que ele escreveu aos Tessalonicenses é o mesmo que escreveu aos Corintos: "Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus" ( 1Co 2:5 ). O motivo é claro: "Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder" ( 1Co 4:20 ). Ora, o reino de Deus é Cristo!
Quando escreveu aos Colossenses, o apóstolo demonstra que Cristo é o poder de Deus e que os cristãos ressurgiram com Cristo por crerem n’Ele: "Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" ( Cl 2:12 ).
 Revestidos da armadura
Ao aconselhar os cristãos de Éfeso, o apóstolo dos gentios recomenda a se fortalecerem na força que há no poder de Deus "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder" ( Ef 6:10 ), que nada mais é do que se ‘encher do espírito’, ou seja, estar ‘pleno do conhecimento’ que há no evangelho de Cristo "A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração" ( Cl 3:16 ); “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:18 -19 ).
Ora, fortalecer-se no poder de Deus é o mesmo que revestir-se de Cristo ( Rm 13:14 ), pois Jesus é a verdade ( Jo 14:6 – cingindo os lombos com a verdade ). Ele é a nossa justiça ( 1Co 1:30 – couraça da justiça). Cristo é o tema das boas novas do evangelho ( Rm 10:15 – calçados os pés). Cristo é eterna salvação aos que O obedecem ( Hb 5:9 – capacete da salvação).
O capacete da salvação é a palavra, assim como a espada do espírito é a palavra. Os pés calçados referem-se à palavra, assim como a couraça da justiça. O escudo da fé é a palavra, assim como a vestimenta que cinge os lombos ( Is 59:17 ).
Jesus anunciou que enviaria a promessa do Pai e que seus discípulos deveriam ficar em Jerusalém até que fossem revestidos de poder "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" ( Lc 24:49 ). No pentecostes, quando vemos o apóstolo Pedro expondo aos seus irmãos segundo a carne a interpretação dos salmos e dos profetas, constatamos de qual poder ele foi revestido: da compreensão da palavra de Cristo.
Este revestimento de poder foi anunciado e explicado em detalhes por Cristo no capítulo 14 do evangelho de João "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar-se de tudo quanto vos tenho dito" ( Jo 14:26 ). A promessa do Pai diz do Consolador, e o ‘revestimento’ ou a ‘unção’ prometida diz da compreensão de tudo o que Jesus disse “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio” ( Jo 15:26 -27 compare "E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis" ( 1Jo 2:27 ; 1Jo 2:20 ). 
Ora, o apóstolo Pedro já estava limpo pela palavra de Cristo e cria que Jesus era o Filho de Deus, porém, não compreendia as escrituras, o que só foi possível no pentecostes, quando foi ‘ungido’, ou ‘revestido de poder’ ( Jo 15:3 ; Mt 16:16 ; Jo 7:39 ; Lc 9:45 e Mc 8:33 ). 
Em Lucas 10, verso 19 Jesus deu poder para os discípulos, e no capítulo 24 de Lucas é prometido ‘revestimento’, ‘unção’. Esta verdade é reafirmada pelo apóstolo em Efésios 6, verso 10 dizendo que é necessário estar fortalecido em Deus e revestido do poder de Deus: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus...” ( Ef 6:10 -11).
Fortalecer no Senhor é estar cônscio de que o mesmo poder que Deus fez ressuscitar o Cristo também é utilizado na ressureição dos que creem, fazendo-os filhos de Deus “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:18 -20; Cl 3:1 ).
O ‘revestir-se do poder’ refere-se a ter uma compreensão plena do evangelho de Cristo “Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” ( Ef 3:16 -20 ). 
Qual é o poder do espírito? Neste verso não há alusão ao Espírito Santo, antes à palavra da verdade, que é espírito e poder. Jesus mesmo disse que as suas palavras são espirito e vida, e o apóstolo Paulo disse que a palavra é espírito e poder ( Jo 6:63 ; 1Co 2:4 ). No verso 16 da carta aos Efésios, o apóstolo faz alusão à palavra, ou seja, ao poder da palavra, pois ele era ministro do espírito, ministro da palavra, ministro de Cristo, ministro do poder de Deus ( 2Co 3:6 ). 
Quando compreendemos a palavra da verdade, temos o revestimento de poder, ou nos revestimos da armadura de Deus. Compreender a palavra da verdade é prova de que o cristão foi revestido de poder, ou seja, que possui a unção do Espírito Santo, pois é Ele quem guia em toda a verdade "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" ( Jo 16:13 ). 
 Espírito de Elias
Quando o anjo Gabriel anunciou o nascimento de João batista a Zacarias disse: "E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto" ( Lc 1:17 ). Este verso comprova que ‘espírito’ e ‘poder’ diz da mensagem de Cristo, pois João Batista não operou nenhum sinal miraculoso, apenas anunciou o reino dos céus “E muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade” ( Jo 10:41 ). 
Quando Elias passou o seu ministério para Eliseu, transmitiu porção dobrada do espírito de Elias "Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim" ( 2Re 2:9 ). 
Ora, em Lucas 1, verso 17 e João 10, verso 41, verifica-se que a porção dobrada que Eliseu recebeu não se resumia em operar sinais, milagres e maravilhas, pois João veio no espírito e poder de Elias e não operou milagres. O que isso significa?
Significa que o pedido de Eliseu tinha relação com a palavra que Elias proclamava. 
O mesmo espírito e o mesmo poder que estava sobre Cristo esteve sobre João Batista, esteve sobre os apóstolos, e está sobre a Igreja de Cristo ( Ef 4:4 ), isto porque há um só espírito, que é respectivamente espírito, vida e poder para converter os corações. 
O ‘espírito’ e a ‘virtude’ de Elias consiste na proposta que ele fez ao povo de Israel: escolham entre Deus e Baal “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu” ( 1Rs 18:21 ), e foi este mesmo espírito e poder que repousou sobre João Batista, quando disse:“Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” ( Mt 3:2 ). O povo de Israel, em ambos os casos precisavam mudar de concepção, poder para converter o coração dos homens a Deus. 
Observe que para a mudança de concepção é necessário a ação da palavra: "E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR. Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre" ( Is 59:21 ), de modo que não é por força e nem por violência, antes pela palavra de Deus. 
Em Jerusalém o apóstolo Pedro recebeu a promessa do Espírito, pois o mesmo Espírito que repousou sobre Cristo segundo a profecia, também passou para os seus discípulos “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes” ( Is 63:1 -2). 
Ora, o Espírito de Deus estava sobre Cristo. E o que Jesus faria? Pregaria boas novas! Proclamaria liberdade! Apregoaria tempo aceitável! Observe que o Espírito tem função evangelística. De igual modo, a todos que aceitassem a Cristo, tornando-se descendência de Abraão (filhos de Deus pela fé), teriam as mesmas palavras anunciadas por Cristo em suas bocas "Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre" ( Is 59:21 ).
Deus é poderoso para fazer tudo mais abundante, porém, o que Ele faz é segundo a palavra do evangelho, pois o evangelho é o poder que opera em todos os que creem "Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera" ( Ef 3:20 ). 
O evangelho é a ‘palavra da verdade’, ‘poder de Deus’ e ‘armas da justiça’ "Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda" ( 2Co 6:7 ). O apóstolo cônscio da verdade eterna, após ouvir o Senhor Deus, diz "De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo" ( 2Co 12:9 ). 
Em seguida, o apóstolo Paulo faz a seguinte comparação: "Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós" ( 2Co 13:4 ). 
O que este verso diz? Que os cristãos, apesar de terem sido sepultados à semelhança da morte de Cristo, agora vivem porque creram (fé) no evangelho (poder de Deus). O poder que há no evangelho é sobre-excelente, pois é o mesmo poder que Deus operou em Cristo 



ao ressuscitá-lo dentre os mortos "Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" ( Cl 2:12 ); "E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus" ( Ef 1:19 ). 
Estevão era um homem pleno de fé, ou seja, da palavra de Deus. Embora Estevão operasse sinais e maravilhas, os escribas e fariseus resistiam à palavra que Estevão proclamava, pois era a verdadeira demonstração de espírito e poder“E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé. E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo (...) disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava” ( At 7:7 -9). 
Estevão não foi apedrejado porque operava sinais e maravilhas, antes por causa da mensagem do evangelho. Jesus não foi rejeitado pelos sinais e maravilhas, antes pela sua palavra ( Jo 10:33 ). O espírito com que Estevão falava refere-se à palavra do evangelho, que é demonstração de poder, de fé, de espírito e de sabedoria. 
 Serpentes e escorpiões 
No livro do Gênesis, Satanás utilizou-se de uma serpente para destilar o veneno da mentira sobre o homem. Ao distorcer a verdade anunciada por Deus, Adão acreditou na mentira e trouxe condenação (morte), a todos os homens. 
Por causa do evento no Éden, a serpente tornou-se símbolo de Satanás "E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele" ( Ap 12:9 ). 
A serpente é um símbolo de Satanás, e o veneno símbolo da mensagem de engano. A mensagem de engano é comparável ao veneno de víboras, trás morte e morte eterna. 
Há várias referências nas Escrituras às serpentes, e uma destas figuras encontra-se no Livro de Deuteronômio. O profeta Moisés, em sua última profecia (cântico profético, salmo), previu que o povo de Israel (vinha) haveria de desviar-se da palavra de Deus e que produziriam veneno em lugar de vinho ( Dt 31:20 ). 
Através da previsão dada a Moisés, Deus estava destilando a sua doutrina, a sua palavra. A palavra é comparada ao orvalho que cai sobre a relva, de modo que a palavra é figura de vida ( Dt 32:47 ), e a relva figura dos homens "Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor" ( 1Pe 1:24 ). 
Este salmo de Moisés possui inúmeras figuras aplicadas ao povo de Israel que, ao longo da história foram utilizadas pelos profetas, Cristo e os apóstolos. Dentre as figuras que Moisés apresenta, temos: povo louco, ignorante, néscios ( Dt 32:6 ); cidade prostituta ( Dt 32:16 ); povo (vinha) de Sodoma e Gomorra ( Dt 32:32 ); o vinho que produzem é ardente veneno de serpentes, peçonha cruel de víboras ( Dt 32:33 ). 
Por diversas vezes ecoam nas Escrituras através dos profetas, Jesus e os apóstolos o rótulo que Moisés estabeleceu contra Israel: o povo de Israel não passava de loucos, néscios, pessoas faltas de entendimento ( Sl 53:1 -4; Jr 5:4 ; Ez 13:13 ; Is 35:8 ; Lc 11:40 ; Lc 24:25 ; Rm 2:20 ; Rm 10:2 ). Por diversas vezes são chamados de raça de víboras ( Mt 3:7 ; Mt 23:33 ; Sl 140:3 ); Igualmente são chamados de adúlteros e adulteras ( Tg 4:4 ; Jr 9:2 ); etc. 
Mas, a figura que nos debruçaremos agora é a da víbora, a da serpente. Moisés aponta que o povo de Israel é vinha de Sodoma e Gomorra, porém, o vinho que produziam era equivalente à peçonha de serpentes "O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras" ( Dt 32:33 ); "Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra" ( Is 1:10 ). 
O salmista demonstra que os filhos de Jacó possuíam língua como a serpente. Que o veneno do engano, que é a mentira, estava nos lábios do povo de Israel. O que falavam era semelhante ao veneno da serpente: produz morte, e não vida "Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. (Selá.)" ( Sl 140:3 );"O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos" ( Sl 58:4 ). 
Ao falar ao povo, o profeta Isaias disse: “Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora” ( Is 59:5 ). O profeta acusa os filhos de Israel de falarem falsidades, e que a palavra do engano, a mentira, estava em suas bocas. 
Falar mentiras é o mesmo que chocar ovos da serpente. Neste contexto ‘mentira’ é uma figura de linguagem para falar da palavra de engano, falso evangelho, e não do mau hábito de faltar com a verdade, mentir. Quem come dos ovos, além de mortos, torna-se duas vezes filhos do inferno. Tornam-se filhos do inferno porque quebraram os ovos e deles se alimentaram. Além de estarem mortos, tornam-se víboras. A morte neste verso refere-se à separação de Deus, alienação. 
Qualquer que professa a doutrina do engano é uma víbora, uma serpente, de modo que Jesus e João Batista não estavam xingando os escribas e fariseus ao chamá-los de raça de víboras. 
O apóstolo Paulo alerta os cristãos a se absterem do ‘vinho da contenda’, e deviam se encher do espírito. Muitos entendem que o apóstolo estava vetando aos cristãos o beber bebida forte, porém, se o apóstolo Paulo estivesse recomendando os cristãos a se absterem do produto da vide, não teria recomendado Timóteo a fazer uso de vinho. 
O que se depreende da ordem paulina é que os cristãos deveriam se encher do espírito, ou seja, do evangelho, pois deste modo jamais beberiam do vinho da contenda, ou,da doutrina dos judaizantes "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" ( Ef 5:18 ); "Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?" ( Mt 16:11 ). 
É em função do alerta anterior que se chega à interpretação que acabamos de fazer. Quando o apostolo Paulo diz:“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios”, está recomendando que os cristãos não andem como os judeus, os loucos, os néscios, que sempre erraram o caminho. Que não sejam insensatos ( Gl 3:1 ), voltando a se aplicarem a elementos da lei, antes, que entendam qual é a vontade de Deus ( Ef 5:15 -17). 
Esta análise nos mostra que, algumas vezes, quando a bíblia faz referência à serpente, não faz referência a Satanás, mas aos homens que, por anunciar uma doutrina de mentira, destilam veneno mortal como as víboras. Por destilarem peçonha, a figura da serpente é própria para descrevê-los. Daí o rótulo: raça de víboras!  
 Poder para pisar serpentes e escorpiões 
Após averiguar a exposição acima, é possível responder as perguntas: a) que poder é concedido aos cristãos? b) Quais os tipos de serpentes e escorpiões os cristãos tem autonomia de calcar os pés? 
A prerrogativa de calcar a antiga serpente com os pés é de Jesus, e Ele não passou aos seus seguidores tal prerrogativa, antes é dito: "E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém" ( Rm 16:20 ); "Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente" ( Sl 91:13 ). É Cristo, o príncipe da paz, que esmagará Satanás em breve debaixo dos pés dos seus seguidores. 
Por que debaixo dos pés dos cristãos? Porque os cristãos são o corpo de Cristo. Cristo é a cabeça, e a igreja o corpo, de modo que é Cristo, a cabeça, que esmagará debaixo da igreja a antiga serpente que feriu o calcanhar da semente da mulher ( Gn 3:15 ).
O texto não diz que os cristãos receberam poder para pisar Satanás, antes diz que é dado poder para pisar ‘víboras’ e ‘escorpiões’.
Em primeiro lugar, tal poder não diz de uma capacidade especial para pisar em animais peçonhentos que há na natureza, ou seja, Jesus não autorizou os seus seguidores a pisarem deliberadamente qualquer animal peçonhento. Tal atitude é tentar a Deus.
Qualquer que usar o texto: “Eis que vos dou poder...” para afirmar que foi dado poder aos seguidores de Cristo para submeter animais peçonhentos, cumpre o mesmo papel de Satanás quando tentou o Senhor Jesus utilizando as Escrituras fora do seu contexto “E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” ( Mt 4:6 -7).
Ao ler este verso, muitos cristãos entendem que Cristo estava lhes outorgando autoridade para sobrepujar os demônios, e outros, que Jesus concedeu poderes inimagináveis aos seus discípulos para efetuar toda sorte de sinais miraculosos.
Mas então o que Jesus concedeu aos seus seguidores?  Eles foram capacitados a pisar toda sorte de animais peçonhentos? Em função desta benesse os cristãos possuem poderes especiais de modo que nada pode lhe causar dano físico?
Para responder tais questões, temos que reler o evento em que Jesus enviou seus setenta discípulos às cidades que ficavam aos arredores de Jerusalém. 
Antes de enviar os setenta discípulos às cidades nos arredores de Jerusalém para evangelizá-las, Jesus fez um lamento sobre as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, e apresentou alguns parâmetros que nos possibilita dimensionar a incredulidade dos habitantes daquelas cidades judaicas.
Jesus demonstra que os milagres que foram realizados por Ele em Corazim eram mais que suficientes para mudar a concepção dos habitantes das cidades gentílicas de Tiro e Sidom.  Se os habitantes de Tiro e Sidom tivessem visto os milagres de Jesus, se humilhariam e mudariam a concepção deles (arrependimento).
Ao enviar seus discípulos, Jesus conscientiza-os de que não havia diferença alguma entre Ele e os seus discípulos com relação à missão que passariam a desempenhar. Caso os habitantes das cidades ouvissem os discípulos de Jesus, estariam ouvindo as palavras de Cristo. De igual modo, caso rejeitassem os discípulos por causa da missão evangelística, estariam rejeitando a mensagem e a pessoa de Cristo ( Lc 10:16 ). E, quem rejeita a Cristo, rejeita igualmente ao Pai.
O evangelista Lucas, no verso 17, do capítulo 10, narra qual foi o comportamento dos discípulos após percorrem as cidades evangelizando: “E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam” ( Lc 10:17 ).
Foi quando Jesus disse em tom de aviso: “Eu via Satanás, como raio, cair dos céus” ( Lc 10:18 ). Ora, Satanás caiu por se envaidecer pela missão que lhe foi outorgada (querubim da guarda ungido), e deixou de considerar que a glória pertence a quem O comissionou.
Os discípulos corriam o risco de se envaidecerem em função de os demônios submeterem a eles, e logo foram advertidos. O apóstolo Paulo também alerta quanto a este risco: "Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo" ( 1Tm 3:6 ).
Daí o alerta: “Eis que vos dou poder...” (v. 19). Naquele momento Jesus não estava concedendo ‘poder’, antes estava alertando que era Ele quem outorgava poder. Esta era a promessa de Jesus: “Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” ( Jo 14:14 ). Tudo que o cristão pede é realizado por Cristo com o objetivo de que o Pai seja glorificado no Filho. Observe que é Cristo quem realiza tudo o que o crente pede, e não que tudo o que o crente pede será atendido.
O motivo da alegria deve centrar-se em Cristo, pois Ele é o poder. A consciência do cristão deve repousar na seguinte premissa: "Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres" ( Sl 126:3 ).
Alegrar-se em Cristo é força, poder, salvação, por outro lado, alegrar-se porque os demônios se submetem, há risco. Por quê? Porque Satanás é enganador e estrategista. Satanás pode fingir submeter-se aos homens com o objetivo de conduzi-lo ao erro, ao engano.
A estratégia do diabo pode ser analisada logo no inicio do ministério de Jesus. Quando Jesus chegava a certas cidades, pessoas possessas confessavam: - Bem sei quem és: o Santo de Deus “E também de muitos saíam demônios, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele, repreendendo-os, não os deixava falar, pois sabiam que ele era o Cristo” ( Lc 4:41 ; Mc 1:24 ).
Um incauto tomaria por base tal confissão para alavancar o seu ministério. Não é isto que muitos líderes religiosos fazem em nossos dias? Diante das multidões invocam testemunho dos demônios, que dizem: - Este é homem de Deus! – Está é uma igreja de Deus! E após tais manifestações, os demônios submetem-se ao orador. Seria este o testemunho que um servo de Deus deve acatar?
O primeiro a ser enganado com tal estratégia é o líder religioso, que vem a acreditar piamente que é um homem cheio de poder e que as suas realizações ‘miraculosas’ demonstram que é agradável a Deus. Em segundo lugar, os seus seguidores, que são induzidos a acreditar que expulsar ou falar com demônios é ter poder.
O apóstolo Paulo, assim como Cristo, foi denunciado por um espírito imundo que estava sobre uma jovem advinha:“Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto ela fez por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu” ( At 16:17 -18). Caso o apóstolo Paulo fizesse uso de tais declarações para balizar o seu ministério, grande seria a ruína.
Geralmente as pessoas relacionam esta passagem “Eis que vos dou poder...”, só com a virtude de operar sinais, prodígios e maravilhas, porém, antes de Jesus dizer tais palavras, já no verso 9, antes dos setenta saírem a campo, Jesus ordenou que os setenta curassem os enfermos que houvesse nas cidades e anunciassem a chegada do reino dos céus “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” ( Lc 10:19 ).
Ora, se os discípulos foram orientados a curarem os enfermos antes de partirem na missão evangelística, segue-se que o que é concedido no verso 19 não só diz da ‘virtude’ de operar milagres e maravilhas, pois quando foram comissionados, já estavam de posse de tal ‘virtude’.
De igual modo, o revestimento de poder concedido no dia de pentecostes não se refere à operação de sinais e prodígios, pois muito antes, Jesus já havia dado poder aos seus discípulos para, ao entrarem nas cidades, e curassem os enfermos e anunciasse a Cristo.
Esta passagem bíblia aponta uma tendência natural do homem em atribuir ênfase maior aos sinais, deixando em segundo plano a mensagem de salvação, que é a obra realizada pelo Pai ( Jo 14:10 ). Supervalorizam os sinais e esquecem que só há festa no céu quando o pecador se arrepende ( Lc 15:10 ). 
Leia atentamente estes versos: “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” ( Jo 14:10 -12 ). 
As palavras de Cristo era o mandamento do Pai. Na antiguidade era consenso: ‘só há obra quando há mando de um lado, e obediência do outro”, um senhor determinava, e o servo realizava a obra, porém, a obra não pertencia ao servo, e sim, ao senhor que determinou. 
Por que é o Pai que faz a obra? Porque o mandamento é d’Ele! Como o mandamento de Cristo era o mandamento do Pai, ambos, Pai e Filho estavam unidos. Daí vem o ponto chave: aquele que crê em Cristo também faz as obras que Cristo fez, e faz maiores que aquelas que os discípulos estavam vendo. 
Que obras seriam estas? A mesma que o Pai fazia juntamente com o Filho: "Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" ( Jo 6:29 ). Observe que a essência da obra não está em realizar ações miraculosas, antes em que as pessoas creiam que Cristo é o Filho de Deus. 
O poder que lhes fora concedido era para suplantar toda a força do inimigo. E que força maligna é esta? As serpentes e os escorpiões que propagam a doutrina de engano. O poder que há no evangelho serve de armadura para que o cristão possa combater nas regiões celestiais as hostes da maldade. Somente revestido de toda a armadura de Deus é possível resistir ao diabo. 
Ora, quando a bíblia diz para resistirmos ao diabo, diz para resistirmos aos ensinamentos dos seus adeptos, homens réprobos quando ao conhecimento da verdade "Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo" ( Jo 6:70 ), diz dos filhos do diabo, homens que procuram desviar da fé os que creem "Disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?" ( At 13:10 ).
Quando o discípulo Pedro aconselha Jesus a ter pena de si mesmo, Jesus disse: "Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens" ( Mt 16:23 ), de modo que qualquer que não compreende as coisas de Deus e se propõe a aconselhar ou a ensinar, é comparável a um diabo. 
É dado aos cristãos ‘poder’ para suplantar todos aqueles que destilam veneno com as suas línguas, de modo que nada proveniente deles causará dano aos servos de Deus. Tendo por escudo a palavra da fé, nenhum dardo do inimigo atingirá o crente revestido da armadura de Deus, fortalecido na força do seu poder “Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” ( Ef 6:16 ).
O poder contido no evangelho torna o cristão poderoso para admoestar e convencer os contradizentes “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” ( Tt 1:9 -11).
Operar sinais, prodígios e maravilhas não é o mesmo que pisar serpentes e escorpiões. Curar aleijados, cegos, etc., não é o mesmo que pisar serpentes e escorpiões. Jesus veio desfazer as obras do diabo, de modo que o poder que é dado refere-se a transportar os homens das trevas para o reino da luz.
Anunciar o Cristo é o poder concedido aos que creem “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” ( Lc 10:19 ). É poder que promove as obras que Jesus fez “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” ( Jo 14:12 ).
Sabendo que a obra que Jesus veio realizar é: "A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" ( Jo 6:29 ), no evangelho há poder para salvar o mundo todo. Os homens nascidos de novo são obras de Deus "Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo" ( Rm 14:20 ).
A igreja de Cristo também possui autoridade para curar e realizar milagres ( Mc 16:15-20), mas este não é o mote do evangelho. A proposta do evangelho é mais abrangente, pois por Cristo é possível o crente ‘vencer reinos, praticar a justiça, alcançar as promessas, fechar as bocas dos leões, apagar a força do fogo, escapar do fio da espada, da fraqueza tirar forças, na batalha se esforçar, por em fuga os exércitos dos estranhos e receber pela ressurreição os seus mortos’, porém, o mesmo Cristo torna possível ser torturado, não aceitar o seu livramento para alcançar uma melhor ressurreição, experimentar escárnios e açoites, e até cadeias e prisões, ser apedrejado, serrado, tentado, mortos ao fio da espada, andar vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparado, aflito e maltratado ( Hb 11:33 – 40). 
É dado aos que creem poder de serem livres da peçonha de uma serpente, mas também é dado poder para suportar afrontas e açoites, e passar uma vida na prisão por causa da verdade do evangelho, como foi o caso do apóstolo Paulo. 
Certamente Cristo estabeleceu que os seus servos realizarão maiores obras, trabalhos, ações, atos, pois a ceara é grande, e há poucos ceifeiros. Quem opera sinais e maravilhas está inclusos nesta obra, porém, não é este o objetivo do evangelho. Não é esta a bem-aventurança! ( Jo 20:29 ) 
Qualquer que ouve uma mensagem ou vê um milagre, deve ter o cuidado de primeiro provar o ‘espírito’, pois fenômenos “extraordinários”, muitas vezes, não são passíveis de análise, mas a mensagem sempre é passível de análise àqueles que tem o Espírito de Deus ( Dt 13:1-4 ; 2Ts 2:9 ; Mt 7:21 -23). 
Um cristão deve estar cônscio de que os falsos profetas operarão sinais de mentira "A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira" ( 2Ts 2:9 ). Um cristão jamais deve esquecer que os falsos profetas tem aparência de ovelha, e que só os seus frutos possibilita identificá-los ( Mt 7:20 ). E quais são os frutos? O espírito, a mensagem que professam. 
O cristão não deve ficar maravilhado, extasiado, perplexo frente a um milagre. Um cristão tem o discernimento que sinais são para os incrédulos, enquanto que a palavra, a profecia, o espírito, o poder de Deus é para os fiéis "De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis" ( 1Co 14:22 ). 
Quem se maravilhava diante de um sinal são os infiéis, e isso ao longo dos tempos não muda. Mas, os que creem, tem o mesmo discernimento que o apóstolo Pedro: sempre apresentará ao povo o Cristo crucificado, e não os milagres “E quando Pedro viu isto, disse ao povo: Homens israelitas, por que vos maravilhais disto? Ou, por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, tendo ele determinado que fosse solto” ( At 3:12 -13)...
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante