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sábado, 5 de outubro de 2019

O HOMEM SEM DEUS


                                                              O HOMEM SEM DEUS

O Homem sem Deus é ‘Mau até os Ossos’?

“Observem de perto o que ele diz ali: Toda pessoa não regenerada está espiritualmente morta, andando de acordo com Satanás, sendo por natureza filha da ira. Nós nascemos neste mundo como completos pecadores – não simplesmente um pouco manchado pelo pecado, mas completamente, desesperadamente, em escravidão a ele. Todo aspecto de nosso ser – mente, emoções, desejos, e até mesmo nossa constituição física – é corrompido, controlado, e desfigurado pelo pecado e seus efeitos. Ninguém escapa desse veredicto. Nós somos totalmente depravados” Phil Johnson, Maus até os Ossos, artigo publicado no Site Bom Caminho, tradução de Juliano Heyse, título original: B-b-b-b-bad to the bone, Blog Pyromaniacs (grifo nosso).
Neste pequeno parágrafo o Sr. Johnson nomeia a condição do homem sem Cristo de ‘totalmente depravados’, ‘completos pecadores’. Para descrever a condição de sujeição ao pecado ele utiliza as seguintes palavras: todo, completos, desesperadamente, totalmente, etc. Até mesmo a constituição emocional e física do homem é descrita por Johnson como sendo corrompida, controlada e desfigurada pelo pecado.
Analisemos o comentário do Sr. Phil Johnson à luz da Bíblia.
 Princípios Bíblicos
A Bíblia demonstra que o melhor dos homens é comparável a uma sebe (cerca) de espinhos e o mais reto dos homens comparável a um espinho, ou seja, todos os homens gerados segundo Adão são pecadores “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão” ( Mq 7:4 ).
Não importa as questões morais, físicas ou psíquicas do homem: tanto o melhor quanto o mais reto dos homens são igualmente pecadores (comparáveis a uma cerca de espinhos ou a um espinho) por serem gerados participantes da natureza caída de Adão. Todos os homens ‘germinaram’ de uma semente corruptível (espinheiro), a semente de Adão.
Outra figura que ilustra esta mesma realidade foi exposta por Jesus no famoso Sermão do Monte. Os homens quando nascem entram por uma porta larga (Adão) e seguem por um caminho largo que os CONDUZEM à perdição. Jesus demonstrou que, para o homem ver-se livre de tal condenação é necessário nascer de novo ( Jo 3:3 -7; Mt 7:13 -14).
 Aplicação Prática
Compare o que a Bíblia diz acerca destas quatro pessoas e aponte qual delas era mais (ou menos) pecadora (segundo Phil, depravados)?
  • Nicodemos, que era mestre, juiz, judeu e um religioso exemplar, e que, portanto, representava o melhor que a sociedade à época dispunha no comportamento e na moral ( Jo 3:1 );
  • A mulher samaritana, por ter convivido com cinco maridos e o que ela tinha não lhe pertencia ( Jo 4:18 );
  • O paralítico do tanque de Betesda, que ficou à beira do tanque por trinta e oito longos anos ( Jo 5:5 );
  • O jovem rico: apesar da religiosidade e cumpridor dos ‘mandamentos’, apegado a sua riqueza.
Embora não fosse dado à promiscuidade, Nicodemos não estava em uma posição melhor diante de Deus, se comparado à condição da mulher samaritana. Percebe-se que, diante de Deus, tanto Nicodemos quanto a mulher samaritana precisavam nascer de novo.
Do mesmo modo, tanto o Jovem rico, cumpridor dos mandamentos, quanto o paralítico, que passou trinta e oito anos deitado à beira do tanque, haveriam de perecer, caso não se arrependessem. Ora, quem era ‘mais’ pecador: o paralítico ou o jovem rico? Que ‘depravação’ há em ficar trinta e oito anos à beira do tanque de Betesda esperando um anjo agitar as águas? Como poderia o jovem rico ser completamente depravado, se ele era cumpridor dos mandamentos?
Porém, o que se observa diante da mensagem do evangelho, é que, tanto o paralítico no tanque de Betesda quanto o Jovem rico precisavam arrepender-se, pois ambos, de igual modo pereceriam, caso não se arrependessem “Não, vos digo! Antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” ( Lc 13:5 ).
 Considerações Essenciais
Alguns judeus pensavam que os galileus que foram mortos por Pilatos, cujo sangue foi misturado aos sacrifícios que eles realizavam, eram mais pecadores que todos os outros galileus ( Lc 13:1 -5). Por que os judeus chegaram a esta conclusão?
Segundo a concepção deles, os galileus eram pecadores por serem gentios. Porém, havia um agravante: estavam sacrificando aos ídolos. Como o sangue dos galileus que foram mortos foi misturado ao sangue do sacrifico que ofereciam aos ídolos, concluíram que padeceram tais coisas por serem mais pecadores que todos os outros galileus.
Porém, Jesus afirmou que os galileus que foram mortos não eram mais pecadores que o restante dos galileus por terem sido mortos, antes, todos eles haveriam de perecer de igual modo, caso não se arrependessem.
Para ilustrar seu ensinamento, Jesus os fez lembrar a queda da torre de Siloé, que ficava em Jerusalém. Não é porque dezoito pessoas morreram na queda da torre, que eram mais pecadoras que os moradores de Jerusalém.
Como os judeus se consideravam filhos de Deus por serem descendentes de Abraão, acabavam por apontar as catástrofes envolvendo outros povos como sendo resultado do pecado, porém, esqueciam que também eram sujeitos as catástrofes.
Com base no alerta que Jesus deu, percebe-se que os judeus acreditavam (por serem descendentes de Abraão) que estavam em uma condição melhor diante de Deus, se comparados aos galileus que foram mortos por Pilatos.Mas, Jesus demonstrou que todos os homens precisam mudar de concepção acerca de como se alcança a salvação de Deus (arrependimento), pois se não mudarem de conceito, igualmente perecerão ( Lc 13:1 -5).
Este evento em particular demonstra que é uma concepção humana, desprovida de respaldo bíblico, apontar qualquer evento catastrófico, enfermidades, calamidades, deformidades, etc., como sendo provenientes ou causados pelo pecado.
 O que diz as Escrituras
Segundo o que dispõe o profeta Miquéias, tanto o melhor quanto o mais justo dos homens são reprováveis diante de Deus e precisam nascer de novo. A reprovação divina não é por causa da moral, do comportamento, da psique, da condição física ou financeira dos homens. Os homens tornaram-se reprováveis (desagradáveis) diante de Deus por causa da condenação estabelecida em Adão. Em Adão ‘pereceu’ da terra o homem piedoso. Todos deixaram de ser retos diante de Deus ( Mq 7:2 ; Rm 3:23 ).
A Bíblia informa que toda humanidade estava destituída da glória de Deus porque pecaram ( Rm 3:23 ). Ora, pecaram não por causa de questões psíquicas, físicas, morais, comportamentais, etc., antes pecaram porque foram vendidos ao pecado como escravos. É por isso que as escrituras protestam contra os judeus, pois eles pensavam que eram salvos por serem descendentes de Abraão: “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ).
 A Escravidão do Pecado
Assim como os descendestes de escravos nos regimes escravocratas já nasciam sob o jugo da servidão pelo simples fato de descenderem de escravos, o homem gerado da semente corruptível (Adão) vem ao mundo sob o jugo (escravidão) do pecado, e, portanto, são pecadores ( Jo 8:34).
À época de Jesus os escravos eram iguais aos homens ‘livres’, tanto no físico quanto na psique, ou seja, o fato de serem escravos não os tornava ‘menos’ humanos que os homens livres. Porém, o que pesava (diferencial) sobre eles era o jugo imposto pela sociedade escravocrata. Semelhantemente, não é a psique, nem as emoções e nem os desejos dos homens nascidos sob a égide do pecado que os tornam diferentes dos nascidos de novo.
As emoções são pertinentes a todos os homens e contempla tanto os que estão sob o jugo do pecado quanto os que estão sob o jugo da justiça “Fostes libertos do pecado, e vos tornastes escravos da justiça” ( Rm 6:18 ). O homem com Cristo é alvo das mesmas emoções que os homens sem Deus. Ambos ficam tristes, alegres, deprimidos, motivados, choram, riem, etc. Ambos pensam, raciocinam, trabalham, etc. Ambos tem fome, sede, apetite sexual, sonham, etc.
Através do comparativo acima se conclui que, nem o pecado e nem a justiça subjugam as emoções, as sensações, os desejos e a psique do homem. Nem o pecado nem a justiça subjugam os homens através das emoções, fraquezas, desejos, etc.
O Filho do Homem
Jesus chorou, esteve aflito, angustiou-se, alegrou-se, comeu, bebeu, foi às festas, ou seja, as emoções e sensações físicas de Jesus eram idênticas as dos seus irmãos carnais, porém, é certo que ele não foi sujeito ao pecado pelo fato de ter ficado aflito ou chorado ( Hb 4:15 
Por outro lado, não é por que os monges budistas vivem uma vida de meditação perene para afastar ou reprimir alguns sentimentos e emoções que serão livres de pecado.
Em que Jesus foi semelhante aos seus irmãos, se não nas fraquezas, emoções, sensações, desejos e psique? ( Hb 2:14 ; Mt 26:37 )
O verbo de Deus se fez carne, o que demonstra que o corpo físico não é o que vincula o homem a servidão do pecado. Assim como os filhos participam da carne e do sangue, Jesus também participou das mesmas coisas (carne, sangue), porém, sem pecado, visto que ele foi gerado de Deus ( Hb 2:14 ).
O que diferenciava o Cristo de Deus dos outros homens não era a psique (inteligência e moral superiores), ou o físico (carne e sangue), antes o diferencial estava no fato de Ele ser gerado de Deus, ou seja, sem pecado “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” ( 1Jo 3:9 ).
Do mesmo modo, o diferencial entre os que creem no evangelho de Cristo e os descrentes não estão na psique ou no corpo, antes, no fato de que creem no evangelho e foram de novo gerados segundo Deus, em espírito e em verdade.
O diferencial entre aqueles que servem e os que não servem a Deus está em que os que servem são nascidos de Deus, e os que não sevem nascidos segundo a vontade do varão, da carne e do sangue ( Jo 1:12 -13).
Para ser homem, ou seja, como ‘um de nós’, o Verbo de Deus teve que ser participante da carne e sangue, compartilhando das mesmas fraquezas e limitações pertinentes a natureza humana ( Jo 1:14 ). O fato de os homens serem sujeitos às fraquezas não se vincula e nem deriva do pecado, pois o Verbo de Deus teve que participar das mesmas fraquezas e limitações humanas para ser como ‘um de nós’.
Como seria possível Jesus ‘compartilhar’ das fraquezas humanas se ‘as fraquezas’ derivassem ou fossem produzidas pelo pecado?
 O Homem
O que se observa através das escrituras é que os sentimentos e as emoções humanas vinculam-se diretamente à natureza humana. Deus criou o homem na condição e posição de homem, ou seja, fraquezas, necessidades, prazeres, sonhos, desejos, medos, coragens, etc., são elementos pertinentes à natureza humana “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” ( Hb 4:15 ).
Acaso o apóstolo Paulo sentiria prazer nas fraquezas e necessidades se tais sentimentos e emoções fossem provenientes do pecado? “Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte” ( 2Co 12:10 ).
A Bíblia é clara: “O salário do pecado é a morte”, e quando Adão pecou trouxe sobre si e sua descendência um julgamento com uma pena única, que resultou em destituição (alienação) da glória de Deus (condenação).
Ou seja, não podemos ser mais ‘realistas’ que a Bíblia e dizer que a condenação estabelecida em Adão influenciou a constituição física e emocional do homem. A pena estabelecida antes da desobediência de Adão foi única: “…certamente morrerás” ( Gn 2:17 ). Quando Deus falou com Adão e Eva na viração do dia, eles já estavam mortos, ou seja, destituídos da glória de Deus.
Logo em seguida, por causa da queda:
  • Deus retirou o homem do Éden – Deus retirou o homem do Éden para que ele não lançasse mão do fruto da árvore da vida; a condenação proveniente da desobediência foi alienação de Deus, e a saída do Éden para o homem não lançar mão da imortalidade ( Gn 3:22 );
  • Deus promete o descendente ( Gn 3:15 );
  • Estabelece a sujeição da mulher ao marido e a dor na gestação ( Gn 3:16 );
  • Por causa do homem Deus amaldiçoa a terra, institui o trabalho e apresenta a morte física “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; pois és pó, e ao pó tornarás” ( Gn 3:19 ); antes de pecar, o oficio do homem era lavrar e guardar o jardim do Éden ( Gn 2:15 ); após a queda, por ter sido lançado do jardim do Éden, Deus deu um novo oficio para o homem.
Quando o Verbo de Deus foi introduzido no mundo dos homens, ele tornou-se participante do pó da terra, porém, como Filho de Deus sempre esteve unido ao Pai. Ao despir-se da sua glória, o Verbo se fez carne e tornou-se como ‘um de nós’ “Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” ( Sl 103:14 ).
Porém, não podemos esquecer a relação estabelecida por Deus: “Tu és pó, e ao pó tornarás” ( Gn 3:19 ). Ao assumir a condição de Servo, Jesus teve que se sujeitar as mesmas leis e fraquezas pertinente aos homens. Ele teve que viver do suor do seu rosto, porém, viver do suor do rosto não é uma pena proveniente do pecado ( Gn 3:19 ), bem como tornar ao pó da terra.
Devemos ver nitidamente o que o escritor aos Hebreus apresenta acerca de Jesus: “Vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e de honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” ( Hb 2:9 ). Ele foi feito homem (menor que os anjos) por causa da paixão da morte. Para ser possível provar a morte física, que é totalmente diferente da morte espiritual ou destituição da glória de Deus, que Jesus se fez carne!
Isto indica que, provar a morte física não é conseqüência do pecado, antes é algo pertinente a fragilidade e fraqueza daqueles que foram tomados do pó da terra. Cristo provou a morte física, e isto demonstra que ela não está atrelada ou que deriva da desobediência de Adão.
Lembremos que Jesus é o Cordeiro de Deus; que sem derramamento de sangue não há remissão de pecado; sem a morte do cordeiro não há sacrifício. Ora, se Deus é luz e nele não há trevas alguma, como poderia receber o cheiro suave do sacrifício se a morte física teve origem no pecado?
Quando Cristo se ofereceu em holocausto ao Pai, ele disse: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito”, ou seja, a morte física não é proveniente da condenação estabelecida em Adão, pois o sacrifício depende da morte do cordeiro “De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” ( Hb 9:26 ).


Posicionamento das Escrituras
A condenação da humanidade é (apenas) destituição da glória de Deus, e isto, tão somente isto, já é por ‘demais’ funesto. É indiscutível o fato da condenação e perdição do homem sem Deus. A alienação de Deus não precisa ser enfatizada ou descrita através de palavras tais como: ‘todo’, ‘completamente’, ‘terrivelmente’, ‘maus até os ossos’ ou ‘totalmente depravados’.
Se admitirmos que o homem sem Cristo é ‘completamente’, ‘totalmente’ perdido, também teríamos que admitir que os salvos são ‘completamente’, ‘totalmente’, ‘terrivelmente’ salvos.
O julgamento e condenação da humanidade ocorreram em Adão, e a pena estabelecida foi alienação de Deus ( Rm 5:18 ; Jo 3:18 ). A Bíblia descreve este estado como sendo separação, destituição, alienação de Deus. Ora, não há necessidade de superlativos ou de adjetivos adicionais para se enfatizar ou demonstrar qual é a condição da humanidade sem Cristo, visto que, não há na Bíblia o uso de superlativo para descrever a condição do homem sem Deus. Um condenado é condenado, e não totalmente condenado. Um perdido é somente perdido, o que de per si caracteriza uma condição terrível.
Não podemos confundir a universalidade do pecado quando se diz: “… todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, com a ideia de que o perdido é totalmente, completamente, irremediavelmente perdido.

O homem sem Cristo é totalmente depravado?
Se a ideia contida na palavra ‘depravado’ refere-se à condição daqueles que não creem em Cristo de alienação de Deus, podemos dizer que o homem é (totalmente) depravado (completamente perdido). Porém, por que não simplificar e falarmos como dizia o apóstolo Paulo: todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Por que transtornam a ideia apresentada por Paulo introduzindo a palavra totalmente? É certo dizer que todos pecaram e estão ‘totalmente’ destituídos da glória de Deus? Que ideia a fala procura transmitir com ‘totalmente depravado’?
O artifício de distorcer a palavra de Deus introduzindo uma única palavra foi utilizado no princípio por satanás “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ).
Porém, se a ideia que procuram enfatizar através da palavra ‘depravado’ denota perversão é fácil perceber que nem todos os homens são ‘totalmente’ pervertidos. Os judeus à época de Cristo eram pervertidos? Os monges que se isolam nos mosteiros são pervertidos? Que dizer das pessoas regradas que vivem nas sociedades orientais? Nicodemos era um homem depravado? Que dizer do homem comum da nossa sociedade?
O que se depreende do texto do calvinista Phil Johnson é que a ‘depravação total’ refere-se a um possível ‘controle’ que o pecado exerce sobre a psique, emoções e desejos, influenciando até mesmo a constituição física do homem, causando todos os males.
Diante desta afirmativa, vale questionar: O pecado desfigura o homem? Ora, os discípulos perguntaram ao Messias sobre quem pecou quando avistaram um paraplégico. A resposta de Cristo foi enfática: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” ( Jo 9:3 ).
Diante da resposta de Cristo fica demonstrado cabalmente que o pecado não é a causa de qualquer deformidade ou deficiência física. Ora, o interprete das Escrituras não pode confundir os vários comparativos que as Escrituras estabelecem entre o pecado e as enfermidades e admitir que as enfermidades físicas são provenientes do pecado. O pecado é comparado à lepra, porém, a lepra não decorre do pecado, pois o salário do pecado é uma única cédula: a morte proveniente de uma justa pena, ou seja, a destituição da glória de Deus ( Cl 2:14 ).
O pecado não decorre de um dilema moral, pois se assim fosse teríamos diferentes níveis de pecado e uma só punição. Porém, a Bíblia demonstra que o pecado é uma condição pertinente à natureza destituída de Deus. Quando Davi foi concebido e gerado, ele foi concebido e gerado na condição de destituído da glória de Deus, pois esta é a condição dos gerados segundo Adão ( Sl 51:5 ).
O pecado é uma condição da qual o homem não consegue por si só livrar-se, porque tal condição está vinculada a natureza herdada de Adão. Para se ver livre do pecado é necessário o poder de Deus contido no evangelho, visto que, através do evangelho, Deus faz nova todas às coisas: concede um novo espírito e um novo coração aos homens ( Sl 51:10 ).
Quando Paulo disse que os cristãos estavam mortos em delitos e pecados (antes de conhecerem a Cristo), ele somente estava demonstrando que todos estavam destituídos da glória de Deus ( Ef 2:1 ); que eles seguiam o curso deste mundo, ou seja, alienação eterna de Deus, que é o mesmo curso do príncipe da potestade do ar.
O apóstolo Paulo estava descrevendo a condição do homem sem Deus, e não os feitos do homem em sujeição ao pecado (filhos da ira e da desobediência, ou seja, filhos de Adão).

A Carne
Qual a vontade da carne, ou seja, a vontade da natureza decaída? A carne em Ef 2:1 -3 não diz da constituição física do homem, antes diz da natureza decaída proveniente de Adão. Ora, não podemos esquecer que, o que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito. A ‘vontade’ da carne é o mesmo que ‘inclinação’, e verifica-se que é da vontade da carne (inclinação) que todos os homens sem Cristo sigam para a morte ( Rm 8:6 ).
Os que estão na carne, ou seja, que foram gerados de Adão não pode agradar a Deus. Estão em inimizade contra Deus. Inclina-se para a morte. Fazem a vontade da carne. Diferem dos nascidos do Espírito, que estão em amizade com Deus e inclina-se para a vida e a paz.
É por isso que Paulo ao escrever aos Gálatas disse: “Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito o que é contrário à carne. Estes opõe-se um ao outro, para que não façais o que quereis” ( Gl 5:17 ). A oposição carne versus Espírito resume-se em morte e vida, conforme depreendemos o que lemos em ( Rm 8:6 ): “A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser”.
Não comungo com o pensamento calvinista porque acrescenta à palavra de Deus (a graça e poder de Deus manifesta aos homens) algumas palavras para dar ênfase a doutrinas calvinista, tais como: o homem é totalmente depravado, para dizerem que é impossível o homem que tem sede beber da água que faz jorrar uma fonte para a vida eterna oferecida através do evangelho. Para eles o simples fato de o homem aceitar a água ofertada por Cristo seria como se o homem estivesse se salvando.
Para demonstrar que alguns homens foram escolhidos para serem salvos, acrescentam a palavra ‘eleitos’ em versículos que demonstram que a salvação é para todos os homens.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O ANTICRISTO


                                                                  O ANTICRISTO
O Anticristo é o oposto de Cristo. Assim como Cristo veio à Terra para fazer a vontade de Deus; o Anticristo virá para fazer a vontade de Satanás. Ele se manifestará Satanás na forma de homem.
Toda ambição de Satanás é ser como Deus em poder e força, e ele trabalha para isso com toda a sua força, noite e dia. “Quem se opõe e se exalta acima de tudo que se chama Deus, ou se adora, de modo que se assentará, como Deus, no templo de Deus, mostrando-se que ele é Deus.” (2 Tessalonicenses 2: 4) Sua intenção é substituir Deus, e ele irá enviar o Anticristo como um meio de fazer isso. O Anticristo vai negar a necessidade da humanidade por Deus, e afirmar-se como príncipe deste mundo.
Mas que tipo de mundo estaria disposto a aceitar o emissário de Satanás como Senhor? É possível que este mundo em que vivemos agora chegou a tal estado?

Jesus Cristo veio em carne

O espírito que prevalece no mundo é o “espírito do Anticristo”, que tem vindo a trabalhar desde os primeiros dias da Igreja (1 João 4). Esse espírito pode ser resumido como todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne. Alega que Jesus tinha algo que não temos, de que Ele era divino, que Ele não tinha paixões e desejos como um homem natural, e, portanto, ele não poderia realmente pecado.
Mas se acreditamos no que está escrito na Palavra de Deus, Ele tinha a mesma carne e sangue que temos.
“Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, também ele participou na mesma.” (Hebreus 2:14)
Ele tinha as mesmas paixões e desejos, que o levou a ser tentado, e ele teve que lutar para não pecar. Ele tinha o Espírito Santo para guiá-lo, e força e ajuda de Seu Pai no céu. Por causa de Sua vida, Ele fez o mesmo disponível para nós, e, portanto, somos capazes de segui-Lo no caminho que Ele abriu pela carne e de volta ao Pai.
Mas admitir isso significaria que nós temos que colocar esforço, tomar a mesma batalha que Ele, lutar contra o pecado que nós temos em nossa natureza humana, como resultado da queda no Jardim do Éden. A maioria das pessoas não estão dispostos a fazer isso. E é assim que o espírito do Anticristo recebe energia. Ele mostra às pessoas uma maneira mais fácil.

A separação de Deus e da humanidade

O pecado é a causa da separação entre Deus e a humanidade. Quando o pecado é posto fora, estamos unidos com Deus. O espírito do Anticristo permite que os pecados nos separem de Deus para viver, cobrindo-os com a tolerância, amor e liberdade. A palavra de Deus diz claramente que é certo e errado, o que é pecado e o que é puro. Mas quando as pessoas o suficiente vivem em pecado, por exemplo adultério, ele já não é considerado pecado. As leis de Deus são rejeitadas, e as leis da sociedade, e, eventualmente, até mesmo as leis das nações, mudam para acomodar esta visão ajustada do que é certo e errado.
Então impureza e pecado são autorizados a viver, e a humanidade cresce cada vez mais longe de Deus – que é exatamente a intenção de Satanás. A maioria do mundo tem dado atenção a este espírito, porque lhes permite viver confortavelmente, sem uma consciência culpada. Isto foi feito sob a cobertura da religião, e o perdão dos pecados sem cessar do pecado, no passado. No entanto, nos tempos em que vivemos agora, humanismo está cada vez mais assumindo o papel que a religião costumava jogar. A humanidade está cada vez mais dependente de si e ser governado por si só, ao invés de ser conduzido por qualquer “poder superior.”

A reveleção do Anticristo

Tudo isso está pavimentando o caminho para o próprio Anticristo a aparecer e se livrar de qualquer pretensão da religião. Ele vai acabar com Deus completamente. Ele irá realizar sinais e maravilhas para provar ao mundo uma vez por todas que a humanidade é auto-suficiente. (Apocalipse 13: 13-14)
A humanidade está pronta para abraçar apenas uma pessoa assim. Alguém que não interfere com suas vidas confortáveis – que será uma força fora de si para realizar seus pensamentos e sonhos de paz e harmonia na Terra; um mundo de tolerância, amor e boa vontade, sem qualquer custo pessoal para si. E o Anticristo será capaz de fazer isso.
O nome do Anticristo tem sido sinônimo de mal através das eras, mas a verdade é que, quando ele é finalmente revelado, a maioria das pessoas não vai reconhecê-lo pelo que ele é. Ele não aparece repelente; pelo contrário, ele vai ser alguém que é talentoso, ambicioso e para resolver os problemas do mundo. Ele irá avançar o que já está em processo de se tornar uma realidade; que o mundo pode se tornar um paraíso de própria autoria do homem, sem Deus. O mundo vai acreditar que com o Anticristo ao leme, a humanidade pode realizar qualquer coisa.
“Então ele abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, seu tabernáculo, e aqueles que habitam no céu.” (Apocalipse 13: 6)
Quando isso acontece, em seguida, Satanás vai finalmente ter o que ele sempre quis. Ele será visto como igual a Deus. Ele terá o controle de um mundo que não tem necessidade de Deus.

A noiva de Cristo

Mas há aqueles que tem e não vai rejeitar o evangelho de Cristo; aqueles que estão interessados em ser terminado com o pecado que eles vêem mentiras em si, a fim de ser unificado com Deus. Estes não serão enganados, porque para eles, o pecado é excessivamente maligno. (Romanos 7:13) Porque eles têm sido extremamente atento e desperto para qualquer espírito que tolera o pecado, eles terão permissão para ver o Anticristo ser revelado; eles vão vê-lo pelo que ele é.
Quando isso acontece, eles podem esperar Cristo para voltar a tomar Sua noiva para casa para estar com Ele. Depois de terem sido arrebatados, e estão recebendo a recompensa de sua fidelidade, o Anticristo terá total liberdade. (2 Tessalonicenses 2: 6-7) Esta será uma época terrível na terra. A verdadeira natureza, o mal do Anticristo será revelado. Quando as coisas tornaram-se tão mau como podem ser, quando a necessidade é maior, Cristo voltará novamente com Sua noiva.
Então, Ele vai consumir o Anticristo com o sopro de sua boca, e o mundo verá o quão impotente o Anticristo realmente é. Jesus vai assumir o controle dos reinos da terra, Satanás será amarrado e lançado no abismo, e a terra vai experimentar mil anos para aprender como certo, justo, verdadeiro e bem perfeita a vontade de Deus é, livre de engano do diabo. E aqueles que se mantiveram puros do espírito do Anticristo e seguiu fielmente o seu amado Jesus nos passos Dele estabelecidas por eles, vai viver e reinar com Cristo neste Milênio. (Apocalipse 20) E deles será o reino dos céus, para todo o sempre!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

O SOCORRO DE DEUS EM MEIO AS AFLIÇÕES


                                      O SOCORRO DE DEUS EM MEIO AS AFLIÇÕES
Quando Davi compôs
este Salmos 86 ,

ele estava muito triste,
pois a cidade de Ziclague
tinha sido invadida;
roubada, saqueada e
queimada.

As mulheres e os filhos foram levados cativos pelos
Amalequitas, inclusive as duas mulheres de Davi.

O povo culpava Davi e falavam em apedrejá-lo,
porque o ânimo de todo o povo estava em
amargura, todavia Davi se reanimou no seu
Deus.

Qualquer pessoa que não tem experiência com
Deus sairia chorando, desesperado atrás dos
Amalequitas.

Mas Davi tomou a decisão mais acertada, já
que tinha que chorar, foi chorar sim, mas foi
chora aos pés do Senhor, foi conversar com
Deus, através da oração.

Não se guiou pela sua razão, mas foi falar com
Deus, para saber se a sua razão estava de acordo
com a razão de Deus.

Davi sabia que o caminho da vitória em qualquer
situação de tristeza ou de alegria passa pelo
Senhor nosso Deus.

Inclina, SENHOR, os teus ouvidos, e ouve-me,
porque estou necessitado e aflito. Salmos 86:1

Pessoas que tem um problema parecido com o
nosso, sempre tem uma solução aparente para
o nosso problema, mas não conseguem resolver
os seus próprios problemas.
Davi estava aflito e necessitado, porém ele não
recorreu a pessoas para ajuda-lo, mas recorreu
ao Senhor que fez os céus e a terra, pois acima
de tudo Davi sabia que a resposta certa vem do
Senhor.

Guarda a minha alma, pois sou santo: ó Deus
meu, salva o teu servo, que em ti confia.
Salmos 86:2

Davi sabia que é o Senhor que nos guarda, e que
neste mundo teremos aflições, porém se formos
fiéis ao Senhor Deus, Ele nos guardará e nos
protegerá, e não prevalecerá contra nós o homem.

Guarda a minha alma, é como se Davi estivesse
dizendo para ele mesmo: Por que está abatida ó
minha alma, e por que te perturbas dentro de
mim?
Espera em Deus, pois ainda o louvarei.

Salva o teu servo ó Deus, porque em ti confio.
Enquanto tantas pessoas confiam em carros,
em cavalos, no seu poder político, no poder
econômico ou social, eu sou mais do que
vencedor porque confio em Ti.

Não importa o momento que estamos
atravessando, a nossa esperança, a nossa
confiança tem que estar depositada no
Senhor  Jesus Cristo, que é o autor e
consumador da nossa fé.

Tem misericórdia de mim, ó Senhor,
pois a ti clamo todo o dia. Salmos 86:3

Davi clamou pelas misericórdias de Deus,
porque se o Senhor tiver misericórdia dele,
ele iria vencer não só aquela batalha ou
qualquer outra batalha que se apresentasse
diante dele, porque as misericórdias do
Senhor nos torna mais do que vencedor.

Davi clamava todos os dia, pois ele sabia
que as misericórdias do Senhor Deus se
renovam todas as manhãs, e para que elas
possam ser renovadas, era necessário que
todos os dias, independente das lutas que
ele estivesse enfrentando, ele deveria estar
orando e em comunhão do com o Senhor
Deus.

Por isso nós temos que clamar todos os dias,
em casa, na escola, no trabalho, pois aonde
quer que estejamos necessitamos das
misericórdias do Senhor Deus sobre
a nossa vida.

Alegra a alma do teu servo, pois a ti,
Senhor, levanto a minha alma. Salmos 86:4

Davi tinha muitos recursos humanos para
alegrá-lo, mas ele sabia que a alegria deste
mundo é passageira, os recursos humanos só
nos alegra naquele momento, mas  quando
passa este momento, as lutas e aflições
continuam, e só Deus pode realmente
transformar toda s tristeza em alegria, toda
derrota em vitória.

Quando Davi disse: a Ti levanto a minha
alma, ele se coloca totalmente na dependência
de Deus, é isto que temos também  fazermos
nas nossas batalhas, esperarmos em Deus e
estarmos  totalmente dependentes dele, porque
desta maneira ele começara a trabalhar ao nosso
favor.

Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e
abundante em benignidade para todos os que
te invocam.
Salmos 86:5

Davi não disse para Deus que merecia as bênçãos
porque ele  era bom, em primeiro lugar ele matou
o seu “eu”, reconhecendo que só existe um bom
que é “Deus”.

Deus só irá operar maravilhas em nossas vidas,
quando reconhecemos que só Deus é bom, que em
nós não existe mérito e nem qualidades suficientes
para alcançarmos o seu favor, mas que receberemos
as bênçãos das mãos dele quando confiamos que ao
invocarmos, a sua misericórdia nos alcançara.

Dá ouvidos, Senhor, à minha oração
e atende à voz das minhas súplicas. Salmos 86:6

O Senhor Deus escuta as orações de todos,
conhece os pensamentos de todos, porém Ele
dá ouvidos a todos que se dirige a Ele com o
coração contrito e quebrantado, e que oram a
Deus segundo a sua palavra e em Nome de
Jesus Cristo o seu filho.

No dia da minha angústia clamo a ti,
porquanto me respondes.Salmos 86:7

Davi orou a Deus, e não deixou que a dúvida
entrasse no seu coração, orou e tomou posse
da benção.
Não ficou dizendo para ele mesmo:
será que o Senhor vai me responder?

Esta deve ser a nossa posição quando oramos
a Deus, orar e confiar, não duvidar, sabendo
que haverá um determinado tempo para que
Deus responda, porém sempre ele irá responder.

Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor,
nem há obras como as tuas. Salmos 86:8

No tempo de Davi existiam vários deuses, que
tinham  boca mas não falavam, que tinham mãos
mas não apalpavam, que tinham ouvidos mas não
ouviam.

Porém Davi adora ao único Deus, ao Deus que fez
o céus e a terra, que é único e verdadeiro, e que no
tempo certo responde às orações,
e que ouve e fala através da sua palavra, através de
louvores, de glorificações ao seu santo nome,
e através de uma pessoa que também adora ao
Senhor.

O Deus que Davi adorava é o mesmo de ontem,
hoje e será eternamente, suas mãos estão
constantemente estendidas sobre aqueles que nele
confiam e temem ao seu nome, para os livrar,
guardar, proteger e abençoar dia após dia.

Por isso nós podemos afirmar todos os dias, que não
há obra como está, onde os céus manifestam a glória
de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

FILHOS, FLECHAS NA MÃO DO VALENTE


                                         FILHOS, FLECHAS NA MÃO DO VALENTE
Primeiro, se pretendemos educar nossos filhos com sabedoria, devemos educá-los de acordo com a Palavra de Deus. Lembre-se: Crianças nascem com uma evidente inclinação para o mal. Portanto, se deixarmos que elas escolham por si próprias, possivelmente farão a escolha errada. Devemos ensiná-las nos caminhos do Senhor.
Desde cedo, devemos ensinar nossas crianças a amar e a respeitar a Palavra de Deus. Crianças que crescem dentro de um ambiente de servidão a Deus, tendem a repetir esse cenário em seus futuros lares. E este ensino não deve ser apenas da “letra” ou do conhecimento das coisas do Senhor. Mas sim sobre amar a Deus, honrá-Lo, servi-Lo alegremente, adorá-Lo de todo coração e estar constante interligado a Deus em oração. É um ensino para corpo, mente e espírito. Disciplinemos nossas crianças com palavra e obra, com nossas vidas e lábios, com educação e exemplo – constantemente (Dt 6: 6,7)
Maneiras pelas quais podemos ensinar aos nossos filhos sobre caminhos do Senhor:
Pelo exemplo

Aprendemos este método com os exemplos do mestre Jesus. Quão grandes exemplos de amor, inteligência, sabedoria, amizade e obediência Ele nos deixou. Nada que Cristo falou ficou desacompanhado de seus atos.
Todas as nossas instruções devem ser acompanhadas de bons exemplos. Lembre-se que seus trabalhos irão trabalhar mais sobre seus filhos do que suas palavras; seus padrões farão mais do que seus preceitos; sua imitação mais do que seus conselhos. Nossos filhos são capazes de verificar nossa hipocrisia. Nós precisamos estar em constante observação para que nossas palavras e ensinos não sejam diferentes do que fazemos perante nossos filhos, a fim de que não percamos o respeito dos mesmos. “Sê o exemplo na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza”.

Que sua vida seja tão reta que você possa dizer a eles “Filhos, sejam meus imitadores, assim como sou de Cristo”
Pela Instrução

Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt 6.6-7).

O dever de ensinar os filhos é de tamanha importância que não deve ser repassado a outros. Deus exige dos pais, a responsabilidade de educarem seus filhos. É dever dos pais cria-los “na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Devemos ensina-los nos caminhos do Senhor, para que quando crescerem, não se desviem dele.
Utilizando um Método de Perguntas e Respostas

Essa instrução deve ser ministrada através da leitura da Bíblia e de explicar aos filhos as coisas adequadas à sua idade. Este método pode ser acompanhado por catecismo. Apenas algumas conversas ou interações com seus filhos, nem sempre serão suficiente para “incucar-lhes” todas as verdade bíblicas. Esta também é maneira de a memória reter mais os ensinos, pois o responder perguntas definidas, fixa ideias específicas em nossas mentes.

Não ligue se for taxado de antiquado e retrógrado, ao utilizar este método, historicamente os catecismo são uma forma útil, simples e pratica de ensinar nossas crianças. Hoje, boa parte dos pedagogos utilizam e defendem o construtivismo e são críticos dessa forma mais mecanicista dos catecismos, porém, basta um olhar para o atual estado de nossa educação e ao grau de instrução da sociedade para saber que o construtivismo tem falhado vergonhosamente.
Podemos também observar que em Dt 6 temos uma padrão de ensino (um exemplo) de perguntas e respostas: “20 Quando teu filho te perguntar no futuro, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos e juízos que o Senhor nosso Deus vos ordenou?”

O próprio Cristo utilizou várias vezes de perguntas ensinar aos que o seguiam. Sigamos este exemplo bíblico.

Pela Memorização

A memorização das escrituras é uma ferramenta fundamental no ensino “De qualquer maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” Sl 119: 9,11

Este método é uma consequência do anterior (perguntas e respostas). Crianças tem capacidade de memorização muito maior que adultos, incorpore memorizações simples de textos bíblicos, Oração do Pai Nosso, dos Dez Mandamentos, do Credo Apostólico, de Catecismo…
Pela Leitura da Palavra

a fé vem pelo ouvir as boas novas, e as boas novas vêm pela Palavra de Cristo.” Rm 12:17

Leia a palavra para seus filhos e com seus filhos. Não os deixe vendo tv antes de dormir, não leia “historinhas” antes da soneca, leia a palavra de Deus. Ele entrará em seus corações e fará morada em suas mentes.
Pelo Culto Doméstico

Sim, faça cultos domésticos em seu lar.
Quando eu era criança, toda semana, no mínimo, havia um culto doméstico em minha casa (pode ser pela manha, pela tarde ou noite, na hora que todos estiverem em casa), onde a cada vez um de nós (eu, meu pai, minha mãe ou meu irmão) tínhamos que preparar a palavra. Mesmo ainda sendo pequeno e com pouca capacidade para elaborar uma “pregação” por muitas vezes fiz uma pequena meditação e levei a todos. Se seu filho for muito pequeno, auxilie ele na elaboração e, após feita, não esqueça de parabeniza-lo pelo bom trabalho.

Mas mais importante que estes métodos é a constância que a palavra de Deus é dita dentro do seu lar. O lar do cristão deve “respirar” a palavra de Deus. Pela manha ao acordar, no café, junto com a família, no almoço, no jantar e antes de dormir. Você, pai ou mãe, terá que achar tempo para ensinar e educar seu filho na palavra de Deus. A Palavra de Deus deve ser parte integrante de nossas vidas. Qualquer pessoa que olhar para o seu lar deveria enxergar a diferença que Deus faz em sua família. Nossos lares devem ser centrados nas escrituras.
Tudo isso leva tempo e exige dedicação, sensibilidade e paciência. Nossos filhos irão crescer e amadurecer e a medida que este processo se desenvolve, você, pai, deverá julgar o quê ensina-los, o método que utilizará e a exigência que você fará sobre eles. Mas não desista jamais de ensiná-los.
“Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão em vosso coração. Tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” Cl 3: 16,17
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A GRAÇA DE DEUS


                                                                 A GRAÇA DE DEUS
João 1.6-14
“Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem…”

Jesus é o centro do cristianismo e de nossa fé. Mas também é uma pessoa que deixou marcas profundas na história do mundo. O ser humano já produziu muito nos campos da religião, arte e lite­ratura inspirados em Sua pessoa. Muitos são os entendimentos sobre Jesus e as definições sobre Sua pessoa, mas existiu apenas um Jesus. Uma música cristã que cantávamos antigamente dizia: “Muito embora um só Jesus exista, nem todos sabem vê-Lo como é…” E é exatamente esse o assunto da lição. Quem é Jesus? Deus ou homem? Homem-Deus ou Deus-Homem?

1. A humanidade de Jesus

Cremos que Jesus era homem e Deus ao mesmo tempo. Primeiro vamos estudar alguns elementos que podemos notar na pessoa de Cristo os quais provam que Ele era 100% humano. Nesse estudo, precisare­mos usar muitas referências bíblicas. Então, tome a sua Bíblia e mãos à obra.
1.1 Ele teve um corpo humano
Nasceu como todo ser humano (Lc 2.7). O nascimento de Jesus foi natural, embora com diferencial milagroso. Sua concepção foi pelo Espírito Santo e Seu nascimento virginal. Jesus nasceu como humano e assim teve a natureza humana aliada à Sua divindade. Foi o nascimento virginal de Cristo que tornou-Lhe possível a existência da natureza hu­mana sem a herança do pecado. Jesus foi concebido pelo Espírito Santo e assim teve a herança do pecado de Adão quebrada ao nascer. Conforme Lucas 1.35, Deus declara que Seu filho nasceria Santo.
1.2 Ele teve desenvolvimento intelectual e físico (Lc 2.40,52)
Os versículos apontam para o crescimento de um menino nas áreas física, intelectual e espiritual.
1.3 Ele sentiu emoçőes humanas
Vamos ver alguns exemplos: compaixão (Mt 9.36), amor (Jo 11.36), pesar (Jo 11.35; Mt 26.38) e indignação (Mc 10.14).
1.4 Ele teve desejos humanos
– não sofrer (Mt 26.39);
– obedecer (Lc 9.51).

1.5 Ele teve necessidades humanas
Ele sentia fome (Mt 4.2), sede (Jo 19.28), sono (Mt 8.24) e cansaço (Jo 4.6).
1.6 Ele foi reconhecido como homem
Por Si mesmo (Lc 19.10) e também pelos outros (Mt 13.55; 1Tm 2.5).
1.7 Ele foi chamado de “filho”
Essa palavra descreve não só descendência, mas também parentesco imediato. São três expressões diferentes no Novo Testamento: Filho de Maria (Mc 6.3), Filho de Davi (Mt 22.42-45) e Filho do Homem (Mt 9.6; Mc 2.10; Lc 5.24).
Você pode estar se perguntando: por que estudar a divindade de Cristo? Porque ela tem grandes implicações para a nossa fé. Millard Erickson nos dá algumas ideias que serão resumidas a seguir.
  • Ao ser enviado como membro da raça humana, Jesus qualificou-Se para ser o redentor, como representante da raça (Rm 5.12,18).
  • Ele experimentou tudo o que um ser humano experimenta: sentimentos, necessidades e limitações. Lemos em Hebreus 4.15 que por causa disso pode nos compreender me-lhor e demonstrar compaixão como nosso Sumo sacerdote, ou seja, alguém que é mediador do sacrifício para perdão dos nossos pecados.
  • Jesus mostrou o que era ser verdadeiramente humano. Algumas vezes resistimos à ideia da humanidade autêntica de Cristo porque sempre ligamos humanidade a erro e imperfeição. Mas Jesus, assim como Adão (antes da queda), era um exemplar perfeito da humanidade sem pecado.
  • Ele Se tornou nosso exemplo. Orou, dependeu de Deus e Se sujeitou à vontade do Pai, ainda quando isso incluiu sofrimento (1Pe 2.21).
  • Jesus Cristo, também chamado de Emanuel, foi Deus no meio de nós. Foi exemplo vivo da transcendência de Deus que veio viver no meio dos homens. Essa verdade nos dá confiança do interesse que Ele tem de ainda agir em nosso meio (Jo 1.14).

2. A divindade de Jesus

Você precisa ter em mente que cremos que Jesus era 100% homem e também 100% Deus. Usando a Bíblia como nosso instrumento principal, vamos estudar referências sobre a divindade de Cristo.
  1. Ele possui atributos que só Deus tem. Nenhum humano comum possui: autoexistência (Jo 5.26), imutabilidade (Hb 13.8), eternidade (Hb 7.3); onipresença (Mt 28.20).
  2. Ele fez coisas que só Deus pode fazer: criar o mundo (Jo 1.3), perdoar pecados (Mt 9.1,2), executar julgamento final (Jo 5.22).
  3. Ele recebe adoração. Os apóstolos eram homens consagrados, mas nunca aceitaram adoração (At 14.8-18). Jesus foi adorado por anjos (Hb 1.6; Ap 5.12,13) e por homens (Jo 9.38; 20.28; Mt 2.11; 14.33; 28.9,17).
  4. Ele possui títulos que só Deus tem, por exemplo: Jeová, que no Novo Testamento é tra­duzido por “Senhor” (Lc 2.11; 5.8), e “Filho de Deus” (Lc 1.35, Jo 5.18).
  5. Ele mesmo declarou ser Deus (Jo 5.18; 8.24,28,58; 10.30-33).
  6. Outras referências bíblicas (Jo 1.1; Rm 9.5; 1Jo 5.20).
Temos que pensar também em quais são as implicações da divindade de Cristo para nossa fé. Novamente com base em Erickson vamos resumir algumas delas:
  • podemos ter conhecimento real de Deus. Jesus não só anunciava a salvação, mas era o Deus que trazia salvação aos homens. Ele mesmo disse “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9);
  • a redenção está à nossa disposição. O sacrifício de Jesus foi suficiente para a salvação de todo o que crê (1Pe 2.24);
  • Deus e os homens tiveram um novo relacionamento. Não houve intermediários, nem anjos e nem profetas. O próprio Deus veio até nós (Hb 10.19-22);
  • Ele é Deus e deve ser adorado como tal. Um dia será adorado por todos (Fp 2.10-11).

 3. A uniăo das duas naturezas

Nossa doutrina afirma que Jesus era, e é, plenamente Deus e plenamente homem. Essas duas naturezas não transformam Jesus em duas pessoas e, sim, numa pessoa com duas naturezas.
Estudamos isoladamente passagens que provam tanto a humanidade quanto a divindade de Cristo. Agora precisamos estudar algumas passagens que nos dão indicação das duas natu­rezas atuando juntas em uma única pessoa.
A primeira passagem é João 17.21-22. Nesse texto, o homem Jesus declara ser um só com o Pai. A referência nada declara sobre a humanidade de Jesus, mas o fato Dele mesmo declarar Sua divindade mostra que tinha o entendimento de que, mesmo sendo homem, possuía uma natureza em comum com o Pai, ou seja, a natureza divina.
Outros dois textos são importantes para nosso estudo (Jo 3.13 e 1Tm 3.16). Em João temos o uso do termo Filho do Homem (humanidade de Cristo) com a referência sobre ter descido do céu (divindade). Em Timóteo encontramos uma referência a Cristo no céu antes de Sua encarnação (contemplado por anjos – divindade), Sua encarnação como homem (ma­nifestado na carne – humanidade) e depois na Sua ressurreição e ascensão aos céus (recebido na glória – divindade e humanidade). Os dois textos sugerem harmonia e plenitude das duas naturezas. Nem esses e nem outros textos bíblicos sugerem revezamento, contradição ou mes­mo luta entre elas.
Na história da igreja, teólogos e intérpretes das Escrituras têm tentado propor soluções. Algumas delas boas, mas outras se tornaram desvios da doutrina bíblica de Cristo. O assunto é complexo, pois as duas naturezas têm características completamente opostas. Veja um resu­mo rápido de algumas delas.
  • Ebionistas – Séc II – Jesus era um homem notável com dons muito especias.
  • Docetistas – Jesus era Deus e parecia humano.
  • Gnósticos – Jesus e Cristo eram duas pessoas diferentes. Jesus era homem filho de Maria; Cristo era um espírito que veio sobre Jesus no batismo e O abandonou na crucificação.
  • Arianos – 280 d.C. – Jesus é a criação mais importante.
  • Eutiquianos – Jesus era só Deus e não humano.

Conclusăo

Grudem, em seu livro Teologia Sistemática, cria uma breve frase que nos ajuda a sinteti­zar o que estudamos nesta lição: “Permanecendo o que era, tornou-se o que não era”. Eterna­mente Deus quando Se encarnou, Jesus continuou sendo Deus e Se tornou humano. Ele era verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante