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domingo, 3 de fevereiro de 2019

O QUE SIGNIFICA E A PEDRO? JESUS ESTÁ DIZENDO E A VOCÊ.


                  O QUE SIGNIFICA E A PEDRO? JESUS ESTÁ DIZENDO E A VOCÊ.
Marcos 16:1-7
Introdução
O evangelho de Marcos registra que, após a ressurreição do Senhor, um anjo disse a algumas mulheres para contar aos discípulos do Senhor e a Pedro o que acontecera.
Isso é motivo para encher os nossos olhos de lágrimas e nos fazer repensar o modo como tratamos aqueles que tropeçaram. Por que o anjo não disse: “Dizei a Seus discípulos e a João?” (João era o amado do Senhor). Por que não disse: “Dizei a Seus discípulos e a Tomé?” (Tomé duvidou da ressurreição do Senhor). Será que havia algo em Pedro que era tão diferente dos demais? Quem era Pedro?
  1. Pedro foi um homem auto-suficiente.
  2. Pedro foi alguém que queria vencer na força da carne.
  3. Pedro foi alguém que seguiu a Jesus de longe.
  4. Pedro foi alguém que negou a Jesus.
Pedro não confessou o Senhor diante dos homens, nem mesmo diante de uma humilde criada; mas o Senhor queria que alguns fossem dizer a Seus discípulos e a Pedro sobre a Sua ressurreição.
O que significa essa expressão de Jesus: “E a Pedro”?
1 – QUE O SENHOR NOS AMA APESAR DAS NOSSAS FALHAS
A maioria de nós temos a tendência de ser intolerantes com as pessoas que erram. Muitos dizem: “comigo só faz uma vez” ou “comigo é assim”.
Jesus é o nosso padrão, apesar dos nossos erros, continua nos amando. Deus odeia o pecado, mas ele não diminui o amor pelo pecador. Pedro negou a Jesus três vezes, se escondeu, abandonou-o no momento que mais precisava; mas mesmo assim Jesus continuou a amá-lo.
O Diabo, tenta passar a idéia de que uma vez que você falhou Deus não ama mais você. Alguns pais também erram na hora de disciplinar os seus filhos dizendo: “Você fez algo muito feio, papai do céu, não gosta mais de você”. Com essas palavras estamos gerando na mente dos nossos filhos a idéia de um Deus raivoso, irado e que está pronto a nos castigar quando erramos.
A mensagem do anjo da parte do Senhor pode ser entendida assim: “Pedro, eu passei três dias no seio da morte, desci até o abismo, mas Pedro…eu ainda amo você. Pedro, eu ainda acredito em você”.
No Salmo 103:8-10 diz: O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades”.
2 – QUE O SENHOR É UM DEUS DE SEGUNDA CHANCE
Jesus se antecipou em dizer: “Diga a Pedro que eu vou para a Galiléia, eu quero que ele esteja lá na reunião. Pede pra ele não faltar”.  Se Jesus não falasse de forma específica o seu nome, Pedro não iria. O Senhor teve o cuidado de mencionar às mulheres especificamente o nome de Pedro.
Este era um Pedro que caiu, um Pedro que pecou e um Pedro que negou o Senhor; no entanto, o Senhor ainda o mencionou. Este é o evangelho!
Você sabia que uma vez que o Senhor o salvou, Ele o salvará até o fim? Em Filipenses 1:6 diz: “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Ainda que você esteja desencorajado, o Senhor jamais estará desencorajado. Apesar de você pecar e se sentir desconsertado de voltar a Ele, Ele o quer do lado dele. O que aconteceu, aconteceu…mas agora entenda, Ele quer que você seja salvo. Talvez como Pedro você esteja dizendo: “acho que o Senhor já me abandonou” ou “o Senhor nunca mais voltará a me confiar algo”.
Nessa passagem da Bíblia, Ele enviou uma mensagem através das mulheres: “Dizei aos discípulos e a Pedro”. Isso significa que o Senhor ainda o amava, que o Senhor estava disposto a perdoá-lo e a começar novamente. A segunda chance foi dada por Jesus e Ele não a desperdiçou.
3 – QUE O SENHOR É UM DEUS DE MISERICÓRDIA E GRAÇA
Marcos era um jovem; ele foi discípulo de Pedro e aprendeu muito dele. Podemos dizer que o Evangelho de Marcos foi ditado por Pedro e escrito por Marcos. Quando o Espírito Santo inspirou, Ele mostrou que as poucas palavras que não foram citadas em Mateus, Lucas e João, eram inesquecíveis para Pedro, pois ele narrou no Evangelho de Marcos. “E a Pedro”.
Tinha um significado especial para ele. Em todo tempo, a recordação dessas palavras era doce. A palavra da graça é especialmente memorável para aquele que a recebeu. Três dias após a morte do Senhor, Pedro estava calado porque tropeçara, mas o Senhor não o esqueceu. Pedro não podia entender isso. Talvez ele passou dias dizendo: “O que eu fiz para merecer tão grande amor?” ou “O que eu fiz para merecer o seu perdão?”.
Talvez esse seja o pensamento de muitos, no entanto, se você abrir os seus ouvidos espirituais você ouvirá dos lábios do Senhor o mesmo que Pedro ouviu: “Não é o que você fez meu filho. Foi o que eu fiz”. No dicionário de Deus tem duas palavras para isso: Misericórdia e Graça!
Finalizando
“E a Pedro” também significa “e a você”. Você que falhou como Pedro! Você que caiu como Pedro, você que tropeçou como Pedro, você que negou o Senhor como Pedro. Você que está tentando se esconder dele como Pedro. Você que está com vergonha como Pedro…também aceite o convite do Senhor como Pedro! Ele o ama apesar das suas falhas, a segunda chance vem pela misericórdia e a graça do Senhor.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

JESUS , MARTA E MARIA


                                                       JESUS, MARTA E MARIA
 Lucas 10.38-42; João 11.1-45
Sim, Senhor, respondeu ela, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo
Alvo da lição:
Considerar o contraste entre Maria e Marta e avaliar as suas próprias relações.

Introdução
Betânia era uma cidadezinha, ou melhor, um povoado, bem perto de Jerusalém. O Senhor ia sempre lá porque havia uma casa aberta para Ele. Ali Jesus passou os últimos momentos de tranquilidade e paz de Sua vida, ao lado de Seus grandes amigos: Marta, Maria e Lázaro.
São lindos os quadros inspirados por essa família, registrados nas páginas da Bíblia.
I. A visita de Jesus (Lc 10.38-42)
O primeiro quadro nos mostra Jesus chegando a Betânia, e Marta trazendo-O para hospedar-Se em sua casa. Ela apreciava muito o Mestre. Era hospitaleira e considerava uma honra receber o Senhor como hóspede.
Essa foi uma atitude correta de Marta. O escritor da carta aos hebreus recomenda que sejamos hospitaleiros, pois alguns, fazendo isso, hospedaram anjos. Marta hospedou o Filho de Deus, o Salvador! Hoje, Jesus bate à porta do nosso coração e diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3.20).
1. A escolha de Marta
Marta fez tudo para oferecer uma boa acolhida ao seu hóspede. Era uma visita muito importante e merecia o melhor. Assim, ela se esmerou para apresentar-lhe uma calorosa recepção. Enquanto realizava um serviço, pensa­va em mais outro … mais outro … e foi ficando desanimada, inquieta, irritada, e começou a murmurar. O seu trabalho de amor estava se tornando uma tarefa pesada demais!
Aplicação
Esse é um alerta para nós. Não podemos deixar que isso aconteça conosco. Pre­cisamos recusar o desânimo. Tudo que fazemos para o Senhor deve ser contado como alegria.

2. A escolha de Maria
Enquanto Marta se fatigava na la­buta caseira, Maria, sua irmã, assentada aos pés de Jesus, totalmente absorta, ouvia os Seus ensinos. Bebia cada uma de Suas palavras. Ela sabia que o serviço era coisa secundária. Ela não podia perder a oportunidade de prestar adoração ao Mestre e receber Dele os ensinamentos.
3. A perda de Marta
Marta não podia saborear os ensinos de Jesus, pois estava muito preocupada com pormenores e coisas secundárias. Ela começou a se consi­derar vítima, e passou a acusar a irmã diante do hóspede amado. Sua irritação era tão grande que ela incluiu Jesus na acusação: “Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha?” E foi além, atrevendo-se a dar ordens ao Mestre: “Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me” (Lc 10.40).
Então, a voz do Mestre se fez ou­vir: “Marta! Marta! andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa” (Lc 10.41-42).
Essas poucas palavras continham sérias advertências:
a. Marta estava misturando o prio­ritário com o secundário;
b. Marta estava perdendo tempo com coisas de pouca impor­tância;
c. Marta não compreendia que Cristo veio para servir e não para ser servido;
d. Marta não percebia que Jesus ti­nha mais interesse na sua pessoa do que no seu serviço.

Essas advertências são dirigidas a nós, hoje.
Há mais uma coisa que devemos notar: precisamos evitar a murmura­ção. Ela não agrada ao Senhor. Ela não edifica.

4. O lucro de Maria
“Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10.42). Maria escolheu estar aos pés de Jesus, numa atitude de adoração e como discí­pula. Ela não precisava ser repreendida, mas sim elogiada, pois havia feito a melhor escolha.
Aplicação
O tempo que passamos com Jesus é sempre muito bem empregado. Preci­samos organizar a vida de tal forma aprender de Cristo seja o mais importante para nós.

II. A morte de Lázaro (Jo 11.1-45)
1. A tragédia da morte
O segundo quadro é anunciado por espessas mágoas. A morte roubou do lar feliz o irmão querido. Parecia injustiça da parte de Deus! Marta, Ma­ria e Lázaro eram amigos íntimos de Jesus. O seu lar era Dele. Então, apesar do quanto tinham feito, a tragédia os alcançou. Parecia indiferença da parte de Jesus! Maria e Marta mandaram chamá-Lo. Esperaram que Ele viesse para curar Lázaro. Ele não veio a tempo, e Lázaro morreu.
Aplicação
Pode acontecer isso na nossa vida, também. Sofremos, nos desesperamos, oramos, clamamos… e o pior acontece. Ter amor por Jesus não nos imuniza contra tristezas e provas da vida, contudo nos garante forças e conforto para sairmos vencedores dessas experiências. Jamais podemos permitir que elas nos vençam.

2. A vitória sobre a morte
Quando Jesus chegou a Betânia, Lázaro já tinha sido sepultado. Nesse incidente vemos a diferença de tempe­ramento entre as duas irmãs – Marta, extrovertida e ativa, não pôde esperar e saiu correndo ao encontro do Senhor, enquanto Maria, mais introvertida e calma, ficou em casa, sentada. Marta desafiou a amizade do Mestre: “Se o Senhor estivesse aqui meu irmão não teria morrido!” (v.21). Marta tirou de Jesus a mais conformadora declaração sobre a Sua Pessoa: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (v.25). Mas no versículo 29 lemos que quando Marta disse a Maria: “O Mestre chegou e te chama” (v.28), Maria “levantou-se depressa”. É interessante notar que ela disse a Jesus exatamente as mesmas palavras que Marta tinha dito (v.32), mas a reação de Jesus foi diferente. Com Marta, Jesus manteve um diálogo teológico, mas Maria recebeu do Senhor o mais belo gesto de solidariedade: “Jesus chorou” (v.35). É tão bom saber que Jesus nos conhece pessoalmente e trata Seus filhos individualmente! Ambas presenciaram a glória de Deus e receberam o irmão de volta: vivo e saudável!
Com esse fato, Marta adquiriu:
a. uma nova compreensão de fé (v.22);
b. uma nova compreensão da ver­dade (v.25-26);
c. uma nova compreensão do Se­nhor (v.27).

Maria compreendeu melhor o significado da morte (Jo 12.3) e do sepultamento de Jesus (Jo 12.7). Muitos judeus que tinham ido visitar Maria viram o que Jesus fez, creram Nele, e o Filho de Deus foi glorificado. Todos foram bene­ficiados por meio dessa experiência dolorosa.
Aplicação
Precisamos achar um propósito nas ex­periências difíceis pelas quais passamos, e, mesmo sem achá-lo, devemos confiar no Senhor. Não podemos tirar conclusões precipitadas a respeito dos acontecimen­tos. No fim, tudo concorre para o bem, conforme Romanos 8.28.

III. Uma refeição de amor (Jo 12.1-8)
1. Uma manifestação de amor
O terceiro quadro se deu num banquete em Betânia, seis dias antes da paixão de Cristo. Foi uma ocasião muito especial. Lázaro, que tinha sido ressuscitado, estava à mesa com o Mestre. Marta, como sempre, servin­do. As qualidades de hospitalidade e de prontidão em servir continuam em evidência em sua vida. Maria, pela terceira vez, se encontra aos pés de Jesus. Ela quebrou todas as etiquetas e presta uma homenagem ao Senhor: derrama um precioso perfume nos Seus pés e os enxuga com os cabelos. Foi a manifestação da sua alma, efeito de uma profunda afeição.
2. Uma manifestação de crítica
“Que extravagância! Que desperdí­cio!” disse Judas. E os demais discípulos concordaram (Mt 26.8).
Talvez nós tivéssemos, também, criticado Maria, se ali estivéssemos. Não é assim que fazemos? Criticamos a igreja, criticamos o pastor, criticamos os oficiais, criticamos os velhos, os mo­ços, as crianças … A oferta que a mulher ofereceu a Jesus, inspirada pelo amor, mal interpretada pelos homens, foi bem recebida pelo Senhor e recompensada pela história. Maria se imortalizou e, por isso, estamos a falar dela, hoje (Mt 26.13). O seu desejo era mostrar amor e simpatia ao Senhor. Ele compre­endeu, aceitou e recompensou o gesto condescendente.
Aplicação
Temos feito alguma coisa extraordinária para o Senhor, que realmente prove o nosso amor a Ele? Não por dever, mas por amor? Somos, hoje, gra­tos a Maria por essa lição de desprendimento?

Conclusão
Marta procurou agradar ao Senhor por meio dos seus próprios esforços. Maria ofereceu-Lhe o melhor que tinha. Isto nos faz lembrar de Caim e Abel. Marta possuía personalidade ativa e extrovertida. O seu amor pelo Senhor revelava-se em serviço. Ela era uma mulher que agia rapidamente. Maria era introvertida e calma por natureza. Das três vezes que seu nome é citado na Bíblia, encontramo-la aos pés de Jesus. E Jesus amava tanto uma como a outra! (Jo 11.5)
 Aplicação
Ao examinarmos o contraste entre Marta e Maria, devemos avaliar as nossas próprias relações com o Senhor. Temos mais de Marta ou temos mais de Maria?

Aplicações para a minha vida
1. Se Jesus disse que devo ser um bom samaritano e ajudar aos outros, por que não mandou Maria ajudar sua irmã? (Lc 10.41-42)
2. Em que aspectos Marta é um exemplo ou uma advertência para mim?
3. Ajudar os outros não substitui o tempo que devo passar com Jesus, alimentando-me da Sua Palavra.
4. Quando o serviço cristão é retilizado só com as minhas forças, será que os resultados são: cansaço, desânimo, frustrações, mal-entendidos, lamúrias?
5. Para nós, crentes, a morte é um breve dormir em paz. Assim como Lázaro, eu, também, ouvirei a voz do Senhor. Posso gritar“Aleluia!
Apóstolo.Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

sábado, 2 de fevereiro de 2019

SANTIDADE AO SENHOR, O BOM SAMARITANO


                                  SANTIDADE AO SENHOR, O BOM SAMARITANO
Afinal, o que é santidade?

Não é aos ateus nem aos visitantes das nossas igrejas que dirijo esta pergunta, mas aos próprios crentes, aos que já são membros duma igreja.
Vejamos em primeiro lugar qual o significado de santidade nas Escrituras.
A palavra hebraica geralmente traduzida por santo, é a palavra “kadosh”, que corresponde à palavra grega “ágios” que na origem significavam simplesmente separado.
Por exemplo, em João 10:36 “Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo.....” aqui, santificar só pode significar separar ou consagrar.
Mas então, como e porque é que o significado destas palavras: santo, santidade, santificar... evoluiu até ao significado que hoje lhe atribuímos de pureza, justiça, bondade etc, quase que identificando santidade com os atributos do nosso Deus?
Há muitas passagens no Pentateuco que nos falam em santidade, mas trata-se sempre de uma santidade ritual, ou santidade higiênica. Mesmo no Sinai, o povo teve de lavar as suas vestes para se santificarem, mas era uma santidade que significava pureza ritual a simples ausência de sujidade (sujeira imundícia).
Nessa época, a máxima expressão de santidade, talvez fosse o sumo-sacerdote que tivesse tomado uns tantos banhos rituais, e podemos pensar num cadáver, como o máximo de imundícia, ou o desgraçado do leproso, rejeitado e escorraçado por todos, obrigado a gritar nas ruas a causa da sua doença, e do seu crime, “Imundo... imundo...”
É esta a informação que encontramos em quase todo o Velho Testamento. Somente na época de Jeremias e Isaías (600 a 500 AC) encontrei as primeiras referências a um outro conceito de santidade, nomeadamente em Isaías 1:11/17 em que o Senhor rejeita os holocaustos efetuados com todo o rigor da velha lei... Nomeadamente o vr. 16 “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade dos vossos atos de diante dos meus olhos: cessai de fazer mal.” Nota-se, nesta passagem, que purificação já é alguma coisa mais que simples limpeza higiênica e passa a relacionar-se com a bondade.
Mas é certamente nos evangelhos onde a santidade passou a ter o significado que conhecemos hoje. Uma das principais passagens encontramos em Mateus 15:11 “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.” Em contraste com pureza das comidas e a preocupação com os animais imundos que não podiam ser utilizados na alimentação, Jesus preocupa-se com a pureza nas palavras e pensamentos.
Gostaria hoje de meditar convosco, numa dessas passagens, em que o Mestre põe em contraste os dois conceitos de santidade. Essa passagem, bem sei que poderá causar certa admiração a alguns, é a parábola do bom samaritano. Vejamos o que é que essa parábola tem a ver com santidade.

A maior parte das pregações sobre o assunto, pelo menos aquelas que ouvi e li, destaca a indiferença do sacerdote e do levita, “que mais obrigação tinham de ajudar....”, é a informação mais vulgar, e muitos outros dão uma interpretação alegórica, afirmando que “descer de Jerusalém” é descer dos assuntos espirituais para tratar das coisas materiais do mundo em que vivemos etc...
Certamente que como exortação, tudo isso é possível, mas não num estudo bíblico. Deixemos pois estes engenhosos pensamentos, para investigar o pensamento original do nosso Mestre, pois estudo bíblico não é qualquer estudo que mencione versículos bíblicos, nem podemos aceitar que qualquer sentido que se possa dar a uma passagem seja uma correta interpretação da Bíblia, por mais bem intencionado que seja o seu autor e por mais simpática que seja a sua ideia.
Esta é das parábolas consideradas de certa maneira um tanto “pacíficas” nos nossos dias. Parece à primeira vista que já sabemos tudo sobre a frieza dos religiosos e do comportamento do samaritano... Mas trata-se na verdade duma crítica que Jesus apresenta, não só aos religiosos do seu tempo, como à própria teologia.
Tive de chegar a essa conclusão, ao examinar o contexto desta parábola.
Vamos começar por ler nas nossas bíblias em Lucas 10:21/22. “Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondestes estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelastes às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. Tudo por meu Pai me foi entregue; e ninguém conhece quem é o Filho, senão o Pai, nem quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.”
Isto foi dito perante os discípulos e alguns doutores da Lei, como veremos mais adiante. Segundo a religião eles se consideravam os grandes e entendidos... É mais ou menos como juntar todos os pastores, professores e alunos do seminário, missionários, professores de escola dominical, evangelistas, presbíteros, diáconos etc. para depois orar dizendo... “Graças porque há coisas que estes não sabem, mas esse menino de escola dominical, ou esse velhote quase analfabeto, o irmão João ou a irmã Maria, esses conseguem perceber, porque tu lhes revelaste”!!!...  Como estudante de teologia não posso deixar de me sentir desafiado por esta atitude do Mestre. Parece que há coisas que não podemos alcançar só pelo nosso raciocínio, mas por vezes as pessoas simples conseguem compreender melhor, por ser produto de revelação, e o Espírito do Senhor se revela a quem quiser, quer ignorantes ou entendidos, utilizando todos os métodos que entender, mesmo aqueles que a nossa teologia e a nossa tradição considera indesejáveis, pois só o Senhor é soberano.
Penso que este episódio deve estar relacionado, ou deve estar na origem do que vamos ler a partir do versículo 25.... em Lucas 10:25/29. “E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo. (a).
E disse-lhe: Respondeste bem; faz isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?” (b).
Vr.25... Um doutor da lei, fez uma pergunta a Jesus?!!!. Parece um caso pouco vulgar nessa cultura, um teólogo desse nível fazer uma pergunta ao filho dum carpinteiro, que para eles era um leigo em teologia.
O evangelista Lucas, diz aqui que foi para experimentar a Jesus. No entanto, Lucas não foi apóstolo, ele não estava presente neste acontecimento e limitou-se anos mais tarde, a compilar todas as informações sobre a vida de Jesus. Talvez fosse essa a opinião dos primitivos crentes. Não digo que não seja verdade. Quem somos nós, para vinte séculos mais tarde tentar descobrir alguma coisa de novo.
Mas penso que, pelo menos, não devemos abandonar a possibilidade de estarmos perante uma pergunta sincera deste homem. Digo isto porque Jesus respondeu, o que geralmente não acontecia, quando havia perguntas mal intencionadas. É bem possível que este teólogo ficasse tocado pela pregação de Jesus, e que por baixo da sua aparente calma e segurança tivesse uma consciência inquieta e incomodada pela pregação do Mestre... porque o doutor da Lei bem sabia, melhor do que ninguém quais os pontos fracos, contradições e principalmente a grande separação entre a sua teoria e a vida prática do dia a dia.
Ele começa pela pergunta mais importante: “Que farei para herdar a vida eterna?” Mas, será que não havia informação sobre o assunto na Velha Lei?
Jesus o remete novamente para a Lei. Afinal, parece à primeira vista, que havia solução para a vida eterna na Velha Lei. Faltava somente pôr em prática tudo aquilo que ele já conhecia.
Mas o doutor da Lei, levanta outra questão: “Quem é o meu próximo?”
Lucas diz no seu evangelho, que a pergunta foi para se justificar, dando a entender que ele não fazia nem uma coisa nem outra, nem amava a Deus de todo o seu coração, nem ao próximo como a si mesmo. Mas julgo que seria precipitado da nossa parte limitarmo-nos a esta explicação.
Segundo o investigador Joaquim Jeremias, esse assunto era muito polemico nessa época. Pois, se ninguém tinha dúvidas do que significava ser membro do povo de Israel, pois tudo isso estava muito bem explicado, pois eram os descendentes do povo de Israel incluindo os prosélitos e os escravos já circuncidados, o mesmo não acontecia com a palavra “próximo”, cujo significado dava origem a várias interpretações.
Para muitos dos fariseus, o seu próximo limitava-se aos outros fariseus.
Os essênios consideravam como atitude louvável o odiar todos os filhos das trevas. Até o nosso Mestre faz uma referência a esta atitude em Mateus 5:43 “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo....”, portanto o inimigo não podia ser o próximo.
O grande problema, para a teologia da época seria a pergunta: Até que ponto deverei ser tolerante? Devo considerar somente a minha família como o meu próximo?... E também os meus vizinhos?... E também os outros judeus?... Até onde vai o conceito de “próximo”?
Penso que para os judeus mais ortodoxos o próximo seriam somente os outros judeus. É verdade que várias passagens veterotestamentárias em especial nos livros de Êxodo e Levítico nos falam dos direitos dos estrangeiros, lembrando o facto dos próprios judeus terem sido estrangeiros no Egipto, e em Deuteronômio aparecem algumas vezes referência aos direitos dos estrangeiros, viúvas e órfãos.
No entanto, não podemos ignorar a realidade desse contexto histórico em que havia grande rivalidade entre judeus e samaritanos. O velho problema da rivalidade entre os templos de Jerusalém e Garizim, por motivos históricos, religiosos e económicos, estava no seu auge.
Eu fiquei chocado quando soube pelo livro do historiador Joaquim Jeremias, que o Templo de Garizim, que os samaritanos construíram e que, com todos os seus erros se destinava a louvar o Deus supremo, foi atacado e destruído pelos judeus, no ano 129 A.C..... Esta é uma informação que não vem na Bíblia e que a nossa literatura não costuma mencionar.
Como represália, segundo Josefo, o historiador da antiguidade, houve um samaritano que por ocasião da Páscoa, durante a noite, abriu alguns sepulcros de Jerusalém, desenterrou ossos de cadáveres e os espalhou pelo Templo de Jerusalém para o tornar impuro.... Isto aconteceu já depois do nascimento de Jesus, que devia ser um menino quando estas notícias abalaram todo o povo de Israel.
Jesus teria certamente observado muitas vezes, os judeus mais “religiosos” que todas as tardes, ao pôr-do-sol se viravam para Samaria para amaldiçoar os samaritanos e pedir para que Deus os destruísse para sempre.
Penso que temos de entender a pergunta desse doutor da Lei, no contexto histórico em que se encontravam, em que havia fortes tensões não só entre judeus e estrangeiros, mas principalmente para com os samaritanos. Para os que rodeavam o Mestre, o próximo seriam os outros judeus... talvez também alguns estrangeiros, se estivessem circuncidados, mas os samaritanos!!! isso é que nunca... nem pensar nisso.

É neste ambiente, carregado de ódio e emoção, que Jesus apresenta a parábola do bom samaritano, que vamos ler, do versículo 30 a 37. Lucas 10:30/37
“E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó. E caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo, também, um levita, chegando àquele lugar, e vendo-o, passou de largo.
Mas, um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele, e vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e, tudo o que de mais gastares, eu to pagarei, quando voltar
Qual, pois, destes três, te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faz da mesma maneira.”
...descia um homem de Jerusalém para Jericó... Com esta afirmação, nós imaginamos o mapa de Israel, que muitas vezes temos nas nossas bíblias, e sabemos que se trata de duas cidades vizinhas. No entanto, a reação dos ouvintes de Jesus foi certamente bem diferente, pois logo devem ter identificado esse local como um local de alto risco.
As duas cidades estavam afastadas cerca de 27 quilômetros através de caminhos que nos nossos dias o autocarro (ônibus) de turismo percorre rapidamente, mas nessa época seria um simples caminho íngreme que subia pela montanha acima serpenteando por entre as rochas, num terreno muito acidentado, com cavernas onde os malfeitores facilmente se escondiam, pois os romanos, que construíram uma magnífica via romana em direção à moderna Samaria, entenderam que a velha cidade de Jerusalém não tinha interesse comercial que justificasse a construção duma via romana.
Mas havia outro motivo para que esse local fosse dos mais perigosos. É que do ponto de vista dos assaltantes, era dos locais mais “rentáveis”, onde geralmente o crime compensava, pois todo o judeu de longe ou de perto, trazia os seus dízimos e ofertas para entregar no Templo de Jerusalém. Os de perto, traziam os seus animais para oferecer, e os de longe traziam em dinheiro o produto da venda dos animais oferecidos ao Senhor.
Além desses peregrinos, havia também intenso tráfego de religiosos, pois segundo nos informa o historiador Joaquim Jeremias, muitos sacerdotes e levitas que exerciam as suas funções em Jerusalém, moravam em Jericó ou periodicamente “fugiam” da confusão da grande cidade para descansar no ambiente mais calmo de Jericó.
De tal maneira os assaltos aos peregrinos, nesse local, eram comuns, que acabaram por afetar a própria economia do Templo, que criou uma organização policial para patrulhar esse caminho e proteger os peregrinos, protegendo também a economia do Templo.
Talvez o mais natural seria o assalto a um homem que subisse a Jerusalém, em especial um homem que viesse de longe e que trouxesse os dízimos e ofertas de alguns anos de vida próspera em terras distantes... Mas este descia, voltava de Jerusalém. Mesmo assim, talvez fosse um alvo apetecível pelos assaltantes, pois deveria ainda ter dinheiro para uma longa viagem de regresso à sua terra, dinheiro que o viajante tentou defender, pois houve luta e ficou quase morto à beira da estrada.
Temos depois a descrição do sacerdote e do levita que passaram sem dar ajuda ao viajante que aparentemente já estaria quase morto.
Penso que perante esta afirmação, a reacção e o pensamento do homem do nosso tempo é bem diferente, talvez mesmo o oposto, ao pensamento dos que escutavam o nosso Mestre.
O nosso primeiro pensamento é que Jesus apresenta o sacerdote e o levita para mostrar que até aqueles que mais obrigação teriam de ajudar, por serem religiosos, até esse falharam. É também esta a interpretação da maior parte dos pregadores, dos nossos dias, mas suponho não ser essa a intenção do Mestre.
Tanto o sacerdote, como o levita, certamente já conheciam muito bem esse caminho tão perigoso, já estavam habituados a ver cenas de violência, assaltos, já tinham visto pessoas mortas à beira do caminho... e também conheciam muito bem a Velha Lei.
Certamente que conheciam todo o Velho Testamento muito melhor do que nós, pois eles o liam e o estudavam, o que já não está a acontecer connosco... Por vezes tenho a sensação de que estamos a formar um novo cânon....., um cânon do cânon veterotestamentário, pois há passagens do Velho Testamento que são lidas nas nossas igrejas e há passagens em que nunca há tempo para ler... que ficam sempre para a próxima vez... passagens que os nossos pregadores têm medo de encarar, como esta que vamos mencionar.
O viajante já não se mexia, aparentemente era já um cadáver. E o que dizia a Velha Lei sobre o cadáver? Vejamos em Números 19:13 “Todo aquele que tocar a algum morto, cadáver de algum homem que estiver morto, e não se purificar, contamina o tabernáculo do Senhor: aquela alma será extirpada de Israel; porque a água da separação não foi espargida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundície.”
É evidente que se o sacerdote ou o levita tocasse no viajante e esse já estivesse morto ou viesse a falecer nessa altura, ficariam impuros e impossibilitados de exercer as suas funções no Templo durante sete dias, durante os quais teriam de se purificar segundo indicado nos versículos anteriores em Números 19:1/12
Afinal.... era a própria religião que os impedia de ajudar... Penso que foi este o pensamento que o Mestre transmitiu aos seus ouvintes e que em grande parte já se perdeu nos nossos dias. Eles não ajudaram porque eram religiosos e queriam permanecer religiosamente puros e religiosamente perfeitos.
Esta é uma das parábolas mais polemicas que Jesus contou e todos os seus ouvintes dessa ocasião assim devem ter compreendido, aceitando inicialmente com entusiasmo a crítica anti-clerical do Mestre, esperando o terceiro personagem, que tudo indicava fosse um vulgar judeu (judeu comum), pois nessas histórias havia normalmente três personagens.
É nessa altura que Jesus os escandaliza apresentando o samaritano, o inimigo, que os mais religiosos odiavam e amaldiçoavam. Foi um samaritano que o Mestre escolheu para herói desta história. Nos nossos dias, seria talvez um palestino.
A parábola não era somente anti-clerical, pois todos estavam incluídos na crítica do Mestre.
O samaritano não perguntou quem era o viajante. Não sabemos se ele conhecia bem as Escrituras e se sabia que iria ficar impuro por tocar num cadáver... Mas para os “religiosos” ele já era um impuro por ser samaritano... portanto nem se preocupou com isso.
Diz-nos o versículo 34 que ele “...aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho...” É bem possível que transportasse consigo azeite e vinho para a viagem, pois o azeite era o protetor solar para a sua pele, num clima quente e seco e o vinho seria para acompanhar as suas refeições. Nessa altura, utilizou o vinho devido às suas propriedades anti-sépticas e anestésicas e o azeite como protetor da pele.
É interessante a curta conversa do samaritano com o hospedeiro. É bem possível que o samaritano fosse um comerciante habituado a viajar, pois parece que conhecia bem o hospedeiro e a expressão utilizada “...quando voltar”, parece indicar pessoa conhecida e respeitada. A importância entregue, de dois denários, equivalia a dois dias de salário mínimo.
Jerusalém era uma cidade edificada no alto do monte que dependia do exterior, quer para alimentação dos seus habitantes, quer para matéria-prima para as suas pequenas indústrias. Muitos estrangeiros eram os profissionais de transporte para abastecimento da cidade. É bem possível, que entre o hospedeiro e o samaritano, embora separados pela religião, os interesses comerciais em comum tivessem criado uma profunda confiança e amizade.

Mas afinal, que conclusões podemos tirar desta parábola?
Inicialmente, Jesus apela para a Lei, mas depois o seu herói é precisamente o samaritano, que não seguiu a lei veterotestamentária, e que segundo essa mesma Lei deveria ser considerado impuro.
Não há dúvida de que, de acordo com a Lei, tanto o sacerdote como o levita ficariam impuros sob o aspecto religioso se tocassem no viajante e ele viesse a falecer nas suas mãos. Mas talvez tenhamos de considerar uma certa hierarquia das Leis.... e a Lei de do amor de Cristo, que se deve manifestar em todos os seus é a nossa Lei suprema, que tudo ultrapassa e que inclusive pode inverter os nossos valores.
Mas não estão todos estes problemas já ultrapassados, depois de 20 séculos de cristianismo? Para quê lembrar essas velhas leis, há tanto ultrapassadas?
Nos nossos dias, tudo que as igrejas ou juntas missionárias decidem, não está sempre em sintonia com o pensamento de Jesus? Não vivemos nós de acordo com os ensinos do nosso Mestre?
Podemos imaginar, como seria a história do bom samaritano contada nos nossos dias?

Era domingo de manhã, e estava quase na hora da escola dominical. À beira da estrada estava um homem caído. Já não se mexia e estava todo sujo do sangue que derramara.
Passa o carro do Pastor da igreja local, que até poderia ajudar.... se não estivesse já na hora da escola dominical... e com tanta gente à sua espera na igreja... Não. Em primeiro lugar estão as suas funções na igreja. Em primeiro lugar o Trabalho do Senhor... Mas o pastor sente-se tocado e exclama: “Mas que país é este!... Com toda esta insegurança nas nossas estradas.. Estou profundamente chocado com estes problemas... Mas isto não vai ficar assim... Vou já tomar providências.. É um bom tema para uma pregação... Venham logo à noite à minha igreja e logo vão ver a empolgante pregação que vou apresentar sobre a insegurança nas nossas estradas...” E o pastor fecha energicamente a porta do carro, e acelera a toda a velocidade a caminho da sua igreja, entusiasmado com a sua própria espiritualidade.
Depois vem o superintendente da Escola Dominical. Pára bruscamente o seu carro quando vê o homem ferido na borda da estrada.... e até poderia ajudar... se não estivesse já na hora da escola dominical. E logo nesta altura, em que no domingo anterior fez um apelo para que todos fossem pontuais.... Não. Em primeiro lugar estão as suas funções na igreja onde vai falar do amor de Jesus. Em primeiro lugar o “Trabalho do Senhor”.
Em seguida vem o imigrante, que veio de África, ou da Ucrânia, ou do Brasil, ou da Rússia, um jovem dinâmico e trabalhador. Está há pouco tempo em Portugal, mas já tem onde morar e até já comprou um carro muito usado em que é o terceiro ou quarto dono, mas é o seu carro, fruto do seu trabalho árduo em que faz os trabalhos que os outros não querem fazer.
Nesse domingo levanta-se cedo, lava o seu carro para lhe dar melhor aspecto, pois gastou as últimas economias a substituir o forro dos bancos já rasgados, por outros novos. Toma banho e veste as suas melhores roupas, para ir à igreja, à escola dominical.
Mas o Senhor tinha outros planos. Tinha para ele uma bênção que os outros desprezaram. Também vai a caminho da igreja, nesse domingo de manhã, quando vê o ferido à beira da estrada. Aproxima-se, vê que o ferido ainda respira. Não tem telemóvel (celular) para telefonar à ambulância, mas o ferido está a perder muito sangue e tem de tomar uma decisão urgente. Pega no ferido e coloca-o no seu carro. As suas melhores roupas ficam manchadas de sangue e lama, assim como o forro dos bancos que mandou colocar na semana passada. Leva o ferido às urgências (à emergência) do hospital, onde tem de prestar declarações às autoridades policiais.
Finalmente chega à sua igreja, já quase no fim da escola dominical. É uma igreja tradicional, onde nesse domingo de manhã todos se apresentam com as suas melhores roupas.
Quando termina a escola dominical, como de costume, apresentam o relatório desse dia. Alunos inscritos... Visitantes... Alunos pontuais... O pastor e o superintendente da escola dominical respiram de alívio. Conseguiram chegar a horas, foram pontuais.... O que seria do seu prestígio como crentes, se não dessem o bom exemplo.
Mas muitos olham para o desgraçado que chegou quase no fim... Veio com a roupa toda suja.... Mas que falta de respeito pela Casa do Senhor, onde tudo deve ser santo, limpo e perfeito! Quando será que ele vai compreender o Evangelho? Quando será que se vai converter ao Senhor?
Nesse domingo o herói da nossa ilustração volta para casa.
Poderíamos dizer que dava graças a Deus e que mostrava uma grande fé... mas infelizmente, na vida real não há muitos heróis...
Ele está desiludido, foi demais para a sua fé... Tentou fazer o melhor e bem sentiu o desprezo e os olhares de reprovação dos “santos” da sua igreja.
Esta ilustração acaba mal, como tudo, ou quase tudo, na vida real. Mas, quem aceita Cristo como seu Salvador e Mestre, tem de aceitar o seu desafio e sujeitar-se a tudo que possa acontecer.
Será que depois de 2000 anos já compreendemos a mensagem do nosso Mestre e o seu conceito de santidade? Será que tudo mudou? Será que ainda nem tudo mudou?
Será que temos de voltar ao princípio?
Que o Senhor nos oriente na nossa resposta a estas perguntas.
Que possamos refletir com o nosso Mestre. Este pormenor é muito importante, “refletir com Jesus” pois tanto para o nosso Mestre como para o doutor da Lei a pergunta era a mesma “Quem é o meu próximo?”
Mas o doutor da Lei procurava uma definição teórica, uma definição teológica de “próximo” (nisso nós somos bons), enquanto para Jesus isso significava ação.
Mais importante do que uma definição teórica da palavra “próximo”, é perguntar: Onde está o meu próximo para que o ame e o ajude como Jesus ensinou. Pois só esses compreenderam quem é o seu próximo. 
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

ZAQUEU


                                                                     ZAQUEU
Lucas 19.1-10
Quem já escalou uma árvore? Quanto tempo faz que você não escala uma árvore? Geralmente crianças escalam árvores. Poucos adultos costumam fazer isso. Fazem quando estão desesperados, ou quando estão em momentos de lazer ou relembrando a sua infância.
Hoje houve salvação (V,9). O Evangelho de Jesus Cristo se resume em anunciar que Jesus Cristo veio buscar e salvar o que estava perdido. O dia que a salvação entrou em nossas casas, ou o dia que a salvação entrará na casa de vocês será um dia que marcará a história de suas vidas.
Jesus nos deixa a referencia de que: “Este homem (Zaqueu) também é filho de Abraão. Isso é fantástico! Um homem até então pecador, tem uma nova vida.
Neste contexto, salvação se refere à saúde interior, a salvação da alma. Ele também é filho de Abraão. O convênio das bênçãos de Deus feito com Abraão e aqueles que diziam-se “filhos de Abraão” (Gl. 3:7). A salvação entrou na casa de Zaqueu não por causa do sangue que ele herdara, mas por causa de sua fé.
Mudança de Vida (V.8). Zaqueu teve algo que popularmente chamamos de “Mudança de vida”. Olhem algumas das palavras dele:
“Estou dando metade dos meus bens aos pobres”. “Se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”.
Ele Decidiu dar a metade de seus bens aos pobres; e não tentou ficar com a outra parte, mas ele usa o restante para fazer o bem (ou reparar o que ele tinha feito.
Zaqueu sabia para quem ele “devia”. Podemos ver claramente que mesmo ele  tendo uma vida que não era segundo o que Deus tinha ensinado, ele estava disposto a tentar, e com isso vem um grande desafio:
Vencer o povo (V.7): O povo viu isso e começou a se queixar. Muitas vezes é assim, ouvimos dizer que alguma pessoa está na igreja e logo depois escutamos algo ruim sobre ela: “Ele era ladrão e agora está na igreja”. O ruim mesmo é quando falam direto para a pessoa: “Você está na igreja para roubar né?” Assim como na história de Zaqueu, muitas pessoas têm se convertido e muitas delas têm restaurado sua forma de viver, para agradar a Deus.
O povo é uma barreira a ser vencida. Em outras histórias vemos que o povo (multidão) ficava no caminho e muitas vezes atrapalhavam a busca que as pessoas estavam fazendo.
Zaqueu estava resolvido ver a Jesus, e nada o deteve (Vs. 3 e 4). Para ele, misturar-se com a multidão era algo que requeria coragem. Aquilo que éramos e em alguns casos o que ainda somos, nos atrapalha de sermos como Zaqueu. Se pensarmos: “Se eu mudar, o que meus amigos e parentes vão pensar de mim?” estaremos correndo o risco de nunca mudarmos verdadeiramente.
Em Jesus, Zaqueu encontrou um novo amigo. E nós também encontramos em Cristo um amigo, que pode e muda nossas vidas.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante