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domingo, 6 de abril de 2014

REMOVA A PEDRA, POIS O TÚMULO ESTÁ VAZIO...


                                 REMOVA A PEDRA, POIS O TÚMULO ESTÁ VAZIO...
O tema da ressurreição é central, tanto no ministério dos apóstolos como no ministério da Igreja em nosso tempo. Sem o testemunho da ressurreição a Igreja perde sua razão de ser. Como disse Paulo, “e, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1 Cor. 15.17-19).
 Nas diversas pregações proferidas pelos apóstolos nos deparamos com o testemunho de que Jesus foi morto pelas mãos de homens e ressuscitado pelo poder de Deus. Um exemplo é o que está em registrado em Atos 2.23b-24: “vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porquanto não era possível fosse ele retido por ela”. Um testemunho que vai se repetindo em cada sermão, em cada carta, em cada resposta a interrogatório, em cada diálogo. No texto do Evangelho de João 20.1-23, percebemos que a primeira experiência da Ressurreição é a da “pedra revolvida” e do “túmulo vazio”.
 Diz a narrativa de João que “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida. Então correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram”  (vs. 1 e 2).
 O que parecia representar mais uma perda para aquelas pessoas que tinham vivenciado dias tão terríveis (agora, nem mesmo o corpo do Mestre eles tinham), mostrou-se como o início de uma volta por cima, uma transformação do pranto em alegria.
 A pedra, colocada na entrada do túmulo, representava um grande obstáculo, mais um elemento de separação. Estava ali para impedir que os que amavam a Jesus tivessem acesso ao seu corpo.
 O túmulo representava o encerramento de um projeto de vida. Uma esperança frustrada. Um lugar para chorar e lamentar a perda, a saudade.
 Aquele testemunho da “pedra revolvida” e do “túmulo vazio”, dado pelas mulheres, fez Pedro e João saírem correndo para ver o que estava acontecendo. Eles foram juntos, mas o outro (João) correu mais depressa. Interessante que João é o mais rápido, mas não é o que entra primeiro. Ele dá esta honra a Pedro. O versículo 9 diz: “abaixando-se, viu os lençóis de linho, todavia, não entrou”. Pedro chegou depois, mas foi o que entrou primeiro: “ele também viu os lençóis, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte” (v.6b e 7).
 O testemunho da “pedra revolvida” e do “túmulo vazio” representa o início de um novo tempo para os discípulos de Jesus. Aquela pedra colocada como obstáculo, aquele túmulo que representava a frustração da esperança, agora faziam brotar novos pensamentos, novas possibilidades. Alguma coisa maravilhosa estava acontecendo!
 É possível que ainda hoje pessoas estejam vivenciando a experiência da pedra que se apresenta como obstáculo; do túmulo que representa a frustração da esperança, o final de um projeto de vida. A mensagem da ressurreição de Jesus representa a superação do obstáculo, o surgimento da esperança, o nascimento da nova Vida.
 Como diz o cântico: Há esperança para o ferido...
 Há esperança para a mãe que ora pelo filho desencaminhado, para a esposa que ora pelo esposo, para a pessoa que está endividada, para o chefe de família que quer suprir as necessidades de sua casa.  Como disse o apóstolo Paulo: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1 Cor. 15.20).
 É muito importante que o tema da ressurreição esteja vivo dentro de nós, no testemunho de nossa fé, já quem sem a ressurreição a nossa fé será vã.
 A mensagem da “pedra revolvida” e do “túmulo vazio” é a mensagem da esperança e da Salvação. Ela continua atual e pode mudar vidas nesse tempo em que nós vivemos.
 Se você não puder lembrar muita coisa, lembre-se disto: a pedra foi revolvida, o túmulo estava vazio; os discípulos viram e creram. Jesus está vivo e continua se revelando às pessoas ainda hoje...
BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE


sábado, 5 de abril de 2014

BARRABÁS HOJE, AMANHÃ E ETERNAMENTE...


                                    BARRABÁS HOJE, AMANHÃ E ETERNAMENTE...
Mateus 27:16-26
 16 Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. 17 Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo? 18 Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado. 19 E, estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, muito sofri por seu respeito. 20 Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. 21 De novo, perguntou-lhes o governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! 22 Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos. 23 Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém cada vez clamavam mais: Seja crucificado! 24 Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste [justo]; fique o caso convosco! 25 E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! 26 Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado.
Certamente você já se emocionou ao ler algumas páginas da Escritura Sagrada. Não é verdade? A palavra de Deus desperta em nós sentimentos maravilhosos! Sentimentos que nos emocionam, que nos alegram e que nos deixam encantados com o grande amor de Deus por cada um de nós. Desde seus primeiros livros, já podemos ver as maravilhas da criação, os livramentos concedido ao povo, os milagres, as curas e a misericórdia de Deus por homens pecadores como eu e você. Assim, até o seu último livro, podemos nos deliciar com todas as suas histórias, todos os seus ensinos e tudo que nos é revelado através do Espírito Santo de Deus.
A leitura da palavra de Deus, quando lida e compreendida, nos traz vários outros sentimentos além dos já mencionados. Olhando somente para vida do nosso Senhor Jesus Cristo, podemos observar alguns. Por exemplo: A Felicidade em ler sobre o seu nascimento. A Tristeza em ler sobre seu sofrimento. A Esperança em ler sobre a promessa de que ressuscitaria ao 3º dia. A satisfação e a gratidão em ler que realmente Ele ressuscitou ao 3º dia e, que nEle, temos a Vida Eterna.
Sentimentos e mais sentimentos que nos levam a enxergar as maravilhas do plano de Deus e o grande amor de Cristo Jesus por cada um de nós. Porém, ainda olhando para a vida de Cristo narradas nas páginas da Escritura Sagrada, podemos ter um outro sentimento, um sentimento que não é bom muito menos bonito, mas de certa forma, inevitável quando mergulhamos profundamente em alguns desses textos bíblicos. O sentimento de Revolta. Infelizmente ou felizmente, foi o que eu senti e o que talvez você sentiu ou sentirá ao ler e tentar imaginar a passagem em que Jesus é entregue nas mãos do povo por Pilatos. Povo que O conhecia e que tinha vivenciado um pouco do seu imenso poder. Povo que tinha deparado com coxos que voltaram a andar, com cegos que voltaram a enxergar, com mudos que voltaram a falar e até com mortos que voltaram a viver. Revoltamo-nos ao saber que esse mesmo povo escolheu Jesus à Barrabás para ser castigado, mesmo sabendo quem era Jesus e quem era Barrabás.
Acredito que essa revolta e indignação que podemos sentir se dá também pelo fato de que não estávamos lá, de que não tivemos a oportunidade de fazermos a nossa escolha, de gritar pelo nome do nosso Salvador. Porém o mais maravilhoso é sabermos que Deus nos dá a oportunidade de, ainda hoje, fazermos essa escolha, de ainda hoje, escolhermos entre Cristo ou Barrabás. Mesmo depois de tanto tempo é nos dado a chance de sermos cristãos verdadeiros, diferentes daquele povo que condenou a Cristo, e sim, homens, mulheres, jovens e crianças que escolhem a Cristo, que escolhem viver com Cristo e viver para Cristo. E é sobre isso que quero compartilhar com vocês, sobre essa escolha que ainda nos é permitido fazer: Cristo ou Barrabás?
Quando olhamos para aquele povo vemos a oportunidade que eles recebem de escolher a Cristo. Pilatos os questiona por duas vezes para ouvir suas decisões. (v. 17, 21) Será que essa oportunidade foi dada somente na época de Pilatos? Será que nós somos também questionados ainda hoje quanto a nossa decisão? Será que nós temos sido questionados entre Cristo ou Barrabás? Com certeza, todos os nossos dias e em vários momentos dele somos questionados quanto a isso. Seja em nossa casa, em nossa escola, em nosso trabalho ou na sociedade em que vivemos. A todo o momento os cristãos são questionados a escolherem entre Cristo ou Barrabás. Mas será que temos escolhido a Cristo? Ou será que nossas escolhas quando somos questionados é a mesma que fez aquele povo? Ainda hoje somos questionados e, temos a oportunidade de escolher e anunciar o nome de Jesus Cristo. Faça diferente daquele povo, escolha a Cristo quando for questionado, pois lembre-se que Ele já te escolheu!
Quando lemos essa passagem, fica claro para nós também a influência que aquele povo recebeu de alguns. Influência para optar por Barrabás e negar a Jesus Cristo. (v. 20) Quantas são às vezes em que alguns, da mesma forma, tentam nos influenciar para escolhermos por Barrabás. Não é verdade? Mesmo não sabendo quais são os Barrabás de sua vida, sei que você é tentado a escolher a eles, sei que você como eu, é influenciado a negar as coisas de Cristo e dessa forma, a negar ao próprio Cristo. Aquele povo foi persuadido a escolher Barrabás e assim o fizeram. E você? Tem escolhido a Cristo e negado as influências que tentam te levar a optar por Barrabás? Tem negado as influências que são postas a você para negar a Cristo? Nós seremos tentados à desistir do caminho de Deus, seremos tentados a escolhermos à Barrabás, porém, devemos permanecer firme em Cristo. Paulo diz que devemos seguir firme na verdade em amor, crescendo sempre naquele que é cabeça, naquele que passou também por tentações, mas que venceu, Jesus Cristo. (Efésios 4:15) Você também pode vencer. Faça a escolha certa quando tentarem te influenciar e, como nos revela a palavra de Deus, você será mais que vencedor! (Romanos 8:37)
Como foi com aquele povo, nós também seremos questionados e tentados a escolhermos entre Cristo ou Barrabás a todo o momento. Por isso, o sentimento que tínhamos de revolta por causa daquele povo já não deve mais existir, pois Deus nos dá a oportunidade de agirmos diferente deles. Deus nos dá a oportunidade de escolhermos a Cristo a todo o momento. Se voltarmos um pouco às páginas da palavra de Deus, veremos que esse mesmo povo que O condenou, antes O admirava e O respeitava. (Mateus 21:9) Quantas são as vezes que optamos por Cristo somente em situações que nos parecem ser mais fácil. Em situações que acreditamos que não iremos passar por dificuldades ou que não iremos perder nada em escolhê-Lo. Jesus nos deixa claro que nesse mundo passaríamos por aflições, mas que nEle venceríamos, pois Ele venceu o mundo. (João 16:33) Muitas vezes O escolhemos em determinada situação, mas quando aparecem as tribulações já o negamos. Cristo diz que aqueles que querem segui-lo devem negar a si mesmo e carregarem a sua cruz. (Marcos 8:34) Devemos negar todos os Barrabás de nossa vida e, aceitar somente a Cristo, devemos escolhê-lo em qualquer situação, mesmo que para isso nós tenhamos que passar por algumas dificuldades. Cristo deve ser aceito sempre na nossa vida e não somente quando batizamos e O declaramos Senhor e Salvador de nossa vida. Olhe para Pedro, discípulo de Jesus. Pedro declarou amor por Jesus e o negou por três vezes, em três ocasiões onde iria passar por apuros. Agora olhe para você. Você O escolheu nesses últimos minutos e, por isso já quase terminou de ler esse texto. Estou certo? Porém quando acabar de ler ou talvez antes mesmo de acabar você pode já estar O negando e escolhendo a Barrabás. Não? Glória a Deus! Porém não ache esse exemplo um absurdo. Quantas vezes escolhemos a Cristo indo à igreja e O adorando durante todo o culto, porém O negando e O rejeitando assim que o culto se encerra ou talvez antes mesmo que ele se encerre. Somos chamados para escolhermos a Jesus todos os dias, quando levantamos até quando deitamos. Somos chamados para escolhê-lo quando pensamos, quando falamos e quando agimos. Somos chamados para servi-lo e o adorá-lo a todo o tempo. Escolha a Cristo em qualquer situação! Lembre-se que Ele te escolheu quando estava pregado naquela cruz!
Talvez agora a revolta tenha passado, ou não? Será que a revolta que sentíamos daquele povo se virou para nós mesmo? Será que descobrimos que algumas atitudes daquele povo têm sido as nossas atitudes? Se sim, só uma pessoa pode nos tirar esse sentimento e nos trazer a paz. Só uma pessoa pode nos dar a oportunidade de recomeçar tudo de novo. Quem? Jesus Cristo! Aquele que ocupou a cruz que deveria estar Barrabás. Aquele que ocupou a cruz que deveria estar também eu e você. Porém, foi nessa mesma cruz, que Ele nos escolheu, dando a nós a vida e o privilégio de nos arrepender e de sermos perdoados por aquilo que talvez agora nos revolte.
Cristo nos escolheu dando a nós o privilégio de buscarmos verdadeiramente ao nosso Deus, de sermos chamados filhos de Deus e de podermos dia após dia buscar mais intimidade com o Pai. Cristo nos escolheu dando a nós a salvação e a Vida Eterna ao lado do Criador. E você? Tem escolhido a Ele quando é questionado? Quando tentam te influenciar? Você tem O escolhido em qualquer situação? Cristo te escolheu, escolha você também a Ele...
BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE

sexta-feira, 4 de abril de 2014

MULHER PORQUE CHORAS...


                                                    MULHER PORQUE CHORAS...
Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste,
e eu o levarei. Disse-lhe Jesus:
Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Rabboni (que quer dizer, Mestre)."
João 20: 15,16).
Maria Madalena era uma das mulheres escolhidas; ela foi a primeira a ver o Senhor ressurreto. Ela teve o privilégio de testemunhar um evento de máxima magnitude, que jamais será esquecido.
Mas da história pessoal dessa mulher quase nada sabemos. Da vida dela anteriormente, sabemos apenas uma coisa. Marcos escreveu que dela o Senhor havia expulsado sete demônios. Espiritualmente falando, esta informação é a chave do caráter de Maria Madalena, pois explica por que ela foi escolhida. "Sete" representa o todo, o que é completo; e os "demônios" representam a qualidade hedionda do inferno. Está claro então que Maria Madalena uma vez estivera no mal, e que ela representava, então, um estado inteiramente depravado. Antes de sua libertação pelo Senhor, ela simbolizava o homem no seu estado natural de maldade.
Não parece justo que uma mulher que tivesse estado num estado tão depravado viesse a ser a primeira a ver o Senhor após a ressurreição. Todavia, não há nada de errado aí. Porque todo ser humano está, potencialmente, no mesmo estado representado por Maria Madalena. A mensagem deste evento é que todo homem, se quiser, pode mudar sua vida e contemplar o Senhor vivo.
Não há ninguém que não possa mudar sua vida. Em várias ocasiões, durante toda a sua vida, o homem recebe do Senhor uma capacidade temporária de olhar para dentro de si mesmo e ver o que realmente e. E então o Senhor dá também a força para mudar, para subir o caminho que o liberta do amor de si. O homem, realmente, ressuscitar de dentro de si mesmo, por assim dizer.
"Eis que estou à porta e bato" (Apoc.3:20). O Senhor está do lado de fora da porta, sem forçar a entrada. Ele fala desde a Palavra e espera pacientemente que o homem ouça a sua voz. Ouvir a voz do Senhor é ouvir este primeiro ensinamento da Palavra: deixar os males é encontrar o céu.
O nome "Maria" é derivado do hebraico "Miriam", que significa caridade . Madalena, talvez, é uma derivação do hebraico "migdol", isto é, torre. Este exame desvenda uma representação de Maria após ter sido liberta de sete demônios - ela representa uma torre de caridade. Quando o proprium é rejeitado, uma torre de caridade é erigida, tomando o lugar do mal.
As experiências de Maria Madalena na manhã de páscoa revelam o que acontece quando a caridade começa a reinar. "E no primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada". O primeiro dia da semana para os judeus era o domingo, que é o nosso dia de repouso, nosso sabbath. E o sabbath representa a paz, a paz que segue a agonia da tentação.
Quando, porém, Maria foi ao sepulcro, ainda estava escuro. A escuridão da madrugada é um estado de obscuridade no entendimento, quando a luz do céu ainda não se fez presente. Enquanto o mal for uma força predominante no interior do homem, a fé não é uma fé viva. É claro que ele deve ter alguma fé que o capacite a combater, ainda que não seja uma fé genuína.
Essa primeira fé é o amor que o homem tem pelos ensinamentos de sua igreja, muito embora esses ensinamentos não sejam muito claros para o seu entendimento. É também a afeição que ele tem pelas verdades mais simples da Palavra, verdades que ele resolveu seguir quaisquer que fossem as dificuldades. Essa fé é mais afetiva, carecendo ainda da luz intelectual. É a fé que existe tanto nos simples quanto nos instruídos, quando se está no começo do processo de luta contra o mal. No caso da maioria das pessoas da Nova Igreja, é a fé que crê os Escritos são o Senhor falando aos homens, ainda que não se conheça bem o que esses Escritos de fato ensinam.
A crucificação do Senhor é a morte dessa fé quase cega. Porque chega o tempo em que aquilo que não é mais adequado precisa morrer, para que o que é imortal viva e tome seu lugar. Esta mudança ocorre quando a caridade começa pela primeira vez a reinar, a ser a força dominante no indivíduo. Então aquela fé cega deve ser aniqüilada, deve morrer e desaparecer, e ser substituída pela fé genuína. Aquela primeira fé tem de ser crucificada. E quando isto acontece, o homem se sente só, na escuridão, como se sentia Maria Madalena diante do sepulcro do Senhor.
Maria chegou ao sepulcro e viu que a pedra tinha sido removida e que o corpo não estava mais ali. Ela ficou junto ao sepulcro e chorou. Durante certo tempo, nesse estágio da regeneração, o homem se sente desamparado e desorientado. A fé que ele tinha não lhe serve mais. Não sabe para ir nem o que fazer.
Ainda chorando, Maria "abaixou-se para o sepulcro, e viu dois anjos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés" (João 20:11,12). Nesse estado confuso de perda da visão espiritual dos ideais da vida, a pessoa se volta para a Palavra - os dois Testamentos e o seu Sentido Espiritual. A revelação Divina para ele, nessa ocasião, é como um sepulcro, porque ele não pode encontrar vida nenhuma na Palavra. É então que ele vê os anjos. Vê uma nova luz na revelação Divina, uma luz interior que começa a brilhar em seu entendimento e o faz compreender o que antes não compreendia.
Os anjos disseram a Maria: "Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde O puseram. E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu O levaste, dize-me onde O puseste, e eu O levarei."
O sepulcro ficava num jardim; havia um jardineiro ou hortelão que cuidava daquele jardim. A princípio, Maria pensou que era o jardineiro que falava com ela. O jardim, na Palavra, representa a doutrina racional no entendimento. Antes de ser regenerado, os ensinamentos racionais da fé estão no entendimento do homem. As verdades racionais são conceitos que ele gosta de examinar. E como o Senhor zela por essa espécie de fé racional em seu começo, como Ele cultiva a fé e a faz crescer, por isso Ele foi aqui associado à obra do jardineiro. E ela se dirigiu a Ele, dizendo: "Senhor, se tu O levaste, dize-me onde O puseste, e eu o levarei."
Durante muito tempo em sua vida a pessoa ouve os ensinamentos das Doutrinas e crê neles intelectualmente. Mas esses mesmos ensinamentos nunca alcançaram o íntimo de seu coração, nunca o afetarão com verdadeira alegria. Mas, de repente, esses ensinamentos aparentemente abstratos se tornam vivos. A pessoa lê as Doutrinas e descobre que elas estão falando a ela, tocando sua vida, falando de coisas práticas perfeitamente aplicáveis ao seu dia-a-dia. ela descobre que o sentido interno da Palavra retrata e descreve perfeitamente a qualidade de seus interiores, e que isso tem tudo a ver com a sua vida. E isto enche o seu coração de deleite. Seu interior experimenta uma mudança completa, de sorte que as verdades que antes só o agradavam intelectualmente agora tocam cada corda de seu coração. Então ela compreende que a verdade é imortal e viva. E percebe a presença d'Aquele que cultivou essas verdades como um jardineiro. Ele lhe diz: "Maria. Ela, voltando-se, disse-lhe: Rabboni (que quer dizer, Mestre)."
Quando o homem exerce a caridade, o Senhor ressurrecto Se torna presente diante dele, cercado por um jardins de verdades vivas. O Senhor então fala e pode ser compreendido claramente, assim como Jesus dirigiu-Se diretamente a Maria pronunciando-lhe o nome. A reação de Maria tinha a mesma alegria quando disse: "Rabboni, que quer dizer, Mestre".
No interior deste milagre então expostos indiretamente todos os outros milagres da história da Páscoa. Na palavra dita por Maria, "Rabboni", há o reconhecimento do Senhor, o Único que concede a vida eterna, a paz depois das lutas, a primavera espiritual após o inverno de provação. Todas essas bênçãos foram concedidas ao homem porque o Senhor ressurgiu da tumba na manhã de Páscoa.
O coração humano fez uma grande descoberta: o Senhor Jesus não é apenas um nome, uma figura antiga nas histórias da igreja para as crianças. Antes, é o nosso Deus vivo. É nosso Mestre, Senhor de nossos corações, dos amores mais íntimos e das afeições mais ternas. Tomé resumiu essa descoberta, ao ver as feridas do Senhor, dizendo: "Meu Senhor e meu Deus".
Mesmo tendo dúvidas quanto à verdade espiritual; mesmo ficando perdidos temporariamente na escuridão do dia espiritual, os nossos olhos podem ser abertos. Podemos enxergar a verdade agora numa luz maior e contemplar o Senhor vivo, bem perto, dirigindo-Se a nós em Sua Palavra, falando profundamente aos nossos corações. E a alegria interior desta visão maravilhosa podemos perceber numa única exclamação, pronunciada por Maria Madalena: "Rabboni! (que quer dizer, Mestre)...

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE

quinta-feira, 3 de abril de 2014

SENHOR PORQUE SOU TÃO PERSEGUIDO E HUMILHADO...



                        SENHOR PORQUE SOU TÃO PERSEGUIDO E HUMILHADO...
Certo homem chamado Robert de Ryssel e sua família (esposa e dois filhos) foram presos na Holanda por volta do séc. XVI por professarem a fé cristã reformada. Eles foram levados à presença do juiz civil e interrogados. Diante do interrogatório eles confessaram que liam a Bíblia, oravam a Deus, cantavam os salmos em família. Os filhos disseram que se colocavam de joelhos e oravam diariamente pelas autoridades para que Deus as abençoasse. Os magistrados chegaram até a se comover com o relato dos meninos. Mesmo assim, o pai e o filho mais velho foram julgados e condenados à morte na fogueira. Diante da fogueira, o filho mais velho orou a Deus dizendo: “Ó Pai Eterno, aceita os sacrifícios das nossas vidas em nome do Seu Filho Amado!”. Ao ouvir isso, o monge que acendia o fogo interrompeu dizendo: “Mentira, seu marginal, Deus não é Seu Pai e vocês são filhos do diabo!” E quando o fogo acendeu, o menino exclamou: “Vejo, meu pai, o céu se abrindo e milhares de anjos se alegrando sobre nós. Sejamos alegres, nós estamos morrendo pela verdade”. O monge então gritou outra vez: “Mentira, vejo o inferno se abrindo e milhares de diabo vos esperando para jogá-los no fogo eterno”. O pai e o filho encorajaram um a outro até a hora da morte.
O que aconteceu na vida de Robert de Ryssel e seu filho mais velho é simplesmente o cumprimento das palavras de Jesus que disse acerca dos seus discípulos: “Se perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros”. A perseguição é parte da vida cristã. Todo discípulo fiel de Jesus haverá de ser perseguido. Paulo afirmou isso: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus, serão perseguidos” (II Tm. 3.12).
É interessante observar que na oitava e última bem aventurança, Jesus afirmou que seus discípulos são verdadeiramente felizes por serem perseguidos. Ouça o que ele diz: (ler Mt.5.10-12). Vejamos algumas observações gerais dessa bem aventurança:1) Jesus proferiu tais palavras ainda no início de seu ministério a fim de alertar aos seus discípulos de que a perseguição seria uma realidade na vida deles, caso o seguissem fielmente. 2) Jesus repete o termo “bem aventurados”, duas vezes, mas está referindo-se à uma só bem aventurança. Ele quer enfatizar com essa repetição que a perseguição é uma certeza na vida do crente e que ser perseguido por sua causa é de fato uma grande benção. 3) A oitava bem aventurança é o resultado das sete primeiras. A perseguição é conseqüência das demais bem aventuranças. Os bem aventurados dos versos 10 e 11 são os mesmos dos versos 3 a 9. À medida em que o crente fiel manifesta o caráter cristão das bem aventuranças, ele não será aceito pelo mundo mas sofrerá dele perseguição.
É bem evidente para nós que o tema apresentado por Cristo na oitava bem aventurança é a perseguição como um aspecto da vida cristã. Jesus nos ensina três coisas importantes a respeito da perseguição na vida do crente: a natureza da perseguição; a causa da perseguição e a atitude cristã diante da perseguição.
1.A Natureza da Perseguição:
O que é perseguição? A perseguição é uma das tribulações que pode nos sobrevir durante nossa caminhada cristã na terra. Para entender o que ela significa, precisamos atentar para a palavra que Jesus usou. Jesus usa o verbo perseguir duas vezes em nosso texto (perseguidos; perseguem). A palavra que ele usa transmite a idéia de buscar com diligência e empenho alguém ou alguma coisa. No sentido positivo, a Bíblia exorta o crente a perseguir (buscar com toda dedicação) o amor, a santificação e a justiça (I Co. 14.1; Hb. 12.14; 2Tm. 2.22). O mesmo verbo também é usado na Bíblia no sentido negativo e, nesse sentido transmite a idéia de “alguém ser buscado para receber maus tratos, ser atormentado ou afligido por alguma causa”. Jesus usa o termo neste sentido. Observe que o crente, por perseguir a vida cristã em virtude do seu amor por Cristo, será perseguido. Tal perseguição aos cristãos pode ocorrer de diversas maneiras:
Insultos e zombarias: o crente sofre perseguições quando é maltratado com palavras vis que são lançadas injustamente contra ele. Ele pode ser ofendido verbalmente além de ser alvo de piada e mangação da parte dos outros. Pelo fato de sermos cristãos, é inevitável que isso nos aconteça. O próprio Cristo sofreu esse tipo de perseguição. Nosso Senhor Jesus Cristo, de forma injusta e cruel, foi zombado e insultado por muitos, especialmente no final de sua vida. Jesus já sabia que esse tipo de perseguição o esperava (Lc. 6.32). E foi exatamente o que aconteceu com ele antes e depois de ser pendurado na cruz. Ele foi zombado pelos soldados, (Mt. 27.29-31); pelos que passavam perto da cruz (39,40); pelos líderes religiosos (41-43); pelos dois ladrões que estavam ao seu lado (44). Ninguém foi tão insultado e zombado quanto o Senhor Jesus Cristo e nem será. No entanto, ele afirmou que seus discípulos sofreriam perseguição por meio de insultos e zombarias. “Como o Senhor, também os servos”, ele disse. Seus discípulos foram os primeiros a serem zombados e insultados por causa de sua fé em Cristo.
Se você é um cristão fiel, não se surpreenda diante dos insultos e zombarias que pode lhe sobrevir do mundo incrédulo. Você está sujeito a isso. Esse tipo de perseguição pode acontecer na sua casa, no seu trabalho, na escola. Alguns exemplos: O jovem cristão que não compartilha com os pecados de seus colegas descrentes na escola, vai ser chamado de quadrado, bobo. O trabalhador fiel que evidencia sua fé cristã em seu ambiente de trabalho pode ser zombado e criticado por seus colegas de profissão que não conhecem a Cristo. Se esse tipo de coisa estiver acontecendo, é sinal de que você está sendo perseguido. Não se surpreenda nem se irrite com isso, mas lembre-se que Cristo, mais do que todos sofreu esse tipo de perseguição e, você, como seu discípulo está sujeito ao mesmo.
Calúnias e difamações: “Bem aventurados sois vós quando, mentindo, disserem todo mal contra vós”. A perseguição que se dá na vida do crente pode também se expressar por meio de acusações falsas que são levantadas contra ele. Jesus sofreu esse tipo de perseguição da parte de seus oponentes. Acusaram o Senhor de comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores (Mt. 11.19); afirmaram falsamente que Jesus expulsava demônios pelo espírito de Belzebu (Mt. 12.24). E se chamaram o dono da casa de Belzebu, quanto mais os membros de sua família, disse Jesus (Mt. 10.24). Se aconteceu ao Senhor, pode acontecer na vida dos seus servos. Vemos uma evidência muito forte desse tipo de perseguição na vida dos primeiros cristãos. Muitas acusações falsas foram levantadas contra os cristãos da igreja primitiva. Aqueles nossos irmãos, por causa de adorarem o único Deus e rejeitarem a idolatria do mundo pagão, foram acusados de ateus; aqueles irmãos, por terem Cristo como seu único Senhor e rejeitarem o culto ao imperador romano, foram acusados de anarquistas que desrespeitavam as autoridades; aqueles irmãos, que se reuniam para adorar a Deus, celebrar a ceia do Senhor e expressar a comunhão dos santos, foram acusados pelos incrédulos de se reunirem para cometerem toda sorte de imoralidade. A esse tipo de perseguição os crentes estão sujeitos. O mesmo pode se dá conosco, caso sejamos fiéis a Cristo. Não se surpreenda se falsas acusações forem lançadas contra você pelo fato de ser um crente fiel.
Perseguição física (prisões, açoites e morte): Em outra ocasião, quando Jesus deu uma série de instruções aos seus discípulos acerca da obra missionária deles no mundo, ele os assegurou que, por causa do seu nome, eles estariam sujeitos a prisões, açoites e até mesmo a morte (Mt. 10. 17-22). Esse tipo de perseguição foi muito comum em determinados momentos da história da igreja, como por exemplo, na era apostólica (perseguição dos judeus e romanos) e na época da reforma (perseguição da ICR). Nesses dois períodos, a confissão da fé cristã conforme a Bíblia era sinônimo de morte. Muitos servos e servas de Deus foram presos, torturados e mortos. Uns foram lançados às feras, outros enforcados, queimados em fogueiras e alguns decapitados. Era uma situação totalmente diferente da nossa realidade hoje aqui no Brasil. Pois é bem verdade que no contexto religioso atual do nosso país esse tipo de perseguição não é presente. Não temos nenhum relato de que alguém foi morto aqui no Brasil por ser um cristão. No entanto, devemos aprender algo com isso: 1) não devemos nos acomodar em nossa vida cristã pelo fato de não sermos perseguidos até a morte em nosso país. 2) devemos nos lembrar e orar por nossos irmãos que estão sendo perseguidos e mortos atualmente em países que rejeitam o cristianismo (Ex. Oriente Médio; Ásia); 3) devemos aprender com o exemplo de fé de nossos irmãos do passado e estar dispostos a sofrer qualquer tipo de perseguição, como eles estavam.
2. A Causa da Perseguição:
Jesus afirmou: “Bem aventurados os perseguidos”. Isso é uma verdade. Agora é verdade também o fato de que nem todos os perseguidos são bem aventurados. Ao longo da história humana, temos visto várias pessoas serem perseguidas por diversas causas. Muitos mártires já passaram por este mundo. “Pessoas que deram suas vidas por uma causa, para defender um país, seus direitos, um líder, uma idéia.” Por exemplo, alguém pode defender o comunismo, ou movimento sem terra e ser perseguido por isso. Mas isso não quer dizer que ele é bem aventurado. Bem aventurados, conforme o ensino de Jesus, são aqueles perseguidos por outra causa. Bem aventurados são aqueles que são perseguidos por uma causa religiosa, mas não é qualquer causa religiosa, mas a causa de Cristo.
É isso que Jesus diz: “Bem aventurados os perseguidos por causa da justiça… e, por minha causa (Cristo). Já aprendemos anteriormente, ao estudar a quarta bem aventurança (fome e sede de justiça), qual é o significado da palavra justiça no contexto das bem aventuranças. Com este termo, Jesus refere-se ao aspecto ético da vida cristã, caracterizado por uma vida de santidade e obediência aos mandamentos de Deus. A palavra justiça do verso 6 tem o mesmo sentido aqui no verso 10. Portanto, os crentes são perseguidos por causa de sua vida reta e de conformidade com a vontade de Deus.
Jesus também falou: “e por minha causa”. Ele quer dizer: “por causa do amor e da fé que vocês têm em mim”. Observe o seguinte: “por causa da justiça” e “por minha causa” são duas razões intimamente relacionadas. Pois, com que propósito, você persegue a justiça, uma vida reta e santa? Não é por um propósito qualquer, mas somente porque você ama a Cristo. Quem ama a Cristo, guarda os seus mandamentos, pratica a justiça. Então, a nossa obediência é expressão do amor que temos por Nosso Salvador, e a conseqüência disso é que seremos perseguidos.
Era de se esperar que aquele que chora pelo pecado, é manso, procura fazer as coisas certas, exerce a misericórdia, a paz e a honestidade entre as pessoas, fosse bem aceito no meio da sociedade em que vive. Mas o que é que acontece? Em vez de aceitação, perseguição. Por que é assim? A razão é que o caráter cristão estabelecido por Jesus é totalmente contrário ao padrão de vida do mundo incrédulo. Isso provoca uma tensão, uma inimizade entre o mundo e a igreja, entre o crente e o ímpio. O crente que demonstra caráter cristão denuncia o pecado do mundo e isso resulta em ódio da parte do mundo. Não pode ser diferente, pois o padrão de vida do mundo é totalmente oposto ao de Cristo. A vida cristã de um crente fiel é insuportável aos olhos dos ímpios que vivem em seus pecados e o resultado é perseguição. Se você procura imitar Cristo em sua vida, sofrerá a mesma reação de ódio que Cristo sofreu quando esteve aqui na terra. Jesus afirmou que o mundo nos odiará por sua causa: (ler João 15.18-20; cf. Mt. 10.22; 24.9). Denuncie o pecado do mundo com seus atos e palavras e verá qual é a conseqüência. Por exemplo, valorize o casamento e condene o adultério e o homossexualismo e muitos rirão de você; condene o suborno e valorize um trabalho justo e honesto, e também serás perseguido com os insultos e a zombaria do mundo. Valorize o dia do Senhor e o mundo dirá a você que isso é perca de tempo. Você está disposto a ser perseguido por causa da justiça e de Cristo?
Para aqueles que não querem ser perseguidos por causa da justiça e por amor a Cristo, existem meios de se evitar a perseguição. Aprove o padrão do mundo, conformando-se as suas idéias e costumes. Ria de suas piadas sujas, deleite-se nas suas novelas, programas e músicas imorais e serás bem aceito por todos; você jovem crente, viva conforme a liberdade dos jovens do mundo, faça o que eles fazem e não serás perseguido. Evitemos a fiel pregação do evangelho que denuncia o pecado e chama o pecador ao arrependimento e a fé em Jesus, e preguemos o que o mundo gosta de ouvir e ninguém vai zombar e criticar nossa igreja. Mas eu pergunto: Isso vale a pena? Existe algum proveito em deixar de ser perseguido por amor a Cristo? Não. Isso é uma atitude de covardia. Os covardes assumem o padrão do mundo para não serem perseguidos. Eles querem Cristo e o mundo, mas isso é impossível. Eles querem achar sua vida no mundo, mas com sua atitude acabam perdendo-a. A Bíblia diz que não há lugar para covardes no reino dos céus (Ap.21.8). Mas por outro lado, Jesus afirma: “Bem aventurados os perseguidos”… porque deles é o reino dos céus.
Você é chamado por Cristo a ser perseguido por amor a ele. Se você quer ser fiel a Deus, vai ser perseguido. Por isso, não evite a perseguição, mas esteja disposto a sofrê-la quando ela vier. Agora, existe um tipo de perseguição que devemos evitar: é aquela que é sofrida por escândalo ou pecado. Sobre isso Pedro diz: “Não sofra nenhum de vós como assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios” (I Pe.4.15). Esse tipo de perseguição é lamentável e vergonhoso e não traz nenhum benefício para quem o sofre. Por outro lado, existe uma perseguição gloriosa e que traz alegria e benção para quem a sofre: aquela que é sofrida por causa de nossa fidelidade a Cristo, conforme diz o apóstolo Pedro: “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês… Se você sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus com esse nome” (I Pe.4.14,16).
3. A atitude cristã diante da perseguição:
Que atitude o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos diante da perseguição por sua causa? Regozijai-vos e exultai-vos… (v.12). Ele está dizendo: “alegrem-se grandemente, saltem de alegria por estarem sofrendo por meu nome”. O que isso significa? Jesus está nos sugerindo a ficar sorrindo no meio do sofrimento? Ou a pular de alegria quando as pessoas nos insultam e zombam por causa da nossa fé nele? Não podemos ficar tristes diante da perseguição? Precisamos entender o seguinte: o que Jesus está nos sugerindo é que não fiquemos desesperados diante da perseguição, mas que tenhamos a plena certeza de que estamos sofrendo pela causa certa e que devemos nos alegrar por isso, pois isso resultará em uma grande benção para nós. Os primeiros discípulos que foram perseguidos por causa de Cristo expressaram essa alegria. Os apóstolos do Senhor, depois de terem sido presos e açoitados pelos líderes religiosos da época, “saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome” (At.5.41). A alegria de Paulo e Silas era tão grande na perseguição que eles cantavam louvores a Deus na prisão (At.16.25). Como explicar essa atitude de alegria dos discípulos de Cristo? Deus dá forças aos seus servos em tempos de perseguição. A alegria do crente na perseguição é resultado da graça do Espírito Santo que neles habita. Além disso, as promessas de Deus nos motivam a ser alegres na perseguição.
O crente se alegra na perseguição porque ele sabe que isso é uma bem aventurança na vida dele. Ele confia nas palavras de Cristo: “Bem aventurados (abençoados) os perseguidos por minha causa”. O Senhor não está nos encorajando a buscar perseguição, mas ele afirma que estamos sujeitos a ela e que somos verdadeiramente felizes se ela nos acontece. Qual a razão dessa bem aventurança? Por que devemos ser alegres na perseguição? O Senhor nos apresenta três razões:
“Porque deles é o reino dos céus”: Cristo promete o reino dos céus como uma herança para aqueles que são perseguidos por sua causa. Esse reino é caracterizado pelo domínio de Cristo sobre seu povo que, como herdeiro desse reino, tem a responsabilidade de viver conforme as exigências do Rei e também o privilégio de desfrutar das bênçãos desse reino. Observe que Jesus inicia e termina as bem aventuranças com a promessa da herança do reino. Essa é a promessa da primeira e última bem aventurança. As demais promessas das outras bem aventuranças são aspectos desse reino. Significa dizer que, os que são herdeiros do reino em Cristo, participam de todas as bênçãos que há nesse reino: consolo, herança da terra, satisfação da justiça, misericórdia, ver a Deus, ser filho de Deus. Quando você reconhece a grande benção de ser um herdeiro do reino de Deus tanto agora como no mundo porvir, não fugirá da perseguição nem se desesperará com ela, mas se alegrará em ser perseguido por causa da justiça que é conseqüência do seu amor por Cristo, pois ele te deu o seu reino como uma herança e ninguém podem tirar isso de você.
Porque é grande o vosso galardão nos céus: O Senhor promete uma grande recompensa para aqueles que sofrem por seu nome. O galardão do qual Jesus fala aqui é uma recompensa que ele dará a seus servos fiéis que foram perseguidos por seu nome. Essa recompensa é também um aspecto do reino dos céus. Os herdeiros do reino receberão galardão de Deus. Esse galardão que Deus nos promete não é resultado dos nossos próprios méritos, mas é fruto da graça do Generoso Deus para conosco. Por isso, não devemos nos orgulhar de nós mesmos, mas ser humildes em reconhecer que Deus é livre para abençoar e nós, seus servos que fizemos apenas o que devíamos fazer. Quando reconhecemos que nada merecemos de Deus, mas mesmo assim ele tem prazer em nos recompensar por nossa fidelidade, somos, então, motivados ainda mais a enfrentar as perseguições que nos sobrevêm com coragem e alegria, pois temos a certeza de que, pela graça de Deus, é grande o nosso galardão nos céus.
Porque assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós: Considerando o contexto no qual Jesus proferiu estas palavras, logo percebemos que ele tem em mente os fiéis profetas do SENHOR do Antigo Testamento. Profetas tais como Isaías, Jeremias, Elias, Amós e muitos outros profetas que foram perseguidos e até mortos pela causa de Deus. Ao falar dos profetas do AT aqui na oitava bem aventurança, Jesus tem o propósito de identificar seus discípulos e todos os cristãos com eles e, com isso, motivá-los a serem alegres na perseguição. Que alegria traz para nós o fato de sermos identificados com os profetas do Senhor? Devemos reconhecer que nós não somos os primeiros a serem perseguidos e muitos servos do Senhor sofreram piores perseguições do que nós no passado. 2) O fato de sermos identificados com os profetas indica que estamos na mesma posição deles: Perseguidos e, ao mesmo tempo, bem aventurados. Isso é motivo de alegria para nós, pois sabemos que os profetas que sofreram perseguição aqui na terra, já desfrutam do consolo eterno no céu com Cristo, e o mesmo também se dará conosco.
Conclusão:
Robert de Ryssel e seu filho, como também os demais servos de Deus que foram perseguidos no passado até à morte, expressaram alegria e coragem em meio à perseguição. Eles perderam bens, reputação, e até mesmo a vida por amor a Cristo. No entanto, isso não foi motivo de tristeza e desespero para eles, pois tinham a plena certeza de que, perdendo a vida por amor a Cristo, estavam de fato encontrando-a por toda a eternidade. O mundo pode nos perseguir duramente, mas não pode tirar nossa alegria e fé que vem do Senhor, nem tampouco pode desfazer a promessa de Deus de que viveremos com ele em eterna alegria e felicidade na glória por vir.
Alem disso, é absolutamente certo de que Deus, assim como recompensará seus servos fiéis com a vida eterna, também recompensará com um castigo justo e eterno àqueles que se rebelaram contra ele e perseguiram cruel e injustamente a sua igreja aqui na terra. Os que foram perseguidos clamam por justiça diante de Deus. E vai chegar o dia da vingança do Altíssimo, quando ele retribuirá a cada um segundo as suas obras. Desse dia em diante, os ímpios sofrerão eternamente, enquanto que os santos louvarão a Deus para sempre por sua justiça e bondade (Ap.11.17,18)...

BISPO/JUIZ. MESTRE DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

DEUS VAI TIRAR A AMARGURA DE TEU CORAÇÃO...


                                    DEUS VAI TIRAR A AMARGURA DE TEU CORAÇÃO...
Ex 15:22-25: “Depois fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur; e andaram três dias no deserto, e não acharam água. Então chegaram a Mara; mas não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas; por isso chamou-se o seu nome Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? E ele clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces: ali lhes deu estatutos e uma ordenação, e ali os provou.”
Aspectos históricos
O texto lido fala de um momento muito especial para o povo de Israel. Como nós sabemos, o povo estava em uma trajetória, uma caminhada em direção à Terra Prometida.
Deus tirou o seu povo da escravidão do Egito com mão forte, e eles deixaram para trás o domínio de Faraó, partindo a caminho de Canaã.
Na saída do Egito, tiveram que transpor o Mar Vermelho vivendo uma grande experiência com o poder de Deus, e a partir daí seguiram em suas jornadas chegando até Mara.
A palavra de Deus nos diz que a trajeto de Hairote até Mara foi caminho de três dias, aonde o povo chegou cansado, sedento, só que as fontes de águas de Mara eram amargas e eles não podiam beber daquela água, não podiam se dessedentar, e o povo murmurou contra Moisés.
Moisés, ouvindo a murmuração do povo, clama ao Senhor, e Deus, da sua eternidade, orienta a Moisés para que ele tomasse um lenho de madeira e lançasse nas águas, e assim ele o fez, e as águas antes amargosas se tornaram doces e Israel agora poderia dessedentar-se.
Aspectos proféticos
Nós bem sabemos que há um paralelo perfeito entre a caminhada do povo de Israel até a Terra Prometida com a trajetória da Igreja, que caminha em um deserto (o mundo em qual vivemos) em direção a Terra Prometida (Eternidade).
Da mesma forma que Israel passou por dificuldades, foi provado, passou por momentos difíceis e contaram com o recurso de Deus para a vitória, nós também (a Igreja) passamos em alguns momentos, por situações difíceis, mas sabendo sempre que podemos contar com o recurso de Deus (Jesus) para vencer as nossas lutas.
O caminho de três dias nos fala profeticamente da morte e ressurreição do Senhor Jesus, a palavra do Senhor relata que justamente ao terceiro dia, quando o povo precisava saciar sua sede, precisava do descanso para continuar a caminhada, o Senhor orienta a Moisés que tomasse o lenho e jogasse sobre as águas, transformando a água amarga em doce, uma representação profética extraordinária que aponta justamente a amargura do pecado do homem que estava sobre Jesus quando tomou o nosso lugar na cruz do calvário, levando sobre si a amargura da morte, tão bem descrita pelo profeta Isaías, no capítulo 53, verso 4, quando diz que:
“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.”
No verso 25 a Palavra nos diz que o Senhor mostrou a Moisés o lenho que seria usado para transformar a água amarga (morte) em doce (vida), mostrando a participação da Trindade no Projeto de Salvação, ou seja, o Pai, na Eternidade, orienta a Moisés (Espírito Santo) para que usasse o recurso que Deus preparou, ou seja, o lenho, que é  a figura de Jesus Cristo homem (o Filho).
O lenho não tinha valor algum aos olhos da razão humana, era desprezível, mas trazia consigo um valor extraordinário quando olhamos para o aspecto profético bem descrito pelo Profeta Isaías, no verso 2, do capítulo 53:
“… como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.”
Era a figura profética do Senhor Jesus, que quando lançado nas águas transforma as águas amargas (morte) em águas doces (vida).
Nos dias de hoje
Nos dias de hoje, às vezes, na nossa trajetória, nos encontramos diante desse mesmo quadro, as águas se tornam amargas (lutas, provas, insegurança), impróprias para beber, mas Deus tem um propósito de dessedentar a nossa alma, mas ela não vai ser dessedentada pelas águas amargas, e, sim, quando o Espírito Santo nos revela Jesus como a solução para a nossa alma, o Jesus que tomou sobre si a amargura dos nossos pecados.
Estamos no início de mais um ano, um novo ano que se descortina para nós, naturalmente trazemos conosco, as nossas expectativas, os nossos anseios, os nossos desejos, eles estão patentes diante de nós, muitas vezes teremos de passar por águas amargas, mas não podemos esquecer que o recurso de Deus para Israel foi aquele lenho que transformou as águas amargas de Mara em águas doces e o recurso para nós como Igreja é a mesma experiência, é Jesus revelado, que o Pai revela a nós por meio do Espírito Santo.”
Nós vivemos esse momento profético, marcado por grandes conflitos, onde muitas vezes as águas se tornam amargas, as lutas do homem, os lares, as famílias, a situação adversa que é desenhada neste momento da vida do homem, mas Jesus continua sendo a solução de Deus para o homem, pois é Ele que transforma a morte em vida, as águas amargas em águas doces, que transforma o interior do homem, que dessedenta o interior do homem, porque o homem traz consigo um grande mistério que é a sua alma, alma que anseia por esse Deus que se revela, como diz o Rei Davi.
“A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo…” Sl 42:2
É justamente neste momento que vivemos, momento profético de grande amargura, de grandes aflições, de grandes expectativas, que Jesus quer se revelar ao seu coração como a solução para a sua alma, transformando aquilo que está amargo em doce...

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE

terça-feira, 1 de abril de 2014

O QUE REALMENTE É 666...


                                                    O QUE REALMENTE É 666...
(Apocalipse 13:1-10)
No capítulo 13, conhecemos os dois principais aliados do dragão. No estudo deste capítulo (esta lição e a próxima), devemos lembrar que a mensagem foi revelada aos cristãos do primeiro século, especificamente aos discípulos na Ásia que viviam sob o domínio romano. Ligando esta personagem com as profecias de Daniel, podemos ver o poder do governo romano para perseguir os santos. Na identificação desta besta e dos demais aliados, percebemos que o poder do diabo contra os cristãos que receberam o Apocalipse foi exercido por meio de forças humanas.
13:1 – Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia.
Vi emergir do mar: O mar, aqui, traz o mesmo significado de várias passagens do Velho Testamento. Ele representa as nações ou a sociedade humana. Em Salmo 65:7, o “rugir dos mares” é igual ao “tumulto das gentes”. Outras passagens usam a mesma linguagem: “Ai do bramido dos grandes povos que bramam como bramam os mares, e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas águas!” (Isaías 17:12). “Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo” (Isaías 57:20). “...a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas das nações virão a ter contigo” (Isaías 60:5). Jeremias falou do castigo da Babilônia, o poder imperial de sua época que dependia das nações que ela dominava: “Ó tu que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros! Chegou o teu fim, a medida da tua avareza” (Jeremias 51:13). Quando povos sujeitos se rebelaram contra o império, a Babilônia foi inundada pelo mar: “Como se tornou Babilônia objeto de espanto entre as nações! O mar é vindo sobre Babilônia, coberta está com o tumulto das suas ondas.... porque o SENHOR destrói Babilônia e faz perecer nela a sua grande voz; bramarão as ondas do inimigo como muitas águas, ouvir-se-á o tumulto da sua voz” (Jeremias 51:41-42,55). Esta besta surge do mar. Ela acha sua base de poder nas nações, na sociedade dos ímpios. Observe o contraste entre este servo do diabo que sobe do mar, e o anjo forte de Deus que desceu do céu e ficou em pé sobre a terra e o mar (10:1-2).
Esse entendimento é apoiado pelo trecho do Antigo Testamento mais importante na interpretação da besta do mar – Daniel 7. A visão de Daniel começa com esta descrição: “Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande. Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar” (Daniel 7:2-3). Veremos mais sobre os quatro animais nos comentários sobre os próximos versículos. Por enquanto, precisamos observar que o mar, mais uma vez, representa as nações ou os povos, especialmente o mundo dos ímpios.
Uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças: O significado dos chifres e das cabeças será explicado em mais detalhes no capítulo 17. Podemos ver a força ou o poder da besta nos chifres, e a sua inteligência ou astúcia nas cabeças. Nesta descrição, já notamos a semelhança da besta com o dragão (12:3). O poder desta besta depende do diabo, o Adversário do povo de Deus.
Sobre os chifres, dez diademas: O dragão tem diademas sobre as sete cabeças. A besta tem diademas sobre os chifres, que serão identificados como reis que reinariam com a besta por pouco tempo (17:12).
Sobre as cabeças, nomes de blasfêmia: A besta é inimiga de Deus e do povo do Senhor. Exalta-se contra Deus com arrogância, mostrando nomes de blasfêmia e irreverência. Como as cabeças serão identificadas como reis (17:9), entendemos a arrogância de reis que se exaltam contra Deus, até aceitando a adoração como deuses. Veremos neste e nos próximos capítulos mais evidências que estes reis sejam imperadores romanos.
13:2 – A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade.
A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão: Este versículo ajuda a entender a aplicação principal do livro para os leitores originais. Esta descrição da besta do mar tem uma forte ligação, obviamente, com Daniel 7. Antes de continuar aqui, voltemos a observar alguns fatos importantes nessa profecia de Daniel, uma visão que o profeta teve no sexto século a.C., perto do final do império babilônico. Como na profecia anterior relatada em Daniel 2, esta falou de quatro reinos. Três destes reinos são identificados por nome em Daniel (comparando capítulos 2, 7 e 8): Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia. O quarto reino não é chamado por seu nome, mas os outros detalhes das profecias e da história nos levam a conclusão de que seja Roma.
Daniel viu quatro animais subirem do mar. Entre outras características, ele descreveu traços de leão, urso, leopardo e um animal diferente, terrível e feroz com 10 chifres. Os quatro animais se levantaram numa sucessão, representando os quatro impérios já citados.
Eu acredito que Daniel e João viram os mesmos monstros, mas de pontos de vista bem diferentes. Quando João teve sua visão, a boa parte da mensagem de Daniel já havia sido cumprida. Os primeiros três reinos já haviam caído, e o quarto, Roma, dominava o mundo. Da perspectiva de João, uma única besta tinha características de todos os animais que Daniel viu mais de 600 anos antes. É como se o urso tivesse devorado o leão, assim incorporando alguns traços deste. Quando o leopardo devorou o urso, assumiu algumas características dos dois. Por último, o animal terrível e diferente devorou o leopardo, e passou a refletir algumas qualidades de todos os predecessores. Daniel viu os quatro animais como indivíduos. Ele disse que perderiam o seu domínio, mas que ainda viveriam por algum tempo (Daniel 7:12). João viu uma só besta com algumas características dos impérios anteriores. Continuam vivos porque fazem parte do quarto. Assim, João cita os mesmos animais do mais recente (o reino atual quando ele escreveu) ao mais antigo.
Daniel profetizou sobre os quatro reinos, mas enfatizou o estabelecimento do domínio do Senhor na época do quarto. Disse que o quarto reino, e especificamente o seu décimo rei, seria um reino blasfemador que perseguiria os santos “por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo”, antes da vitória total dos “santos do Altíssimo” (Daniel 7:23-27).
A mensagem de João nos próximos capítulos é uma atualização e ampliação da profecia de Daniel. Ele não precisa falar sobre os primeiros três reinos, pois já passaram. Ele escreveu aos santos que viviam na época do quarto animal, a besta do mar, o império romano. Os cristãos que receberam o Apocalipse veriam logo o décimo rei se levantar contra os fiéis. Eles precisavam do consolo de saber que a profecia de Daniel não havia falhado, e que a vitória final viria logo depois da angústia iminente.
E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade: Há uma ligação fundamental entre o poder do império romano e o diabo. O poder do grande e irreverente perseguidor na terra vem de Satanás. O governo romano se tornou um instrumento na mão do dragão quando este foi pelejar com os descendentes da mulher (12:17). Nos aspectos espirituais de sua batalha, ele teve o apoio de seus gafanhotos e anjos. Na batalha terrestre, ele conta com o apoio do poder governante, o próprio império romano. Em qualquer situação, ele age na esfera limitada pelo domínio absoluto de Deus.
13:3 – Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta;
Vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada: As cabeças são reis (17:9). Um dos reis foi golpeado de morte. Este golpe mortal atinge a besta (13:12) e seu poder de perseguir e destruir os santos. Considerando as cabeças como reis da besta ou império perseguidor, a morte de uma cabeça seria o fim da perseguição daquele rei, talvez pela morte do próprio imperador. Quando surgir um outro rei perseguidor, seria como a cura da ferida da besta. Como já comentamos que esta visão é explicada melhor no capítulo 17, veremos que cinco reis já caíram, e que João escreveu antes de emergir um oitavo rei “que procede dos sete” (17:11). A força perseguidora diminuiu, temporariamente, mas ainda surgiria com grande intensidade, como se fosse a ressurreição da cabeça opressora.
E toda a terra se maravilhou, seguindo a besta: Demonstrações de poder ganham a admiração do mundo. As pessoas podem ser persuadidas pela autoridade de líderes, governos, etc., ou podem simplesmente seguir por intimidação, por causa do medo do poder dos dominadores. O poder de realmente ressuscitar os mortos pertence a Deus, não ao diabo. Mas, ele pode enganar pessoas “com todo poder, e sinais, e prodígios de mentira” (2 Tessalonicenses 2:9-10). Neste caso, não precisa ressuscitar uma pessoa; ele apenas dá nova vida à causa do governo maligno na perseguição dos santos. O mundo acha que a besta ganhará, e se maravilha. Foi isso que aconteceu no intervalo antes da sétima trombeta. A besta mostrou seu poder e o mundo participou da festa. Infelizmente para eles, a festa não durou (11:7-13).
13:4 – e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela?
E adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta: Para o mundo, demonstrações de poder são provas do favor de um deus e, por isso, motivos para louvá-lo (Juízes 16:23-24). Qualquer vitória pode ser interpretada como evidência da impotência do “deus” do inimigo (Isaías 36:18-20). A besta recebeu seu poder do dragão, até dando nova vida ao poder perseguidor. O mundo admira tal poder e adora o dragão.
Também adoraram a besta: A própria besta, o governo romano, recebe a adoração do povo.
Quem é semelhante à besta?: Que blasfêmia! O salmista disse ao Senhor: “Ora, a tua justiça, ó Deus, se eleva até aos céus. Grandes coisas tem feito, ó Deus; quem é semelhante a ti?” (Salmo 71:19). São palavras de exaltação devidamente oferecidas a Deus. Mas as mesmas palavras, aplicadas à besta, são blasfêmia inegável.
O contraste nos conflitos no Apocalipse é claro. Na batalha no céu, o exército dos fiéis é liderado por Miguel, cujo nome quer dizer “Quem é semelhante a Deus?” (12:7). Mas os povos do mundo, tão impressionados com o poder imperial, negam o poder de Deus e perguntam: “Quem é semelhante à besta?”.
Quem pode pelejar contra ela?: Para os cristãos que receberam este livro, a resposta seria fácil. A besta recebe seu poder do dragão, e o dragão foi claramente derrotado nas batalhas do capítulo 12. Os vencedores daquele capítulo podem não somente pelejar, mas certamente podem vencer!
Mas os povos que admiram a besta não enxergam a luz da revelação dada aos servos do Senhor. Para eles, não há poder superior ao do diabo. Suas palavras arrogantes são um desafio que será respondido nos próximos capítulos, da mesma maneira que o desafio de Rabsaqué foi respondido pelo poder de Deus (2 Reis 18-19).
13:5 – Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses;
Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias: Novamente, o texto mostra a arrogância da besta. Ela tem nomes de blasfêmia nas cabeças (13:1) e recebe a adoração dos povos (13:4). Aqui, ela tem condições de se exaltar e de falar blasfêmias.
E autoridade para agir quarenta e dois meses: A imagem da besta é assustadora. O poder dela é tão grande que a terra toda vai atrás, dando-lhe honra. O mundo pode ser enganado, mas os leitores do Apocalipse sabem que o poder dela é limitado pelo mesmo Senhor que já venceu o dragão. Ela terá autoridade para agir por um tempo limitado (42 meses – veja 11:2).
13:6 – e abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu.
E abriu a boca em blasfêmias contra Deus: A ousadia da besta não tem limites. Ela abre a boca para falar contra o próprio Senhor. O décimo primeiro rei de Daniel 7:24-25 faria isso. Vamos ver ainda a relação entre aquele rei e a besta do mar.
Para lhe difamar o nome: O nome representa a pessoa. O nome de Jesus salva no sentido que o próprio Jesus salva (Atos 4:12; 13:23). Difamar o nome de Deus é atacar o próprio Senhor.
E difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu: Difama, também, o povo de Deus. O tabernáculo aqui não é uma estrutura material (nem o tabernáculo, nem o templo). É o povo de Deus, os que habitam no céu. [Veja o comentário ao lado sobre os que habitam no céu e os que habitam na terra.]
13:7 – Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação;
Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse: Já tivemos uma previsão disso no vislumbre do trabalho da besta em 11:7. Ainda teremos descrições mais completas destas pelejas nos próximos capítulos. Aqui o comentário é rápido. A besta luta contra os santos e é vitoriosa. Da mesma maneira que o capítulo 11 nos avisou do ataque e até da vitória da besta, o mesmo capítulo nos assegura que a história não termina aqui. A besta vence. . . Por enquanto!
Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação: Como sempre, a autoridade do diabo e dos seus servos é limitada pelo poder superior de Deus. A besta recebeu permissão para dominar os povos ímpios. Mas a autoridade da besta, como a do próprio dragão, é definida pelo Soberano Deus (Daniel 4:32).
13:8 – e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.
E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra: Quando a besta matou as duas testemunhas, os povos fizeram sua festa de vitória (11:7-10). Aqui ela se pôs contra Deus e contra o povo do Senhor, e o mundo dá louvor à besta.
Aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida: Como observamos acima, os habitantes da terra, aqui, são os ímpios. O contraste entre esta categoria e “os que habitam no céu” é evidente. Sobre o significado do “Livro da Vida”, veja os comentários em 3:5.
Do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo: A besta pode exercer autoridade sobre tribos, povos e nações. Ela pode ser adorada pelos ímpios. Pode pelejar contra os santos e os vencer. Mas o Livro da Vida está no poder do Cordeiro (veja comentário sobre o Cordeiro em 5:6). Como foi frisado na visão das duas testemunhas no intervalo no capítulo 11, o poder do diabo e de seus aliados não vai além da morte. Podem pelejar, vencer e matar. Mas o Livro da Vida e o poder para garantir a ressurreição e a vida eterna pertencem exclusivamente ao Senhor. O Cordeiro tira pecados e salva os fiéis das consequências do pecado. Ele foi morto, conforme o plano eterno de Deus (Efésios 1:3-8), para a salvação dos homens. Ele foi morto, mas está vivo (1:18; 5:6). Mostrou seu poder sobre a morte e garante a vida eterna aos santos fiéis.
13:9 – Se alguém tem ouvidos, ouça.
Se alguém tem ouvidos, ouça: Preste atenção. É importante! Esta frase aparece oito vezes no livro – em cada uma das cartas às sete igrejas e aqui. Sempre tem o propósito de chamar atenção à mensagem do Senhor, e incentivar os ouvintes a tomarem a decisão certa em resposta à palavra. O versículo que segue contém uma mensagem que oferece consolo para os santos, conforme a conduta deles. É importante prestar atenção.
13:10 – Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada. Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos.
Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada: Há diversas interpretações deste versículo, mas parece mais provável que o Senhor esteja falando aqui sobre os perseguidores – aqueles que prendem ou até matam os santos. Entendido desta maneira, seria uma promessa de vingança contra os opressores. Aqueles que levam os outros ao cativeiro ou que usam a espada para matar, sofrerão os mesmos castigos. Quando a besta se levantou no capítulo 11 para matar as duas testemunhas, a sua vitória durou pouco tempo e a cena se encerra com o sofrimento dos inimigos que se regozijavam com a morte dos servos fiéis. Aqui, também, a besta se levanta para pelejar contra os santos, e conta com a ajuda dos ímpios. Mas quem participar desta perseguição, prendendo e matando os santos, enfrentará a vingança justa.
Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos: A promessa da justiça divina traz conforto aos fiéis. Em termos gerais, os fiéis são perturbados pela injustiça do mundo, e aguardam o dia de acerto quando a justiça de Deus prevalecerá. Assim Ló achou livramento na destruição de Sodoma (2 Pedro 2:7), e as águas do dilúvio serviam de instrumento de salvação para Noé (1 Pedro 3:20). Homens justos, no Velho Testamento, pediam a justiça de Deus sobre os ímpios: “Até quando, SENHOR, ficarás olhando? Livra-me a alma das violências deles...” (Salmo 35:17); “Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará? Acaso, blasfemará o inimigo incessantemente o teu nome?” (Salmo 74:10); “Até quando, SENHOR, os perversos, até quando exultarão os perversos? ... Esmagam o teu povo, SENHOR, e oprimem a tua herança” (Salmo 94:3-5); “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” (Habacuque 1:2). Veja outros exemplos em Salmos 6:3-8,10; 13:1-6. Esta mesma preocupação estava nas mentes dos servos de Deus no Apocalipse: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (6:10). As promessas no Apocalipse de sofrimento por tempo limitado seguido por vitória total servem para confortar os santos e ajudá-los a perseverarem. A besta emergirá do mar, mas a vitória é dos servos do Senhor.
Conclusão
O diabo não desiste. Depois da série de derrotas no capítulo 12, ele esperou na praia para a chegada da besta do mar, um dos aliados dele. Quando ouviram a descrição da besta do mar, os conhecedores do Velho Testamento perceberiam a gravidade de sua situação. O dragão conta com o apoio de uma besta que junta toda a maldade e ferocidade dos impérios dos últimos seis séculos! O mundo pode ser enganado, achando a besta invencível e incomparável. Mas os fiéis sabem que ela não se compara a Deus, e acham consolo na confiança da vitória final sobre a besta, sobre o dragão e sobre quaisquer outros aliados deles. “Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos...”

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE