DRACMA PERDIDO, REGATANDO
VALORES...
Lucas 15: 8-10: “Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se
perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até
encontrá-la? 9 E, tendo-a achado, reúne
as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu
tinha perdido. 10 Eu vos afirmo que, de
igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se
arrepende.”
1) Introdução
Alguém já disse que “a beleza de uma casa não está na cor das
paredes, no arranjo sobre as mesas, na disposição dos móveis. A beleza de uma
casa está nas pessoas que moram nela.”
Os maiores tesouros que temos estão dentro da nossa própria
casa. As maiores alegrias que temos estão dentro da nossa casa. Às vezes,
inúmeras pessoas buscam a felicidade em tantas outras coisas (trabalho,
dinheiro, títulos, etc.) e negligenciam o convívio familiar. Entretanto, aquele
que não é feliz em casa não poderá ser feliz em lugar nenhum.
Definitivamente, as maiores alegrias que alguém pode
experimentar estão dentro do seu próprio lar. Isso se deve porque os maiores
tesouros que temos estão dentro de casa – nossa família.
Não só grandes alegrias podem ser experimentadas dentro, como
também as dores mais agudas. Os maiores sofrimentos que temos podem ocorrer no
seio familiar. Exemplos disso são as perdas que sofremos em nossa família. A
perda de um filho, a perda do marido, a perda do pai ou mãe e mesmo a perda de
um ente familiar querido. Não há nada que produza mais sofrimento à alma humana
do que dores que tem sua origem na família.
O texto em questão fala sobre uma perda. Jesus conta uma
parábola cuja protagonista é uma mulher. A trama que envolve a história gira em
torno de uma dracma perdida. O texto afirma que ela tinha dez dracmas e, por
descuido, perdeu um deles. A dracma era uma moeda muito preciosa nos dias de
Jesus. Entretanto, o dracma tinha mais que um valor monetário. Alguns
comentaristas afirmam que o conjunto de dez dracmas formavam um colar que
simbolizava o compromisso da mulher com seu cônjuge. Assim, dez dracmas eram o
símbolo visível de uma aliança invisível e eterna. Portanto, havia um valor
sentimental, espiritual e familiar. Por isso, o texto discorre a preocupação da
mulher ao perder uma única dracma, mesmo ainda tendo outras nove.
Outro fato importantíssimo a ser destacado diz respeito ao local
onde aconteceu a perda. A Bíblia afirma que a mulher perdeu a dracma dentro de
sua própria casa. Não foi na rua nem nos arredores. Trata-se de uma perda
dentro de casa. Alguns psicólogos ensinam que algumas perdas tem a forte
tendência de nos paralisar. Muitas pessoas ficam simplesmente estáticas. Não
sabem o que fazer. Não vêem saídas. Entretanto, o texto afirma que essa mulher
teve outra postura. Ela não ficou paralisada e nem mesmo deu lugar ao
desespero. Essa mulher torna-se um paradigma para nós que desejamos achar
tesouros perdidos dentro de nossas próprias casas.
2) Esta parábola chama a
nossa atenção para a necessidade de procurarmos os dracmas que estão perdidos
em nossas casas. Meu irmão, qual tesouro você perdeu dentro da sua casa?
O respeito dos filhos, o carinho do cônjuge, a fidelidade
conjugal, Fidelidade ao SENHOR, o diálogo, a vida devocional, o prazer pela
casa de Deus, o prazer pela oração e leitura da Palavra, ou o fervor espiritual são alguns exemplos de
dracmas que podem estar perdidos em nossas casas.
Certa vez uma irmã testemunhou: “Eu ganhei muitas pessoas para
Jesus, mas me sinto frustrada porque não
ganhei meus próprios filhos”. Talvez você se sinta assim também. Já ganhou
muitas pessoas, menos a sua própria família. Talvez você já tenha orado muito
por ela, e agora já se sente desanimado, perdeu a dracma do animo e da
determinação de lutar pela salvação de sua família.
Ilustração. Em certa família os pais trabalhavam fora. Durante
todo o dia os dois filhos deste casal ficavam em uma creche. No fim do dia,
pais e filhos voltavam para casa. A noite, o pai gostava de assistir TV, a mãe
ficava envolvida com a organização da casa e do jantar, o filho mais velho ia
jogar vídeo game, o outro, usar a internet. Eu pergunto: Qual o tempo que esta
família tinha para a comunhão e o diálogo? Nenhum. Em muitas famílias, esse
dracma precisa ser reencontrado.
3) Na parábola que
lemos, aprendemos com a mulher que
precisamos de três atitudes para recuperar os dracmas que estão perdidos em
nossas famílias:
3.1 Buscar direção
O texto afirma que a primeira atitude dessa mulher quando notou
a ausência de uma dracma foi acender uma candeia. As casas na Palestina eram
escuras, sem luz e quase sem janelas. Ela, então, chega à conclusão de que é
impossível encontrar algo no escuro.
Se há algo perdido, precisamos buscar direção em:
a) Jesus. O próprio Cristo afirmou: “Eu sou a luz do mundo; quem
me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8:12).
Jesus é a luz que precisamos para recuperar aquilo que foi perdido. Apenas a
presença iluminadora de Jesus poderá nos dar uma direção clara. Acenda uma luz
na sua casa! Essa luz é Jesus. Peça o SENHOR para trazer luz onde há escuridão.
b) Palavra de Deus. O salmista percebeu que a Palavra de Deus é
poderosa para guiar nossos passos em segurança. Caminhar no escuro é difícil.
Por isso precisamos de luz, para que possamos pisar em lugares seguros. Assim,
ele conclui: “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e luz, para os meus
caminhos” (Sl 119:105). Nestes dias difíceis, teremos força e direção para
prosseguir através da palavra de Deus.
3.2 Esforço
O texto afirma que após acender uma candeia, a mulher logo
providenciou uma vassoura e passou a varrer a casa. Sua atitude desencadeou num
grande esforço. Levantou a poeira que estava posta sobre sua residência. Tirou
os móveis do lugar. Agachou-se para procurar.
É possível perceber que essa mulher realizou uma verdadeira
faxina em sua casa. Isso nos ensina que devemos nos esforçar grandemente na
busca daquilo que foi perdido. Thomas Edson disse que “a fórmula do sucesso é
90% de transpiração e apenas 10% de inspiração”. Se você deseja vencer, deve
estar disposto a suar a camisa.
Há uma tendência humana em fugir de problemas. Constantemente
evitamos tratar de determinados assuntos, porque para elucidá-los será
necessário lançar mão de grandes esforços. Contudo, não podemos empurrar a
sujeira para debaixo do tapete. Devemos nos esforçar grandemente com o intuito
de resgatar as perdas que sofremos.
3.3 Busca diligente
O evangelista Lucas diz que a mulher “procurou diligentemente
até encontrar” o dracma.
É possível destacar três fatores que a influenciaram para que
ela fosse bem sucedida na sua busca:
a) Busca incansável. Ela não descansou enquanto não achou a
dracma. Ela não mediu esforços para alcançar o seu objetivo. Lançou mão de
todos os meios e recursos que estavam à sua disposição.
b) Busca meticulosa. Ela buscou em todos os cômodos da casa,
observando cuidadosamente cada parte.
c) Busca perseverante. Ela só parou quando encontrou aquilo que
procurava. Só uma coisa parou essa mulher: a vitória. Ela não desistiu enquanto
não a alcançou. A palavra perseverança pode ser definida assim: “continuar
sempre e nunca desistir”.
Precisamos ser incansáveis, meticulosos e perseverantes em
encontrar os dracmas que foram perdidos em nossa família.
4) Conclusão
Essa parábola está inserida num contexto muito particular do
discurso de Jesus. Neste contexto, Jesus conta três parábolas: a parábola da
ovelha perdida, a da dracma, e a do filho pródigo, cujo objetivo é o mesmo:
destacar o amor de Deus pelo pecador perdido. Na primeira parábola uma ovelha
está perdida. Na segunda parábola uma dracma está perdida. Na terceira parábola
um filho está perdido. Em todas as parábolas acontece o reencontro. O pastor
deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da única ovelha que havia se
perdido. A mulher não leva em conta que ainda tinha nove dracmas, mas busca
incansavelmente a única dracma que havia se perdido. E o pai, embora ainda
tivesse o filho primogênito dentro de casa, não descansou enquanto seu outro
filho voltasse para casa.
Nos três histórias acontece uma grande festa. Há uma festa
porque algo precioso foi encontrado. Estas parábolas nos mostram que Deus em
seu amor não mede esforços para ir ao encontro do pecador perdido.
Nesse sentido, o próprio Deus tornou-se modelo para nós. Se desejamos reencontrar tesouros perdidos
dentro da nossa própria família, então, devemos buscar direção, esforçar-nos e
buscar diligentemente, porque é assim que Deus faz em relação ao pecador.
Qual tesouro você perdeu dentro da sua casa? Comunhão dialoga,
paz,
Você precisa identificar qual dracma você perdeu. E, assim que
identificar, iniciar a busca por ele. Nada é mais urgente do que restaurar as
bases da nossa casa.
Sua família é o maior patrimônio que você possui. Bens, diplomas
e sucesso profissional perdem o
significado para você sem a felicidade de sua família.
Na verdade, nenhum sucesso compensa o fracasso da sua família.
Não podemos construir nossa felicidade sobre os escombros da nossa família.
Há pessoas que querem alcançar o sucesso por meio de voos
solitários, fazendo carreira solo, deixando para trás a família, Igreja, e
amigos. É por este motivo que há muitas famílias doentes e feridas. Há muitas
famílias precisando de cura e restauração, porque foram colocadas em segundo
plano.
Mas, lembremos que Deus ama a família, pois a instituiu. Deus
não abre mão da família, pois esta é uma agência do seu Reino na terra. Josué,
o grande líder que substituiu Moisés e introduziu o povo de Israel na terra da
promessa, deu testemunho diante de toda a nação que ele e sua casa serviriam ao
Senhor (Js 24.15). A essas alturas, Josué tinha prestígio e bens, sucesso e
fama, mas nenhuma conquista pessoal diminuiu seu propósito de consagrar sua
família a Deus.
Sei que muitos aqui estão em busca de sucesso na vida
profissional. Outros tem feito um grande Investimento na formação intelectual
dos seus filhos, para que sejam vencedores. Todos nós neste mundo, precisamos
batalhar muito para ter uma vida material mais tranquila no futuro.
Embora, essas iniciativas sejam legítimas, nada disso nos
aproveitará se descuidarmos do principal, que é colocar nossa família no altar
de Deus para o servirmos com alegria e fervor, nos esforçando diligentemente
para encontrar os dracmas que estão perdidos em nossas casas...
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião
Dr. Edson Cavalcante.
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