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domingo, 13 de julho de 2014

DEIXAI VIM A MIM AS CRIANCINHAS...


                                             DEIXAI VIM A MIM AS CRIANCINHAS...
Três atitudes chamam a atenção logo no início do texto: iniciativa de levar as crianças a Jesus (v. 13 “então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse”) – o texto não explicita quem levou a Jesus estas crianças, mas evidencia desde já que não haverá encontro das crianças com Jesus sem uma iniciativa clara, concreta, objetiva dos adultos promovendo este encontro; resistência dos discípulos em permitir o contato das crianças com Jesus (v. 13 “mas os discípulos os repreendiam”) – os discípulos que estavam sendo treinados para serem canais de aproximação viveram o papel oposto de canais de separação;  a indignação de Jesus diante da atitude dos discípulos (v. 14 “... Jesus, porém, vendo isto, indignou-se...”) – Jesus tem “indignação” com a postura errônea dos discípulos, uma profunda insatisfação que imediatamente se transformou numa repreensão firme e sábia, na qual Ele os ensinou e ensina nós também hoje a ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A SUA GRAÇA.....
 I – ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A GRAÇA É UMA PRIORIDADE DETERMINADA POR JESUS (v. 14”... Deixai vir a mim os pequeninos...”)
Jesus tinha uma visão voltada para a família, tanto é que Seu primeiro milagre foi realizado numa festa de casamento. No texto anterior, 10:2-12, Marcos nos informa que Ele ensinou sobre a importância de preservar o casamento como um instrumento de sustentação e aperfeiçoamento da família. E família para Jesus não eram apenas os adultos, jovens ou adolescentes, mas também as crianças. Sua grande chamada - “vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11:28) – era feita também para as crianças. Jesus, sabiamente, sabia que se alcançasse as crianças com Sua maravilhosa graça, transformaria toda a história de vida delas. Por isso deixou aos discípulos Sua prioridade missionária bem delineada: “deixem vir a mim os pequeninos” (v. 13)
II – ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A GRAÇA ENVOLVE UMA POSTURA FACILITADORA (v. 14 “... Não os embaraceis...”)
Os discípulos não podiam alegar ignorância quanto ao projeto de Jesus para as crianças. Segundo Marcos (ver 9:36-37), antes deste episódio de nosso estudo, Ele mesmo lhes trouxe uma criança, colocou-a nos seus braços e com elas nos braços lhes disse: “qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou”. Mas, apesar disto, eles estavam profundamente indiferentes quanto ao dever de serem facilitadores do contato das crianças com Jesus. Aqui está um grande paradoxo: os pais e discípulos, pessoas  separadas por Deus para conectarem as crianças com Jesus,  são muitas vezes os que “criam embaraços” = impecilhos, obstáculos, barreiras, dificuldades para que elas experimentem da graça de Jesus.
Quando é que somos embaraços para que as crianças cheguem a Jesus?
Quando achamos que Jesus não tem interesse por elas – no começo do capítulo (10:1) Jesus estava atendendo multidões, mas Ele, apesar das grandes demandas ministeriais, arrumou tempo para atender as crianças. Criança tem lugar permanente no coração gracioso de Jesus!
Quando não lhes comunicamos que Jesus salva – crianças não irão a Jesus se não ouvirem falar de Jesus, se não forem responsavelmente e permanentemente evangelizadas. Pv 22:6 diz – “ensina a criança no caminho em  que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará deles” – o caminho que as crianças devem andar é Jesus (Jo 14:6) e elas não andarão nele automaticamente, precisam ser ensinadas. Quando não conduzimos as crianças até às oportunidades comunitárias de encontro com Jesus – a igreja oferece oportunidades para as crianças nos cultos, pequenos grupos e ocasiões especiais, mas elas jamais irão sozinhas, precisam do compromisso dos pais e/ou responsáveis de conduzi-las responsavelmente aos encontros comunitários nos quais o Senhor ordenar a benção para as crianças (Sl 133:10). Quando não criamos no lar uma atmosfera facilitadora do aprendizado cristão – a responsabilidade número um dos pais, em relação às suas crianças, deve ser proporcionar-lhes em casa uma atmosfera de graça, na qual  espontâneamente haja espaço para compartilhamento da Palavra, oração, louvor e diálogo sobre a graça de Jesus. As crianças precisam experimentar a presença de Jesus nos relacionamentos familiares. Esta experimentação não se dará aos pés da TV, a babá eletrônica que derrama toda espécie de lixo no coração das crianças, sob a conivência irresponsável dos pais que preferem a comodidade de manter a criança ocupada, do que vê-la a caminho do abraço de Jesus!
Quando nos tornamos, pelo nosso comportamento, em pedra de tropeço – crianças sempre estão antenadas, conectadas, permanentemente ligadas no que os adultos fazem. Por nosso comportamento podemos levá-las para a graça do céu ou para a desgraça do inferno. Nossas atitudes podem adoecer ou curar o coração das crianças. Jesus tratou esta questão de forma tão séria que pouco antes deste fato que estudamos Ele disse aos discípulos: “quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho e fosse lançado ao mar” (Mc 9:42).
III – ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A GRAÇA SIGNIFICA UMA GENUÍNA EXPERIÊNCIA COM O REINO DE DEUS (v. 14 “... Porque dos tais é o Reino de Deus”)
Quando Jesus diz que “dos pequeninos é o Reino de Deus”, antes de qualquer coisa, está afirmando que crianças podem e devem entrar no Reino. E seja para elas seja para qualquer pessoa, só há uma porta de entrada para o Reino de Deus: a graça de Jesus (Ef 2:8-9; Jo 3:3). Não é incomum vermos crianças deixadas de lado quando na igreja é feito um apelo para a salvação. O pressuposto para esta postura é: “crianças são muito novas, não podem entender estas realidades espirituais”. Estamos vendo em nosso país crianças escolhendo o roubo, a violência, o crack, o sexo precoce, a mentira e tantos outros males, porque duvidamos da capacidade delas escolherem a graça de Jesus que é o maior bem que podem experimentar na vida delas enquanto crianças, na adolescência, juventude, idade adulta e até a morte?
Quando Jesus diz que  “dos pequeninos é o Reino de Deus” também está afirmando que as crianças podem e devem usufruir de todas as bênçãos e das responsabilidades do Reino. O padrão que Jesus tem para as crianças é o padrão que Ele teve para Ele mesmo enquanto criança nascida em Belém e criada em Nazaré por Maria e José. Lucas diz sobre este padrão: “crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2:52). Jesus, enquanto homem passou por um processo contínuo de crescimento físico, mental, emocional, relacional e espiritual. Não houve para Ele, enquanto homem, um desenvolvimento automático, pelo contrário, tudo se deu dentro de um processo harmônico, equilibrado, no qual Jesus teve em sua humanidade que vencer os desafios de cada etapa da sua idade. Crianças que já entraram no Reino pela crença em Jesus precisam ser ajudadas, dentro das relaidades de sua idade, a crescerem dentro do Reino vivendo os valores da adoração, comunhão, evangelização, discipulado e serviço. As crianças não são a igreja de amanhã, são a igreja de hoje!
CONCLUSÃO
1. As crianças são exemplo para nós no que tange à entrada no Reino de Deus (v. 15 “Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele”) – Jesus, depois de apertar Seus discípulos no sentido de ser exemplo para as crianças, fez a via contrária afirmando que elas são exemplo para nós no que tange a “entrada no Reino”. O que significa entrar no Reino como criança? Significa, dentre outras coisas, entrar no Reino com confiança. Crianças são inteligentes, mas não fazem da compreensão intelectual completa um pré-requisito para  desenvolvimento de um relacionamento. Tudo que as crianças querem para se interessarem por uma pessoa,  é um olhar receptivo e um toque amoroso. Se perceberem isto elas devotarão à pessoa confiança. Para entrar no Reino não precisamos compreender  racionalmente todos os mistérios do universo, precisamos apenas da confiança de que Deus nos ama e providencia na graça de Cristo o perdão para que possamos ser acolhidos como Seus filhos, recebendo no futuro Sua herança nos céus e desfrutando no presente de uma vida abundante aqui na terra. Resumindo, como as crianças, precisamos ter com Deus uma relação descomplicada, na base da confiabilidade e não da racionalidade!
2. As crianças precisam hoje da bênção de Jesus por meio do nosso abraço e das nossas mãos (v. 16 “então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava”). Quem é hoje, para a criança, o colo de Jesus, o abraço de Jesus, o chamego de Jesus, o beijo de Jesus, a palavra amiga de Jesus, o toque abençoador de Jesus? Somos nós que, enquanto adultos, tendo passado pelos desafios da infância e pelos desafios desta caminhada na graça, somos chamados por Jesus, aqui e agora, a deixar ir a Ele os pequeninos, sem embaraços, porque deles é o Reino de Deus...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante

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