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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O AMOR TUDO SUPORTA

O AMOR TUDO SUPORTA

O Amor de I Coríntios 13
Os dons para o ministério necessitam ser inspirados pelo amor:
1- a preeminência do amor – (1-3) –

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.

2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

3 E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

No capítulo 13 encontramos o amor eu Cristo viveu, a realidade do amor ágape, que significa o amor sacrificial. O amor divino e cristão. Sua necessidade. Suas características. Sua durabilidade. Agape era uma palavra nova que quase não aparece no mundo secular par um conceito novo, ela aparece 116 vezes no Novo Testamento.

“Deve ser soberano: a) no coração porque um êxtase, embora angélico, é inútil sem o amor; b) na inteligência pois a sua ausência torna sem valor os dons ; c) na vontade porque sem o amor nada Val o sacrifício supremo de dar a vida.”

A mais magnífica manifestação dos dons e o mais heroico auto - sacrifício nada significam. As coisas certas devem ser feitas da maneira correta. Embora alguns encarem a referência à línguas dos anjos como uma hipérbole poética, ela, provavelmente, denote a língua desses seres sobrenaturais.

Deus não aceita nem generosidade nem sofrimento que não são motivados pelo amor. Martírio egoísta não vale nada.

2- as prerrogativas do amor (4-7) –

4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,

5 não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;

6 não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade;

7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor é sofredor, tendo paciência com pessoas imperfeita. O amor é benigno ativo em fazer o bem. O amor não é invejoso visto que não é possessivo e não competitivo, na verdade, ele quer que as outras pessoas continuem. O amor não trata com leviandade, tem qualidade de autodiscreção, não é ostentosa. O amor não se ensoberbece, tratando os outros com arrogância, não é indecente, mas demonstra boas maneiras e cortesia. O amor não busca os seus interesses, insistindo em seus próprios direitos e exigindo precedência, pelo contrário, é altruísta. O amor não se irrita, não irascível ou melindroso, rude ou hostil, mas é amável quando está sob pressão. O amor não suspeita mal, não mantém uma soma de maldades cometidas contra ele, ao invés disso, apaga ressentimentos. O amor não folga com a injustiça, encontrando satisfação nos defeitos dos outros e disseminando um relatório ruim, pelo contrário, ele folga com a verdade, proclamando agressivamente o bem. O amor tudo sofre, defendendo e suportando as outras pessoas. O mor tudo crê o melhor sobre os outros, creditando-lhes boas intenções e não desconfia. O amor tudo espera, nunca abandonando as pessoas, mas afirmando seu futuro. O amor tudo suporta, perseverando e mantendo-se leal até o fim.

Suas virtudes são primeiras resumidas e depois analisadas. Dividem-se em virtudes negativas e passivas e virtudes positivas e ativas. Quando pensamos em “O amor é longânimo” temos oito coisas que o amor não é: não é invejoso; não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça. Depois quando pensamos em “O amor é benigno são quatro coisas que o amor faz - tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Paciente – passivo – e benigno – ativo. São dois aspectos da mesma qualidade. Sem insistir nos seus direitos, preocupa-se em ajudar os outros. A reação perante as ofensas mostra a presença do ágape que resolve criativamente os conflitos. O amor não se mostra indiferente para com as considerações morais. O amor não é crédulo mas sempre confia na pessoa.

3- A permanência do amor (8-13) –

8 O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

9 porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos;

10 mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.

11 Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.

13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

A grande verdade é que o amor nunca falha, embora falhe tudo mais.....

Todos os dons sem o amor, nada são mas o amor, ainda que não haja dons, é tudo. O parcial e imperfeito não pode ser permanente, assim a permanência do amor prova a sua perfeição.

No sentido espiritual, quem ama, vive. É um exercício interessante trocar a palavra “amor” por “eu”, e ler (se podermos “eu sou sofredor, sou benigno, não sou invejoso e assim por diante.”

Neste texto temos nele os seguintes temas:

1- O amor é essencial no serviço cristão – (1-3);

2- O amor tem qualidades distintivas – (4-7);

3- O amor não findado com a vida atual – (8-13).

As quatro coisas que Paulo reprova como não tendo valor nenhum sem o amor, são todas coisas que engrandecem a pessoa, alimentando o amor próprio, mas não podem substituir o amor ao próximo.

No capítulo 13 Paulo argumenta sobre línguas, e descreve “o caminho mais excelente” que ele julgava superior aos mais notáveis dons.

Seria bom se todas as pessoas que ambicionam “fazer figura” na igreja, falando línguas, concordassem com o caminho mais excelente.

As qualidades positivas do amor: longanimidade, benignidade, amor à verdade, tolerância, confiança, esperança, paciência. As qualidades negativas são: não é invejoso, não é leviano, orgulhoso, indecente, egoísta, melindroso, desconfiado.

Pensemos que cada qualidade destas era reveladas em Cristo durante a Sua vida terrestre, e se o nosso amor a Deus e ao próximo se manifesta por meio delas.

A transformação completa de nossas circunstancias, condição, poderes etc, no provir acabará com muitas coisas hoje e necessárias – profecias, línguas, ciências etc. Até a fé e a esperança acabarão, mas o maior de tudo – o amor – permanecerá. Os dons desaparecerão quando o conhecimento se tornar completo. O que é perfeito, é a consumação do plano de Deus.

O espelho que é feito de metal polido, refletia com pouca nitidez, mas estaremos face a face com Aquele que queremos ver na segunda vinda de Cristo. Somos conhecidos por Deus completa e carinhosamente. Os espelhos antigos, que eram fabricados em Corinto, eram feitos de metal e conferiam reflexões confusas, o que é uma ilustração de nosso conhecimento imperfeito durante este século. Mas o conhecimento será completo e instantâneo no futuro estado de glória.

Vemos manifestação do amor fraternal na consideração do apóstolo para com seus irmãos, evitando até coisas lícitas – (10:23) - Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam, e seu cuidado em não dar escândalo a ninguém (10:31-32) - Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem a judeus, nem a gregos, nem a igreja de Deus.

O amor é a raiz que produz a fé e a esperança.

Os valores da fé, esperança e amor estão necessariamente, neste século, mas no século vindouro, a fé cederá lugar para a visão - II Corintios 5:7, e a esperança se transformará me experiência – Romanos 8:24. O amor sozinho é eterno, pois Deus é amor - I João 4:8. Os dons, em contraste com o amor, são parciais, não completos, eles são temporais, não eternos, eles comunicam com conhecimento imperfeito ao invés de perfeito. Tudo neste século comparado com a perfeição da nova criação está num estágio pueril, incluindo todos os dons. Ao invés de sugerir a extinção dos dons durante este século ou em algum momento da história da igreja, esta passagem prova exatamente o contrário.

O que é perfeito refere-se à conclusão dos propósitos de Deus depois da vinda do Senhor Jesus Cristo – Romanos 8:18-19. Não há razão além da opinião humana para que se presuma atribuir esta referência à conclusão do cânon das Escrituras. Enquanto a inspirada Palavra de Deus foi completada no final do século I, sua conclusão não sinalizou um fim na operação em continuidade dos próprios poderes que ela descreve. Ao invés disso, a Palavra nos instrui a acolher suficiência para o ministério a um mundo necessitado, através da Palavra pregada e da Palavra confirmada.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

A VAIDADE NOS AFASTA DE JESUS CRISTO.

 

A VAIDADE NOS AFASTA DE JESUS CRISTO.

INTRODUÇÃO
O ministério eclesiástico, constituído de muitas funções a serem desempenhadas em favor da Igreja do Senhor, envolve de tal forma aqueles que a ele se dedicam, que exige tempo, esforço, preparo, unção e cuidado. Se o obreiro não souber administrar seu comportamento, com graça e vigilância, poderá ser vítima da vaidade ministerial, que tem levado muitos ao desprestígio e queda, diante de Deus, da igreja e dos homens. Solenemente proclama a Bíblia: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda" (Pv 16:18). Dessa forma, é imprescindível estar atento ao que se passa em torno do ministério. O perigo pode não estar longe, mas bem perto, dentro de cada um obreiro do Senhor. Além do sexo, dinheiro e poder, que são os três elementos mais comuns, usados pelo diabo para derrubar líderes, há outros, derivados desses, que minam as bases do ministério de muitos obreiros, levando-os a serem vaidosos no ministério. Vaidade vem de vanitate (lat.), com o significado de "vão, ilusório, instável ou pouco duradouro; desejo imoderado de atrair admiração ou homenagens". Esse último significado, a propósito sublinhado, tem muito a ver com a vaidade no ministério.

O perigo da vaidade em relação ao sexo
Não é à toa que o sábio, escritor do livro de Provérbios, exortando o filho de Deus, ensina que é necessário ter sabedoria, bom siso e temor do Senhor, para se livrar da mulher adúltera, "que lisonjeia com suas palavras, a qual deixa o guia da sua mocidade e se esquece do concerto do seu Deus; porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas, para os mortos; todos os que se dirigem a elas não voltarão e não atinarão com as veredas da vida" (Pv 5.16-19).

Muitas vezes, por falta de vigilância oração, o obreiro acerca-se de mulheres, em seu trabalho, sem atentar para seu comportamento, não percebendo que armadilhas do diabo estão sendo colocadas diante de si. Não raro, é o pastor que tem como secretária uma jovem solteira, ou uma jovem senhora, carente de afeto, que se insinua e se oferece para satisfazer a carência afetiva do obreiro, muitas vezes afastado da esposa, por causa do "ativismo frenético", que não lhe deixa tempo para a família. E o homem de Deus, esquecendo-se das bênçãos que lhe são reservadas, troca a dignidade ministerial por um relacionamento ilícito e pecaminoso, para sua própria destruição. Um ponto crítico, alvo de tentação, é o aconselhamento, em sua maioria a mulheres da igreja.

Conheço casos de obreiros que perderam a reputação, o cargo e o ministério porque se deixaram envolver emocionalmente com pessoas aconselhadas, e caíram na armadilha do sexo. Diante de uma bela mulher, há obreiros que ficam vaidosos, sentindo-se como se fossem galãs conquistadores. Na verdade, estão sendo conquistados pelo diabo. É o velho comportamento de Esaú, trocando as bênçãos do ministério pelo prato de lentilhas do prazer imediato.

Não há outro caminho para escapar da queda, a não ser o temor de Deus, a vigilância, a oração (Mt 26.41) e o desenvolvimento de um relacionamento amoroso com a esposa, que envolva carinho, companheirismo e verdadeira afeição. A Bíblia diz: "Tem cuidado de ti mesmo..." (1 Tm 4.16).

A vaidade em relação do dinheiro
O dinheiro, em si, não é mau. A Bíblia não diz em nenhuma parte que o dinheiro é perigoso. Ela nos adverte quanto ao "amor do dinheiro", que é a "raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1 Tm 6.10). Uma boa "prebenda" pode levar muitos à vaidade.

A Palavra de Deus é infalível. Aqueles que, na direção de igrejas, principalmente de grande porte, cuja renda mensal é considerada alta, não têm cuidado de vigiar no trato com recursos financeiros, acabam afundando na cobiça, esquecendo-se da missão, e tornando-se verdadeiros cambistas, negociantes e mercantilistas do tesouro da casa do Senhor. E isso é vaidade, futilidade. A vaidade e o poder que detêm os torna como se fossem donos do tesouro da igreja, e passam a gastar como bem querem e entendem, sem dar satisfação sequer à Diretoria, e muito menos à igreja, que se sente desconfiada, por nunca ouvir um relatório financeiro da tesouraria.

É lamentável, mas há obreiros que compram bens pessoais, ás custas do dinheiro dos dízimos e ofertas do Senhor. Certamente, a maldição os alcançará, pois estão sonegando os recursos destinado à Obra do Senhor. Essa vaidade é prejudicial ao bom nome da igreja. A Bíblia conta o que ocorreu com Gideão. Numa fase de sua vida, deixou-se levar pela direção de Deus, e foi grandemente abençoado, sendo protagonista de espetacular vitória contra os midianitas, à frente de apenas 300 homens (Jz 7).

Contudo, após a grande vitória, cobiçou o ouro de seus liderados, solicitando que cada um deles lhe desse "os pendentes de ouro do despojo", no que foi atendido pelos que o admiravam (Jz 8.24). Tentado pela cobiça do metal precioso, Gideão deixou que subisse para a cabeça o desejo de ter sua própria "igreja", levantando um lugar de adoração, com o ouro que lhe foi presenteado, mandando confeccionar um éfode, " e todo o Israel se prostituiu ali após dele: foi por tropeço a Gideão e à sua casa...e sucedeu que , quando Gideão faleceu, os filhos de Israel e se tornaram, e se prostituíram após dos baalins: e puseram Baal-Berite por seu deus" (Jz 8.27,32).

Tem razão a Palavra de Deus, quando adverte que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males...".

A vaidade do poder do cargo
Há obreiros que, enquanto dirigentes de pequenas igrejas, são humildes, despretensiosos e dedicados à missão que lhe foi confiada. Contudo, ao verem a obra crescer, fazendo-os líderes de grandes igrejas, esquecem de que "nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento" (1 Co 3:7), e passam a se comportar como verdadeiros imperadores ou ditadores eclesiásticos.

O cargo de pastor, do bispo ou do presbítero é de grande valor para a igreja. A Bíblia diz Deus deu pastores à igreja, ao lado de evangelistas e mestres, "querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.12). Aí está o objetivo do cargo ou da função pastoral.

Quando o ministro perde essa visão, acaba pensando que o cargo é fonte de poder pessoal, humano e carnal, e passa a usar a posição para a satisfação de interesses pessoais ou de grupos que se formam ao seu redor, e deixa-se dominar pela vaidade ministerial. Uzias, que reinou em lugar de seu pai, Amazias, aos dezesseis anos de idade, teve um grande ministério, aconselhando-se com Zacarias. A Bíblia diz que ele, "nos dias em que buscou o Senhor, Deus o fez prosperar" (2 Cr 26.3,5). Acrescenta, ainda a Palavra, que Uzias foi "maravilhosamente ajudado até que se tornou forte. Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o Senhor seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso" (2 Cr 26.15,16).

Esse episódio demonstra que a ilusão ou a vaidade do poder, oriundo da posição que o líder ocupa é fonte de comportamentos os mais estranhos e imprevisíveis. O diabo se aproveita das fraquezas da personalidade de certas pessoas, e incita-as a julgar-se grandes demais, a ponto de extrapolarem suas ações, agindo de modo ilegítimo, e contra a vontade de Deus. Uzias foi grandemente abençoado, até que, sentindo-se forte, ou seja, cheio de poder, entendeu que podia imiscuir-se nas funções que eram privativas do sacerdote de sua época. Porque ele fez isso? Porque se deixou dominar pela vaidade do poder.

É muito importante que o obreiro, no ministério, tenha consciência de que o poder que lhe sustenta não é o poder pessoal, nem o poder do cargo. O homem de Deus só pode ser sustentado e permanecer firme, se reconhecer que o poder vem de Deus. Davi disse: "Uma coisa disse Deus, duas vezes a ouvi: que o poder pertence a Deus" (Sl 62:11). S. Paulo, doutrinando aos efésios sobre as armas que são colocadas à disposição do crente, ensinou: "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder" (Ef 6.10).

O poder que emana do cargo ministerial é passageiro. Da mesma forma, o poder que advém do dinheiro, da posição, da fama ou de qualquer outra fonte, tem raízes nas forças do homem, e não tem durabilidade, pois debaixo do sol tudo é vaidade, conforme diz o sábio escritor do Eclesiastes (Ec 1.14). Dessa forma, é melhor não se deixar dominar pela vaidade do poder, pois, um dia, quando o detentor do cargo tem que deixa-lo, seja por jubilação ou por outra razão, poderá sofrer muito, sentindo falta do poder de que foi detentor. Contudo, quando o homem de Deus não se deixa seduzir pela vaidade do poder, e confia no poder de Deus, ele pode sair do cargo de cabeça erguida, sem sentir carência da posição.

A vaidade na pregação
Um obreiro, pastor ou líder, à frente do trabalho, precisa ter mensagens para transmitir ao rebanho. A verdadeira mensagem é aquela que vem de cima, que flui do Espírito de Deus para o espírito do mensageiro, e passa para a igreja, com unção e graça, de modo que todos são tocados pelo poder de Deus, transbordando em amor, temor e alegria espiritual.

Esse tipo de mensagem só pode existir, se o obreiro buscar a presença de Deus, em oração e jejum. Certo pregador dizia que muitos lhe indagavam sobre o segredo de ter tanta unção para transmitir mensagens para o povo, ao que ele respondeu - "O segredo é que muitos oram cinco minutos para pregar uma hora; eu oro uma hora para pregar cinco minutos".

Infelizmente, há os que, conscientes de que possuem o dom da palavra, ou o dom da oratória, ficam orgulhosos, e passam a se comportar como se fossem meros oradores de palanques, procurando impressionar a igreja. Há até os pregadores profissionais, que se utilizam das técnicas de comunicação, para atrair os ouvintes; são portadores de mensagens "enlatadas", as quais só precisam de um "esquente" da platéia para arrancarem glórias e aleluias.
O uso da oratória, fundamentada numa boa orientação da Homilética, não faz mal a nenhum pregador. É um meio adequado que, submisso à unção do Espírito Santo, pode trazer muitos resultados abençoados para o engrandecimento do Reino de Deus. Um esboço de mensagem bem elaborado, com oração e jejum, com base na pesquisa da Palavra de Deus, e transmitido com humildade e dependência do Senhor é um recurso que dá firmeza ao pregador na sua alocução, na transmissão do sermão.

Entretanto, o obreiro, em sua prédica, não deve pensar que tais recursos são a razão do sucesso da mensagem que transmite. S. Paulo, extraordinário pregador, não confiou em sua formação privilegiada, aos pés de Gamaliel. Escrevendo aos coríntios, disse: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder" (1 Co 2:4). Ele confiava na eloquência do poder, ao invés de se firmar no poder da eloquência. A vaidade na pregação faz com que certos evangelistas não se interessem por pregar para pequenas multidões. Seu ego só se satisfaz se lhe for assegurada a assistência de milhares de pessoas.

A vaidade no tratamento
Todo homem de Deus tem o dever de tratar bem às pessoas e o direito de ser bem tratado pelos que dele se aproxima,, pois não é uma pessoa qualquer, mas um servo de Deus, que está incumbido da missão mais importante da face da terra. A Bíblia diz: "a quem honra, honra" (Rm 13.7). Contudo, há aqueles que, dominados pelo sentimento vaidoso, extrapolam seus interesses, e passam a exigir um tratamento exagerado em torno de sua pessoa.

Conheci o caso de certo pregador, que, ao ser convidado para pregar num congresso, não se limitou a aceitar a passagem, a hospedagem e uma oferta da igreja. De antemão, exigiu que a passagem fosse enviada por determinada empresa aérea; que lhe fosse providenciada hospedagem num hotel de categoria internacional (cinco estrelas) para ele e sua esposa; e que também lhe fosse concedida um apartamento duplo para sua empregada e seus filhos, que deveriam acompanhá-lo. E foi atendido. Seu ego foi satisfeito, sua vaidade foi alimentada, às custas dos dízimos e ofertas de irmãos, em sua maioria pobres de recursos e de bens materiais.

Se não tivermos cuidado, vai haver pregador famoso, que poderá exigir até passagem para seu cão de estimação e tratamento "vip" para o animal. Vaidade e mercantilismos podem prejudicar muitos ministérios. Tenho visto que, no Brasil, há obreiros humildes, cheios da unção de Deus, mas, por serem jovens ou não serem famosos, são esquecidos, e nunca aproveitados em cruzadas e congressos.

A vaidade no ministério do louvor
Ao ministrar estudo num certo estado do Brasil, ouvi de irmãos que certo "cantor evangélico famoso" passara por ali, tendo exigido um cachê de quinze mil reais, com cinqüenta por cento adiantado, em depósito em sua conta; carro com ar condicionado, o melhor hotel da cidade.

E lamentavelmente, os irmãos se submeteram à vaidade exagerada daquele homem que, se aproveitando do que Deus fez em sua vida, passou a explorar certas igrejas, infelizmente dirigidas por pastores vaidosos , que só pensam em ver multidões, não importando o preço a pagar. Uma igreja denominacional, que desejava angariar recursos para a construção de um templo, resolveu convidar certo cantor, recém-convertido ao evangelho, esperando obter algum retorno para a obra.
O cantor, conhecido no mundo artístico brasileiro, exigiu, além de hotel de luxo, quase vinte mil reais, para cantar numa só noite, num grande estádio de futebol. Como resultado, as "entradas" não cobriram o "cachê" , a igreja teve prejuízo e amargou grande decepção. Sem dúvida, isso só acontece por causa da vaidade de tais pessoas, e da ingenuidade de certos pastores, que, desejando ver "a casa cheia", convidam celebridades para atrair o povo. A Bíblia nos mostra que o caminho para angariar recursos para a "manutenção" da casa do Senhor é a doutrina sobre a mordomia cristã, no que concerne aos dízimos e ofertas, conforme Malaquias 3.10.

Vaidade nas mordomias
No passado, quando o evangelho chegou à nossa terra, trazido por homens de Deus, que foram pioneiros no desbravamento da obra, as condições de trabalho eram duras e difíceis. Muitos deles andaram a pé, distâncias enormes, que os faziam fadigados e doentes; muitos percorreram os rincões do país, no lombo de cavalos, ou atravessando rios em canoas, sujeitos aos riscos de viagens sem segurança; muitos se hospedarem à margem dos igarapés, infestados de mosquitos e ameaçados por animais selvagens; tomaram água suja e chegaram a ser vitimados pela malária ou pela febre amarela. A eles, muito devemos, pelo seu desprendimento, coragem e fé.

Hoje, no entanto, em geral, vemos que Deus tem propiciado condições de trabalho muito melhores aos obreiros, por esse Brasil a fora. As igrejas maiores podem conceder aos pastores moradia condigna, transportes pessoais, seguro-saúde, salário compatível e muito mais. É verdade que em grande parte, há obreiros que passam necessidades, injustamente. Entretanto, há os que, aproveitando-se da bênção de Deus sobre as igrejas, abusam das mordomias.

Há casos em que o obreiro rejeita a casa pastoral, porque a esposa não gosta do estilo do prédio, e passam a exigir casa com tanto conforto e luxo, nas dependências, que consomem os recursos da igreja. É importante que o pastor more condignamente. Mas não é preciso exibir riqueza e luxo. Por outro lado, há obreiros que exigem salário tão elevado, além decombustível para o carro particular, pagamento de todas as despesas da casa, carro para levar os filhos na escola, empregada, arrumadeira, vigia, etc., que chamam a atenção dos murmuradores contra a obra do Senhor.

Com isso, não desconhecemos a necessidade de um obreiro, líder de um grande trabalho, ter um tratamento adequado ao nível de suas responsabilidades. Se a igreja tem condições, é compreensível. Mas o exagero nesse aspecto, denota vaidade e desejo de aparecer perante a comunidade.

A vaidade na formação teológica
Há pouco mais de vinte anos, quem quisesse estudar teologia, em muitas igrejas, era considerado excêntrico e vaidoso. Muitos que ousaram ingressar num instituto bíblico, tiveram que fazê-lo às suas expensas, sem qualquer ajuda da igreja à qual eram filiados, e ainda assim, considerados malvistos pela liderança. Os tempos passaram e, por razões as mais diversas, como a exigência de melhores conhecimentos bíblicos e teológicos, ou o receio de ver grupos oriundos de certas igrejas arrebanharem os jovens para os cursos considerados "perigosos", as lideranças resolveram investir na área do ensino teológico.

Na última década, proliferaram, no Brasil, os mais variados tipos de escolas, cursos, seminários, institutos, faculdades, etc. , voltados para o ensino teológico. Muitos desses cursos não têm a menor condição técnica, ou mesmo bíblico-teológica para ministrar o ensino, e têm formado um grande número de obreiros , portadores de diploma até de bacharelado em Teologia. Como resultado, passou-se de uma carência de pessoas com curso teológico, para uma grande quantidade de pessoas diplomadas, mas com formação que deixa a desejar, em termos de conhecimentos bíblicos e teológicos.

Alguns desses formados, são obreiros vaidosos, que, possuídos de sentimento de superioridade, passam a desprezar os não formados, considerandos incapazes de exercer o ministério. Isso constitui uma vaidade, que leva muitos a assomarem aos púlpitos, sem unção e sem graça, confiando nos conhecimentos obtidos. A Bíblia nos adverte: "Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento" (Pv 3.5). Não se deve discriminar os obreiros formados em Teologia. Eles podem ser uma grande bênção para a ministração do ensino, da pesquisa bíblica e da evangelização. Mas não se deve deixar que os conhecimentos tomem o lugar do preparo espiritual para a pregação do evangelho, que se obtém de joelhos, orando e jejuando , na presença do Senhor.

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

domingo, 27 de dezembro de 2020

ACRESCENTANDO PORCOS

 

ACRESCENTANDO PORCOS.

“Certo homem tinha dois filhos, o mais moço deles, disse ao pai. Dá-me a parte da herança; E o Pai repartiu a herança entre os dois filhos. O texto afirma que poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Enquanto ele tinha dinheiro e posses, estava cercado de amigos, mas ao acabar a herança, os amigos desapareceram e ele começou a padecer necessidades. Ele passou a procurar um trabalho, mas, o único trabalho que ele conseguiu, foi no campo, para apascentar porco. A Bíblia afirma que ele desejava comer a comida dos porcos, mas ninguém lhes dava nada. Mas, caindo em si, lembrou-se da casa do pai e disse: quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome. Levantar-me-ei, e irei ter com meu Pai. E dir-lhe-ei, pai, pequei contra o céu e perante ti, já não sou digno de ser chamado teu filho, mas me trata como um dos teus trabalhadores. Levantando-se, foi para seu pai. Quando ainda estava longe, viu seu pai, e se moveu de intima compaixão, correu lançou-lhe ao pescoço e o beijou, e mandou os seus servos, trazer a melhor túnica, e vesti-lo, ponde-lo anel na mão e sandálias nos pés. Trazei o bezerro cevado, e matai-o, comemos e alegremo-nos. Pois este meu filho estava morto e reviveu, tinha se perdido e foi achado.” (Lucas 15: 11-24)

O texto citado acima é um dos clássicos narrados no Novo Testamento e nos ensina inúmeras lições. Fiz questão de colocá-lo completo para nos lembrar da história do filho pródigo. Sei que normalmente esses versículos são usados nas pregações sobre salvação e se encaixa muito bem, mas irei me deter a outro foco, do arrependimento destacando algumas palavras e observando-as trarei uma reflexão.

Convido-te a ler e meditar junto comigo nessas palavras:

“Caindo em si”

O termo “cair em si” significa arrependimento, mas num sentido muito profundo, por envolver uma mudança de paradigmas. Normalmente “cair em si”, produz resultados extraordinários, por causa do silêncio criador que encontramos dentro de nós. Caindo em si podemos nos desiludir, apercebendo-nos da nossa verdadeira situação e quando isso ocorre por vezes, mudamos a rota na qual estávamos caminhando.

Cair em si mesmo é a oportunidade de nos levantar e mudar a história. E esta é uma das funções da consciência, que Deus colocou em nossa alma: a consciência analisa a situação em que nos encontramos, compara com o ideal que deveria ser e nos estimula, no sentido de abandonar o erro, restaurando a nossa vida. A história do filho pródigo e imaturo nos ensina tudo isso, com muito detalhe.

O filho por um tempo (enquanto tinha recursos) usufruiu de um estilo de vida e certamente nesse período teve “amigos” para gastar esses recursos, mas quando o dinheiro acabou, os amigos sumiram, isso acontece até hoje. Quando ele se viu sozinho, sem nada e comendo com porcos, caiu em si, e lembrou de como os empregados do seu pai eram tratados por ele, além disso trouxe á memória o quão injusto com o pai ele tinha sido, ao cair em si, ele certamente chorou, sofreu, mas não ficou prostrado diante da situação, ele se levantou e decidiu voltar para a casa de seu pai. Ainda bem que ele tinha um pai e este o esperava diariamente. Ao vê-lo de longe, alegrou-se, fez festa e o recebeu com honra. Ainda bem que ele caindo em si, voltou.

No livro do profeta Samuel está descrita a história de Davi e acredito que muitos devem lembrar quando ele se envolveu com a mulher de Urias e por consequência desse envolvimento ela engravidou e Davi ao ser confrontado pelo profeta Natã caiu em si. Ele despencou da loucura do que havia feito com aquela mulher para a realidade.

Quando uma pessoa está “caindo em si”, ela está se tornando consciente do seu real estado, ela faz uma reflexão sobre sua situação, reordena a sua vida e muda todo o trajeto.

Quando o homem “cai em si” ele é recebido por Deus, existe grande alegria no coração de Deus e certamente haverá alegria no coração do perdoado. A mais profunda experiência que uma pessoa pode ter é a experiência de que Deus a perdoou, que Ele mesmo a aceitou, que não tem nada contra ela, e que está alegre porque ela voltou.

Quando o homem cai em sai compreende que o mundo decepciona, que muitos daqueles que ele julga amigos sinceros, são falsos. Que sentimentos são momentâneos. Quando um homem cai em si compreende que só Deus é imutável.

Acredito que você já ouviu alguém dizer diante de uma pessoa que está agindo de maneira irracional: Fulano está fora “de si”.

Agir fora de si, é agir descontroladamente, sem noção de bom senso e sem medir consequências.

Também podemos lembrar-nos de Pedro, um dos discípulos de Jesus que diante do mestre jurou nunca abandoná-lo, mas sabemos que ele o negou por três vezes e na terceira vez, ele ao agir assim, (conforme Jesus havia dito) caiu em si e chorou.

“E, caindo em si, chorou.” Lucas 14:72c

“Cair em si” quer dizer reconhecer o próprio erro, voltar à realidade.

Quando “caímos em si” percebemos que tudo é passageiro e que apenas Deus é eterno. Eu acredito que todos nós precisamos “cair em si” pelo menos uma vez na vida.

Se existe alguma área da sua vida que você sabe que precisa “cair em si” e mudar, não demore mais um minuto sequer, arrependa-se e mude!

“Você pode escolher sofrer a dor da mudança ou a dor de continuar do jeito que está”

Infelizmente existem momentos que ao cairmos em si percebemos o quanto perdemos, o quanto escolhemos errado, o quanto deixamos de obedecer ao Senhor, o quanto deixamos de amar aqueles que Ele nos confiou.

Existem coisas que podem ser recuperadas, mas outras como o tempo, por exemplo, são irrecuperáveis.

Acredito que uma das maiores dores e arrependimentos de uma pessoa que envelheceu é perceber que estava vivo, mas não viveu. Talvez, alguns desses só caíram em si na velhice e já era tarde demais.

Por isso, jovem, aproveite sua força da juventude para fazer o seu melhor. Busque como alvo viver de tal forma que quando envelhecer não diga a si mesmo: “Como me arrependo disso…”

Você tem uma vida inteira pela frente e pode fazer as coisas do jeito certo. Lembre-se de valorizar a sua família. Ame com toda a sua intensidade, mas não ame apenas aquele que é amável, isso o mundo já faz. Vá além da marca, ame aquele que ninguém quer amar. E acredite, ele precisa muito do seu amor.
Apóstolo. Capelão/Juiz.Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.