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sábado, 27 de julho de 2019

RECEBEI O ESPÍRITO SANTO


                                                      RECEBEI O ESPÍRITO SANTO
Um dos grandes problemas com a doutrina da trindade é que ela ofusca a nossa compreensão do papel crucial do Espírito de Deus como o poder de Deus―particularmente na vida de um cristão. Devemos repudiar as falsas crenças, se quisermos chegar a uma compreensão correta da verdade maravilhosa que a Bíblia revela sobre o Espírito Santo.
O Espírito de Deus, como vimos, foi descrito por um anjo como “o poder do Altíssimo” (Lucas 1:35ARA). Este é o poder que criou e sustenta o universo. E é o mesmo poder que podemos receber diretamente de Deus!
Muitas outras escrituras mostram esse elo entre o Espírito Santo e o poder de Deus. Por exemplo, Paulo, como também já vimos, lembrou a Timóteo que “Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder , de amor e de moderação” (2 Timóteo 1:7ARA). E outras escrituras também se referem ao Espírito Santo como o poder de Deus (Zacarias 4:6Miquéias 3:8ARA).
Lucas 4:14 (ARA) registra que Jesus Cristo começou Seu ministério “no poder do Espírito”. Ao falar do Espírito Santo, que seria dado a seus seguidores depois de Sua morte, Jesus disse: “Mas recebereis poder , ao descer sobre vós o Espírito Santo” (Atos 1:8ARA).
Pedro relata que “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual [Jesus] andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (Atos 10:38ARA).
O Espírito Santo está aqui associado com o poder pelo qual Deus Pai estava com Jesus―o poder através do qual Ele realizou grandes milagres durante Seu ministério físico e terrestre. O Espírito Santo é a própria presença do poder de Deus trabalhando ativamente nos seus servos (Salmos 51:11139:7).
Paulo expressa seu desejo de que cristãos seriam “ricos de esperança no poder do Espírito Santo”, da mesma forma que Jesus tinha realizado “sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo” (Romanos 15:1319ARA).
Esse Espírito capacita os cristãos a viver uma vida de crescimento e superação, e também a transformar suas vidas para se tornarem semelhantes a Jesus Cristo!

Precisamos da ajuda divina de Deus!

Nenhum de nós pode vencer os pecados e as falhas, e obedecer totalmente a Deus sem Sua ajuda divina. Mesmo se pudéssemos por nossa própria vontade modificar nossas atitudes, somente Deus pode mudar os nossos corações.
É por isso que Paulo rogou aos membros da igreja de Roma: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:1-2ARA), através do poder do Espírito de Deus. Esse Espírito é o poder que Deus usa para transformar nossas vidas e renovar nossas mentes!
Anteriormente nesta epístola, no capítulo 8, Paulo nos ajuda a entender como o Espírito Santo trabalha na vida de um cristão. No versículo 14, ele escreve que “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”. Aqui vemos que, para ser considerados filhos de Deus, devemos ser guiados pelo Espírito de Deus.
Paulo continua este mesmo pensamento no versículo 9, dogmaticamente afirmando que, se você não tem o Espírito de Deus, também referido como Espírito de Cristo , habitando em si, você “ não é dEle” . É por isso que é vital arrependermos-nos e sermos batizados―para que possamos entregar nossas vidas a Deus e receber o dom do Seu Espírito, que age e transforma nossas vidas!
Paulo escreve em outro lugar que se “Cristo [está] em vós”, então você é um cristão (Colossenses 1:27). É através do poder e influência do Espírito de Deus que nós permitimos que Cristo viva em nós.
Depois de ter recebido o Espírito de Deus, Paulo descreveu sua nova perspectiva de vida: “Estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20NVI).
Simbolicamente sepultado com Jesus no túmulo de água do batismo, Paulo agora vivia uma vida que não era mais sua. Ele descreveu sua vida transformada como alguém que permite que Cristo viva novamente dentro dele. É assim que devemos agradar a Deus―imitando o Seu Filho. Paulo exortou aos outros crentes: “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1 Coríntios 11:1). Ele nos diz: “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha” (Filipenses 2:5BLH).
No entanto, não podemos ter sucesso em viver uma vida convertida de obediência a Deus e nos tornar semelhantes a Jesus Cristo somente por meio de nossos próprios esforços. Só o conseguiremos apenas pelo poder e ajuda de Deus e não através de nossos próprios esforços. Portanto, a glória e o mérito é de Deus.
Para imitarmos Cristo, devemos pedir ajuda a Deus, através do Seu Espírito, para que possamos humildemente obedecer a Deus e manter nossos pensamentos, atitudes e ações em sintonia com Ele. Devemos permitir que Seu Espírito seja a força motriz nas nossas vidas para produzir as qualidades do verdadeiro Cristianismo. Devemos frequentemente nos perguntar se estamos, de fato, a ser guiados pelo Espírito de Deus ou se estamos resistindo a ele.

Recebemos ajuda divina através do Espírito de Deus

O que o Espírito Santo de Deus faz por nós, como cristãos? Esta questão afeta a cerne de nossas crenças religiosas, porque sem o poder do Espírito de Deus não podemos ter um relacionamento profundo e íntimo com o Pai, nem podemos nos tornar Seus filhos. Porque o Espírito habita em nós é que somos chamados filhos de Deus (Romanos 8:14-17).
Devemos entender o que significa ser “guiados pelo Espírito”. O Espírito de Deus não nos leva, arrasta ou pressiona; ele nos guia. Ele não vai nos impedir de pecar, nem vai nos forçar a fazer o que é certo. Ele nos guia, porém devemos estar dispostos a seguir.
Como é que o Espírito de Deus nos guia? Vamos considerar alguns aspectos.
• O Espírito Santo nos mantém em contato com a mente de Deus. O Espírito de Deus trabalha com a nossa mente. O apóstolo João descreve-o desta maneira: “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós: pelo Espírito que nos tem dado” (1 João 3:24). Através do Espírito de Deus, o qual Ele nos dá, podemos ser influenciados por Ele para o bem e para obedecer os Seus mandamentos. Isto está em flagrante contraste com o mundo que nos rodeia e com nossa própria natureza, que nos influenciam para o mal.
O Espírito de Deus também nos ajuda a compreender mais profundamente Sua verdade. Quando Jesus prometeu aos apóstolos que lhe enviaria o Espírito, Ele disse que ele “vos guiará em toda a verdade” (João 16:13).
• O Espírito de Deus nos inspira um profundo entendimento de Sua Palavra, propósito e vontade. Como 1 Coríntios 2:9-11 nos diz: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito ; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão [pelo] o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão [pelo] o Espírito de Deus”
Sem o Espírito de Deus uma pessoa não pode entender a expressa Palavra divina e nem Sua vontade, “porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (versículo 14).
• O Espírito Santo torna possível a superação. Nada é tão difícil para nós quando o poder de Deus atua em nossas vidas. Romanos 8:26 diz que o Espírito de Deus nos ajuda em nossas fraquezas. Paulo, que escreveu a carta aos Romanos, fala por todos nós quando disse: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4:13NVI).
Jesus promete aos cristãos que com “Deus tudo é possível” (Mateus 19:26Marcos 10:27). A vida cristã é uma vida de desafios . Devemos entender que Deus não quer que permaneçamos como éramos, antes de Ele nos chamar. Em vez disso, como temos lido, é preciso não “conformar com este século, mas transformar-se pela renovação da vossa mente “ (Romanos 12:2ARA). O Cristianismo é uma vida de superação e crescimento―de transformação de nossos pensamentos e mentes para nos tornarmos semelhantes a Jesus Cristo (Filipenses 2:5).
• O Espírito de Deus convence nossa consciência como culpada e nos ajuda a ver o pecado como realmente é. Ao falar do Espírito Santo, que seria dado a seus seguidores depois de Sua morte e ressurreição, Jesus disse que ele “convencerá o mundo do pecado” (João 16:8). O Espírito de Deus dentro de nós, trabalhando com nossa consciência, nos ajuda a reconhecer e evitar o pecado. A culpa que sentimos é real quando despertada pelo reconhecimento dos pecados.
• O Espírito Santo produz fruto divino em nós. Assim como uma macieira produz maçãs, o Espírito de Deus produz um determinado tipo de fruto na vida de um cristão. Paulo lista o fruto que deve ser evidente naqueles que são guiados pelo Espírito de Deus como “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5:22-23ARA).
Cada aspecto desse fruto é digno de um estudo detalhado, juntamente com uma auto-análise para ver até que ponto essas características são evidentes em nossas vidas.
O apóstolo Pedro resume o processo de crescimento até a maturidade espiritual: “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça.
“Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor. Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em sua vida, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos.
“Todavia, se alguém não as tem, está cego, só vê o que está perto, esquecendo-se da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, empenhem-se ainda mais para consolidar o chamado e a eleição de vocês, pois se agirem dessa forma, jamais tropeçarão, e assim vocês estarão ricamente providos quando entrarem no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1:3-11NVI).
• O Espírito de Deus também nos conforta, encoraja e auxilia de outras formas. Jesus Cristo prometeu enviar a Seus discípulos o Espírito Santo como um “Consolador” (João 14:16) ou “Auxiliador” (BLH). O verdadeiro conforto e segurança vêm da permanência do Espírito de Deus em nós. Nós não precisamos estar excessivamente preocupados com o que pode acontecer conosco. O Espírito de Deus nos dá a certeza que tudo o que acontecer será para o bem “daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28).
Esta garantia proporciona uma perspectiva da vida que é rara em nosso mundo. Certamente, um cristão pode desanimar, mas é através do Espírito Santo que podemos começar a enxergar a vida de um modo diferente. Como observado anteriormente, a paz é um dos frutos do Espírito de Deus na vida de um cristão.
Quando libertamos nossas mentes da confusão sobre o Espírito Santo criada pela doutrina da trindade, passamos a ver a maravilhosa verdade de como e por que Deus atua em nossas vidas para nos transformar―tornando possível obedecê-LO e crescer em Seu caminho enquanto nesta vida física, para que possamos experimentar uma transformação inspiradora no futuro retorno de Cristo. Agora vamos examinar como o Espírito de Deus pode ajudar a nos guiar para nosso destino final!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A GLÓRIA DE DES


                                                                A GLÓRIA DE DEUS
A glória de Deus (kãbhôdh ou doxa) significa a manifestação do poder de Deus, dignidade, honra, vitória, proteção, reputação, esplendor; e descreve a revelação do caráter e da presença de Deus na pessoa e na obra de Jesus Cristo.

No dicionário de língua Portuguesa, ‘glória’ tem os seguintes significados: celebridade, renome, reputação, honra, orgulho, magnificência, brilho, esplendor, prestígio, alegria, satisfação, grande mérito, superioridade, dignidade. No dicionário de Inglês, outras definições podem ser acrescentadas: exaltação, louvor ou honra, que é concedido por consentimento geral; algo que traz ou é digno de louvor (especialmente na frase ‘coroa de glória’); uma expressão de ação de graças, adoração ou culto: ‘Glória a Deus!’; pompa; esplendor: a glória do reinado do rei, por exemplo; beleza radiante; resplandecência do pôr-do-sol; a beleza e a felicidade do céu (no sentido espiritual); um estado de extrema felicidade e prosperidade.
A palavra bíblica para glória de Deus é kãbhôdh (hebr.; pronuncia-se ‘kavôd’) ou doxa (Septuaginta, a versão grega do AT) = peso ou dignidade, e que pode ser entendida como a manifestação do poder de Deus onde é preciso, honra, vitória, proteção, abundância, riqueza, reputação (Êx 40: 35; 1 Sm 4: 22; 1 Sm 6: 5; 1 Rs 3: 13; 1 Rs 8: 11; 1 Cr 16: 28; 1 Cr 29: 12; Is 11: 10; Is 24: 23; Is 42: 12 etc.). É o equivalente judaico do Espírito Santo.
O Senhor é digno de ser receber toda honra e toda glória: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4: 11).
Kãbhôdh serve para descrever a revelação do caráter e da presença de Deus na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Ele é o resplendor da glória divina (Hb 1: 3-4: “Ele [Jesus], que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser [Deus], sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles”).


Na Bíblia, a glória de Deus está muitas vezes associada a brilho ou esplendor (Lc 2: 9 – os pastores viram a glória de Deus no nascimento de Jesus; Mt 17: 5 – no momento da transfiguração, quando a bíblia descreve a presença de uma nuvem luminosa envolvendo os discípulos), tanto no AT como no NT (Ez 1: 28 – ver explicação adiante), assim como está relacionada com nuvem ou fumaça, vento tempestuoso e fogo. Na maioria das vezes, é quase impossível separar a expressão ‘Glória de Deus’ ou ‘Glória do Senhor’ da presença desses fenômenos físicos, em especial da nuvem. Assim, ‘Glória de Deus’ ou ‘Glória do Senhor’ simboliza a revelação do poder, da pessoa, da natureza e da presença de Deuspara a humanidade, às vezes acompanhada de fenômenos físicos; portanto, o Espírito Santo está implícito nesta manifestação.

Apenas em Êx 19: 9; 16; 18; Êx 20: 18 é que a bíblia descreve a presença de Deus como uma nuvem escura, acompanhada de trovões, relâmpagos e fogo: “Disse o Senhor a Moisés: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando eu falar contigo e para que também creiam sempre em ti. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor... Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu... Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente... Todo o povo presenciou os trovões, e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe”.
No AT, a manifestação física de que a presença de Deus estava chegando (a glória de Deus) poderia ser a aparência de um fogo consumidor – Dt 4: 24; Êx 24: 17 cf. Hb 12: 29, no caso de Sua autoridade e Seu poder serem usados. Em outros casos, quando Seu propósito era outro e Ele desejava mostrar outro aspecto do Seu caráter, ao invés de fogo (Êx 13: 21; Nm 9: 15-16) aparecia nuvem, fumaça, vento ou, então, o cicio suave, como aconteceu com Elias. A nuvem no NT é algo intimamente relacionado à presença de Jesus, e que não apenas representa a glória de Deus, onde o Espírito Santo está implícito, mas é também um símbolo físico da essência divina que está parcialmente encoberta ao homem.
A conhecida palavra Shekiná (Shekïnâ), traduzida como ‘resplendor, presença de Deus habitando entre o Seu povo’, não aparece nem no AT nem no NT. Ela deriva do verbo Shãkhan (שכן = habitar, fazer morada), o qual aparece em versículos como: Gn 9: 27; Gn 14: 13 e Jr 33: 16. Também aparece em Êx 40: 35: “Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia [Shãkhan] sobre ela, e a glória do Senhor [kãbhôdh] enchia o tabernáculo”. Shekiná (Shekhinah, Shekïnâ), na verdade, é um conceito cabalístico, místico, que a considera como a face feminina da Presença Divina. Segundo a Cabala, Shekiná é uma energia cósmica poderosíssima que habita no interior do Universo, vivifícando-o e sendo a sua alma ou espírito.
Como foi escrito acima, a glória de Deus está muitas vezes associada a brilho ou esplendor.
Em Ez 1: 26-28 está escrito: “Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem. Vi-a como um metal brilhante, como fogo, ao redor dela, desde os lombos e daí para cima; e desde os seus lombos e daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor dela. 28 Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do Senhor; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava”.

Em hebraico, está escrito no v. 28:
kemar'êh haqqesheth 'asher yihyeh bhe`ânân beyom haggeshem kênmar'êh hannoghah sâbhiybh hu' mar'êh demuth kebhodh-yhvhvâ'er'eh vâ'eppol `al-pânay vâ'eshma` qol medhabbêr s

“Assim era o resplendor em redor” é traduzido na bíblia hebraica da seguinte maneira: “assim era o reflexo ao seu redor”.
Portanto, noghah (הנגה) é a palavra usada para ‘reflexo’, ‘resplandecência’, ‘resplendor’ ‘brilho’ ou ‘esplendor’, representando ‘a glória do Senhor’ diante do Seu povo. Note que a palavra é nogah (nôga) e não Shekiná. Muitas versões em Inglês deste texto dizem a mesma coisa, ou seja, usam palavras semelhantes para o mesmo versículo (até mesmo a bíblia de Jerusalém): ‘brilliance’, ‘brightness’, ‘radiance’ (resplandecência, resplendor, brilho, esplendor).

Ezequiel, assim como todos os outros que tiveram a visão do trono, descreveu a glória de Deus com a aparência de brilho e resplendor. Isso nos mostra que o Senhor é o mesmo de ontem, de hoje e de sempre, ou seja, luz; uma luz de verdade que resplandece nas trevas, expulsando todo tipo de falso ensino e mentira do inimigo. Por isso, João escreveu: “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1 Jo 1: 5-6).
• 2 Co 11: 12-15: “Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo que se gloriam. Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras”.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A DOR DA SOLIDÃO


                                                             A DOR DA SOLIDÃO
A solidão é um problema comum que muitos enfrentam periodicamente, e que pode persistir por alguns momentos ou até durante a vida toda. É o tipo de problema que não faz distinção de classe, raça ou idade, e é considerado uma das principais causas do sofrimento humano. 

Você se sente solitário? Se a resposta é positiva, quero desafiá-lo a estudar esta lição com o coração aberto a ouvir o que Deus quer lhe ensinar e assumir um compromisso de transformação pessoal. Se a sua resposta é negativa, se você não tem problemas de solidão, é uma pessoa que se relaciona bem consigo, com a sociedade e com Deus, também quero desafiá-lo a estudar esta lição com o propósito de aprender para ajudar os outros, pois existem milhares de pessoas que sofrem de solidão, e Deus quer usá-lo para ser agente transformador, auxiliador dessas pessoas. 
II - Solidão e sentimentos
A solidão envolve alguns sentimentos.
O primeiro deles é o vazio no coração. Muitas vezes vem acompanhado de tristeza, falta de ânimo, isolamento, ansiedade e necessidade de se sentir amado e carente da atenção de alguém.
2. O segundo é o sentimento de rejeição. A pessoa sente-se deixada de lado por um grupo de amigos ou até mesmo rejeitada pela sociedade, família e igreja.
O terceiro é a sensação de inutilidade. Pensam que não valem nada, pois, absolutamente, ninguém gosta deles.
Essas pessoas correm para os bares, grupos de encontro ou até mesmo para as reuniões da igreja numa tentativa vã de escapar da solidão. Infelizmente, permanecem sós e sem qualquer tipo de ligação, parecendo ser incapazes de construir relacionamentos significativos, que envolvem o social, o racional, o emocional e o espiritual.
II - Tipos de solidão
Há pelo menos três tipos de solidão: emocional, social e existencial.
A solidão emocional é aquela que envolve 'a falta ou a perda de um relacionamento íntimo com outra pessoa ou pessoas.
A solidão social é o sentimento de falta de propósito na vida, ansiedade e vazio. Esse tipo de solitário vive 'fora de tudo' e à margem da vida.
A solidão existencial refere-se ao tipo de isolamento que vem quando a pessoa está longe de Deus, e não tem nenhuma comunhão com o Eterno. Com isso, sua vida não tem significado ou propósito. Gary Collins define solidão como "tomar consciência de que nos falta um contato significativo com outros" (p.63).
III - A Bíblia e a solidão
"Volta-te para mim e tem compaixão. porque estou sozinho e aflito" (SI 25: 16)
A Bíblia registra que alguns homens de Deus sofreram de solidão em algum momento da sua vida. Antes da criação de Eva, Deus faz a seguinte declaração: "Não é bom que o
homem esteja só: far-Ihe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea" (Gn 2: 18). Até esse versículo, tudo que havia criado, Deus declarou que era bom. Mas quando chega aqui, Ele diz: "Não é bom." Mas isso não significa que os solteiros ou viúvos vão, necessariamente sentir solidão. É como alguém disse "solidão não é estar sozinho, é estar vazio". 

O termo solidão aparece na Bíblia mais de 30 vezes (SI 78:40; 106: 14; Is 51 :3; Jr 50: 12). Alguns exemplos de solidão dos personagens bíblicos são clássicos, como o exemplo de José, depois de ser jogado no poço e vendido por seus irmãos (Gn 37: 19-28). E ainda, quando foi posto na prisão por Potifar e ali interpretou o sonho do padeiro e do copeiro - e este se esqueceu de José (Gn 40:23) Quantos momentos de solidão! Outro exemplo é o de Moisés quando mata um egípcio e foge para o deserto de Midiã (Êx 2: I 1-22). Elias, logo depois de ser instrumento de Deus para destruir os profetas de Baal, é ameaçado por Jezabel e fica só (I Rs 19: 1-18). Paulo, já velho, preso e notando que alguns companheiros o haviam deixado, pede ao companheiro Timóteo que venha visitá-lo depressa (2Tm 4:9-12). E até mesmo o Senhor Jesus sentiu-se sozinho quando os discípulos dormiram em vez de fazer-lhe companhia no Getsêmani (Mt 26:26-46).
Pelos relatos bíblicos, entendemos que passaremos por momentos de solidão, embora tenhamos necessidade de comunhão com Deus, com os irmãos. A fim de conseguir enfrentar esses momentos difíceis, precisamos investir no relacionamento com o Senhor e com os irmãos. Como construir tais relacionamentos para que eles sejam o suporte que nos amparará ao passarmos por momentos de solidão? Com o objetivo de responder a essa questão, analisemos os motivos que nos afastam de Deus e do próximo.
IV - Causas da solidão
1.Causas sociais
As rápidas mudanças sociais de nossa história têm trazido isolamento e falta de intimidade com pessoas, por diversos motivos.
Tecnologia - A tecnologia proporciona avanços em pesquisas, divulgação e compartilhamento de conhecimento, mas também pode provocar distanciamento e superficialidade nos relacionamentos (intensificação dos relacionamentos virtuais, através das salas de bate-papo, comunidades como Orkut, Face book em detrimento dos contatos pessoais).
Urbanização - Nas grandes cidades, as pessoas moram muito próximas umas das outras (no caso de prédios de apartamentos), mas poucas se conhecem ou chegam a estreitar relações de amizade.
Televisão - É sabido que, cada vez que estamos diante da TV, deixamos de manter um diálogo efetivo com alguém. Estamos apenas fisicamente acompanhados, mas não há comunicação efetiva. 

2. Causas de desenvolvimento
Existem três necessidades básicas de desenvolvimento, que devem ser satisfeitas para evitar a solidão.
Afeição. As crianças, por exemplo, necessitam estar ligadas aos pais; crianças, jovens e adultos precisam ter amigos.
Aceitação, que é a necessidade de pertencer. Algumas pessoas se sentem rejeitadas, incapazes de confiar e estabelecer vínculos maduros, gerando baixa auto-estima (assunto da lição no 9).
Aquisição de habilidades, que ajuda na construção de relacionamentos, afastando a possibilidade de solidão.
3.Causas psicológicas
O indivíduo cuja auto-estima está situada em patamares equilibrados terá menos probabilidade de sentir-se só.
Baixa auto-estima é o sentimento de que somos incapazes, abaixo do padrão que estabelecemos como aceitável; se a auto-estima for exageradamente alta, o sentimento é de presunção, de superioridade perante o próximo. Collins declara: "a baixa auto-estima torna a pessoa fraca ou tímida e ela passa a depender excessivamente dos outros" (p.66).
Incapacidade de comunicação . Ocorre quando as pessoas não querem ou não sabem se comunicar com sinceridade. Há uma busca pelo isolamento e a solidão vem, mesmo quando estam os cercados por muitas pessoas.
Hostilidade. Pessoas mal humoradas, carrancudas e antipáticas afastam as outras, e isso produz infelicidade.
Medo. “ As pessoas sentem-se solitárias porque levantam muros em lugar de construir pontes" . Geralmente por medo da intimidade, de deixar-se conhecer, da rejeição ou até mesmo de ser ferido faz com que construamos barreiras e mantenhamos os outros afastados de nós. IJoão 4: 18 diz: "No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. 
4. Causas situacionais
Algumas situações da vida podem gerar solidão. Por exemplo, os solteiros, os que ficaram viúvos, os estudantes universitários que estão longe da cidade natal, os estrangeiros, os superdotados, os que possuem deficiência física, ou até mesmo os doentes, etc., tudo isso pode gerar solidão.
5. Causas espirituais
A solidão pode surgir devido ao nosso afastamento de Deus. O pecado nos afasta do Senhor, assim como a incapacidade de reconhecermos esse fato. Devemos fazer o que o escritor sagrado nos recomenda: "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto" (Is 55:6-7).
V - Efeitos da solidão
O que a solidão causa às pessoas?
1. Isolamento
O fracasso na busca de relacionamentos pode produzir desânimo, egoísmo, autocomiseração e, consequentemente, o isolamento de tudo e de todos.
2. Desesperança
Quando chega a ponto de não ter mais razões, objetivos, propósitos na vida, o risco da desesperança pode levar o individuo solitário a pensar em suicídio. Este é um momento crítico e perigoso!
3. Alcoolismo e drogas
São tentativas de fugir da solidão. O indivíduo busca amizade com outros viciados, tornando o problema maior a cada dia. 

VI - Alguns conselhos
Para vencermos a solidão é necessário que tomemos algumas atitudes. Seguem algumas sugestões, embora não tenhamos a pretensão de esgotar o assunto.
Admita o problema
O primeiro passo é admitir que a solidão está interferindo negativamente na vida.
Considere as causas
Procure detectar quais são as causas; trabalhe na fonte do problema.
Aceite o que não pode ser mudado
Há situações que podem ser mudadas como desejamos. Por exemplo: a viúva não terá novamente o seu marido. Mas podemos buscar meios de mudar um conceito inadequado a respeito de nós mesmos.
Crie novos hábitos
Você pode assistir menos televisão, passar mais tempo em atividades que beneficiem o social, que beneficiem a família e a igreja.
Reconheça que não é perfeito
Todos temos limitações e problemas, quer nos sintamos solitários ou não. A ação ideal é reconhecer nossas habilidades, nossos pontos positivos, e valorizar os dons que Deus nos deu.
Enfrente os riscos
Em se tratando de relacionamentos, estamos lidando com possibilidades. Qualquer pessoa pode se sentir rejeitada, criticada, mas isso não justifica a fuga dos relacionamentos, o isolamento. Sabemos que precisamos conviver, de buscar comunhão com os irmãos - pode dar certo ou não, mas precisamos continuar tentando.
Edifique a igreja local
Deus lhe deu uma comunidade chamada igreja, um local de pessoas tornadas justas (Rm 5:1), para abençoarmos e que nos abençoarão. Relacione-se com os crentes, envolva-se com a vida eclesiástica, na obra do Senhor.
Satisfaça sua necessidade espiritual
Todas as sugestões não serão válidas se essa última não for uma verdade em sua vida. Deus criou o ser humano para se relacionar com Ele, e só estaremos satisfeitos quando houver reciprocidade de nossa parte. Que coisa maravilhosa é saber que fomos regenerados, feitos novas criaturas, para um relacionamento perfeito com Deus! Portanto, vamos buscar esse relacionamento (Ef 2:4-7).


Conclusão

Vivemos numa sociedade que produz a solidão, das mais diversas maneiras. É provável que dentro de nossos lares e dentro de nossas igrejas encontremos pessoas solitárias. Busquemos, então, a proximidade, o contato significativo com o próximo, mas acima de tudo busquemos a Deus, e Ele nos saciará plenamente e nos livrará desse mal.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quarta-feira, 24 de julho de 2019

ESTOU SOBRE A SOMBRA DO ONIPOTENTE


                                       ESTOU SOBRE A SOMBRA DO ONIPOTENTE


O que é um Salmo?

Para muitos os salmos são poesias destinadas a cânticos, mas segundo a Bíblia, os salmos constituem-se profecias.
Como na antiguidade parcela esmagadora da população não sabia ler e escrever, não era proveitoso apenas converter as profecias em textos formais e transcreve-las em papiro. Para suprir a deficiência de leitura (educação) do povo, o salmista e rei Davi separou alguns dos seus homens versados em música para escreverem profecias em forma de poesias para serem cantadas e acompanhadas ao som de instrumentos musicais, o que facilitaria o processo de memorização das profecias pelo povo.
“E DAVI, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério:” ( 1Cr 25:1 ).
Com o mesmo cuidado com que separou os capitães do seu exercito, o salmista separou os filhos de Asafe, Hemã e de Jedutum para profetizarem com auxílio de instrumentos musicais. Portanto, ao ler um Salmo é necessário interpretá-lo profeticamente, pois o ritmo e a rima são questões secundárias nas poesias hebraicas.
Quando os salmistas compunham os Salmos, não estavam produzindo uma obra de arte que sensibilizasse o emocional dos seus ouvintes. Também não estavam produzindo um composto de palavras com funções místicas. Os salmos também não foram produzidos para expor as mazelas do dia a dia dos salmistas e de seus compatriotas.
Os salmos foram produzidos para expor ao povo características próprias e específicas do Cristo para que pudessem identifica-Lo quando viesse ao mundo, portanto, durante a leitura dos Salmos somos informados acerca da natureza, do ministério, da vida e da morte de Cristo.
Quando o apóstolo Pedro postou-se diante dos judeus que mataram o Cristo, lembrou o povo do que escreveu o salmista Davi no Salmo 16 e, em seguida, expôs a verdade sobre Jesus:
“Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido; Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança; Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; Com a tua face me encherás de júbilo” ( At 2:25 -28).
O apóstolo Pedro também cita o Salmo 110 para falar de Cristo:
“Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés” ( At 2:33 -34).
Se alguém quer conhecer verdadeiramente quem é o Cristo de Deus, necessariamente precisa conhecer os Salmos. Conhecer e ler os Salmos como profecias mudará a concepção do leitor acerca de quem é Cristo ( Mt 22:42 -46; At 8:34 ; At 2:30 -31).
Não basta imprimir o Salmo abaixo e coloca-lo em uma moldura, antes é necessário compreende-lo! Andar com este Salmo impresso junto ao corpo não trará a tão almejada proteção angelical, pois as promessas nele contidas são eminentemente messiânicas.

Salmo 91

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,
Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.
Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.


Muitas pessoas buscam nos Salmos proteção diante das contingências da vida. Por iniciativa própria ou sob recomendação de outrem, muitos providenciam cópias impressas de salmos e fixam em vários lugares como: residência, trabalho, escola, meio de transporte, etc., pois entendem que os salmos são uma espécie de amuleto que livra quem os lê de invejas, inimigos, percalços, doenças, mal agouro, etc.
Diante de qualquer percalço desta vida põem-se a recitar os salmos como se fossem palavras de livramento e proteção, pois desconhecem a seguinte verdade: “No dia da prosperidade regozija-te, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez tanto este como aquele…” ( Ec 7:14 ). É inútil buscar proteção nos salmos diante das vicissitudes da vida quando é o próprio Deus que estabeleceu a adversidade em oposição à prosperidade com um objetivo bem definido: “… para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele” ( Ec 7:14 ). É aconselhável enfrentar as adversidades, pois elas fazem parte da existência do homem, confiante de que Deus é quem dá o escape.
De todos os salmos, o mais procurado é o Salmo 91 em função das promessas contidas nele. Como o salmo faz alusão a livramento e proteção, gurus, místicos, espiritualistas, padres, pastores, bispos, etc., utilizam-no como se fosse o antídoto para todos os males socioeconômicos da humanidade.
Dai a pergunta: É possível alcançar a proteção e os livramentos prometidos neste Salmo?

A proteção de Deus para o Messias

Para nos afastarmos da confusão e de nos sentirmos enganados por não vermos cumpridas as promessas do Salmo 91 em nossas vidas conforme o que imaginamos, por desconhecer certos aspectos das Bíblia, é necessário saber a quem se referem os livramentos e proteções nele descritos. Quem é o protegido do Salmo 91?
Analisando a primeira questão: “Quem é Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo?”; “Onde fica o esconderijo do Altíssimo?”.
Podemos concluir que este lugar não fica na Terra, simplesmente porque o esconderijo do Altíssimo diz de um ‘lugar’ inacessível aos homens “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém” ( 1Tm 6:16 ); “Para o entendido, o caminho da vida leva para cima, para que se desvie do inferno em baixo” ( Pr 15:24 ); “Trovejou desde os céus o SENHOR; e o Altíssimo fez soar a sua voz” ( 2Sm 22:14 ); “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu” ( Jo 3:13 ). Considerando que o esconderijo do Altíssimo é o céu e que ninguém subiu ao céu além de Jesus Cristo, devemos concluir que Jesus é Aquele que, antes de ser introduzido no mundo, habitava no esconderijo do Altíssimo.
Jesus habitava no céu quando este Salmo foi escrito (contagem humana de tempo e espaço). Este salmo, como muitos outros, é uma profecia acerca do Cristo. O Salmista prediz que Aquele que habita no céu ha de descansar sobre a proteção do Onipotente. Ou seja, o Salmo diz de Cristo esvaziado de Sua glória, de Cristo como homem introduzido no mundo.
No Salmo 91, profeticamente Davi antecipou que, o Verbo de Deus, quando se fizesse homem, iria descansar à sombra do Onipotente.
Assim como no Salmo 110 o salmista Davi inspirado por Deus (em espírito, ou seja, segundo a palavra da verdade) chamou reverentemente o seu Filho que havia de nascer, segundo a sua carne e sangue, de Senhor ( Mt 22:43 ), no verso 1 do Salmo 91, em espírito, o salmista vaticinou acerca do seu futuro Filho, o Filho de Deus. O filho de Davi estaria sob a proteção de Deus quando introduzido neste mundo, visto que, antes de ser encarnado habitava no lugar secreto do Altíssimo.
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.

Ora, não há registro nas Escrituras de alguém que tenha habitado no esconderijo do Altíssimo, mas Aquele que havia de vir, o Filho do homem, d’Ele as Escrituras dá testemunho que na eternidade habitou o recôndito da divindade ( Sl 45:6 ; Is 7:14 ; Is 8:17 ; Pv 30:3 ). Jesus mesmo falou acerca da sua glória: “E agora me glorifica tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” ( Jo 17:5 ). Os santos apóstolos de Cristo também falaram da glória de Cristo ( Jo 1:1 e 1Jo 1:1- 3; Hb 1:5 e 8).
Ou seja, Aquele que habitava na eternidade, por ser o Altíssimo ( Is 57:15 ), ao ser introduzido no mundo na condição de Servo do Senhor, viveu o predito pelo salmista: confiou inteiramente no Pai “Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste ( Jo 11:42 ); “Confiou no SENHOR, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer” ( Sl 22:8 ) compare com “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” ( Mt 27:43 ; Is 42:1 ).
Ao ser encarnado Cristo estabeleceu o Pai como o Seu Deus, o Seu Refúgio, a Sua Fortaleza. Como? Confiando n’Ele. Por confiar no Deus que fez as promessas contidas nas Escrituras a seu respeito como homem e servo, Cristo construiu a Sua habitação na Rocha inabalável “Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação” ( Sl 91:9 ); “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” ( Dt 32:4 ); “Ele me chamará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação” ( Sl 89:26 ); “Mas o SENHOR é a minha defesa; e o meu Deus é a rocha do meu refúgio” ( Sl 94:22 ).
Jesus necessitou de proteção porque deixou a sua glória e passou a viver como homem entre os homens. Ele necessitava de proteção para levar a efeito o seu ministério, pois aqui passou a viver na condição de servo do Senhor.

Quem pode habitar com Deus?

A pergunta que não se cala foi feita em outros Salmos e por outros profetas: “Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte?” ( Sl 15:1 ). O Salmo 24 diz: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem estará no seu tabernáculo?” ( Sl 24:3 ). A resposta é clara e aponta para alguém em específico: “Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá do Senhor a bênção e a justiça do Deus da sua salvação” ( Sl 24:4 -5).
Somente Jesus, dentre os filhos dos homens, foi limpo de mãos e puro de coração ( 1Pe 2:22 ). Somente o Cristo de Deus andou em sinceridade, praticou a justiça e falou a verdade segundo o seu coração ( Sl 15:3 ). Somente o Cristo de Deus possui olhos capazes de desprezar o réprobo. Somente Ele tem o poder de honrar os que temem ao Senhor ( Sl 15:4 ).
Sobre este mister arremata o profeta Isaías: “Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? O que anda em justiça, e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal. Este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas. Os teus olhos verão o rei na sua formosura, e verão a terra que está longe” ( Is 33:14 -17; Sl 63:7 e Sl 61:4 ).
Por falar especificamente do Messias, os profetas não disseram ‘qualquer que’, antes utiliza o pronome demonstrativo ‘aquele’ nos Salmos 15, 24 e 91, isto porque somente o Cristo de Deus dentre os filhos dos homens nunca foi abalado ( Sl 15:5 ). Desde que Adão se vendeu ao pecado como escravo, todos os homens juntamente se desviaram e tornaram-se escusáveis diante de Deus, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus ( Sl 53:3 ; Sl 51:5 ; Sl 58:3 e Mq 7:2 -4).

Laços e setas

Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,
Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.

Jesus identificava as armadilhas engendradas pelos homens (laço do passarinheiro) através de suas palavras cheias de engano e malícia, a verdadeira ‘peste perniciosa’ que arrebata a alma dos incautos ( Jo 10:10 ). Desde o Éden a ‘peste perniciosa’ assola a humanidade, pois um pecou e todos pecaram. Um morreu e todos morreram ( 1Co 15:21 -22), e passaram a falar segundo os seus corações mentirosos ( Sl 58:3 ). A peste perniciosa não se assemelha a peste negra que dizimou a Europa. Nem tão pouco diz de agentes químicos ou de armas biológicas.
Os filhos do povo do Messias armaram diversas armadilhas com o fito de ‘pegar’ o Cristo nalguma contradição, porém, somente eles permaneceram enlaçados “Armaram uma rede aos meus passos; a minha alma está abatida. Cavaram uma cova diante de mim, porém eles mesmos caíram no meio dela” ( Sl 57:6 ; Sl 56:5 ; Mt 22:17 ; Jo 8:5 ); “Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, A pedra que os edificadores reprovaram, Essa foi a principal da esquina, E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados” ( 1Pe 2:6 -8; Rm 9:33 ).
O Filho de Davi desde o ventre de Maria era livre do pecado (a peste perniciosa), visto que Ele foi lançado na madre ( Sl 22:10 ) e gerado por Deus ( Sl 2:7; 2Sm 7:14 ). Todos os descendentes da carne de Adão, a porta larga por quem todos os homens entram ao virem ao mundo foram contaminados pelo pecado (o mesmo que ser vendidos ao pecado como escravos), porém, Jesus, o último Adão, Ele é a porta estreita pela qual todos os homens que creem torna-se livres do pecado.
A proteção de Deus dispensada ao Messias era específica: “Ele te cobrirá com as Suas penas, e debaixo das Suas asas te confiarás” (v. 4). Da mesma forma que a galinha protege os seus pintainhos debaixo de suas asas, o Cristo estava seguro debaixo das asas do Onipotente “TEM misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades” ( Sl 57:1 ; Sl 63:7 e Sl 61:4 ).
A verdade ou a fidelidade de Deus foi constituída como escudo e broquel do Messias. Todos os adversários vieram contra Ele utilizando-se de palavras de engano, mas na Palavra de Deus (verdade e fidelidade) estava a defesa de Cristo. Diante dos religiosos Judeus, Jesus apresentou as Escrituras em sua defesa. Quando tentado pelo diabo no deserto, Cristo fez uso das Escrituras.
Há pessoas que ficam até arrepiadas quando leem o verso seguinte por falta de compreensão: “Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia, nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia” (v. 5 ). Este verso é resumo do exposto profeticamente pelo Salmo 64: “OUVE, ó Deus, a minha voz na minha oração; guarda a minha vida do temor do inimigo. Esconde-me do secreto conselho dos maus, e do tumulto dos que praticam a iniquidade. Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas, A fim de atirarem em lugar oculto ao que é íntegro; disparam sobre ele repentinamente, e não temem. Firmam-se em mau intento; falam de armar laços secretamente, e dizem: Quem os verá? Andam inquirindo malícias, inquirem tudo o que se pode inquirir; e ambos, o íntimo pensamento de cada um deles, e o coração, são profundos” ( Sl 64:1 -6).
Os soldados quando no campo de batalha são atormentados pelo medo do inimigo. Durante a noite são atormentados ante a possibilidade do ataque sorrateiro do inimigo e, durante o dia o terror abate seus corações por causa dos perigos que representam as flechas inimigas. As perguntas se avolumam: – Será que o inimigo atacará durante a noite? O inimigo nos tem sobre a mira por causa da claridade do dia? Estas questões não se afastam dos que estão no campo de batalha.
Mas, por confiar no Pai é que a confiança do Messias é expressa no Salmo 64: – Guarda a minha alma do temor do inimigo! (v. 1) Quais seriam as armas dos inimigos dos Messias? A língua! “A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e a sua língua espada afiada” ( Sl 57:4 ); “Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” ( Sl 140:3 ).
Os inimigos de Davi possuíam espadas afiadas, mas o Filho de Davi, o Messias, enfrentaria homens que possuíam as línguas afiadas como se fossem espadas. As setas deles constituíam-se em palavras amargas! Secretamente engendravam planos para dar cabo do Messias ( Jo 11:53 ), mas sendo a Palavra de Deus escudo e broquel, o Messias não seria atingido.

Promessas de Deus para o seu Filho

Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.

O Cristo não precisou lançar mão da vingança em relação aos ímpios, pois lhe foi prometido que Ele haveria de ver a recompensa deles ( Sl 56:7 ). Cristo escolheu o Senhor como refúgio, o Deus que tudo executou para o Messias ( Sl 57:2 –3), de modo que o Senhor O fez assentar a sua direita até que todos seus inimigos estivessem subjugados ( Sl 110:1 ).
Todas as promessas seriam levadas a efeito porque o Messias se refugiou na obediência a palavra de Deus. O Verbo encarnado passou a descansar à sombra do Onipotente, pois fez do pai o seu alto refúgio ( Sl 57:1 ). Há uma grande diferença entre ‘habitar’ no esconderijo do Altíssimo e ‘refugiar’ no Altíssimo. Refugiar-se é obedecer ao Pai que provê proteção, ‘habitar’ diz de estar com Deus.
Vale salientar aqui que o verso 10 demonstra que, apesar da proteção dada ao Messias, Ele não teria possessão permanente neste mundo. Do mesmo modo que o crente Abraão não construiu casa na terra da promessa, antes habitou em tendas em função de aguardar a cidade que tem fundamentos ( Hb 11:9 -10), de Cristo foi predito que nenhum mal chegaria a sua tenda, indicando que Ele não faria casa neste mundo “E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” ( Lc 9:58 ).
Embora os anjos estivessem à disposição do Messias para protegê-Lo sustendo-O em suas mãos para não tropeçar, protegendo-O em todos os seus caminhos, o Filho do homem não teve aqui possessão permanente. Embora o Salmo 2 diga que como Rei, Cristo terá as nações por herança, mas na condição de servo, nada usurpou.
Foi dado ao Filho do homem calcar os pés o leão e a serpente. Somos informados pelo Salmo 57 que os homens são comparáveis às bestas famintas, ou seja, leões “A minha alma está entre leões; estou deitado entre bestas famintas, homens cujos dentes são lança e flechas, e cuja língua é espada afiada” ( Sl 57:4 ).
Acerca da serpente temos uma profecia no Gênesis: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” ( Gn 3:15 ), ou seja, o diabo é a antiga serpente ( Ap 12:9 ).
Em função de ter honrado, obedecido ao Pai na condição de Servo, Deus promete livramento e promete estar com o Messias no momento da angustia. Por ter conhecido o Pai, ou seja, ser um com Ele, quando invocasse o Seu nome, Deus esteve com Ele na angustia e glorificado, de modo que seria farto de dias para sempre, eternamente.

O Descanso prometido a todos os homens

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 )
Ter o Salmo 91 impresso no bolso não confere proteção. Tê-lo exposto na parede não confere descanso. Colocá-lo no veículo não evitará acidentes.
A promessa do Salmo 91 diz do Messias, pois somente Cristo habitou e habita no esconderijo do Altíssimo, mas é possível aos homens através da Sua palavra compartilhar do descanso à sombra do Onipotente.
Ora, Cristo como homem disse: “NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” ( Jo 14:1 ), pois foi esta a palavra d’Ele como Sublime que habitava com o Altíssimo: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).
Deus fez muitas promessas para o Seu Filho, e o Seu Filho nos faz um convite: Tomais sobre vós o meu jugo (…) e encontrareis descanso para as vossas almas! Quem aceita o convite, tanto o Pai quanto o Filho faz nele morada “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” ( Jo 14:23 ).
Qualquer que crê em Cristo torna-se habitação do Alto e do Sublime que, apesar de habitarem a eternidade, vem e faz morada naqueles que creem no Evangelho “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” ( 1Co 3:16 -17).
O que Jesus propõe? Ele enfatiza que, se qualquer um se dispuser servi-Lo na condição de servo (obedecendo-O), ou seja, aprendendo d’Ele, efetivamente encontrará descanso!
A proposta de Jesus é para os que se encontram cansados, sobrecarregados… A promessa é firme: – Eu vos aliviarei! Para os temerosos e ressabiados, Jesus esclarece: – Meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
A promessa de Cristo diz especificamente da salvação, pois o apóstolo João alerta: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” ( 1Jo 2:25 ).
O mesmo Deus que prometeu proteção e segurança para o Seu Filho, é o Deus que promete descanso a todos os homens: “Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” ( Is 28:12 ), porém, o descanso não encontra-se atrelado ao Salmo 91, antes está n’Aquele que é o tema do Salmo 91: Cristo.
Mesmo que o cristão estivesse de posse de todas as promessas pertinentes ao Messias, vale destacar que o Messias passou pelas mesmas paixões e sofreu angustias, até o seu suor transformou-se em gotas de sangue. O apóstolo Paulo recomenda: sofre comigo as aflições de Cristo, portanto, não devemos temer as aflições ( 2Tm 2:3 ).
O profeta Isaías profetizou em nome do Senhor Jeová de modo a indicar aos homens qual o descanso, porém os homens não querem ouvir. O próprio povo do Messias rejeitou a Pedra onde Deus indicou que o homem encontra descanso: “Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse” ( Is 28:16 ).
Enquanto Cristo fez do Pai a sua habitação, do Pai e do Filho temos a promessa de que, se submetermos ao seu jugo, ambos farão no homem morada, casa espiritual “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ); “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” ( Jo 14:23 ; 1Pe 2:5 ).
Se você está em busca de proteção, refugio, segurança, basta crer em Cristo como diz as Escrituras, basta confiar no homem profetizado por Isaías, o companheiro do Senhor: “EIS que reinará um rei com justiça, e dominarão os príncipes segundo o juízo. E será aquele homem como um esconderijo contra o vento, e um refúgio contra a tempestade, como ribeiros de águas em lugares secos, e como a sombra de uma grande rocha em terra sedenta” ( Is 32:1 -2); “Ó espada, desperta-te contra o meu Pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos. Fere ao pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas; mas volverei a minha mão sobre os pequenos” ( Zc 13:7 ).
Ao confiar em Cristo você não terá o ‘corpo fechado’. Cristo não se apresenta como um ‘patuá’. Os salmos não são ‘amuletos’. Rezar os Salmos não livra o homem das contingencias da vida. A promessa de Deus decorre da sua palavra, que é escudo, broquel, espada, etc. É por isso que o apóstolo Paulo ordena: Revesti-vos de toda a armadura de Deus. Tendo a palavra de Deus como escudo, o homem tem a capacidade de apagar todos os dardos inflamados do maligno. É o escuda da Fé que protege o cristão dos falsos ensinos, das palavras de engano, ou seja, das ‘setas inflamadas’ “Ó DEUS o Senhor, fortaleza da minha salvação, tu cobriste a minha cabeça no dia da batalha” ( Sl 140:7 ; Ef 6:17 ).
Para que os seus seguidores tivessem paz, Ele mesmo instruiu dizendo: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” ( Jo 16:33 ). Ou seja, não se deve ter medo das contingências desta vida, pois a Bíblia mesmo diz: “No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez a este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele” ( Ec 7:14 ).
Mas, mesmo nas contingências a ordem é: tenha bom animo! Por quê? Porque Cristo venceu o mundo! Com a sua vitória Ele venceu a morte, o pecado e a lei, de modo que por intermédio d’Ele quem crê alcança vida dentre os mortos “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ); “Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo” ( Hb 4:3 ).
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante