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sábado, 24 de outubro de 2015

ESTUDO BÍBLICO A INVEJA DESTRÓI O CARÁTER CRISTÃO.


               ESTUDO BÍBLICO A INVEJA DESTRÓI O CARÁTER CRISTÃO.
Gênesis 37-50
Introdução: conta-se uma lenda bem conhecida que um pessegueiro olhou para a castanheira a seu lado e invejou os galhos carregados de frutos de sua companheira. Porque essa árvore dá tantos frutos, pensou o pessegueiro- e eu produzo tão poucos? Isto não é justo. Vou tentar fazer o mesmo! Não tente, disse um jovem pé de ameixas que lera o pensamento de pessegueiro. Você não reparou na grossura dos galhos da castanheira? Não vê o tamanho do tronco? Cada um de nós deve produzir aquilo de que é capaz. Pense em produzir bons e doces pêssegos. O importante é a qualidade, e não a quantidade! Porém o pessegueiro, cego de inveja, não lhe deu ouvidos. Pediu à suas raízes que sugassem mais alimento do solo; que seus veios transportassem mais seiva; que seus ramos dessem mais flores e que as flores se transformassem em frutas até que, ao chegar a época da colheita, ele tivesse carregado de cima a baixo. E assim aconteceu! Mas quando os pêssegos amadureceram, seu peso aumentou e os galhos não conseguiram sustenta-los.O tronco também não aguentou os galhos tão carregados de frutas. E com um gemido, o pessegueiro curvou-se. E então, com grande estrondo, o tronco se quebrou e caiu... E os pêssegos apodreceram ao pé da castanheira!

Inveja: guarde bem essa palavra em sua mente.
Porque o sentimento que ela trás entranhado em si tem destruído muitas pessoas. Dividido famílias, amizades e até mesmo Igrejas.
Estudiosos dizem que: A Inveja: é um misto de ódio, desgosto e pesar pelo bem e felicidade de outrem; é o desejo violento de possuir o bem alheio; é o invejar a prosperidade, as realizações e a alegria de outra pessoa.
E geralmente a pessoa afetada diz: Pastor. Mas eu não fiz e não faço nada pra ninguém! Eu sou uma pessoa boa! O que será que eu fiz para a pessoa me querer mal?
Essa pergunta não é feita de hoje.

Transição: A Bíblia fala que esse vilão a Inveja, atacou uma pequena família na região de Canaã. E separou um jovem chamado José de sua casa.
Foi à inveja que fez com que José fosse jogado em uma cisterna.
Foi à inveja que fez com que José fosse vendido para o Egito.
Foi por causa da inveja que José perdeu os melhores anos da sua vida num calabouço frio e sujo.

Quem sabe ele se perguntava como você se pergunta hoje: Por que Senhor?
A resposta está no versículo 11- os seus irmãos pois o invejavam.
A inveja é terrível e pode não tirar as bênçãos de você, mas pode adia-las.
É por isso que eu quero levar você a meditar um pouquinho sobre o porque José foi invejado pelos seus irmãos.
Para isso eu quero aplicar o que é chamado pelos estudiosos de regra de 3 das possíveis causas das invejas.

I) ELES NÃO ERAM QUEM ELE ERA.
-Por que me invejam Pastor? Porque não são quem você é. Uma pessoa influente, realizada, com muitos amigos, alegre, sempre sorridente.E por não ser assim eles lutam para procurar alguma falha, algo que possa tirar o brilho que Deus deu para você.
-Há uma história muito antiga de um vaga lume que era perseguido por uma serpente. Cansado daquela vida o vaga lume resolveu perguntar porque ela desferia os seus golpes contra ele sempre. A resposta foi rápida e incisiva: Eu não suporto te ver brilhar.
-Uma pessoa pode causar inveja nas pessoas pelo simples jeito de ser.
-Quantas pessoas frustradas por não conseguirem se realizar na vida. Pelo simples fato de não correrem atrás dos objetivos e conquistar seu espaço, mas ficarem tentando ofuscar o brilho dos outros.
Quem era José? O texto nos diz que José era o filho amado de Jacó. Era o protegido do pai. E isso ficava evidente.
Por esse motivo ele foi invejado a ponto de tentarem contra a sua vida.
José nunca buscou isso, para a sua vida. Mas pelo fato de ser ele sofreu.

II) MAS JOSÉ SOFREU PORQUE SEU IRMÃOS NÃO TINHAM O QUE ELE TINHA.
-O que ele tinha?
-Ele tinha uma túnica dada pelo seu pai.
-Ora o que tinha demais nessa túnica.
-Ela não era uma túnica qualquer.
-De acordo com o historiador Charles Swindow era uma túnica toda enfeitada, colorida, cujo cumprimento dava até o tornozelo. Quando na época os filhos recebiam túnicas curtas e leve para facilitar o trabalho pesado.
De acordo com esse historiador ao dar essa túnica á José ele estava dizendo: Meu querido filho você não precisa trabalhar em trabalhos pesados.
Lembrando que a função do pastoreio era dos filhos mais novos na cultura hebraica.
Eles tinham que exercer no lugar dele.
Isso deixou seus irmãos uma fera.
Cada vez que eles olhavam para aquela túnica era uma afronta.
Você sabia que o que você pode causar inveja em outras pessoas?
Não é a toa que os centro espíritas estão lotados, as encruzilhadas estão lotadas de despachos.
Não é a toa que nós estamos vivendo NUM TEMPO onde não se pensa duas vezes para prejudicar outra pessoa.
Um Pastor amigo: acabou de trocar o carro, quando saiu da casa de uma irmã a quem visitava o capô do carro estava todo riscado. Sabe o que ele disse? Eu já esperava.
O que preocupa é que nem a igreja está livre disso: tem até uma tal invejinha santa!que surgiu no meio evangélico.
O irmão passa um tempo esperando sair uma causa na justiça o irmão vai testemunhar. Estou construindo, comprei carro: o outro diz: o Senhor lembra de mim também. O endereço é tal e número Tal.
Senhor nem precisa ser uma casa grande, só a metade da casa do irmão ta bom.
- Isso só pelo fato de o outro ter.

III) ELES NÃO FAZIAM O QUE ELE FAZIA.

José sonhava os sonhos de Deus para a sua vida. Era uma pessoa séria, trazia as notícias daquilo que ocorria no campo.
José tinha a capacidade de fazer as coisas corretas de se manter fiel.
O que muitas pessoas não conseguiam fazer.

Mas Diante disso:
Como vencer o poder da Inveja?

1) NÃO ACEITE SER NIVELADO POR BAIXO, VIVA ACIMA DA MEDIOCRIDADE E DA AMARGURA.
Para que os propósitos de Deus se cumpram você precisa ser uma pessoa que não viva segundo os parâmetros que as pessoas querem que você viva.
Eles queriam que José fosse um escravo.
Mas Deus havia mostrado para ele que seria maior que seus irmãos.
Eu vou dizer para você o que aconteceu quando as pessoas jogavam José mais para o fundo do poço (ele fazia planos ele firmava os seus propósitos)
Olha eu vou te ajudar a decifrar o sonho mas lembre-se de mim.
Queridos, firme seus propósitos com Deus faça planos para melhor. Não deixe que a inveja o leve ao estágio final de seus propósitos.

2) MANTENHA O CORAÇÃO PROTEGIDO COM A GRAÇA DE DEUS E TENHA EM SUA VIDA O HÁBITO DO PERDÃO.
A maior causa da amargura de alma é o martirizar, mexer durante toda a vida na ferida.

Algumas pessoas não conseguem desfrutar e nem conquistar nada porque estão com os olhos nas pessoas ao seu redor e não nos objetivos.
José teve que passar por um caminho difícil na sua trajetória.
perseguição em casa, traído pelos irmãos, tentado no trabalho, foi para um cárcere sem dever.
Mas venceu com a graça de Deus em sua vida.
Porque é a graça de Deus, o Karis que nos mantém protegidos do sentimento de derrota, de retaliação e de vingança.

Lembre-se sempre que o poder da inveja é vencido com atitudes firmes e um coração que se mantém debaixo da graça salvadora de Cristo.
Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

ESTUDO BÍBLICO APRENDENDO COM OS PATRIARCAS...


                        ESTUDO BÍBLICO APRENDENDO COM OS PATRIARCAS...
Ex  12. 01 – 09

INTRODUÇÃO

Todo cristão deve ter em sua vida espiritual as três marcas que qualificam o chamado da salvação. Nunca deve faltar em nossas vidas, a Tenda, o Altar e o Poço. Nós iremos estudar passo a passo  essas  três coisas de grande importância  para nossas vidas.
Vejamos que na vida de Abrão  (Abraão) não faltaram esses elementos quando ele mantinha  estreita comunhão com Deus, somente no Egito nós vemos Abraão, sem Tenda, sem Altar e sem Poço. São palavras que parecem simples, mas que tem grande significado, tanto como nomes históricos como espiritual.

I – A TENDA E AS VIAGENS DE ABRAÃO

1 – O chamado de Abraão
Quando Deus chama Abrão  para uma terra desconhecida à vista de dele, ele não discute com Deus, mas simplesmente toma a iniciativa de viajar (EX. 12 ).
Com a idade de setenta e cinco anos, Abrão parte em direção de Deus em busca da terra da terra prometida. Andou pelas terras de Canaã até ao lugar chamado  Siquém. Ex 12.06
Siquém – Em Hb significa  ombro. Esse lugar nos retrata um ombro amigo, para nos sustentar nas horas de grandes  dificuldades, um ombro que carrega as nossas dores e as nossas enfermidades. Siquém  nos revela a pessoa amada de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, descrito pelos profetas, principalmente em Isais 53.4-5.
         Abrão saiu a procura de um lugar onde estivesse o ombro amigo. É claro que Abrão conhecia o significado dessa palavra, e preferiu, então, ficar em Siquém, do que rumar para um lugar sem valor significativo.
         Outros lugare interessantes para conhecermos é o Carvalhos de Moré,. O que este representava para Abrão? Se Siquém revelava um ombro amigo, Carvalhos de Maré não era diferente. Vejamos:
Carvalhos: Alguns eruditos creêm que se trata de uma árvore especialmente sagrada, vinculada à adivinhações; parte de um antigo santuário cananeu, podemos ver isso com clareza no livro de Jz 9.37. Onde lemos:
Carvalho de Meonenim – Versão revista Corrigida de João Ferreira de Almeida. Meonenim: é palavra hebraica que significa Augures, derivado da palavra Hb canan (Agir, encobertado), referindo-se à prática da mágia. Porém temos a  contraversão de alguns eruditos que afirmam que tal Carvalho era um Marco geográfico,  e no caso de Abrão, não se tratava de idolatria, mas de uma referência. No entanto, precisamos entender que  a tradição afirma que debaixo de árvores e entre florestas  de carvalhos, os antigos idólatras  se reuniam afim de praticar artes mágicas. Então, eis aá uma advertência para os que gostam de orar no monte na floresta e no meio  da noite.
         Vamos conhecer agora um pouco sobre Moré,  o que esse lugar significa.
 Moré – Em Hb – Moreh -   significa Mestre. Abrão que recém recebera o chamado divino, necessitava de orientação divina. Não que o lugar pudesse inspirar alguma coisa, mas era um ponto de referência, pois, sempre os  nomes no antigo testamento estavam associados a acontecimentos e significados marcantes. Moré podia significar para Abrão um lugar para se obter direção, mas o que aprendemos é que esse lugares, tanto o Carvalho, como  o Maré não influenciaram  a vida de fé de Abrão. Mas vemos sempre o altar  sendo levantado como sinal de comunhão com Deus.
Tenda sendo armada como sinal de  abrigo e proteção, e o poço como símbolo  de vida, presença marcante do Espírito Santo na vida do  servo do Senhor que tinha em mente uma promessa

II – A TENDA E SEUS VALOR

 1 - Tenda - Em Hb Ohel  - em Gr é Skené
         A Tenda era uma habitação temporária, feita de um tecido forte, com pêlos de cabra em vários formatos, cônicas, ovais, oblongas. Esse tipo de residência era muito usado pelos beduínos dos Árabes  e nômades do deserto  árabia, da Síria e do norte da África.
         A tenda na vida de Abrão representava expressão de genuína fé e de esperança, par um homem que não andava por vista mas unicamente por fé. Ele saiu do meio de sua parentela sem saber para onde ia somente habitando em tendas.
         Abrão esperava alcança  a cidade que tem fundamentos, do qual o artifíce e construtor é Deus ( Hb 11.10), mas até chegar lá Abrão peregrinava na terra, para nos deixar um exemplo de que não temos aqui morada permanente.
         A igreja, hoje, vive em tendas de esperança, sabendo que a sua morada é celestial, a nova Canaã onde,  logo chegaremos.
         No Antigo Testamento, em especial durante a  peregrinação do povo de Israel no  deserto, a tenda era o tabernáculo, centro de adoração a Deus. Em Ex.29.44-45: “Santificai a tenda da congregação  e o altar,  também santificai a Arão e seus filhos, para que me administre o sacerdócio. E habitarei no meio dos filhos de Israel e serei por Deus. Feliz é o homem que tem a sua tenda santificada”.
         Cremos que a tenda de Abraão era semelhante as demais; móvel, podia ser transportada por um camelo juntamente com as mobílias, mas uma coisa ela tinha de diferente: era santificada.
         Veja que expressão de profundo significado espiritual: Nr 24.5 “Que boa são as tuas tendas, ó Jaco! Que boa as tuas moradas, ó Israel!
         Outra linda expressão:  Pv 14.11 “A casa dos ímpios de desfará, mas a tenda do reto florescerá. Sabe o que significa esse florescerá? É o  mesmo que dizer: Será próspera, terá graça, terá a unção do Espirito Santo, pode significar o Espirito Santo ornamentando a nossa habitação. Óh  Maravilhas de Deus. Aleluia!!!
         A  tenda não podia estar apenas estendida, era preciso esticar com estacas e cordas para resistir aos ventos. Jô, numa declaração de lamento lembrado do seu primeiro estado: Jó 29.4 “Como era nos dias da minha mocidade, quando o segredo de Deus estava sobre a minha  tenda”. Jó lembrava da comunhão que ele tinha com Deus, e faz menção: “quando o segredo de Deus estava sobre a minha tenda”.
         A Tenda de Abrão continha o segredo de Deus, que talvez nem mesmo Abrão ainda sabia. Tinha o segredo que acompanhava a promessa, Segredos que revelavam gozo, paz, mas, quem sabe alguns lhe trariam dor  como por exemplo, a despedida de Ismael e Agar, e o pedido da vida  Isaque em sacrifício a Deus Jeová. Mas quando temos nossa tenda armada junto a Siquém, temos um braço amigo para nos auxiliar. Quando a tenda está armada em Moré, temos um mestre para nos guiar. Quando  a tenda está armada junto ao Carvalho, temos um lugar geográfico para nos localizar. Quando a nossa tenda está armada em Siquém junto ao Carvalho de Moré, temos limites com o mundo, mantemos separação entre o que é santo e o que é profano. Onde armaste a sua tenda? 
         Infelizmente, muitos já não tem sua mais Tenda, possui a penas cabana, que não é a mesma coisa que tenda. Cabana é um casebre de palha, uma choça, enquanto tenda é uma habitação desmontável, digo porém, que já está na hora de mudar da cabana  para tenda.
Outros estão com suas tendas derribadas, o vento das lutas e perseguições sopraram, e ela não estavam bem ficada na rocha que é Cristo Jesus, e então desabou. Veja o que Amós fala  a respeito a isso:  Am 9.11  “Naquele dia, tornarei a levantar a tenda de Davi, que caiu,  e taparei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e edificarei como nos dias da antigüidade”. Essa é uma referência ao tabernáculo, mas como ele estava em ruínas,  Deus afirmou que iria levantar, assim Deus poderá fazer com a tenda da vida daquele que a deixou desmoronar.


O ALTAR

Existem diversas referências ao  altar, sendo bastante bastantes genéricas , as questões são as mais varias sobre a forma física, ou seja sobre o  altar construído visivelmente. Porém, o que vamos destacar em  nosso estudo é a forma do altar para adoração e santificação a Deus, e não quanto a morfologia da palavra ( classificação da palavra)

I – ESTUDANDO O ALTAR

1.1  – Definição
Lugar de entrar em contato com o poder divino, lugar onde se manifesta a presença de Deus. Do Latim  Altus , que significa estrutura elevada, que conforme costume pagão, presumivelmente chamava a atenção do poder invocado.

A – Os altares pagãos
         Eram de muitos tipos. Na idade do bronze antigo ele era construído de pedra arrumada, uma ligada a outra, já na idade do bronze moderno alguns altares tinham forma retangular, feitos de tijolos ou pedras acimentados de argila. Eram de vários tamanhos, uns em grandes estruturas e outros bem pequenos, como por exemplo: Pequenos montinhos de pedra  que serviam de altar para os pagãos .

B – Os altares Semitas
         Os semitas eram povos descendentes de Sem. Como exemplo temos o altar de Abraão  em Siquem Gn. (12.07), o de Isaque em Berseba Gn. 26.15, o de Jacó em Siquem (Gn 32.22), de Moisés em Refedim (Ex 17.15). Todos esses altares tinham a forma acima. Porém na cultura semita eles tinham o propósito sacrificial, mesmo que não exclusivamente. Muitos desses altares eram feitos de rocha  natural, com canais para escorrer o sangue dos animais sacrificados, ou eram, apenas, montes de terra ou rocha com valetas ao redor, para que o sangue derramado sobre o altar  escorresse, e esse ritual era atribuído ao poder da divindade, ou seja: O sangue derramado sobre o altar estava correndo com poder da divindade, sendo em  vários ritos de purificação e para se buscar poder.

C – O Altar do Tabernáculo no Antigo Testamento
         O Altar teve grande influência na vida do povo de Israel, haja visto que o templo era o centro da adoração desse povo. Encontramos no tabernáculo dois altares de grande significado. O primeiro ficava na metade oriental do átrio (pátio) e era de bronze. Dizem os entendidos que tinha influência do povo esse altar; esse altar era o altar do holocausto. O segundo altar era menor e chamado de altar do incenso, símbolo da nossas orações.
         Podemos encontrar outro altares no templo de Salomão, sendo ele  era uma réplica do grande altar do tabernáculo. Esse altar de Salomão durou por quase três séculos, porém Acaz em aproximadamente 735-717 a.C. removeu esse altar para o lado norte e colocando outro em seu lugar

II – O ALTAR E O EVANGELHO DA GRAÇA

2.1 – O Altar e a Graça
         Com a morte de Cristo na cruz o véu foi rasgado e a fé do Novo Testamento iliminou o judaísmo suntuoso e complexo, ficando o ritual da velha aliança como sombra e símbolo para a dispensação  da graça.

– Símbolo do Altar
         Ele é o símbolo do lugar  onde podemos nos aproximar de Deus mediante sacrifício e oração. Lugar onde Deus vem ao encontro de nossas necessidade espirituais e humanas, logo podemos entender que o altar é o lugar de comunicação entre Deus e o homem, é onde o fraco encontra força  e poder.
         Nós vemos na vida de Abraão, desde a sua saída de Ur dos Caldeus em Gn. 12, que em todos lugares ele amava a tenda  e o altar, lembrando que  o altar era o símbolo da comunicação e comunhão com Deus, no obstante não vemos Abraão levantar altar quando estava no Egito, e muito menos cavar um poço que também possuía uma  representação.

2.1 – Jacó e o altar
         O nome de Jacó significa enganador, suplantador. Como  pode um homem com tal nome levantar um altar? Na verdade ele só conseguiu levantar um altar após a mudança de seu nome no vau de Jaboque.
         Quando Jacó fugiu da face de seu irmão Esau, ele chegou até Betel (Gn. 28) onde ele teve um sonho ou visão de Deus, e em Gn 28.18 Jacó levanta de madrugada e toma a pedra que tinha posto por sua cabeceira e faz dela uma coluna, ou seja levanta uma coluna e derrama azeite sobre ela. Notemos que até então Jacó não tinha altar, mas apenas uma coluna, que pode significar marco ou separação. Deus colocou um  marco na vida de Jacó e o separou da vida antiga para uma nova vida, uma nova caminhada que poderia ter mudado todo o caráter dele naquele momento. Mas Jacó continua a sua vida  e nada mudou, suas trapaças, seu jeitinho enganador, pois ele não tinha levantado o altar da verdadeira renovação e comunhão com Deus. Deus tinha feito uma promessa a Jacó, mas ele só seria realmente abençoado depois que levantasse o altar. Ainda que Jacó prosperou na terra de Padã-Arã, mas na realidade, ele ainda não estava de posse da
verdadeira benção.



2.2 – Levantando o Altar
         Tudo parecia bem na vida de Jacó, mas chegou o momento de acertar-se com Deus. Ele tinha saudade do lar, do irmão, era preciso uma reconciliação, e como isso aconteceria? Somente através uma intervenção divina  na vida de Jacó.  Ele agora toma a decisão de voltar. No vau de Jaboque conforme registra Gn 2.23-29,Jacó luta com um anjo, declara seu nome, e logo então este é mudado para Israel, que significa campeão com Deus. Após esse encontro ele ruma para encontrar com seu irmão Esaú, e vai para Siquem. Em seguida levanta o altar (Gn 33.20). Levantou o altar e chamou –lhe Deus, Deus de Israel. Logo em seguido Deus manda Jacó  a Betel e levanta o altar. Só pode fazer confissão genuína quem tem altar.

A – O primeiro Altar (Gn 33.20)
         Chegando em Siquém, Jacó compra parte de um campo  das mãos dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro. Logo podemos chamar esse altar de Altar da reconciliação, tanto consigo mesmo, como com Deus. Duas coisas Jacó fez prioritariamente em Sucote e Siquem: Em Sucote edificou  a casa  que corresponde a tenda, que já estudamos anteriormente, e em Siquém ele compra parte de um campo e levanta o altar. Ele entendeu que apenas com a tenda ele não poderia prosseguir no crescimento espiritual.

B – O Segundo Altar
         Esse altar podemos chamar de: Altar da comunhão, santificação e perfeição. Em Gn 35.1: “Depois disse Deus a Jacó”. Isso implica em dizer que Deus estava restabelecendo a comunhão  com Jacó .
1º - Deus voltou a se comunicar com Jacó
2º - Deus lembrou de Jacó Gn  35.1 “O Deus que te apareceu quando fugiste da face de Esaú, teuirmão”. Deus fez questão de referir “teu irmão”..

Jacó é santificado.
         Após Jacó restabelecer a comunhão com Deus, ele começou o processo  de santificação e purificação.
a- Tirai os deuses estranhos  - Gn 35.21
b- Purificai-vos - Gn 35.2b
c- Mudai as vossas vestes
d- Levantemos e subamos a Betel - Gn 35.1
e- Ali farei um altar ao Deus que me respondeu  - Gn 35.3
         Logo então, todos são purificados da idolatria: “Levantou o altar e chamou aquele lugar El-Betel”.
El – Em Hb quer dizer: poder, força. Essa palavra é congênito do termo assírio Ilu ou Il, que significa deus.
Betel – Em Hb quer dizer: Casa de Deus.
Não confundir Bete, que no Hb é Casa, esse Bete corresponde a segunda letra do alfabeto hebraico.
El-Betel – Quer dizer “Deus da Casa de Deus”. Traduzido para o nosso portugues ficaria mais ou menos assim: Jacó levanta um altar a Deus, na casa de Deus, que se refere a restauração, a comunhão,  a santificação e a purificação. Quando o crente tem esse altar na sua vida, ele se torna uma benção a Deus, na casa de Deus.

C – Onde se localiza o altar em nossa vida
         Hoje esse altar está relacionado com o coração do homem  que é centro da sua vida. Não podemos deixar que o nosso coração se torne o trono de Satanás, ou altar de Satanás, conforme ele fez em Pérgamo (Ap 2.13).
         Sigamos o sábio conselho: “De tudo que temos que guardar, devemos guardar o nosso coração, pois dele é as saída das vidas”.  Quem tem altar tem vida, tem comunhão e santificação.

CONCLUSÃO
Que  cada um de nós possamos conservar o nosso altar sempre ordem, e que cada pedra possa permanecer em seu devido lugar e pronto para  receber o sacrifício diário que é o nosso culto racional.


O POÇO E A VIDA DO CRISTÃO

INTRODUÇÃO

         Quando falamos em poço, necessariamente  pensamos em água, elemento necessário e indispensável para a vida humana. Nós podemos ficar sem alimentação por alguns dias, mas sem água apenas algumas horas. Ainda que algumas pessoas consigam ficar alguns dias sem tomar água, mas na verdade essa pessoa está sempre ingerindo alguma forma de líquido.

I –  O POÇO NA VIDA DO CRISTÃO

         As chuvas na Palestina se concentravam quase que inteiramente nos meses de inverno, eram muita escassas no  verão, pois era um período de poucas chuvas, sendo necessário o armazenamento  de água .
         O armazenamento de água só foi possível quando descobriram como forrar o interior do poço, e isso só aconteceu pouco antes da saída de Israel do Egito sob a liderança de Moisés.

1 – Armazenando  água
         Em nossa vida há períodos de glórias e bênçãos, mas há períodos de dificuldades e lutas, e quando essas coisas ocorrem, só  podemos  vencer se o nosso reservatório espiritual estiver cheio da água viva. Paulo fala de um depósito  em 2 Co 1.12: “......Porque eu sei em quem tenho crido , e estou certo  de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”
         O crente deve  ter seu depósito, em particular, até a vinda do Senhor Jesus.

2         – O açude e a vida cristã
Os açudes são grandes poços ou reservatórios a céu  aberto , um deles encontramos em, Is 7.3: “ E disse o Senhor a Isaias : Agora tu e teu filho  Seor-Jasube, sai ao encontro de Acas ao fim do canal do viveiro superior...”. Outra versão diz: arqueduto do açude superior. Esse açude era alimentado com as águas do rio Giom,  que era uma fonte interminante, era ele que alimentava Jerusalém de água desde os tempos mais antigos.
    Cristo é a fonte Giom  que alimenta multidão com seu poder e seu Espírito Santo desde Noé, Abraão, Isaque e Jacó.
Giom – Era uma fonte coberta para proteger-se dos inimigos , pois ela estava localizada fora da cidade. Ficava localizada no vale de cedron, abaixo da colina  chamada Ofel. Essa fonte foi canalizada  e levada a uma sisterna  para dentro das muralhas da cidade. Seu nome em Hebraico significa Irrompimento.

Cristo e Giom – Assim, como a fonte de Giom foi canalizada para dentro da cidade, Cristo a fonte de água viva foi canalizada para nosso interio. Jo 7.37-38 “Se alguém tem sede, que venha a mim e beba. Quem crer em mim , como diz as escrituras, rio de água vivas correrão do seu ventre”. Esse rio era o símbolo  do Esprito Santo na vida do crente, quem tem o Espiírito Santo, não terá somente um poço, mas uma fonte que jorra.

Dessa fonte o inimigo não pode tomar
    II Cr 32.2-4 – Esse texto nos mostra que Ezequias viu que Senaqueribe vinha com o rosto formalizado para a guerra, então o rei  Ezequias juntou seu povo e tampou todas as fontes para que Senaqueribe não achasse água. É por isso que o mundo não entende a nossa felicidade, pois a água que jorra em nossa vida  está escondida em Cristo, o manancial de vida eterna. O Inimigo de nossa alma está procurando como secar essa fonte, mas nós a protegemos como fez o rei Ezequias.

Giom a fonte da unção
    A fonte de Giom foi escolhida como  local da unção de Salomão . I Rs 1.33, 38, 45, vamos estudar precisamente V.  33 e 45 “E disse o rei Davi: Toma convosco os servos de vosso senhor, e fazei subir o meu filho Salomão na mula que é minha, e fazei- o descer a Giom. ... E o ungiram em Giom, e dali subiram alegre.
    Quanto mais junto a fonte mais unção recebemos, mais poder e mais graça, porque estamos armazenando e enchendo o poço que o nosso coração da unção e do poder de Deus.

3         – Jacó e o poço
Jacó conhecia a necessidade da presença do poço por onde ia, por isso, por isso nós vemos o poço sempre presente na vida dele. O altar  e o poço, ele sempre trazia com sigo em suas jornadas, seguindo o exemplo de Abraão.Em Jo. 4 nós encontramos a fonte de Jacó e a mulher samaritana, e no v. 12 a mulher replica a Jesus “És tu maior que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele  próprio dele, e os seus filhos e seu gado?”. Jacó precisou  cavar o poço, mas Jesus era a fonte aberta desde os Olam  de Deus, e permanece para quem quer que seja  que dele queira beber. Jacó tinha o poço, mas Jesus é a fonte, e isso só me basta, pois nele eu me sacio a minha vida e nEle eu sacio a minha vida e me encho, por isso vencemos.

II -  REABRINDO  POÇOS
         Como estudamos  que poços são, em grande parte, reservatórios de fundos forrados, ou algum açude para guardar água, logo então, era preciso estar sempre aberto para receber água das chuvas, ou canalizadas. Isso constitui um beloo exemplo para nós que precisamos estar com o nosso coração sempre acessivo à voz de Deus para sermos cheio da Sua graça. Mas tem alguém interessado em fechar o poço  da nossa vida para que a palavra de Deus não penetre e nos de força  que jorra para vida eterna.

1 – Isaque e os poços entulhados
         Estudamos que Abraão foi um homem  que teve tenda, altar e poço, porém alguns dos poço abertos  foram, entulhados  com terra e lixo pelos fislisteus. Isaque entendendo a necessidade  de água, tomou a tarefa de reabrir  os poços nas regiões  de Gerar que em Hb significa lugar de pernoite, porém, Isaque encontrou dificuldade, pois os filisteus era os principal  povo desta região. Aliás, Gerar  foi a sede do primeiro reino filisteu que conhecemos  e ficava entre os desertos de Sur   e Cades, terra muito fértil e bem regada. Isso tem muito haver como a nossa vida cristã. Se uma região  sendo bem regada ela se torna fértil e próspera, assim é a nossa vida  que regada pela chuva do  Esprito Santo se torna uma vida frutífera  e próspera. Geralmente as terras bem regadas guardam umidade no subsolo, fazendo com que, a vegetação se torne leguminosa e verde, assim é a nossa vida regada pela chuva do Espirito Santo.

a-     Eseque
Nome de um poço que foi reaberto pelos servos de Isaque, cujo nome em Hb significa contenda, (Gn 26.20). A contenda tem fechado muitas vidas  para não receber a palavra de Deus e Sua  unção. Quando esse poço é fechado até o  seu nome sai da história, como é caso de Eseque que é desconhecido a sua localização, por causa da contenda  entre os filisteu  e os servos de Isaque. Desta maneira não é possível dar prosseguimento e tomar da água cristalina da região de Gerar. Na igreja a contenda tem fechado corações e levado o óbito vidas preciosas. Eliminamos de nosso meio a contenda, ou ela nos eliminará do corpo de Cristo.

b-    Sitni
Esse é o nome do segundo poço reaberto pelos servos de Isaque que também tem o mesmo significado, ou seja, briga, contenda e porfia.

c- Reobote
         Na Septuaginta se escreve  Euryxória que significa lugar amplo, e Isaque disse: “Agora nos deu lugar o Senhor”.  Esse foi o poço da vitória. Interessante  observar  que nos poços anteriores Isaque  mantém-se calado, apenas prosseguindo na busca  de reabrir o poço e não sossegou enquanto não encontro lugar. Essa lição precisamos aprender, que não devemos desanimar  frente às lutas e provações, dificuldades e calunias, pois breve o Senhor nos dará lugar e seremos vitoriosos. Ainda que o inimigo tenha procurado fechar alguns poços de nossas vidas, mas como Isaque, prossigamos em reabrir o poço da vitória.

CONCLUSÃO

         Como bons cristãos devemos ter em mente  a vida desses patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó, que frente às grandes  dificuldades nunca desanimaram, venceram e saíram vitoriosos. Cavavam poços, armavam tendas e levantavam altares. Que Deus nos ajude a assim prosseguirmos e seremos vencedores como eles.
         Neste momento que estou finalizando esta apostila, escrevo com grande convicção que Deus nos dará uma grandiosa vitória, pois escrevo num momento muito crítico de minha vida e de meu ministério quando as lutas, as calunias e as falsidades abateram, mas  confiante estou, cavando o terceiro poço: Reobote, Euryxória, porque o Senhor nos dará vitória. Amém e amém...
Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ESTUDO BÍBLICO APRENDENDO COM A MENSAGEM DO LIVRO DE ESDRA...


           ESTUDO BÍBLICO APRENDENDO COM A MENSAGEM DO LIVRO DE ESDRA...
O livro de Esdras é um testemunho extraordinário da fidelidade do Senhor ao seu povo. Com Neemias, copeiro judeu que recebeu do rei Artaxerxes autorização para reedificar os muros de Jerusalém, o sacerdote e escriba Esdras descreve os acontecimentos que levaram os judeus a retornarem do cativeiro na Babilônia, bem como as experiências desanimadoras daquela pequena comunidade no universo árduo pós-invasão da Terra Prometida.

Por meio de cada experiência, Deus provou ser fiel; afinal, com a liderança de Esdras e Zorobabel, o Altíssimo cumpriu suas promessas anunciadas por seus profetas, trazendo da Babilônia o seu povo, que reconstruiria o templo em Jerusalém, e renovando a esperança de que o reino davídico seria restaurado.
Em 539 a.C., Ciro, rei da Pérsia, derrotou o império babilônico e, diferente dos governantes anteriores, permitiu que os cativos retornassem às respectivas terras natais e vivessem de acordo com as próprias tradições culturais e religiosas. Ao mesmo tempo, todos esses povos permaneceram como parte integrante do império persa, sujeitos ao imperador.
 
O trabalho da restauração do templo teve seu início no reinado de Ciro, continuou durante a época de Cambises, e foi concluído no sexto ano de Dario I (515 a.C.). A carreira de Esdras e Neemias como restauradores abrange os reinos de Artaxerxes, o longânimo (464-424 a.C.), e Dario II (423-405 a.C.).

O livro

Embora nas Bíblias mais atuais os livros de Esdras e Neemias apareçam como livros distintos, no texto hebraico e na Septuaginta (a tradução do Antigo Testamento em grego), eles constituíam um só livro (a divisão em dois livros foi provavelmente uma inovação da igreja cristã).
Orígenes (185 – 253 a.C.) foi o primeiro autor de que se tem informação a fazer distinção entre eles, a quem chamou 1 Esdras e 2 Esdras. Por constituírem originalmente duas partes de uma só obra devem ser estudados juntos como um único livro. Outro fato que chama a atenção, é que não se tem tanta certeza se, além disso, os livros devem ser considerados parte integrante da obra do autor dos livros de Crônicas.

Autor e data

Apesar de uma antiga tradição afirmar que um único autor teria escrito o livro de Crônicas, e também de Esdras e Neemias, é consenso entre os estudiosos de que o autor de Crônicas (“o cronista”), não seja o mesmo autor dos referidos livros. De qualquer forma, ao que tudo indica, Esdras como “hábil escriba" (Esdras 7:6), além de um instrutor na Lei de Deus como sacerdote, provavelmente, manteve um diário, que lhe permitiu mais tarde se tornar o compilador dos livros (Esdras e Neemias) em concordância com a tradição judaica. O período mais provável para se datar esses dois livros está entre os anos 430 - 400 a.C.
 
Contexto histórico

Em conjunto com Ester, Esdras e Neemias são o únicos livros históricos do período pós-exílico e são de grande importância para a reconstrução do período pós-exílico judaico. Contudo, eles não registram a história do povo de Deus em sequência ininterrupta ao longo de todo o período que os dois livros cobrem, mas apenas partes dele.
Esdras, cujo nome significa "Deus é auxílio", era sacerdote, um dos judeus deportados para a Babilônia, que tornou-se conselheiro do governo persa para negócios judaicos. A história, cujos fatos se narram neste livro, consta de duas partes separadas por um espaço de tempo de cinquenta e oito anos, incluindo todo o reinado de Xerxes.
A primeira parte, que termina no capítulo 6:22, contém a história dos que voltavam da Babilônica e trata da reedificação do templo, a qual tinha sido determinada por um decreto de Ciro (confronte com 2Crônicas 36:22,23) no ano 536 a.C.
A segunda parte, a partir do capítulo 7:1, contém a narrativa da jornada de Esdras a Jerusalém, jornada esta empreendida em virtude de um decreto de Artaxerxes Longimano no ano 457 a.C. Uma vez que a história de Esdras é contada antes da de Neemias, geralmente se supõe que tenha sido Artaxerxes I.  
Esdras tinha o verdadeiro espírito de oração. Apresentando sua petição por Israel diante de Deus, quando este havia pecado gravemente em face de grande luz e de privilégios, ele exclamou: "Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus" (9:6).

Sua mensagem

Os livros de Esdras e Neemias, mostram a fidelidade de Deus em cumprir sua promessa feita a Jeremias muito tempo atrás (Esdras 1:1; Jeremias 29:10), contudo a restauração ocorreu apenas parcialmente, pois Israel não alcançou a posição de um de reino independente como acontecia antes do exílio, mas permaneceu como província do império persa. No caso específico de Esdras, o enfoque do livro é o cumprimento do decreto de Ciro para a reconstrução do templo, e a restauração espiritual do povo ao tomar consciência do seu pecado em virtude da celebração de casamentos mistos.
Esboço do Livro
I. Primeiro retorno do exílio e reconstrução do templo (capítulos 1–6)

A. Primeiro retorno do exilados (capítulo 1)
1. O decreto de Ciro (1:1–4)         
2. O retorno comandado por Sesbazar (1:5–11)

B. Lista dos exilados que voltaram (capítulo 2)

C. Restabelecimento do culto no templo (capítulo 3)
1. Reconstrução do altar (3:1–3)
2. A festa das Cabanas (3:4–6)
3. O começo da reconstrução do templo (3:7–13)

D. Oposição à reconstrução (4:1–23)
1. Oposição no reinado de Ciro (4:1–5)
2. Oposição no reinado de Xerxes (4:6)
3. Oposição no reinado de Artaxerxes (4:7–23)

E. O templo é concluído (4:24–6:22)
1. Retomada a obra no reinado de Dario (4:24)
2. Novo começo inspirado por Ageu e Zacarias (5:1,2)
3. Intervenção do governador Tatenai (5:3–5)
4. Relatório a Dario (5:6–17)
5. Busca do decreto de Dario (6:1–5)
6. Ordem de Dario para a reconstrução do templo (6:6–12)
7. Conclusão do templo (6:13–15)
8. Dedicação do templo (6:16–18)
9. Celebração da Páscoa (6:19–22)
           
II. A volta de Esdras e suas reformas (capítulos 7–10)
                         
A. A volta de Esdras a Jerusalém (capítulos 7,8)
1. Introdução (7:1–10)
2. A autorização para Artaxerxes (7:11–26)
3. Doxologia de Esdras (7:27,28)
4. A lista dos que voltaram com Esdras (8:1–14)
5. A busca pelos levitas (8:15–20)
6. Oração e jejum (8:21–23)
7. Distribuídos os artigos sagrados (8:24–30)
8. A viagem e a chegada a Jerusalém (8:31–36)
           
B. As reformas de Esdras (capítulos 9,10)
1. O delito dos casamentos mistos (9:1–15)
2. A confissão e a oração de Esdras (9:6–15)
3. O povo corresponde (10:1–4)
4. Uma assembléia pública é convocada (10:5–15)
5. Investigação dos culpados (10:16,17)
6. A lista dos culpados (10:18–43)
7. A dissolução dos casamentos mistos (10:44)

O texto mais difícil

Os dois últimos capítulos do livro tratam do problema do casamento misto. O capítulo 10:2,3, fala sobre um acordo da parte do povo liderado por Secanias para dispensar as mulheres estrangeiras, juntamente com seus filhos, casadas com os israelitas:
“Então Secanias, filho de Jeiel, um dos filhos de Elão, tomou a palavra e disse a Esdras: Nós temos transgredido contra o nosso Deus, e casamos com mulheres estrangeiras dentre os povos da terra, mas, no tocante a isto, ainda há esperança para Israel. Agora, pois, façamos aliança com o nosso Deus de que despediremos todas as mulheres, e os que delas são nascidos, conforme ao conselho do meu senhor, e dos que tremem ao mandado do nosso Deus; e faça-se conforme a lei”.

O texto, sem dúvida, pode suscitar algumas questões. Não seria essa atitude injusta? Como sábio homem de Deus, através do ensino, sem qualquer coerção, Esdras aguarda pacientemente que cada líder familiar assuma sua responsabilidade de acordo com as instruções estabelecidas na Lei de Moisés (Deuteronômio 7:1-4). Não foi uma decisão fácil, porém necessária, a fim de que a maldição de Deus não permanecesse sobre o povo: 
“Ora, ponham-se os nossos líderes, por toda a congregação sobre este negócio; e todos os que em nossas cidades casaram com mulheres estrangeiras venham em tempos apontados, e com eles os anciãos de cada cidade, e os seus juízes, até que desviemos de nós o ardor da ira do nosso Deus, por esta causa”
(Esdras 10.14).

Seria inconcebível em nossa cultura, mas não na cultura daquele tempo. As mães recebiam a custódia de seus filhos quando os casamentos eram dissolvidos. No caso de Agar, por exemplo, quando foi dispensada por Abraão, seu filho Ismael foi junto com ela (Gênesis 21:14).
A grande lição que se pode tirar da leitura do livro de Esdras é que Deus é o grande condutor de toda a história. O livro narra o retorno de dois grupos de exilados da Babilônia, o primeiro liderado por Zorobabel (1–6) e o segundo por Esdras (7–10). O propósito do autor torna-se mais claro quando lemos (1:1) que é a mão de Deus que conduz o restabelecimento dos judeus à terra concedida aos seus ancestrais em cumprimento à sua promessa.
O Senhor suscitou a Esdras para ser seu servo. Moveu o coração do rei, de forma que Esdras achou mercê diante dele. O rei colocou em suas mãos recursos abundantes para a reconstrução do templo e possibilitou que retornassem os judeus que durante setenta anos foram cativos em Babilônia...
Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante