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sábado, 22 de março de 2014

O QUE ACONTECERÁ COM OS MAUS PASTORES...


                               O QUE ACONTECERÁ COM OS MAUS PASTORES...
Pastores qualificados e dedicados merecem o respeito e apoio das ovelhas por eles guiadas. Paulo disse: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1 Timóteo 5:17). O autor de Hebreus nos ensina: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hebreus 13:17). Homens fiéis que amam a Deus e aceitam a responsabilidade de ajudar seus irmãos chegarem ao céu devem ser tratados com respeito e apreço.
Infelizmente, alguns “pastores” não são dignos de honra. Alguns que se dizem conhecedores da palavra de Deus não são fiéis no seu ensinamento. Vamos considerar a mensagem de Jeremias 23 e algumas aplicações dela.
Jeremias profetizou nas últimas quatro décadas antes da queda de Judá à Babilônia. Ele chamou o povo, e especialmente os líderes dos judeus, ao arrependimento. Jeremias bem entendeu que o principal problema não foi uma questão de diplomacia ou poder militar. Este servo de Deus viu a corrupção do povo, de cima para baixo, como motivo do castigo divino iminente. No capítulo 23, ele apresenta uma mensagem de Deus que mostra a diferença entre o Pastor verdadeiro e fiel e os maus pastores que maltrataram as ovelhas do Senhor.
Ai dos pastores infiéis (Jeremias 23:1-4)
Deus falou aos líderes em Judá, dizendo que eram culpados de negligenciar e maltratar o rebanho dele. Preste atenção nos verbos que ele usa para descrever a conduta destes pastores: destruir, dispersar, afugentar e não cuidar. Pastores devem juntar, alimentar, cuidar, guiar e proteger, mas os pastores de Israel faziam tudo ao contrário!
Outra coisa marcante neste parágrafo é a maneira que Deus fala do rebanho. Ele o descreve como “o meu povo”, “as ovelhas do meu pasto” e “as minhas ovelhas”. A linguagem dele mostra o problema raiz do comportamento errado dos líderes. Eles não amavam o povo como Deus o amava! Para eles, ser pastor era uma posição de destaque, honra e privilégio. Para Deus, ser pastor era uma posição de responsabilidade, sacrifício e amor.
Hoje, ainda há muitos que olham para o cargo de pastor como uma posição de honra a ser cobiçada. Buscam o destaque e desejam a honra diante dos homens. Ao invés de agir humildemente como pastores no rebanho local (veja 1 Pedro 5:1-3), apresentam-se em todo lugar com o “título” de pastor. Em outras palavras, “Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens” (Mateus 23:6-7). Tais pastores não qualificados não cuidam do rebanho como devem.
O Renovo de Davi (Jeremias 23:5-8)
Em contraste total com os pastores infiéis, Deus apresenta o Renovo de Davi, conhecido posteriormente como o Bom Pastor (João 10:11). As qualidades do Messias, destacadas neste trecho, identificam um pastor totalmente diferente daqueles corruptos em Judá. Este descendente de Davi é um Rei justo e sábio, que executa a justiça (5). Enquanto os nomes dos infiéis cairiam em podridão (Provérbios 10:7), o nome deste Pastor é o mais exaltado de todos: “...será este o seu nome, com que será chamado: Senhor, Justiça Nossa” (versículo 6). O Bom Pastor seria a manifestação perfeita da justiça de Deus, e é identificado claramente no Novo Testamento como Deus (YHWH, Yahweh, Jeová ou Javé – cf. Hebreus 1:10-12, uma citação do louvor dirigido a Deus em Salmo 102; compare João 1:1; 8:24,58; etc.).
O Bom Pastor e seus servos fiéis (cf. 3 e 4) alimentam e cuidam do rebanho, dando-lhe uma habitação segura. Este Pastor não é ladrão, salteador ou mercenário (João 10:8,10,13). Ele é o Filho sobre a casa, que dá esperança aos seus servos perseverantes (Hebreus 3:6).
Os líderes contaminados (Jeremias 23:9-15)
Jeremias sentiu o efeito da palavra do Santo Senhor e ficou doente por causa da maldade do povo (9-10). Ele viu o povo sofrendo o castigo merecido por ser adúltero e rebelde. Mas esta maldade não era apenas das multidões irreligiosas que não se importavam com as coisas de Deus. Os líderes espirituais praticavam e incentivavam a iniqüidade! “Pois estão contaminados, tanto o profeta como o sacerdote; até na minha casa achei a sua maldade, diz o Senhor” (11). Aqueles que tinham o dever de mostrar o caminho da luz iam tropeçar e cair no escuro (12,15). Os falsos profetas de Judá eram piores do que os de Samaria (13-14), e Deus já havia destruído Samaria! Estes líderes apoiavam e até incentivavam práticas erradas.
Hoje, muitas pessoas que se dizem pastores e evangelistas fazem a mesma coisa. Pregando um evangelho diluído e atualizado para atrair pessoas carnais, continuam adulterando a palavra de Deus para manter a lealdade delas. A palavra de Deus não deve ser alterada e atualizada pelo homem, porque já é perfeita e eterna. Cabe a nós aceitá-la como servos humildes do Senhor.
Não ouça! (Jeremias 23:16-22)
Freqüentemente, pessoas me dizem que tem o costume de assistir a diversos programas religiosos, porque “todos falam da palavra de Deus”. Outros andam visitando várias igrejas, mesmo sabendo que ensinam e praticam coisas erradas, porque “se sentem bem”. Ainda outros dão pouca importância ao estudo cuidadoso e constante da palavra de Deus, preferindo ler e ouvir as idéias e os ensinamentos de homens. Mas é isso o que Deus quer? No ambiente da confusão religiosa de Judá, o Senhor não falou para as pessoas ouvirem a todos. Ele disse: “Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor” (16). Jeremias havia profetizado da dureza do castigo divino, e os falsos mestres negavam seus ensinamentos, dizendo que Deus não ia castigar assim (veja um exemplo disso na desavença entre Jeremias e Hananias no capítulo 28). Hoje, há muitos pastores que dão falsas esperanças. Vamos considerar apenas dois exemplos: ŒMinimizar ou negar a gravidade de pecados que Deus condena. Justificam práticas claramente condenadas nas Escrituras, dando aos praticantes falsas esperanças da salvação. Deste modo, alguns justificam relações homossexuais e realizam casamentos de gays, outros apóiam a fornicação de casais que vivem amasiados. Muitos inventam todo tipo de argumento para passar por cima das instruções de Jesus sobre o casamento, divórcio e segundo casamento (Hebreus 13:4; Lucas 16:18; Mateus 19:9; etc.), aceitando e até incentivando casamentos adúlteros. Enchem as pessoas de falsas esperanças, pois muitas pessoas que continuam nestas práticas condenadas acreditam que entrarão no céu. Foram enganadas e ensinadas que 1 Coríntios 6:9-10 (pessoas que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus) não se aplica a elas!  Negar as condições dadas por Deus para a nossa salvação. Muitos pastores pregam a salvação barata, usando o raciocínio humano para negar os mandamentos de Deus. É incrível, e incrivelmente triste, ver até que extremo pastores chegam hoje para anular simples instruções de Deus sobre o arrependimento e o batismo para remissão dos pecados (Marcos 16:16; Atos 2:38; 22:16; etc.). Como os falsos profetas 600 anos antes de Cristo, estes mestres enganadores vão correndo para falar, mas não falam a palavra de Deus (21). O Senhor disse na época de Jeremias: “Mas, se tivessem estado no meu conselho, então, teriam feito ouvir as minhas palavras ao meu povo e o teriam feito voltar do seu mau caminho e da maldade das suas ações” (22).
Os sonhos e as visões (Jeremias 23:23-32)
Jeremias enfrentou um outro problema que ainda perturba as pessoas que buscam o Senhor hoje. Falsos profetas usavam seus próprios sonhos como se fossem revelações divinas, enganando as pessoas ingênuas. Deus disse: “Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, proclamando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. Até quando sucederá isso no coração dos profetas que proclamam mentiras, que proclamam só o engano do próprio coração? Os quais cuidam em fazer que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu companheiro....Portanto, sou contra esses profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras..., que pregam a sua própria palavra e afirmam: Ele disse! Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, e os contam, e com as suas mentiras e leviandades fazem errar o meu povo; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem, e também proveito nenhum trouxeram a este povo, diz o Senhor” (25-32).
Não é a mesma coisa que acontece hoje? Supostos profetas preferem falar o que vem do próprio coração, alegando ter sonhos e revelações de Deus, e não ensinam a verdade eterna que Deus revelou para todos na Bíblia. E muitos ouvintes dão mais importância às revelações particulares do que à mensagem das Escrituras. “A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente” (1 Pedro 1:25).
Como nos proteger dos falsos mestres
Como podemos nos proteger dos pastores infiéis e dos falsos profetas? É essencial: Ouvir a palavra do Senhor (Jeremias 22:29; Atos 28:25-27);  Acolher o amor da verdade (2 Tessalonicenses 2:10); Ž Discernir entre o certo e o errado (1 Tessalonicenses 5:21-22); e  Ser praticantes da palavra (Tiago 1:21-25)...

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR. EDSON CAVALCANTE

sexta-feira, 21 de março de 2014

SENHOR MEU DEUS ES O MEU JUIZ, LIVRA-ME OU CONDENA-ME...


                   SENHOR MEU DEUS ES O MEU JUIZ, LIVRA-ME OU CONDENA-ME...

SALMO 7
 INTRODUÇÃO (vs.1-2)
 Todo discurso e todo sermão deve ter 3 partes indispensáveis: (1) Introdução, (2) Corpo e (3) Conclusão, ou se preferir, eles tem Começo, Corpo e Conclusão. E assim são os salmos que são sermões inspirados, que tem um começo, em que se introduz um assunto, tem um desenvolvimento dele, e logo a seguir, vem o final geralmente climático. Neste salmo, vemos uma introdução inicial, um assunto que se desenvolve por 3 palavras-chave, e um clímax no final. As 3 palavras que revelam todo o salmo 7 são estas: Acusação, Julgamento e Condenação.
 Este salmo é considerado o primeiro dentre os Salmos Imprecatórios, que contém uma solicitação de juízo, calamidade ou maldição contra os inimigos do salmista, que são vistos como inimigos de Deus. Estes salmos tem deixado perplexos a muitos estudiosos, mas devemos levar em conta o propósito deles: (1) demonstrar o trato de Deus contra os ímpios, (2) dar uma oportunidade de arrependimento para eles, (3) vindicar os justos perseguidos e (4) motivar a todos, justos e injustos, a louvar a justiça divina, agora e no grande Julgamento divino.
 O salmo 7 é introduzido com estas palavras de Davi: “Senhor, Deus meu, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me; para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre.” (v. 1-2).
 Davi faz uma declaração diretamente a Deus, afirmando que Ele é o seu “Refúgio”. Toda oração geralmente começa com uma prece de gratidão, exceto quando a alma está atribulada. E esse era o caso daquele homem, que agora clamava dizendo: “Salva-me e livra-me!” Ele não orava por salvação do pecado; ele orava por livramento dos seus inimigos, que o perseguiam “como leão”.
 Davi conhecia a força destruidora de um leão. Ele via leões destruindo vidas inocentes e indefesas, e certa vez, quando era jovem, ele apascentava as ovelhas de seu pai, e viu um leão levando uma ovelha em sua boca, e ele correu atrás do animal, e tirou a ovelha da boca do leão e o matou. Mas agora, ele temia um inimigo que se comparava a um leão mais forte do que ele, que podia arrebatá-lo, despedaçando-o, sem chance de escapar, sem uma possibilidade de livramento.
 Que palavras desesperadoras: “não havendo quem me livre!” Parece bem com as palavras que são retratadas pelo apóstolo Paulo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). Mas Paulo não falava de si mesmo, porque ele conhecia o seu Libertador; ele falava de um homem perdido, que, embora conhecesse a Lei de Deus, desconhecia o Salvador. Davi conhecia o seu Libertador, mas falou desse modo para ressaltar a sua desesperança se ele não tivesse a Deus como o seu Refúgio.
 De fato, se não fosse a ajuda constante de Deus, seríamos despedaçados pelo nosso maior inimigo. Satanás é comparado a um leão, “que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5:8). Os leões são traiçoeiros e se aproveitam das fraquezas de suas vítimas. E assim age Satanás e todos os nossos inimigos que nos ameaçam, e rondam procurando uma ocasião oportuna para atacar pelas costas, a fim de nos destruir. Mas, como Davi, nossa única esperança está em buscar o refúgio em nosso poderoso Deus.
 I – ACUSAÇÃO (vs. 3-5)
 V. 3-4: “Senhor, meu Deus, se eu fiz o de que me culpam, se nas minhas mãos há iniqüidade, [4]  se paguei com o mal a quem estava em paz comigo, eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia.”
 1 - Davi foi acusado falsamente. Ele usa as mesmas palavras que usou no verso 1, dirigindo-se ao “Senhor, meu Deus”, porque estas são as expressões de alguém que está ofendido e profundamente angustiado, sem poder achar uma solução para o seu caso. Ele disse: “se eu fiz o de que me culpam...” Ele estava sendo inculpado de alguma coisa que ele não praticara.
 2 – Davi afirma a sua inocência. Diz ele: “se nas minhas mãos há iniqüidade...” Ele se nega a confessar um pecado que ele não praticou. O tríplice uso da palavra “se” indica claramente a afirmação de sua fidelidade. Davi já havia feito um protesto diante de Jônatas a quem dirigiu estas palavras: “Que fiz eu? Qual é a minha culpa? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?” (1Sm 20:1). Ele tinha uma consciência limpa e era fiel e verdadeiro.
 3 – Davi revela o crime de que o acusavam. Notem o que ele diz: “se paguei com o mal a quem estava em paz comigo.” Isto se refere ao rei Saul porque logo ele acrescenta: “eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia...” De acordo com o título, o salmo foi escrito “com respeito às palavras de Cuxe”. Esse homem era um parente de Saul, da mesma tribo de Benjamim. Ele havia caluniado a Davi, acusando-o de conspiração contra o rei Saul, a fim de matá-lo. Quando Davi se defrontou com o rei Saul disse-lhe: “Por que dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: ‘Davi procura fazer-te mal!’?” (1 Sam 24:9).
  Esta foi a explicação de Davi ao rei Saul, quando foi instigado a matar o rei Saul, o seu inimigo opressor: “Os teus próprios olhos viram, hoje, que o Senhor te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que eu te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a mão contra o meu senhor, pois é o ungido de
Deus.” (1Sm 24:10). Davi tinha mostrado claramente sua inocência ao poupar a vida de Saul, quando ele podia tê-lo matado facilmente.
 Este é o fato: acusação falsa de conspiração contra um homem de Deus que tinha a misericórdia de até poupar a vida de um grande inimigo seu, que procurava matá-lo a todo custo, em muitas ocasiões, vivendo “à caça de minha vida”, “como leão” (disse ele, 1Sm 24:11)! Assim era Davi. Não admira que fosse chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (At 13:22), porque Deus é misericordioso até com os Seus piores inimigos, poupando a vida deles, e dando-lhes oportunidade de se arrependerem para serem salvos e viverem eternamente com o Seu Benfeitor!
 4 – Davi faz o juramento de sua inocência. Disse no v. 5: [Se eu sou culpado] “persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, espezinhe no chão a minha vida e arraste no pó a minha glória”. É como se diz hoje em dia: “Se eu fiz isso, quero que caia um raio do céu na minha cabeça!” Isto é um juramento; ele está disposto a sofrer, se ele for culpado de alguma coisa de que é acusado. Isso indica que ele realmente é inocente, e usa uma linguagem muito forte, quase em desespero, para se defender diante de Deus.
 Com efeito, o veneno da calúnia pode levar a vítima ao desespero ou à loucura. As palavras de Cuxe feriram os sentimentos de Davi, atacaram a sua reputação e destruíram a sua paz.
 Conta uma lenda que os animais um dia perguntaram, desafiando a serpente:
 - O leão, disseram eles, atira-se contra a presa, mata-a e devora-a. O lobo estraçalha a ovelha que lhe serve de alimento. O tigre, quando faminto ataca o carneiro e arrasta-o para o seu covil. Mas você, malvada serpente, o que faz? Pica a sua vítima e transmite o veneno para ela. Ora, que proveito você tira da sua perversidade peçonhenta?
Contorcendo-se, responde a serpente:
- Nada espero dos golpes venenosos que eu aplico. Do mal que faço, não tiro o menor proveito. Sigo traindo, envenenando, semeando a dor e a morte, mas não sou pior que o caluniador”.   (Malba  Tahan).
 A Bíblia diz que muitos outros foram caluniados, acusados injusta e falsamente, e sofreram muito por causa de pessoas perversas e invejosas. (1) José do Egito foi acusado injustamente de seduzir a mulher de Potifar. (2) Jeremias foi acusado de profetizar falsamente em nome do Senhor contra Jerusalém. (3) Daniel foi acusado de rebelião contra o decreto do rei Dario. (4) Paulo foi acusado pelos judeus de ensinar contra a lei. (5) Jesus Cristo foi acusado de blasfêmia, de traição e de insurreição contra Roma, e foi “açoitado para pacificar os acusadores” Era tempo de guerra. Aprisionaram um soldado que regressara ao acam­pamento, vindo de uma mata próxima. Ele foi acusado de estar traindo o seu exército, mantendo contato com o inimigo e foi levado à presença do comandante.
- O que você estava fazendo naquela mata, àquela hora da noite? - perguntou o oficial.
- Fui ali para orar por mim, fazer uma oração ao meu Deus - respondeu o jovem.
Não convencido, o comandante ordenou friamente que o jovem se ajoelhasse e orasse.
- Se você tem o hábito de orar tanto por auxilio, faça-o agora.
Compreendendo que a acusação de traição poderia significar morte, o jovem caiu de joelhos, e desabafou o coração diante de Deus. Foi patente, em vista de sua fervorosa conversa com o Senhor, que esta não era uma nova experiência em sua vida. Ao soltar ele as últimas palavras e abrir os olhos, viu uma nova expressão da fisionomia do comandante.- Ergue-te - disse simplesmente o oficial - pode ir embora. Creio no que você disse; do contrário, não poderia fazê-lo tão bem como fez agora.
 Disse o apóstolo Paulo que todos os cristãos sofrerão perseguição; todos os que pretendem servir a Deus serão chamados a suportar as mais vis calúnias e falsas acusações (2Tm 3:12). A Bíblia também diz que Satanás nos acusa de dia e de noite (Ap 12:10). Portanto, o salmo 7 contém uma grande mensagem de conforto e esperança para todos os cristãos. Esta é também uma mensagem escatológica, porque traz uma grande consolação a todos os que no tempo do fim são injustamente perseguidos. Ele contém um grande encorajamento para o remanescente fiel quando for vítima das maldições do conflito final com os poderes das trevas, e quando for acusado falsamente.
 II – JULGAMENTO (vs. 6-11)
 Davi apela para a intervenção divina. Ele disse, v. 6: “Levanta-te, Senhor, na Tua indignação!” Este é um apelo para que Deus tome uma iniciativa, e intervenha a fim de julgar o seu caso. Ele estava sofrendo horrivelmente pela língua caluniosa dos seus inimigos, e de Cuxe em particular. “Mostra a Tua grandeza contra a fúria dos meus adversários!” Isso demonstra claramente que os seus inimigos queriam destruí-lo, e estavam ferozes contra ele. Mas ele sabia que Deus estava indignado contra eles.
 Toda acusação será levada a julgamento; senão dos homens, o caso será levado a julgamento divino. Toda palavra proferida tem as suas conseqüências ou para o bem ou para o mal de quem a proferiu. Disse Jesus Cristo sobre este solene assunto: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” (Mt 12:36-37).
 Mas Davi responde a pergunta: Como será o Julgamento divino?
 1 – O Julgamento será universal. V. 7: “Reúnam-se ao redor de Ti os povos!” V. 8a: “O Senhor julga os povos”, como foi no passado, e como será no futuro! Davi não tem receio da presença de todos os povos para presenciar ao julgamento de sua causa. Ele mesmo chama agora os povos reunidos para serem suas testemunhas. Ele lembra que o seu próprio povo contemplava as suas perseguições, e ouvia as acusações contra ele, e muitos estavam na dúvida. 
 Ele prevê o dia do grande Juízo em que todos universalmente comparecerão diante do Tribunal divino, em que Deus estará acima de todas as nações da Terra. A doutrina do Juízo é encontrada em muitos lugares na Bíblia, e nos salmos isto é uma realidade impressionante. “O Senhor julga os povos”!
 2 – O Julgamento será individual.V. 8b: “Julga-me, Senhor!” Embora seja um julgamento universal, cada pessoa será julgada separadamente. Davi faz um forte apelo para que Deus venha julgá-lo pessoalmente. “Se Deus julga a todos os povos, por que Se demora em me julgar e defender a minha causa?” Não é admirável que ele peça que Deus o julgue? Não seria de se temer o julgamento divino? Não, pelo contrário; ele temia mais o juízo humano; porque ele já estava sendo julgado pelos homens que o condenaram por atos que ele não praticara, e, portanto, julgaram mal ao inocente. Eles queriam matá-lo, porque o juízo dos homens é preconceituoso, injusto, e implacável. Mas Davi, então, recorre ao julgamento de Deus.
 Neste ponto, fazemos 3 perguntas pertinentes:
(1) Os justos serão julgados? Esta é a verdade mais clara do texto. Davi era um homem justo e queria ser julgado por Deus. Mas, pergunte aos teólogos populares e eles responderão que os cristãos não serão julgados. Eles dizem que os cristãos não precisam de julgamento, e não passarão pelo tribunal porque eles já estão justificados. Esses teólogos sem teologia baseiam o seu argumento em João 3:18: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado.” Mas o que acontece é que eles estão baseando a sua doutrina no equívoco de uma tradução.
 A palavra grega original é “krino”, que significa “julgar”, mas também significa “condenar, punir”. A versão Corrigida diz: “Quem crê nele, não é condenado”, corretamente. De fato, quem crê em Cristo não será condenado, como afirmou Paulo: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Rm 8:1). Portanto, os cristãos não serão condenados, mas serão julgados. Entretanto, ao invés de temer o julgamento, eles, como Davi, querem apressar a Deus para que os julgue e vindique a sua causa contra os seus inimigos opressores. Disse Davi: “Julga-me, Senhor!”
 (2) Qual era o critério de Davi? Ele mesmo diz, v. 8: “segundo a minha retidão e segundo a integridade que há em mim.” Davi queria ser julgado pela sua retidão e integridade. Mas como pode Davi se dirigir a Deus e apresentar a sua justiça? Não é estranho que Lhe apresentasse esse critério e esta condição, quando se esperava dele que se humilhasse e confessasse a sua culpa? Ele disse no Salmo 40:12: “Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniqüidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça.”
 Como poderia ele apresentar alguma justiça diante de Deus? A pergunta é correta, mas está fora de contexto. Davi apresentava a correção de sua vida com relação às coisas de que o julgavam e ele sabia com toda a certeza que não tinha praticado aquilo de que o acusavam. Este era um caso específico em que um homem justo estava sendo condenado e acusado injustamente.
  (3) Qual é o grande desafio de hoje? Integridade. Davi tinha um caráter íntegro, e os cristãos também a possuem. Prega-se em nosso tempo muito sobre os pecados dos cristãos, mas pouco, ou quase nada, sobre a integridade deles. Os cristãos sinceros são íntegros. Vemos em nosso mundo pessoas que mentem, roubam, adulteram e matam com muita tranquilidade. Os cristãos revelam a sua integridade nas circunstâncias mais difíceis, nos momentos mais dramáticos de sua vida. Eles não mentem como é comum em nossa sociedade. Eles não se aproveitam das horas em que o seu patrão está fora de sua vista. Eles são fiéis à sua esposa. Não entram em confusão e respeitam as pessoas, e não são vistos em brigas com os outros. Eles sabem amar e são pessoas em quem se pode confiar.
 3 – O Julgamento será vindicatório. V. 9: “Cesse a malícia dos ímpios, mas estabelece tu o justo!” Os justos serão vindicados, justificados, defendidos perante todos, e então, eles serão estabelecidos e os ímpios derrotados, e cessarão a sua malícia. Os falsos acusadores saberão que suas mentiras serão expostas diante de todo o Universo. E eles ficarão sem poder dizer nada para se justificar. Será uma situação terrível e embaraçosa. Então, o mal cessará; o pecado não se levantará pela segunda vez. Então, os justos serão estabelecidos para sempre num reino eterno. E Deus será glorificado!
 4 – O Julgamento será justo. Por 2 razões, claras nos v. 9b-11:
(1) Deus tem o poder. Deus é onisciente: “Sondas a mente e o coração!” (v. 9). Deus é tão sábio que pode penetrar até na mente do homem e nada escapa ao seu olhar penetrante e perscrutador. Ele é capaz de ler os pensamentos da mente e perceber os sentimentos e afeições do coração. Ele é sábio demais para errar, e vê o coração além das aparências. Ele não julga pelo exterior, mas vê o coração de cada um, e julga pela reta justiça. Se é assim, Ele tem o poder para fazer justiça.
 (2) Deus tem o caráter. Deus não somente tem o poder para fazer justiça, como também tem o caráter justo; Ele é chamado de “justo Juiz” (v.11). “Deus é o meu escudo; Ele salva os retos de coração.” Davi confia em Deus como o seu Escudo porque tem certeza de que Deus o salvará de seus inimigos que desejavam a sua morte. Mas o Senhor é o “justo Juiz”, e, portanto, Ele faz distinção entre pessoas, salvando “os retos de coração” e demonstrando a Sua indignação e ira contra os ímpios.
 Mas esta declaração do v. 10 é polêmica: “Ele salva os retos de coração”! Como assim? Deus salva os justos? Então, temos de ser justos e retos para que Deus nos salve? Isso não é salvação pelas obras? Como entender estas palavras? A resposta fica por conta do contexto. Salvação aqui se refere à libertação dos que nos oprimem e nos acusam injustamente. Davi desejava esta libertação, e por isso confiava em Deus como o seu Refúgio (v. 1) e como o seu Escudo (v. 10), Aquele que salva e livra os que são retos e íntegros e tem uma vida em harmonia com os ditames da Sua Lei.
 III – CONDENAÇÃO (v. 12-16)
 Agora, o salmista apresenta a sorte dos ímpios e dos que gostam de dar um falso testemunho a respeito do caráter íntegro dos filhos de Deus. Ele responde agora à seguinte pergunta: Como serão os ímpios condenados?
 1 – Os ímpios serão condenados por um Deus justo. V. 12-13: “Se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto; para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas inflamadas.” Muitos dizem que Deus não condena a ninguém. Mas nós encontramos outra história na Bíblia. Deus condenou a Adão e Eva, e os expulsou do Paraíso. Deus condenou a Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre. De condenou a Ananias e Safira, da igreja primitiva. Condenou a Herodes. A Sua espada está preparada e as Suas flechas prontas contra todos os ímpios que não se converterem. Ele pode fazer isto por ser um Deus justo que não Se compraz com o pecado e a iniquidade. Ele sempre condena o pecado, seja em quem estiver!
 Mas estas palavras estão cheias de esperança. O salmista apresenta uma condição, cuja recíproca também é verdadeira, segundo a qual se os homens se converterem, o Senhor desviará deles a Sua espada e as Suas setas inflamadas, a fim de que possam ser salvos. Mas se eles não se converterem, serão condenados porque Deus é justo e não pode inocentar ao ímpio.
 2 – Os ímpios serão condenados por seus pecados. V. 14: “Eis que o ímpio está com dores de iniqüidade; concebeu a malícia e dá à luz a mentira.” Em figura, a fertilidade para o mal é comparada ao processo de gestação e parto. No simbolismo da poesia deste salmo, o ímpio produz o engano e a mentira naturalmente. O pecado é a vida do ímpio. O pecado está nele por dentro e por fora. Nos seus pensamentos, palavras e atos. O ímpio nasce no pecado, cresce no pecado e respira no pecado. Não admira que as pessoas digam frequentemente: “Que mal tem isso?” Entretanto, “quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.” (Pv 5:22).
 3 – Os ímpios serão condenados por suas próprias mãos. V. 15-16: “Abre, e aprofunda uma cova, e cai nesse mesmo poço que faz. A sua malícia lhe recai sobre a cabeça, e sobre a própria mioleira desce a sua violência.” Hamã ergueu uma forca para o justo Mardoqueu, mas ele é que foi enforcado nela. A sua maldade e violência lhe recaiu sobre a sua própria cabeça, porque “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:5). O mal traz sua própria punição contra o malfeitor. O justo Juiz destruirá aqueles que perseguem os cristãos fazendo sua violência cair sobre as suas próprias cabeças.
 CONCLUSÃO (v. 17)
 Davi, finalmente conclui este salmo com as palavras gloriosas: “Eu, porém, renderei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo.” Este é o seu grande clímax. Esta é a maior razão por que Davi tanto procurava o julgamento divino. Este é o motivo mais impressionante por que Davi podia ter segurança de que seria salvo: a justiça de Deus. Ele sabia que o seu caso seria julgado a seu favor, porque Deus vê o coração sincero e amorável, e não julga pelas aparências, e é capaz de revelar a justiça que emoldura o seu caráter maravilhoso.
 Portanto, qual seria a atitude natural e espontânea de Davi? Gratidão e louvor. Ele rende graças a Deus por Sua justiça e canta os seus louvores ao nome de um Deus que tem o Seu trono soberano no Universo, como o Excelso Senhor Altíssimo.
 Precisamos ter esta experiência em nossa própria vida. Necessitamos conhecer mais da justiça misericordiosa de Deus. E se você também está decepcionado com algumas pessoas, se você também foi acusado injustamente, este é o momento de voltar-se para Deus e louvar a Sua justiça imparcial e compassiva, em favor de sua libertação. Os resultados serão logo vistos e sentidos...
BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR. EDSON CAVALCANTE


quinta-feira, 20 de março de 2014

SENHOR RESOLVE A NOSSA SITUAÇÃO...


                                          SENHOR RESOLVE A NOSSA SITUAÇÃO...
2Cr 7.11-22
Introdução
No mundo do Antigo Testamento, existe uma idéia muito arraigada: a de que Deus castiga o erro e premia o acerto. É o que os teólogos chamam de “Teologia da Retribuição”. Por causa desse pensamento é que os amigos de Jó o acusam de ter feito algo errado para estar doente; seria um castigo de Deus. Ao mesmo tempo em que essa era uma idéia forte, ela também encontrava resistência, especialmente entre aqueles que queriam defender sua reta observância dos mandamentos de Deus e mesmo assim eram passíveis de sofrer algum revés na vida.
Especialmente no contexto da graça de Deus, trazida por Jesus a nós e explicitada no Novo Testamento, a idéia da teologia da retribuição caiu por terra. Deus não nos trata em termos de “olho por olho, dente por dente” quando se fala em pecado. Ele nos ensina, nos admoesta, nos exorta. Mas isso não elimina uma outra realidade que nós temos de encarar: mesmo que Deus não nos castigue, o pecado tem conseqüências desastrosas para nós. Diz Paulo em Romanos 3.23: “todos pecaram e por isso carecem da glória de Deus”. E ainda: “O salário do pecado é a morte”. Que o pecado tem conseqüências, disso não há dúvidas. Assim, não mais leremos o texto desta noite na perspectiva em que ele foi redigido, isto é, da teologia da retribuição do Antigo Testamento. Mas, à luz do Novo Testamento, vamos falar do pecado e de suas conseqüências; da doença mortal e seus sintomas, bem como da cura divina que Deus quer realizar em nós e por meio de nós.
A profilaxia divina
O texto que lemos é a resposta de Deus à oração que Salomão fizera quando inaugurou o templo. Tudo era festa, luz, cores, sacrifícios e alegria. O povo estava fiel e regozijante diante de Deus. Já a redação dessa história acontece muito  tempo
depois, quando o povo está cativo na Babilônia. Era um tempo em que se buscava essa esperança para animar a reconstrução da vida. Portanto, temos dois momentos: o do evento e o da memória.
Quero fixar-me porém, neste texto como evento, isto é, entendê-lo a partir do momento em que Deus, na hora da festa, fala a seu servo. Para isso, quero afirmar que esse é um texto de profilaxia divina. Isto é, a doença ainda não chegou, nada de ruim aconteceu. A terra está saudável, festeira. Deus fala de um tempo que poderia vir a acontecer, mas que está distante dos olhos do povo no momento.
E o que é uma atitude profilática? É aquela que a gente toma antes de ficar doente. Quando tomamos uma chuva forte e chegamos em casa, qual a primeira providência? Um banho quente e um chá especial, para não ficarmos doentes. Deus também não quer que a terra adoeça. Para isso, ele toma medidas profiláticas. Ele avisa ao povo, por meio de seu líder, Salomão, que existe a possibilidade da doença.
É sinal disso o fato de que, quando lemos este texto no original, todos os verbos aparecem no futuro. Isto é, nada disso aconteceu ainda; é um tempo de prevenção.
A Palavra de Deus tem para nós diversos ensinos preventivos, conselhos para o bem. O livro de Provérbios é todo baseado no ensino de uma sabedoria que evite o mal para aquele que a escuta. No salmo 119, encontramos diversas expressões singulares: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra”. “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho”. E ainda: “De todo o coração te busquei, não me deixes fugir aos teus mandamentos”. Com Cristo, temos o mesmo ensino: “Aquele que está de pé, vede para que não caia”. Os apóstolos e mestres do Novo Testamento prosseguem, nos ensinando a evitar a doença mortal que é o pecado: “Essas coisas vos escrevo para que não pequeis”. “Sede santos como santo é o vosso Pai celeste”; “Buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus”. Enfim, poderíamos listar uma série de medidas que funcionam em nossa vida como um banho quente e um chá especial depois de uma chuva.
Os mandamentos de Deus para nós são medidas profiláticas, para que evitemos a doença. Que doença é essa? O pecado, em suas diversas manifestações. A
desobediência à vontade divina. Deus antecipa seu cuidado e disposição em perdoar. O povo precisa saber que existe uma doença a ser evitada. Precisa evita-la. Mas, se não o fizer, Deus, de antemão, ensina o caminho para a cura.
O caminho da cura divina
O texto, se o tomarmos ao pé da letra, diz o seguinte: “E humilhar-se-ão meu povo que chamou pelo meu nome sobre eles e orarão e buscarão minha face e converter-se-ão dos caminhos maus deles e eu ouvirei dos céus e perdoarei os pecados deles e curarei a terra deles”.
Quero destacar que essas palavras, tais como se apresentam, indicam para nós o caminho da cura dessa doença que é o pecado. Sim, pois nos versículos anteriores podemos entender que a causa da doença da terra (cujos sintomas são a fome e a peste, a seca) é a desobediência aos mandamentos de Deus. Como cristãos, não acreditamos que Deus, de forma simples e direta, castiga o mal e premia o bem, como acreditavam os antigos na teologia da retribuição. Sabemos que muitas coisas ruins também acontecem a pessoas boas e que coisas boas acontecem a pessoas ruins. O juízo de Deus é algo mais misterioso e profundo.
Entretanto, existe uma regra da Física que serve para todas as realidades, mesmo as espirituais: “toda causa tem uma conseqüência”. Isto é, tudo o que fazemos terá um resultado, bom ou ruim. Assim, o pecado cometido pode não ser diretamente castigado por Deus, mas ele desencadeia uma série de coisas em nossas vidas.
Quando o texto foi redigido como está em nossas Bíblias, isso deveria estar claro para o cronista. De fato, desobedecemos a Deus. Fomos exilados na Babilônia e nossa terra está sofrendo com a peste, a fome, a seca. Qual o caminho para voltarmos a celebrar, como nos tempos de Salomão? Deus dá a resposta no sonho do rei.
E meu povo que chamou meu nome sobre si se humilhará
Em Tiago, lemos: “Humilhai-vos sob a potente mão de Deus, para que ele, a seu tempo, vos exalte”. A verdade é que Deus quer que olhemos para dentro de nós mesmos com toda a sinceridade. Humilhar-se diante de Deus pode ser entendido, pura e simplesmente, como “cair em si”, “cair na real”. É como o filho pródigo que, ao olhar para si mesmo, tira de seus olhos uma venda que o impedia de enxergar sua real situação: estava num chiqueiro; aos olhos do patrão, era quase um porco com os porcos. Era ainda pior, pois nem poderia comer a mesma comida que eles. Ao ver-se como era, foi possível tomar o caminho de volta para casa.
Mas não gostamos de nos humilhar diante de ninguém, ainda mais diante de Deus. A essência do ser humano é querer ser Deus. O salmista diz: “Vocês são todos deuses, gostam de se achar os filhos do Altíssimo. Mas é como homens que vocês vão morrer, em sua real condição, pois pensam que são deuses, mas não são...” Pensemos agora em quantas desculpas encontramos para justificar nossos pecados. “Não, Senhor, eu não pequei. Foi a mulher que o Senhor me deu... Não, Senhor, eu não pequei, foi a serpente que me enganou”. Humilhar-se diante de Deus é reconhecer onde exatamente erramos. Onde é preciso consertar. Por isso é que temos, a cada domingo, um momento de confissão no culto. Para não deixar a soberba humana e o orgulho endurecerem nosso coração. Para reconhecer a soberania que é de Deus; a santidade que emana dele. “Cair em si” é o primeiro passo para a cura divina.
Gosto muito dessa expressão. Quando pedimos perdão a alguém, mas não o fazemos sinceramente, é comum desviar o olhar. Buscar a face de Deus parece para mim o mesmo que dizer: “olhar nos olhos dele”. Ir fundo no processo do arrependimento. Não é orar formalmente, fazer por fazer, mas buscar aquilo que no momento parece distante e escondido. O pecado, a desobediência fizeram o rosto de Deus desaparecer no horizonte da vida do povo. Para retomar a vida, é preciso trazer esse rosto novamente diante dos nossos olhos. É preciso encarar Deus, olho no olho, demonstrar a ele nosso sincero arrependimento. Para isso, é preciso intimidade. É difícil encarar o estranho olho no olho. Porque isso revela nossa alma. Olhando nos olhos de alguém é difícil esconder a emoção, dissimular, mentir. Deus quer nos curar, mas para isso ele quer olhar nos nossos olhos, ter intimidade conosco, entrar nos nossos sentimentos mais profundos do coração. O povo que conhece o nome do seu Deus sabe que esse nome indica misericórdia e favor. Por isso, esse povo ora; busca a face de Deus, encara seu olhar. Um olhar que não é de cobrança ou ira, mas de amor, como Jesus fez com o jovem rico certa vez. Depois de cair em si, é preciso encarar Deus olho no olho. Esse é o caminho da cura.
E se converterá do mau caminho dele
Esse é o momento da virada; a cura final para a desobediência é fazer meia-volta nesse caminho. A conversão é uma nova direção de vida. A palavra “mau” que aqui aparece demonstra a essência do caminho do povo distante de Deus. Não é apenas uma prática, mas é um caráter mau que existe no caminho da desobediência. É uma essência de morte. Não dá pra prosseguir assim. É preciso dar meia-volta. Se alguém está doente porque determinada comida lhe faz mal, não adianta mudar o tempero. É preciso parar de comer aquilo. O pecado não pode ser disfarçado sob outro nome ou outra prática. Ele é mau em essência; tem que ser deixado! Converter-se é a conseqüência natural de “cair em si” e olhar nos olhos de Deus. Ao olhar para mim e olhar para Deus, não existe alternativa possível para mim: sou como que obrigada a me converter a ele, pois sou interiormente convencida de que esse é o único caminho possível de vida!
Então eu ouvirei, perdoarei e sararei
Muita gente acha que Deus não pode ou não quer ouvir. Muita gente confia apenas em seus próprios sentimentos. Já ouvi até alguém dizer: “Deus pode até me perdoar, mas eu não me perdôo”. Deus, ao contrário do que pensamos, está mais do que disposto a perdoar. Tanto que ele deu essa receita de cura para o povo antes mesmo que ele pecasse. Deus ensinou a cura antes mesmo que a doença surgisse! Por isso, ele diz: Eu ouvirei. Ouvir é fácil. Às vezes, podemos errar contra alguém e essa pessoa pacientemente nos escuta pedir perdão. Ela observa nosso choro. Sente nosso tremor. Mas não aceita nosso pedido. Deus ouve e dá um passo além: perdoa. Ele age para mudar a situação gerada pela morte, pela desobediência, pelo pecado. E mais: ele sara a ferida que a desobediência causou. É como uma mãe que alerta o filho para uma brincadeira perigosa, mas jamais se recusa a passar remédio na ferida ou dar um beijinho pra sarar.
Conclusão
Deus não recusa seu amor só porque uma vez o desobedecemos. O caminho da cura é um caminho aberto para nós, porque Deus nos dá a receita. Ele nos convida a evitar o pecado e as conseqüências trágicas do pecado em nossa vida. Mas, se pecarmos, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça. Deus não apenas ouve, não apenas perdoa, mas dá a real chance do recomeço.
E o mais interessante a se destacar: é uma cura completa. No caso do povo, não apenas o perdão do pecado, mas a volta para a casa depois do exílio, a reconstrução das casas, a retomada das plantações, das chuvas, da fertilidade, da saúde tirada pela peste. Não apenas nossa vida eterna, mas nossa família, nosso trabalho, nossa dignidade como seres humanos, nossa vida na sociedade hoje e agora. O caminho para a cura, porém, passa por esses pontos fundamentais: humilhar-se, buscar a face de Deus e fazer a volta no caminho mal. Queremos a cura de Deus para nossa vida? Vamos aviar a receita divina, fazendo dela uma prática constante em nosso caminho; mais ainda, vamos ouvir o conselho divino e permanecer na saúde espiritual, fugindo dessa doença mortal chamada pecado. Deus é conosco...

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE

quarta-feira, 19 de março de 2014

JERUSALÉM DE DEUS...


                                                          JERUSALÉM DE DEUS...
Lucas 13:31-35                                             
 Neste texto, encontramos uma acusação à cidade de Jerusalém e, simultaneamente,  uma advertência e um apelo.
  Não há coisa pior que um cego que não quer ver. Jerusalém tinha tido muitas e muitas oportunidades para se arrepender e conhecer o tempo da graça de Deus, mas, infelizmente, continuava orgulhosamente na sua situação de rebeldia. Ali, Jesus tinha pregado e ensinado a santa Palavra. Ali, Jesus tinha feito alguns dos Seus maravilhosos sinais de amor e graça. Ali, Jesus tinha pregado o Seu sermão escatológico. Ali, tinha entrado triunfalmente, cumprindo a escritura de Zacarias 9:9. Mas, Jerusalém tinha permanecido indiferente, fria, hipocritamente religiosa, mas longe de Deus.
  Quantos de nós temos Deus nos lábios, na nossa religião, nas nossas práticas hipócritas, mas continuamos longe de Deus; honrando-O com os lábios, mas longe com o coração.
 Jesus sentia a indiferença e a frieza do povo de Jerusalém e, por isso, lembrava-lhe os seus feitos de falsa religiosidade, matando os profetas que lhe tinham sido enviados e apedrejando tantos e tantos mensageiros da Palavra. "Não conheceste o tempo da tua visitação". Rejeitaste a ajuda e a bênção que te foi enviada. "Eu quis juntar os teus filhos, como a galinha junta os pintos debaixo das asas, mas tu não quiseste".
 Porque não quiseste e não conheceste o tempo da graça, "dias virão em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras e te sitiarão e estreitarão de todas as bandas... Eles te derribarão a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem e não deixarão em ti pedra sobre pedra que não seja derribada..."
 Infelizmente, aconteceu no ano 70 A.D., quando Roma sitiou e destruiu Jerusalém com tal fúria que o sangue correu pelas suas íngremes ruas.
 Com Deus não se brinca, nem se zomba, e Jerusalém e as sua autoridades fizeram-no, injuriando, caluniando e matando o próprio Filho de Deus,
 Nesta altura Jesus ainda orava pelo arrependimento e volta de Jerusalém para Deus. Tal não aconteceu.
 Amigos, Jesus conhece as nossas vidas e exorta-nos a que nos arrependamos e pratiquemos as obras da fé, quando não, cedo virá, como ladrão de noite, e batalhará contra nós com a espada da Sua boca, não deixando pedra sobre pedra que não seja derribada.
 Vê onde caíste, arrepende-te e crê no Senhor Jesus Cristo enquanto  é tempo-- NO DIA DE HOJE...

BISPO/JUIZ.MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE

terça-feira, 18 de março de 2014

AMIGOS VERDADEIROS...



                                                       AMIGOS VERDADEIROS...
INTRODUÇÃO
No dia 20 de julho foi comemorado o dia da amizade, dia em que muitas mensagens foram trocadas entre amigos. Recebi algumas mensagens muito interessantes o que me levou a refletir sobre a amizade verdadeira. Lembrei-me então de dois personagens bíblicos em especial, Davi e Jônatas. A amizade entre Jônatas e Davi era uma aliança de amor, um exemplo de amizade que tem muito a nos ensinar sobre o real significado e importância da amizade verdadeira.
Na literatura das ciências sociais que tratam sobre o tema, a amizade é vista em geral como uma relação afetiva e voluntária, que envolve práticas de sociabilidade e ajuda mútua e necessita de algum grau de equivalência ou igualdade entre amigos.
A Amizade é um bem que infelizmente tem se tornado cada vez mais difícil de ser encontrado. Muitos se chamam amigos, mas a palavra já perdeu muito de seu real significado.
A palavra amigo é cheia de significado como se pode ver pelo texto de I Sm. 18.1: ”Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma.” Esta passagem nos mostra que uma amizade verdadeira é estabelecida por um vínculo muito forte, o vínculo do amor fraternal.
I – Uma Amizade Verdadeira Pode Trazer Riscos
A amizade que nasceu no coração de Jônatas e Davi era algo tão profundo que levou Jônatas a arriscar-se em favor de seu amigo. Em I Sm 20.33 Saul tenta matá-lo por estar defendendo Davi: “Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi.” Jônatas, que parecia ter dificuldades em acreditar que seu pai ainda queria matar a Davi (I Sm 20.2: “Ele lhe respondeu: Tal não suceda; não serás morto. Meu pai não faz coisa nenhuma, nem grande nem pequena, sem primeiro me dizer; por que, pois, meu pai me ocultaria isso? Não há nada disso.”), agora tinha motivos de sobra pra crer que Saul estaria pronto a tudo para eliminar Davi, até mesmo matar seu próprio filho. A princípio Jônatas tinha porque duvidar que seu pai ainda quisesse matar Davi, pois ele havia lhe jurado que não o faria (I Sm. 19.6: “ Saul atendeu à voz de Jônatas e jurou: Tão certo como vive o Senhor, ele não morrerá.”). Porém as atitudes de Saul durante a Festa de Lua Nova não deixavam mais dúvidas de que aquele juramento não seria cumprido.
Jônatas agora sabia que se sua amizade com Davi fosse mantida ele corria risco de vida. Contudo isso não foi razão forte o suficiente para abalar aquela aliança de amor

firmada entre Jônatas e Davi. Jônatas não estava disposto a abrir mão desta amizade por coisa alguma.
Davi também correu riscos em virtude de sua amizade com Jônatas. Após a morte de Jônatas Davi procurou saber se ainda havia algum descendente de Saul vivo: Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas?” II Sm. 9.1. Ao ser informado de que havia um filho de Jônatas vivo Davi o levou para morar no palácio e comer da sua mesa:”Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para a casa de teu senhor tenha pão que coma; porém Mefibosete, filho de teu senhor, comerá pão sempre à minha mesa. Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos”. II Sm. 9.10. O mais comum em uma situação como aquela seria procurar eliminar todos os descendentes de Saul já que estes poderiam procurar promover um levante ou o assassinato de Davi para recuperar o trono, no entanto, Davi ao invés de temer perder o trono e quem sabe a sua própria vida corre o risco por amor a Jônatas. Ë preciso lembrar que Jônatas era amigo de Davi e o amava, mas Mefibosete não necessariamente.
No Novo Testamento nós também temos o exemplo de Epafrodito que foi outro a não se importar em correr riscos por uma verdadeira amizade. Paulo era acusado de traição ao Império Romano, e esta era uma acusação grave. Paulo poderia ser condenado a morte e, quando um prisioneiro era condenado a morte, quem estava com ele deveria morrer também. Mesmo sabendo disso, Epafrodito abandona sua cidade, sua casa, todos os seus e vai para Roma cuidar de Paulo. Isso é amizade verdadeira, isso é comprometimento. Que coisa maravilhosa é ter amigos assim. Felizes são aqueles que podem ser e contar com amigos deste porte.
II – Uma Amizade Verdadeira Põe seus Interesses Pessoais em Segundo Plano.
Parece que Jônatas era o príncipe herdeiro pois Saul lhe diz que enquanto Davi vivesse nem Jônatas e nem seu reino estariam seguros (I Sm 20.31: “Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda busca-lo, agora, porque deve morrer.” ). Davi era portanto uma ameaça a Jônatas e consequentemente a toda a sua posteridade já que se Davi assumisse o trono Jônatas não seria o próximo rei, seu filho não seria o príncipe herdeiro e assim por diante.
No entanto, ao invés de odiar Davi e tentar elimina-lo, ele o ama e protege. Eliminar Davi não seria difícil já que ele dispunha de informações privilegiadas a respeito de Davi e este confiava nele. Davi fugiria de Saul, mas não de Jônatas. Pior do que um inimigo é um falso amigo. Dizem que um sábio antigo orava pedindo a Deus que cuidasse de seus amigos pois dos inimigos ele era capaz de cuidar. Se Jônatas fosse um falso amigo, se Jônatas se deixasse levar por interesses pessoais Davi estaria correndo serio risco. E é preciso lembrar que o interesse pessoal de que estamos falando não era uma coisa qualquer, era o trono de Israel.
Muito triste é quando se confia em alguém, o tem como amigo sincero, como irmão e se vê traído pelo mesmo ter se deixado levar por interesses, por benefícios muito menores que aquele do qual Jônatas estava abrindo mão. Infelizmente isto não é algo incomum. Jônatas sabia que pessoas valem mais que coisas, mais que posição. Para Jônatas o trono não era mais importante que a amizade de Davi.
III – Uma Amizade Verdadeira Está Firmada num Firme e Sincero Amor
Esta característica da verdadeira amizade é o vínculo da mesma. Foi o amor que moveu Jônatas a por sua vida em risco e com certeza foi um amor sincero e firme que moveu Epafrodito a viajar cerca de 2.000 Km da Macedônia a Roma para cuidar de Paulo, podendo com isso perder muito, inclusive sua própria vida, seja através de um acidente durante a viagem, uma enfermidade contraída – o que acabou acontecendo e quase o ceifou ( Fp 2.27: Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.) – ou ainda pela condenação de Paulo.
Foi o amor que moveu tanto Jônatas quanto Epafrodito a deixar interesses pessoais para cuidar dos interesses do objeto de seu amor. Paulo em I Co. 13.4 e 5 diz o seguinte: “O amor ……. não procura os seus interesses, ….” . Isso era uma realidade na vida destes amigos.
Jônatas estava pronto a abrir mão do trono, enquanto que Epafrodito abriu mão de trabalho, presença da família e dos irmãos da Igreja. Paulo diz que enviou Epafrodito de volta a Macedônia pois este estava com saudades da Igreja ( Fl. 2.25, 26: “Julguei, todavia, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas minhas necessidades; Visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu.”). Vejam que a amizade era recíproca pois Paulo abre mão de sua ajuda para que ele pudesse visitar os seus e sua igreja.
Quando o amor fraternal rege os relacionamentos, há paz, respeito, sinceridade, transparência. Aquele amor foi algo tão significativo na vida de Davi e Jônatas que Davi ao saber da morte do Jônatas afirma: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres”. (II Sm. 1.26).
Lamentavelmente esta passagem, e de modo geral a amizade entre Jônatas e Davi, é muito mal interpretada por alguns que erotizam o amor entre Davi e Jônatas. No Entanto, a luz do ensino geral das Escrituras fica claro que o amor que unia Jônatas e Davi era o amor fraternal.
IV – Uma Verdadeira Amizade é Fiel
Jônatas e Davi tinham uma aliança. Em I Sm. 18.3 é dito que Davi e Jônatas fizeram aliança (“Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como a sua própria alma”). A natureza da aliança não é aqui declarada de modo explícito, mas creio que podemos inferir ser uma aliança de amor fraternal, ou seja, uma aliança de amizade.
Nossa conclusão pode ser atestada pelo que encontramos no capítulo 20 verso 8: “ Usa, pois, de misericórdia para com o teu servo, porque lhe fizeste entrar contigo em aliança no Senhor; se, porem, há em mim culpa, mata-me tu mesmo; por que me levarias a teu pai?” . Ali vemos Davi evocando a aliança entre eles para pedir sua ajuda. Jônatas não se furta da aliança, mesmo sendo aquele um momento muito delicado onde muitas perdas e muita dor poderia ser experimentada, como já pudemos considerar acima.
Jônatas não só mantêm a aliança como a renova e amplia nos versos 16 e 17: “Assim, fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: Vingue o Senhor os inimigos de Davi. Jônatas fez jurar a Davi de novo, pelo amor que este lhe tinha, porque Jônatas o amava com todo o amor da sua alma”. Os versos seguintes mostram que o que havia sido combinado foi fielmente cumprido da parte de Jônatas e a passagem encontrada em II Sm. 9 mostra que Davi foi fiel a aliança que tinha com seu amigo Jônatas mesmo após sua morte. Ao saber que havia um filho de Jônatas vivo providencia para que ele recebesse tudo de que fosse necessário para ele e para os seus (II Sm 9.9, 10: “Chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e lhe disse: Tudo o que pertencia a Saul e toda a sua casa dei ao Filho de teu senhor. Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que a casa de teu senhor tenha pão que coma; porém Mefibosete, filho de teu senhor, comerá pão sempre à minha mesa. Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos”) .
Uma verdadeira amizade é marcada pela fidelidade.
Conclusão
Amigo é aquele com quem podemos ser nós mesmos. Ser nós mesmos implica uma apresentação sem reservas e espontânea de si mesmo, sem o autocontrole exigido pelas regras da polidez. Li certa vez que amigo é aquele com quem se pode pensar alto.
Amizade em nossos dias, em muitos casos, significa se aproximar de alguém que pode oferecer algo. Quando não tem mais o que oferecer deixa de ser amigo e aquele que até então não era amigo mas agora tem algo a oferecer, passa a ser o amigo da vez. Salomão fala sobre isso de modo claro em pelo menos duas passagens de Provérbios: Pv. 19.4, 6 – “As riquezas multiplicam os amigos; mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa… Ao generoso, muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes”.
O cachorro e o gato são interessantes ilustrações do que acabamos de dizer: Alguém já viu andarilhos ou moradores de rua com gatos? Certamente não, mas todos já os vimos com cachorros. Um cão morre de fome ao lado de seu dono, mas não o abandona, enquanto que o gato segue o primeiro que lhe oferecer comida. Vê-se que quando alguém quer ofender um falso amigo chamando-o de cachorro comete uma grande injustiça (com os cachorros, é claro).
Que tipo de amigo você tem sido e que tipo de amigos você tem ao seu redor? Que Deus faça de nós amigos de verdade e assim também nos dê amigos com quem tenhamos uma real aliança de amor fraternal.
Só pode ser amigo de verdade aquele que confia no Senhor, aquele que sabe que Deus está no controle de todas as coisas e que cuida dos seus. Em Pv. 29.25 encontramos as seguintes palavras: “Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro”. Quem confia no Senhor não precisa de armações, associações com falsas amizades pois ele tem a sua vida confiada no Senhor. Só este consegue ser amigo de verdade, sem medo de ser traído, sem medo de ser passado pra traz, sem busca de interesses pessoais.
“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” Pv. 17.17...

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE

segunda-feira, 17 de março de 2014

TENHO AZEITE E UM PUNHADO DE FARINHA...


                                       TENHO AZEITE E UM PUNHADO DE FARINHA...
I Reis 17:8-16
O que eram os dias de Elias?
Eram dias de Juízo sobre a terra através do profeta Elias, que profetizou a seca sobre Israel e por três anos e meio não choveu, porque havia a necessidade de quebrar a dureza de coração e desmontar as estruturas demoníacas que havia na terra, a saber, Jezabel, Acabe e Baal.
Porém para o povo de Deus, para a viúva e que se colocaram debaixo da autoridade profética não havia seca, mas sim o milagre da multiplicação. Foi o que aconteceu com a viúva.
Vale a pena ter em mente que a multiplicação só aconteceu porque houve, tanto da parte do profeta como da viúva, obediência à palavra de Deus e disposição em cumpri-la e vive-la de forma incondicional. Eles estavam totalmente abertos para o milagre de Deus sem olhar para a completa ausência de recursos humanos e também sem ter referencia de que aquilo havia acontecido anteriormente.
Hoje vivemos também nos dias de Elias:Dias de caírem os principados que tem assolado esta nação.
Dias que o povo de Deus precisa ser desafiado em sua fé e entender espiritualmente o valor e a extensão de uma entrega incondicional.
Dias de perseguição aos profetas de Deus.
Quanto maior for as nossas entregas maior será o milagre da multiplicação.
A VIÚVA ENTREGOU TRES ELEMENTOS PROFÉTICOS
1. ÁGUA
Representa a entrega para Deus daquilo que é vital, pois 70% do homem é feito de água.
É a entrega do nosso suor para suprirmos e edificarmos a obra do Senhor.
É a fé para viver o milagre da transformação. Ex. Cana da Galiléia.
É a atitude da mulher Samaritana (João 4) par viver uma completa transformação de vida.
É a entrega de Rebeca ao servo Abraão que abriu as portas para o seu futuro como esposa de Isaque o homem mais rico e abençoado da terra.
Água, é o que os religiosos movidos por Satanás, negaram a Cristo quando ele estava na cruz e teve sede, por isso até hoje os religiosos são estéreis e sedentos.
A viúva de sarepta foi e trouxe água para Elias.
Quem estava retendo as águas para não chover?
Quando a viúva entregou água para aquele que tinha o domínio sobre as águas recebeu o milagre da multiplicação.
2. A FARINHA
Com a farinha se faz pão e a Bíblia diz que Jesus é o pão da vida.
Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo (João 6:49-51).
A farinha trás cura e tira a morte da panela (II Re 4:38).
Entregar a farinha significa entregar o sustento humano para desfrutar do milagre.
3. O AZEITE
O azeite representa a unção que está na igreja. Ex. as dez virgens Mateus 25:1-12.
OS DEFEITOS DO AZEITE
Azeite deteriorado. A principal característica dessa deterioração e a oxidação, ou seja, o desgaste do azeite em contrapartida quanto maior a quantidade de antioxidantes (evita cânceres no organismo) no azeite melhor a sua conservação.
O bom azeite não pode ter nenhum nível de defeito sensorial para ser considerado extravirgem.
O ranço, um gosto amargo adstringente, com gosto de fruta seca envelhecida.
Azeite rançoso e sinônimo de azeite velho. Decomposição, antiquado, obsoleto, mal cheiroso.
Azeite mofo. Recebeu mofo das azeitonas. O mofo nada mais é do que o fungo Penicillium notatum, uma espécie de bolor que é inclusive usado na fabricação de penicilina.
Esse mofo surgem em condições ambientais de muita umidade
O mundo está crente desse óleo. Não existe unção no mundo.
O mundo pode dar rios de dinheiro para o que quer que seja, mas não tem uma gota de azeite sequer, porque ele se encontra na Igreja de Jesus.
Dar o azeite significa derramar a unção de Cristo que está em nós para a salvação dos homens.
A obra do senhor de Deus é espiritual e ela se realiza através da unção.
O que a entrega desse azeite trouxe aquela viúva? A quebra do jugo (Isaias 10:27).
CURANDO A MALDADE DA TERRA
Espiritualmente falando a entrega desses três elementos representavam a ação da trindade para desfazer na origem a maldade que trouxe miséria aquela terra.
O que trouxe a maldade aquela terra?
Jezabel. De onde veio jezabel? Jezabel e o Demônio chamado Baal era da região de Sidom atual Turquia.
Para onde Deus enviou o profeta? Sarepta que é de sidom.
De onde veio Jezabel trazendo contaminação, Deus enviou Elias, para que através da entrega de uma mulher, fosse quebrada a maldade por meio da farinha, água e óleo.
A região de Tiro que é de Sidom, é a região onde o Senhor disse que Lúcifer caiu (Ezequiel 28), ou seja o berço da contaminação pois de lúcifer saiu o mal.
Ali onde abundou o pecado superabundou a graça de Deus...

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR. EDSON CAVALCANTE