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sexta-feira, 7 de maio de 2021

PERSEGUIÇÃO A IGREJA NO TEMPO ATUAL.

PERSEGUIÇÃO A IGREJA NO TEMPO ATUAL.

2 Timóteo 3.12

Introdução
Paulo disse que há somente um corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo e um único Deus (Ef 4.4-6), ou seja, há apenas uma igreja. Ela não tem paredes, hierarquias, nem qualquer patrimônio físico, e sua unidade se sustenta na unidade de Deus; por isso, a igreja é um organismo divino vivo no meio do mundo.

É fato, então, que a igreja tem de estar no mundo, ainda que não deva se contaminar com o mesmo; porém, esta permanência tem acarretado à igreja a realidade de “Igreja Perseguida”. É claro que pode haver graus de perseguição, mas em todos os lugares onde a igreja se estabelecer ela terá que enfrentar a perseguição do mundo, pois a verdade da Escritura é imutável, de modo que 2 Timóteo 3.12 expressa uma realidade bem presente: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”.

I. O crescimento do fundamentalismo
Os tempos atuais pretendem fazer da tolerância sua marca fundamental; porém, o extremismo está mais forte que antes. Não se passa um dia sem que vejamos imagens na TV de extremistas islâmicos agitando armas e gritando palavras de ordem contra seus inimigos do Ocidente. O terrorismo é a grande fobia mundial e faz com que posições extremas sejam adotadas em todos os lugares do mundo. Mas esta é apenas uma demonstração de que o mundo pós-moderno pode se manifestar de modos bastante extremistas.

Não somente os islâmicos, mas outros extremistas também estão crescendo, como por exemplo os pentecostais radicais no Brasil, confucionistas neotradicionais na Coréia, budistas radicais no Japão e muçulmanos xiitas no Oriente Médio. Estes reagem à altura do pensamento pós-moderno. As pessoas nem sempre param para pensar que o extremismo pode ser uma conseqüência do próprio relativismo. O fundamentalismo extremista floresce em períodos de desintegração social e comunitária, pois em tempos de confusão e desintegração, para se sentirem mais seguras, as pessoas preferem se apegar aos conceitos tradicionais, ainda que muitas vezes façam isso de forma extrema e impensada, e, não menos freqüentemente, deturpam esses próprios conceitos.

O Islamismo é a religião com tendências mais extremistas da atualidade. Embora nem todo muçulmano esteja disposto a se tornar um homem-bomba, a religião islâmica, em sua essência, se reconhece como única verdade e entende que todas as outras religiões devem desaparecer. Recentemente, o mundo pôde ver um pouco dessa intolerância, quando o papa Bento XVI, numa palestra, fez a citação de um texto antigo que dizia que o Islã é uma religião da espada. O mundo islâmico se revoltou contra isso e ameaças de todo tipo foram feitas contra o papa, numa contraditória tentativa de dizer que ele estava errado.

II. Perseguição comunista e muçulmana
Cristãos que não sofrem perseguição física e violenta freqüentemente se esquecem de seus irmãos que estão sofrendo por causa de sua fé em Cristo. Há um movimento de intensa perseguição a cristãos em vários países do mundo. Na lista dos dez países em que mais há perseguição aos cristãos, seis são muçulmanos, três são comunistas e um é budista (Fonte: Missão Portas Abertas).

Os países comunistas são a Coréia do Norte, o Vietnã e Laos. Nestes a força do comunismo ateu vê o Cristianismo como uma ameaça ao sistema. Outros países que perseguem os cristãos são muçulmanos, quase todos localizados dentro de uma faixa de países do norte da África ao sul da Ásia.

Nos países muçulmanos, a lei islâmica proíbe a conversão de um muçulmano para outra religião. Os casos de maus tratos são bastante numerosos; pois, nesses países, pela lei, um muçulmano que se converte ao Cristianismo é passível de pena de morte, e, quando isto não acontece, há aprisionamentos, torturas e pesadas multas.

Na Eritréia, por exemplo, 15 cristãos escaparam de um acampamento militar em Asabe, onde foram mantidos prisioneiros em contêineres metálicos durante os últimos dois anos. Correndo grande risco, fugiram para o deserto na divisa com Djibouti. Cinco dos homens morreram por exposição ao sol, e os outros dez desapareceram, e não há nenhuma indicação de que conseguiram cruzar a fronteira. Em 17 de outubro de 2006, a polícia de segurança de Eritréia torturou dois cristãos até a morte sob a acusação de terem conduzido cultos religiosos em uma residência particular no sul de Asmara (Fonte: Missão Portas Abertas). Este é apenas um exemplo dos numerosos de casos de perseguição a cristãos.

III. Um padrão imutável
Ao olhar para esta situação, primeiramente precisamos lembrar de que isso apenas confirma o que Jesus e os discípulos predisseram. Como já vimos, Paulo disse que todos aqueles que desejam viver piedosamente serão perseguidos, não por simples ódio religioso, mas pela repulsa às atitudes piedosas. O mundo decaído não suporta ver pessoas verdadeiramente transformadas. Em religiões de observâncias externas, como o Islamismo, há certas leis simples que precisam ser cumpridas, muito mais por medo da punição, ou pela esperança de recompensa, do que por uma profunda transformação do coração e da mente que leva a amar o próximo e a viver vida moderada por amor a Deus. Quem tem apenas uma religião externa e superficial não suporta ver quem tem uma religião do coração; antes, sentirá desejo de persegui-lo. É certo que é Satanás, desejoso pela apostasia, quem está por detrás de toda a perseguição aos cristãos verdadeiros.

Jesus disse aos discípulos que o mundo os perseguiria como uma forma de reagirem à sua pessoa: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia… Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou” (Jo 15.18,19,21). Há um padrão imutável que é o ódio do mundo em relação a Cristo. Atribui-se ao pacifista hindu Mahatma Ghandi a seguinte afirmação: “Eu gosto do Cristo dos cristãos, mas não gosto dos cristãos do Cristo”. Esta frase realmente reflete o distanciamento que há, muitas vezes, entre Cristo e seus seguidores. Contudo, pela perspectiva de Jesus, ela é totalmente falsa porque generaliza e inclui os verdadeiros cristãos, acerca dos quais Jesus disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim”; ou seja, há uma identificação direta entre Cristo e os cristãos.

Conclusão
Certas perseguições são inevitáveis na vida do cristão. Elas representam o ódio do mundo a Cristo. Devemos nos compadecer de nossos irmãos que estão sofrendo em tantos lugares do mundo. Por outro lado, por mais contraditório que isto possa parecer, podemos nos regozijar nesta situação diante do que Jesus disse: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.10-12).

De fato, não há muito que fazer diretamente, pois não podemos ir até lá para defendê-los. Mas há muita coisa a ser feita de onde estamos.

Podemos orar. Paulo pediu oração por livramento aos crentes de Roma (Rm 15.30,31). Esta é, sem dúvida, a arma mais poderosa que temos e não podemos nos omitir quanto ao seu uso.

Podemos usar os meios legais para pressionar as autoridades, a fim de que se envolvam nesses casos. A tolerância dos países cristãos ocidentais dá segurança para que haja perseguição nos países islâmicos, pois não há temor de que seus cidadãos sejam perseguidos no Ocidente. Não estamos defendendo uma intolerância, mas apenas dizendo que é preciso manter um equilíbrio.

Finalmente, devemos nos manter informados. Fechar os olhos para esta realidade não é uma atitude cristã. O mundo precisa saber de tudo isto que está acontecendo. Isto pode ser um meio, inclusive, de restringir certas atitudes agressivas.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

ASSASSINATOS, MASSACRES E ESTUPROS: OS PIORES PAPAS DA HISTÓRIA

 

ASSASSINATOS, MASSACRES E ESTUPROS: OS PIORES PAPAS DA HISTÓRIA

Conheça 10 dos mais infames papas ao longo dos anos
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Papa Leão X
Papas particularmente ruins praguejaram a Igreja do século 10 ao 16. Nessa época, havia uma enorme promiscuidade entre a política dos nobres e a da Igreja, e pessoas sem qualquer formação religiosa - ou sequer interesse na vida religiosa - podiam chegar ao Trono de Pedro.

A corrupção desses papas seria um dos motivadores da Reforma Protestante. E a Reforma mudaria a dinâmica do poder entre reis e papas, também pondo uma enorme pressão sobre a Igreja Católica, encerrando a era dos escândalos.

10. Alexandre VI (1492-1503)

Membro da família Bórgia, comprou o título, subornando os cardeais. Foi um investimento: por todo seu papado desviou dinheiro para a família, vendeu posições eclesiásticas, e mandou matar “hereges” para confiscar sua propriedade. Na imaginação popular, ainda hoje "Bórgia" é sinônimo de libertinagem - lenda mais infame é que teria cometido incesto com a própria filha. Mas foi também um grande patrono das artes e aceitou em Roma os judeus expulsos da Espanha em 1492.

9. Urbano VI (1378-1389)

Seu problema era a falta de diplomacia. Austero e propenso a ataques de fúria, era tão detestado que os cardeais elegeram um segundo papa em seu mandato. Isso deu início ao Cisma do Ocidente, quando o catolicismo teve dois líderes rivais, de 1378 a 1417. Isso causou uma guerra civil em Portugal entre facções que apoiavam papas diferentes. Sua "solução" foi mandar torturar os cardeais que o rejeitaram, reclamando que não ouvia gritos o suficiente.


8. Leão X (1513-1521)

Na inauguração de seu mandato, ele mandou pintar um menino em ouro e fazê-lo desfilar em Roma, anunciando uma nova "Era Dourada". A criança morreu, mas a festa continuou. Esse seria seu crime: a ostentação.

Da família Médici, foi criado desde criança para a carreira religiosa, e não parece ter passado por escândalos sexuais. Mas arruinou os cofres da Igreja com sua gastança em arte e arquitetura. O que levou à ideia de cobrar indulgências, pedir dinheiro para absolver os pecados, revoltando certo monge alemão chamado Martinho Lutero. O papa finório nem se incomodou em defender a Igreja do ataque, e o cristianismo seria dividido até hoje.


7. Bonifácio VIII (1294-1303)

Declarou o poder absoluto do pontífice sobre todos os outros governantes. Com seu exército, saqueou e queimou a cidade de Palestina em 1298, fazendo 6 mil mortos. Foi deposto militarmente pelos franceses.

Curiosamente para quem queria o papa como imperador do mundo, parece que não acreditava em Deus. Segundo o historiador britânico John McCabe, ele teria afirmado diante de bispos, arcebispos e um rei: "Nunca existiu jesus e a hóstia é só água e farinha. Maria não era mais virgem que minha própria mãe e não existe mais problema em adultério que em esfregar uma mão na outra".

6. Clemente VII (1523-1534)

Outro com tara por guerra. Membro da família Médici, suas maquinações políticas levaram à Guerra da Liga de Cognac, em que franceses e italianos enfrentaram espanhóis e alemães. Em 1527, uma tropa alemã-espanhola se amotinou com a falta de pagamento e rumou para Roma, que foi saqueada e arruinada. Com isso, Clemente seria o maior responsável pelo fim da Renascença italiana.

5. Inocêncio IV (1243-1254)

Este não foi condenado por seus contemporâneos. Não se envolveu em nenhum escândalo e o que fez era considerado perfeitamente sensato. Mandou confiscar e queimar todos os talmudes, o livro sagrado extra-bíblico dos judeus - mas tentou evitar que eles fossem linchados pelo populacho e exigiu que os cruzados não os massacrassem.

Mas a parte mais influente de seu legado seria a bula Ad Extirpanda, de 1252. Ela autorizou e regulamentou o uso de tortura pela Inquisição. A regra era que não podia haver mortes ou amputações, e que as execuções seriam feitas por autoridades seculares. Estas podiam confiscar a propriedade como ressarcimento pelo serviço prestado. Não é difícil imaginar a que isso levou: condenações por "heresia" por puro interesse econômico.


4. João XII (955-964)

Num sínodo, em 963, recebeu diversas acusações. Teria fornicado, incluindo com sua sobrinha; estuprado peregrinas; castrado um padre e cegado outro; feito brindes aos deuses e ao diabo. Convocou um sínodo para declarar a si mesmo inocente e mandou mutilar ou matar seus acusadores. Acabou morto por um marido ciumento.

3. Estêvão VI (896-897)

Para agradar aliados políticos, mandou escavar o corpo putrefato do seu pré-antecessor, o papa Formoso, e o pôs num trono para que fosse julgado, no que ficou conhecido como Sínodo do Cadáver. Condenado, o corpo teve os dedos cortados, para que todas suas bênçãos fossem consideradas inválidas. Foi enterrado, desenterrado outra vez e atirado ao rio Tibre. O julgamento causou escândalo e o papa foi preso e estrangulado meses depois.

2. Sérgio III (904-911)

Julgar cadáveres não era suficiente para Sérgio, que mandou executar seus dois antecessores. Mandou desenterrar outra vez o pobre Formoso, anulou novamente todas suas decisões e providenciou um túmulo mais honrado para Estêvão, que havia morrido em desgraça.


Era também um grande festeiro: seu papado foi o início da “pornocracia”, o domínio das prostitutas com que os papas se cercavam. Com uma delas, Sérgio teve um filho, que se tornaria o papa João XI (ausente nesta lista, felizmente).

1. Bento IX (1012 - 1056)

A razão da pilha de números acima é que o Benedito vendeu seu papado e se arrependeu. O trono papal foi um presente de seu pai, que comprou ou pressionou os cardeais a colocarem ele "na fila". Assumiu pela primeira vez aos 20 anos. Acumulando escândalos e decidido a casar, ofereceu a cadeira a seu padrinho, o padre Giovanni Gratian - ao custo de suas "despesas" com a eleição.


Como o casamento não deu certo, voltou à Roma e conquistou a cidade militarmente. Expulso, faria mais uma vez. Foi acusado de assassinatos, estupros, bestialidade, sodomia... enfim, a ficha-corrida média dos piores papas de seu tempo.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

O SOFRIMENTO DO CRISTÃO PARA A GLÓRIA DE DEUS.


                                   O SOFRIMENTO DO CRISTÃO PARA A GLÓRIA DE DEUS.


Romanos 8.18-25

Introdução
Por que o cristão sofre? Se ele é amado por Deus desde antes da fundação do mundo, salvo de sua ira certa e preser­vado para viver a eternidade no paraíso, qual seria a necessidade de ele sofrer aqui? Essa pergunta ganha mais peso principalmente se considerarmos o tipo de teologia que ensina vitórias sobre os males, curas de doenças e prosperidade financeira. Qual seria a razão de o crente sofrer? Nós não temos todas as respostas, mas as Escrituras nos dão claras indica­ções de algumas.

I. Sofrimento do cristão
Um dos pontos que talvez cause mais tristeza para alguns crentes é que eles sofrem tanto ou até mesmo mais do que alguns ímpios. Esse não é um problema novo. Tanto o rei Davi (Sl 37) quanto Asafe (Sl 73) expressaram a agonia do servo de Deus que contempla a prosperi­dade daqueles que não servem ao Senhor: “Não te indignes por causa dos malfeito­res, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade” (Sl 37.1); “… pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos” (Sl 73.2-3). O salmista relata que para os ímpios não há preocupações, pois seus corpos são sa­dios; além de eles não se cansarem como os outros mortais (Sl 73.4-5).

Já aqui nós vemos um problema comum aos que sofrem: inveja. Quando os cristãos desviam os seus olhos da providência de Deus, e do futuro que aguarda tanto a eles como aos ímpios, se estes não se arrepen­derem, nasce um desejo pecaminoso em seu coração. Como veremos mais à frente, o cristão deve manter os seus olhos fitos nas promessas de Deus, para não ceder à pressão, principalmente em relação às promessas que se referem à eternidade.

O cristão também pode sofrer por causa da disciplina de Deus. Esse sofrimento só está reservado aos seus filhos, porque ele deseja que estes vivam em santidade, conforme declara Hebreus 12.4-6: “… na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais es­quecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menos­prezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe”.

Vemos repetidas vezes Deus disciplinar o povo de Israel por considerá-lo filho: “Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o Senhor, teu Deus” (Dt 8.5; cf. 2Rs 19.3; Jó 5.17; Pv 3.11; Jr 5.3; 6.8). Nem todos os de Israel eram de fato israelitas (Rm 9.6), ou seja, nem todos os indivíduos da nação de Israel eram verdadeiramente filhos de Deus, mas a disciplina atingia a todos indis­criminadamente. Deus agia para que os seus filhos pudessem ser quebrantados e se voltassem para ele em arrependimento. O objetivo de Deus na administração de disciplina aos seus filhos é sempre o bem; ele “… nos disciplina para aproveitamen­to, a fim de sermos participantes da sua santidade” (Hb 12.10b).

Também podemos colocar nesse bojo o sofrimento que todo cristão passa por sua fidelidade a Deus. Escrevendo ao seu discípulo Timóteo, o experiente Paulo diz: “Não te envergonhes, portanto, do testemunho do nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus” (2Tm 1.8; 2.3). Mais à frente, o apóstolo nos dá certeza de que uma vida compro­metida com os valores do reino de Deus nos reservará problemas: “… todos quan­tos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12).

Jesus Cristo foi também enfático na relação que há entre segui-lo e sofrer as consequências dessa decisão: “Lembrai­-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também persegui­rão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa” (Jo 15.20). Enquanto vivenciamos uma realidade de pregações que prometem todos os prazeres desta vida aos que se entregarem a Cristo Jesus, as promessas de sua palavra seguem na direção oposta.

II. Sofrimento e glória
Quando deixam de olhar as Escrituras para encontrar o consolo que vem de Deus, os cristãos sofrem ainda mais em meio a seus padecimentos. As promessas que Deus faz com respeito aos sofrimen­tos dos seus filhos são fortalecedoras. Vejamos algumas delas.

A. O sofrimento na vida do crente é passageiro
Escrevendo aos nossos irmãos, o apóstolo Pedro afirma que eles deveriam exultar por causa do plano de salvação que Deus concedeu, “… embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais con­tristados por várias provações” (1Pe 1.6b); e ainda “sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.9).

Com certeza, os sofrimentos do crente estão condicionados, no máximo, a esta vida. Talvez julguemos que anos a fio de aflições seja muito tempo para aqueles que passam por elas, mas o que são 70 ou 80 anos compa­rados com a eternidade? Por isso o apóstolo Pedro descreve que essas amarguras são “no presente” e “por breve tempo”.

Uma das confianças mais maravilhosas que o evangelho proporciona àquele que crê é que toda agonia limita-se somente a esta vida. Nos novos céus e na nova terra não teremos motivos para sofrer: “… lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4).

Pedro ainda usa outra condicional, “se necessário”. Com certeza, nós podemos afirmar que nem tudo na vida do crente é sofrimento. Deus tem proporcionado momentos bons e de alegria, concedendo­-nos graciosamente muito mais do que pedimos ou pensamos (Ef 3.20). Além disso, nós ainda temos o consolo de saber que não sofremos sozinhos (cf. 1Pe 5.9). Isso significa que em suas lutas qualquer cristão pode contar com o apoio irrestrito de seus irmãos, e a igreja pode se regozijar na verdade de que sempre haverá compre­ensão e ajuda por parte daqueles que têm sido trabalhados pelo mesmo Espírito de Deus. Por essas razões, o apóstolo Pedro pôde concluir: “… o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna gló­ria, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (1Pe 5.10).

B. O sofrimento na vida do crente revela a glória futura
O binômio sofrimento / glória é claro nas Escrituras, porque o que aconteceu a Cristo Jesus é um paradigma daquilo que também acontecerá conosco. Assim, temos registrado, através dos profetas do Antigo Testamento, “… qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão teste­munho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os segui­riam” (1Pe 1.11). Jesus Cristo padeceu tudo aquilo que era necessário tendo a certeza de que seria glorificado depois de sua obra e, próximo à sua crucifica­ção, ele “… levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti” (Jo 17.1).

Da mesma forma, podemos viver nesta terra conscientes e esperançosos de que “… os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). Veja como é interessante perceber que a Palavra de Deus redireciona nossos pensamentos às certezas do futuro enquanto passamos por sofrimentos nesta vida. Isso não é escapismo e nem fuga da realidade, pelo contrário, é a própria realidade futura que, filtrando nossa visão do presente, faz-nos esperançosos e jubilosos aguardando o que está reservado para nós.

Nós não somos chamados à inércia no tempo presente, ao contrário, devemos trabalhar e nos esforçar tendo convicção do que nos aguarda. Por isso o apóstolo Paulo termina o capítulo 15, no qual trata da ressurreição, assim: “… meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). Enquanto estivermos nesta vida, não devemos ansiar o porvir chateados ou tristes; Pedro nos inspira: “… alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação da sua glória, vos alegreis exultando” (1Pe 4.13, minha ênfase).

III. Soberania, sofrimento e confiança
Nestes roteiros de estudo, procuramos enfatizar as verdades apresentadas nas Escrituras a respeito da soberania de Deus e como ela se relaciona com toda a sua criação, especialmente com os seres humanos. Procuramos também, à me­dida que estudávamos, fazer aplicações práticas para compreender como essas doutrinas têm a ver com a nossa vida.

Esta seção continua mantendo esse cará­ter prático. Esperamos em Deus que tudo aquilo que vimos tenha servido para a edi­ficação do povo de Deus e para conduzir a igreja a uma vida mais santa e piedosa.

Como temos afirmado, Deus tem diri­gido a história do universo conforme os seus santos propósitos, e isso diz respeito não apenas aos homens do passado, mas à nossa própria história. Tudo o que pas­samos, todas as coisas que vivenciamos, as experiências boas e ruins, procedem da poderosa mão do Pai.

Provavelmente, para chegar aonde chegou, você já tenha passado pelo vale da sombra da morte (Sl 23.4), e a reali­dade que o cerca pode estar minando a sua confiança no amor e no cuidado de Deus por você. Perdas dolorosas, angús­tias nos relacionamentos, depressões ou consequências produzidas pelo medo e pela ansiedade podem estar corroendo o seu relacionamento com o Senhor, e com aqueles que estão próximos a você. Nós desejamos que você seja encorajado pelas Escrituras somente. Não há nada que o homem diga ou faça, e não há nada fora da Bíblia, que possa ajudá-lo. Se você não concorda, saiba que em um período razoavelmente curto os sintomas só vão piorar, porque esses conselhos ou indicações dos seres humanos serão meros paliativos para a dor da alma, que só encontra descanso em Deus.

Destacamos duas promessas muito preciosas que recebemos de Deus. A primeira é: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados se­gundo o seu propósito” (Rm 8.28) – essa promessa tem a ver com o nosso sofri­mento. Deus está garantindo que todas as coisas cooperam para o nosso bem. Ele não está garantindo que compreen­deremos tudo por que passamos, nem que nos alegraremos com tudo, mas que tudo está cooperando para o nosso bem. Se essa promessa estiver firme e bem arraigada em seu coração, você terá êxito em levar a vida de maneira mais piedosa e temente a Deus.

A outra promessa diz respeito ao futuro glorioso: “ a vontade do meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.40). Essa promessa é maravilhosa, pois nos apresenta a garantia de que não permaneceremos na morte. Mais do que isso, à semelhança do nosso Senhor, ressuscitaremos para viver plena e eternamente com ele e com todos aque­les que creram em seu nome. Por isso, não devemos temer aqueles que podem matar o corpo ou nos fazer mal porque isso é o máximo que eles podem fazer (Lc 12.4). Como pertencemos a Deus, e estamos assegurados nas suas mãos, o futuro de glória é certo e verdadeiro.

As coisas que padecemos servem para preparar o nosso caráter e fortalecer a nos­sa fé, transformando-nos à semelhança de nosso Senhor Jesus Cristo. Não deixemos que os sofrimentos desta vida retirem de nós a esperança de um futuro glorioso.

Conclusão
Os sofrimentos que os crentes enfrentam são reais e têm vários motivos; eles demonstram a glória futura e devem despertar em nós uma confiança inabalável na providência e no amor que Deus tem por nós, concedendo-nos condições de viver no tempo presente sensata, justa e piedosamente (cf. Tt 2.12).
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

terça-feira, 4 de maio de 2021

ADORAÇÃO A DEUS.

 

ADORAÇÃO A DEUS.

Adoração é a expressão do relacionamento devoto e reverente da criatura para com a divindade. Mas esse tipo de definição é muito limitado para conceituar o que é a verdadeira adoração a Deus. Por outro lado, entender o significado da adoração a Deus é fundamental a todo cristão, pois o povo do Senhor é chamado à mordomia da adoração. Isso quer dizer que ser um cristão verdadeiro é essencialmente ser um adorador.

Contudo, grande parte dos cristãos possui uma visão no mínimo confusa do que é a adoração a Deus. Principalmente por falta de uma instrução bíblica sólida, muitos crentes adotam um significado de adoração completamente estranho às Escrituras. Mas então como podemos adorar a Deus de uma forma realmente bíblica?

O significado de adoração na Bíblia
O sentido de adoração é representado por várias palavras hebraicas e gregas no Antigo e Novo Testamentos, respectivamente. Isso significa que o vocábulo bíblico referente à adoração é realmente muito amplo. Mas de forma geral, o conceito essencial sobre adoração na Bíblia expressa as ideias de “serviço” e “reverência”.

No Antigo Testamento, os termos hebraicos ‘abad, “servir”, “trabalhar”; e shaha, que significa “curvar-se”, “prostrar-se”, são os mais frequentemente utilizados. Já no Novo Testamento, a prática da adoração é referida principalmente pelos termos gregos proskyneo, “prostrar-se”, “inclinar-se”; latreuo, “prestar serviço”; e sebomai e seus cognatos, significando “reverenciar”, “ficar admirado”.

Quando aplicados à adoração a Deus, esses termos expressam a atitude de profundo temor, reverência, admiração, veneração e devoção dos servos de Deus à luz da compreensão de Sua grandeza e das maravilhas de Suas obras. O entendimento desse significado é importante para uma correta definição da adoração a Deus.

A adoração a Deus no Antigo Testamento
O Antigo Testamento registra a adoração dos fieis tanto em seu aspecto individual quanto coletivo. Isso quer dizer que os textos bíblicos mostram algumas pessoas adorando a Deus numa instância individual (Gênesis 24:26s; Êxodo 33:9-34:8); mas também mostram a adoração publica por parte de toda a congregação de Israel (Salmos 42:4; 1 Crônicas 29:20).

Nesse contexto, o Antigo Testamento descreve como a adoração na Antiga Aliança era expressa através de um sistema ritualista organizado de acordo com os preceitos que o próprio Deus revelou a Moisés no Sinai. A adoração dos crentes judeus do Antigo Testamento incluía uma série de ofertas e sacrifícios corporativos e individuais. Essa ofertas e sacrifícios eram oferecidos por meio dos sacerdotes no Tabernáculo e depois no Templo.

Os sacrifícios na adoração a Deus no Antigo Testamento eram oferecidos regularmente. Isso porque Deus é santo e o homem é pecador. Então um adorador não podia se aproximar do Deus que é absolutamente santo, sem que o problema do pecado fosse tratado.

Além dos sacrifícios diários que faziam parte da adoração do crente judeu, havia também a celebração de algumas datas especiais, das quais as duas mais importantes eram o Dia da Expiação e a Páscoa.

A adoração a Deus no Novo Testamento
O Novo Testamento mostra que a essência da verdadeira adoração a Deus permanece imutável; porém os tipos na adoração sob a Antiga Aliança deram lugar aos seus antítipos na adoração sob a Nova Aliança. Isso quer dizer que todo o modelo cerimonial da adoração da Antiga Aliança que se valia do sistema de sacrifícios e do sacerdócio, deu lugar a uma realidade muito superior.

Todas aquelas coisas eram temporárias e apontavam para Cristo. Então uma vez que Cristo veio, aqueles rituais que caracterizavam a adoração do Antigo Testamento tornaram-se coisas do passado. O sacerdócio perfeito, o sacrifício definitivo e a intercessão de Cristo no Santuário Celestial, conduzem o crente a um novo nível de adoração; a um novo estágio no relacionamento com o Pai.

Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e é por meio dele que agora podemos nos aproximar de Deus com confiança (João 1:29; Hebreus 4:16; 10:26). O Novo Testamento mostra que a vida do crente – toda ela, em todos os seus aspectos – deve ser uma verdadeira adoração a Deus. Isso quer dizer que a adoração a Deus deve ser vista como um modo de vida no qual nos apresentamos como sacrifícios vivos, santos e agradáveis ao Senhor (Romanos 12:1; cf. 1 Coríntios 10:31).

Mas ao mesmo tempo em que o Novo Testamento destaca a adoração particular, ele também enfatiza a necessidade e importância da adoração pública; isto é, a reunião regular de cristãos na presença do Senhor. Isso significa que como parte do Corpo de Cristo, cada cristão deve se juntar aos seus irmãos na fé para juntos, em Cristo, adorarem a Deus (Colossenses 3:16,17).

Parte importante da adoração pública dos crentes da Nova Aliança é a celebração da Ceia do Senhor; quando os redimidos não somente rememoram a morte sacrifical de Cristo, mas também se alimentam espiritualmente d’Ele. A adoração a Deus, em seu aspecto congregacional, envolve cânticos, orações, e, sobretudo, a instrução da Palavra.

O apóstolo Paulo fornece algumas regulamentações sobre a adoração da comunidade cristã; especialmente quanto ao uso adequado dos dons espirituais (1 Coríntios 14-16).

A importância da adoração
Jamais um cristão deve negligenciar a importância vital da verdadeira adoração a Deus em sua vida. O reformador João Calvino está absolutamente certo quando diz que, incontestavelmente, o primeiro fundamento da justiça é a adoração a Deus.

Mas a adoração a Deus não é meramente um combinado de gestos e posturas; não é a entoação de belas músicas ou a declamação de palavras bonitas e frases de efeito. A verdadeira adoração a Deus é um serviço que envolve a pessoa do adorador por completo, em todo seu ser, o tempo todo, e não apenas nas manhãs e noites de domingo.

Uma adoração marcada simplesmente por externalidades é inútil diante de Deus (Mateus 15:8,9). Mas o Senhor Jesus ensina que os verdadeiros adoradores são aqueles que adoram o Pai em espírito e em verdade (João 4:23,24).

Como bons mordomos da adoração ao Senhor, devemos entender que não há adoração a Deus sem reverência pela santidade de Seu Nome; sem admiração pela grandeza de Seus atributos; sem alegria pelas maravilhas de Suas obras; sem humildade e confissão de pecados diante de Sua justiça; e sem gratidão diante de Seu extraordinário amor misericordioso manifestado em sua indescritível graça revelada na pessoa de Jesus Cristo.

Praticamos a boa adoração quando, em nome de Cristo, rendemos a Deus o nosso culto racional à luz da compreensão de seus atos redentores. Esse tipo de adoração busca destacar mais e mais a supremacia de Deus, reconhecendo Seu valor sobre todas as coisas. Como diz John Piper, a verdadeira adoração é a resposta do coração à compreensão da mente quando ela entende e valoriza Deus corretamente.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.