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quinta-feira, 9 de maio de 2019

REBELDIA DE UM FILHO A QUE LUGAR O LEVA?


                                 REBELDIA DE UM FILHO A QUE LUGAR O LEVA?
“O filho insensato é tristeza para seu pai, e amargura para quem o deu à luz” (Pv 17.25). Insensata é uma pessoa sem bom senso, sem juízo. Nada mais entristece os pais do que ter na família um filho que não assume responsabilidades e que frequentemente lhes dá aborrecimento. Uma sensação de frustração toma conta do coração dos pais. É importante que os filhos entendam que os pais têm dificuldades, pela falta de preparo para educar filhos. Por mais errados que sejam, eles estão fazendo o melhor tentando acertar. Por outro lado, os filhos devem entender que as expectativas dos pais sobre eles são inevitáveis. Por mais realistas que sejam, por mais atentos a esse perigo, os pais sonham com seus filhos e com o que esperam que eles sejam no futuro. Não há pai ou mãe que não o faça. Mesmo os que reclamam hoje dos seus pais, amanhã farão o mesmo com os seus filhos. Quando a realidade é diferente, os filhos precisam dar um tempo até que tudo seja refeito na cabeça dos pais. É um processo longo e muitas vezes difícil. Alguns nunca superam. O que um filho pode fazer para honrar os seus pais?
1. Diálogo: Manter o canal de comunicação aberto na família é importante. Conversar sobre o que acontece nem sempre é tão fácil, mas ajuda. Há filhos que são tão individualistas, que acham que o que lhes acontece não interessa aos pais. Não conseguem entender que família é um por todos e todos por um.
2. Plano de vida: É importante para os pais sentirem que os filhos têm um plano de vida e estão lutando para conseguir executá-lo.
3. Compromisso com Deus: Numa família cristã, o maior desejo dos pais crentes é que seus filhos tenham como prioridade o compromisso com Deus. Não significa que eles necessariamente atuem na área religiosa, mas que em qualquer profissão que abraçarem, o primeiro compromisso seja o de fidelidade ao Senhor.
4. Introjeção de conceitos adquiridos: Tudo o que for ensinado durante a infância e adolescência, espera-se que os filhos coloquem em prática. Especialmente valores morais e espirituais.
5. Reformulação de conceitos: Pais abertos ao crescimento terão algumas vezes de reformular conceitos para melhor adaptação no relacionamento familiar. Não quer dizer jogar tudo fora, mas parar para pensar: “até onde o meu ponto de vista trará benefícios para meus filhos?” Os filhos podem ajudar os pais nesta caminhada.
O texto de Efésios 6.4 sugere que os pais têm sua parte nesta parceria. Enquanto os filhos honram os pais, estes não provocam os filhos à ira, não os irritam, não os levam ao desânimo. Como os pais podem irritar os filhos?
1. Falta de diálogo: Os pais irritam os filhos quando não dão espaço para conversas, para que eles expressem opiniões, para que discordem. Quando os filhos têm espaço para argumentar e expressar seus pontos de vista (mesmo que os pais discordem), eles estão crescendo, e isto os ajudará mais tarde em sua carreira profissional. Há famílias em que o diálogo é monólogo. Só os pais falam; os filhos não têm permissão para isso. O respeito deve predominar. Opiniões diferentes não são acatadas porque há pais que julgam que isso é falta de respeito dos filhos. Numa família cristã, este espaço para compartilhar ideias deve ser cultivado, porque os filhos perceberão a visão dos pais sobre determinado problema e os pais terão a mesma oportunidade com referência aos filhos. Quando se consegue ver os problemas de ângulos diferentes, é mais fácil ajuizar-se sobre eles.
2. Comparações: Um dos grandes “pecados” dos pais é tomar alguém como modelo e querer que o filho siga o exemplo. Fazer comparações entre irmãos é uma tática comum, mas grandemente destrutiva e perigosa. Cada filho é individual e único. Não existem dois iguais. Incentivar o desenvolvimento de hábitos e valores que você considera importantes é uma coisa, mas dizer que o outro faz melhor pode provocar um sentimento de incompetência, uma sensação de desvalorização. Isso só tende a prejudicar mais tarde a autoestima e o autoconceito do filho.
3. Hipocrisia religiosa: Quando não oferecemos uma fé autêntica e compromissada com o Senhor, nós podemos irritar os nossos filhos, porque eles ficam confusos sobre o que falamos a respeito da fé, da igreja, de Deus, da Bíblia, e o que vivenciamos no dia a dia. Essa dualidade espiritual pode se tornar um ponto de irritação dos filhos.
4. Desequilíbrio conjugal: Nada irrita mais um filho do que ver seus pais sempre discutindo ou totalmente apáticos um com o outro. Não provocar os filhos à ira é oferecer-lhes um relacionamento conjugal saudável e equilibrado. Pais equilibrados, filhos ajustados.
5. Dependência: Os pais criam os filhos para a independência. Mas, para alguns pais, isso é impraticável. Provocar os filhos à ira pode significar que: 1) exigimos independência de filhos pequenos que carecem de apoio e orientação; 2) ou impedimos a independência de filhos crescidos. Este é um assunto sério, porque se os pais estão no primeiro caso podem estar levando uma criança à confusão e à insegurança total. Se estão no segundo caso, podem estar com eternas crianças sem permissão para crescerem.
Há pais que fazem chantagens emocionais com os filhos para permanecerem nessa relação de dependência mesmo depois de casados. Isso tem gerado sérios conflitos, especialmente quando entra em cena a figura da sogra dominadora.
6. Falta de incentivo: Conta o grande pintor Benjamin West, que um dia, quando pequeno, sua mãe saiu e o deixou encarregado de cuidar da irmãzinha Sally. Enquanto a mãe estava fora, Benjamin encontrou alguns vidros de tinta e começou a pintar um retrato da irmã. Enquanto fazia isso a tinta caiu pelo chão e também sobre o retrato pintado. Quando a mãe voltou, notou a confusão, mas não comentou nada. Pegou o papel manchado e disse: “Mas essa parece Sally”, e deu um beijo em Benjamin. Quando adulto, Benjamin sempre dizia: “Foi o beijo de minha mãe que me fez pintor”. Um incentivo vale mais do que uma reprovação. A falta de incentivo pode ser uma forma de irritar os nossos filhos. Há filhos que necessitam mais de incentivos do que outros. A função dos pais é suprir essas carências.
Cecil Osborne cita a história de um jovem psicólogo que escreveu um livro com o título “10 mandamentos para os pais”. Depois que nasceu o seu primeiro filho, ele revisou o livro e o publicou sob o título “10 sugestões para os pais”. Após o nascimento do quarto filho, novamente o livro foi reeditado, com o título “10 possíveis dicas para os pais”. Isso demonstra que não é tão fácil o relacionamento entre pais e filhos. Mesmo nas famílias mais piedosas e equilibradas emocionalmente os conflitos acontecem. O importante é ter consciência de que pais e filhos formam uma parceria em que o caminhar juntos é uma aventura constante. Ambos os lados crescem, ambos enfrentam dificuldades, ambos descobrem a beleza da vida, ambos ajudam-se mutuamente. Como família cristã, não há por que querer esconder-se atrás de uma cortina, dizendo que tudo vai bem no relacionamento pais e filhos, quando se sabe que isso não é verdade. No entanto, há sempre tempo para começar novas atitudes e tomar novas decisões, tanto para os pais quanto para os filhos. A pergunta aqui não deve ser o que meu pai/mãe (ou meu filho) precisa fazer para melhorar a situação, mas o que eu como filho (como pai/mãe) posso fazer para tornar esse relacionamento melhor a cada dia.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ENFERMIDADES E DOENÇAS NA VIDA DO CRISTÃO


                              ENFERMIDADES E DOENÇAS NA VIDA DO CRISTÃO

Isaias 38:1-8


“O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama”(Sl 41:3 – ARA)

INTRODUÇÃO

Entre as aflições da vida, a enfermidade é a que mais temos dificuldade em aceitar. Lutamos tanto quanto podemos pra aliviar a dor. Os pesquisadores da área da saúde são incansáveis visando esse fim. Somos cônscios que a enfermidade é uma consequência do juízo divino sobre a humanidade, feita ao primeiro casal, por causa do pecado. Herdamos do primeiro casal a natureza pecaminosa e passamos a viver numa terra amaldiçoada em virtude da iniquidade(Gn 3:17). Nascidos à imagem e semelhança de Adão (Gn 5:3), concebidos em pecado (Sl 51:5), não temos como deixar de possuir um corpo que está marcado para morrer, como também uma natureza que, ao adquirir a consciência, nos leva a pecar contra Deus. Estamos destinados a morrer e, como tal, não temos como fugir da enfermidade. Pode ser que morramos por motivo outro que não a enfermidade, mas jamais podemos dizer que, por sermos cristãos, jamais ficaremos enfermos. Assim como o fato de sermos salvos não nos livra da morte física, consequência praticamente inevitável do pecado e que acomete tanto os salvos quanto os ímpios, assim também não estamos imunes à doença. A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres de Deus que, apesar de terem uma vida de comunhão com o Senhor, adoeceram e, por vezes, até morreram doentes, sem que esta doença significasse qualquer desvio espiritual ou pecado por parte do servo do Senhor. A propósito, o profeta que maior número de milagres fez no Antigo Testamento, Eliseu, em que repousava porção dobrada do Espírito Santo que havia estado em Elias, diz-nos as Escrituras, morreu por causa de uma doença (2Rs 13:14). Muitos insinuam em dizer que os crentes não podem adoecer, como é o caso dos “teólogos” da “teologia da prosperidade”. Segundo esses “teólogos”, quem fica doente não está reivindicando seus direitos como filho de Deus ou não tem fé. Que falácia! Tudo isso porque as suas mensagens visam agradar o ser humano e atendê-lo em suas necessidades restritas a essa vida, como saúde, prosperidade e bem-estar.  O ensino bíblico, porém, é claro ao ensinar que muitas são as aflições do justo. Jesus cura os enfermos, este é um sinal de que venceu a morte e o inferno, de que é o Salvador do mundo, mas daí a se dizer que todo salvo não fica doente há uma grande distância. O fato de que a saúde faz parte do plano de Deus para a salvação não significa que a doença venha a ser erradicada da vida de todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. Assim, como ainda estamos neste “corpo do pecado”, enquanto ainda temos um corpo corruptível, o corpo que está destinado ao pó, de onde foi formado, temos de conviver com a enfermidade. Ela pode aparecer como uma ocorrência em nossas vidas, ainda mais nos tempos trabalhosos em que vivemos, dias em que, apesar da multiplicação da ciência (Dn 12:4), surgiriam cada vez mais enfermidades (Mt 24:7). Todavia, quando o nosso corpo for revestido da incorruptibilidade aí sim, gozaremos para sempre uma vida de plena saúde.

I. A ORIGEM DAS ENFERMIDADES

A enfermidade é algo que vem ao homem por causa da entrada do pecado no mundo, mas pode ser tanto um castigo divino, como uma oportunidade para a manifestação das obras de Deus, como resultado de negligência do homem no desempenho da sua mordomia em relação a seu corpo e a sua mente.

1. A queda e as enfermidades. A enfermidade física é um fato incontestável, e a Escritura afirma que o primeiro motivo deste terrível mal sobre a humanidade foi a queda de Adão e Eva. O propósito divino, que era, como vemos no relato da criação, o de manter uma comunhão com Deus e de, a partir desta comunhão, dominar sobre a criação terrena. Contudo, o homem não obedeceu a este propósito divino e pecou. Ao desobedecer a Deus, o homem perdeu este estado de equilíbrio, tanto que um dos juízos lançados por Deus sobre ele foi o da morte física: “…maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3:17,18,19). A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra, antes o local da realização do propósito divino para o homem, passou a ser um obstáculo para este mesmo ser humano. A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem. A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem. O homem passou a ter a natureza como um obstáculo, como um fator de empecilho, em vez de um complemento que só lhe trazia alegria e ajuda na sua sustentação (Gn 2:9). A natureza passou a colaborar com a perda da saúde, passou a ser um fator que contribuiria para a corrupção progressiva e constante do corpo humano. Daí termos o fato de a natureza ter seres que, para o homem, são geradores de doenças, os chamados “agentes patogênicos”. Isto é resultado da sentença divina sobre o homem, por causa da “queda”, algo que somente será modificado depois que a natureza for redimida (Rm 8:1923), o que ocorrerá apenas por ocasião do reino milenial de Cristo (Is 11:6; 65:25). Como se não bastasse o fato de a natureza passar a colaborar para a degeneração do homem, temos que o próprio organismo humano, por si só, após o pecado, haveria de iniciar sua marcha para a sua extinção. Como resultado do pecado, o corpo humano passou a sofrer de uma degeneração contínua, independentemente da ação de “agentes patogênicos”, porque o Senhor estabeleceu que o homem deveria tornar ao pó (morrer), ou seja, que o corpo tenderia a se desfazer, a deixar de existir enquanto tal. Assim, podemos afirmar que a doença e a morte física não estavam projetadas para o homem, não faziam parte do propósito divino, mas que são resultado do pecado, consequências da queda do homem.

2. Provados pelas enfermidades. A Bíblia está repleta de exemplos em que doenças foram utilizadas para julgamento de nações e de povos, como a quinta praga lançada sobre o Egito, a praga das úlceras (Ex.9:812); a lepra, que, durante toda a história do povo hebreu, sempre esteve vinculada a uma maldição ou juízo divinos – como nos casos de Miriã (Nm 12:10), de Geazi (2Rs 5:27), e do rei Uzias (2Rs 15:5); e as doenças que acometeram tanto um rei fiel como Asa, mas que havia entristecido o Senhor ao perseguir um profeta(2Cr 16:9,10,12), e o rei Ezequias (2Rs 20:1-11), como um rei infiel, como o rei Jeorão de Judá (2Cr 21:18,19). Mas, também, não podemos nos esquecer que, por vezes, a doença foi impingida por Deus não por causa de algum pecado, mas com outros objetivos, como a retidão e sinceridade de alguém – como no caso de Jó(Jó 1:1-22), Timóteo(1Tm 5:23), Trófimo(2Tm 4:20), Paulo (2Co 12:7) – ou, mesmo, para a manifestação das obras de Deus – como no caso do cego de nascença (João 9:13). Se o problema da doença não for de pecado, mas de manifestação da obra de Deus, devemos aguardar que o Senhor faça a Sua obra, o que poderá ocorrer tanto na cura quanto na morte física. Devemos ter a resignação como conduta, pedindo a Deus misericórdia para suportar o sofrimento e intensificando a nossa comunhão com Ele. Estejamos certos que, se se trata de uma provação divina, ela é para o nosso bem, para melhorar nossa condição diante do Senhor (Rm 8:28). As dores, o incômodo, o sofrimento não são fáceis, mas peçamos ao Senhor que tenha misericórdia de nós, que nos console e conforte para que o Seu propósito seja cumprido. Jó assim procedeu e, antes de ser sarado pelo Senhor, testemunhou que todos os pesadelos, todas as dores, todo o sofrimento atroz de sua enfermidade física lhe havia proporcionado uma maior intimidade com Deus (Jó 42:1-6).

3. Enfermidades de origem malignas. Existem enfermidades cuja origem é maligna. Todavia, jamais um servo de Deus será atingido por doença dessa procedência sem a permissão de Deus(Jó 2:6). No Novo Testamento é citado alguns casos de enfermidades de origem espiritual maligna. Cito apenas dois exemplos: (a) O caso do menino lunático(grego:“seleniázomai” – indicava crise muito parecida com a epilepsia) -“E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse: Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. […] Trazei-me aqui o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado“ (Mt 17:14-18). (b) O caso do homem mudo – “De outra feita, estava Jesus expelindo um demônio que era mudo. E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se admiravam” (Lc 11:14).

É importante fazer os seguintes esclarecimentos: a) Nem todo ataque epilético é de origem demoníaca. A ciência já descobriu que eles são provocados por uma espécie de curto circuito no cérebro. Creio que a maioria deles é de origem física. Portanto, não se pode sair expulsando demônios de quem sofre ataques epiléticos. Você a ajudará mais a encaminhando a um médico especialista que a submeta a um exame adequado. b) Nem toda pessoa muda é por influência demoníaca. A maioria é pelo simples fato de serem surdos. Por não poderem ouvir não tem como prender os sons das palavras e, portanto, não podem emitir sons inteligíveis. Por isso, jamais se deve cometer o erro de querer expulsar demônios de tudo que é mudo que aparecer na sua frente! É necessário que tenhamos discernimento espiritual para diferenciar o que é e o que não é enfermidade de origem demoníaca. Não se pode atribuir todas as mazelas de uma pessoa a uma ação direta dos demônios. Mesmo o cristão mais espiritual está sujeito a ficar enfermo fisicamente. Temos claros exemplos disto tanto na Bíblia como na história da igreja. É bom ressaltar que por ser habitação permanente do Espírito Santo de Deus, nenhum cristão pode sofrer o que vimos nos exemplos bíblicos citados. Ou seja, um demônio não pode entrar num cristão verdadeiro provocando ataques e atirando-o ao chão, provocar mudez ou outra enfermidade.

II. AS DOENÇAS DA VIDA MODERNA

As doenças originaram-se da queda do homem no Éden. Antes do pecado, não havia enfermidades, desgastes, envelhecimento e morte, mas a desobediência de nossos primeiros pais trouxe medo, moléstias, deterioração e morte (Gn 3:10,17-19). A primeira enfermidade foi de ordem emocional. A Bíblia sustenta que Adão e Eva, ao pecarem, sentiram medo (Gn 3:8-10). Depois, certamente sobrevieram-lhes as demais sequelas emocionais, psicológicas e físicas. É do pecado, como estado e como ato, que procedem todas as doenças. Muitas são as doenças da vida moderna, mas citaremos apenas três, acompanhando a indicação do comentarista da lição em foco.

1. Depressão. É uma doença física como outra qualquer, só que desorganiza as reações emocionais. Ela é muito complexa e difícil de ser diagnosticada, pois um dos seus principais sintomas pode ser confundido com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade e em casos crônicos como fraqueza ou falha de caráter. É muito comum ouvir as pessoas dizer que estão deprimidas, quando apenas estão chateadas, estressadas ou porque se desentenderam com alguém. Devemos ter cuidado para não associar a depressão com pecado, o que costuma acontecer em muitas igrejas. Os crentes, como todo mundo, estão expostos a essa doença(Sl 42:3-6,11; 2Co 1:8), e a depressão pode ter causas variadas. Essa doença, dependendo do caso, pode ser tratada tanto com medicação quanto por meio de terapia e aconselhamento. Não podemos descartar a possibilidade de uma cura divina, e, quando necessário, atentar para a necessidade de uma intervenção médica (Mt 9:12). Muitas são as causas da depressão.  Apesar de muitas pesquisas nessa área, os cientistas ainda não sabem se são os pensamentos depressivos que provocam alterações bioquímicas ou é um desequilíbrio químico no cérebro que provoca a depressão. Ela pode ser causada pela maneira como se vive no trabalho, no lar, na escola. O emprego que não oferece recompensa, mas não pode ser deixado porque não há outro em vista; muita tensão de horários e prazos; tensão doméstica, econômica, déficit de sono, pouco exercício físico, problemas pessoais, problemas de criação, problemas na infância, problemas de relacionamento, distância de Deus, a meia-idade (difícil para o homem, ainda mais difícil para a mulher), desapontamentos, enfermidade, efeitos colaterais de determinados medicamentos, rejeição, alimentação inadequada, efeito de entorpecentes, perda de emprego, perda de posição, perda de pessoas queridas por morte, divórcio, abandono etc., etc. Outras causas não têm sentido aparente, porém, na verdade, são provocadas por um desequilíbrio interno, como desordens glandulares ou hipoglicemia. Como se vê, as causas da depressão podem ser as mais diversas, inclusive não podemos descartar os casos hereditários. Há pessoas que, ao que tudo indica, têm alguma propensão, vinda dos seus pais, para desenvolver esse tipo doença. Mas, na maioria das vezes, a causa da depressão é cultural, isto é, depende do estilo de vida no qual as pessoas se integram e a que são expostos. Na Bíblia, encontramos vários homens de Deus que enfrentaram a depressão. As causa foram as mais diversas. Dentre eles destacamos: Elias, o tesbita (1Reis 19:1-4); Jó (Jó 3:11; 6:11; 17:1); Abraão (Gn 15); Jonas (Jn 4); Saul (1Sm 16:14-23); Davi (Sl 13:1-3;57:6,7) e Jeremias (Jr 9). Quando a depressão chega, costumamos reagir através da fuga, como fez Moisés (Ex 2:15) e o próprio Elias (1Rs 19:3,4). A verdade é que a depressão é uma condição da qual Satanás se aproveita para tornar o povo de Deus inútil para a Obra do Mestre. Entende o cristão deprimido que Deus dá perdão, mas não o experimentou ou acha que não foi salvo ou que perdeu a salvação (coisa que a Bíblia não ensina), ou ainda que cometeu o pecado imperdoável (sem saber defini-lo). Satã ataca o cristão com o cansaço que deprime, e, assim, vem o sentimento de fraqueza, ansiedade e medo. Medo da morte, medo do amanhã, medo de gente, medo de coisas específicas, e medos mal definidos também. Mesmo em momentos de depressão, os servos de Deus podem contar com o seu cuidado proteção e orientação. Deus não só habita no alto e santo lugar, mas também com o contrito e quebrantado de coração (Is 57:15). Jeová jamais deixaria só seus filhos no quarto escuro e solitário da depressão espiritual. O hino 193 da harpa cristã de Paulo Leivas Macalão traz a confiança inabalável em Deus oriunda do usufruto de Sua presença apesar da depressão: “Ele intercede por ti, minh’alma; Espera Nele, com fé e calma; Jesus de todos teus males salva, E te abençoa dos altos céus“. Foi a intercessão de Jesus por Pedro, quando este lhe negou por três vezes, que o sustentou em seu choro de amargura e desespero: “Eu, porém, roguei por ti, para que tua fé não desfaleça” (Lc 22:32a). O salmista com veemência exclamou: “Por que estás abatida, ó minha alma? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42:5). Fica claro que a cura da depressão espiritual se centraliza em Deus. Fica claro também que todos os grandes homens de Deus que caíram em depressão correram para o trono da graça a fim de obterem socorro em ocasião oportuna. Quando esta força de buscar o trono era inexistente, o Senhor ia ao encontro dos seus filhos, como no caso de Pedro e especificamente no caso de Elias. Glórias a Deus!!

2. Síndrome do pânico (crise ansiosa aguda). A síndrome do pânico “é uma condição mental que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes. Pode ser controlado com medicação e psicoterapia. É importante ressaltar que um ataque de pânico pode não constituir doença (se isolado) ou ser secundário a outro transtorno mental”(fonte: Wikipédia). A insegurança nos grandes centros urbanos tem fomentado a síndrome do pânico e outras desordens mentais. O tratamento do transtorno do pânico inclui medicamentos e psicoterapia, além de muita oração, apoio da família e da igreja. Além do tratamento médico – que é válido e necessário -, aqueles que cristãos dizem ser devem se conscientizar que a saúde envolve a mente, esta faculdade que não é do corpo, mas, sim, da alma. Depende, portanto, de cada um de nós permitir que o Espírito Santo habite em nós, para que venhamos a conhecer as coisas de Deus e, assim, ter a “mente de Cristo”. Sem a “mente de Cristo”, jamais teremos saúde mental. Sem o Espírito de Deus, estaremos sujeitos a sermos cegados em nosso entendimento pelo adversário de nossas almas, cujos ardis não podemos ignorar (2Co 2:11). Precisamos ter uma vida de santidade, de comunhão com Deus, precisamos buscar a Deus para não permitir que a nossa mente venha a ser enganada pelo inimigo. Para termos a “mente de Cristo”, é indispensável que meditemos na Palavra do Senhor de dia e de noite (Sl 1:1,2). É fundamental que não permitamos que os nossos olhos sejam a porta de entrada daquilo que não agrada a Deus (Mt 5:22,23). Se vigiarmos para que os nossos sentidos físicos não sejam utilizados para levar à nossa mente aquilo que não é agradável ao Senhor, certamente estaremos preparando terreno para que o Espírito possa atuar em nossa mente e, assim, tenhamos a “mente de Cristo”, tudo discernindo espiritualmente e evitando ser apanhados nos embaraços e laços que o adversário sempre está a pôr diante de nós. A saúde mental exige que tenhamos a “mente de Cristo”. Sem ela, cairemos na mesma “onda” dos incrédulos, correndo de um lado para outro, cegos pecadores, que nada enxergam por causa de seu pecado (Is 59:10; Sf 1:17), o que redundará em problemas psíquicos, que podem até gerar doenças psicossomáticas. As síndromes de pânico e demais enfermidades mentais, tão corriqueiras nos dias de hoje, relacionadas estão quase sempre com esta falta da “mente de Cristo”. Que tenhamos saúde mental nos submetendo ao Senhor e nEle pensando a todo instante!

3. As doenças psicossomáticas. O aumento do pecado no mundo é, sem dúvida, o principal motivo para a intensificação dos problemas psíquicos, das enfermidades mentais. Os tempos trabalhosos são tempos de desamor, de egoísmo, de crueldade, de ingratidão, de falta de afeto natural. O individualismo e egoísmo crescentes levam à completa desconsideração do próximo, levam a um progressivo e contínuo isolamento das pessoas, a uma desconfiança cada vez maior. Tudo isto abala a estrutura psíquica do ser humano. Os dias de hoje são dias de crueldade, de egoísmo, em que as pessoas temem relacionar-se com outras (muitas vezes face à exorbitante violência que tem pairado sobre a sociedade, independente de posição social), medo este que já está se tornando pavor diante da crueldade e da ingratidão reinantes. Neste isolamento de tudo e de todos, os homens angustiam-se, entram em depressão, recorrendo a subterfúgios que somente aumentam ainda mais as suas carências. O uso de drogas para se fugir da realidade e se alcançar a alegria momentânea, a procura das riquezas para se fazer reconhecido e respeitado no meio social, o uso da tecnologia para a criação de mundos virtuais, tudo tem sido vão na solução deste impasse, nesta incessante e incansável investigação para se obter o equilíbrio mental e psíquico, algo que somente se obtém mediante o restabelecimento da comunhão com Deus, o que se faz somente por intermédio de Jesus Cristo.

Fatores que contribuem para doenças psicossomáticas.

a) Competitividade excessiva. O mundo moderno é extremamente competitivo, razão pela qual grande parte das pessoas é ansiosa. A Bíblia nos recomenda “descansar no Senhor” (Sl 37:5,7; Mt 6:30-34).

b) Luta pelo sucesso profissional. A falta de preparo profissional, o desemprego e a obtenção de um bom desempenho profissional, levam muitos a ficarem frustrados. O crente em Jesus não se desespera, mas confia no Senhor (Sl 55:22; 1Pe 5:7).

c) Estresse. O estresse ocasional não causa neuroses ou outro tipo de doença da mente. Entretanto, o estresse constante tende a desenvolver enfermidades mais graves. Por isso, a Bíblia ensina que não devemos andar ansiosos (Mt 6:25), e que nossas ansiedades devem ser lançadas sobre o Senhor (1Pe 5:5-7). Nesse sentido, a igreja deve ser instruída à luz da Palavra e da ciência social, pois, conforme nos ensina a Bíblia, devemos entregar o nosso caminho ao Senhor; confiar nele, e Ele tudo fará (Sl 37:5; Mt 6:33).

III. O QUE FAZER DIANTE DA DOR E SOFRIMENTO

1. Não culpar ou questionar a Deus. Querer questionar a Deus a cerca de dificuldades que passamos – quer seja ela de natureza física, emocional ou social -, é fruto da ignorância, da falta de conhecimento acerca de Deus. O silêncio de Deus às vezes é muito doloroso, quando necessitamos de um socorro imediato. Porém, temos apenas de demonstrar a nossa pequenez e a necessidade de estarmos na nossa humilde posição de servos do Senhor. Aconteceu com Jó. Após os longos discursos de Eliú, antes que Jó pudesse oferecer alguma resposta (se é que iria oferecer alguma), o debate é interrompido pelo Senhor que, de dentro de um redemoinho, inicia um diálogo direto com o patriarca. Era o final do silêncio de Deus de que o patriarca tanto reclamara durante a discussão com seus amigos, mas Deus, em vez de respostas, traria perguntas ao patriarca. Deus Se apresenta ao patriarca e inicia seu discurso com uma pergunta: “quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? “(Jó 38:2). Em outras palavras, quem é que quer ter o direito de dizer o que Deus deve ou não fazer? Quem é aquele que está indignado por causa de seu sofrimento e se sente um injustiçado? Quem é aquele que quer que Deus lhe dê satisfação, lhe preste contas do que está fazendo na sua vida? Será que o Senhor também não nos está fazendo esta mesma indagação? Será que temos nos colocado no nosso devido lugar de servos, de pessoas dispostas a obedecer e a fazer o que o Senhor nos manda? Ou será que estamos como Jó, que, apesar de ser o homem mais excelente na terra no seu tempo (como é a Igreja do Senhor na atualidade), não deixou de ser homem e, como tal, não tinha o direito de querer questionar Deus ou querer que Ele lhe prestasse contas do que estava fazendo em sua vida? Deus mostrou a Jó que, apesar de sua excelência e de ser, efetivamente, uma pessoa inocente, não tinha o direito de querer demandar com Deus, de arguir-Lhe num tribunal, como tinha desejado (Cf. Jó 7:20,21; 10:2-22;13:3,14-28; 23:1-17). Portanto, quando estivermos passando por dificuldades não devemos culpar ou questionar a Deus. Devemos, sim, questionarmos a nós mesmos, se estamos andando conforme a sua vontade.

2. Confiar em meio à dor. Jamais conseguiremos entender e discernir os desígnios e propósitos do Senhor. Não é esta a nossa função, mas, sim, confiarmos no Senhor e entregarmos nosso caminho a Ele, sabendo que Ele tudo fará e que este tudo sempre promoverá o nosso benefício (Sl 37:5; Rm 8:28). 3. A espera de um milagre. A promessa da cura divina é uma realidade para os nossos dias. É algo destinado aos que crêem. É uma realidade atual e indispensável para que demonstremos a presença de Deus no meio da Igreja, para que o nome do Senhor seja glorificado. A cura poderá ocorrer de forma milagrosa ou por meio dos recursos da medicina. Uma pessoa pode ser vitima de câncer e estar desenganada pelos médicos, e Deus restaurar sua saúde através da ministração de determinados medicamentos ou realização de cirurgia. Mas não devemos nos esquecer de que nem sempre Jesus cura, pois a cura tem propósitos que não se confundem com a nossa vontade ou com os nossos caprichos. Por isso é importante sabermos o porquê alguém está doente, a fim de que compreendamos qual o propósito do Senhor nesta doença. Uma vez tendo compreendido isto, o que nem sempre será o enfermo que conseguirá entender sozinho, pois, muitas vezes, necessitará do auxílio dos servos de Deus neste discernimento, então deve-se clamar a Deus para que a sua vontade seja feita, bem compreendendo que a cura virá se este for o propósito divino naquele caso. O rei Ezequias havia sido informado pelo profeta de que iria morrer, mas essa era apenas uma forma de Deus desenvolver a sua fé. Após sua oração, ele recebeu de Deus mais quinze anos de vida(Is 38:1-22; 2Rs 20:1-11).

CONCLUSÃO

Um dia não haverá mais doenças nem morte (Ap 21:4). Porém, enquanto estamos aqui, devemos zelar pela nossa saúde física, mental e emocional. Precisamos lembrar que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, por isso, temos de cuidar de nossa saúde por meio de uma alimentação correta, repouso adequado, exercícios físicos, jejum e oração. No sofrimento, lembre-se de que Jesus nos alertou quanto às aflições (João 16:33). Aguarde com alegria aquele ditoso tempo, quando Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (Ap 21:4).
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

O CRISTÃO E O ALCOOLISMO


                                                  O CRISTÃO E O ALCOOLISMO

Às vezes parece difícil saber ao certo que postura o cristão deve tomar diante das bebidas alcoólicas. De um lado, acham-se muitos textos que parecem incentivar a abstinência, mas, por outro lado, há trechos em que Jesus transformou a água em vinho, bebeu vinho etc. Qual é o ensino das Escrituras acerca do uso do álcool? Para entendermos esse assunto corretamente, é necessário começar com uma postura adequada. Devemos descartar as idéias preconcebidas e não procurar encaixar as Escrituras à força na posição que preferimos ou já concluímos ser a mais correta. Precisamos tratar da questão com a mente aberta e tentando apenas descobrir o que a Palavra de Deus ensina sobre o assunto. Este artigo tratará de vários aspectos das Escrituras e, somente após de analisarmos vários textos e conceitos, chegaremos em uma conclu-são sobre o cristão e as bebidas alcoólicas. Quando ler esses trechos que mencio-naremos, procure entender cada um por vez, mas aguarde para só no fim do estudo formular uma conclusão que lee em conta todos os aspectos em questão.

Analise vários textos

Esses textos serão citados com poucos comentários. Estude cada um e analise com cuidado o seu significado. "O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio" (Provérbios 20:1). O sábio mostra que há um perigo no vinho e que ele é enganador. "Ouve, filho meu, e sê sabio; guia retamente no caminho o teu coração. Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem" (Provérbios 23:19-21). "Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco. Os teus olhos verão cousas esquisitas, e o teu coração falará perversidades. Serás como o que se deita no meio do mar e como o que se deita no alto do mastro e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então tornarei e beber" (Provérbios 23:29-35). Que cena patética a do homem que se deixou vencer pelo álcool. "Palavras do rei Lemuel, de Massá, as quais lhe ensinou sua mãe. Que ti direi, filho meu? Ó filho do meu ventre? Que ti direi, ó filho dos meus votos? Não dês às mulheres a tua força, nem os teus caminhos, às que destroem os reis. Não é próprio dos reis, ó Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte. Para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de todos os aflitos. Dai bebida forte aos que perecem e vinho, aos amargu-rados de espírito; para que bebam e se esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lebrem mais" (Provérbios 31:1-7). O vinho não serve para os reis, mas sim para os que não têm nada por que viverem. "Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta!" (Isaías 5:11). "Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte" (Isaías 5:22). "O Senhor derramou no coração deles um espírito estonteante; eles fizeram estontear o Egito em toda a sua obra, como o bêbado quando cambaleia no seu vômito." (Isaías 19:14). "Mas também estes cambaleiam por causa do vinho e não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, são vencidos pelo vinho, não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; erram na visão, tropeçam no juízo. Porque todas as mesas estão cheias de vômitos, e não há lugar sem imundícia" (Isaías 28:7-8). Junto com a vergonha da embriaguez, as Escrituras geralmente frisam o efeito causado sobre a mente. Quando sacerdotes, profetas e juízes bebem, eles desviam os homens de Deus. O texto a seguir ressalta o mesmo pensamento: "A sensualidade, o vinho e o mosto tiram o entendimento" (Oséias 4:11). "Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor, e que o embebeda para lhe contemplar as vergonhas! Serás farto de opróbrio em vez de honra; bebe tu também e exibe a tua incircuncisão; chegará a tua vez de tomares o cálice da mão direita do SENHOR, e ignomínia cairá sobre a tua glória" (Habacuque 2:15-16). "Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus." (1 Coríntios 6:9-10). "Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções, invejas, bebedices, glutonarias e cousas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam" (Gálatas 5:19-21). "Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andando em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão" (1 Pedro 4:3-4). A embriaguez é um pecado muitas vezes condenado.

Analise a História

A bebida forte tem um passado sórdido. O justo Noé caiu por causa do vinho: "Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda" (Gênesis 9:21). Parece que a bebida alcoólica influencia a pessoa para fazer o que jamais faria se estivesse sóbria. Quando as filhas de Ló desejaram ter filhos do pai, elas o embrigaram e depois o procuraram. O álcool em si não estimulou a concepção, mas elas sabiam que Ló ficaria muito mais passível de cometer essa imoralidade se estivesse bêbado. "Subiu Ló de Zoar e habitou no monte, ele e suas duas filhas, porque receavam permanecer em Zoar; e habitou numa caverna, e com ele as duas filhas. Então, a primogênita disse à mais moça: Nosso pai está velho, e não há homem na terra que venha unir-se conosco, segundo o costume de toda terra. Vem, façamo-lo beber vinho, deitemo-nos com ele e conservemos a descendência de nosso pai. Naquela noite, pois, deram a beber vinho a seu pai, e, entrando a primogênita, se deitou com ele, sem que ele o notasse, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. No dia seguinte, disse a primogênita à mais nova: Deitei-me, ontem, à noite, com o meu pai. Demos-lhe a beber vinho também esta noite; entra e deita-te com ele, para que preservemos a desccendência de nosso pai. De novo, pois, deram aquela noite, a beber vinho a seu pai, e, entrando a mais nova, se deitou com ele, sem que ele o notasse, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. E assim as duas filhas de Ló conceberam do próprio pai" (Gênesis 19:30-36). Absalão decidiu matar Amnom enquanto este bebia, talvez por crer que ele seria menos capaz de se defender se estivesse num estado um tanto inebriado: "Absalão deu ordem aos seus moços, dizendo: Tomai sentido; quando o coração de Amnom estiver alegre de vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom, então, o matareis. Não temais, pois não sou eu quem vo-lo ordena? Sede fortes e valentes" (2 Samuel 13:28). Um dos pecados de Belsazar, na noite em que viu a mão na parede e em que seu reino foi tomado, foi o fato de estar bebendo: "Beberam o vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra" (Daniel 5:4).

Analise a palavra vinho na Bíblia

O termo vinho na Bíblia tem vários significados. Nos textos acima, está claro que a palavra se refere à bebida alcoólica. Mas, em outras ocasiões, significa suco de uva. Examine, por exemplo, Lucas 5:36-38: "Também lhes disse uma parábola: Ninguém tira um pedaço de veste nova e o põe em veste velha; pois rasgará a nova, e o remendo da nova não se ajustará à velha. E ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho novo romperá os odres; entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos." O vinho novo nesse texto diz respeito ao suco de uva fresco. A idéia é que quando o suco é posto nos odres, ele aumenta durante o processo de fermentação. Se colocado em odres velhos que já estão esticados, estes se romperão. É um fato geralmente aceito, como mostra claramente esse texto, que o vinho na Bíblia nem sempre era alcoólico. Talvez as nossas palavras beber e bebida possam ser um bom exemplo da mesma duplicidade de sentido. Dependendo do contexto, beber pode certamente estar relacionado com bebidas alcoólicas ou apenas significar a ingestão de algum líquido qualquer. É muito importante lembrarmos desse sentido duplo da palavra vinho. Em João 2, Jesus transformou perto de 600 litros de água em vinho. Fez isso depois que os convidados da festa "beberam fartamente". Jesus fez vinho suco de uva ou vinho alcoólico? Lembre-se que as duas coisas são possíveis tendo em vista a própria definição do termo vinho. Mas há duas considerações que nos levam a crer firmemente que se tratava de suco e não de bebida alcoólica. Em primeiro lugar, Jesus o fez na hora. No primeiro momento em que o vinho daquela época era produzido, ele era suco. Somente após um processo de envelhecimento e de fermentação é que se tornava alcoólico. Em segundo lugar, o que é mais importante, se Jesus tivesse feito vinho alcoólico, ele teria estado incentivando a embriaguez. A questão aqui não é um ou dois copos de vinho. Essas pessoas, após já terem bebido muito, receberam mais umas centenas de litros. Jesus jamais incentivou os pecados do homem, tampouco contribuiu para eles. Portanto, parece claro que esse vinho era do tipo não-alcoólico.

É também útil entender algumas coisas sobre os vinhos alcoólicos das terras bíblicas. Naquela época, só havia fermentação natural. Eles ainda não tinham inventado a tecnologia para acrescentar mais álcool às bebidas fermentadas por processo natural. Isso significa que o mais alcoólico dos vinhos da Palestina tinha cerca de 8% de álcool. Pela lei, esses vinhos eram diluídos em água, normalmente três ou quatro partes de água para uma parte de vinho. Esses vinhos fracos, enfraquecidos mais ainda pela adição de enormes quantidades de água, passaram a ser usados como bebidas para acompanhar as refeições. Não eram usados como bebidas, mas apenas como se usa um copo de água ou uma xícara de café que se bebe com a refeição. Vários textos bíblicos parecem apontar para esse uso do vinho --como uma bebida para acompanhar as refeições (observe 1 Timóteo 3:3, 8; Tito 1:7; Mateus 11:18-19).

Analise algumas conclusões

Provérbios 23, já citado, condena o uso do vinho "vermelho" que brilha no copo. O tipo de bebidas alcoólicas usado em nossa sociedade é o mesmo tipo sistematicamente condenado na Bíblia. Jamais fiquei sabendo de alguém que tomasse um pequeno copo de vinho fraco diluído na proporção 4:1 de água como acompanhamento de uma refeição. Os vinhos, as cervejas e os licores de hoje enquadram-se na categoria de bebida forte, e nenhum texto sequer pode ser encontrado na Bíblia que permita que sejam consumidos por um filho de Deus.

- Paulo estimulou a Timóteo de modo especial para que tomasse "um pouco de vinho" por questões de saúde (1 Timóteo 5:23). Às vezes se usa esse texto para mostrar que é possível beber. Mas, de fato, o que ele faz é justamente o oposto. Se Timóteo tivesse tido o hábito de beber uma cerveja aqui e ali, por que precisou que Paulo lhe desse uma permissão especial para usar um pouco de vinho como remédio? Esse texto nos leva à conclusão de que o uso de álcool pelo cristão deve ser uma exceção, não uma regra. Muitos remédios de nossos dias contêm álcool ou outras drogas intoxicantes. O discípulo de Cristo deve ser muito cuidadoso com eles e usá-los apenas com muita moderação. O fato de que uma exceção precisou ser dada para permitir o uso de remédios com teor alcoólico sugere que é errado beber por prazer.

- O servo de Cristo deve sempre analisar o efeito de seus atos sobre o próximo: "É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra cousa com que teu irmão venha a tropeçar" (Romanos 14:21). Mesmo que o cristão pudesse beber moderadamente, de qualquer modo esse texto ainda o estaria proibindo na maioria dos casos. A bebida alcoólica leva tantos cristãos a cair, que aquele que tenta ajudar o seu irmão a não tropeçar certamente não lhe dará o exemplo, bebendo diante dele.

- A Bíblia sistematicamente exige que sejamos sóbrios (leia com cuidado 1 Tesssalonicenses 5:6; 2 Timóteo 4:5; 1Pedro 4:7; 5:8). Entre as primeiras conseqüências da bebida são a ausência de inibições, o enfraquecimento do autocontrole, a falta de juízo. Essas conseqüências ocorrem bem antes da pessoa começar a perder o controle das habilidades motoras, a falar arrastadamente etc. O diabo está sempre procurando-nos tentar; para enfrentar a essas tentações, o filho de Deus deve estar profundamente alerto e sóbrio em todo tempo.

Embora não fosse possível afirmar, com base nas Escrituras, que ingerir qualquer quantidade de álcool por qualquer motivo é sempre pecado, parece claro que o servo de Deus não será alguém que simplesmente bebe canecas de cerveja ou taças de vinho. O beber socialmente que vemos hoje em dia é o tipo condenado em muitos textos das Escrituras. "O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio" (Pròverbios 20:1).

Apóstolo. Capelão/Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

terça-feira, 7 de maio de 2019

SOFRIMENTO DO CRENTE


                                                      SOFRIMENTO DO CRENTE
Romanos 8.18-25
Introdução
Por que o cristão sofre? Se ele é amado por Deus desde antes da fundação do mundo, salvo de sua ira certa e preser­vado para viver a eternidade no paraíso, qual seria a necessidade de ele sofrer aqui? Essa pergunta ganha mais peso principalmente se considerarmos o tipo de teologia que ensina vitórias sobre os males, curas de doenças e prosperidade financeira. Qual seria a razão de o crente sofrer? Nós não temos todas as respostas, mas as Escrituras nos dão claras indica­ções de algumas. 

I. Sofrimento do cristão

Um dos pontos que talvez cause mais tristeza para alguns crentes é que eles sofrem tanto ou até mesmo mais do que alguns ímpios. Esse não é um problema novo. Tanto o rei Davi (Sl 37) quanto Asafe (Sl 73) expressaram a agonia do servo de Deus que contempla a prosperi­dade daqueles que não servem ao Senhor: “Não te indignes por causa dos malfeito­res, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade” (Sl 37.1); “… pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos” (Sl 73.2-3). O salmista relata que para os ímpios não há preocupações, pois seus corpos são sa­dios; além de eles não se cansarem como os outros mortais (Sl 73.4-5).
Já aqui nós vemos um problema comum aos que sofrem: inveja. Quando os cristãos desviam os seus olhos da providência de Deus, e do futuro que aguarda tanto a eles como aos ímpios, se estes não se arrepen­derem, nasce um desejo pecaminoso em seu coração. Como veremos mais à frente, o cristão deve manter os seus olhos fitos nas promessas de Deus, para não ceder à pressão, principalmente em relação às promessas que se referem à eternidade.
O cristão também pode sofrer por causa da disciplina de Deus. Esse sofrimento só está reservado aos seus filhos, porque ele deseja que estes vivam em santidade, conforme declara Hebreus 12.4-6: “… na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais es­quecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menos­prezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe”.
Vemos repetidas vezes Deus disciplinar o povo de Israel por considerá-lo filho: “Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o Senhor, teu Deus” (Dt 8.5; cf. 2Rs 19.3; Jó 5.17; Pv 3.11; Jr 5.3; 6.8). Nem todos os de Israel eram de fato israelitas (Rm 9.6), ou seja, nem todos os indivíduos da nação de Israel eram verdadeiramente filhos de Deus, mas a disciplina atingia a todos indis­criminadamente. Deus agia para que os seus filhos pudessem ser quebrantados e se voltassem para ele em arrependimento. O objetivo de Deus na administração de disciplina aos seus filhos é sempre o bem; ele “… nos disciplina para aproveitamen­to, a fim de sermos participantes da sua santidade” (Hb 12.10b).
Também podemos colocar nesse bojo o sofrimento que todo cristão passa por sua fidelidade a Deus. Escrevendo ao seu discípulo Timóteo, o experiente Paulo diz: “Não te envergonhes, portanto, do testemunho do nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus” (2Tm 1.8; 2.3). Mais à frente, o apóstolo nos dá certeza de que uma vida compro­metida com os valores do reino de Deus nos reservará problemas: “… todos quan­tos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12).
Jesus Cristo foi também enfático na relação que há entre segui-lo e sofrer as consequências dessa decisão: “Lembrai­-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também persegui­rão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa” (Jo 15.20). Enquanto vivenciamos uma realidade de pregações que prometem todos os prazeres desta vida aos que se entregarem a Cristo Jesus, as promessas de sua palavra seguem na direção oposta. 

II. Sofrimento e glória

Quando deixam de olhar as Escrituras para encontrar o consolo que vem de Deus, os cristãos sofrem ainda mais em meio a seus padecimentos. As promessas que Deus faz com respeito aos sofrimen­tos dos seus filhos são fortalecedoras. Vejamos algumas delas. 
A. O sofrimento na vida do crente é passageiro
Escrevendo aos nossos irmãos, o apóstolo Pedro afirma que eles deveriam exultar por causa do plano de salvação que Deus concedeu, “… embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais con­tristados por várias provações” (1Pe 1.6b); e ainda “sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.9).
Com certeza, os sofrimentos do crente estão condicionados, no máximo, a esta vida. Talvez julguemos que anos a fio de aflições seja muito tempo para aqueles que passam por elas, mas o que são 70 ou 80 anos compa­rados com a eternidade? Por isso o apóstolo Pedro descreve que essas amarguras são “no presente” e “por breve tempo”.
Uma das confianças mais maravilhosas que o evangelho proporciona àquele que crê é que toda agonia limita-se somente a esta vida. Nos novos céus e na nova terra não teremos motivos para sofrer: “… lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4).
Pedro ainda usa outra condicional, “se necessário”. Com certeza, nós podemos afirmar que nem tudo na vida do crente é sofrimento. Deus tem proporcionado momentos bons e de alegria, concedendo­-nos graciosamente muito mais do que pedimos ou pensamos (Ef 3.20). Além disso, nós ainda temos o consolo de saber que não sofremos sozinhos (cf. 1Pe 5.9). Isso significa que em suas lutas qualquer cristão pode contar com o apoio irrestrito de seus irmãos, e a igreja pode se regozijar na verdade de que sempre haverá compre­ensão e ajuda por parte daqueles que têm sido trabalhados pelo mesmo Espírito de Deus. Por essas razões, o apóstolo Pedro pôde concluir: “… o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna gló­ria, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” (1Pe 5.10). 
B. O sofrimento na vida do crente revela a glória futura
O binômio sofrimento / glória é claro nas Escrituras, porque o que aconteceu a Cristo Jesus é um paradigma daquilo que também acontecerá conosco. Assim, temos registrado, através dos profetas do Antigo Testamento, “… qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão teste­munho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os segui­riam” (1Pe 1.11). Jesus Cristo padeceu tudo aquilo que era necessário tendo a certeza de que seria glorificado depois de sua obra e, próximo à sua crucifica­ção, ele “… levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti” (Jo 17.1).
Da mesma forma, podemos viver nesta terra conscientes e esperançosos de que “… os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). Veja como é interessante perceber que a Palavra de Deus redireciona nossos pensamentos às certezas do futuro enquanto passamos por sofrimentos nesta vida. Isso não é escapismo e nem fuga da realidade, pelo contrário, é a própria realidade futura que, filtrando nossa visão do presente, faz-nos esperançosos e jubilosos aguardando o que está reservado para nós.
Nós não somos chamados à inércia no tempo presente, ao contrário, devemos trabalhar e nos esforçar tendo convicção do que nos aguarda. Por isso o apóstolo Paulo termina o capítulo 15, no qual trata da ressurreição, assim: “… meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). Enquanto estivermos nesta vida, não devemos ansiar o porvir chateados ou tristes; Pedro nos inspira: “… alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação da sua glória, vos alegreis exultando” (1Pe 4.13, minha ênfase). 

III. Soberania, sofrimento e confiança

Nestes roteiros de estudo, procuramos enfatizar as verdades apresentadas nas Escrituras a respeito da soberania de Deus e como ela se relaciona com toda a sua criação, especialmente com os seres humanos. Procuramos também, à me­dida que estudávamos, fazer aplicações práticas para compreender como essas doutrinas têm a ver com a nossa vida.
Esta seção continua mantendo esse cará­ter prático. Esperamos em Deus que tudo aquilo que vimos tenha servido para a edi­ficação do povo de Deus e para conduzir a igreja a uma vida mais santa e piedosa.
Como temos afirmado, Deus tem diri­gido a história do universo conforme os seus santos propósitos, e isso diz respeito não apenas aos homens do passado, mas à nossa própria história. Tudo o que pas­samos, todas as coisas que vivenciamos, as experiências boas e ruins, procedem da poderosa mão do Pai.
Provavelmente, para chegar aonde chegou, você já tenha passado pelo vale da sombra da morte (Sl 23.4), e a reali­dade que o cerca pode estar minando a sua confiança no amor e no cuidado de Deus por você. Perdas dolorosas, angús­tias nos relacionamentos, depressões ou consequências produzidas pelo medo e pela ansiedade podem estar corroendo o seu relacionamento com o Senhor, e com aqueles que estão próximos a você. Nós desejamos que você seja encorajado pelas Escrituras somente. Não há nada que o homem diga ou faça, e não há nada fora da Bíblia, que possa ajudá-lo. Se você não concorda, saiba que em um período razoavelmente curto os sintomas só vão piorar, porque esses conselhos ou indicações dos seres humanos serão meros paliativos para a dor da alma, que só encontra descanso em Deus.
Destacamos duas promessas muito preciosas que recebemos de Deus. A primeira é: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28) – essa promessa tem a ver com o nosso sofrimento. Deus está garantindo que todas as coisas cooperam para o nosso bem. Ele não está garantindo que compreenderemos tudo por que passamos, nem que nos alegraremos com tudo, mas que tudo está cooperando para o nosso bem. Se essa promessa estiver firme e bem arraigada em seu coração, você terá êxito em levar a vida de maneira mais piedosa e temente a Deus.
A outra promessa diz respeito ao futuro glorioso: “ a vontade do meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.40). Essa promessa é maravilhosa, pois nos apresenta a garantia de que não permaneceremos na morte. Mais do que isso, à semelhança do nosso Senhor, ressuscitaremos para viver plena e eternamente com ele e com todos aque­les que creram em seu nome. Por isso, não devemos temer aqueles que podem matar o corpo ou nos fazer mal porque isso é o máximo que eles podem fazer (Lc 12.4). Como pertencemos a Deus, e estamos assegurados nas suas mãos, o futuro de glória é certo e verdadeiro.
As coisas que padecemos servem para preparar o nosso caráter e fortalecer a nos­sa fé, transformando-nos à semelhança de nosso Senhor Jesus Cristo. Não deixemos que os sofrimentos desta vida retirem de nós a esperança de um futuro glorioso.

Conclusão

Os sofrimentos que os crentes enfrentam são reais e têm vários motivos; eles demonstram a glória futura e devem despertar em nós uma confiança inabalável na providência e no amor que Deus tem por nós, concedendo-nos condições de viver no tempo presente sensata, justa e piedosamente (cf. Tt 2.12).
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

segunda-feira, 6 de maio de 2019

SOL DA JUSTIÇA


                                                              SOL DA JUSTIÇA
"Mas, para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e salvação trará debaixo das suas asas." (Malaquias 4.2).

Esta foi a última profecia do Velho Testamento a respeito da vinda do Messias ao mundo. Quando Jesus veio, Mateus testificou, dizendo: "O povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na região da sombra da morte, a luz raiou." (Mt.4.16). Jesus é o sol da justiça.

Pensemos um pouco sobre o sol que conhecemos. Essa estrela magnífica nos ilumina todos os dias. Um único sol é capaz de iluminar todo o planeta terra, ao mesmo tempo em que ilumina outros planetas do nosso sistema. Se a terra fosse plana, ficaria toda iluminada ao mesmo tempo, mas como é redonda, tem sempre uma parte "de costas" para o sol, ficando então na escuridão. Da mesma forma, se muitos estão em trevas espirituais é porque deram as costas para Deus. Se muitos estão perdidos na maldade, na condenação, não é por culpa de Deus, nem por incapacidade divina. Está escrito: "A mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar, nem o seu ouvido agravado para que não possa ouvir, mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados escondem o seu rosto de vós para que não vos ouça." (Isaías 59.1-2).

Outra questão interessante sobre o sol é que, quando chega a noite, acendemos milhares ou talvez milhões de lâmpadas em toda parte, mas todas elas juntas não chegam a produzir uma mínima porcentagem do calor ou da luz que o sol produz. Isso nos mostra a insignificância dos recursos do homem diante da grandeza das obras de Deus. Do mesmo modo, aquele que vira as costas para Jesus procura muitas lâmpadas para se iluminar e para se aquecer. São tantos falsos deuses, tantos santos, tantos guias, tantos amuletos, tantos talismãs, tantos objetos mágicos, mas tudo isso junto não produz nada que possa substituir a presença de Cristo na vida do homem.

Deixe de buscar luzes artificiais. Vire-se para a verdadeira luz, o sol da justiça, Jesus Cristo, o único Salvador. Ele mesmo disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará em trevas. Pelo contrário, terá a luz da vida." (João 8.12). Iluminados por Cristo não erraremos o caminho até às nossas moradas eternas nas regiões celestiais. Aleluia!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

domingo, 5 de maio de 2019

VENCENDO A SOLIDÃO


                                                         VENCENDO A SOLIDÃO
 Ef 2.14-19
Introdução
Os comentários sobre a solidão do vocalista da banda Charlie Brown Jr. parecem indicar que solidão é uma sina da qual a pessoa moderna não pode escapar. Você acha inevitável o isolamento que levou Chorão ao suicídio? Você concorda com a afirmação de que “ao fim e ao cabo, o insulamento de Chorão é o de todos nós”? Em que sentido? Em que circunstâncias? Quando o apóstolo Paulo diz, aos Efésios, que já não são mais peregrinos e estrangeiros, mas família de Deus (Ef 2.19), não estaria nos apontando para uma saída?

Para entender o que a Bíblia fala (Ef 2. 14-19)

a) Segundo Paulo, a “parede da inimizade” que Jesus derrubou consiste em um distanciamento que o pecado provoca entre a pessoa e Deus (Is 59.2) e, por consequência, entre as pessoas. Vamos nos tornando estranhos entre nós, porque já não nos conhecemos bem. Já não nos damos a conhecer, para que os outros não saibam exatamente quem somos.
b) É como se fôssemos construindo paredes de isolamento entre nós. A princípio, elas nos parecem confortáveis, pois já não precisamos mais suportar as outras pessoas, com seus defeitos. Ao final, para preservar nossa intimidade, nossa imagem de “gente boa”, estamos tão isolados que começamos a sofrer, sem perceber.
c) Vale notar que a parede da separação, hoje em dia, já não é a parede do ódio; as paredes pós-modernas são feitas de indiferença. Esta é mais mortal que o ódio, porque é invisível.

Hora de Avançar

“Penso que um momento devocional nos levaria a constatar que estamos sós porque temos evitado (ou afastado) os outros e fugido das dores da comunhão, acomodados em nossa privacidade pós-moderna. Porém também nos levaria a lembrar que “na casa de meu pai” se vive em comunidade. E que transformações positivas adviriam de um “levantar-me-ei e irei ter com meu pai”.
Rubem Amorese

Para pensar

A sociedade em que vivemos nos fornece todas as condições para uma vida isolada. Socialmente, as amarras estão enfraquecidas: as pessoas podem ser e fazer o que desejarem, contanto que não prejudiquem os outros. Comportamentos, costumes, valores, comida, o que desejarem. Praticamente, podem morar sozinhas num apartamento e não sair de lá, pedindo comida e outros bens e serviços, entregues na sua porta. Não precisa nem se encontrar com o vizinho. Nunca. Se deixarmos, vamos nos acomodando a esse “conforto”. E nossa cabeça, nossa personalidade irá se ajustar. No momento em que precisarmos de ajuda, dos outros, já nem saberemos como pedir, como chegar a eles. Foi o caso do Chorão. Preferiu morrer sozinho.

O que disseram

“Apenas ouço o choro do Chorão e os levo para meus momentos de oração, como gritos proféticos; como palavra de Deus para mim, a dizer: ‘a solidão existe; ela é real, é mortal e está perto. Não deixe o convívio dos amigos; não abandone a família; não se afaste da igreja’. E diz a todos nós: ‘construam algo juntos, lutem juntos, sofram juntos, chorem juntos, orem juntos. E a solidão não terá poder sobre vocês’.
Rubem Amorese

Para responder

a) É possível vencer a solidão? Como?
b) Comente o seguinte versículo: João 17.21 — a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. O que Jesus está pedindo, realmente? Por que ele volta seu pensamento para o mundo, quando fala de comunhão?
c) Qual é a nossa parte, a nossa tarefa, nessa busca por pertencimento, por unidade, por comunhão, por fazer-nos “família de Deus”? Como nossa oração pode nos fortalecer em nossos propósitos (“levantar-me-ei e irei ter com meu pai”) de nos harmonizar com a oração de Jesus? Essa oração seria o mesmo que dizer: “venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim em mim como no céu”?

Eu e Deus

Quero crer na igreja. Sei que esse corpo vivo de Cristo é matéria de fé; é coisa para crer. É matéria para aquela fé que crê e age (de Tiago). Quero ser igreja, por decisão e por fé. Quero lutar essa luta da comunhão; aprendendo a fazer-me família de Deus. Quero aprender a orar por isso; pedindo ao Pai que supra minhas muitas deficiências, e que me ajude a vencer o conformismo, a acomodação e o enganoso conforto da solidão.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante