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sexta-feira, 6 de julho de 2018

PROFETAS DO DIABO


                                                           PROFETAS DO DIABO
Estamos vivendo dias difíceis neste muito, na mesma velocidade que o evangelho se espalha pelos quatro cantos do mundo, estão aparecendo cada vez mais falsos profetas, pessoas se dizendo cheias do Pode de Deus enganando grandes multidões e um mar de outras coisas relacionadas.
Mas, o que fazer diante de uma situação dessas? No que devemos acreditar e o que devemos fazer em meio a tudo isso?
Primeiramente devemos entender a diferença entre glória de Deus e poder de Deus.

Vamos tomar o exemplo de Moises
Êxodo: 33. 18 “Rogo-te que me mostre a tua Glória”
Êxodo: 33. 20 “e acrescentou: não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá”
Êxodo: 34. 30 “olhando Arão e todos os filhos de Israel para Moisés, eis que resplandecia a pele de seu rosto; e temeram chegar-se a ele”

A partir desses versos podemos tirar varias conclusões a cerca da Glória de Deus.
1- A nossa carne humana suporta a Glória de Deus
2- A Glória de Deus nega a nós mesmos
Portanto podemos entender que a nossa carne, juntamente com nossa alma, não suporta a Glória de Deus, é algo superior, soberano. A Glória de Deus está ligada ao espírito, quando aceitamos a Jesus como nosso Salvador e o Espírito Santo passa a fazer morada em nossos corações, a Glória de Deus é derramada sobre o nosso Espírito, mudando assim o nosso modo de ser.

Vejamos então acerca do Poder de Deus:
“ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” Efésios: 3. 20

Assim como a Glória de Deus age em nosso ser, o Poder de Deus age no nosso fazer. O Poder de Deus caracteriza ação, o mesmo poder que nos impulsiona a cantar gritar, pular, todas essas ações divinamente inspiradas são resultado da manifestação do Poder de Deus, não só sob nós, mas em qualquer coisa dessa terra.
Perceba que o poder de Deus é fruto de sua Glória. Como assim? Não existe possibilidade de existir poder de Deus, sem que a sua Glória esteja presente primeiro.
Da mesma forma que não podemos fazer prodígios em nome de Jesus, sem que antes aceitemos a Ele como salvador.

Mas também infelizmente existe a forma contraria.
“pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” Rm: 3. 23

Todos os dias o pecado bate em nossa porta, se nós cairmos, estamos sob grande risco de perder a Glória de Deus sobre nossas vidas, consequentemente voltaremos a ser aquele velho homem ou mulher que fomos antes de sermos transformados por Jesus Cristo.
Em nossos dias, infelizmente, existem muitas pessoas que estão longe da Glória de Deus, mas seguem enganando a muitos com ensinamentos errôneos e doutrinas da carne. Como identificar isto?
“acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores” Mateus 7. 15
Se estivermos Cheios da Glória de Deus e revestidos do Poder de Deus, o Espírito Santo nos incomoda a condenar tudo aquilo que for contra a Sua Palavra. Mesmo que pelos nossos olhos, não pareça nada errado
Analisando e estudando a Palavra de Deus. A única verdade que devemos seguir é a que está registrada na Palavra de Deus, tudo que foge a isto, é falsa doutrina ou heresia.
A Palavra de Deus não engana, ela fortalece, ilumina, esclarece, consola, ensina,exorta e nos capacita a denunciar tudo aquilo que é contrario ao que está nas santas escrituras.

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quinta-feira, 5 de julho de 2018

JESUS A ROSA DE SAROM

                                                     JESUS A ROSA DE SAROM
Cantares 2:1
Eu sou a Rosa de Sarom, o Lírio dos Vales.
I – Alusão
A Bíblia faz menção de profecias para três classes de povos:
01 – Os Judeus * Restauração de Israel
02 – A Igreja * O salvos que esperam à vinda de Jesus Cristo
03 – Os Gentios * Aqueles que se rebela contra Deus

           Embora certos versículos apontem para uma determinada classe, todas as outras automaticamente estão inseridas. Quando falamos nos Judeus, a Igreja triunfa; e quando falamos na punição dos gentios os Judeus estão inclusos.
           Voltando para o versículo que está no principio do nosso texto, o qual fala das flores e o Jardim de Sarom. O que é uma das principais fontes de renda em Israel.
Sarom significa “Terreno Plano”. No período Bíblico havia dois lugares com esse nome, que se situava entre a montanha de Efraim e o mar Mediterrâneo, entre o monte Carmelo e a cidade de Jope; o segundo entre o Oriente e o Jordão.
Suas pastagens eram ricas, e a perda dessas terras seria fatal, dando um cuidado especial a quem a administrava Israel na época.

II – Floricultura Celestial
          O autor da Bíblia foi Deus, o escritor foi o Espírito Santo e o assunto é Jesus. Portanto todo o conteúdo, figuras estão voltada para o autor da nossa salvação que sendo o Filho de Deus, mereceu destaque em todas as passagens.
Oséias 14:5-6
Serei para Israel como o orvalho, Ele florescera como o Lírio, e espalhará as suas raízes como o Líbano.
E estender-se-ão as suas vigentes e a sua gloria será como a Oliveira do Líbano.

          O Líbano era é montanha branca (Símbolo de Jesus), fica a 160 km do mar Palestino, local onde nasce o Rio Jordão. Do mesmo foi tirado madeira de lei para construção do primeiro Templo. Eram: cedro aromático, oliveiras, vinhas e águas cristalinas. O Líbano está totalmente ligado ao Sarom.
 
• Cedros aromáticos – O perfume de Jesus Cristo
• Oliveira – O derramamento de óleo que Jesus ungiu com a descida do Espírito Santo.
• Vinha – O Sangue de Jesus
• Água cristalina – As Palavras que Jesus nos lavou – João 4:14

III – A Rosa
Citou o profeta Isaias:

Isaias 35:1
O deserto e os lugares secos se alegrarão disto; e o ermo exaltará e florescerá como a Rosa.

         Além do perfume e beleza natural, as Rosas apresentam cores que nos mostra a natureza ministerial de Jesus Cristo.
* Vermelho em diversos tons – O Sangue vertido na cruz do calvário o Cor rósea – Jesus se esvaziando por nós
* O Branco – Jesus como o príncipe da paz
* O Amarelo – A natureza real de Cristo (o ouro)

IV – O Narciso
          Planta do Mediterrâneo – Alvo e perfumado, sendo de natureza solitária. Mostra que Jesus tem todas essas características e que sozinho ele venceu o mundo e o pecado pra nos dar vitória.
         No Jardim do Getsemani quando Ele orava ficou sozinho. No sinedrios todos tinham o direito de um advogado, e Ele não. Por causa das nossas transgressões, Deus não pode contemplar o seu Filho amado nos momentos finais de sua passagem pelo esse mundo material.
Mateus 27:46
Disse Jesus: Deus meu, Deus meu porque me desamparastes?

         Mostrando que era necessário passar por um vale de solidão e dor, mesmo sendo inocente.
V – O Lírio
         A Bíblia faz forte menção sobre ele (Cantares 2:1). São perfumados e de cores brilhantes, o que chama a atenção de todos os que se aproximam, deixando uma expressão de sentimento forte.
Mateus 4:16 – O povo que estava assentado em travas viu uma grande luz. Aos que estavam assentados nas regiões de sombra e de morte, e a luz raiou.
         Não quero dizer que o lírio tem luz, mas a forma que ele reflete na luz, assim como Jesus refletiu a luz de Deus na hora da sua crucificação. Todo bom observador já percebeu que a luz de um candeeiro no campo durante a noite, atrai todos os tipos de insetos em virtude do seu fulgor.
Com a alma humana também acontece isso quando se depara diante de Jesus, de forma que recebem a luz e a liberdade. Quanto àquelas que vão contrarias a direção da luz, com toda certeza se perdem ou são tragadas pelos predadores noturnos. Também existem aqueles casos dos que buscam fagulhas no mundão e acaba em completa perdição, isso porque são luz momentânea que acabam em pouco tempo.

VI – Sarom dos Ímpios.

Isaias 33:9
A terra geme e pranteia, o Líbano se envergonha e se murcha, Sarom tornou-se um deserto e Basã e Carmelo foram sacudidos.

        Esse é o resultado da desobediência de Israel, profecia comprida há alguns anos atrás. Mas se renovará outra vez com todos os Gentios desobedientes. Isso será na consumação dos tempos, período que Deus punirá os incrédulos.
Apocalipse 20:15
Aquele que não foi achado no Livro da Vida, foi lançado no lago de fogo.

         Quem entrar nesse lugar de vergonha e sofrimento nunca mais sairá. Entretanto é hora de parar e refletir na Palavra de Deus, procurando descobrir como estamos edificando a nossa vida espiritual para que não cheguemos a sofrer as consequências de uma vida sem Jesus Cristo.
VII – Epílogo
Isaias 65:10
E Sarom servira para um curral de ovelha, e o vale de Acor de colheita de gado para o meu povo, que me buscou.

         Profecia que se cumpriu para os Israelitas no dia 14 de maio de 1948, quando esse povo foi novamente reconhecido como nação pela ONU (Organização das Nações Unidas), sob a coordenação do brasileiro Osvaldo Aranha, passando a fazer a festa de “Iom Haatzmaut”.
Quanto a Igreja, a Bíblia nos entrega a autoridade de entrar nas regiões celestiais pelo Sangue de Jesus. De forma que a salvação é para todas as pessoas que tem o desejo de servir ao Senhor até que se cumpram os dias de caminhada no mundo presente.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quarta-feira, 4 de julho de 2018

OS CRISTÃOS SOBERBOS


                                                    OS CRISTÃOS SOBERBOS
O texto do sermão do monte começa assim: “BEM AVENTURADOS” (muito felizes) os pobres (humildes) de espírito, porque deles é o Reino dos céus (Mateus 5:3). Sim, são muito felizes, são felizes demais os humildes de espírito, pois o Reino de Deus precisa de pessoas assim, de coração simples, puro e espírito quebrantado, isso sim, agrada a Deus (Salmo 51:17). Ele não precisa de voluntários, nem tão pouco de concorrentes, mas de servos e imitadores Seus destinados a servi-LO em amor. E não há outra forma de servir a Deus a não ser servindo às pessoas. Mas o que vemos nesses últimos dias são pregadores arrogantes ensinando às pessoas que elas não precisam passar por humilhações, não precisam sofrer por amor a Cristo. Por isso vemos igrejas espalhadas por todos os lados, de várias cores e modelos, porém, procuramos esses cristãos durante a semana e não os encontramos. Basta uma fechadinha no transito para que todos buzinem e gritem loucamente seus desafetos. Busque na Bíblia algum lugar em que Jesus tenha dito que neste mundo não passaríamos por aflições, perseguições ou sofrimentos por amor a Ele. O próprio apóstolo Paulo foi um exemplo de que ele mesmo se gloriava por saber que estava sofrendo perseguições por amor a Jesus. Foi ai que ele afirmou: o morrer é Cristo e o viver é lucro (Fil. 1:21), também disse: tudo posso Naquele que me fortalece(Fil. 4:13). Ele estava querendo nos dizer que todas as privações ele poderia passar por amor a Cristo e ao Seu Reino.
Quantas vezes vemos pessoas, até mesmo nas igrejas, que participam dos cultos, até se envolvem com os trabalhos da igreja, leem a Bíblia diariamente, cantam na frente, mas vivem sofrimentos pessoais terríveis. São sem sorte nos negócios, nos amores, nos estudos e muitas vezes perguntam a Deus por que estão passando por tais provações. E a resposta de Deus é: Eu rejeito aos soberbos, porém dou graça aos humildes (Tiago 4:6). Baixe sua bola, coloque-se no lugar de servo, não queira ser maior que ninguém, pois você não o é! Aprenda a se humilhar na Minha presença e ser humilde na presença dos outros se quiser ser exaltado, reconheça que sem mim você não é nada. Lave os pés dos outros, assim como eu fiz. Antes de querer ser grande, torne-se como o menor dentre eles (Lucas 22:26).
O pior é que soberba não sai com orações, é preciso rejeitá-la. Uma das formas que Deus tem pra fazer o homem deixar sua soberba é a provação, passando pelo “deserto” de Deus. A oração de um soberbo, arrogante, Deus a rejeita, porém permite que Seu Espírito Santo o mostre que ele precisa se humilhar sob Sua poderosa mão, reconhecer que pra ser grande é preciso tornar-se pequeno. E como saber se o nosso coração é soberbo? Simples, se você é daqueles que dizem não levar desaforos pra casa e que diz: comigo é assim, quando quero falar, não mando recados e o que quero dizer digo na “lata”, doa em quem doer, pois sou “verdadeiro”. Se a nossa “verdade” magoa, machuca as pessoas, se não conseguimos exortar em amor, não há bênção nisso e é melhor ficarmos calado e tratar, primeiro, o nosso coração e, só assim, falar e exortar aos outros em Amor. Jesus foi Aquele que mais levou desaforos pra casa. Muitas vezes quando quiseram enfrentá-lO, desafiá-lO ou provocá-lO Ele saiu de mansinho, deixando-os falando sozinhos. Ele sabia que discutir com corações soberbos, arrogantes não o levaria a nada.
Às vezes vemos muitas discussões nas ruas, na TV, no trabalho, na internet. Pessoas discutindo sobre religião, fé, homossexualidade. A propósito, você não precisa dizer ao homossexual que ele está vivendo em desacordo com a vontade de Deus o seu próprio espírito já o diz isso. Na sua grande maioria já existem guerras internas terríveis, não porque a sociedade os rejeita, mas porque seu próprio espírito rejeita essa situação, trazendo muitas vezes sintomas de depressão e sofrimentos internos (Exemplos: Cazuza, Renato Russo, Cássia Helen e muitos outros). O que precisamos, sim, é amá-los, mas amar com Amor que vem do coração de Deus, pois não os vê como nós os vemos e apresentá-lo a esse AMOR (Jesus) e deixar que o Espírito Santo de Deus os convença do pecado. O que ele vai fazer com esse Amor passa a ser de sua responsabilidade.
Há muitas discussões tolas entre as pessoas. Muitos nem se quer querem saber se o que estão fazendo está de acordo com a vontade do Pai. Se o seu espírito está testificando com o espírito de Deus que és mesmo um filho de Deus ou se o seu nome, verdadeiramente, está escrito no livro da Vida. E discutem entre si querendo saber por quê o céu é azul, se Adão tinha umbigo ou não ou se os escravos de Jô jogavam caxangá (rs). Devemos como cristãos, evitar tais discussões e falatórios e pregarmos, tão somente, o grande Amor de Deus por todos nós e de Sua infinita graça. Com certeza Esse Amor há de cobrir multidões de pecados e fazer com que o pecador chegue ao arrependimento e pleno conhecimento de Deus e de Sua vontade, dando-lhes forças pra resistir a qualquer tipo de pecado ou tentações. O Próprio Jesus disse não ter vindo para julgar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele (João 12:47). Por isso, quando, em muitas ocasiões, perguntaram a Jesus algo que Ele sabia ser verdade, sua resposta fora: “TU O DIZES”, ou seja, tua boca está falando o que é verdade. E o próprio espírito vai convencendo o homem do seu pecado da arrogância e Deus pode, até, usar pessoas para o resistir, afim de levá-lo ao arrependimento da soberba. Quantas vezes vemos nas TVs ou nos púlpitos pregadores que, mesmo com grande conhecimento de Deus, usam de arrogâncias em suas pregações, falando coisas que, embora sejam verdades de Deus, os seus sentimentos são carnais e muitas vezes são resistidos pelo próprio povo. Talvez seja essa a forma que Deus tem de fazer voltá-los ao conhecimento de Deus pela humildade e não pela arrogância.
Deus, pelo seu infinito Amor por nós, nos repreende da mesma forma que nos ama (Apoc 3:19). Por isso, quando não obedecemos a Sua vontade, não nos colocamos no lugar de servos Dele e tentamos fazer as coisas conforme a nossa vontade e não a Dele, Ele, como pai amoroso que é, nos coloca numa espécie de “Cantinho do Pensamento” para refletirmos mais a respeito Dele e de Sua vontade. A Palavra de Deus nos diz que o sábio, quando repreendido, torna-se mais sábio ainda (Prov. 9:9). Então meu querido irmão/amigo aceite a repreensão Daquele que quer o melhor pra nós e que nos ama com um Amor incondicional.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

terça-feira, 3 de julho de 2018

APRENDENDO COM O ESPÍRITO SANTO


                                          APRENDENDO COM O ESPÍRITO SANTO

João 14.16-31


INTRODUÇÃO

Jesus estava caminhando para a cruz e durante aquele percurso conforta aos seus discípulos falando-lhes sobre a vinda do Espírito Santo.

Podemos esboçar este ensino da seguinte maneira:

- A procedência: o Espírito seria enviado pelo Pai (Jo 14.16, 26; 15.26).
- O tempo em que viria: quando Jesus fosse para o Pai (Jo 16.7; 7.39).
- O cumprimento da promessa: deu-se no Pentecostes (At 2.32-36).
- O local de habitação: não no mundo, mas com os crentes e nos crentes (Jo 14.16-17, 23).
- A duração da habitação: para sempre ou eternamente (Jo 14.16; 16.22).
 
Além destes aspectos destacados por Jesus, indicaremos ainda os nomes e a missão do Espírito Santo, conforme aparecem no texto.

1. OS NOMES DO ESPIRITO SANTO

Na intimidade que as três pessoas da Trindade mantêm, constatamos o carinho que Jesus Cristo dispensa ao Espírito Santo. Além de chamá-Lo de Espírito Santo, Jesus o chama de o Consolador e o Espírito da Verdade.

1.1. O Consolador

Jesus chama o Espírito de o "Consolador" - Parakletos, no grego (Jo 14.16, 25; 15.26; 16.7). A palavra grega traduzida por "Consolador" ou "Auxiliador" era usada na linguagem jurídica para o advogado de defesa (1 Jo 2.1), isto é, alguém que ajudava ou apoiava um réu. O sentido ganha amplitude, pois o Espírito, assim como Jesus, não apenas foi um advogado, mas uma pessoa que provê encorajamento, conselho, força, entusiasmo, motivação e poder. É comparável ao apoio e o carinho de um pai. Por isso Jesus diz "não vos deixarei órfãos".

A palavra "órfãos" é encontrada exclusivamente neste texto e em Tiago (1.27), e o seu melhor sentido é "destituídos". Era comumente usada para indicar filhos destituídos de seus pais e de tudo aquilo que uma paternidade responsável oferece. Não vos deixarei órfãos! Jesus Cristo não nos deixou: sem amor (Jo 13.1); sem exemplo (Jo 13.15); sem lei (Jo 13.34); sem recompensa (Jo 14.1); sem destino (Jo 14.6); sem serviço (Jo 14.12); sem paz (Jo 14.27); sem esperança (Jo 14.18).

O Espírito é o Consolador, alguém que está conosco e ao nosso lado para nos ajudar. Lucas registra que a Igreja caminhava no conforto do Espírito Santo (At 9.31). No ministério de confortar e encorajar o cristão, o Espírito derrama amor divino no coração (Rm 5.5), testemunha que são filhos de Deus (Rm 8.16), unge com alegria e discernimento (2 Co 1.21), derrama paz e esperança na mente e no coração (Rm 15.13), concede alegria na luta (Rm 14.17), assiste na fraqueza (Rm 8.26), produz a frutificação espiritual (Gl 5.22) e capacita para o serviço (1 Co. 12.11).

1.2. O Espírito da Verdade

Jesus usa outro nome: "o Espírito da Verdade" (Jo 14.17; 16.13). Há um duplo significado: o Espírito é a essência da verdade e quem revela aquilo que é verdadeiro. Por isso João testifica o Espírito Santo é a verdade (1 Jo 5.6).

Ele é o autor divino das Escrituras (2 Pe 1.20-21), a verdade escrita (Jo 17.17); Ele dá conhecimento da verdade salvadora que é Jesus Cristo (Jo8.32,36). Não existe. a possibilidade humana de conhecer as verdades de Deus senão pelo Espírito Santo.

Uma mentira contra o Espírito Santo foi instantaneamente punida com a morte (At.5.1-11).

1.3. O Espírito Santo

Deus é santo ou santíssimo e esta santidade é natural às três pessoas da Trindade (1 Pe 1.16). Jesus qualifica o Espírito de Santo (Jo 14.26). Por que Ele é chamado o Espírito Santo? Primeiro, por causa da sua natureza santa e perfeita (1 Jo 2.20). Segundo, por causa do seu ministério que é o de produzir santidade. "Por que, pois, é Ele chamado santo? Seguramente, a explicação consiste em que é Sua obra especial produzir santidade e ordem em tudo o que Ele faz na aplicação da obra salvadora de Cristo" (Martyn Lloyd-Jones). E o seu ministério é santificar o povo de Deus (SI 51.11; Mt 1.20; Lc 11.13; Rm 1.4).

O pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo não tem perdão! (Mt 12.31-32)

2. AS MISSÕES DO ESPÍRITO SANTO

Jesus apresenta algumas das tarefas que seriam realizadas pelo Espírito Santo junto aos crentes.

Quais são as obras realizadas pelo Espírito Santo?

2.1. Ele ensina e relembra

Disse Jesus aos seus discípulos: "Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito" (Jo 14.26). Jesus promete aos Seus apóstolos que o Espírito trará à memória deles as coisas que Ele tinha dito, e assim, por sua inspiração, eles serão habilitados a escrevê-las e a pregá-las. Temos aqui a ação do Espírito no processo de revelação e inspiração das Escrituras (2 Pe 1.20-21; 1 Co 2.6-16).

O Espírito agirá na mente dos apóstolos para lembrar o que Cristo ensinou.

2.2. Ele dá testemunho de Jesus

"Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim" (Jo 15.26). O Espírito testemunha, testifica, declara, fala bem do Filho confirmando que Ele é o único Salvador e Senhor. Este é o testemunho externo.

Também "o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8.16). O Espírito Santo testifica no coração do cristão que ele é filho de Deus, por causa da fé em Jesus Cristo (Jo 1.12; 1 Jo.5.10). Este é o testemunho interno.

Observe novamente que a missão do Espírito está vinculada à obra de Cristo.

2.3. Ele convence o mundo

"Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo" (Jo 16.8).

O verbo "convencer" (elegsei) significa "trazer à luz", "expor", "mostrar", "persuadir", "convicção interior" (Jo 3.20; 8.46; Ef 5.11; Tt 1.9). Há um outro sentido para o verbo que é o de "reprovar", "corrigir", "disciplinar" e "punir" (Mt 18.15; Lc 3.19; 2 Tm 3.16; Hb 12.5; Ap 3.19). O Espírito é o responsável pelo convencimento interno das pessoas quanto ao verdadeiro sentido do pecado, da justiça e do juízo.

A palavra mundo "kosmos" refere-se à humanidade inteira.

A obra do convencimento é tríplice: do pecado, pois somos pecadores por natureza (Rm 3.23); da justiça salvadora que nos é oferecida em Cristo Jesus (Rm 5.1); e do juízo que será o julgamento daqueles que rejeitam a salvação em Jesus (Jo 3.18-19).

2.4. Ele guia a toda a verdade

"Quando vier, porém, o Espirito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (Jo 16.13).

O Espírito tem a missão de guiar, liderar e instruir aos homens, em seus corações, sobre o significado de Cristo (At. 8.31). Os homens ouvirão e verão a glória de Cristo, por meio do Espírito (Jo 5.37-38).

Há pessoas ou líderes espirituais que falam fraudulentamente em nome do Espírito, conduzindo pessoas ao erro (Jr 23.15ss). O Espírito jamais nos guiará à mentira ou ao erro. O Espírito nos revela a verdade da nossa natureza caída e nos conduz à verdade santificadora de Deus.

O apóstolo Paulo, no capítulo oito de Romanos, destaca quatro aspectos do ministério do Espírito, no processo de santificação do crente:
- O Espírito domina a nossa carne (Rm 8.5-13)
- O Espírito dá testemunho da nossa posição como filhos de Deus (Rm 8.14-17)
- O Espírito garante ou assegura a nossa herança como herdeiros de Deus (Rm 8.18-25).
- O Espírito nos ajuda a orar convenientemente (Rm 8.26-27).

2.5. Ele glorifica a Cristo

A obra principal do Espírito é glorificar a Cristo. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar (Jo 16.14). Ele revela à alma dos pecadores as riquezas da pessoa de Jesus, de tal maneira, que ninguém pode reconhecer que Jesus é Senhor senão pelo Espírito (1 Co 12.3).

É o Espírito quem produz a vivificação espiritual ou quem aplica a salvação ao indivíduo. O termo "salvação" compreende a vocação eficaz (Mt 9.9), a regeneração ou o novo nascimento (Tt3.5), adoção espiritual (1 Jo 3.1-3), união com Cristo (Jo 15.1-16), conversão (Mt 18.3), arrependimento e fé salvadora (2 Tm 2.25; Ef 2.8), justificação (Rm 5.1) e santificação (1 Pe 1.13-16). Toda esta obra salvadora é realizada pelo Espírito.

A obra do Espírito está vinculada à obra de Jesus.

Jesus Cristo nos advertiu que a vida cristã é cheia de lutas e tribulações (Jo 16.1-4). Você. então, não deve esperar o fim das dificuldades e dos problemas, mas o conforto de Deus. Você não está órfão ou destituído de paternidade. Temos o Consolador! O Espírito Santo é o nosso ajudante, conselheiro e defensor.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

segunda-feira, 2 de julho de 2018

QUEM ME TOCOU?


                                                            QUEM ME TOCOU?


    A mulher que sofria de um fluxo de sangue considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus para ser curada, porém, como aproximar-se de Jesus sem contaminar a multidão? E o que faria a multidão se descobrisse que uma mulher imunda havia saído no meio do povo, e deliberadamente, se esbarrou em todos, deixando a todos imundos?

    “E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: – Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Mc 5:24 -34)

    O que há de tão importante no milagre da mulher com um fluxo de sangue que levou três evangelistas a narrarem o milagre? No que implicava uma mulher sofrer hemorragia constante àquela época? Como dimensionar a fé em Cristo daquela mulher?
    Em primeiro lugar é essencial deixar registrado que os milagres narrados pelos apóstolos têm a função precípua de levar os homens a crerem que Cristo é o Filho de Deus “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:30 -31).
    Marcos e Lucas registraram que a mulher já havia gasto todos os seus bens com médicos, porém, não puderam curá-la ( Mc 5:26 ; Lc 8:43 ).
    Já os evangelistas Mateus e Marcos destacam que uma mulher sofria de hemorragia há doze anos e, ao ouvir falar de Jesus, passou a acreditar que, se somente tocasse em suas vestes haveria de ser curada “Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã” ( Mt 9:21 ).
    Porém, havia um entrave: A mulher por ter um fluxo de sangue, pela lei de Moisés era considerada imunda “Também a mulher, quando tiver o fluxo do seu sangue, por muitos dias fora do tempo da sua separação, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua separação, todos os dias do fluxo da sua imundícia será imunda, como nos dias da sua separação” ( Lv 15:25 ).
    Ela considerou em seu coração que bastava tocar na orla das vestes de Jesus que seria curada, porém, como aproximar-se de Jesus sem contaminar a multidão? O que faria a multidão caso descobrisse que uma mulher imunda havia saído em meio ao povo e tocado deliberadamente em todos que ela esbarrava? “Ou, quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado” ( Lv 5:3 ). Como aquela mulher sairia de casa, se os vizinhos que sabiam daquela doença podiam recrimina-la por causa da lei? O que fariam os religiosos se a descobrissem no meio da multidão?
    Além do sofrimento físico e da desesperança, a mulher do fluxo de sangue não podia participar das festas religiosas. Ela não podia ficar fora do templo junto com as outras mulheres e nem ir a sinagoga ( Lv 15:25 -33). Ela tinha que permanecer confinada e isolada! Não podia relacionar-se com as pessoas, nem mesmo com os seus familiares, pois tudo o que ela tocava tornava-se imundo!
    Embora ciente dos riscos de ser surpreendida, a mulher entrou no meio da multidão e, ao chegar por trás, tocou na orla das vestes de Cristo e, imediatamente, ficou sã. Foi quando Jesus perguntou: “Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ).
    Como deve ter ficado apreensiva a mulher quando foi descoberto o seu ato de tocar nas vestes de Cristo! – Será que Jesus vai me recriminar por ter saído em meio a multidão sendo imunda? O que dirão os seus discípulos e a multidão? Será que todos ali presentes serão concitados a se recolherem em casa para cumprirem o tempo determinado na lei para a purificação? “Ordena aos filhos de Israel que lancem fora do arraial a todo o leproso, e a todo o que padece fluxo, e a todos os imundos por causa de contato com algum morto” ( Nm 5:2 ).
    Enquanto as questões se avolumavam na mente da mulher, Jesus continuava a perguntar: “Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ). A multidão continuou negando e, Pedro juntamente com o outros discípulos tentaram dissuadir a Cristo argumentando: “E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou?” ( Lc 8:45 ).
    Jesus, porém, continuou a olhar entre a multidão para ver quem havia lhe tocado! No verso 33 de Lucas 8 fica nítido o quanto ela considerou antes de revelar-se, pois, sabia que havia contrariado a lei indo até Jesus em meio a uma multidão.
    A mulher ciente do que havia ocorrido, com medo e tremendo, aproximou-se, prostrou-se diante de Cristo e disse toda a verdade.
    Foi quando Jesus lhe acalmou ao dizer: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Lc 8:48 ).
    Por causa da fidelidade de Cristo Jesus, que honra aqueles que n’Ele confiam, a mulher foi: salva, recebida por filha, curada do fluxo de sangue e despedida em paz. Toda a confiança surgiu quando a mulher simplesmente ouviu falar de Jesus “Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei” ( Mc 5:27 -28).
    A confiança desta mulher nos ensina que Jesus é a água viva, fonte inesgotável, pois qualquer imundo que tocá-lo é limpo da sua imundície “Porém a fonte ou cisterna, em que se recolhem águas, será limpa…” ( Lv 11:36 ).
    Através dela somos ensinados que Cristo é a semente incorruptível, o Verbo encarnado, pois até mesmo os cadáveres que sobre Ele caírem tornam-se limpos “E, se dos seus cadáveres cair alguma coisa sobre alguma semente que se vai semear, será limpa” ( Lv 11:37 ).
    A confiança não surge do sofrimento, ou das mazelas diárias, antes tem origem na palavra da verdade. Ele passou a confiar a partir do momento que ouviu acerca de Cristo (v. 27). Quando ela ouviu acerca d’Ele e refletiu (v. 28), foi tomada de confiança que superou todos os medos (v. 33).
    Se ela não tivesse ouvido acerca do Cristo, jamais teria confiança, pois a fé vem pelo ouvir e, o ouvir pela palavra de Deus ( Rm 10:17 ). Ao ouvir acerca daquele homem, ela foi invadida por uma confiança tal que considerou que, se tão somente tocasse nas suas vestes seria curada.
    A confiança que ela depositou em Cristo era diferente da confiança que tivera nos médicos. A confiança nos médicos levou-a a gastar tudo o que possuía, mas a confiança em Cristo levou-a a desafiar as suas próprias crendices, as disposições da lei e a religiosidade: aquele homem tinha poder para sará-la daquele mal.
    Se a noticia acerca de Cristo não houvesse operado uma transformação (metanóia) no modo de pensar da mulher, jamais ela iria intencionalmente tocar em Jesus, pois estaria presa ao pensamento de que poderia contaminá-lo.
    Após apresentar-se prostrada aos pés de Cristo diante da multidão, e tendo declarado a sua intenção e confiança, Jesus lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” ( Mc 5:34 ). Por crer que Jesus podia purificá-la daquele mal, a mulher foi salva por Cristo, e em seguida, curada do fluxo de sangue.
    O que salvou a mulher? A ‘confiança’ dela ou a ‘fé que se tornou manifesta’?
    Ora, sabemos que quem salvou a mulher foi Cristo, pois ele é a fé que havia de se manifestar “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ). Antes de Cristo ser anunciado ela confiava na lei, e a confiança dela não podia salvá-la, nem do pecado e nem da enfermidade, porém, quando ela confiou em Cristo, o dom de Deus, ela foi salva da condenação herdada de Adão e foi curada da enfermidade física “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ); “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ).
    Uma coisa é certa: ‘confiança’ a parte da fé, que é Cristo, não salva. Confiar nos médicos, na lei, na religiosidade, etc., nada produz, mas diante da fé manifesta, que é dom de Deus, se o homem confiar será salvo.
    O homem é justificado por Cristo, a fé que havia de se manifestar, a fé que uma vez foi dada aos santos “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( Rm 5:1 ); “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” ( Rm 3:28 ).
    Aquele que confia no Verbo que se fez carne, o autor e consumador da fé, tem a vida eterna, pois a confiança advém da palavra de Deus, que é firme e permanece para sempre “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” ( Jo 3:36 ).
    A crença da mulher lhe salvou porque ela creu naquele que tem poder para justificar o ímpio, ou seja, a crença dela lhe foi imputada como justiça, assim como ocorreu com Abraão “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ); “E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça” ( Gn 15:6 ).
    Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante
     
     

    domingo, 1 de julho de 2018

    MARIA DE NAZARÉ


                                                                 MARIA DE NAZARÉ

    Lucas 1.26-38

    Reflexões sobre a tensão acerca da pessoa de Maria, e sua relevância para nós como pessoas e como igreja

    Gostamos de falar sobre os grandes heróis da bíblia, no entanto, pouco ou quase nada se fala sobre Maria mãe de Jesus nas igrejas evangélicas. Parece-me que há uma espécie de tensão a respeito de sua pessoa, inclusive, para algumas igrejas, tudo o que “cheira” a Maria eles rejeitam por receio de idolatria. Isso se deve a uma falta de conhecimento, pois, somos infelizmente na grande maioria analfabetos, biblicamente falando. Daí uma má compreensão de quem foi Maria e sua importância.

    Um dos nossos problemas com respeito a Jesus, é que negligenciamos a sua natureza divino-humana, ou natureza teantrópica para ser teologicamente correto. Jesus “herdou” de Deus Pai a natureza divina, mas é de Maria que ele herdou a natureza humana. Relacionamos-nos com Jesus, numa perspectiva apenas da sua divindade, e nos esquecemos da sua humanidade. Jesus veio ao mundo não para apenas conhecermos o verdadeiro Deus, mas também para conhecermos o verdadeiro homem. Nesse sentido Maria desempenhou um papel fundamental no que diz respeito à encarnação do verbo, ou como disse o apóstolo João: “... E o verbo se fez carne e habitou entre nós...” (João 1.14).

    Maria morava na cidade de Nazaré, um pequeno povoado com mais ou menos 90 casas, que se situava à cerca de 130 quilômetros a nordeste de Jerusalém. Nazaré era uma cidadezinha sem nenhuma importância, aliás, esquecida por todos, isso fica claro nas palavras de Natanael quando lhe disseram que o Messias vinha de Nazaré: “Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá?” (João 1.46).

    Maria vivia uma vida pobre e simples. Seus pais a prometeram em casamento e seu futuro noivo, José, é também muito pobre. Maria tem uma vida sem muitos sobressaltos, despretensiosa. Mas em um dia qualquer, ela tem uma experiência espiritual assustadora. Um anjo de Deus se aproxima dela dizendo: “Alegre-se! Agraciada! O Senhor está com você!”.

    Eu sei que falar sobre Maria é mais do que falar de uma grande mulher, sobre uma grande Heroína [do latim heroine – mulher de valor extraordinário]. É falar sobre a mãe do salvador do mundo. Estamos na verdade tratando de um assunto que merece grande atenção, pois lida com a vinda de Jesus como homem para nossa realidade humana, ademais, certamente nenhuma graça maior seria demonstrada a um ser humano comum como o chamado para ser mãe do Salvador.

    Entendo que por mais que eu me esforce para destacar a grandeza de Maria, serei sempre raso, pois, meus argumentos carecem de profundidade. Todavia, me arriscarei em rabiscar algumas idéias. Vamos lá.

    1. MARIA CONSIDEROU um privilégio servir a Deus, mesmo em face de todo sofrimento que enfrentaria. “... Sou serva do Senhor...” V.38.

    Vejamos o que um grande escritor disse a respeito:

    “A visitação de Deus, com certeza, iria bagunçar a vida de Maria, iria lançá-la em um mundo de muita dor e de muito sofrimento.

    Há alguma coisa estranha com o anúncio do anjo. É que a palavra alegria não combina com o futuro que já sabemos que Maria teria.

    “... Alegre-se! Agraciada...” V.28.

    Alegre-se! Seu casamento será perturbado e seu marido será obrigado a enfrentar o constrangimento de uma gravidez mal explicada.

    Alegre-se! Você ouvirá o choro das mães de Belém, lamentando a morte de seus filhos, por uma perseguição que visava o menino que você vai gerar.

    Alegre-se! Você será obrigada a viver no Egito, exilada dos que querem matar seu filho.

    Alegre-se! Você verá o seu filho sofrer e apanhar sob o chicote dos soldados romanos.

    Alegre-se! Você contemplará seu filho morrendo a mais terrível de todas as mortes”.

    Do púlpito 5, pg. 152.

    Maria teve uma postura completamente diferente da que possuímos hoje, pois quando somos chamados a servir a Deus não perguntamos mais qual é o “preço” que teremos que pagar, e sim, o quanto vamos lucrar, o quanto eu vou receber em recompensa por servir a Deus. Jesus disse certa ocasião: “Se alguém quisesse segui-lo era necessário, negar a si mesmo, tomar cada um sua cruz e segui-lo”. É importante destacar que para nós hoje a cruz significa triunfo e vitória. No entanto, no tempo em que Jesus disse essas palavras significava outra coisa, pois quando um homem era visto carregando uma cruz era porque ele seria crucificado. Portanto, quando Cristo convida a carregar a cruz e segui-lo significa renuncia, e o texto diz que foi exatamente dessa maneira que Maria se comportou, renunciando a si mesma, em prol do que Deus tinha para realizar por intermédio dela. Ou seja, trazer o Salvador a este mundo, e isso não era tão simples como imaginamos na nossa cabeça moderna.

    O chamado para servir a Deus não é necessariamente um chamado ao sucesso, ao privilégio e ao status. Nas palavras de Paulo apóstolo o sofrimento faz parte do chamado: “Pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Filipenses 1.29).

    Paulo também fez um convite ao jovem pastor Timóteo: “Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo” (2 Timóteo 2.3).

    Também nas palavras de Pedro: “Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes o exemplo, para que sigam os seus passos” (1 Pedro 2.21).

    Em um cântico, Maria diz que seu espírito se alegrava em ser útil a Deus (V. 47). A pergunta que fica é a seguinte: existe alegria verdadeira em nós por servimos a Deus mesmo com tanta dificuldade? Maria responde não com palavras, mas com a vida.

    2. MARIA NÃO TEVE medo de se entregar inteiramente a Deus. “... Que aconteça comigo conforme a tua palavra...” V.38.

    “Ela entregou seu corpo virgem, sua integridade de mulher, sua reputação na comunidade, seu futuro com José”. Simplesmente abriu mão da própria vida em beneficio da humanidade.

    O grande mal hoje em dia é que não nos entregamos por completo a Deus, temos reservas. Aliás, entregamos a ele aquilo que pode nos beneficiar; as áreas que nos interessam.

    Não queremos arriscar nossa credibilidade pregando coisas impopulares, e anunciando uma mensagem que anda na contramão.

    Não queremos abrir mão do conforto para ajudar o próximo.

    Não queremos abrir mão do sono do domingo de manhã em nome do estudo da bíblia.

    Não queremos contribuir financeiramente na igreja com medo de comprometer nosso orçamento.

    Aqueles que proferem a oração do “Pai Nosso”, devem tomar cuidado ao pronunciar a cláusula: “Seja feita a tua vontade”, quando na verdade não estamos dispostos a entregar-se completamente à vontade de Deus.

    3. MARIA NÃO PERMITIU que o grande chamado para ser mãe do Salvador do mundo afetasse sua humildade. “Pois atentou para a humildade da sua serva” V. 47-48.

    Apesar de Maria ter sido escolhida como a mãe do filho de Deus, ela continuou a mesma; isso não alterou seus valores, não lhe subiu à cabeça.

    Infelizmente a história da igreja moderna tem sido bem diferente. Uma igreja em que há uma busca frenética e descomedida por sucesso, por posições; por ser grande e estar em evidência.

    Falta-nos a humildade e grandeza de santos como Madre Teresa de Calcutá, que abriu mão de prêmios e de títulos. Quando Madre Teresa foi convidada para receber o prêmio Nobel da paz, ela respondeu que não foi chamada para receber prêmios e sim para cuidar de doentes.

    Precisamos de mais homens como São Francisco de Assis, que abandonou uma vida de riqueza e conforto para viver entre os pobres.

    Carecemos de exemplos de vida como a do líder hindu Mahatma Gandhi que se solidarizou com a sorte miserável do seu povo, viveu e morreu por eles.

    Ouçamos o conselho de Paulo apóstolo: “... Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, sendo Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo...”.

    Foi o próprio Jesus quem disse: “... Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração...”.

    4. MARIA NOS ENSINA que sua posição como mãe de Jesus, não a fez imaginar que ela não precisasse batalhar em oração (Atos 1.12-14). O texto diz que Maria perseverava em oração junto com os discípulos de Jesus. Então é legitimo afirmar que Maria perseverava em oração na busca pelo Espírito Santo, pois tanto o capítulo 1; quanto o capítulo 2 de Atos dos Apóstolos enfatiza que eles oravam unânimes pela descida do Espírito Santo. O que veio a se concretizar no dia de pentecostes. (At.2).

    Estamos desaprendendo a prática, ou melhor, a arte da oração. A igreja moderna está fazendo da oração uma técnica para alcançar bênçãos. Não oramos para sermos mais poderosos ou eficazes, oramos para estar em sintonia com Deus.

    Quando falo de oração não estou falando de técnicas, métodos ou de um jeito certo para orar. Estou falando de um estilo de vida, ou seja, oramos quando andamos na rua, quando estamos no nosso trabalho; quando praticamos esportes etc. Porque “orar não é tanto falar com Deus, mas sim estar com Deus”, nesse sentido não se faz necessário estar dentro de alguma igreja para se falar com Deus, pois todas as vezes que voltamos o nosso pensamento para ele, o encontramos. Então de certo modo não oramos para Deus, mas oramos com Deus.

    Gosto de uma definição sobre oração que o pastor Ed René escreveu, vejamos:

    “O Deus que não é encontrado em todo e qualquer lugar não é encontrado em um lugar específico, pois Deus encontra-se não em um lugar, mas em um estado de ser daquele que o busca, independente do lugar geográfico”.

    Precisamos resgatar uma dimensão da oração que não apenas fale com Deus, mas ouça e perceba Deus no mais profundo do nosso ser.

    Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante