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domingo, 13 de julho de 2014

DEIXAI VIM A MIM AS CRIANCINHAS...


                                             DEIXAI VIM A MIM AS CRIANCINHAS...
Três atitudes chamam a atenção logo no início do texto: iniciativa de levar as crianças a Jesus (v. 13 “então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse”) – o texto não explicita quem levou a Jesus estas crianças, mas evidencia desde já que não haverá encontro das crianças com Jesus sem uma iniciativa clara, concreta, objetiva dos adultos promovendo este encontro; resistência dos discípulos em permitir o contato das crianças com Jesus (v. 13 “mas os discípulos os repreendiam”) – os discípulos que estavam sendo treinados para serem canais de aproximação viveram o papel oposto de canais de separação;  a indignação de Jesus diante da atitude dos discípulos (v. 14 “... Jesus, porém, vendo isto, indignou-se...”) – Jesus tem “indignação” com a postura errônea dos discípulos, uma profunda insatisfação que imediatamente se transformou numa repreensão firme e sábia, na qual Ele os ensinou e ensina nós também hoje a ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A SUA GRAÇA.....
 I – ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A GRAÇA É UMA PRIORIDADE DETERMINADA POR JESUS (v. 14”... Deixai vir a mim os pequeninos...”)
Jesus tinha uma visão voltada para a família, tanto é que Seu primeiro milagre foi realizado numa festa de casamento. No texto anterior, 10:2-12, Marcos nos informa que Ele ensinou sobre a importância de preservar o casamento como um instrumento de sustentação e aperfeiçoamento da família. E família para Jesus não eram apenas os adultos, jovens ou adolescentes, mas também as crianças. Sua grande chamada - “vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11:28) – era feita também para as crianças. Jesus, sabiamente, sabia que se alcançasse as crianças com Sua maravilhosa graça, transformaria toda a história de vida delas. Por isso deixou aos discípulos Sua prioridade missionária bem delineada: “deixem vir a mim os pequeninos” (v. 13)
II – ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A GRAÇA ENVOLVE UMA POSTURA FACILITADORA (v. 14 “... Não os embaraceis...”)
Os discípulos não podiam alegar ignorância quanto ao projeto de Jesus para as crianças. Segundo Marcos (ver 9:36-37), antes deste episódio de nosso estudo, Ele mesmo lhes trouxe uma criança, colocou-a nos seus braços e com elas nos braços lhes disse: “qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou”. Mas, apesar disto, eles estavam profundamente indiferentes quanto ao dever de serem facilitadores do contato das crianças com Jesus. Aqui está um grande paradoxo: os pais e discípulos, pessoas  separadas por Deus para conectarem as crianças com Jesus,  são muitas vezes os que “criam embaraços” = impecilhos, obstáculos, barreiras, dificuldades para que elas experimentem da graça de Jesus.
Quando é que somos embaraços para que as crianças cheguem a Jesus?
Quando achamos que Jesus não tem interesse por elas – no começo do capítulo (10:1) Jesus estava atendendo multidões, mas Ele, apesar das grandes demandas ministeriais, arrumou tempo para atender as crianças. Criança tem lugar permanente no coração gracioso de Jesus!
Quando não lhes comunicamos que Jesus salva – crianças não irão a Jesus se não ouvirem falar de Jesus, se não forem responsavelmente e permanentemente evangelizadas. Pv 22:6 diz – “ensina a criança no caminho em  que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará deles” – o caminho que as crianças devem andar é Jesus (Jo 14:6) e elas não andarão nele automaticamente, precisam ser ensinadas. Quando não conduzimos as crianças até às oportunidades comunitárias de encontro com Jesus – a igreja oferece oportunidades para as crianças nos cultos, pequenos grupos e ocasiões especiais, mas elas jamais irão sozinhas, precisam do compromisso dos pais e/ou responsáveis de conduzi-las responsavelmente aos encontros comunitários nos quais o Senhor ordenar a benção para as crianças (Sl 133:10). Quando não criamos no lar uma atmosfera facilitadora do aprendizado cristão – a responsabilidade número um dos pais, em relação às suas crianças, deve ser proporcionar-lhes em casa uma atmosfera de graça, na qual  espontâneamente haja espaço para compartilhamento da Palavra, oração, louvor e diálogo sobre a graça de Jesus. As crianças precisam experimentar a presença de Jesus nos relacionamentos familiares. Esta experimentação não se dará aos pés da TV, a babá eletrônica que derrama toda espécie de lixo no coração das crianças, sob a conivência irresponsável dos pais que preferem a comodidade de manter a criança ocupada, do que vê-la a caminho do abraço de Jesus!
Quando nos tornamos, pelo nosso comportamento, em pedra de tropeço – crianças sempre estão antenadas, conectadas, permanentemente ligadas no que os adultos fazem. Por nosso comportamento podemos levá-las para a graça do céu ou para a desgraça do inferno. Nossas atitudes podem adoecer ou curar o coração das crianças. Jesus tratou esta questão de forma tão séria que pouco antes deste fato que estudamos Ele disse aos discípulos: “quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho e fosse lançado ao mar” (Mc 9:42).
III – ENCAMINHAR OS PEQUENINOS PARA A GRAÇA SIGNIFICA UMA GENUÍNA EXPERIÊNCIA COM O REINO DE DEUS (v. 14 “... Porque dos tais é o Reino de Deus”)
Quando Jesus diz que “dos pequeninos é o Reino de Deus”, antes de qualquer coisa, está afirmando que crianças podem e devem entrar no Reino. E seja para elas seja para qualquer pessoa, só há uma porta de entrada para o Reino de Deus: a graça de Jesus (Ef 2:8-9; Jo 3:3). Não é incomum vermos crianças deixadas de lado quando na igreja é feito um apelo para a salvação. O pressuposto para esta postura é: “crianças são muito novas, não podem entender estas realidades espirituais”. Estamos vendo em nosso país crianças escolhendo o roubo, a violência, o crack, o sexo precoce, a mentira e tantos outros males, porque duvidamos da capacidade delas escolherem a graça de Jesus que é o maior bem que podem experimentar na vida delas enquanto crianças, na adolescência, juventude, idade adulta e até a morte?
Quando Jesus diz que  “dos pequeninos é o Reino de Deus” também está afirmando que as crianças podem e devem usufruir de todas as bênçãos e das responsabilidades do Reino. O padrão que Jesus tem para as crianças é o padrão que Ele teve para Ele mesmo enquanto criança nascida em Belém e criada em Nazaré por Maria e José. Lucas diz sobre este padrão: “crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2:52). Jesus, enquanto homem passou por um processo contínuo de crescimento físico, mental, emocional, relacional e espiritual. Não houve para Ele, enquanto homem, um desenvolvimento automático, pelo contrário, tudo se deu dentro de um processo harmônico, equilibrado, no qual Jesus teve em sua humanidade que vencer os desafios de cada etapa da sua idade. Crianças que já entraram no Reino pela crença em Jesus precisam ser ajudadas, dentro das relaidades de sua idade, a crescerem dentro do Reino vivendo os valores da adoração, comunhão, evangelização, discipulado e serviço. As crianças não são a igreja de amanhã, são a igreja de hoje!
CONCLUSÃO
1. As crianças são exemplo para nós no que tange à entrada no Reino de Deus (v. 15 “Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele”) – Jesus, depois de apertar Seus discípulos no sentido de ser exemplo para as crianças, fez a via contrária afirmando que elas são exemplo para nós no que tange a “entrada no Reino”. O que significa entrar no Reino como criança? Significa, dentre outras coisas, entrar no Reino com confiança. Crianças são inteligentes, mas não fazem da compreensão intelectual completa um pré-requisito para  desenvolvimento de um relacionamento. Tudo que as crianças querem para se interessarem por uma pessoa,  é um olhar receptivo e um toque amoroso. Se perceberem isto elas devotarão à pessoa confiança. Para entrar no Reino não precisamos compreender  racionalmente todos os mistérios do universo, precisamos apenas da confiança de que Deus nos ama e providencia na graça de Cristo o perdão para que possamos ser acolhidos como Seus filhos, recebendo no futuro Sua herança nos céus e desfrutando no presente de uma vida abundante aqui na terra. Resumindo, como as crianças, precisamos ter com Deus uma relação descomplicada, na base da confiabilidade e não da racionalidade!
2. As crianças precisam hoje da bênção de Jesus por meio do nosso abraço e das nossas mãos (v. 16 “então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava”). Quem é hoje, para a criança, o colo de Jesus, o abraço de Jesus, o chamego de Jesus, o beijo de Jesus, a palavra amiga de Jesus, o toque abençoador de Jesus? Somos nós que, enquanto adultos, tendo passado pelos desafios da infância e pelos desafios desta caminhada na graça, somos chamados por Jesus, aqui e agora, a deixar ir a Ele os pequeninos, sem embaraços, porque deles é o Reino de Deus...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante

sábado, 12 de julho de 2014

SENHOR ME LIVRA DAS AVES DE RAPINA...


                                         SENHOR ME LIVRA DAS AVES DE RAPINA...
Deus prometeu um filho a Abraão. Prometeu-lhe também que iria possuir a terra (Gn. 15.1-7). Depois disso, o Senhor pediu a Abraão (ainda com o nome de Abrão) que lhe oferecesse um sacrifício: “Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. Ele, pois, lhe trouxe todos estes animais, partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiram. E as aves de rapina desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava.” (Gn. 15.8-11.)
Pertinente observar a atitude de fé de Abraão. Ele não teve dúvida do que Deus havia lhe pedido. Ele não deixou que as aves de rapina* comessem o seu sacrifício. Abraão logo as espantou. Como? Com a atitude de obediência. Ele, silenciosamente, partiu em direção ao que Deus lhe ordenara. A fé de Abraão se materializou quando ele tomou a atitude de obedecer a Deus, enxotando as aves de rapina (Gn. 15.11). Assim, elas não estragaram o que Deus havia lhe pedido para fazer.
Este trecho da Palavra de Deus mostra a coragem de Abraão para dar um passo de fé. Deus ordenou a Abraão que lhe preparasse um sacrifício, Abraão assim o fez. Da mesma forma, Deus chamou você para ser um homem e uma mulher de fé. Entretanto, as suas atitudes, muitas vezes, demonstram covardia. Você fala que não é, mas age como tal. A dúvida alimenta a covardia e a obediência a espanta.
Espiritualmente falando, podemos dizer que as aves de rapina são as dúvidas, os maus pensamentos, tudo que interrompe o mover de Deus na sua vida. Você sabe que Deus lhe mandou fazer algo, mas deixa que as aves de rapina lhe roube a convicção que está em seu coração.
O Senhor lhe chama para ser mais do que vencedor. Abraão foi mais do que vencedor!
No momento das lutas, as aves de rapina vêm comer a ‘carne’ – o sacrifício. Qual deve ser a sua atitude? Espantá-las e obedecer ao comando de Deus.
Muitas pessoas têm medo de dar um passo de fé porque deixa a dúvida se alastrar. Parece estranho dizer isto, mas a dúvida faz você acreditar que o impossível jamais irá acontecer. Ao contrário da fé, que faz você acreditar no que não vê.
Sobre a dúvida, o escritor teológico Henry Drummond disse algo interessante: “Nunca ponha um ponto de interrogação onde Deus já pôs um ponto final”. O seu ponto de interrogação (a dúvida) age como uma borracha nas promessas de Deus. Crer de todo o coração é requisito fundamental para que a Palavra de Deus se cumpra em sua vida.
A respeito do poder da fé, o Evangelho de Marcos 11.23 diz: [...] “Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.” A fé faz mover os montes, a dúvida, no entanto, não move sequer um grão de mostarda.
Você já prestou atenção nas ‘aves de rapina’ que ficam ao seu redor? Aquelas pessoas que só pensam negativo dizendo que nada vai dar certo na sua vida? Ou você as muda, ou elas mudam você. Não deixe a semente da dúvida brotar em seu coração e roubar a sua bênção. Espante as aves de rapina do seu pensamento.
Abraão sabia que as aves queriam acabar com o seu sacrifício. Porém, ele conhecia o caráter do Deus que servia. Quando você conhece o caráter de Deus, a dúvida deixa de existir, pois você sabe em quem confiar!
Chegará um momento em que Deus lhe pedirá um sacrifício. Siga a orientação de Deus. Faça o que ele lhe mandar. E quando as aves de rapina vierem comer o seu sacrifício, espante-as, porque elas são as dúvidas que roubam o que Deus tem para você logo após o sacrifício.
* Aves com visão superdotada, bicos em forma de gancho, dotadas de poderosas garras e unhas afiadas que arrancam a carne da sua presa com agressividade...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante

sexta-feira, 11 de julho de 2014

MORTE E JULGAMENTO...


                                                         MORTE E JULGAMENTO...
Nascemos, vivemos e morremos. E depois? Esta pergunta tem desafiado a humanidade através da História do Mundo. Nosso entendimento do que acontece após a morte influenciará muito a maneira pela qual vivemos. Para aqueles que procuram agradar a Deus, é importante saber o que ele revelou sobre este assunto. Só por um estudo da Bíblia podemos evitar os perigosos erros da sabedoria humana.
O que é a morte? O que acontecerá depois que morrermos? A Bíblia responde a essas perguntas.
O que é a morte?
A morte é uma separação. Podemos entender este fato claramente, considerando como a Bíblia descreve a morte espiritual. Comecemos no livro de Gênesis, onde encontramos pela primeira vez o conceito de morte.
Quando Deus disse a Adão que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele revelou que a consequência da desobediência seria a morte no mesmo dia do pecado (Gênesis 2:17). Com certeza, Deus cumpriu sua promessa sobre a consequência do pecado, porque ele sempre fala a verdade e nunca quebra uma promessa. Por causa do pecado do casal original, Deus expulsou-os do Jardim do Éden (Gênesis 3:23-24). Mesmo tendo Adão vivido, em seu corpo físico, por 930 anos, ele e sua esposa morreram no dia de seu pecado, no sentido de que eles foram separados de Deus. A morte espiritual é a separação de Deus.
O caso de Adão e Eva nos ajuda a entender que é possível estar fisicamente vivo, enquanto morto espiritualmente (veja Efésios 2:1-6, por exemplo). A razão para esta morte espiritual esta separação de Deus é sempre a mesma. Separamo-nos de Deus pelo nosso próprio pecado (Isaías 59:1-2).
A morte física também é uma separação. Quando o corpo está separado do espírito, ele está morto (Tiago 2:26). Eclesiastes 12:7 nos diz que isto é o que acontece no fim da vida física: “O pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.
O que acontecerá após a minha morte?
É claro que o espírito voltará a Deus, mas o que ele fará com meu espírito? Mesmo que a Bíblia possa não satisfazer toda a nossa curiosidade sobre o que acontece depois da morte, ela é clara ao apresentar diversos fatos vitais:
Deus confortará o fiel e mandará o ímpio para um lugar de tormento (Lucas 16:25).
Deus julgará cada pessoa (Hebreus 9:27). Este julgamento será de acordo com a palavra que Deus revelou através de seu Filho (João 12:48). Ele julgará as coisas que fizemos em corpo (2 Coríntios 5:10). Passagens como Mateus 25:31-46 e 2 Tessalonicenses 1:7-12 mostram claramente que haverá uma eterna separação (morte espiritual) entre os justos (obedientes) e os injustos (desobedientes).
Podemos concluir, então, que a morte eterna não é o fim da existência, mas uma eterna separação de Deus. É óbvio no caso do homem rico, porém desobediente, em Lucas 16 que uma pessoa ainda estará consciente, mas que o injusto nunca poderá atravessar a separação para estar na presença de Deus.
Aplicações: Respondendo às doutrinas humanas
Infelizmente, há muitas doutrinas conflitantes sobre a morte e a eternidade. Consideremos, brevemente, quatro exemplos de doutrinas humanas que contradizem o ensinamento da Bíblia.
Doutrina humana: A morte é o fim da existência
As pessoas que não acreditam na existência de Deus, obviamente, negam a ideia de vida após a morte. Outros, mesmo entre aqueles que se proclamam seguidores de Jesus, ensinam que os injustos deixarão de existir, quando morrerem. Em contraste, Jesus claramente ensinou que a existência não cessa com a morte (Mateus 22:31-32; Lucas 16:19-31). O problema fundamental nesta doutrina humana que diz que a existência cessa com a morte, é o erro de não entender que a morte é uma separação, e não o fim da existência da pessoa (veja Tiago 2:26). Algumas igrejas, seguindo doutrinas de homens, negam a existência do inferno, mas a Bíblia mostra que todos serão julgados e separados, os justos para a vida eterna e os ímpios para o castigo eternamente, separados de Deus para sempre (João 5:28-29; Mateus 25:41,46).
Doutrina humana: A reencarnação
Muitas pessoas estão fascinadas pela ideia da reencarnação, incluindo-se aquelas que seguem religiões orientais, como o hinduísmo, e outras que aceitaram a filosofia da “Nova Era” ou os ensinamentos do Espiritismo. A doutrina da reencarnação é que nossa alma voltará possivelmente centenas de vezes, para viver novamente e para ser aperfeiçoada em consecutivas vidas. A Bíblia não diz nada para provar esta ideia. Em contraste, a Bíblia ensina que morreremos só uma vez. Hebreus 9:27-28 diz: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.” Pense no significado desta afirmação. Se uma pessoa precisa morrer muitas vezes, qual é o valor do sacrifício de Jesus? Teria ele também que morrer muitas vezes? Esta passagem mostra que ele morreu uma vez para pagar o preço de nossos pecados. 2 Coríntios 5:10 afirma que cada pessoa será julgada “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”. Neste versículo, Paulo não fala de corpos, mas de um corpo só. O meu espírito não voltará para ser aperfeiçoado em outros corpos. Quando morremos, o nosso espírito volta para Deus. Note, também, que a ideia de que nossas almas são aperfeiçoadas através da reencarnação é absolutamente oposta à doutrina Bíblica de que somos salvos pela graça de Deus (Efésios 2:8-9).
Doutrina humana: O purgatório
A doutrina do purgatório foi propagada pelo catolicismo, e sugere que há uma oportunidade depois da morte para sofrer por causa de certos pecados antes de entrar no céu. Esta doutrina diminui o valor do sacrifício de Cristo, que deu a seus servos o dom gratuito da salvação. Não podemos merecer nossa passagem para o céu, nem antes nem depois da morte. Quando a Bíblia fala da situação dos mortos, ela diz que é impossível ao ímpio escapar dos tormentos para entrar no conforto dos fiéis (Lucas 16:25-26). A doutrina do purgatório, simplesmente, não é encontrada na Bíblia.
Doutrina humana: Comunicação com os mortos
A prática do espiritismo e de algumas outras religiões, ao tentar comunicar-se com os mortos, é absolutamente oposta ao ensinamento da Bíblia. Quando o homem rico de Lucas 16 pediu que um mensageiro dos mortos fosse enviado para ensinar sua família, Abraão disse que isso não seria permitido, e que nem era necessário (Lucas 16:27-31). No Velho Testamento, Deus condenou, como abominações, esses esforços para consultar os mortos (Deuteronômio 18:9-12). A consulta aos mortos é ligada à idolatria e à feitiçaria, coisas que são sempre condenadas, tanto no Velho como no Novo Testamento. É, absolutamente e sempre, errado tentar consultar os mortos.
Conclusão: O que faremos?
O entendimento correto do ensinamento Bíblico sobre a morte tem aplicação prática em nossas vidas. Eis duas sugestões específicas sobre as aplicações que devemos fazer:
(1) Devemos resistir às doutrinas e práticas que não são baseadas na Bíblia, incluindo:
- A ideia de que a existência termina com a morte
- As tentativas de comunicar com os mortos
- A doutrina do purgatório
- A doutrina da reencarnação
(2) Devemos viver de acordo com os ensinamentos da Bíblia, de modo que estejamos prontos, quando encontrarmos Jesus (Mateus 24:42-44; 2 Pedro 3:10-13)...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante

quinta-feira, 10 de julho de 2014

ESTOU VOLTANDO PARA A MINHA CASA, PARA OS BRAÇOS DE MEU DEUS...


                  ESTOU VOLTANDO PARA A MINHA CASA, PARA OS BRAÇOS DE MEU DEUS...
2 Coríntios 5:19
A Bíblia fala, frequentemente, sobre o desejo de Deus que seu povo volte para ele. Deus criou o homem para gozar a comunhão especial com o Criador, e tem feito tudo para nos dar este grande privilégio. Deus quer uma relação especial e eterna com você, e comigo.
Jesus veio à terra com o propósito de buscar e salvar os perdidos (Lucas 19:10). Ele dedicou a vida, e até se sacrificou, para possibilitar a reconciliação de pecadores com Deus (2 Coríntios 5:18-21).
A volta de um pecador é importante para Deus, e deve ser importante para todos os servos do Senhor. Cada pessoa – cada pecador – precisa saber que a reconciliação é possível. Mesmo se tiver feito coisas terríveis, você pode voltar para casa – para a casa de Deus.
Todos nós desviamos
Deus nos criou à sua imagem e semelhança, capazes de amar e de obedecer (Gênesis 1:26-27). O amor é voluntário, não forçado. Deus não criou uma raça de robôs que seriam incapazes de fazer o mal. Ele criou homens e mulheres com a capacidade de escolher, sabendo que poderiam amar ou odiar, agradar ou desprezar, obedecer ou se rebelar.
Decidimos pecar: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23). Quando cedemos à nossa própria vontade ao invés de obedecer a vontade de Deus, pecamos. João disse: “...o pecado é a transgressão da lei” (1 João 3:4). Quando desobedecemos a palavra de Deus, pecamos. Esta desobediência pode ser, também, por omissão de coisas que Deus pede (Tiago 4:17).
Paulo descreveu a vida egoísta e errada que vivemos anteriormente: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Efésios 2:1-3). Com este entendimento do problema do pecado, a questão de voltar para Deus é de grande importância a todos nós.
Apesar do nosso pecado, Deus ainda quer uma relação especial de comunhão conosco. A mensagem das Escrituras – de Gênesis ao Apocalipse – é uma história do desejo de Deus de restabelecer este relacionamento com os homens. Isaías escreveu no VIII século a.C., chamando o povo de Judá ao arrependimento: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Isaías 55:6-7). O apóstolo Pedro explicou que Deus ainda não trouxe o Juízo final porque “ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9).A vinda de Jesus ao mundo é a maior prova deste desejo de Deus de estar perto dos homens que ele criou. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Jesus mostrou o mesmo sentimento de compaixão quando, no final de sua vida na terra, olhou para os judeus rebeldes e disse: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mateus 23:37).
Todos nós desviamos. Deus nos quer de volta. Nós precisamos da misericórdia dele. Como podemos voltar para o nosso Criador?
Como voltar?
O exemplo de Davi e suas palavras de arrependimento no Salmo 51 mostram as atitudes necessárias para voltar ao Senhor. Davi, um homem que amava a Deus, caiu no pecado. Cometeu adultério com uma vizinha e causou a morte do marido dela para poder ficar com ela. Foram pecados gravíssimos, e Davi chegou a ver o estrago na sua vida por causa da sua desobediência ao Senhor. Neste salmo, ele expressa o seu desejo ardente de restaurar a comunhão com Deus. Vamos observar alguns pontos importantes nas suas palavras. Para voltar para Deus, é necessário:
1. Querer estar bem com o Senhor. A coisa mais assustadora no pensamento de Davi foi a real possibilidade de ficar longe de Deus – até afastado do Senhor para sempre. Ele disse para Deus: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário” (11-12).
2. Reconhecer o nosso problema do pecado. Numa sociedade em que a maldade é explicada e justificada de diversas maneiras sociológicas e psicológicas, é fácil esquecer que o pecado é a transgressão da vontade de Deus (1 João 3:4) que cria uma barreira entre Deus e os pecadores (Isaías 59:1-2). A pessoa que quer voltar para Deus precisa identificar o problema de pecado na sua vida. Davi escreveu: “Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.” (3).
3. Assumir responsabilidade pelo nosso pecado. Não é suficiente reconhecer que o pecado nos afasta de Deus. É necessário assumir responsabilidade pessoal pelos pecados que temos cometido. Diferente de crianças que apontam os dedos para jogar a culpa nos outros, precisamos agir como adultos e assumir a responsabilidade pelas nossas próprias transgressões. Embora o pecado de Davi tenha atingido várias outras pessoas (Bate-Seba, Urias, Joabe, a família dele, etc.), Davi entendeu que o principal problema foi a ofensa contra Deus: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar” (4). O meu pecado não é culpa da família, da igreja, da sociedade, etc. É culpa minha!
4. Entender que precisamos de ajuda para resolver o nosso problema. Um certo espírito de independência é bom e necessário em muitos aspectos da vida, mas a pessoa que se acha capaz de vencer o pecado sozinha está perigosamente enganada. Dependemos da graça de Deus manifesta no sacrifício de Jesus para alcançar a salvação. Davi, um dos fiéis que confiava na promessa de um Salvador, disse: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado....Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades.” (1-2,7-9). Deus nos ajuda de muitas maneiras – pelo sangue de Jesus, pela intercessão do Espírito Santo, pelo encorajamento de cristãos fiéis, pela instrução da palavra, etc. Precisamos da ajuda dele para voltar ao Senhor.
5. Confrontar e mudar o nosso coração. Talvez o maior obstáculo no caminho à reconciliação seja o próprio coração. Depois de anos de egoísmo e da busca carnal de prazer, é difícil desejar as coisas boas e puras que Deus deseja. Davi percebeu esta necessidade: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (10). A decisão de voltar e o desejo de estar em comunhão com Deus nos motivam a purificar os nossos pensamentos para deixar o Senhor dominar as nossas vidas. Jeremias desafiou o povo rebelde de Jerusalém com estas palavras: “Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva! Até quando hospedarás contigo os teus maus pensamentos?” (Jeremias 4:14). Paulo salientou a importância de um coração espiritual para nos aproximar de Deus: “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça. Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita. Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai” (Romanos 8:5-15).
Decidir e Agir
O grande desafio para nos reconciliar com Deus é o próprio coração. Mas o desejo de estar com Deus nada resolve se não for acompanhado por ação. João Batista disse aos judeus do primeiro século: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). Tiago diz: “Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2:26).
Na continuação deste estudo, consideraremos mais especificamente o que Deus quer de nós – como devemos agir para voltar para o Senhor. Mas primeiro, devemos examinar e preparar os nossos corações...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante

SOBREVIVENDO EM MEIO AO DESESPERO, ANGÚSTIA E MELANCOLIA...


      SOBREVIVENDO EM MEIO AO DESESPERO, ANGÚSTIA E MELANCOLIA...
A mão justa e misericordiosa mão de Deus em favor dos seus filhos
O livro de Lamentações é frequentemente lembrado e pregado em relação à sua passagem memorável do capítulo 3:21-26. Porém, a angústia, o desespero e o caos que circundam a vida do profeta Jeremias na ocasião do exílio também podem nos ensinar diversas lições importantes. Todos os capítulos do livro escrito pelo profeta Jeremias trazem um contexto drástico que ilustra a situação pela qual passava o povo naquele tempo. Então, podemos aprender com os sentimentos, os pensamentos e as palavras do profeta, que estão registrados em cada um dos capítulos do livro de Lamentações.
Para iniciar, vamos definir os termos. Lamentar, no dicionário significa exprimir doridamente, manifestar dor ou pesar por causa de, prantear. Afligir-se ou magoar-se em razão de. Lastimar-se.
Nabucodosonor, rei do império Babilônico captura Judá em 586 a.C. Jeremias, profeta que por tantas vezes havia advertido o povo quanto ao exílio olha para o que sobrou de Judá, da cidade, do povo e escreve seu lamento a Deus. Uma lição de arrependimento, abnegação e esperança em Deus em meio ao desespero.
Já no capítulo primeiro o profeta retrata o estado de profundo comprometimento dos seus sentimentos e pensamentos diante do exílio e de todas as conseqüências desse fato na vida do povo, da nação de Israel.
Jerusalém e o povo de Judá são mostrados como repleto de: gente, prestígio, esplendor, honra, liderança, alegria, segurança, celebração, riqueza, doçura, fartura, santidade, palavra e favor de Deus. Tudo isso é o que Judá detinha antes de pecar contra Deus. Mas, o pecado desavergonhado contra Deus e a rebeldia contra a aliança culminaram no exílio. Destacam-se a idolatria a falta de misericórdia e justiça social e a conduta degenerada. Na cidade, desolada, saqueada, queimada, ficaram apenas os mais pobres e ignorantes.
1:20 Olha, Senhor, porque estou angustiada; turbadas estão as minhas entranhas; o meu coração está transtornado dentro de mim; porque gravemente me rebelei. Lá fora a espada a todos consome; dentro, impera a morte.
Por séculos de pecado e desobediência, Deus com um propósito santo, justo e misericordioso, levou o povo ao exílio.
1:3 Judá foi para o cativeiro para sofrer aflição e dura servidão; ela habita entre as nações, não acha descanso; todos os os que a perseguiram a capturaram em meio ao seu desespero.
Jeremias, profeta do Senhor reconhece através de si, o pecado do povo:
1:18 Justo é o Senhor, pois me rebelei contra os seus mandamentos; ouvi, rogo-vos, todos os povos, e vede a minha dor; para o cativeiro foram-se as minhas virgens e os meus mancebos.
Capítulo 2: Mas Deus, justo e amoroso:
2:3 No furor da sua ira cortou toda a força de Israel; retirou para trás a sua mão direita de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que tudo consome em redor.
2:4 Armou o seu arco como inimigo, firmou a sua mão direita como adversário, e matou todo o que era formoso aos olhos; derramou a sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião.
2:8 Resolveu o Senhor destruir o muro da filha de Sião; estendeu a trena e não poupou a sua mão de fazer estragos; fez com que os muros e as paredes se lamentassem; juntos eles se desmoronaram.
Então Jeremias, analisando a história de Judá e tudo o que havia sido advertido antes da queda, diz:
2:13 Que testemunho te darei, a que te compararei, ó filha de Jerusalém? A quem te assemelharei, para te consolar, ó virgem filha de Sião? pois grande como o mar é a tua ferida; quem te poderá curar?
Abatido e abalado, Jeremias pergunta:
2:20 Olha, Senhor, e considera: a quem trataste dessa maneira?
O que pode ser feito em meio ao desespero? O que se pode fazer contra a dor e a profunda tristeza? O profeta mesmo responde:
2:18 Clama ao Senhor, ó filha de Sião; corram as tuas lágrimas, como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês repouso, nem descansem os teus olhos.
2:19 Levanta-te, clama, grite no meio da noite quando começam as vigílias noturnas; derrama o teu coração como águas diante do Senhor! Levanta a ele as tuas mãos, em favor da vida de teus filhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas.
Capítulo 3: A única coisa que Jeremias conseguia ver era a própria dor e a dor de seu povo. A dor centraliza as nossas atenções para que contemplemos nosso sofrimento e fiquemos presos à ele:
3:2 Ele me guiou e me fez andar em trevas e não na luz.
3:11 Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me abandonado.
3:17 Tirou-me a paz; esqueci-me do que seja a felicidade.
3:18 Digo, pois: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor.
3:54 As águas me encobriram a cabeça e cheguei a pensar que o fim de tudo tinha chegado
Lamentações 3:29 - Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.
Mas o profeta não se prendeu a toda a desgraça que estava diante de seus olhos. Antes, Jeremias contemplou a Deus em meio a todo o caos e desespero que o seu redor lhe mostrava:
3:20 Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim.
Vemos aqui angústia pela lembrança de tudo o que ele viveu e vivia naquele momento, mas vemos a seguir a atitude de Jeremias diante disso tudo:
3:21 Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança.
3:22 Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis
3:23 renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.
3:24 Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto nele porei a minha esperança.
3:25 Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca.
3:26 Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.
Jeremias, refletindo sobre os atos de Deus na vida do Seu povo escolhido, escreve:
3:38 Não sai da boca do Altíssimo tanto benção quanto desgraça?
3:39 Por que se queixaria o homem vivente, o varão por causa do castigo dos seus pecados?
3:40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e depois voltemos para o Senhor.
3:32 Embora ele traga tristeza, mostrará compaixão, tão grande é o seu amor infalível.
3:33 Porque não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens.
Assim, existe um propósito divino para tudo o que acontece debaixo do céu. Desgraça, calamidade, tristeza, desespero. Tudo coopera para os planos de Deus.
3:55 Invoquei o teu nome, Senhor, desde a profundeza da masmorra.
3:56 Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor.
3:57 Tu te aproximaste no dia em que te invoquei e disseste: Não temas.
Capítulo 4: A promessa de Deus de que o exílio tinha um propósito e era passageiro. O Seu povo não seria cativo para sempre. Antes, as promessas de Deus ao Seu povo nunca deixaram nem deixarão de se cumprir integralmente.
4:22 Já se cumpriu o castigo da tua iniqüidade, ó filha de Sião; ele nunca mais te levará para o cativeiro; mas você, ó terra de Edom, ele punirá o seu pecado e porá à mostra a sua perversidade
Capítulo 5: Oração de Jeremias, demonstrando o arrependimento do povo e clamando pela misericórdia de Deus mesmo em meio à tristeza e a amargura.
5:15 Cessou o gozo de nosso coração; converteu-se em lamentação a nossa dança.
5:16 Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós. porque temos pecado.
5:17 E por esse motivo o nosso coração desfalece, e os nossos olhos perdem o brilho.
5:19 Tu, Senhor, reinas eternamente; e o teu trono subsiste de geração em geração.
5:20 Por que te esquecerias de nós para sempre, por que nos desampararias por tanto tempo?
5:21 Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes;
5:22 a não ser que já nos tenhas rejeitado completamente e a tua ira contra nós não tenha limite.
O livro de Lamentações de Jeremias nos mostra que o sofrimento também tem um propósito na vida do filho de Deus. Ás vezes em virtude de castigo, como o foi na vida do povo de Judá, ou simplesmente como parte da vida caída do homem na Terra. Mas tudo o que acontece tem uma razão final. Tudo o que acontece na vida dos santos está destinado à purifica-lo, à edifica-lo, a promover-lhe crescimento.
Qual é o seu ponto de desespero? O que tira a sua paz? O que lhe faz murmurar à Deus? Saiba que quando você não vir nada além de cinzas, miséria, e desolação, Deus está no meio de tudo isso. Quando seu coração fraquejar, sua paz se desvanecer, suas alternativas se esgotarem e tudo lhe parecer escuro e solitário, ou mesmo quando o próprio Deus não lhe responder, saiba que ele continua ao seu redor, lhe preservando e conduzindo as situações para um fim melhor e mais elevado.
Jeremias tinha consciência de que de nada podia queixar-se. Como homem pecador, tudo o que merecia era o castigo de Deus, assim como nós. Porém, também humano como nós, olhou para sua tristeza e focou-se nela. Mas, como homem de Deus, não paralisou sua vida nesse ponto, mas voltou seus olhos para Deus e, mesmo sem entender e ainda a lamentar-se da situação, continuou com sua fé inabalável de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8:28)...
Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante


quarta-feira, 9 de julho de 2014

ESTUDO SOBRE OS JUIZES E REIS DE ISRAEL...


                                       ESTUDO SOBRE OS JUIZES E REIS DE ISRAEL...
Juízes e Reis de Israel/Judá
1- JUÍZES
Após a morte de Josué  e dos anciãos, veio uma situação anárquica, em que não havia obediência aos mandamentos divinos (Jz 2.12-15). E em consequência disso certas pessoas foram escolhidas por intervenção divina, para governarem a nação como juízes ou libertadores. Não tinham poder de fazer novas leias, mas somente o de julgarem em conformidade com a lei de Moisés. Havia neles, também o poder executivo, embora a sua jurisdição se estendesse somente algumas vezes a certa parte do país. Não tinha estipêndio estabelecido, mas o povo estava acostumado a levar-lhes  presentes, ou oferendas. Esta forma de governo durou desde a morte de Josué até à escolha de Saul para ser rei, compreendendo um espaço de 460 anos.
Samuel foi o mais notável dos juízes, parecendo que na última parte de sua vida ele se limitava a exercer principalmente a missão de profeta. Sendo Saul rei, finalizou a forma teocrática de governo (1Sm 8.7). A pessoa do juiz era considerada santa e sagrada, de modo que consultá-lo era o mesmo que “consultar a Deus” (Ex 18.15). Era ele divinamente dirigido, não temendo então a face de ninguém.
Além dos juízes supremos, havia anciãos da cidade, que constituíam um tribunal de justiça, com o poder de resolver pequenas causas da localidade (Dt 16.18).
Os principais juízes foram quinze:
1- Otniel (Jz 3.9) – De Judá, livrou a Israel do rei da mesopotâmia;
2- Eúde (Jz 3.15) – Expulsou os amonitas e os moabitas;
3- Sangar (Jz 3.31) – Matou 600 filisteus e salvou a Israel;
4- Débora (Jz 4.5) – Associada a Baraque, guiando a Naftali e Zebulom à vitória contra os cananeus;
5- Gideão (Jz 6.36) – Expulsou os midianitas do território de Israel;
6- Abimeleque (Jz 9.1) – Pseudo libertador sem autoridade divina;
7- Tola (Jz 10.1) – Subjugou os amonitas;
8- Jair (Jz 10.3) – Subjugou os amonitas;
9- Jefté (Jz 11.11) – Subjugou os amonitas;
10- Ibsã (Jz 12.8) – Perseguiu os filisteus;
11- Elom (Jz 12.11) – Perseguiu os filisteus;
12- Abdom (Jz 12.13) – Perseguiu os filisteus;
13- Sansão (jz 16.30) – Perseguiu os filisteus;
14- Eli (1Sm 4.18) – Julgou a Israel como sumo sacerdote;
15- Samuel (1Sm 7.15) – Agiu principalmente como profeta.
2- REIS
Na história dos hebreus sucedeu o governo teocrático (Juizes). A monarquia, foi uma concessão de Deus (1Sm 8.7;12.12), correspondendo a um desejo da parte do povo. Esse desejo, que já havia sido manifestado numa proposta a Gideão (Jz 8.22,23), e na escolha de Abimeleque para rei de Siquém (Jz 9.6), equivale à rejeição  da teocracia (1Sm 8.7), visto como o Senhor era o verdadeiro rei da nação (1Sm 8.7; Is 33.22). A própria terra era conservada, como sendo propriedade divina (Lv 25.23). A monarquia constituída era hereditária, embora a sucessão não fosse necessariamente pela linha dos primogênitos. Quando a coroa era colocada na cabeça do rei, ele formava então um pacto com os seus súditos no sentido de governá-los com justiça (2Sm 5.3; 1Cr 11.3), comprometendo-se os nobres a prestar obediência; e confirmavam a sua palavra com um beijo de homenagem (1Sm 10.1). Os rendimentos reais provinham dos campos de trigo, das vinhas, e dos olivais, e do produto dos rebanhos. Aos reis pertencia a décima parte da produção; recebiam também, os tributos que pagavam os negociantes que atravessavam o território hebraico; os presentes dados pelos súditos; e os despojos da guerra e as contribuições  das nações conquistadas. Além disso, tinha o rei o poder de exigir o trabalho forçado, o que era para ele causa de aumentarem seus bens.

Os reis antes da divisão:

1-  Saul (por volta de 1.060 aC) 1Sm 10.1
2-  Davi (+/- 1.020 aC) 2Sm 2.1
3-  Salomão (980 aC)  1Rs 1.39
 Reis de Israel:
1- Jeroboão I (937 aC)  1Rs 11.28
2- Nadabe (915 aC)  1Rs 14.20
3- Baasa ( 914 aC) 1Rs 15.16
4- Elá (891 aC) 1Rs 16.8
5- Zinri (890 aC) 1Rs 16.15
6- Onri (890 aC) 1Rs 16.16
7- Acabe (876 aC) 1Rs 16.29
8- Acazias (856 aC) 1Rs 22.40
9- Jeorão ou Jorão (854 aC) 2Rs 1.17
10-  Jeú (842 aC)  1Rs 19.16
11-  Joacaz (814 aC) 2Rs 10.35
12-  Jeoás (797 aC) 2Rs 13.10
13-  Jeroboão II (781 aC) 2Rs 14.23
14-  Zacarias (741 aC) 2Rs 14.29
15-  Salum (741 aC) 2Rs 15.10
16-  Manaém (740 aC) 2Rs 15.14
17-  Pecalias (737 aC) 2Rs 15.23
18-  Peca (736 aC) 2Rs 15.25
19-  Oséias (730 aC) 2Rs 15.30
Reis de Judá:
1- Reoboão (937 aC) 1Rs 11.43
2- Abias (920 aC) 1Rs 14.31
3- Asa (917 aC) 1Rs 15.8
4- Josafá (878 aC) 1Rs 15.24
5- Jeorão (851 aC) 2Cr 21.1
6- Acazias (843 aC) 2Rs 8.25
7- Atalias (rainha) (842 aC) 2Rs 8.26
8- Joás (836 aC) 2Rs 11.2
9- Amazias (796 aC) 2Rs 14.1
10-  Uzias ou Azarias (777 aC) 2Rs 14.21
11-  Jotão (750 aC) 2Rs 15.5
12-  Acaz (734 aC) 2Rs 15.38
13-  Ezequias (727 aC) 2Rs 16.20
14-  Manasses (697 aC) 2Rs 21.1
15-  Amon (642 aC) 2Rs 21.19
16-  Josias (640 aC) 1Rs 13.2
17-  Joacaz ou Salum (608 aC) 2Rs 23.30
18-  Joaquim (608 aC) 2Rs 23.34
19-  Jeoaquim ou Jeconias (598 aC) 2Rs 24.6
20-  Zedequias ou Matanias ( 598 aC) 2 Rs 24.17...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante.

terça-feira, 8 de julho de 2014

O SOFRIMENTO NOSSO DE CADA DIA...


                  
                             O PORQUÊ DO SOFRIMENTO NA VIDA DO CRENTE...
O SOFRIMENTO NOSSO DE CADA DIA
1 Pedro 4
Com certeza você já ouviu alguma dessas perguntas:
“Se existe sofrimento, Deus pode existir?”
“Se Deus é bom e também onipotente, por que, então, existe o mal no mundo?”
"Porque o justo sofre?"
Essas e outras perguntas existem porque temos muitas dificuldades em entender o sofrimento, especialmente quando falamos em sofrimento na vida de um cristão.
O sofrimento entrou no mundo pelo pecado. Hoje a natureza geme por causa do pecado. Os filhos de Deus gemem por causa do pecado. Por isso: O sofrimento atinge a todos.
O sofrimento é variado: Ele pode ser físico, através de uma dor ou doença. Mas o sofrimento também pode ser na emoção, na alma e no psicológico: medo, ansiedade, humilhação, desprezo, solidão, perda de um ente querido, remorso, a destruição do casamento podem causar grande sofrimento. O sofrimento emocional pode ser tão profundo como a dor física.
Fato é que o sofrimento é muito complexo: abrange a mente, as emoções, o físico e o espírito.
Gostaria de elencar algumas verdades Bíblicas sobre sofrimento:
1 - Deus não nos poupa do sofrimento, mas caminha conosco pelo sofrimento – Is 43:1-3; Sl 23:4; Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.
2 - Deus trabalha as circunstâncias dolorosas da nossa vida e as canaliza para o nosso bem (Gn 50:20; Rm 8:28); Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
3 - Deus transforma as circunstâncias adversas em benefício para nós (Sl 84:5-6); Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados,6 o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva
4 - Mesmo que as circunstâncias não mudem, Deus mesmo é a razão da nossa alegria – (Hc 3:17-18); 17 Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, 18 todavia, eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no Deus da minha salvação.
5 - Podemos nos alegrar nas próprias tribulações (Tg 1:2; Rm 5:3-5). 3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência;
O apóstolo Pedro no capítulo 4 de seu primeiro livro abordar o sofrimento do cristão sob uma perspectiva prática e vitoriosa. Assim ao olhar para este texto quero trazer alguns princípios sobre como podemos passar vitoriosamente pela tempestade chamada sofrimento.
Pedro tem algumas lições a nos ensinar:
1° ENTENDENDO OS PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO
1. O sofrimento nos ajuda a vencer o pecado – v. 1-3
Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, 2 para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus. 3 Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias
O sofrimento faz com que o pecado perca o seu poder em nossa vida. Enquanto o sofrimento endurece o ímpio, amolece o coração do crente. O exemplo do sofrimento de Cristo ajuda o crente a enfrentar o sofrimento com a mesma disposição. O crente não é melhor do que o seu Senhor. Se mundo perseguiu a Cristo, vai infligir sofrimento a nós também.
O sofrimento nos leva a entender que os prazeres do mundo e as paixões da carne não compensam. O sofrimento leva-nos a desmamarmos do mundo.
2. O sofrimento nos ajuda a testemunhar de Cristo – v. 4-6
4 Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, 5 os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos; 6 pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus
Os amigos não salvos se maravilham quando o crente não deseja participar das coisas que eles participam. Mesmo sofrendo o crente canta, louva, adora e agradece a Deus.
Jó nas cinzas glorifica a Deus e diz: “O Senhor Deus deu e o Senhor tomou, bendito seja o nome do Senhor” Jó 1:21
Isso é um testemunho poderoso. Paulo e Silas na prisão cantam (Atos 16:25). Isso impactou os prisioneiros. Estevão mesmo apedrejado, tem um brilho no rosto. Cristo mesmo pregado na cruz tem palavras de amor nos lábios.
3. O sofrimento nos ajuda a manifestar amor pelos irmãos – v. 7-8
7  Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações.8 Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.
O sofrimento produz em nós uma sensibilidade mais aguçada. Passamos a ver a vida e os outros com outros olhos. Tornamo-nos mais amáveis e generosos. O sofrimento nos ajuda a abrir o bolso, o coração e a casa para ajudar os irmãos.
O sofrimento nos torna mais solidários. Grandes campanhas humanitárias são promovidas por pessoas que passaram por grande dor e sofrimento.
2° TENDO A ATITUDE CERTA
1. Entender que o sofrimento não é incompatível com a vida cristã –v. 12
12 Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo;
O crente não pode estranhar o sofrimento como se fosse algo incompatível com a vida cristã. O crente até mesmo tem que esperar as provações.
Vivemos num mundo caído e hostil. Vivemos cercados de uma hoste de inimigos infernais que nos espreitam. Vivemos oprimidos pelo pecado que tenazmente nos assedia. Se o mundo perseguiu a Cristo, não perseguiria a nós também? Lembro-me de uma frase que li certa vez: “Quando a igreja for mais fiel ela será mais perseguida”.
“Todo aquele que quiser viver neste mundo piedosamente, será perseguido” (2 Tm 3:12). “Irmãos não vos maravilheis se o mundo vos odeia” (1 Jo 3:13).
2. Entender que o sofrimento é para nos provar e não para nos destruir – v. 12
12 Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo
O fogo ardente é o fogo da fornalha. É o cadinho onde o metal é purificado. O fogo só destrói a escória, enquanto purifica mais o metal.
O Salmo 66:10 diz: “Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata”.
Satanás queria destruir a Jó com o sofrimento, mas Deus queria revelar-lhe sua soberania. Satanás queria esbofetear Paulo com o espinho na carne, mas Deus queria quebrantá-lo para que não se ensoberbecesse.
3. Entender que é possível enfrentar o sofrimento com alegria – v. 13
13 pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.
Jesus ensinou: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus, porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5:11-12).
O apóstolo Paulo demonstrou alegria apesar dos problemas (Fp 1:12).
• Ele cantou na prisão (At 16:22-33).
• Paulo demonstrou alegria apesar dos difamadores (Fp 1:15-17).
• Paulo demonstrou alegria apesar da morte (2 Tm 4:6-8).
Paulo se alegrava no sofrimento porque entendia que: as coisas espirituais estão acima das materiais; o futuro tem mais valor que o presente e o eterno mais do que o temporal (2 Co 4:16-18). Ele sabia que Deus está no controle de cada situação (Rm 8:28).
Tiago diz que devemos ter motivo de toda a alegria o passarmos por diversas provações (Tg 1:2-4).
4 - O crente precisa entender que o sofrimento nos une profundamente a Cristo – v. 13
13 pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.
O sofrimento para o crente significa partilhar das suas aflições passadas – quando sofremos hoje, sofremos da forma que Cristo sofreu, com o mesmo propósito com que Cristo sofreu.
Os apóstolos consideram um privilégio sofrer por amor a Cristo (At 5:40,41). Paulo diz: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1:29).
O sofrimento para o crente significa partilhar da sua glória futura – Precisamos olhar para o sofrimento presente pela ótica da glória futura. O caminho para a glória é estreito. Há espinhos. Há cruz. Há dor. Mas “os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com as glórias por vir a serem reveladas em nós” (Rm 8:18). “A nossa leve e momentânea tribulação, produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação (2 Co 4:17).
No céu, nossas lágrimas serão enxugadas, nossa dor passará. Não haverá nem luto, nem pranto, nem dor (Ap 21:4).
Esta é a grande esperança cristã. O céu explicará para nós todo o mistério do sofrimento.
3° MANTENDO A PACIÊNCIA NO SOFRIMENTO
1. Devemos entregar-nos a Deus – v. 19
19 Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.
A palavra “encomendar” é um termo bancário que significa “depositar em confiança”. Pedro está exortando a todos os crentes que sofrem a entregar suas almas (vidas) aos cuidados de Deus.
Deus nos criou e ele é totalmente capaz de cuidar de nós. Pedro nos mostra neste texto que Deus não é apenas fiel, mas também soberano. Por isso, digno de toda confiança. Confie em Deus no sofrimento! Alegre-se nele apesar das circunstâncias
2. Devemos continuar praticando o bem – v. 19b
9 Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem
O sofrimento não deve nos endurecer nem nos deixar apáticos. Ao contrário, nossa entrega a Deus leva-nos à ação.
Devemos semear ainda que com lágrimas.
Devemos amar, ainda que rejeitados.
Devemos abençoar ainda que amaldiçoados. Devemos orar, ainda que perseguidos.
CONCLUSÃO
Como crentes em Cristo, precisamos crer que o sofrimento é uma prova de um Pai amoroso, e não um ardil para nos destruir. O sofrimento não é anormal nem estranho. O sofrimento é o caminho da glória, uma oportunidade para ser bem-aventurado e para glorificar a Deus.
O sofrimento é uma oportunidade para nos entregarmos a Deus e fazermos o bem aos outros, dando testemunho da nossa fé.
Algumas vezes vemos mais através de uma lágrima do que através de um telescópio.
Deus sussurra conosco na hora da alegria e grita conosco na hora da dor.
Calvário é a grande prova que Deus dá de que o sofrimento segundo a vontade divina sempre conduz à glória...
Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ênfase e Divindades Dr. Edson Cavalcante