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sexta-feira, 27 de maio de 2016

VOZ QUE CLAMA DO DESERTO...


                                              VOZ QUE CLAMA DO DESERTO...
A profecia aponta para a obra de preparo feita por João.  Ele é a voz do deserto clamando: "Preparai o caminho do Senhor" (Isaías 40:3).  Malaquias disse que João haveria de preparar "o caminho diante" do Senhor (Malaquias 3:1-2).  O preparo espiritual de João é um indício da natureza espiritual do reino.

João começa a sua obra identificando-se.  "Eu não sou o Cristo " (João 1:20), disse ele.  Ele é aquela voz que prepara o caminho do rei (João 1:23).  Um anjo resumiu a obra de João:  "Irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado" (Lucas 1:17).

1. O preparo para a vinda do reino foi feito por meio da proclamação de advertência e da necessidade de arrependimento.  João advertiu os fariseus e os saduceus:  "Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo" (Mateus 3:10).  Multidões escutavam o apelo de João:  "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mateus 3:2).  Os que atendiam ao chamado e se arrependiam se tornavam um povo preparado produzindo "frutos dignos de arrependimento" (Mateus 3:8).  Muitos foram batizados por João no rio Jordão.  Uma geração de víboras rejeitou a mensagem, ao passo que outros permitiram que o mensageiro de Deus os preparasse.

João Batista veio com a disposição e o poder de Elias (Lucas 1:17).  Em nenhum lugar isso é mais claro do que na descrição de Lucas 3:18-19:  "Assim, pois, com muitas outras exortações anunciava o evangelho ao povo; mas Herodes, o tetrarca, sendo repreendido por ele, por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito". O preparo para o reino espiritual que estava por vir exigia uma obra de escavação.  Os vales tinham de ser preenchidos, e os montes tinham de ser rebaixados.  Assim como Elias fez o que pôde para tirar a idolatria, o assassínio e a desonestidade (1 Reis 18, 19), também João opôs-se aos pecados da nação e os desmascarou.  Entre esses pecados estavam "todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito".

2. O caminho do rei foi preparado por João, mostrando especificamente a mudança que deve ocorrer na vida dos homens.  João não só condenava o mal, mas salientava a mudança que Deus espera das pessoas perdoadas.  Os publicanos, os soldados e o povo em geral perguntavam:  "Que havemos, pois, de fazer?".  A Voz exigia generosidade (Lucas 3:11), honestidade (Lucas 3:13) não-violência e contentamento (Lucas 3:14).  A preparação feita por João foi para um caminho de santidade, e o povo de Deus deve andar nesse caminho (Isaías 35:8-10).

3. João preparava para o reino vindouro referindo-se ao rei do reino. Não bastava advertir a nação judaica para que fugissem da ira de Deus (Mateus 3), nem instruí-los com respeito ao procedimento esperado por Deus (Lucas 3), mas era essencial que o rei que estava por vir fosse identificado.  João tinha estado batizando em Betânia e, no dia seguinte, quando viu Jesus se aproximar dele, exclamou:  "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29).  Jesus era visto por João como aquele tipificado no cordeiro pascal, e como aquele cordeiro que "foi levado ao matadouro" pelo pecado do homem (Isaías 53).

A eficácia da obra de João é exemplificada no primeiro capítulo do livro de João.  "No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse:  Eis o Cordeiro de Deus!  Os dois discípulos, ouvindo-o dizer isto, seguiram Jesus" (João 1:35-37).  Ao levar esses dois discípulos ao rei do reino espiritual de Deus (João 18:36-37), João havia desempenhado bem a sua função.  Dois homens preparados estavam prontos para se tornar discípulos de Cristo, e mais tarde seriam parte do fundamento do reino, no qual todos os santos seriam cidadãos (Efésios 2:18-22)...

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.


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