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quinta-feira, 18 de abril de 2013

SE A OBRAR FOR DO HOMEM, MAS SE FOR DE DEUS...



SE A OBRAR FOR DO HOMEM, MAS SE FOR DE DEUS...

Atos, Capitulo 5, Versículos  35 a 39

De manhã, enquanto os apóstolos, livres da prisão, ensinavam o povo sobre a nova Vida em Cristo no templo, o sumo sacerdote e os que com ele estavam sem ter conhecimento disto, convocaram o concílio dos anciãos de Israel, que chamavam de Sinédrio, seu senado.
Mandaram buscar os apóstolos no cárcere, e muito surpresos ficaram quando os guardas voltaram dizendo que não os haviam achado no cárcere, embora estivesse fechado com toda a segurança com as sentinelas em seus postos junto às portas. O capitão do templo e os principais sacerdotes ficaram perplexos.
Enquanto isso, alguém veio lhes dizer que os homens que haviam desaparecido da prisão estavam no templo, ensinando o povo. O capitão e os guardas responsáveis pela sua vigilância correram para buscá-los, mas sem violência porque agora estavam com medo de ser apedrejados pelo povo!
Colocados os apóstolos diante do sinédrio, o sumo sacerdote os acusou de "encher Jerusalém com a doutrina deles" em desobediência à sua ordem expressa para que não ensinassem "nesse nome". Não se dignou dizer que nome era esse, mas todos entenderam que era o nome de Jesus, que haviam crucificado como malfeitor.
Os apóstolos repetiram que importava obedecer a Deus e não aos homens, que Deus "suscitou" a Jesus ao qual eles mataram, e o elevou a Príncipe (Líder) e Salvador, para que Israel pudesse arrepender-se e obter remissão dos seus pecados. (Nota: a maioria das traduções em português diz "ressuscitou", mas "suscitou", tradução mais correta, tem o sentido de "fazer nascer", ou "criar" – Atos 3:26, 7:37, 13:33). Os membros do Sinédrio eram líderes do povo, mas a declaração dos apóstolos deixava claro que Deus havia colocado Jesus Cristo acima deles.
Declararam ainda que eram testemunhas desses fatos, junto com o Espírito Santo que Deus outorgou aos que lhe obedecem. Em poucas palavras assim anunciaram o Evangelho, corajosamente, diante de todos os líderes do povo de Israel, e proclamaram o testemunho do Espírito Santo em seu meio (mediante o qual temos o Novo Testamento).

Ouvindo isto "eles" se enfureceram. Não é especificado quem eram "eles", se era todo o Sinédrio, mas decerto incluía o sumo sacerdote e os saduceus, que não acreditavam numa vida além-túmulo. O original grego usa um verbo que expressa "seu coração se partiu em dois", não por tristeza, mas devido ao ódio que se apoderou deles.
Sua fúria era tão grande, que queriam matá-los. Estavam conspirando entre eles para sentenciar os apóstolos à morte sem mais delongas. Seria difícil encontrar uma base legal para tal coisa: poderiam alegar que os apóstolos eram feiticeiros porque faziam as curas, mas a acusação do sumo sacerdote fora que haviam desobedecido à ordem que lhe haviam dado de não falar nem ensinar em o nome de Jesus (capítulo 4:18). Isto não era crime de morte, logo estavam diante de um obstáculo sério.
Foi quando Gamaliel, um mestre da lei acatado por todo o povo, se levantou para falar e mandou retirar os apóstolos provisoriamente.
Gamaliel ("recompensa de Deus") era fariseu e mestre da lei naquela época, tendo muitos discípulos, inclusive Saulo, que mais tarde se converteu e conhecemos como o apóstolo Paulo (cap. 22:3). Ele era um dos membros do Sinédrio, assim como José de Arimatéia (Marcos 15:43) e provavelmente Nicodemos (João 3:1).
Gamaliel mandou que os apóstolos fossem afastados daquele ambiente a fim de que o Sinédrio pudesse deliberar com calma sem a presença deles. Seu profundo conhecimento da lei, provavelmente maior do que o dos demais que ali estavam, lhe dava autoridade e certa precedência, mesmo diante do sumo sacerdote. Não sabemos que efeito as palavras dos apóstolos tiveram sobre ele, mas não demonstrou estar furioso com eles como os outros.
Sabendo do perigo que corriam de fazer um julgamento rápido e uma condenação ilegal apressada, e das conseqüência sérias que poderiam advir, Gamaliel exortou o Sinédrio a pensar bem no que estavam querendo fazer àqueles homens.
Prosseguindo, ele citou o exemplo de dois sediciosos, Teudas e Judas, o galileu, que haviam levantado muitos homens consigo em movimentos revolucionários anos atrás; depois da morte desses líderes seus seguidores se dispersaram e os movimentos não deram em nada.
A partir daí ele concluiu que se o que os apóstolos faziam era de origem humana, o seu movimento estava destinado a acabar devido à morte do seu fundador e líder. Seu conselho era que, portanto, deviam deixar os apóstolos em liberdade (afinal, eles estavam fazendo boas obras e eram estimados pelas multidões – não eram malfeitores para dar justificativa a alguma condenação pelo Sinédrio).
Preveniu ainda que, se por outro lado a obra dos apóstolos fosse de Deus (neste caso seria provada a realidade da ressurreição e a falsidade da doutrina dos saduceus), eles não podiam destruí-los e, ao tentar fazê-lo, estariam lutando contra o próprio Deus.
O seu discurso favoreceu os apóstolos pois demonstrou a falta de convicção de Gamaliel na culpabilidade deles, e o seu receio que eles estavam de fato fazendo a obra de Deus e declarando a verdade. Gamaliel era um homem sábio e cauteloso, e todos concordaram com o seu argumento.
Surgiu uma tradição mais tarde, adotada pela instituição católico-romana, segundo a qual Gamaliel teria simpatizado com os apóstolos e mais tarde se tornado cristão. Na realidade não existe qualquer prova disso, ao contrário, o fato que ele continuou ocupando um lugar de destaque na tradição religiosa dos judeus, e que foi o primeiro a receber o título de "rabani" que é mais alto do que rabino ou mestre, parecem provar que ele continuou sendo um fariseu incrédulo durante o resto da sua vida.
Por outro lado, sabemos que o inimigo é o príncipe deste mundo. Um dia ele será derrotado, mas até isto acontecer seu domínio só poderá ser vencido pelo poder de Deus que, entre outras coisas, opera mediante os Seus servos.
Os apóstolos foram novamente chamados ao sinédrio, e ali foram açoitados. Os seus inimigos precisavam castigá-los por terem sido desobedientes, e procurar intimidá-los para que se tornassem subservientes embora declarassem que ainda tinham um líder superior aos do sinédrio. Era uma humilhação e uma afronta, tal como haviam feito por ocasião do julgamento do Senhor Jesus.
Depois disso os soltaram, ordenando-lhes que não falassem no nome de Jesus. Com isso procuraram silenciá-los, pois era uma ordem que devia ser obedecida, sob pena de comparecerem novamente para um novo julgamento e condenação.
Ao se retirarem, os apóstolos se regozijaram… não por terem sido soltos, como seria de esperar, mas por terem sido considerados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus.
A sua fé e a sua fidelidade ao Senhor lhes deram sustento através do sofrimento e vergonha da punição por que passaram, e, ao invés de saírem envergonhados, eles se regozijaram com a "honra" que receberam de sofrer pelo nome do seu Senhor. Esses apóstolos pertenciam a Ele e O serviam e os seus sofrimentos iriam contribuir para o engrandecimento do Seu nome.
Sofrer assim era uma honra para eles, e provavelmente nessa ocasião recordaram as palavras que Ele lhes havia dito no princípio do Seu ministério: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós." (Mateus 5:11-12).
Depois deste episódio não cessaram de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo, todos os dias no templo e de casa em casa...
BISPO/JUIZ.PHD.THD.EDSON CAVALCANTE

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