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quinta-feira, 7 de março de 2013

JESUS O CORDEIRO DE DEUS...



                                       JESUS O CORDEIRO DE DEUS...
       
 JOÃO 1.19-34

A pregação de João Batista alvoroçou Israel. Após quatro séculos Deus voltava a falar ao seu povo. A liderança religiosa judaica enviou-lhe representantes para saber se ele era o Messias esperado, o que ele negou (v.20). Mas a profunda impressão por ele causada permaneceu. “És tu o profeta?” (v.21). Não um profeta, mas “o profeta”. Os judeus haviam interpretado a passagem de Deuteronômio 18.15 como alusão a um grande líder que viria, um novo Moisés. Seria João? Ele negou.
Esperava o retorno de Elias, o homem que destruiu o culto pagão, nos tempos de Acabe e Jezabel. Um novo Elias viria para acabar com o paganismo romano. Seria ele? Ele negou. Desconcertados, os emissários perguntam quem ele é, para responderem à liderança judaica (v.22). Sua resposta foi extraordinária. Citando Isaías 40.3, ele diz que é uma voz clamando no deserto. Em Isaías 40, o povo cativo na Babilônia ouve a mensagem profética, de que é hora da libertação. Um redentor está chegando. É Ciro, pastor e ungido de Deus (Is 44.28;45.1). Um arauto, voz no deserto, anuncia isto. João é como aquele arauto. O Grande Pastor, o Grande Libertador, o Ungido, está chegando. O Batista é apenas uma voz dizendo isto. Este homem, de quem Ciro foi uma pálida sombra, será o Libertador de toda a humanidade. Habilmente, João tira o foco de si e o põe num personagem que ainda não apareceu publicamente, no evangelho.
NO DIA SEGUINTE...
O evangelista usa esta expressão duas vezes no capítulo 1: nos versículos 29 e 35. Nas duas, ela está ligada à expressão “Eis o Cordeiro de Deus” (vv.29,36). O evangelista João fala do pregador João, mas exalta seu testemunho. O Batista não é o tema central. A palavra-chave aqui é “testemunho” (vv.19,32,34). A pregação de João Batista foi um testemunho sobre Jesus. “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Ele recusou o foco sobre si, e no dia seguinte à consulta dos sacerdotes e levitas apontou para Jesus e o declarou como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
Infelizmente, alguns seguidores do Batista geraram uma seita, que mais tarde se fundiu com a dos mandeus, que exaltava João como “O Profeta”. Dizia que após ele não havia mais necessidade de um messias, e Jesus era um impostor. Mas João dizia que Jesus era antes e depois dele (Jo 1.30). Isto é uma advertência muito forte para nós, em dois aspectos. O primeiro é que o centro de nossa fé é Cristo. Textos como 1Coríntios 1.23, 2.2 e 3.11 nunca deveriam sair de nossos corações. Qualquer pregação que coloque Cristo em segundo plano deve ser recusada. E cuidado com líderes que se colocam sob-holofotes. Cada líder deve recitar, sinceramente, o texto de João 3.30. O segundo, sem “caça às bruxas”: precisamos manter-nos vigilantes para evitar desvios doutrinários. Deturpações da verdade sempre aconteceram na história do cristianismo. O Maligno tenta desvirtuar o ensino verdadeiro e impor-nos a mentira.
“No dia seguinte” João continuou a testemunhar. Ele viera arrumar o caminho para a vinda do Senhor (v.23). E mostrou Jesus como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
O CORDEIRO DE DEUS
Este é o título que o Batista atribui a Jesus: “o Cordeiro de Deus” (1.29). O que ele queria dizer com isto? A resposta está no contexto. Ele disse isto para dois de seus discípulos, que logo seguiram a Jesus. Um deles o chama imediatamente de “Mestre” e um encontra o irmão e diz que achou o Messias (Jo 1.35-41). Podemos ligar “Cordeiro” com “Messias”. O Batista liga a função do Messias com a remoção dos pecados.
Das respostas que podem ser dadas, a mais aceita é a do cordeiro da páscoa (tanto que Paulo dirá que “Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado” – 1Co 5.7). O texto de 1Pedro 1.19 corrobora esta idéia.
A figura da páscoa era bem forte entre os hebreus. Marcava a libertação de Israel da servidão no Egito, e seu surgimento como nação. A páscoa era a certidão de nascimento de Israel como nação escolhida. Da mesma forma, a ceia, em que Cristo é o Cordeiro, é a certidão de nascimento da Igreja. A ceia é o símbolo da “nova aliança” (Mt 26.28). É certo que o Batista não tinha noção de todas as implicações teológicas contidas nesta afirmação. Mas precisamos reconhecer a orientação do Espírito Santo no seu testemunho. E nossa visão é mais completa e assim podemos ajuntar mais idéias.
“O Cordeiro de Deus” traz também outra implicação. É o cordeiro que o próprio Deus oferece. Na páscoa, este era provido pelo dono da casa, o chefe da família. Deus Pai é o chefe da família que surgirá, a igreja. “Eis aí teu filho... eis aí tua mãe” (Jo 19.26,27) mostra que a cruz cria novos laços de relacionamento. O cordeiro era consumido pela família (Êx 12.3) porque a páscoa era uma festa familiar. Deus está formando uma nova família, um novo povo em Jesus. Por isso que Jesus desejou ardentemente comer a páscoa com os discípulos (Lc 22.15). Porque a igreja é a sua família (Mt 12.48-50). O Cordeiro de Deus nos fez uma família.
Os hebreus esperavam um Messias guerreiro, libertador político. O evangelho de João, desde cedo, o identifica como o Messias espiritual. Em João 18.36 Jesus definirá claramente a natureza de sua messianidade. O Cordeiro é o Messias. O Messias não é guerreiro. É manso. Não é um leão feroz, mas um cordeiro.
QUE TIRA O PECADO DO MUNDO
O Cordeiro tira o pecado do mundo. Agora a referência é ao cordeiro que era sacrificado no culto hebreu. Uma das ocasiões era o holocausto (‘ôlah, no hebraico), em que o animal era totalmente queimado. O holocausto servia para propiciar pelo pecado. Era a maneira pela qual um povo ímpio podia se aproximar do Deus Santo. Com esta expressão, o Batista está afirmando que Jesus é aquele que tira o pecado do mundo. “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5). Deus Pai ofereceu Deus Filho como o cordeiro que carregou nossos pecados e nos trouxe a paz. Glória à Trindade Eterna! O Pai, o Filho e o Espírito Santo trabalham para nossa salvação!
João não diz que Jesus é o cordeiro que tira o pecado de Israel, mas “o pecado do mundo”. Ele é o Salvador do mundo. O estreito nacionalismo hebreu dera ao judaísmo uma visão limitada da salvação. Os judeus chamavam os gentios de “cães”. Um provérbio judeu dizia assim: “Maldita seja a parteira judia que ajuda uma gentia a dar à luz. Maldita seja duas vezes, porque ajudou uma gentia e porque pôs um gentio no mundo”. O cristianismo é universal. Vê que o mundo precisa da salvação que Jesus oferece. Só ele pode tirar o pecado do mundo. Uma igreja que seja bíblica e cristã tem visão missionária e evangelística. Proclama com vigor que “Só Jesus Cristo salva”! Não podemos cair na visão mesquinha e míope dos hebreus, de guardarem sua fé para si, amaldiçoando os demais. Devemos levar o nome de Jesus a todos os povos e a todos os lugares porque ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Para Pensar e Agir
O Messias tira o pecado do mundo. Mas seu ministério traz salvação e condenação, como vemos em João 3.18. Quem crê está salvo, quem não crê está condenado (Jo 3.24). As palavras de Cristo, o Cordeiro, o Messias, o julgarão no dia final, como vemos em João 12.48. O prezado estudante da Bíblia já creu em Jesus como seu Salvador? Já deixou Jesus tirar seu pecado e lhe dar a vida eterna? Se já o fez, exulte. Foi a decisão mais acertada de sua vida. Se não o fez, o tempo é hoje. É agora...
BISPO/JUIZ.PHD.THD.DR.EDSON CAVALCANTE

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