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quinta-feira, 23 de abril de 2015

O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE...


                                              O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE...
Romanos 6:23 - Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Agora vamos falar de uma maneira mais abrangente acerca do pecado. As pessoas normalmente sofrem uma súbita crise de esfriamento quando o conceito de “doutrina”, e em especial “doutrina do pecado” é levantado. Mas nada disso é necessário. A palavra doutrina significa apenas: ensino. Visando desmistificar este fato consideremos o seguinte:
Uma doutrina nada mais é do que um ensino, instrução ou informação referente a alguma verdade e que, no caso de verdade bíblica precisa ser crida como essencial à nossa salvação. Os reformadores foram guiados pelo seguinte lema “no essencial unidade, em todo o resto amor”. Por essencial eles se referiam a tudo aquilo que é necessário para a nossa salvação, e somente essas coisas eram essenciais. Todas as demais coisas eram consideradas irrelevantes e o amor cristão deveria ser exercido com relação a elas. Assim, temos que, todo ensinamento procedente de Deus visa nos conduzir a Deus. O fato de Jesus ter morrido por nossos pecados e ressuscitado por causa da nossa justificação é uma das muitas doutrinas gloriosas da Bíblia. Mas essa verdade, por mais gloriosa que seja, não serve para absolutamente nada para aquele que não se considera morto para o pecado e ressurreto para andar em novidade de vida. É desta maneira que esta doutrina precisa ser aplicada em nossas vidas. Cada doutrina tem sua própria utilidade:
Ø  Ouvimos falar da oferta de perdão de Deus, então vamos até Deus para recebermos este perdão graciosamente.
Ø  Ouvimos falar que podemos ser santos e vamos a Deus para que, mediante a ação santificadora da palavra de Deus e do Espírito Santo, sejamos conduzidos em uma vida de santidade.
Ø  Ouvimos falar do céu, no qual os justos encontrarão consolo por toda eternidade e nos compenetramos em vigiar e orar, crer, amar e obedecer, de tal maneira, que quando Jesus se manifestar nós possamos nos apresentar diante dEle — Efésios 5:25—27.
Ø  É realmente muito estranho que encontremos pessoas declarando acreditar na mensagem do Evangelho e vivendo abertamente no pecado. Note as etapas da vida cristã — especificamente de nós presbiterianos: Nosso batismo e a consequente aliança com Deus e em alguns casos, a adoção intencional de nomes cristãos; nossa profissão de fé; nossa declaração de fé na palavra de Deus. Todas estas coisas nos chamam a viver uma vida isenta de pecado. Impossível dizer que nós temos chamamentos mais audíveis do que esses. Outro chamado, não tão poderoso quanto os primeiros aqui citados, é a esperança da vida futura de plena consolação diante de Deus por toda eternidade em oposição à vida de pecado que nos leva àquele lugar terrível de tormento onde, “o verme não morre nem o fogo se apaga”. Todos nós temos que responder a pergunta feita pelo autor de Hebreus quando disse: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? - Hebreus 2:3. Que a resposta da nossa consciência nos incentive a colocar nossa mente e nossas mãos à obra da santificação, sem a qual ninguém será capaz de ver a Deus – ver Hebreus 12:14.
Porque o salário - A palavra grega ὀψώνια  opsónia – salário, denota de maneira mais apropriada, tudo aquilo que pode ser comprado para ser acompanhado por pão, em uma refeição: seja peixe, carne de animal ou vegetais. O soldo dos soldados romanos consistia exatamente nestes elementos. Assim sendo, esta expressão indica o salário que alguém ganha, aquilo que é justo por um serviço prestado ou o mérito que alguém tem por serviços executados. Quando aplicamos esta mesma palavra com relação ao pecado estamos querendo dizer que a morte é, exatamente, o que o pecador merece ou o que seria a recompensa apropriada para o pecado.  A morte é chamada de “salário do pecado” não porque, como querem muitos, Deus seja arbitrário em estabelecer este fato e sim por que:
É justo. Como Deus é completa e absolutamente justo, nós podemos ter certeza de que nenhum castigo ou aflição serão impostos sobre os pecadores que eles não sejam merecedores. Nenhum pecador morrerá se não merecer morrer. Mesmo condenados ao inferno cada indivíduo será tratado rigorosamente conforme merece, e isto, deve servir, como um grande incentivo a um viver santo, justo e correto. Se pararmos para considerar que Deus irá tratar os pecadores exatamente como eles merecem ser tratados, e isto por toda eternidade, temos motivo suficiente para entrarmos em crise e buscarmos a alternativa que o mesmo Deus nos oferece: perdão de graça e plena reconciliação com Ele.
  A morte, como o salário do pecado é coerente com a advertência de Deus, conforme podemos ler em Ezequiel 18:4 — Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá. Deus não irá infligir nada além do que Ele advertiu que faria e isto faz Deus ser absolutamente Justo.
  Além disso, o pecado é também responsável por todas as misérias que os homens sofrem. O pecado é a própria manifestação do inferno. O pecador tem o inferno dentro dele mesmo. Onde Deus não reina tudo é desordem e confusão. Quando o pecador indulge em paixões pecaminosas — tais como as que comentamos anteriormente no estudo 003 que pode ser acessado aqui:
— apenas aumenta a desordem e a confusão, o que faz com que seu estado se torne cada vez mais miserável. Se os homens se dedicassem tanto a se preparar para viver para Deus quanto se dedicam para ir ao inferno, o mundo seria completamente diferente.
Do pecado – Ah! O pecado. Palavra pequena, mas tão cheia de força. Força capaz de pegar seres humanos, criados à imagem do próprio Deus, e reduzi-los a meros escravos de toda sorte de paixões e concupiscências. Retornaremos a esse tema acerca desta questão do pecado, em outro momento, porque a nossa vida “em Cristo” representa, acima de tudo, completa libertação tanto da condenação, como do poder e que culmina com a libertação da própria presença do pecado.
É a morte – A morte neste versículo está em direta oposição à vida eterna, o que prova que tanto uma como a outra são perenes - ver João 3:16—18 e 36.
Mas o dom gratuito de Deus – Note que a morte é considerada salário, ou seja, algo que é devido por algo ou alguma coisa feita. Por outro lado, o que Deus nos oferece é como um presente, algo gratuito para nós, algo que é fruto da misericórdia de Deus. Note como o apóstolo Paulo é cuidadoso em distinguir entre aquilo que o ser humano pecador merece, que é a morte, e aquilo que Deus nos oferece de graça, que é a vida eterna. Mas este dom gratuito de Deus é controlado pela verdade apresentada em Romanos 6:15 que diz: E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!
É a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor – Como mencionamos acima a expressão “vida eterna” está em direta oposição à palavra “morte”. Deste fato podemos deduzir que:
A morte será tão longa quanto a vida eterna.
·       Como não temos dúvidas acerca da vida eterna, o mesmo deve ser verdadeiro acerca da morte. No caso da primeira sabemos que a mesma será uma experiência ricamente abençoada e eterna. Da mesma maneira podemos ter certeza que a morte será triste, sem esperança, terrível e eterna.
·       Se o pecador está perdido ele merece morrer. Ele vai receber seu salário. Vai receber aquilo que é justo pelos pecados cometidos. Em nenhuma hipótese o pecador poderá ser considerado como um mártir da inocência, falsamente acusado. Nenhuma compaixão lhe será demonstrada em todo o universo. Ninguém se levantará para defendê-lo diante de Deus. Ele estará condenado a sofrer tudo o que tiver que sofrer pelo tempo que tiver que sofrer. Como um delinquente flagrado no ato criminoso ele será condenado sem apelação.
Aqueles que, por sua vez, aceitarem o perdão de Deus serão elevados até aos céus, não porque mereçam, mas porque dependeram da soberana graça de Deus. Todo o mérito da salvação dos crentes será atribuído ao Senhor Jesus. E o papel dos crentes será celebrar a misericórdia e a graça de Deus por toda eternidade.
·       É nossa missão procurarmos, por todos os meios, escapar da ira vindoura — ver Atos 2:37—40. Não existe nenhum homem tão tolo e ao mesmo tempo tão perverso quanto aquele que deseja voluntariamente receber o salário do pecado. Aqueles que declaram que querem ou preferem ir ao inferno serão brindados com a satisfação do seu desejo de maneira como nem imaginam.
Assim temos que, o ser humano pode merecer o inferno, mas em nenhuma hipótese ele merece o céu. Note que o apóstolo Paulo não diz que o salário de justiça é a vida eterna. Pelo contrário ele diz que a vida eterna é fruto de τὸ χάρισμα τοῦ θεοῦ  tò chárisma toû Theoû – da graça de Deus. E esse dom gratuito nos é proporcionado pelo Senhor Jesus. Ele é o único que detém esse poder e privilégio — ver Atos 4:12. O pecador vai ao inferno porque merece. O justo vai ao céu porque Jesus morreu no lugar dele e comunicou a graça mediante a qual os pecados são perdoados e ele pode ser declarado justificado — ver Gênesis 15:6...
Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.


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