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quinta-feira, 29 de abril de 2021

VENCENDO O MAMOM-DEMÓNIO DA RIQUEZA.

VENCENDO O MAMOM-DEMÓNIO DA RIQUEZA.

O que você pensa sobre dinheiro? O que ele significa para você?

APRENDER

O que a Bíblia fala sobre dinheiro?

Há muitas perguntas relacionadas ao dinheiro em nossos dias. Muitos questionam se ser rico é pecado, e ser pobre é uma virtude; se dinheiro é uma maldição; se Deus condena as riquezas. A verdade é que o dinheiro é uma questão espiritual, e não contábil. Tem a ver com caráter. A maneira como nos relacionamos com o dinheiro revela o que realmente nos governa, onde está o nosso coração. Por isso, até com relação às nossas finanças precisamos do Espírito Santo. Todo aquele que não é cheio do Espírito Santo, cedo ou tarde, terá problemas com dinheiro.

Em Mateus 6:24 e Lucas 16:9-13, Jesus fala que não podemos servir a dois senhores, Deus e o dinheiro, porque sempre seremos mais dedicados a um deles. A palavra que Ele usa para falar de dinheiro, no grego, é Mamom.

Quem é Mamom?

A palavra Mamom, em aramaico, significa “riquezas” ou “dinheiro”. Os sírios o consideravam como o “deus da riqueza”, ou seja, ele era um falso deus, uma entidade espiritual. Era a isso que Jesus se referia nos evangelhos. Esse pensamento teve origem na Babilônia, um lugar onde as pessoas pensavam que não precisavam de Deus, que poderiam conquistar o que quisessem pelo próprio esforço.

Mamom é um espírito de arrogância e orgulho que se opõe ao Espírito de Deus. Ele sempre tenta nos convencer que um pouco mais de dinheiro resolveria todos os nossos problemas. Mamom nos promete coisas que só Deus pode nos dar: identidade, segurança, valor pessoal, felicidade, alegria e paz. Nos diz que o dinheiro pode nos dar tudo isso. Mas a verdade é que Deus é a solução para os nossos problemas, só Ele. Prova disso é que Jesus nunca ensinou que as pessoas precisavam de mais dinheiro, ensinou que elas precisavam conhecer o Pai.

Mas, então, o dinheiro, em si, é maligno?

A Palavra diz que “o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. E, alguns, por tanto desejarem dinheiro, desviaram-se da fé e afligiram a si mesmos com muitos sofrimentos” (1Tm. 6:10). O dinheiro, em si, não é mau, mas também não é neutro. Tudo depende de para que ele foi consagrado. Jesus, quando fala de Mamom, se refere ao espírito que repousa sobre ele, um espírito que pode ser amado, adorado.

O problema é o amor ao dinheiro. Amar e servir a Mamom é a raiz de todos os males. O que você tem pertence a quem? Quem tem o domínio sobre seus bens e seus recursos? Como já vimos, o dízimo consagra o que temos. Quando damos primeiro ao Senhor, o que temos não pode ser tocado pelo inimigo, está consagrado a Deus e abençoa as pessoas. Rick Warren disse: “No final da vida, na prestação das contas, a questão será: quantas pessoas estarão no céu devido à sua generosidade, ou quantas não estarão por causa da sua avareza?”. Nossas riquezas, nossos bens e posses, nossos talentos, nosso tempo e o nosso tesouro devem ser transformados em almas!

Em Lucas 16:9, Jesus diz: “Esta é a lição: usem a riqueza deste mundo para fazer amigos. Assim, quando suas posses se extinguirem, eles os receberão num lar eterno”. Quando o Espírito Santo governa o nosso dinheiro, abençoamos as pessoas, contribuímos para que elas estejam na eternidade com Jesus. Por isso, precisamos nos preocupar em ser bons mordomos daquilo que nos foi dado, em ser fiéis no pouco, para que sejamos colocados sobre o muito e possamos abençoar ainda mais pessoas.

REFLETIR

Diante de tudo isso, como podemos quebrar a influência de Mamom em nossa vida?

Existem cinco atitudes que devemos ter para que o dinheiro não seja um deus em nossa vida:

Conhecer o inimigo e as suas estratégias
No livro de Efésio, Paulo fala da armadura de Deus e de como a nossa batalha não é contra as pessoas, mas contra “governantes e autoridades do mundo invisível, contra grandes poderes neste mundo de trevas e contra espíritos malignos nas esferas celestiais” (6:12-13).

Nossa luta não é contra as pessoas e nem contra o dinheiro, mas contra Mamom. Precisamos saber reconhecer qual é a voz do inimigo e qual é a voz do nosso Pai. Mamom quer comprar e vender, Deus nos pede para plantar e colher. Mamom quer enganar e roubar, Deus diz para dar e receber.

Não amar o dinheiro
Mamom tenta nos convencer de que o dinheiro resolveria os nossos problemas. E o que ganha a nossa atenção, ganha o nosso coração. Precisamos sondar o nosso coração e ver como temos pensado, se deixamos de considerar Deus como o nosso provedor. “Mas aqueles que desejam enriquecer caem em tentações e armadilhas e em muitos desejos tolos e nocivos, que os levam à ruína e destruição. Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal” (1Tm. 6:9-10).

Investir no Reino de Deus
Precisamos usar o nosso dinheiro para fins eternos, investir no Reino de Deus. Jesus pode transformar nosso investimento em almas salvas, assim como transformou água em vinho. Nossos dízimos e ofertas saqueiam o inferno e povoam o céu.

Ser fiel no pouco e no muito
Quando somos fiéis no pouco, Deus nos coloca sobre muito (Lc. 16:10-12). Precisamos ser confiáveis e fiéis para lidar com o pouco e com aquilo que não é nosso. Não importa o quanto temos, mas o que fazemos com o que temos.

Mudar a mente
Há três maneiras de pensar com relação ao dinheiro: mentalidade de ORGULHO – vem da carnalidade, “eu faço o que eu quiser com o meu dinheiro, eu mereço” –, mentalidade de MISÉRIA – vem da religiosidade, vergonha de ser próspero – e mentalidade de ABUNDÂNCIA – tudo vem de Deus, gratidão.

A mentalidade da abundância vem de Deus, Ele quer que sejamos prósperos! Não podemos permitir que o inimigo nos faça ter vergonha ou orgulho daquilo que temos, do que o Senhor nos deu.

APLICAR E ORAR (separe entre homens e mulheres)

Como você tem visto o dinheiro?

Se tem pensando no dinheiro como a solução dos seus problemas, arrependa-se. Deus quer usar o dinheiro para nos abençoar, mas só o Senhor pode solucionar os nossos problemas e nos dar uma vida abençoada.

A chave da prosperidade é colocarmos o Senhor como primeiro em tudo: “Mas, lembrem-se do Senhor, o seu Deus, pois é Ele que lhes dá a capacidade de produzir riqueza, confirmando a aliança que jurou aos seus antepassados, conforme hoje se vê” (Dt. 8:18).

Qual mentalidade tem governado você?

Não é só o orgulho que é um problema, a mentalidade de miséria também. Sonde o seu coração, preste atenção em como você tem pensado e em como tem respondido ao que o Senhor tem te dado. Se perceber que tem agido com orgulho ou vergonha, arrependa-se. Agradeça ao Senhor por tudo o que Ele tem feito e seja generoso e fiel.

Somos filhos de Deus, e Ele quer que sejamos prósperos e abençoados!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

O VERBO DE DEUS.

 

O VERBO DE DEUS.

O apóstolo João inicia seu relato sobre a vida de Jesus Cristo com esta declaração: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez . . . E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:1-3, 14).

Assim, este “Verbo”―o termo grego aqui é Logos―tornou-se em um ser humano de carne e osso, Jesus Cristo. E Ele ainda carrega o nome de “A Palavra de Deus” (Apocalipse 19:13).

Como devemos entender isso? Deus criou o universo através deste Verbo preexistente que se tornou Cristo. O Verbo estava com Deus e, ao mesmo tempo, Ele próprio era Deus. Muitos usam esse argumento para defender a trindade, alegando que duas pessoas divinas apresentadas aqui como um único ser. Mas é isso o que se significa?

Observe que no original grego, “o Verbo” estava com “o Deus” e Ele mesmo era “Deus” (neste caso sem o artigo ‘o’). O Verbo não era o Deus, pois Eles não eram a mesma entidade. Mas Ele ainda era Deus.

Devemos entender “Deus” aqui como um gênero de ser [ou ‘espécie’, ou ‘tipo’]―do gênero de Deus que é vivente, divino, santo e eterno―assim como o nome desse gênero de ser. O apóstolo Paulo diz toda a família divina toma o nome do Pai, inclusive Cristo e outros que mais tarde se acrescentem à família (Efésios 3:14-15).

Assim, “no princípio era o Verbo [Cristo], e o Verbo estava com o Deus [o Pai], e o Verbo era [também chamado] Deus”! É claro, o Verbo não poderia ser chamado Deus a não ser que Ele [Cristo] fosse ‘como’ o Pai. Isto quer dizer que, Deus é quem Ele era, assim como o que Ele era (e é).

Temos aqui, então, dois seres divinos―e não um único ser de três pessoas como ensina a trindade. No entanto, por quê que o Ser divino que se tornou Cristo foi chamado de “o Verbo”? O que isso significa?

O Anjo da Presença de Deus
Das muitas referências do Antigo Testamento a anjos de Deus, existem algumas (Gênesis 16:10-13; 22:11-12; Êxodo 3:2-6; Juízes 13:3-22), onde Aquele que é chamado de “Anjo do senhor” é também identificado como “o senhor”. Mas como pode um anjo de Deus ser o próprio Deus? Este é, evidentemente, a mesma figura referida como “o Anjo da Sua Presença” em Isaías 63:9, bem como o “Anjo” de Deus enviado para liderar os israelitas através do deserto para a terra prometida (Êxodo 14:19; 23: 20).

A palavra “Anjo” aqui pode causar confusão, pois normalmente é usada para se referir a seres espirituais criados e que são inferiores a Deus. No entanto, a palavra hebraica malak no Antigo Testamento, da qual a palavra “anjo” é traduzida, simplesmente significa “mensageiro”, o que é o mesmo significado da equivalente palavra grega angelos, no Novo Testamento, (da qual a palavra portuguesa anjo é derivada).

Em hebraico e grego, essas palavras podem significar tanto um mensageiro humano como um espiritual. Por esta razão devemos olhar para o contexto para determinar qual gênero de mensageiro se refere. Neste caso, temos o Mensageiro de Deus, que também é Deus. Sem dúvida, existe apenas uma entidade que se encaixa nesta descrição. É um paralelo exato com o Verbo de Deus, que também é Deus.

Analisemos uma profecia do Antigo Testamento declarada no Novo Testamento que se refere a João Batista e Jesus Cristo. Deus disse: “Eis que eu envio o meu mensageiro [malak, aqui João Batista], que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo [malak] da Aliança [isto é, Jesus Cristo, o Mediador da Nova Aliança], a quem vós desejais; eis que ele vem” (Malaquias 3:1 [ARA]; comparar Mateus 11:9-11, Marcos 1:1-2, Hebreus 12:24).

O “Senhor” aqui é Deus, pois Ele vem para “Seu templo”. No entanto, Ele também é um Mensageiro―um malak, o termo usado para anjo em outros lugares. Jesus é, portanto, o Senhor Deus. No entanto, Ele também é o Mensageiro de Deus Pai. E o papel de Cristo como Mensageiro tem grande influência sobre Sua distinção como o Verbo de Deus.

O Porta-voz e o significado literal de Logos
Como o Mensageiro de Deus, Jesus falou em nome de Deus. Ele assim o fez quando Ele veio à terra como um homem. E também fez isso na criação do universo. A declaração de João 1:3, que Deus fez tudo por meio do Verbo, que se tornou Cristo, também é evidenciada em outras Escrituras (ver Efésios 3:9 ACF, Colossenses 1:16-17).

Isso se encaixa perfeitamente com passagens bíblicas anteriores: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus . . . Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu” (Salmo 33:6, 9). Quem estava falando nessa ocasião? A partir dessas referências, é muitíssimo claro que Deus Pai fez o trabalho de criação pelo, ou através, do Verbo que se tornou Jesus.

Jesus Cristo é Aquele que falou para o universo existir―mas somente a pedido do Pai. Jesus explicou isso em João 8:28: “Nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou”. E João 12:49-50: “Porque eu não tenho falado de mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar

Jesus é, portanto, o Porta-voz do Pai, um papel que alguns têm comparado ao nome Logos. Isto é perfeitamente legítimo, mas o assunto requer alguma explicação já que logos, literalmente, não se refere a um orador, mas ao que é falado.

O que realmente significa o termo grego logos? O Dicionário Avançado de Strong (1992) apresenta os seguintes significados, entre outros: “Uma palavra, dita por uma voz viva . . . o que alguém disse . . . um discurso falado contínuo . . . doutrina, ensino . . . razão, a faculdade mental de pensar”.

A Bíblia de Estudo HCSB observa: “Assim como o verbo lego [falar] relacionado, o substantivo logos na maioria das vezes refere-se tanto à comunicação oral como à escrita. O substantivo logos, em alguns contextos, também pode significar declaração ou informação” (2010, pág. 1801,”Logos”, ênfase no original).

Também é possível que a maneira dos judeus usarem a palavra logos durante o primeiro século, possa estar relacionado com o uso da palavra logos em João 1. Mas esta questão permanece: Como devemos entender Cristo, visto que o significado literal de Logos é ‘o que é falado’ [a Palavra], quando nós sabemos que Ele é Aquele que fala por Deus?

Ambos Mensageiro e Mensagem
Como uma forma de resposta, vamos perguntar: Como seria se todos os outros títulos de Cristo fossem entendidos dessa forma? Por exemplo, o que dizer sobre “o Alfa e o Ômega” em Apocalipse 1:8? Cristo é realmente as duas letras do alfabeto grego? E o que dizer sobre “o Cordeiro de Deus” em João 1:36? É Cristo é literalmente uma ovelha? Assim, fica fácil ver que os títulos na Bíblia, muitas vezes, têm significados figurativos.

Pensemos por um momento que as figuras de linguagem ainda devem seguir uma certa lógica. O que você acha que significaria se você chamasse alguém de sua “Palavra” [ou seu “Verbo”]? Seria, sem dúvida, muito semelhante ao que Paulo quis dizer quando escreveu à congregação de Corinto: “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens” (2 Coríntios 3:2).

Os membros da igreja em Corinto não eram literalmente uma carta ou epístola escrita. Paulo estava usando uma linguagem abstrata, com um significado subjacente ao concreto. Quando você escreve uma carta, você comunica seus pensamentos aos outros. Os Coríntios, Paulo estava dizendo, agiram representando suas ideias. Eles expressaram, através da sua conduta e palavras, tudo o que ele lhes havia ensinado e guardado. Não é exatamente o que você pensaria se você chamasse alguém de sua “Palavra” [ou seu “Verbo”]?

O Novo Dicionário Bíblico Unger lança mais luz sobre o assunto, explicando: “As palavras são o veículo para a revelação dos pensamentos e intenções da mente aos outros. Na Pessoa do Logos encarnado, Deus se fez totalmente conhecido pelo homem. Nada podia ser conhecido pelo homem a respeito de Deus se não fosse revelado pela divindade encarnada. Cristo como ‘a Palavra’ [o Verbo] constitui a revelação divina completa e final” (1988, pág. 780, “Logos”).

Vamos considerar novamente o papel de Cristo como Mensageiro de Deus. Cristo representava o Pai exatamente. Ele viveu tudo o que o Pai mandou e transmitiu os pensamentos de Seu Pai aos seres humanos. Ele falou em nome de Seu Pai como Porta-voz de Deus. Mas a mensagem trazida por Cristo não implicava somente em falar. Em vez disso, Sua própria vida transmitiu uma mensagem.

Na verdade, o próprio Jesus é tanto Mensageiro quanto Mensagem. A maneira como Ele viveu nos ensinou como viver. A Sua própria humildade de vir na carne e dar a Sua vida em sacrifício fala muito sobre o amor insondável de Deus. Jesus Cristo é a Palavra de Deus, o Verbo de Deus. Tudo o que Ele disse, tudo que Ele fez e tudo o que Ele passou, é a Palavra de Deus para nós.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

SIMÃO PEDRO

                                                                      SIMÃO PEDRO

 

Um estudo sobre Simão Pedro, poderia ser encaminhado, pelo menos sob dois aspectos: Ou meditar sobre Pedro segundo o aspecto doutrinário, se Pedro foi o chefe da Igreja ou apóstolo como os outros, ou sob o aspecto humano, com a preocupação de saber como era Pedro como homem.

Parece-me que o primeiro aspecto tem sido muito mais divulgado. Tanto nos preocupamos em saber qual foi o cargo eclesiástico de Pedro, tanto se tem escrito sobre este assunto, que o verdadeiro Pedro, o homem chamado Simão Pedro, fica um tanto esquecido.

É sob este último aspecto que iremos encaminhar este estudo, para tentar responder à pergunta: Quem era Pedro? Ou melhor, como era Pedro como homem?

Parece à primeira vista, que ao contrário do que se passa com outros personagens bíblicos em que há falta de informação, com Pedro não temos esse problema, pois temos muita informação sobre este personagem.  

Julgo poder afirmar que, Pedro e Paulo, são os apóstolos mais conhecidos. Muito se tem escrito sobre o Apóstolo Pedro e muitas polémicas se têm levantado sobre este homem. No entanto, precisamente por tanto se falar nele, Pedro é o mais conhecido e ao mesmo tempo um dos que menos conhecemos, ou talvez poderíamos dizer que Pedro é muito conhecido, mas infelizmente é mal conhecido pelos crentes.

Tenho notado duas tendências até certo ponto opostas, quando se fala de Pedro.

Por um lado, a Igreja Católica costuma realçar a figura de Pedro afirmando que ele foi escolhido para primeiro Papa, por ser o homem firme e decidido, o primeiro que reconheceu Jesus como o Cristo e o Messias.

Por outro lado, há a opinião… não direi “opinião evangélica” devido à responsabilidade que isso acarreta, mas a opinião das vulgares igrejas evangélicas, que geralmente dão mais realce aos aspectos negativos de Pedro, afirmando que: Pedro era um homem impulsivo e precipitado, que falava sem compreender bem o que dizia, e que foi o apóstolo que negou a Cristo…

Penso que nesta atitude de muitas igrejas evangélicas há uma certa influência do catolicismo romano, embora uma influência que se manifesta sob o aspecto negativo. Assim, se os católicos realçam exageradamente as virtudes de Pedro, há a tendência em cair para o campo oposto e realçar os seus aspectos negativos.

Torna-se difícil falar a respeito de alguém que já é tão conhecido, pois temos geralmente as nossas opiniões já formadas, quer se trate dos dogmas e declarações dos vários Concílios para os católicos, quer se trate das “sãs doutrinas da nossa denominação”, para as várias denominações evangélicas.

 

Textos bíblicos

 

Convido o prezado visitante da “Estudos bíblicos sem fronteiras teológicas”, a acompanhar-me na leitura dos principais textos em que temos referências a Pedro, a fim de calmamente, e possivelmente no conforto do seu lar, podermos meditar sobre Pedro com a imparcialidade e isenção que nos for possível.

Procurei colocar estas passagens, não pela sequência em que as encontrarmos na Bíblia, mas pela sequência cronológica dos acontecimentos. Poderá “clicar” nas referências bíblicas (estando ligado à Internet), para ter acesso às passagens na bíblia informática.

 

João 1:35/42

Que é que nos sugere o versículo 40 Era André, irmão de Simão Pedro…?

Penso que Pedro seria muito mais conhecido do que André. Será que Pedro é o irmão mais velho e estamos perante a atitude típica do irmão mais novo que procura o conselho e o apoio do mais velho? Não digo isto só por esta passagem. André é uma figura apagada mas eficiente e aparece quase sempre relacionada com o seu irmão Pedro.

Até a mudança do nome de Simão para Pedro, parece indicar a necessidade duma mudança de mentalidade.

 

Lucas 5:3/10

Temos aqui muitas e importantes informações sobre Pedro.

Em primeiro lugar temos a profissão de Pedro. Penso que é dizer pouco, se nos limitarmos a afirmar que ele era pescador, pois Pedro tinha um barco com outros homens ao seu serviço. Era o que em termos náuticos se chama o patrão da embarcação, ou poderíamos chamar de industrial da pesca, homem com posição social e nível de vida um pouco acima da média.

Há certas características do pescador, em relação ao lavrador e ao homem da cidade, que são comuns em várias partes do mundo. O pescador, como homem do mar, está habituado a observar tudo à sua volta e não admira que não lhe escapassem os mais pequenos pormenores de tudo que via e ouvia. Homem habituado a reparar nos ventos, nas nuvens, nas correntes do lago e nos pequenos pormenores da ondulação, pois dessa qualidade dependia o seu sustento e por vezes a sua própria vida e a dos seus homens.

Devia ser homem rude, mas sem falta de entendimento. A sua profissão o habituara a observar, raciocinar e tomar decisões rápidas. O comando duma embarcação exige trabalho de equipa e sincronismo na cação da sua tripulação. Pedro era homem habituado a comandar e a ser prontamente obedecido.

Sob o aspecto físico, Pedro devia ser homem grande e forte, habituado a pegar nos remos e bom nadador como vemos em João 21:7 em que nadou mais rápido que o barco. Depois duma vida passada ao sol, exposto aos ventos quentes do deserto, certamente que teria a pele escurecida e ressequida.

Julgo que ninguém terá dúvidas quanto à sinceridade de Pedro. Mas, se ele era bom observador, não creio que soubesse sempre interpretar convenientemente o que via, fora da sua profissão de pescador. As suas perguntas ao Mestre, mostram-nos uma alma simples, sincera, e um espírito prático que por vezes procurava aplicar na teologia a sua experiência de pescador.

 

Mateus 8:14/15

Vemos que Pedro era casado, ou pelo menos já fora casado, pois tinha uma sogra ainda viva, facto que parece indicar que Pedro seria homem de meia idade.

 

Marcos 3:14/19 e Mateus 10:1/4

Nas listas dos apóstolos, Pedro aparece em primeiro lugar.

Não é intenção deste estudo, efetuar uma abordagem teológica sobre a posição de Pedro na Igreja primitiva, pois para tal necessitaríamos de ponderar outras passagens para ver a opinião de Jesus, dos outros discípulos e do próprio Pedro. Nestas passagens temos a lista dos apóstolos, sem referência a nenhum principal entre eles, pormenor que já nessa altura os preocupava, como podemos ver em Lucas 9:46/48

Se Jesus tencionasse escolher um chefe dos apóstolos, certamente que nesta altura teria desfeito esta dúvida entre eles.

Mas, porque aparece o nome de Pedro em primeiro lugar? Penso que Pedro seria o homem que dá nas vistas, um homem habituado a comandar a sua tripulação do seu barco de pesca. Não seria possível observar o grupo dos apóstolos sem reparar em Pedro, pela sua figura imponente, voz forte e autoritária, habituado a fazer-se ouvir pela sua tripulação, mesmo no meio dos ventos fortes e das tempestades.

 

Mateus 14:24/31

Certamente que já ouvimos muitas pregações sobre esta passagem.

Pedro pediu a Jesus que o mandasse caminhar sobre as águas. Mas... Para quê?

Vejo aqui uma certa influência do homem do mar. Nunca ninguém caminhara sobre o mar, só Jesus, e Pedro o pescador, o patrão da embarcação, também conseguiu.

 

Mateus 16:13/23

Jesus dirigiu uma primeira pergunta a todo o grupo dos apóstolos: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?

O versículo 14, disseram… dá a entender que foram vários os apóstolos a responder a essa primeira pergunta.

Mas surge a segunda pergunta, no versículo 15.E vós, quem dizeis que eu sou?

É sempre muito mais fácil dizer o que dizem os homens, ou qual doutrina da nossa denominação, do que emitir uma opinião, e assumir a responsabilidade duma afirmação pessoal.

A essa segunda pergunta, foi Pedro que respondeu. Será que podemos ver aqui uma influência da sua profissão? Nos trabalhos mais simples e rotineiros a bordo duma embarcação, todos sabem o que têm a fazer, mas as decisões de maior responsabilidade competem ao “patrão da embarcação”.

Perante essa importante declaração de Pedro, Jesus afirma que ele receber uma revelação de Deus. Portanto, falou em nome de Deus, afirmação que certamente terá deixado Pedro feliz e orgulhoso. Isso certamente lhe deu coragem para logo a seguir, no versículo 22, Pedro tomar a Jesus à parte, para repreender o Mestre e tentar dissuadi-lo de seguir o seu caminho da crucificação.

Sabemos o resultado. Jesus disse a Pedro: Afasta-te de mim, Satanás.

Na mesma ocasião, Pedro foi porta voz de Deus e logo a seguis, porta voz de Satanás.

Ele era o apóstolo que pensava e falava imediatamente. Algumas vezes as suas respostas eram acertadas, outras vezes ingénuas.

 

Marcos 9:4/6

Mais uma vez, Pedro se precipita, apesar de toda a sua boa vontade.

Eram três tendas, ou cabanas, feitas de folhas e ramos de árvore. Três toscas habitações, produto das mãos rudes de pescadores, que não são artistas de construção civil, era o que ele queria oferecer a Elias, que foi arrebatado aos Céus num carro de fogo, a Moisés que deixara os palácios do Egipto para servir o povo de Israel, e a Cristo que deixara ao Céus, para se identificar com o homem pecador.

 

Mateus 17:24

Porque será que os cobradores de impostos perguntaram a Pedro e não a Judas que era o tesoureiro do grupo? Certamente devido à figura imponente de Pedro, que se destacava no grupo dos apóstolos.

 

Marcos 9:33/35

Aqui refere-se a todos os discípulos, e Pedro certamente que também estava incluído no grupo. Por aqui vemos que a ambição materialista começou bem cedo entre os apóstolos. Imaginavam o Reino dos Céus como uma continuação do Velho Testamento, uma simples mudança de pessoas e eles iriam ocupar os principais lugares na “nova” sociedade, que seria uma continuação da antiga, com os mesmos vícios e mesmas ambições. É bem possível que Pedro reclamasse para si um dos principais cargos, uma espécie de “sumo-sacerdote” do Reino dos Céus. Mas, houve discussão, e o contexto desta afirmação nos indica o mau sentido da palavra “discussão”. Isto certamente indica que os outros apóstolos não aceitaram a superioridade hierárquica de Pedro e também reclamavam para eles próprios idêntica posição.   

 

Mateus 18:21

Vemos aqui uma certa mentalidade ritual, legalista, veterotestamentária, que se manifesta em Pedro em várias ocasiões.

 

Mateus 19:27

Vemos o mesmo espírito legalista e materialista.

Pedro era apóstolo que trabalhava para receber uma recompensa. Mas afinal, não era o único nessas condições, pois ele falou em nome de todos os apóstolos. No entanto, mais adiante, em Mateus 20:20/24, todos eles se indignaram com o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu. 

 

João 13:5/9

Quando Jesus lavou os pés aos discípulos, certamente que todos teriam tantas dúvidas como Pedro, mas só ele manifestou a sua admiração perante essa atitude do Mestre.

Julgo que é uma qualidade importantíssima, que está faltando ao cristianismo dos nossos dias, em que os crentes podem estar cheios de dúvidas, ignorância, superstição, mas nada perguntam, porque deixou de ser incentivado o diálogo e reflexão nas nossas igrejas.

Pedro foi o primeiro que disse, o que afinal todos pensavam, que Cristo não era a pessoa indicada para tal trabalho que geralmente era feito pelos escravos.

Julgo de realçar a atitude de humildade com que aceitou a correção do Senhor.

Primeiro afirmou “nunca me lavarás os pés”. Mas parece que Pedro era o homem dos extremos para quem só havia 8 ou 80, pois logo a seguir muda para outro extremo pedindo que Cristo lhe lavasse também as mãos e a cabeça.

Afinal, parece que devemos dar graças a Deus por esses crentes imprudentes, por vezes até inconvenientes, mas que têm zelo do Senhor, embora com pouco entendimento. Pedro suscitou novos ensinos e novos esclarecimentos que aqui ficaram registados para nossa edificação. 

Já repararam quantos ensinos importantíssimos o Senhor nos deu, devido à impetuosidade de Pedro?

 

Mateus 26:33/35

Esta é uma passagem muito conhecida, em que Pedro manifesta a sua lealdade a Jesus, baseada na sua coragem, na sua lealdade “a toda a prova” e na sua decisão “inabalável” de seguir a Jesus.

Mas afinal, a decisão era unânime, como vemos na última parte do versículo 35 ... e o mesmo disseram todos os discípulos. No entanto, Pedro foi o primeiro a manifestar-se.

 

Marcos 14:33/37

Nessa ocasião, só lá estavam três discípulos: Pedro, Tiago e João, mas o Senhor repreende a Pedro, tratando-o por Simão.

É interessante, que esta descrição mais pormenorizada, aparece no evangelho de Marcos, que foi o filho espiritual de Pedro. Foi certamente o próprio Pedro que lhe contou, não omitindo este pormenor do seu fracasso.

 

João 18:10/11 e Marcos 14:54/72

Estes dois acontecimentos ocorreram quase de seguida, com um intervalo de poucas horas.

João descreve mais pormenorizadamente a cena em que Cristo é preso, e é o único evangelista que diz que foi Pedro que puxou da espada.

Quanto Marcos, que na altura da prisão de Jesus era uma criança, registou aquilo que lhe foi transmitido pelo próprio Pedro, que melhor do que ninguém sabia o que lhe acontecera.

Segundo podemos ver em Lucas 22:49, alguns discípulos perguntaram “Senhor, feriremos à espada?

Os outros discípulos sentiram a importância do momento que viviam e a grande responsabilidade do seu comportamento nessa altura, mas Pedro nem perguntou, nem esperou pela resposta, tirou imediatamente a espada e atacou.

Entendi oportuno juntar estas duas passagens, não só por estarem tão próximas no tempo, como pelo facto de nos apresentarem dois aspectos opostos do Apóstolo Pedro.

Na altura da prisão de Jesus, embora o grupo dos apóstolos fosse muito mais pequeno e praticamente desarmado, Pedro não hesitou em lutar, e creio que nessa altura, se o Mestre não o repreendesse, ele seria capaz de dar a sua vida por Cristo, como prometera.

Porque será que o mesmo Pedro, pronto a lutar contra um exército, poucas horas mais tarde, vai negar a Cristo perante uma criada?

Penso que não é correto raciocinarmos sobre Pedro só com base na passagem em que ele nega a Jesus.

Fico com a ideia de que Pedro era de facto um homem corajoso, mas corajoso mais pela emoção e pelo entusiasmo do que pela fé. Homem de muita coragem, mas não firmemente corajoso.

Mas há aqui um pormenor muito importante. Mesmo depois de negar a Cristo, Pedro continua a amar o seu Mestre.

 

João 20:1/8

João chegou primeiro ao sepulcro e parou à entrada, mas Pedro não hesitou e tomou a iniciativa de entrar.

 

João 21:2/7

No versículo 3, Pedro foi o primeiro a desanimar.

O contexto da sua afirmação “Vou pescar...”, parece significar “Está tudo acabado”, “Vou voltar à minha antiga vida de pescador”.

Com tal atitude, Pedro influenciou os outros apóstolos.

No entanto, quando reconheceu o Senhor, atirou-se à água e também foi o primeiro que se juntar ao seu Mestre.

 

João 21:15/17

Estamos perante três perguntas aparentemente iguais, por serem muito semelhantes, mas através das quais podemos notar uma gradual transformação em Pedro.

Na primeira vez, Pedro disse que amava a Jesus mais do que os outros, e da última vez, preferiu confiar mais na sabedoria do Senhor do que nas suas próprias promessas.

 

Atos 2:14

Pedro foi o primeiro que falou em nome de todos os apóstolos.

 

Atos 10:43/47

É Pedro quem derruba as tradições milenares dos judeus, a barreira cultural e teológica que separava judeus e gentios, pregando o Evangelho aos gentios.

 

Gálatas 2:11/14

Parece que Pedro continuou a ser um tanto volúvel, inconstante e contraditório. Depois de ter sido ele o primeiro a pregar aos gentios, acaba por retroceder, deixando-se influenciar pelo racismo dos judeus.

 

Conclusão

 

Penso que Pedro pertencia ao grupo de crentes no género de “novo convertido”, inexperiente, impulsivo, conflituoso, mas que apesar disso tinha uma grande virtude. É que Pedro, apesar de por vezes se apresentar um tanto orgulhoso, convencido de ser o melhor e de amar mais a Cristo do que os outros, também sabia reconhecer as suas faltas com humildade.

Há um provérbio que diz “Mulher doente, mulher para sempre” transmitindo a ideia de que a doença é mais grave nas pessoas sãs. Penso que o mesmo se passa na nossa “saúde espiritual”. Os crentes com grandes responsabilidades na Igreja e que nunca tiveram um fracasso, são os que mais vacilam quando falham alguma vez.

Não era este o caso de Pedro. Muitas vezes ele fracassou, e outras tantas vezes se arrependeu. Não só durante a vida terrena do Mestre, mas até depois disso, como vemos nas duas últimas passagens que lemos. 

É difícil chegar a uma conclusão sobre, como era o Apóstolo Pedro como homem.

Afinal, segundo vimos por estas passagens, quando os católicos afirmam que Pedro foi o homem firme e decidido, têm toda a razão, pois ele mostrou essa firmeza em muita das passagens que examinamos.

Mas, quando os protestantes dizem que Pedro foi um homem impulsivo, precipitado, que falava antes de pensar... infelizmente, também vimos que é verdade

Estou a imaginar, que muitos me irão perguntar:

Então, Camilo... em que é que ficamos? Não sabemos se concordas ou discordas dos católicos e o mesmo dizes dos protestantes?!!! Então, como era o apóstolo Pedro?

O catolicismo defende que Pedro foi o representante de Deus depois do ministério de Cristo. Pessoalmente, penso que foi o Espírito Santo quem deu continuidade ao ministério de Cristo. Embora não seja intenção deste artigo abordar esse assunto, mas sim meditar em Pedro como homem, penso que nem Pedro nem nenhum dos outros apóstolos tinha capacidade para ser representante de Deus.

Afinal, vejo em Pedro, todas as virtudes e também todos os defeitos do género humano. Ele bem poderia ser, não o representante de Deus, mas o representante do homem, o nosso representante, pois tinha todos os nossos defeitos e todas as nossas virtudes.

Se tiver de terminar este estudo definindo Pedro com um adjetivo, como os prezados leitores têm todo o direito de esperar, tenho de lhes confessar que não consigo. Todo o adjetivo com que tente classificar Pedro peca por parcial, pois não consegue definir tudo que ele foi.

A não ser.... que lhe possa chamar “Pedro o homem”. Homem como adjetivo, com tudo de complexo que esta palavra encerra e que só o Senhor nosso Deus poderá julgar e compreender.

Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante