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quinta-feira, 27 de junho de 2019

JOGANDO AS REDES


                                                          JOGANDO AS REDES
“E aconteceu que, apertando-o a multidão, para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré;
E viu estar dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes.
E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão.
E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar.
E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede.
E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede.
E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique”. (Lucas 5:1-7)

Esse texto é pra você que têm lutado exaustivamente para conquistar algo; é pra você que está cansado de tanto tentar sem ver resultado; é pra você que já fez tudo o que tinha que ser feito, mas não vê acontecer nada que lhe traga alegria, é pra você que está convencido de que não há mais nada que possa ser feito e está propenso a desistir.
Espere mais um pouco, algo ainda pode acontecer! O texto de Lucas 5:1-7 me incentiva a lhe dizer isso.
Analise comigo a situação: Jesus chega para começar a ensinar no momento em que um grupo de pescadores está encerrando sua jornada de trabalho. O texto diz que eles estão “lavando as suas redes”. Estavam encerrando ali uma jornada fracassada, trabalharam durante toda uma noite e não pegaram nada.
Lavar as redes significava dar a tarefa por encerrada, era o mesmo que dizer: chega, acabou! Hoje o fracasso nos venceu. Fizemos tudo o que era preciso e possível ser feito, mas não adiantou.
Quantas vezes você já se sentiu assim? Com a sensação de que não há mais nada a ser feito a não ser desistir? Quantas vezes você já sentiu o gosto amargo da derrota?
Era exatamente assim que os pescadores se sentiam. Desanimados, eles lavavam as suas redes. Mal sabiam eles que seu entendimento seria desafiado naquela manhã, a partir daquele dia eles aprenderiam que nenhuma lógica ou experiência humana é mais poderosa do que o agir de Deus.
Nada termina enquanto Deus não determina! Enquanto eles estavam terminando, Jesus estava só começando.
Como primeira ação, Jesus pede a um dos pescadores que lhe empreste o seu barco para servir de “púlpito”. Um barco não é construído com esse objetivo, um barco é feito para pescar e não para pregar. Talvez Simão tenha pensado: “era só que me faltava, além de não pescar nada ainda vou ter que emprestar o meu barco para um pregador”.
Mas emprestar o barco foi a senha para o milagre. Antes de Jesus resolver o problema dos pescadores, Ele queria resolver o problema dos pecadores! Antes de suprir a necessidade daquilo que eles não tinham, Jesus usa aquilo que eles tinham. Naquela manhã aquele barco era sinônimo de fracasso, mas Jesus precisava dele para ensinar a multidão.
Nosso aparente fracasso serve como ensinamento para muita gente. Assim como o barco de Simão, as circunstâncias da nossa vida mostram a muitos que tudo pode mudar quando Jesus está no controle.
Após usar o barco como plataforma de ensino, chega a hora de vencer o fracasso. Depois de usar nossas experiências dolorosas e fracassadas para mostrar que Ele têm a última palavra, Jesus muda a nossa história.
Muita gente quer primeiro receber o milagre para depois entregar o barco. Não funciona assim, Jesus não nos seduz com presentes, Ele não nos compra com milagres, o que Ele faz é honrar a nossa fé.
Jesus ensinou uma multidão naquela manhã, mas era Simão quem Ele queria ensinar em particular. Jesus queria dar experiência para aquele homem que mais tarde se chamaria Pedro e seria um dos seus apóstolos. Por isso Jesus lhe dá uma ordem: “faze-te ao mar alto e lançai as vossas redes”.
Quem mais conhecia de pesca do que Pedro? O local aonde poderiam estar os peixes, a hora apropriada para pescar; Jesus estava desafiando a experiência e o entendimento humano de Pedro e ensinando-lhe uma grande lição: o agir de Deus não está condicionado ao tempo cronológico, nem as forças da natureza e muito menos à lógica humana.
Ele sabe a direção, Ele sabe o momento. Pedro entendeu isso: “E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede”.
Se Jesus falou, faça! Mesmo que a Sua ordem desafie totalmente o seu entendimento. Se Ele diz pra ir com Ele até as águas profundas, vá!  Certamente é lá que estarão os maiores peixes. Obedeça, mesmo que pareça ser pouco provável.
E derrepente, as redes se encheram de peixes, e quase se romperam devido ao tamanho do milagre.
Se você entregar á Jesus a sua vida, os seus sonhos, as suas lutas, Ele ensinará a muitos através de você. E se você obedecer a Ele, certamente terá um testemunho de vitórias pra contar.
Por isso não desanime, não desista, ainda não é o fim. Jesus pode estar só começando a realizar o milagre que você tanto espera. Você está pensando em parar? Jesus está lhe dizendo: Tente mais uma vez!
Após uma grande frustração, pode acontecer um grande milagre. Não lave já as suas redes, você ainda vai precisar delas!
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quarta-feira, 26 de junho de 2019

MANSIDÃO, GENTILEZA E HUMILDADE


                                          MANSIDÃO, GENTILEZA E HUMILDADE
A mansidão merece uma atenção especial uma vez que figura como uma das partes do caráter do cristão que são destacadas por nosso Senhor nas bem-aventuranças em Mateus 5.1-12.
Um espírito manso e humilde é o espirito de Cristo, de modo que uma disposição iracunda, irritadiça e prepotente não é pertencente à divindade.
A mansidão é um dos componentes do fruto do Espírito Santo porque ela faz parte do caráter do próprio Deus, e desta devemos compartilhar.
É por conseguinte, com espírito de mansidão de coração, e não apenas exterior, que devemos viver neste mundo, e esta deve estar presente no nosso comportamento e ações, mesmo quando somos perseguidos e contraditados, quando corrigimos os erros daqueles que se encontram sob a nossa autoridade, e não devemos abdicar dela diante de todos os homens.

Como todas as demais virtudes de Cristo, a mansidão deve ser aprendida no exemplo do próprio Senhor e segundo a eficácia da Sua graça operando em nós.
Não há outro modo de se ter um coração sossegado, aquietado, e em paz, em mundo conturbado como o nosso, a não ser por se ter aprendido a ser manso e humilde como é o nosso Senhor.
Para confirmar que o caráter dos cidadãos do Seu Reino do Céu é o de mansidão, nosso Senhor nos revelou esta verdade quando cumpriu a profecia entrando triunfalmente em Jerusalém montado em um jumentinho.

Deus se agrada de nós, portanto, somente quando agimos com mansidão de coração, porque esta a ninguém faz mal, e não conturba a paz que Ele tanto ama.
Como seria de se esperar, o mundo não valoriza a mansidão divina – ao contrário – valoriza um comportamento irreverente, arrogante, agressivo, conforme o que é muito comum de se ver e ser aplaudido em filmes, novelas televisivas, e até mesmo nas relações interpessoais no ambiente de trabalho e nos lares de um modo geral.
De tanto acostumados que podemos ficar à exibição deste tipo de comportamento corremos o risco de refletir o mesmo em nossas atitudes e ações, sem sequer nos darmos conta disto, uma vez que a prática é amplamente generalizada e tolerada.
Falar em mansidão, gentileza e humildade em nossos dias soa como algo medieval, anacrônico, estranho.

Todavia, é aí onde Deus focaliza a Sua atenção e o Seu galardão, pois promete dar a terra como herança somente aos que têm um caráter manso.
Se quisermos ser bem-sucedidos na vida cristã, teremos que navegar na contramão desse mundo, especialmente nos dias em que vivemos.
Não há como conciliar o que o mundo aprova com o que Deus aprova.
A mansidão aqui referida não é aquela que é pertinente ao tipo de temperamento natural que é brando, melancólico ou fleumático, e este não se encontra portanto em nenhuma vantagem sobre aquele que é de temperamento sanguíneo ou colérico, uma vez que o temperamento natural, tanto num caso, como noutro, não se sustenta em mansidão de mente e coração diante das adversidades.

A mansidão aqui referida como afirmado nas Escrituras é fruto do Espírito Santo, e em assim sendo, importa que seja implantada pelo poder de Deus no nosso caráter. Isto é aprendido e incorporado à vida no exercício cotidiano dos embates que temos que enfrentar.
Sendo interior e fruto do Espírito ,a mansidão guardará as nossas mentes e corações em paz e tranquilos em toda e qualquer circunstância, por estarmos conscientes do seu valor e realidade.

Importa então, que sejam reanimados, aqueles que desacreditaram no valor ou realidade da mansidão, por algum tipo de frustração que sofreram em relação àqueles que pensavam ser detentores da citada virtude e que no entanto falharam em determinados momentos críticos em que foram colocados à prova. Certamente a mansidão que alegavam possuir era fruto do seu temperamento natural, e não o fruto do espírito que é forjado na nossa alma, porque este último é vitorioso e duradouro, tendo uma vez sido obtido e mantido em exercício.
Temos a Palavra para nos ensinar a respeito dessa verdade, e faremos bem em observá-la com o devido cuidado.



*Leia a seguir os versículos bíblicos contendo destacadas as palavras
1 – praus (grego) – manso, gentil, humilde
2 – praotes (grego) – mansidão, humildade, gentileza
3 – anavah (hebraico) – mansidão, brandura, gentileza, humildade
4 – anav (hebraico) – manso, humilde

1 – praus (grego) – manso, gentil, humilde
Mateus 5.5 Bem-aventurados os mansos (praus), porque eles herdarão a terra.
Mateus 11.29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso (praus) e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.
Mateus 21.5 Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso (praus) e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga.
I Pedro 3.4 mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso (praus) e tranquilo, que é precioso diante de Deus.
2 – praotes (grego) – mansidão, humildade, gentileza
I Corintios 4.21 Que quereis? Irei a vós com vara, ou com amor e espírito de mansidão (praotes)?
II Corintios 10.1 Ora eu mesmo, Paulo, vos rogo pela mansidão (praotes) e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, mas quando ausente, ousado para convosco;
Gálatas 5.22 Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade.
Gálatas 5.23 a mansidão (praotes), o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.

Gálatas 6.1 Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão (praotes); e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado.
Efésios 4.2 com toda a humildade e mansidão (praotes), com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,
Colossenses 3.12 Revestí-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão (praotes), longanimidade,
I Timóteo 6.11 Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão (praotes).
II Timóteo 1.25 corrigindo com mansidão (praotes) os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,
Tito 3.2 que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas moderados, mostrando toda a mansidão (praotes) para com todos os homens.
Tiago 1.21 Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal, recebei com mansidão (praotes) a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas.
Tiago 3.13 Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão (praotes) de sabedoria.
I Pedro 3.15 antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão (praotes) e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;
3 – anavah (hebraico) – mansidão, brandura, gentileza, humildade
2 Samuel 22.36 Também me deste o escudo da tua salvação, e tua brandura (anavah)me engrandece.
Salmo 18.35 Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me sustém, e a tua mansidão (anavah) me engrandece.

Provérbios 15.33 O temor do Senhor é a instrução da sabedoria; e adiante da honra vai a humildade (anavah).
Provérbios 18.12 Antes da ruína eleva-se o coração do homem; e adiante da honra vai a humildade (anavah).
Provérbios 22.4 O galardão da humildade (anavah) e do temor do Senhor é riquezas, e honra e vida.
Sofonias 2.3 Buscai ao Senhor, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão (anavah); porventura sereis escondidos no dia da ira do Senhor.
4 – anav (hebraico) – manso, humilde
Números 12.3 Ora, Moisés era homem mui manso (anav), mais do que todos os homens que havia sobre a terra.
Salmo 9.12 Pois ele, o vingador do sangue, se lembra deles; não se esquece do clamor dos humildes (anav).
Salmo 10.12 Levanta-te, Senhor; ó Deus, levanta a tua mão; não te esqueças dos humildes (anav).
Salmo 10.17 Tu, Senhor, ouvirás os desejos dos mansos (anav); confortarás o seu coração; inclinarás o teu ouvido,
Salmo 22.26 Os mansos (anav) comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam. Que o vosso coração viva eternamente!
Salmo 25.9 Guia os mansos (anav) no que é reto, e lhes ensina o seu caminho.
Salmo 34.2 No Senhor se gloria a minha alma; ouçam-no os mansos (anav) e se alegrem.
Salmo 37.11 Mas os mansos (anav) herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.
Salmo 69.32 Vejam isto os mansos (anav), e se alegrem; vós que buscais a Deus reviva o vosso coração.
Salmo 76.9 quando Deus se levantou para julgar, para salvar a todos os mansos (anav) da terra.
Salmo 147.6 O Senhor eleva os humildes (anav), e humilha os perversos até a terra.
Salmo 149.4 Porque o Senhor se agrada do seu povo; ele adorna os mansos com a salvação.
Provérbios 3.34 Ele escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes .
Provérbios 16.19 Melhor é ser humilde de espírito com os mansos , do que repartir o despojo com os soberbos.
Isaías 11.4 mas julgará com justiça os pobres, e decidirá com equidade em defesa dos mansos  da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio.
Isaías 29.19 E os mansos  terão cada vez mais gozo no Senhor, e os pobres dentre os homens se alegrarão no santo de Israel.
Amós 2.7 Pisam a cabeça dos pobres no pó da terra, pervertem o caminho dos mansos ; um homem e seu pai entram à mesma moça, assim profanando o meu santo nome.
Sofonias 2.3 Buscai ao Senhor, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura sereis escondidos no dia da ira do Senhor.
Apóstolo. capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

terça-feira, 25 de junho de 2019

O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE


                                              O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE

INTRODUÇÃO
Como foi a origem do mal? Teólogos e filósofos são unânimes em afirmar que esta é uma questão muito difícil de responder. A Bíblia não relata a época em que o mal aconteceu, mas infere-se que foi antes da criação do homem e mesmo antes da criação do universo material. Em João 8.44, Jesus refere-se a Satanás (o diabo) como existindo desde “o princípio”, palavra grega (archês) que significa uma existência anterior à criação (Jo 1.1). Em Judas 6, o escritor refere-se a anjos que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram a sua própria habitação, o céu. Portanto, o pecado não foi uma criação, mas teve a sua origem no coração de seres angelicais.

Se não sabemos como o mal se originou, não podemos contudo, negar a sua existência. O mal existe dentro de nós e ao nosso redor. Todos somos pecadores e praticamos o mal.

Este estudo tem como objetivo apresentar o ensino bíblico sobre o pecado na vida do homem.

O QUE É O PECADO?

Os teólogos de Westminster respondem; “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou qualquer transgressão dessa lei”. Na minha opinião, este é o mais completo conceito de pecado pois se baseia no vocabulário bíblico.

Todo pecado é uma iniquidade que significa “transgressão da lei de Deus!” Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei( 1 Jo 3.4). Também toda iniquidade é pecado que quer dizer “injustiça”. “Toda injustiça é pecado” (1 Jo 5.17). Portanto, João nos ensina que tanto a transgressão quanto a não conformidade com a Lei de Deus são pecados. O pecado é uma oposição a Deus.

Em Romanos 3.23 lemos: “…pois todos pecaram e carecem da glória de Deus…”. Aparece a palavra “pecar” (hamartano) que significa “errar o alvo” ou “fracassar”. Indica tanto a disposição para pecado como o próprio ato de pecar.

Em Romanos 4.15, Paulo diz: “…porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão”. O termo “transgressão” (parabasia) traz a ideia de “passar do limite”, “desviar-se”, “transgredir ou violar”.

Em Efésios 1.7: “…no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça…”, aparece a palavra “pecado” (parap-toma), com sentido de “ofensa” ou “passo em falso que induz à queda”.

Conclui-se, pois, destas passagens, que o pecado é uma exaltação da vontade humana em oposição à vontade de Deus. É uma forma deliberada e ativa de viver em oposição ao Senhor e a sua Lei.

O PECADO ORIGINAL

Chama-se “pecado original” ou “primeiro pecado” aquela atitude de nossos primeiro pais quando tiveram de escolher entre as alternativas de obedecer a Deus e permanecer no estado de santidade em que foram criados ou desobedecer a Deus, cedendo à tentação e perdendo a sua natureza santa.

Berkhof define de forma tríplice “o pecado original”: primeiro, porque é derivado da raiz original da raça humana; segundo, porque está presente na vida de todo e qualquer indivíduo, desde a hora do seu nascimento e, portanto, não pode ser considerado como resultado de imitação; e, terceiro, porque é a raiz interna de todos os pecados concretizados que corrompem a vida do homem.

A santidade original do homem não era imutável. O homem, porém tinha o livre arbítrio de continuar ou não no seu estado de santidade. Mas porque Deus permitiu que ele caísse? Nenhuma resposta nos convence plenamente. O certo é que Deus colocara à prova o homem que Ele criou (Gn 2.8-17). O objetivo da prova era a transformação da santidade mutável do homem em santidade imutável e permanente da natureza em caráter santo. Se o homem tivesse resistido, suas virtudes teriam sido fortalecidas. Alguém já disse o seguinte: No Éden o homem não podia pecar; depois da queda, o homem não pode deixar de pecar; e após a ressurreição, o homem não poderá pecar jamais.

2.1. Os Passos da Tentação. Observando a narrativa bíblica que descreve a tentação e o pecado original, Gênesis capítulo 3, detectamos os seguintes passos da tentação. Satanás, utilizando toda a sua inteligência e sagacidade, toma a iniciativa:

Falsificando a Palavra. Negou a bondade de Deus dizendo: “…É assim que Deus disse: não comereis de toda a árvore do jardim?’ (3.1).

Adulterando a Ordem. Exagerou a severidade da ordem divina: “Não comereis de toda…” (3.1).

Contradizendo a Deus. Negou a veracidade da palavra de Deus: “…É certo que não morrereis” (3.4).

Inversão de Valores. Inverteu o valor do fruto proibido: Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal (3.5).

Inversão de Consequências. Inverteu as consequências da desobediência: “certamente não morrereis”, “se vos abrirão os olhos” e “como Deus sereis”.

2.2. As consequências do Pecado. As consequências do pecado, de forma extensiva, alcançaram a serpente (maldição), a Satanás (destruição), a mulher (sujeição e dores), ao homem (tristeza e trabalho árduo) e a terra (maldição) – Gn 3.14-19.

Para o homem, a natureza dessas consequências são: a depravação total, que consiste na corrupção de sua natureza moral, que o inclina totalmente para o mal; a culpabilidade, que o torna merecedor do castigo divino; a penalidade, que consiste no castigo que será aplicado por Deus. Essa pena consiste em morte, perdição, castigo eterno e condenação (Rm 7.18,23; Ef 2.1; Rm 5.12).

Na minha visão, a mais nefasta consequência do pecado foi a sua transmissão à toda a raça humana. O que a Bíblia ensina como a “universalidade do pecado” – S1143.2; Rm 3.10,12-23; 1 Jo 1.8.

CONCLUSÃO

O pecado é um dos fenômenos mais comuns da vida humana e faz parte da experiência comum da humanidade. Todos os homens são pecadores. Não há um justo sequer. O pecado é uma disposição interior para o mal, é uma oposição voluntária do homem para com Deus. 
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

segunda-feira, 24 de junho de 2019

VENCENDO A FÚRIA DO MAR


                                                     VENCENDO A FÚRIA DO MAR
“E logo ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto despedia a multidão. E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só. E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário; mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar. E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? E, quando subiram para o barco, acalmou o vento. Então aproximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus.” – Mateus 14:22-33.
Em nossa trajetória nessa vida enfrentamos, em determinados momentos, ventos e tempestades arrasadores, situações inesperadas que ultrapassam nossa capacidade e nossa força. Não importa se você é um doutor formado na melhor universidade ou se você é uma pessoa humilde que não teve oportunidades de estudar; não importa se você é rico ou pobre, se é empregado ou patrão, se é capacitado ou não… Quando um vento contrário nos atinge esses “rótulos da sociedade” deixam de existir e a situação torna-se insustentável. A pergunta aqui é: o que fazer para vencer os ventos contrários? Como agir diante das adversidades da vida?
Veremos nessa mensagem o exemplo deixado pelos discípulos no Mar da Galiléia e aprenderemos como superar os momentos adversos que atingem cada um de nós.
1- Esteja enquadrado na vontade de Deus
Se lermos atentamente  Mateus 14:22 perceberemos que os discípulos não estavam no Mar da Galiléia a toa. Em Mateus 14:22 diz: “Logo em seguida ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão”.
Os discípulos foram para o mar obedecendo a ordem de Jesus, seguindo assim a vontade do Senhor. Não estavam lá por capricho, nem a passeio, mas tinham uma ordem para cumprir. Dessa maneira aprendemos o primeiro ensinamento para quem quer vencer os ventos contrários: enquadre-se na vontade do Senhor, obedeça as Suas ordens.
Se você for submisso a Deus, obedecendo-lhe em tudo e ouvindo a Sua voz, certamente Ele verá a sua situação e virá como seu socorro bem presente no momento da angústia para livrá-lo do mal.
O Senhor não requer sacrifícios dos homens, mas obediência! Veja a resposta do profeta Samuel para Saul quando este tentava justificar-se de sua desobediência ao mandado de Deus:
“Porém Samuel respondeu: Tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça a sua palavra? Obedecer é melhor do que sacrificar, e atender melhor é do que a gordura de carneiros.” – I Samuel 15:22
Por isso não adianta fazer sacrifícios, votos a Deus ou promessas de espécie alguma. O Senhor não requer isso e não é isso que O agrada. Quer ser agradável ao Senhor? Então obedeça a Sua vontade, submeta-se a Cristo e você verá a recompensa que o bom servo recebe de seu Senhor.
“O seu senhor lhe disse: Bem está servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu senhor.” Mateus 25:21
2- Não questione ao Senhor
Na mesma narrativa em Marcos 6:31-32 vemos que Jesus, ao receber os discípulos (pois havia enviado os doze, de dois em dois, pelas cidades, para anunciar as boas novas do reino dos céus) pretendia levá-los para um lugar deserto, a fim de que eles se alimentassem e descansassem. Mas no versículo 33 vemos que as multidões, vendo-os sair, seguiram eles e chegaram antes deles ao local para o qual estavam se dirigindo.
Os discípulos estavam cansados e não tiveram tempo de descansar, apesar de Jesus ter tentado dar-lhes descanso, pois o povo não permitiu. Logo depois o Senhor mandou-lhes entrar no barco e ir para o outro lado do mar. Eles estavam cansados e ainda receberam essa ordem e teriam que remar, gastando mais energia para cumprir a vontade do Senhor.
Um ponto interessante aqui é que não vemos nenhum deles resmungando, nem questionando, nem reclamando. Eles só queriam obedecer. Esse é o segundo ensino para vencermos os ventos contrários: não questione a ordem que você receber de Deus, mesmo que você já esteja cansado pelas lutas e situações do seu cotidiano. Lembre-se que na parte C de Romanos 12:2, está escrito que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Siga essa vontade, não questione nem murmure e o Senhor te fará prosperar e vencer.
“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” – Salmo 37:5
3- Não desista! Lute!
Os discípulos de Jesus, nessa passagem que lemos, nos dão um grande exemplo acerca de perseverança e luta. Quando lemos novamente a passagem em Mateus 14:23-24 vemos que ao cair da tarde, Jesus estava sozinho no monte orando e o barco já estava no meio do mar, açoitado pelas ondas, porque o vento era contrário.
Para compreendermos a lição de perseverança que os discípulos nos dão, você deve saber algumas coisas sobre o Mar da Galiléia e a contagem de tempo naquela época. Primeiramente, apesar do nome muitas vezes ser dado como Mar da Galiléia, na verdade se trata de um lago com aproximadamente 21 quilômetros de comprimento por 13 quilômetros de largura que, muitas vezes, era açoitado por fortes ventos e tempestades.
Vemos que ao cair da tarde os discípulos já estavam no meio do mar, sofrendo com os ventos contrários. O cair da tarde para os judeus indica o fim do dia e princípio da noite, correspondente ao horário das 18 horas. A noite e o dia para os judeus são divididos em 12 horas, de forma que do nascer ao pôr-do-sol é contado 12 frações de tempo e o mesmo para a noite. No caso da noite, os judeus contavam como vigílias de 4 horas cada, existindo assim 3 vigílias e os romanos contavam 4 vigílias de 3 horas. Os autores dos evangelhos fizeram uso da vigília romana para indicar o tempo que os discípulos ficaram no mar. Assim no versículo 25 vemos que os discípulos continuavam lutando contra a fúria do vento e já era a quarta vigília da noite, ou seja, entre 3 e 6 horas da manhã.
Eles estavam remando há cerca de 9 horas sem parar tentando cumprir a vontade de Jesus e chegar do outro lado. Lembre-se que a extensão desse mar é 13 Km de largura e eles não estavam na parte mais larga. Eles estavam remando e remando sem sair do lugar a horas, continuavam no meio do mar. Suas forças certamente estavam acabando. Eles eram homens acostumados com o mar (eram pescadores), tinham experiência nessa área, técnicas para enfrentar ventos e ondas impetuosas, mas apesar de tudo isso não estavam conseguindo vencer a situação.
Talvez seja exatamente isso que você esteja enfrentando hoje. Uma situação incontrolável, que foge de sua capacidade de solucionar. Talvez você já tenha usado todos os recursos, toda a sua experiência e conhecimento, sem resultado nenhum. Suas forças, assim como os discípulos, podem estar acabando… Mas não pare de lutar! Faça como o exemplo dos discípulos: lute, persevere, aguente firme, esforce-se ao máximo porque o Senhor virá em teu auxílio. Ele vai te ajudar nessa situação, creia e persevere! Não desista, pois não há vento nem tempestade que possa impedir o Senhor de te abençoar. Ele está vendo o seu esforço e a sua luta, porque nada passa despercebido aos olhos do Senhor.
Leia o que está escrito em Marcos 6:48: “E, vendo-os fatigados a remar, porque o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando por sobre o mar”.
Jesus viu o esforço deles e que já estavam cansados de lutar. Ele também está vendo o seu esforço e, assim como veio em socorro dos discípulos naquele tempo, também virá em seu socorro nesse tempo presente, pois “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje, e eternamente” – Hebreus 13:8.
Tome posse dessa palavra e fique firme em Nome de Jesus!
4- Jesus andou sobre o mar
O nosso Deus é Todo Poderoso, tem todo o poder no céu e na terra. Ele andou por sobre o mar, não se importando com a fúria dos ventos ou a força das ondas. Sabe por que Ele fez isso? Para mostrar a nós o seu eterno poder e para que saibamos que não há limites nem impossíveis para Ele.
Aquilo que tem pesado sobre você não tem peso algum para o Senhor. A situação que tem oprimido e perturbado você não é maior do que o nosso Deus! Jesus caminhou por sobre o mar para mostrar aos discípulos que aquilo que os estava oprimindo por horas não era nada diante Dele e estava totalmente em Seu controle, debaixo de Seus pés. O mar revolto e as ondas ficaram sob os pés de Jesus, que caminhava sobre elas calmamente.
Isso é profético para a sua vida! Não importa o tamanho do problema, nem a força do vento contrário, Jesus Cristo tem poder para andar sobre essa adversidade e te dar a vitória! Creia Nele de todo o seu coração, aguente firme e veja o livramento do Senhor sobre a sua vida!
5- A dúvida e a fé
No versículo 28 até o 31 vemos algo muito interessante acerca da fé e da dúvida. A fé é o agente que move o poder de Deus a favor daquele que crê. A dúvida faz o homem se perder e afundar. Observe o que ocorre com Pedro: ele pede ao Senhor uma palavra para poder andar sobre as águas (versículo 28); o Senhor profere a palavra e Pedro começa a andar pelas águas (versículo 29); enquanto conservou a fé no que Jesus disse manteve-se em pé sobre a situação; pela fé caminhou em meio a ondas e forte vento, o que os discípulos, juntos, não conseguiam vencer.
A fé fez com que Pedro andasse sobre as águas e, se ele tivesse conservado a fé, teria chegado a Jesus tranquilamente. Contudo, observando em volta e vendo a fúria do vento e do mar ele temeu, duvidou, e a fé deu lugar a incerteza, fazendo-o afundar (versículo 30).
A dúvida e a fé cumprem papéis antagônicos na nossa vida. A primeira te faz afundar, a segunda te faz caminhar. A primeira te faz cair, a segunda te faz levantar. A primeira move a situação sobre você (quando Pedro duvidou o mar começou a engoli-lo), a segunda move você sobre a situação (te faz caminhar sobre o mar).
Portanto, crer no Senhor e conservar a fé é outro ensinamento que uma pessoa deve aprender para vencer os ventos contrários e o mar revolto.
6- O vento cessa quando Jesus entra no barco
Observamos na leitura de Mateus 14:22-32 que em todo o tempo da narrativa o vento não parou de soprar contra o barco dos discípulos. Eles remam por cerca de 9 horas e o vento estava soprando. Jesus começa a caminhar por sobre as águas e o vento não cessou. Pedro pede permissão e vai ao encontro de Jesus por sobre o mar e o vento continua forte. O Senhor salva a Pedro de se afogar e o vento continua soprando. Somente no versículo 32, quando Jesus entra no barco, o vento cessou.
Sabe qual é o ensinamento em tudo isso? O ensino é que não importa o quanto você lute, nem o quanto se esforce, o vento na sua vida só vai cessar se Jesus puder entrar no seu barco! Tudo o que dissemos aqui: obediência ao mandamento, não questionar as ordens recebidas, perseverança, ter fé, somente terá resultado contra os ventos contrários se Jesus entrar no barco da sua vida.
Portanto, se você está enfrentando um forte vento contrário, se você esforçou-se e lutou, mas não conseguiu sair dessa situação, não perca mais tempo. Entregue o controle de seu barco a Jesus, convide-o para entrar em sua vida. Somente assim o vento que te castiga até agora irá cessar e você poderá chegar ao outro lado.
Se você ainda não entregou a vida a Cristo, confessando-o como seu Único e Suficiente Senhor e Salvador ou se você está caído, afastado do evangelho, venha para os braços do Pai hoje. Entregue a sua vida a Ele, confesse os seus pecados, confie Nele e então verá o rumo de sua embarcação mudar, sua história não será mais a mesma e as bênçãos do Senhor serão derramadas sobre você!
Transforme o vento contrário em brisa suave que sopra em seu favor confessando a Jesus Cristo como seu Único e Suficiente Salvador.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

domingo, 23 de junho de 2019

COMO O PASTOR DEVE TRATAR AS OVELHAS


                                         COMO O PASTOR DEVE TRATAR AS OVELHAS
O homem que ocupa o cargo pastoral na igreja de Deus é designado no Novo Testamento por três termos distintos: pastor, presbítero e bispo (At 20.17,28; Ef 4.11; Tt 1.5,7). Cada um desses termos destaca diferentes aspectos das funções que o ministro cristão deve exercer junto ao povo que Deus lhe confiou.
O termo “pastor” (poimén) é o mais abrangente entre os três supracitados, pois realça as tarefas de proteger e apascentar (o que inclui conduzir) um rebanho. A figura do pastor da igreja como protetor do rebanho de Deus aparece em Atos 20.28-31. Nessa passagem, Paulo, despedindo-se dos pastores da igreja de Éfeso, diz que lobos vorazes atacariam as ovelhas do Senhor que estavam sob seus cuidados e não as poupariam, arrastando-as à destruição por meio de ensinos perversos. Segundo Paulo, diante dessa ameaça, os pastores deveriam vigiar, mantendo-se sempre atentos e prontos, a fim de afugentar aquelas feras malignas e manter o rebanho de Deus ileso.

Obviamente, esse aspecto da função pastoral é imperativo aos ministros de Cristo de todas as épocas e de todos os lugares, enquanto dirigem as igrejas em que foram postos. Aliás, o Apocalipse revela que os pastores de Pérgamo e de Tiatira foram negligentes precisamente na realização dessa tarefa, sendo esse o motivo pelo qual o Senhor os censurou tão severamente (Ap 2.14-16, 20-23).

Conforme já referido, o vocábulo grego poimén (e o verbo poimaino, associado a essa palavra) também aponta para a tarefa de apascentar, ou seja, prover as necessidades das ovelhas, conduzindo-as na direção de bons pastos e de água fresca. Com base na figura que esses termos evocam, conclui-se que o pastor, como oficial eclesiástico, também deve apascentar o povo de Deus, garantindo-lhe o suprimento de alimento e de refrigério espirituais.

Não restam dúvidas de que o crente precisa de alimento para a alma (Mt 4.4; 1Pe 2.2). Ora, o ofício de pastor está entre aqueles que Deus instituiu exatamente para fornecer esse alimento aos crentes (2Tm 4.1,2), a fim de que eles sejam equipados para o serviço dos santos, cresçam na unidade da fé, amadureçam nas virtudes de Cristo e deixem de ser como meninos facilmente levados por qualquer vento de doutrina (Ef 4.11-14).

Apascentar o rebanho de Cristo, porém, não abrange somente oferecer-lhe o alimento da Palavra com o fim de transmitir conhecimento e gerar maturidade. O pastor zeloso tem de ir além disso e, sempre com a Palavra do Senhor em punho, deve trabalhar para satisfazer também as necessidades de consolo e descanso das ovelhas de Jesus. Nesse aspecto, é notório que, nas Escrituras Sagradas, a condução ao alívio e ao refrigério é uma prática distintamente pastoral (Sl 23.1-3; Ap 7.17), sendo certo que a falta desse trabalho é um dos motivos pelos quais as pessoas passam a viver cansadas e aflitas (Mt 9.36).

Ora, há diversas situações em que o pastor poderá atuar como alguém que conduz a ovelha cansada ao repouso, mas um exemplo prático dessa forma de agir é mencionado em Tiago 5.14-15. Nesse texto, o escritor bíblico (ele mesmo um pastor) ensina que, quando alguém estiver doente, deve chamar os presbíteros da igreja. Estes, então, orarão pelo enfermo e tentarão trazer-lhe algum alívio tanto físico como espiritual — o emprego do óleo mencionado nesse texto tinha objetivos simbólicos (a representação do favor de Deus vindo sobre o enfermo) e humanitários (o óleo era usado para dar refrigério). Em nada essa prática se assemelhava ao curandeirismo evangélico que se vê hoje em dia. Esse tipo de visita, marcada por afeição, cuidado e até serena admoestação, é uma das mais tocantes expressões do trabalho do homem de Deus ocupado em apascentar o rebanho de Cristo, levando-lhe refrigério.

O Novo Testamento ensina ainda que o pastoreio cuidadoso das ovelhas de Cristo é uma das provas principais do amor do ministro por seu Senhor (Jo 21.15-17). Conforme o ensino de Pedro, esse nobre trabalho deve ser realizado de boa vontade, nunca por mera obrigação e, em hipótese alguma, movido pelo anseio de receber alguma vantagem financeira desonesta (1Pe 5.2). Pedro diz ainda que o homem de Deus, no exercício do pastorado, não pode agir como um déspota dominador que subjuga e oprime as pessoas. Antes, tem de exercer sua autoridade apresentando-se como modelo para os irmãos (1Pe 5.3).

O segundo termo designativo da atividade pastoral é “presbítero” (presbyteros). Essa palavra também está ligada à tarefa de ensinar (1Tm 5.17), pastorear (1Pe 5.1,2) e cuidar (Tg 5.14). Porém, o termo evoca ainda outros deveres que apontam para uma posição de destaque e de liderança (At 21.17-19).

Em seu significado básico, o presbítero é um ancião. Assim, em um sentido não técnico, o termo se refere a um homem idoso (At 2.17). Já em sentido técnico, como nos casos em que é usado para designar os oficiais da igreja, a palavra sugere a ideia de honorabilidade e sabedoria. Visto ainda a partir da realidade cultural dos tempos bíblicos, o vocábulo “presbítero” evoca a figura do homem revestido de autoridade que realizava a tarefa de julgar demandas e dirimir conflitos entre indivíduos em litígio.

Ora, tanto a experiência como a própria Escritura mostram que essa função é necessária na igreja, sendo uma forma de evitar que as disputas entre crentes sejam levadas ao magistrado civil, contrariando o ensino apostólico (1Co 6.1-6). Sendo, pois, esse trabalho tão importante e delicado, é o pastor que, atuando como presbítero, deverá realizá-lo ou, no mínimo, presidi-lo, aplicando a cada caso concreto os princípios e preceitos específicos da Palavra de Deus que sejam então cabíveis.

Realizando a importante função de julgador dentro da comunidade da fé, o presbítero será, obviamente, alvo especial de pessoas que se sentirem contrariadas por suas decisões. Por isso, a Escritura proíbe que acusações contra ele sejam aceitas, exceto sob o depoimento de duas ou três testemunhas (1Tm 5.19).

No Novo Testamento, o termo “presbítero” também aparece ligado à tarefa de receber recursos destinados ao auxílio dos carentes, indicando que os pastores são os responsáveis por avaliar a real necessidade de cada um no momento da distribuição da ajuda material ofertada aos pobres da igreja (At 11.29,30). Como juízes, eles também aparecem deliberando acerca de disputas ético-doutrinárias, examinando as razões expostas pelas partes em conflito e, finalmente, emitindo seu parecer que, estando em harmonia com a revelação de Deus em sua Palavra, é acolhido por toda a igreja (At 15.2,4,6,22).

O terceiro vocábulo usado na Bíblia para designar o ofício pastoral é “bispo”. O substantivo grego (epískopos) aparece somente cinco vezes no Novo Testamento, sendo que em uma dessas vezes  se refere a Cristo (1Pe 2.25). As outras quatro ocorrências (At 20.28; Fp 1.1; 1Tm 3.2; Tt 1.7) dizem respeito a líderes da comunidade cristã.

Epískopos é um termo relacionado à atividade de supervisionar ou administrar. Esse sentido se encaixa perfeitamente em um dos deveres pastorais, ou seja, o trabalho de inspecionar a igreja de Deus, primando pela sua pureza vivencial e doutrinária a fim de que ela, em tudo, reflita o caráter do Senhor e seu reto ensino.

Evidentemente, para realizar as funções implícitas nos termos “pastor”, “presbítero” e “bispo” o ministro eclesiástico precisará ter um amplo conhecimento bíblico e teológico (2Tm 2.15). Sem isso, seu trabalho destruirá a igreja, arruinará vidas e, do ponto de vista bíblico e espiritual, será um fracasso completo.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religioso Dr. Edson Cavalcante

sábado, 22 de junho de 2019

MULHERES ANGUSTIADAS


                                                     MULHERES ANGUSTIADAS
Introdução
Assim como nos dias de Pedro, hoje, muitas mulheres cristãs são casadas com maridos descrentes. Muitas dessas mulheres se converteram depois de já estarem casadas. Infelizmente, há pessoas que incentivam o divórcio nestes casos. O fato de a mulher servir ao Senhor Jesus pode gerar alguns conflitos dentro do lar. A mulher cristã não poderá mais participar dos atos pecaminosos do marido, como mentiras ou imoralidades. O que fazer então? Quais são as recomendações bíblicas para as mulheres cristãs casadas com descrentes?
I. Mulheres crentes casadas com descrentes
A. A mulher na antiguidade
No primeiro século, a situação da mulher em geral era bem diferente da posição que ela desfruta nas modernas sociedades ocidentais. Ela não tinha alguns direitos básicos, não possuía existência independente do seu marido; não podia tomar decisões próprias; vivia debaixo dos caprichos do pai, quando era solteira, e, depois, dos caprichos do marido, quando se casava. Pai e marido tinham direito de vida e morte sobre a mulher. O marido podia abandonar (divorciar-se) sua mulher a qualquer momento e por qualquer motivo. Se uma mulher não cozinhasse bem, por exemplo, poderia ser mandada embora de casa. A educação das mulheres se limitava às prendas domésticas: lavar, costurar, cozinhar e cuidar dos filhos. Casar-se era uma necessidade para sobreviver. Quando maltratadas, não recebiam quase nenhum apoio. As mulheres eram consideradas, praticamente, como objetos do marido.
Catão, famoso político romano daquela época, disse o seguinte: “quem apanhar a sua mulher cometendo adultério pode matá-la que nada lhe acontecerá”. Ele deu carta branca para os romanos assassinarem as suas mulheres se elas fossem infiéis aos seus maridos. Mas se o homem fosse infiel, nada era feito. Era nesse tipo de ambiente que viviam as mulheres cristãs quando Pedro escreveu sua primeira carta.
B. As esposas cristãs
O que representava para uma mulher casada se tornar cristã, no contexto descrito? A sua situação poderia se tornar extremamente complicada. As religiões dos gregos e romanos daquela época eram essencialmente idólatras e pagãs. Havia o culto ao imperador, as religiões de mistério e a religião tradicional dos gregos. O paganismo e a idolatria em geral eram a religião de todos eles. Quando uma mulher cria em Jesus Cristo e se tornar cristã, isso implicava abandonar a religião do marido, o que representava uma afronta à autoridade dele. Ela não podia fazer isso sem a permissão dele. As mulheres tinham de seguir a religião do marido. Uma mulher casada que desejasse se tornar cristã tinha que saber que estava correndo o risco de ser espancada pelo marido, ser expulsa de casa, ou até mesmo ser morta por ele. Sem cair na generalização, casos deste tipo eram muito frequentes naquela época.
Apesar de todo o possível sofrimento que pudessem enfrentar e do risco de morte, é fato que milhares de mulheres daquela época se tornaram cristãs. A situação delas era muito delicada, especialmente quando o marido não aprovava a mudança de religião ou não queria acompanhá-las na nova fé. Considerando essa delicada situação, talvez seja por isso que o apóstolo Pedro deu seis vezes mais espaço para falar às mulheres em nosso texto básico do que aos homens. Aos homens eles dedica somente um versículo (1Pe 3.7), mas para as mulheres dedica seis (1Pe 3.1-6).
II. O que as mulheres cristãs não deveriam fazer
A. Não deveriam se divorciar
Pedro não diz que aquelas mulheres deviam se separar de seus maridos. É importante salientar isso. Mas sempre existiram correntes dentro do cristianismo defendendo que mulheres cristãs casadas com maridos descrentes deveriam se separar para melhor servir a Deus, para se dedicar integralmente a Jesus Cristo e à sua igreja. O marido descrente é visto como um empecilho, um obstáculo à fé da esposa. Contudo, o casamento jamais pode ser dissolvido em nome de uma maior dedicação a Deus ou em nome de uma espiritualidade.
Aparentemente, desde cedo, na história da igreja, mulheres cristãs tiveram questões de consciência relacionadas à permanência ao lado de um marido descrente. O apóstolo Paulo tratou de um problema assim. Algumas mulheres da igreja de Corinto desejavam saber se podiam abandonar os maridos descrentes para se dedicar mais ao Senhor (cf. 1Co 7.12-16). Podemos entender que essa era uma questão aguda e generalizada nas igrejas. As respostas de Paulo e de Pedro são semelhantes em muitos aspectos. Para os dois apóstolos, a conversão de um cônjuge a Cristo não é motivo para dissolver o casamento. A parte crente deveria permanecer fiel, firme e se conduzir de tal modo a levar o cônjuge à fé no Senhor Jesus.
Na perspectiva bíblica, o casamento é uma ordenança de Deus para a humanidade em geral. Quando Deus criou o homem e a mulher e determinou que eles vivessem juntos, o pecado ainda não havia entrado no mundo. O fato de que alguns se tornaram cristãos depois de casados não quer dizer que podem acabar com o casamento, como se a vocação cristã fosse maior que a ordenança matrimonial. Pelo contrário, é o cristianismo que vai nos dar força e graça para tornar o casamento melhor. Para a esposa cristã, o divórcio não é o caminho de Deus, mesmo que o seja para a sociedade em geral.
B. Não deveriam se revoltar
Note que no texto básico Pedro não diz para aquelas mulheres: “abandonem os seus maridos, vivam o evangelho, sejam felizes e comecem uma vida nova”. Não! Ele também não aconselha as mulheres a se revoltarem contra seus maridos. E o que é ainda mais interessante, Pedro nem mesmo diz àquelas mulheres para que tentem converter o marido ao cristianismo por força de palavras e discussão. É verdade que todas as mulheres crentes gostariam de ver seus maridos convertidos ao evangelho. Infelizmente, o que acontece, às vezes, é que as mulheres tentam converter o marido sem ter sabedoria quanto ao método, ao tempo e ao modo de fazê-lo. Inconscientemente, querem converter o marido não cristão a qualquer custo.
III. O que as mulheres cristãs deveriam fazer
Pedro apresenta outro caminho para que as esposas ganhem os maridos descrentes. Vejamos, portanto, as instruções de Pedro quanto ao comportamento das esposas cristãs.
A. Sujeitar-se ao seu marido
“Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido” (3.1). Conforme vimos em outra lição, “sujeitar-se” significa “colocar-se debaixo da autoridade de alguém”. Pedro está refletindo aqui o ensino bíblico de que Deus estabeleceu o universo seguindo uma determinada estrutura na família, na igreja e na sociedade, e que tais estruturas devem ser obedecidas. Ao homem cabe a função de liderar, orientar, proteger e se responsabilizar por sua família. À mulher cabe a função de ajudar o seu marido no desempenho de seu papel, seguir sua orientação e cooperar com ele na estrutura da família e na criação dos filhos.
Quando o casamento vai bem, marido e mulher trabalham juntos, há harmonia, consenso, e as decisões são tomadas em conjunto. No entanto, há situações em que alguém tem de tomar uma decisão. O papel que Deus deu ao marido foi de, nesses casos, assumir a liderança e a responsabilidade pela família. O ponto de Pedro é que as esposas devem se sujeitar a seus maridos, mesmo que eles sejam descrentes. É preciso ressaltar, como já vimos na lição anterior, que a submissão aqui referida por Pedro não significa que a mulher cristã deve fazer tudo o que o seu marido deseja. Em última análise, a mulher cristã obedece a Cristo. Portanto, o que Pedro está ensinando é que as mulheres casadas com maridos descrentes deveriam se despojar voluntariamente do seu eu, fazer morrer o seu orgulho e servir com alegria ao seu marido, por amor a Jesus Cristo.
B. Ter uma conduta honesta e respeitosa
 “… seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor” (3.1b-2). Com as palavras “honesta” e “respeitosa”, o apóstolo resume o padrão de conduta que as mulheres cristãs casadas deveriam ter. Desde o início da carta, Pedro está ensinando sobre como viver em meio a uma sociedade hostil com os cristãos (cf. 1Pe 1.15; 2.12; 3.11,16). Da mesma maneira, as mulheres cristãs casadas com incrédulos deveriam se conduzir com prudência, cuidado e sabedoria. Um comportamento honesto significa uma conduta moral irrepreensível. Uma esposa honesta é moralmente pura. Ela é fiel ao seu marido em todos os sentidos. Ao mesmo tempo, a esposa cristã dever ser “respeitosa”, isto é, ter um comportamento cheio de temor em relação ao marido. Isso, é claro, não significa viver com medo do marido, mas tratá-lo com consideração e respeito. Esposas cristãs podem discordar de seu marido, ter opiniões diferentes, mas sempre com atitude de respeito e dignidade. Eis aqui um grande testemunho.
C. Exibir a verdadeira beleza feminina
“Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração” (3.3-4a). Elas não deveriam procurar ficar bonitas somente na aparência, usando enfeites, penteados exagerados, joias e vestidos caros. Ao contrário, deveriam cultivar a verdadeira beleza, que estava no coração. É importante ressaltar que Pedro não está proibindo as esposas cristãs de cuidar de sua aparência. Ele está dizendo que elas não deveriam ficar bonitas somente ou exclusivamente na aparência exterior, mas dar atenção especial e principalmente à beleza interior. Certa vez, Jesus acusou os fariseus por sua preocupação quanto ao exterior e a negligência quanto ao interior (Mt 23.25-26; cf. Ef 3.16).
D. Ter um espírito manso e tranquilo
“… unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus” (3.4b). Um grande testemunho que uma esposa cristã pode dar ao seu marido descrente é ser mansa e tranquila no lidar. Qual é o marido que não fica impactado com esse tipo de conduta?
Na sequência do texto, Pedro ilustra esse ponto citando o exemplo de Sara, esposa de Abraão: “Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas ao seu próprio marido, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma.” (3.5-6). Pedro exorta as esposas cristãs a se tornarem “filhas de Sara”, praticando o bem e não temendo mal algum. Os exemplos de mulheres piedosas da Bíblia servem de padrão para as mulheres cristãs de hoje.
Conclusão
As mulheres cristãs sofriam muito na antiguidade, especialmente aquelas que criam e confessavam Jesus Cristo. Foi por essa razão que Pedro escreveu o capítulo 3 de sua carta. As orientações de Pedro são para que as mulheres cristãs, casadas com maridos incrédulos, não se divorciem nem se revoltem contra. O apóstolo as exorta a se sujeitar aos seus maridos, ser honestas e respeitosas, exibir a verdadeira beleza feminina, que é interior, do coração, e demonstrar um espírito manso e tranquilo dentro do lar.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

As instruções dadas por Pedro servem para todas as mulheres, mais especialmente àquelas que são casadas com maridos descrentes. Busque força e graça em Jesus para conviver bem e feliz com seu marido incrédulo. Que atitudes uma mulher nessa situação poderia tomar no dia a dia, para influenciar positivamente o marido? Você conhece alguma esposa cristã nessa situação? Como a aconselharia?