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terça-feira, 26 de março de 2019

A BENÇÃO DA HUMILDADE


                                                  A BENÇÃO DA HUMILDADE
1 Pe 5.5-7
O que é realmente a humildade?
Aí está uma pergunta de difícil resposta, já que a humildade não pode ser aparente nem fingida. Ela existe ou não existe. É uma virtude para Deus ver, e não para o homem ver. A humildade não é a negação pura e simples de dons, capacitação e virtudes pessoais. Pelo contrário, é o reconhecimento de que estes dons, capacitação e virtudes vêm de Deus. Se eles existem em nós, é somente porque Deus existe antes de tudo e quis nos presentear com eles. É o reconhecimento também de que, junto com estes dons, todos temos fraquezas, latentes ou não, das quais nunca poderemos nos orgulhar.
Não há como negar: a humildade é uma das virtudes mais difíceis e raras, possível apenas com o auxílio do próprio Deus e pela zelosa imitação da humildade de Jesus.

1. Para entender o que a Bíblia fala

a) Mesmo na vida secular a soberba é tratada como algo perigoso. Diz-se com  freqüência que ela tem sido um dos motivos de surpreendentes derrotas no mundo esportivo. E a Bíblia, como trata o assunto? Faça suas anotações a partir destes textos:
>> Sl 19.13 – A oração de Davi:
>> Pv 16.18 – O provérbio de Salomão:
>> 1 Pe 5.5 – A citação de Pedro:
>> Lc 1.46-55 – O cântico de Maria:

b) A soberba é um problema tão sério que, para ser exterminada, exige medidas radicais.
> O CASO DO EGITO – EZEQUIEL 29.1-16
Como foi o tratamento de choque dado por Deus neste caso? O que seria necessário para o Egito tornar-se “o mais humilde dos reinos”?
> O CASO DE NABUCODONOSOR – DANIEL 4.28-37
O rei da Babilônia excedeu-se em sua soberba (v. 30).
Qual foi o tratamento de choque aplicado a Nabucodonosor?
Depois de tudo, o que ele finalmente aprendeu? (versos 2, 3, 34 e 37)
Nabucodonosor tornou a ter um reino de majestade e resplendor, depois de recuperado, talvez com mais poder do que antes. Em que sua atitude foi diferente dessa vez? (versos 36 e 37)
c) Que fatores devem ser lembrados para que o sucesso não desencadeie orgulho?
>> Jo 15.5
>> 2 Co 12.10
>> Sl 71.7 e 2 Co 3.5

Hora de Avançar

“A prática da humildade é a arte da contenção e privação da soberba e seus semelhantes, como o orgulho, a vaidade, a auto-suficiência e a estima exagerada, aliada à arte de sentir-se constantemente necessitado de Deus, reconhecendo que só Ele é digno de receber louvor, honra e glória”.

2. Para Pensar

O sucesso faz parte dos planos de Deus para o homem. Ele quer que tenhamos bom êxito na vida devocional, no casamento, na criação dos filhos, nas relações humanas, na profissão e no desenvolvimento dos dons do Espírito. Desse sucesso global, depende, sob a perspectiva humana, a velocidade da implantação e da plenitude do reino de Deus na terra. Na verdade, o sucesso é inevitável para quem está plantado junto às águas: “Tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.3).
Não tenha medo da humildade, apesar de ser uma atitude contrária a este nosso tempo. A humildade também tem galardão. Entre ser honrado aqui e agora pelos homens e ser honrado por Deus, a diferença é enorme.

O que disseram

O primeiro passo rumo à humildade é o reconhecimento do nosso orgulho. (C. S. Lewis)
Humildade é a virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza. (Dicionário Aurélio)
Humildade não é a mera rejeição de prêmios e coroas, mas a transferência destes para quem de direito, como acontece com os vinte e quatro anciãos no Apocalipse de João (Ap 4.9-11). Não é a inatividade, mas a atividade comandada e alimentada pela sabedoria e pela providência de Deus.

3. Para responder

> Você se conhece bem?
> Faça uma lista de suas capacidades, qualidades e dons e outra de suas fraquezas. Agradeça sinceramente ao Autor e Doador da vida pelos dons que Ele lhe deu.
> Devolva toda a glória a quem de direito.
> Depois, pense em suas fraquezas e entregue-as ao Senhor, pedindo-lhe poder para vencê-las.

Você e Deus
1) É importante vigiar sempre. Se a humildade não for prudentemente mantida, com certeza o sucesso fomentará a soberba e esta, por sua vez, a ruína.
2) Muito cuidado com a falsa humildade, que é pior que a falta dela! Jesus repudiou com veemência toda forma de fingimento, falsidade e hipocrisia.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

segunda-feira, 25 de março de 2019

A MORTE DO APÓSTOLO PAULO


A MORTE DO APÓSTOLO PAULO

O apóstolo Paulo, um judeu convertido a Cristo e escolhido para pregar aos gentios em dois continentes, se tornou um dos homens mais influentes entre os seguidores de Jesus. Dos 27 livros do Novo Testamento, Paulo escreveu 13! Destas 13 epístolas, as últimas sete foram escritas enquanto ele vivia com a realidade de que poderia morrer logo.

No final da sua terceira viagem missionária, Paulo foi preso em Jerusalém. Alguns judeus queriam matá-lo, e ele continuou durante mais de quatro anos encarando a possibilidade de ser condenado à morte, talvez pelo imperador mau Nero. Durante esse tempo, Paulo escreveu quatro cartas: Efésios, Colossenses, Filemom e Filipenses. Ele disse aos cristãos de Filipos: “Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:19-21).

Embora a Bíblia não relate todos os detalhes, tudo indica que Paulo foi, de fato, posto em liberdade para fazer mais algumas viagens missionárias. Ainda durante o reinado de Nero (um dos imperadores que perseguia os cristãos), ele foi preso novamente. Durante esta prisão ele escreveu suas últimas cartas, duas para Timóteo e uma para Tito. Nestas epístolas o tom do apóstolo foi diferente. Ele comentou sobre a morte iminente e certa: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6).

É normal para qualquer pessoa sentir medo quando encara a morte, e Paulo também o sentia. Mas a preocupação de Paulo não foi medo de morrer, ou medo do que aconteceria com ele após a morte. Para este servo do Senhor, a morte seria um alívio bem-vindo e marcaria o início da sua vida celestial na presença de Jesus: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.... O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (2 Timóteo 4:8,18). 

Paulo não temia sua morte; ele temia pelas pessoas que ainda permaneceriam aqui na terra. Considere alguns exemplos de coisas que Paulo temia:

Desvios da fé por parte de alguns irmãos (1 Timóteo 1:3-4,19). Mesmo pessoas que começam bem podem enfraquecer na sua determinação de resistir ao pecado.

O efeito de falsos mestres (1 Timóteo 4:1-5; 6:3-5). Um fator real em alguns desses desvios é a influência de pessoas que distorcem o evangelho e enganam os outros. Paulo viu a necessidade de calar as bocas de falsos mestres (Tito 1:10-14).

A covardia de servos do Senhor (2 Timóteo 1:6-8). Se ninguém tiver coragem de se opor aos falsos mestres, sua influência seria pior ainda!

Contendas entre irmãos (2 Timóteo 2:14,23). Os perigos nem sempre vem de fora. Conflitos dentro da igreja do Senhor são devastadores.

O desrespeito para com Deus e a perversidade dos desobedientes (2 Timóteo 3:1-5,13).A conduta perversa de algumas pessoas mostra sua falta total de respeito do seu Criador.

A falta de interesse na palavra (2 Timóteo 4:1-4). Talvez um dos receios maiores de Paulo fosse a simples negligência da verdade por pessoas que dariam preferência a mensagens mais agradáveis. Muitos ainda sofrem de coceira nos ouvidos!

Uma vez, Paulo comentou com os pastores da igreja de Éfeso: “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29). Paulo não temia a morte, mas temia as ameaças que os cristãos ainda teriam de encarar.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

domingo, 24 de março de 2019

O ESPINHO NA CARNE


                                                    O ESPINHO NA CARNE
No livro de 2º Coríntios cap 12 vs 07 os Apóstolo Paulo diz:” E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.”
Mas o que seria ou do que se trataria este “espinho na carne”? Consultando as bíblias de Estudo Almeida e NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje), conseguimos compreender alguns pontos que apontam para um entendimento mais amplo do que foi este “espinho na carne.” Podemos entender basicamente três pontos, sendo: Uma experiência dolorosa, uma dificuldade que o cercava e Enfermidade.
1 - Uma experiência dolorosa: Uma nota na bíblia de Estudo Almeida (ao texto em questão), refere-se "figuradamente, a alguma experiência muito dolorosa...”. assim o “espinho na carne” pode ser entendido como metáfora aludindo a uma espécie de situação dura e de difícil convivência. O texto na NTLH traz “recebi uma doença dolorosa”. E na nota da bíblia de Estudo NTLH diz que, em função da expressão ''como um espinho em meu corpo’( v. 7 ) indica que lhe causava ‘muita dor’.
 
2 - Uma dificuldade que o cercava: o dicionário da Bíblia de Estudo Almeida apresenta, em especial, duas acepções interessantes da palavra espinho no texto:
 
a) Dificuldade – Em Provérbios cap. 15 vs.19, está escrito. “O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana”.
 
Vale a pena observar as versões RA (Revista e Atualizada) e NTLH neste versículo:
 
NTLH: “o preguiçoso encontra dificuldades por toda parte, mas para a pessoa correta a vida não é tão difícil”.
RA: “o caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana”. Desta forma Paulo poderia estar se referindo a alguma dificuldade que o acompanhava e causando dores e prejudicando o seu trabalho.
 
b) Doença – Com uma indicação de provável complicação com os olhos, com base em Gálatas cap. 4 vs.15 e cap. 06 vs.11.
 
3 - Uma enfermidade: O texto de Gálatas cap. 4 vs.13 e14 nos mostra que Paulo admitiu ter uma enfermidade física (RA) que lhe causava dificuldades. Na NTLH aparece a palavra “doente”; e no verso 14 diz que “seu estado de saúde” foi uma prova dura para os gálatas que, mesmo assim, o trataram com dignidade.
 
Logo, podemos entender o espinho na carne de Paulo como uma experiência dolorosa, que se constituía numa dificuldade que o acompanhava e o prejudicava muito, provavelmente uma enfermidade grave, difícil e dolorosa.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

sábado, 23 de março de 2019

A IRA DE DEUS


                                                               A IRA DE DEUS
O jardim do Éden nos faz pensar bastante a respeito de discórdias. Mesmo só existindo duas pessoas sobre a face da terra, elas conseguiram brigar entre si. É claro que falamos nos resultados da Queda, ou seja, nos efeitos do pecado sobre o relacionamento humano.
Há alguns que defendem que a igreja deveria estar completamente isenta de problemas de relacionamento, já que é composta por convertidos. Estes, no entanto, se esquecem que, embora sejam filhos de Deus, os membros de qualquer igreja ainda lutam contra o pecado em seus corações. Sendo assim, mesmo tendo como objetivo a vida comunitária em santidade, não estão isentos de dificuldades interpessoais.
A lição de hoje nos mostrará como esse assunto é antigo na igreja e também como podemos lidar com ele.
I. Trabalhadoras dando trabalho
Paulo tomou ciência de que a igreja que nascera provavelmente na casa de Lídia (At 16.15) passava por problemas por causa do relacionamento entre outras duas mulheres: Evódia (que quer dizer “boa viagem”) e Síntique (“afortunada”). Não sabemos muitos detalhes sobre elas. Sabemos  somente que:
Eram obreiras esforçadas pela causa do evangelho. Elas devem ter sido importantes para o ministério de Paulo naquela cidade. Daí a preocupação dele para que cessassem as contendas, pois, nessa situação de conflito, em vez de ajudarem, estavam atrapalhando e dando trabalho a outros.
Eram crentes de fato. Paulo as incluiu no grupo de cooperadores que têm seus nomes escritos no Livro da Vida (v.3). A tentação que temos ao lidar com o desentendimento entre pessoas da igreja é tentar polarizar, ou seja, tentar definir quem está certo e quem está errado, quem é de Deus e quem é o inimigo. A igreja de Filipos nos ensina que até mesmo duas obreiras cristãs e convertidas de fato podem entrar em discórdia.

II. Em busca da paz

Em vez de pura e simplesmente proferir palavras de condenação, Paulo emprega uma linguagem amorosa (“rogo”) e pessoal. Ele repete o pedido a cada uma das duas: “Rogo a Evódia e rogo a Síntique” (v.2).
A atitude de Paulo é sábia. Ele institui alguém daquela igreja como uma espécie de apaziguador: “A ti, fiel companheiro de jugo, também peço que as auxilies” (v.3). Alguns sugerem que a expressão “companheiro de jugo”, na verdade, era a tradução do nome próprio Syzygos.[1] Outros discordam e pensam em outros nomes conhecidos do Novo Testamento, como Epafrodito, Lucas ou Silas.[2] Mais importante do que definir o nome desse “fiel companheiro” é ter em mente a estratégia de Paulo para acabar com aquela briga entre as duas mulheres. O apóstolo responsabilizou um crente local para ser o conselheiro e apaziguador a fim de estabelecer a concórdia.
O objetivo da igreja é a promoção da paz. Em primeiro lugar, paz entre o ser humano e Deus, em segundo lugar, paz entre os seres humanos entre si. Por isso, ao terminar essa sessão, Paulo aponta para esse alvo: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.7).
Já sabemos que havia uma notória contenda naquela igreja e que Paulo, a fim de restabelecer a paz, nomeia um irmão para ajudar no caso. O que ele deveria dizer? Como consolar e exortar o coração daquelas duas mulheres? Esse conteúdo será detalhado a seguir.

III. Alegrar-se no Senhor

Ao comentar esse texto, Russel Shedd faz a seguinte pergunta: “Quando a injustiça nos atinge, os insultos falsos nos degradam, mudam o contentamento em queixume e insatisfação. Quando a situação nos decepciona até o ponto de querer agredir alguém, como se alegrar no Senhor?”.[3] Como seres humanos pecadores, nossa tentação é responder violência com violência e ódio com ódio. “Permitir surgir em nós aquele espírito de amargura mortífera nos destrói e facilmente se espalha pela igreja.”[4]
A ordem para que os crentes de Filipos se alegrassem transcendia o problema entre Evódia e Síntique. É importante lembrarmos que um dos motivos que leva Paulo a escrever essa epístola é o fato de os filipenses terem se perturbado por sua prisão em Roma. Paulo, então, lembra-lhes que o propósito de sua vida é pregar o evangelho, custe o que custar. Se esse preço fosse a morte, seria então um grande lucro para ele. Se havia alguém que poderia ensinar sobre alegria era o próprio Paulo, pois ele, como testemunha, aprendeu “a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4.11), até mesmo quando estava preso. Toda a carta é permeada de motivos que devem conduzir o crente a uma perene alegria[5]:

A Alegria de Paulo na Carta aos Filipenses
1.19, 20Porque ele era um indivíduo salvo, cujo propósito era magnificar a Cristo em sua personalidade inteira.
2.5-11; 3.20, 21; 4.5Porque se gloria cruz, coroa e segunda vinda desse Salvador.
4.11-13,19, 20Porque Deus era poderoso e condescendente para suprir todas as suas necessidades.
1.6;2.17, 18Porque outros também estavam sendo salvos.
1.5; 2.19-30; 4.1, 10Porque o próprio apóstolo estava sendo usado por Deus para esse propósito glorioso; porque tinha muitos amigos e auxiliares na causa do evangelho, e porque, juntos, formavam uma gloriosa comunhão no Senhor.
1.12-18; cf. Rm 8.28Porque Deus estava conduzindo todas as coisas, mesmo as cadeias, de modo que tudo cooperava juntamente para o bem.
1.21, 23Porque até mesmo a morte é lucro quando a vida é Cristo.
4.6Porque em todo tempo ele tem livre acesso ao trono da graça.

Será que Evódia e Síntique (ou eu e você) poderiam comparar seus sofrimentos pessoais aos de Paulo? Se ele podia enxergar tantos motivos de alegria na vida cristã, com certeza elas (e todos nós) deveriam deixar de lado as migalhas e começar a olhar para o que, de fato, tem valor.

IV. Moderação

A palavra “moderação” (v.5) tem um significado bem abrangente na língua original na qual a Bíblia foi escrita. Enquanto, em português, o termo pode significar algo como “equilíbrio”, o significado dessa palavra tem uma dupla conotação:
Desapego do interesse pessoal. O que leva duas pessoas a terem uma discórdia ao ponto de serem repreendidas? Com certeza elas precisavam se lembrar que não se pode ter “em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2.4).
Interesse pelo bem alheio. Essa moderação da qual fala o texto também dá a idéia de “generosidade”. Esses dois pontos são faces de uma mesma moeda: por um lado, não se deve colocar o direito próprio em primeiro lugar; por outro, deve-se pensar no direito alheio acima de tudo.
Como acontece nos embates com os quais, infelizmente, temos que lidar na igreja, alguns argumentam que “não têm sangue de barata para agüentar desaforos calados”. Essa frase não poderia ser jamais proferida por um cristão, pois ele deveria confiar que “Perto está o Senhor” (v.5). Essa afirmação tanto pode indicar que Deus sabe intimamente dos nossos sofrimentos diários (Sl 145.18) como também pode apontar para a proximidade da volta de Jesus. Nosso dever pessoal é amar até nosso inimigo (Lc 6.35), confiando que não a nossa ira, mas a de Deus é que vai ser sentida no final (Rm 12.19). Se devemos agir assim em relação aos nossos inimigos, muito mais em relação aos nossos irmãos! Devemos, portanto, sofrer em santidade, sem pecar ou baixar o padrão da ética cristã, pois, se alguém tem que ser castigado, a volta iminente de Cristo se encarregará disso.
Quando se entrega a vingança para quem tem essa tarefa por direito (Rm 12.19-21), nossa moderação funciona como um excelente testemunho, ou seja, “conhecida de todos os homens”, como afere o texto básico.

V. Não ser tomado pela ansiedade

Paulo interpretou o problema entre Evódia e Síntique como sendo uma discórdia. Não deve ter sido uma simples diferença de opinião, pois se chegou ao ponto de merecer uma menção especial em sua epístola é porque o fato já era notório na comunidade cristã.
Podemos pensar nessa discórdia como sendo duas crentes que decidiram resolver suas diferenças pessoais como duas incrédulas. Não há nada mais vergonhoso para o cristão do que voltar a agir como ímpio. Por que o crente pode acabar explodindo em ofensas contra seu irmão na fé? Porque algumas vezes permitimos que pequenos problemas de relacionamento mal resolvidos cresçam e façam um grande estrago. A palavra “ansiosos” pode ser também traduzida por “inquietos”, ou seja, Paulo está condenando aquela prática de ficar meditando no mal recebido e concebendo um mal maior ainda. Se você foi ignorado na porta da igreja por aquele irmão de quem você julgava ser íntimo, em vez de resolver o assunto, você prefere reviver a cena dezenas de vezes em sua mente e se auto-alimentar de maldade. Como resolver isso?
Rotina de Oração – Somente quem tem intimidade com Deus poderá resolver definitivamente problemas de relacionamento. A intimidade dos crentes com Deus se faz através da oração.
Orando por tudo – Não há segredos do crente para com seu Deus e Pai. Quer seja para adorá-lo, pedir algo, confessar pecado ou interceder por alguém, a oração deve ser praticada como base em toda a nossa vida. Evódia e Síntique com certeza não brigariam se estivessem orando uma pela outra!
Orando com coração grato – Paulo escreveu diversas vezes sobre a necessidade da gratidão a Deus (1Ts 5.18; Ef 5.20). Deus é sábio de tal maneira que ninguém jamais poderia ser seu conselheiro (Rm 11.33-35). Então, até mesmo quando tenho uma opinião diferente da do meu irmão, nisso também o Senhor tem um propósito na minha vida.

Conclusão

Não é incomum dois crentes “se estranharem” de vez em quando. O que não pode ser comum é essa situação não ser resolvida e, com isso, toda a igreja sofrer por causa do orgulho de dois irmãos que, à semelhança de Evódia e Síntique, ajudavam bastante, mas, agora, só atrapalham.
Mesmo que seja necessária a interferência de uma terceira pessoa (apaziguador), não deixe de procurar a solução, lembrando-se sempre da alegria e da moderação em todas as circunstâncias e objetivando a “paz que excede a todo entendimento”.
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

sexta-feira, 22 de março de 2019

O TRONO DE DEUS


                                                            O TRONO DE DEUS
(Apocalipse 4:1-11)
Depois de terminar as cartas aos anjos das sete igrejas, João passa para uma nova parte da revelação. Os capítulos 4 e 5 mostram a glória de Deus, apresentando primeiro o Pai no seu trono e, depois, o Filho glorificado ao lado dele. A cena nestes dois capítulos pode ser comparada especialmente com a de Daniel 7:9-14.
4:1 – Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.
Depois destas coisas, olhei: Chegamos a uma transição na mensagem do Apocalipse. Jesus já ditou as suas cartas a cada uma das sete igrejas. O resto do livro pertence a todas elas e, obviamente, serve para a instrução de outros discípulos em outros lugares e em outras épocas.
João olhou e viu, frisando novamente a natureza desta revelação. Deus continuou mostrando visões ao apóstolo.
Uma porta aberta no céu: Que privilégio! João viu uma porta aberta dando-lhe acesso ao céu! Aqui a ênfase não está no acesso ao céu em termos da salvação final e eterna dele, nem no sentido de entrar em comunhão com Deus (sentidos encontrados em trechos como João 1:51; Atos 7:55-56; veja também Efésios 2:6; Filipenses 3:20). João viu o céu aberto porque Deus queria lhe mostrar as coisas que estavam acontecendo lá (compare Ezequiel 1:1). Jesus já falou, transmitindo-lhe mensagens importantes para as igrejas. Agora, João subirá ao céu, nestas visões, para buscar outras mensagens para os servos do Senhor na terra.
A primeira voz que ouvi, como de trombeta: A mesma voz de 1:10. Naquele trecho, João virou para ver quem falava e viu Jesus no meio dos candeeiros.
Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas: O Filho de Deus convida João para ver, no céu, as coisas que iam acontecer. Em 1:19, ele falou para João escrever o que ele viu, o que estava acontecendo naquele momento, e o que ia acontecer depois. Tudo isso ainda está dentro dos limites de tempo de “em breve” e “próximo” (veja comentários na segunda lição sobre limites de tempo). Jesus já falou sobre o estado das igrejas naquele momento (capítulos 2 e 3), e agora começa a falar sobre as coisas que estes discípulos ainda teriam de enfrentar. Interpretações que procuram inserir milhares de anos entre os capítulos 3 e 4 não têm nenhuma base aqui. “Depois” simplesmente sugere uma seqüência de transição entre o que já passou e o que ia acontecer.
4:2 – Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado;
Imediatamente, eu me achei em espírito: A mesma expressão que João usou em 1:10, frisando seu estado de receber revelações por meio de visões.
Armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado: Um trono no céu. Muitos vizinhos dos cristãos da Ásia achavam que o trono principal do universo estivesse em Roma, e que o imperador sentado nele fosse o deus supremo. Outros vizinhos adoravam outros diversos deuses e deusas. Mas João convida todos os seus leitores a enxergarem, por meio desta visão, o trono no céu e o verdadeiro Deus sentado nele. O trono de Deus é mencionado 38 vezes no Apocalipse, repetidamente frisando o tema da soberania de Deus e do seu domínio sobre os reinos da terra. A descrição da pessoa sentada no trono e do seu ambiente no céu vem nos versículos seguintes.
4:3 – e esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda.
Eesse que se acha assentado é semelhante, no aspecto: João jamais acharia palavras adequadas para descrever perfeitamente a aparência de Deus. Ele começa a explicar, usando comparações com coisas conhecidas, a visão que ele teve do Soberano no seu trono celestial.
Pedra de jaspe e de sardônio...arco-íris semelhante...a esmeralda: Duas pedras brilhantes refletem sua luz e produzem o efeito de um arco-iris ao redor do trono. Como é o caso de muitas pedras precisosas, as cores de jaspe e sardônio não são únicas e absolutas. Alguns comentaristas sugerem jaspe branco (veja 21:11, que fala de “jaspe cristalina”) e sardônio vermelho (possivelmente sárdonix), assim sugerindo, respectivamente, a santidade e a justiça de Deus. O salmista disse que “justiça e juízo” ou “justiça e direito são o fundamento” do trono de Deus (Salmo 89:14; 97:2). Outros sugerem que o jaspe fosse verde, a cor mais comum desta pedra, uma explicação que combina com a cor de esmeralda do arco-íris. Independente das cores refletidas, certamente a luz da glória de Deus e o fogo de seu poder saem do seu trono (veja Isaías 60:1-2; Daniel 7:9-10; Ezequiel 1:26-28; 10:1; Salmo 97:2-3). Esta luz mostra seu poder para julgar e castigar. O arco-íris nos lembra, também, da benevolência de um Deus que faz aliança com as suas criaturas (Gênesis 9:12-13; Ezequiel 1:28).
4:4 – Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.
Ao redor do trono: João começa com a figura central, aquele sentado no trono, e começa a olhar ao redor. Tudo começa com Deus.
Vinte e quatro tronos ... vinte e quatro anciãos: Vinte e quatro tronos representam aqueles que reinam com Deus, uma descrição da igreja, dos vencedores vestidos de branco que recebem suas coroas e reinam com o Senhor (2:10,26-27; 3:4-5,11,21). Qual o significado do número 24? Duas explicações diferentes chegam à mesma conclusão. Alguns entendem 12 tribos, representando o povo de Deus no Velho Testamento, mais 12 apóstolos, representando o povo dele no Novo Testamento, dando um total de 24. Outros sugerem 24 como o número de turnos de sacerdotes no Velho Testamento (veja 1 Crônicas 24:1,7-19). Assim entendemos o reino de sacerdotes (1:6) ou sacerdócio real (1 Pedro 2:9) composto de pessoas que entram “na Casa do Senhor” (1 Crônicas 24:19). No final, estas duas interpretações do significado dos 24 anciãos chegam ao mesmo entendimento prático – representam o povo de Deus. São nobres nos seus tronos sujeitos ao Soberano Rei no trono principal.
Vestidos de branco: A santidade e a pureza dos servos fiéis. As únicas vestimentas adequadas aos vencedores.
Coroas de ouro: Coroa, aqui, vem da palavra grega stephanos, usada no Apocalipse para identificar as coroas dos vencedores (2:10; 3:11; 4:4; 4:10; 6:2; 12:1; 14:14). Encontraremos uma outra palavra, diadema, usada tanto para falar dos falsos líderes (12:3; 13:1) como para descrever o verdadeiro Rei (19:12). Uma vez, stephanos se encontra na descrição dos inimigos de Deus, mas o próprio versículo sugere a falsidade da nobreza deles: “havendo como que coroas parecendo de ouro” (9:7). Os anciãos sentados nos 24 tronos têm todo direito de usar coroas verdadeiras.
4:5 – Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus.
Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões: Sai do trono de Deus o poder para falar, julgar e castigar (veja Salmo 18:13-14; 144:6; Êxodo 19:16-19). Estas manifestações do poder de Deus são características da última fase das séries de sete selos (8:5), sete trombetas (11:19) e sete taças (16:18).
Sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus: As tochas diante do trono são identificadas como os sete Espíritos de Deus, o Espírito Santo (veja 1:4). Ele ilumina ao homem e vai para onde Deus o envia. As sete tochas mostram a onisciência e a onipresença de Deus (5:6).
4:6 – Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás.
Mar de vidro, semelhante ao cristal: O Deus imortal “habita em luz inacessível” (1 Timóteo 6:16), separado dos outros por um mar de vidro. No Velho Testamento, os sacerdotes tinham de se lavar no mar de fundição antes de chegar perto de Deus com os sacrifícios (2 Crônicas 4:1-6), assim sugerindo a importância da santificação. Deus é santo, separado de suas criaturas. Mas, na imagem de comunhão perfeita com os vitoriosos no final do livro, “o mar já não existe” (21:1).
Quatro seres viventes cheios de olhos: Veremos melhor as características dos quatro seres viventes nos versículos 7 e 8. Aqui observamos o fato de estarem cheios de olhos, novamente enfatizando a capacidade de ver tudo. Ao redor de Deus estão servos capazes de ver tudo o que acontece. Nada escapa ao conhecimento do Soberano Deus.
4:7-8a – O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o segundo, semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante à águia quando está voando.
E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro;...

Os quatro seres viventes nos lembram de outras passagens que descrevem a presença do Deus glorioso. As visões de Ezequiel são especialmente relevantes, pois falam de quatro seres viventes com quatro rostos diferentes, rostos que correspondem às quatro criaturas vistas aqui (Ezequiel 1:5-14). Ele chama os seres viventes de querubins (Ezequiel 10:9-17) e mostra o papel deles em defender e levar o trono de Deus conforme a vontade do Soberano. Entendendo que os seres viventes são os querubins , lembramos também dos querubins que ficavam acima da arca da aliança. Na visão de João, os seres viventes são semelhantes a quatro criaturas:
Leão: O forte predador, o símbolo de realeza.
Novilho: Em Ezequiel, o boi. Animais conhecidos por sua força.
Homem: A figura do homem acrescenta uma outra característica, juntando à força a inteligência.
Águia: Um predador rápido, capaz de localizar e atacar a sua vítima.
João continua sua descrição de outras características dos seres viventes:
Seis asas: Capazes de se locomover, e de transportar o trono de Deus (Ezequiel 1:20). Também usavam as asas para cobrir a arca da aliança (1 Crônicas 28:18). Os serafins de Isaías 6:2-3, como os seres viventes do Apocalipse, tinham seis asas, enquanto os querubins de Ezequiel tinham quatro. Devemos evitar a tendência de forçar os textos para achar alguma igualdade perfeita nos símbolos destas visões proféticas. Independente de pequenas diferenças, todas mostram servos de alta posição servindo a Deus, fazendo tudo que ele manda.
Estão cheios de olhos: Como as rodas que acompanhavam os querubins em Ezequiel, estes seres estavam cheios de olhos e capazes de ver em todas as direções.
4:8b - não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.
Não tem descanso: Servem e adoram a Deus em todo momento. Deus descansou, no sétimo dia, de seu trabalho da criação, mas continuou agindo para manter o universo que ele domina. Os judeus descansavam, no sábado, de seus trabalhos, mas se dedicavam naquele dia ao serviço de Deus. Nós aguardamos o descanso eterno no céu (Hebreus 4:1,11), mas entendemos que serviremos e adoraremos a Deus eternamente. Não nos surpreende, então, achar estes seres viventes servindo constantemente, sem descansar.
Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus: Esta expressão de louvor se encontra somente aqui e em Isaías 6:3. A mesma palavra repetida três vezes dá grande ênfase, especialmente no hebraico (Velho Testamento). Ele está acima, e separado, de todas as suas criaturas.
O Todo-Poderoso: Deus recebe louvor, também, como o Onipotente. A descrição “Todo-Poderoso” se encontra em quase 60 versículos na Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse. Ele dá vida (Jó 33:4) e sabedoria (Jó 32:8). Ele abençoa os homens (Gênesis 48:3; 49:25). Nos profetas e nos evangelhos, esta descrição de Deus aparece freqüentemente em passagens que falam do castigo divino (veja Isaías 13:6; Joel 1:5; Marcos 14:62). Para os fiéis, é uma garantia confortante de proteção (2 Coríntios 6:18). Os exércitos humanos podem mostrar algum poder, mas Deus tem poder absoluto. Este fato traz grande conforto aos fiéis que são protegidos por ele, e aterroriza os seus inimigos.
Aquele que era, que é e que há de vir: Deus eterno (1:4).
4:9-11 – Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos,
os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando:
Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.

Glória, honra e ações de graças...: Os seres viventes adoram a Deus, pois ele merece toda a honra e glória.
Os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão: Os 24 anciãos, representando o povo de Deus, participam entusiasticamente do louvor a Deus.
Despositarão as suas coroas diante do trono: Mesmo as coroas que receberam de Deus servem para a glória do Criador, não das criaturas. Eles livremente entregam toda a sua glória a Deus. Sem Deus, eles seriam nada. Sem Deus, nós seríamos nada!
Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber...: Deus merece:
A glória: Esplendor, majestade, exaltação.
A honra: Reverência devida à posição.
O poder: Força, habilidade. Obviamente, Deus é o Todo-Poderoso, mas os seus servos voluntariamente lhe cedem poder sobre as suas vidas.
Porque todas as coisas tu criaste...: Neste capítulo, que focaliza a posição de Deus Pai, o principal motivo de louvor é a criação. É o motivo citado muitas vezes no Antigo Testamento.
Conclusão
Não pode haver dúvida. Deus está no controle. Ele é a personagem principal no céu, e é o Soberano absoluto que criou e domina o universo. Ele merece a adoração e a obediência absoluta de todas as suas criaturas, até dos mais exaltados seres viventes no céu. É o Deus Santo e Todo-Poderoso. Sem dúvida alguma, ele é eterno. Da presença dele saem trovões, vozes, relâmpagos, e a luz resplandecente que reflete no mar de sua santidade. Que privilégio Deus concedeu a João quando o convidou ao céu numa visão! Que privilégio ele nos deu quando relatou toda a cena aos seus servos!

Perguntas 
1.  Quem convidou João a subir ao céu numa visão? 
2. As visões no céu foram de coisas passadas ou futuras (do ponto de vista de João)?
3. Quem é a personagem central da visão do capítulo 4?
4. Os 24 anciãos, ao redor do trono de Deus, representam quem?
5. O que sai do trono de Deus?
6. As tochas diante do trono representam o que (ou quem)?
7. Os quatro seres viventes são semelhantes a quais figuras do Antigo Testamento?
8. Qual descrição de Deus é repetida três vezes somente aqui e no livro de Isaías?
9. O que os 24 anciãos fizeram com suas coroas? Por quê?
10. Qual o principal motivo, citado no capítulo 4, para a adoração dada a Deus?
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante

quinta-feira, 21 de março de 2019

O REAL SOFRIMENTO DE JESUS CRISTO NO CALVÁRIO


                        O REAL SOFRIMENTO DE JESUS CRISTO NO CALVÁRIO
 As horas mais solitárias que alguém já passou sobre a terra foram as horas do Calvário; pois Jesus - além de ser Filho de Deus - era também homem ao morrer por nós.
       Por que, entretanto, o Calvário foi o lugar mais solitário que já houve? Parece fácil responder a essa pergunta, pois muitos dos nossos leitores sabem tudo sobre o Calvário e a morte do Cordeiro de Deus. Mas mesmo assim, nunca conseguimos responder com precisão a essa pergunta porque somos incapazes de compreender o que Jesus realmente passou no Calvário.
        Segundo a Escritura, Jesus foi crucificado à "hora terceira" (Mc 15.25) (às nove horas da manhã). E à "hora nona" (às três horas da tarde) Ele deu Seu grito alucinante: "Eloí, Eloí, lamá sabactâni?... Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (v. 34). Isso significa, portanto, que Jesus Cristo, quando deu esse grito – já estava dependurado há seis horas na cruz em pavorosa solidão! Significa que durante seis horas inteiras Ele esteve sem o Pai, sim, até mesmo Deus O abandonou. Que nessas seis horas na cruz Ele esteve sem o Pai é provado pelo fato de Ele – que normalmente sempre falava do Pai quando se referia a Deus – ter clamado a Deus. E que Ele estava também sem Deus é mostrado por Suas palavras desesperadoras: "...por que me desamparaste?" Apesar de Ele clamar a Deus, Deus O havia abandonado!
       Nesse sentido, as palavras do centurião romano contêm um simbolismo profundo e trágico: "O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente este homem era Filho de Deus" (v. 39). Enquanto Jesus esteve dependurado na cruz, era como se Ele não fosse mais o Filho de Deus. Por quê? Porque naquelas horas Ele não tinha mais Pai. Mas – não era o Filho de Deus que estava dependurado ali na cruz? Naturalmente, mas não em Seu caráter glorioso, de Rei. Ele estava ali dependurado como homem, cuja aparência estava profundamente desfigurada, a quem todo o mundo desprezava, e virava o rosto. A respeito, o profeta Isaías já predisse palavras abaladoras aproximadamente 700 anos antes de Cristo: "...o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência mais do que a dos outros filhos dos homens... Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso" (Is 52.14b; 53.3). Quão terrível e pavorosa deve ter sido essa solidão para Ele! Pois a Ele, ao Senhor Jesus Cristo, aconteceu algo que jamais pode acontecer a nós, que nEle cremos: Ele realmente foi abandonado pelo Pai – durante horas. É o que expressa com a maior clareza Sua pergunta: "...por que me desamparaste?". Em outras palavras: "Tu me abandonaste – mas por quê?"
       Nunca podemos acusar Deus de tal coisa porque não corresponde à verdade, pois o Senhor nunca nos abandonará, a nós que somos Seus filhos. No máximo, poderíamos dizer que nos sentimos abandonados. Na realidade, porém, nunca estamos sozinhos, pois em Hebreus 13.5b estão escritas as maravilhosas palavras: 
"De maneira alguma te deixarei nunca jamais te abandonarei."   Hebreus 13.5b
       Ou pensemos nas palavras do próprio Senhor Jesus: 
"E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28.20b).
       Paulo exclama com júbilo em Romanos 8.38-39: 
"Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."   Romanos 8.38-39
       Não, nada, nem ninguém pode separar-nos de nosso Senhor, nunca seremos deixados sós; onde quer que estejamos, o Senhor está sempre presente! Ouça uma vez o que o salmista diz a respeito: 
"Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares: ainda lá me haverá de guiar a tua mão e a tua destra me susterá" (Sl 139.8-10).
       Em outras palavras: Senhor, tu estás sempre comigo; onde quer que eu esteja, o que quer que eu faça, para onde quer que eu vá, como quer que eu me sinta – tu estás sempre comigo. Sim, disso podemos estar certos, e graças ao Senhor que é assim.
        Mas o próprio Senhor Jesus – quando esteve dependurado na cruz – não tinha mais nada disso; Ele ficou completamente privado de amor e consolo. Ao invés da alegre certeza da presença do Pai – Ele era atormentado por um horror paralisante. Ao invés de firme certeza interior – Ele sentia calafrios por causa do gélido silêncio de Deus. Ao invés do olhar amoroso do Pai – Ele só via trevas intransponíveis. Ao invés de afável e calorosa afeição do alto – os rugidos e a fúria de todo o inferno se abateram sobre Ele. Jesus Cristo experimentou exatamente o oposto daquilo que o salmista testemunha com tanta fé: 
"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo: a tua vara e o teu cajado me consolam" (Sl 23.4).
        Jesus andou literalmente pelo "vale da sombra da morte"; Deus não estava mais com Ele, a "vara e o cajado" do Pai não O consolavam mais.       "Por quê?", podemos perguntar, "por que, afinal?" Porque não era possível de outra maneira. Pois, apesar de Jesus ser o Cordeiro de Deus sem pecado, apesar de Ele nunca ter pecado em toda a Sua vida, apesar de Ele ter ficado puro e sem mácula, no Calvário Ele morreu como pecador. Bem entendido: Ele não morreu como pecador – pois, como dissemos, Ele era e continuou sem pecado –, mas Ele morreu por causa de pecados, isto é, dos pecados de todo o mundo.
       Você sabe o que significa morrer a morte do pecador; você sabe qual é a terrível e inescapável conseqüência de tal morte? Nesse tipo de morte

  • Deus não está presente;
  • o céu está fechado;
  • o Eterno afasta o olhar!

      Por isso, uma morte assim é o mais terrível, pavoroso e horroroso que pode acontecer a uma pessoa. Existem testemunhos suficientes a respeito. A seguir, citamos somente alguns:

  • O ateu David Hume gritou por ocasião de sua morte: "Estou nas chamas!"
  • A morte de Voltaire, o famoso zombador, deve ter sido tão terrível que sua enfermeira disse depois: "Por todo o dinheiro da Europa, eu não gostaria mais de ver um ateu morrer!"
  • Hobbes, um filósofo inglês, disse pouco antes de sua morte: "Estou diante de um terrível salto nas trevas."
  • Goethe exclamou: "Mais luz!"
  • Churchill morreu com as palavras: "Que tolo fui!" 
       Bastam esses poucos exemplos para nos mostrar claramente o que significa morrer como pecador. E Jesus experimentou esse tipo de morte, apesar de Ele mesmo – que isso fique bem claro – ser e continuar sendo absolutamente sem pecado. Ele experimentou uma morte tão pavorosa porque na cruz Ele tomou sobre Seu próprio corpo todos os pecados de todos os homens de todos os tempos. Pedro diz em sua primeira epístola: 
"carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos aos pecados, vivamos para a justiça" (1 Pe 2.24a).
       Quando Jesus morreu a morte do pecador, realmente o céu ficou fechado, o Pai desviou o olhar, o Eterno se afastou; e Ele, o Filho, ficou dependurado, só e abandonado, na cruz. Que ondas pavorosas do inferno devem ter se abatido sobre Ele. No Salmo 22 os sofrimentos de Jesus naquelas horas horrorosas são descritos de modo amedrontador, bem detalhado e claro:
"Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Contra mim abrem as bocas, como faz o leão que despedaça e ruge. Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se-me dentro de mim. Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim me deitas no pó da morte. Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos; eles me estão olhando e encarando em mim" (Salmos 22.12-17).

       Meu irmão, minha irmã, como isso deve ter sido terrivelmente difícil para Jesus Cristo! Não é de admirar, pois, que de repente tenha partido de Seu coração ferido este grito: "...Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Esse foi o grito de um homem que caiu num profundo abismo, e cujo coração estava completamente dilacerado.
       É interessante lembrar que até então Jesus nunca havia sido abandonado pelo Pai. E agora, na cruz – Ele não somente foi abandonado pelo Pai, mas também estava cercado pelos poderes do inferno. Não, até então o Pai nunca O havia abandonado; pelo contrário –o Pai esteve constantemente nEle. Por exemplo, Jesus disse: 
"Quem me vê a mim, vê o Pai" (Jo 14.9b).
       E em João 11.41b lemos: "Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai..." Portanto, até essa hora tinha havido completa harmonia entre Ele e o Pai. E Jesus se alegrou por essa harmonia, e testemunhou dela, por exemplo, com as palavras:
  •  "...porque não sou eu só, porém eu e aquele que me enviou" (Jo 8.16).
  • "E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só..." (Jo 8.29b).
  • "Eu e o Pai somos um" (Jo 10.30).
  • "...para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai" (Jo 10.38b). 
      
       Que maravilhosas palavras! Mas, exatamente por isso foi muito mais duro e trágico o contraste entre elas e as horas na cruz. Oh! que caminho Jesus teve que seguir! E, por quê? Para redimir a você e a mim; pois nós deveríamos ter estado ali na cruz!
       Talvez agora compreendamos um pouco melhor o profundo abismo dos sofrimentos do Cordeiro de Deus; talvez sejamos capazes agora de participar um pouco dos Seus sentimentos, do que Ele passou. Mesmo assim, uma ou outra pessoa poderá perguntar:

Jesus não sabia que tudo seria assim?

       Ele falou várias vezes a respeito aos Seus discípulos. Lemos, por exemplo, em Mateus 16.21: 
"Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas cousas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto, e ressuscitado no terceiro dia."   Mateus 16.21
       Aqui Ele falou claramente que ainda teria que "sofrer muitas cousas". Além disso, havia muitas profecias do Antigo Testamento que apontavam com clareza assustadora para esses acontecimentos; e Jesus conhecia todas essas palavras da Escritura. Portanto, certamente Ele sabia de tudo. Apesar de que jamais poderemos responder a essa pergunta definitivamente, hoje vou tentar – com todo respeito ao Cordeiro de Deus – dar uma resposta bem superficial. Jesus Cristo – apesar do fato de ser o Filho de Deus e de todas as coisas serem manifestas perante Ele – talvez não soubesse de uma coisa: quão terrível seria a separação entre Ele e o Pai; quão horroroso seria ser abandonado pelo Pai! Pois, repito: Ele nunca antes havia ficado sem o Pai – muito menos sido abandonado pelo Pai.
       Entretanto, talvez você diga agora: Mas Jesus sempre sabia de tudo. Tudo – será que Jesus realmente sabia de tudo? Ele mesmo falou certa vez de algo que não sabia, ou seja, da hora da Sua volta:
"Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai" (Mc 13.32).
        Portanto: isso era uma coisa que Ele não sabia. Por isso, não será que somente o próprio Pai sabia o que o Filho realmente teria de passar na cruz; quão difícil realmente seria a separação? Não será que o Pai tenha se calado sobre esse assunto por causa de Seu grande amor pelo Filho?
       Apesar de não sabermos a resposta, nesse contexto podemos pensar na relação de Abraão e Isaque. Quando os dois ainda estavam a caminho do local do sacrifício, Isaque, que não sabia de nada, perguntou ao seu pai: 
"Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?" (Gn 22.7b).
       O que Abraão respondeu a Isaque? Lemos em Gênesis 22.8a:
"Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto".  Gênesis 22.8a
        Isaque sabia, portanto, do sacrifício, mas não sabia da terrível verdade de que ele deveria ser a vítima.
        Jesus Cristo sabia do Calvário. Ele sabia que seria o Cordeiro do holocausto; mas será que Ele também sabia quão terrível seria quando o Pai – nas horas do Seu sofrimento e da Sua morte – teria que abandoná-lO? Bem, não o sabemos, e também nunca teremos uma resposta definitiva para essa questão aqui na terra. Uma coisa, porém, é segura: as horas do Calvário realmente foram as mais difíceis e solitárias pelas quais ninguém na terra jamais passou; e o Filho do Homem, Jesus Cristo, as sofreu.

O alto objetivo dos sofrimentos de Jesus

        Por que o Senhor da Glória teve que sofrer de forma tão extrema? Para redimir muitas e muitas pessoas escravizadas! Oh! quão maravilhosamente esse objetivo dos sofrimentos de Jesus é descrito no livro do profeta Isaías:
"...quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade... com o seu conhecimento, justificará a muitos... Por isso eu lhe darei muitos como a sua parte..." (Is 53.10b,11b,12a)
       Glorioso, não é mesmo?! E até hoje são acrescentados diariamente novos justificados à Sua posteridade. Mas tudo começou nessa terrível cruz solitária. Quanto mais se agravava Seu caminho de morte, quanto mais profundamente Jesus entrava em dores e sofrimentos, maior e mais real se tornava o fato de que assim o caminho ao reino dos céus estava sendo aberto para a Humanidade. A cada hora de dores se aproximava a grandiosa vitória de Jesus, a porta da graça se abria cada vez mais.
       Vejamos essa gloriosa verdade em relação à parábola de Jesus sobre os trabalhadores na vinha. Nela nos é mostrado maravilhosamente, de forma figurada, o processo que Jesus enfrentou na cruz – quanto mais horas de dores, mais próxima e maior a vitória. Leiamos a primeira parte dessa parábola:
"Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha. Saindo pela terceira hora viu, na praça, outros que estavam desocupados, e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e vos darei o que for justo. Eles foram. Tendo saído outra vez perto da hora sexta e da nona, procedeu da mesma forma, e, saindo por volta da hora undécima, encontrou outros que estavam desocupados, e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo? Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então lhes disse ele: Ide também vós para a vinha" (Mt 20.1-7).

       Essa parábola aponta maravilhosamente para o reino celestial e para todos que estarão nele algum dia. Ela nos mostra também que não faz diferença se alguém encontra cedo o caminho ou se chega somente à hora undécima. O que importa é que muitos venham! Não vamos nos ater agora na parábola em si, mas extrair dela maravilhosos paralelos sobre os acontecimentos do Calvário.

  • Quando começou o verdadeiro caminho de morte de nosso Senhor?
       Não me refiro ao caminho de sofrimentos em geral, que já começou na manjedoura em Belém, mas ao caminho de morte e crucificação em si, através do qual Ele, como Deus, o disse através do profeta Isaías, geraria uma posteridade, ou seja, justificaria a muitos. Quando começou esse caminho da cruz? Lemos em Marcos 15.1: 
"Logo pela manhã entraram em conselho os principais sacerdotes com os anciãos, escribas e todo o Sinédrio; e, amarrando a Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos."   Marcos 15.1
       E quando o dono da casa, na parábola citada, começou a enviar trabalhadores para sua vinha, isto é, quando o Rei do reino dos céus começou a chamar Sua posteridade para Seu reino? Também cedo de manhã:
"Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha" (Mt 20.1).


  • Quando, exatamente, Jesus foi crucificado?
       À hora terceira (nove horas da manhã): "Era a hora terceira quando o crucificaram" (Mc 15.25). E quando os próximos trabalhadores foram enviados para a vinha, isto é, quando o Rei do reino dos céus chamou os seguintes da Sua posteridade para Seu reino? À terceira hora (às nove horas da manhã):
"Saindo pela terceira hora viu, na praça, outros que estavam desocupados, e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e vos darei o que for justo" (Mt 20.3-4).


  • Quando se abateram as terríveis trevas sobre toda a terra?
       À hora sexta (às doze horas): 
"Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona" (Mc 15.33).
       E quando os trabalhadores seguintes foram chamados para a vinha, ou seja, quando foram novamente chamados outros à posteridade no reino dos céus? À hora sexta (ao meio-dia):
"Tendo saído outra vez perto da hora sexta..., procedeu da mesma forma" (Mt 20.5).


  • Quando o Senhor Jesus Cristo deu o Seu grito abalador?
       À hora nona (às três horas da tarde): 
"À hora nona clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mc 15.34).
       E quando foram enviados mais trabalhadores para a vinha, isto é, chamados ainda mais pessoas para a posteridade no reino dos céus? À hora nona (às três horas da tarde):
"Tendo saído outra vez perto da hora... nona, procedeu da mesma forma" (Mt 20.5).


  • Quando Jesus Cristo foi sepultado?
       Antes do anoitecer no dia anterior ao sábado (aproximadamente às cinco horas da tarde): 
"Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus... Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara, e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo" (Mc 15.42-43,46).
       E exatamente ao mesmo tempo, às dezessete horas, à hora undécima, na parábola foram novamente enviados trabalhadores para a vinha, ou seja, chamadas outras pessoas à posteridade no reino dos céus:
"...e, saindo por volta da hora undécima, encontrou outros que estavam desocupados, e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo? Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então lhes disse ele: Ide também vós para a vinha" (Mt 20.6-7).

       Essa comparação alegórica entre a morte de Jesus e a parábola dos trabalhadores na vinha nos mostra como através dos sofrimentos de Jesus na cruz, que ficavam cada vez mais intensos, a redenção se aproximava cada vez mais. Quanto mais se agravava Seu caminho de morte, mais resplandecia a verdade de que assim estava sendo preparado o caminho ao reino dos céus para a Humanidade.
       Resumindo: cedo pela manhã começou o caminho da cruz de Jesus – e de madrugada vieram os primeiros trabalhadores para a vinha do dono da casa. À terceira hora (9 horas) Jesus foi crucificado – e à terceira hora foram chamados os trabalhadores seguintes para a vinha. À hora sexta (12 horas) se abateram as trevas sobre toda a terra – e à hora sexta foram chamados mais trabalhadores. À hora nona (15 horas) Jesus gritou Seu abalador "Por quê?" – e exatamente nessa hora foram novamente chamados trabalhadores na parábola. E à undécima hora (17 horas) Jesus Cristo foi sepultado; na parábola dos trabalhadores na vinha na mesma hora foram chamados mais uma vez trabalhadores. Aqui vemos claramente o que o profeta Isaías profetizou:
"Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si" (Is 53.11).

       Ao vermos tudo isso novamente hoje – essa maravilhosa obra do Calvário com seus grandiosos efeitos –, impõe-se a pergunta: o Senhor Jesus fez tanto por nós – mas o que podemos fazer por Ele?

O que podemos Lhe dar?

       Oh! na verdade, nada! Pois conhecemos a nós mesmos e sabemos quão rapidamente novos propósitos e promessas são esquecidos. Apesar disso, devemos dar uma resposta ao Senhor! Talvez um acontecimento da vida de Pedro possa nos ajudar nesse sentido. Em certa ocasião, ele estava em Jope, na casa de um curtidor chamado Simão. Seu lugar de oração era sobre o eirado (terraço) da casa. Lemos em Atos 10.9: 
"No dia seguinte..., subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta".   Atos 10.9
       Se bem que esse texto na verdade não tem nada a ver com o Calvário, interessam as palavras "por volta da hora sexta". Portanto, Pedro subiu ao eirado ao meio-dia (12 horas) para orar. E quando começaram as três piores horas para o Senhor Jesus na cruz? Igualmente à hora sexta: 
"Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona" (Mc 15.33).
       É comovente o fato de que Pedro – consciente ou inconscientemente – tenha feito da pior hora de seu Senhor na cruz sua hora de oração diária! Pois podemos supor que não se tratou de uma oração única, ao acaso, mas de um costume regular. Como quer que seja, de qualquer modo, Pedro estava orando ao Seu Senhor na hora em que Jesus tinha passado pelos maiores tormentos na cruz. A pergunta é: o que podemos fazer pelo nosso Senhor Jesus; o que podemos Lhe dar? – na verdade, a minha e a sua resposta deveria ser bem clara: recomeçar uma vida de oração intensiva, baseando-nos a partir de agora conscientemente na morte de nosso Redentor! Em outras palavras: nunca mais oremos sem antes pensar porque podemos orar; sem que tenhamos completa clareza de porque temos o privilégio de orar; e sem estarmos plenamente convictos de que temos que orar! Pois: Jesus Cristo nos deu – através de Seus sofrimentos inomináveis e de Sua morte na cruz – a filiação pela qual podemos exclamar em oração: "Aba, Pai!" Sim, é o que está escrito: 
"E, porque vós sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai" (Gl 4.6).
Apóstolo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciências da Religião Dr. Edson Cavalcante