Subscribe:

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ADORADORES EM ESPÍRITO E EM VERDADE...


                                 ADORADORES EM ESPÍRITO E EM VERDADE...
JOÃO 4.21-24

Proposição: Levar a Igreja, a adorar a Deus em Espírito e em Verdade!
            Por que você adora a Deus? Qual o propósito da adoração? Pra responder essas perguntas precisamos primeiramente saber o que é adoração? Pois como podemos dizer que adoramos a Deus se não sabemos o que significa adorar.
Primeiramente quero dizer que de uma forma ou de outra a adoração esta presente em nossas vidas mais do que damos conta. O mundo nos chama às suas várias formas de adoração todos os dias. Anúncios nos chamam a gastar o nosso dinheiro (a adoração de Mamon). De várias formas, somos chamados a dar o nosso tempo aos esportes, televisão e outras diversões (a adoração do prazer). Podemos planejar as coisas de tal forma que nos tornamos o centro das nossas vidas (a adoração do eu).
O chamado para adoração no culto do Dia do Senhor é designado para nos afastar de todas as outras adorações, para que nos foquemos no Deus vivo e verdadeiro. Quando você vem adorar no domingo, você pode estar preocupado com alguma coisa no percurso de carro. Você pode se sentir estressado após levar as crianças ao banheiro, alimentá-las rapidamente, deixá-las na sala de escola bíblica, e subir (em tempo!) ao auditório. Você pode estar cansado de uma semana movimentada. Pode estar mal-humorado por inúmeras razões.
À adoração convida você a colocar todas essas coisas de lado, e entrar solene e alegremente no alto privilégio da adoração. Deus mesmo, através do seu ministro, chama você a dar-lhe a glória que é devida ao seu nome. Ouça cuidadosamente as palavras do chamado à adoração:
"Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor" (Sl. 100:4). "Adorai o SENHOR na beleza da santidade" (Sl. 29:2).  "Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque fez maravilhas" (Sl. 98:1). "Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos" (Sl. 95:6)
Adoração é atribuir honra a alguém que é digno. O dever supremo daqueles feitos à imagem de Deus é "atribuir dignidade" àquele em quem vivemos, nos movemos e temos a nossa existência (Atos 17:28). A adoração cristã tem sido corretamente definida como "a atividade da nova vida de um crente na qual, reconhecendo a plenitude da Divindade como revelada na pessoa de Jesus Cristo e seus poderosos atos redentores, busca pelo poder do Espírito Santo prestar ao Deus vivo a glória, honra e submissão que lhe é devida" (Robert Rayburn). "Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças" (Apocalipse 5:12).
Nossa adoração deve refletir a adoração do céu, na qual todos os que estão ao redor do trono de Deus dão-lhe glória. "O Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4:23). A sua adoração pessoal, em sua família, e especialmente quando reunido como uma igreja deveria ser a experiência mais maravilhosa da sua vida. Deveria ser um antegozo de uma eternidade de adoração àquele que nos salvou e nos abençoou com imensuráveis bondades. 
Nós adoramos a Deus porque Deus nos criou para adorá-lo. Adoração está no centro da nossa existência; no coração da nossa razão de ser. Deus nos criou para ser sua imagem - uma imagem que refletiria sua glória. De fato, toda a criação foi trazida à existência para refletir a glória divina. O salmista nos diz que "os céus proclamam a glória de Deus; e o firmamento anuncia as obras das suas mãos" (Salmos 19:1). O apóstolo Paulo na oração com que ele inicia a epístola aos Efésios mostra claramente que Deus nos criou para louvá-lo.
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado (...)" (Efésios 1:3-6).
Esta oração diz muita coisa sobre a adoração dos mais antigos Cristãos. Ela mostra a consciência que os primeiros Cristãos tinham do significado último de sua adoração. Eles entendiam a si mesmos como tendo sido destinados e nomeados para viver para o louvor da glória de Deus (Efésios 1:12). Quando o Catecismo de Westminster nos ensina, "O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", ele dá testemunho desse mesmo princípio básico; Deus nos criou para adorá-lo. Realmente, é aqui que nós devemos começar quando, como teólogos Reformados, nós perguntamos o que é adoração. Adoração deve, acima de tudo, servir à glória de Deus.
Diante dessa breve explicação agora podemos responder as perguntas inicialmente feitas. Por que você adora a Deus? Porque voc simplesmente foi criado para adora-lo, você nasceu pra isso... adorar a Deus faz parte de seu DNA...
Qual propósito da adoração? O propósito da adoração é a Intimidade com Deus, o propósito da adoração é de nos aproximar de Deus ao ponto de desfrutarmos mais intimamente de sua presença. É interessante observar a definição da palavra "intimidade", segundo o Dicionário Aurélio"Vida íntima; vida particular""Que está muito dentro; Que atua no interior; Muito cordial, afetuoso; Estreitamente ligado por afeição e confiança". Ressalta-se aqui a definição que diz que o íntimo "atua no interior".
Ser íntimo de alguém requer tempo e esforço para conhecer e ser conhecido por esse alguém como você realmente é. Intimidade é conhecer o outro profundamente. É conhecer os anseios, os desejos e os segredos do coração do outro, assim é a intimidade com Deus: é conhecê-lo profundamente, atendendo aos desejos do Seu coração.
No entanto vemos por parte de muitos que se denominam cristãos atitudes completamente opostas a esse propósito divino. O apostolo Paulo nos adverte para evitarmos essas pessoas se dizem cristãs, vivem por fora como adoradores, mas no fundo em seus corações negam essa adoração. 2 Timóteo 3.5 lemos: "tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes."
Eles agem como se estivessem servindo a Deus. Mas adoram sim o sistema, a instituição, a si mesmos se se deixarem a ser transformados. Pois quando há poder na adoração, há mudança de vida de valores, de atitudes, o poder na adoração é reposta de uma vida de testemunho e discipulado, vida que prega e faz diferença. O que não acontece, pois em 1 Timóteo 6.3-5 mostra que esse tipo de pessoa só trazem problemas.
Se alguém ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro. 
 A falta de conhecimento na palavra de Deus, a falta de foco do ensino da palavra e a falta de adoração distanciam as pessoas de uma vida de intimidade com Deus.
            Que tipo de vida em adoração você tem tido com o Pai? Tem tido um propósito, um foco, está dentro da palavra dos ensinamentos de Cristo? Que tipo de cristão você é?
No evangelho segundo João 4.23,24 o Senhor Jesus, em seu clássico diálogo com a mulher samaritana, declara: Mas vem a hora e já chegou em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. Hoje, há quase dois mil anos após aquela declaração, Deus continua contando com verdadeiros adoradores. Através desse texto, Jesus nos ensinou 3 coisas sobre a adoração
             1º A essência da adoração não depende do espaço:
A essência da adoração não depende de como, onde e quando é feita, mas do conhecimento do próprio Deus (vs 21-22); Os verdadeiros adoradores são aqueles que conhecem a Deus e são conhecidos por Deus. Deus não vive numa busca desenfreada por qualquer tipo de adorador que o adore de qualquer maneira. Ele é e sempre será adorado de verdade por aqueles que verdadeiramente lhe pertencem. O verbo grego zhte/w (procurar, buscar) sugere exatamente isso. O Pai busca seus eleitos com o intuito de torná-los seus adoradores.
A verdadeira adoração é prestada a Deus somente por aqueles que nasceram do Espírito de Deus. "Aquele que é nascido da carne, é carne", disse Jesus, e, portanto, toda assim chamada adoração feita por pecadores não regenerados é carnal. Somente um coração regenerado pode cantar a nova canção (Salmo 40:3).
A verdadeira adoração surge a partir de um contínuo andar com Deus. Um homem que dificilmente pensa em Deus durante os seis dias da semana, não está apto a adorá-lo corretamente no sétimo dia. Se tal pessoa fala quanto está se "regozijando" na adoração, alguma coisa está errada com ele! Ele está se entretendo ou está recebendo aquela vaga sensação de desafio que o homem natural desfruta. Por outro lado, em meio à verdadeira adoração, tal pessoa deveria sentir quanto está afastada de Deus e sentir uma tristeza santa por sua negligência para com a glória do Senhor.
A verdadeira adoração requer preparação. Um homem não pode simplesmente achegar-se à presença de Deus sem qualquer preparação de coração e alma, e esperar, então, por uma "adoração instantânea". Davi disse: "Ao meu coração me ocorre: buscai a minha presença; buscarei, pois, Senhor, a Tua presença" (Salmo 27:8). A verdadeira adoração, no dia do Senhor, surge de uma mente preparada para Deus.
            No diálogo com aquela mulher, Jesus percebeu que pra ela, Adorar a Deus dependia de um espaço e não uma atitude do coração. John Piper, em seu livro Desejando Deus diz que: "Adoração não é apenas um ato de força de vontade que nos leva a atitudes exteriores. Sem que haja envolvimento de coração, não há adoração verdadeira. Envolver o coração significa dar vida a sentimentos, emoções e afetos. Onde os sentimentos de Deus estiverem mortos, morta também estará a adoração".
           2º A essência da Adoração é ter comunhão em espírito e em verdade (vs23,24);
Nosso Senhor ensinou à samaritana que quem conhece Deus de fato, só pode adorá-lO em espírito e em verdade. Estudiosos da Bíblia têm dado diversas interpretações para a expressão "em espírito e em verdade" de João 4.23,24. Parece razoável entendermos que ao estabelecer o modo correto de adorar a Deus, isto é, em espírito e em verdade, Jesus estava criticando o culto judaico e o culto samaritano.
Os samaritanos acreditavam que adoravam o mesmo Deus dos judeus, mas não aceitavam as mesmas Escrituras dos judeus, a não ser os cinco primeiros livros, o Pentateuco de Moisés. Como não aceitavam os demais livros da revelação divina (por acharem que eram invenções dos judeus), o culto dos samaritanos era defeituoso. Por isso Jesus disse à mulher:
"Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus" (v22).
Os samaritanos adoravam "em espírito", isto é, adoravam aquele que eles não conheciam "com alegria e verdadeiro entusiasmo". Mas e daí? Não adoravam "em verdade" porque rejeitavam 34 livros do Velho Testamento, a Bíblia de então. A revelação de Deus nas Escrituras é progressiva; portanto, é impossível conhecê-lO verdadeiramente ficando apenas com os cinco primeiros livros da Bíblia. Por outro lado, os judeus aceitavam toda Escritura. Por isso conheciam Deus e tinham tudo para adorá-lO corretamente. "Tinham tudo", mas não o faziam. Os judeus se limitavam à formalidade de um culto onde o espírito não estava presente. Faltavam emoção, vida e alegria no culto judaico.
Contudo, uma nova era estava surgindo para a adoração. Logo, logo tanto judeus como samaritanos compreenderiam que para adorar a Deus o que menos importava era o espaço físico. O que conta "não é onde se deve adorar, mas a atitude do coração e da mente, e a obediência à verdade de Deus quanto ao objeto e o método de adoração. Não é o onde, mas o como e o quê o que realmente importa". Deus quer homens e mulheres que O adorem com o espírito dos samaritanos e a verdade dos judeus.
             3º A essência da adoração é a adoração procurada por Deus (v23)
 A adoração que Deus procura é a adoração que é caracterizada pelo esquecimento de si mesmo e pela ausência de qualquer concentração no homem. O publicano permaneceu em pé, distante, abaixou sua cabeça e orou: "Ó Deus, sê misericordioso comigo, pecador". Em nossos cultos, dirigidos pelas Escrituras e dependentes de Cristo, estamos verdadeiramente adorando a Deus; não deixamos simplesmente que as coisas caminhem, mas unicamente queremos adorar; nós adoramos o Deus vivo em espírito e em verdade, sabendo que o Pai está buscando ativamente tais pessoas que O adorem! O ato de Deus achar em nós adoradores, não por uma necessidade e sim pelo fato da criatura chegar mais próximo do seu criador, e ainda de estarmos mais próximos a semelhança de seu filho Jesus Cristo.
A adoração que Deus procura é a adoração que é sempre um produto e uma perspectiva da grandeza de Deus e da nossa pequenez. O profeta Isaías vê a grandeza de Deus e clama: "Ai de mim! Estou perdido! porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!" (Isaías 6:5). João, na ilha de Patmos, vê o Senhor e nos diz: "Quando O vi, caí a seus pés, como morto" (Apocalipse 1:17). Qualquer coisa de novo que introduzimos na adoração, que não tenha como objetivo exaltar a Deus, é simplesmente uma concessão ao desejo por novidade que, caracteriza todos os homens naturais...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.

0 comentários:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.