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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

ESTUDO BÍBLICO SOBRE A VIDA DE JOÃO BATISTA...


                          ESTUDO BÍBLICO SOBRE A VIDA DE JOÃO BATISTA...
Marcos 6.14-29
Tema: João Batista
Nossa tradição evangélica esqueceu os mártires de ontem e não sabe o que fazer com os de hoje. Tornou-se apática diante do sangue derramado pelas testemunhas de Jesus. (Esta apatia diante dos mártires anda de mãos dadas com a apatia diante dos sistemas de opressão.) Deixamos por conta de outras tradições ocupar-se com tais manifestações de fé cristã. Estamos diante de uma lacuna que nos empobrecem nos impede de ver o fogo profético desses mártires. E quando conseguimos visualizar um mártir, transformá-lo num fenômeno isolado e individual o que não nos permite desvendar o sentido que a história adquire à luz dos mártires. Por isso, qual é o sentido do martírio cristão?
A proposta da Série Alternativa para o mês de junho é um tanto complexa. Sugere inter-relacionar três conteúdos: a Festa de São João, um texto bíblico sobre a morte de João Batista e a temática do martírio. Para viabilizar esta interação informar-nos-emos inicialmente sobre a festa junina, estudando depois o texto proposto para desembocar numa reflexão sobre a temática do martírio, para então visualizar a prédica.
l — A Festa de São João (nascimento do mártir)
A Festa de São João tem muitas matizes regionais. Não e tão uniforme como a do Natal. Afinal, as festas juninas não sofreram o mesmo nivelamento comercial que a celebração natalina. Por assumir tais caracteres regionais, a exposição que segue carece do colorido local que lhe deve ser acrescentada pelo pregador.
1. A Festa de São João tem sua origem fora do cristianismo. Até é anterior a ele, como boa parte das festas do ano litúrgico. Através desta festa se assinala — até hoje! — uma fase do ciclo da natureza.
Provém do hemisfério norte. Era conhecida entre povos germanos, mas não só entre estes. Aí ritualizava o solstício de verão, comemorado, em especial, através de fogueiras e tochas. Festejava-se, pois, a vitória do sol, o auge da luz. É a época da maturação de cereais. É um tempo de bênção.
A igreja assimilou esta festa do solstício de verão e deu-lhe nova interpretação. Ao determinar a Festa de Natal para 25 de de¬zembro (i. e., no solstício do inverno), o cristianismo também estava fixando a comemoração do nascimento de João Batista. Devido a Lc 1.26,36, o nascimento de João se dá seis meses antes do de Jesus sendo ambos festejados na noite anterior. Uma vez relacionado o nascimento de João com as festividades por ocasião do solstício diversos costumes desta são vinculados a passagens da vida do Batista, como por exemplo: as fogueiras juninas são conectadas com Jo 1.8; os folguedos com as danças de Herodias (Mc 6.22), etc.
A partir do 59 século, a Festa de São João passa a integrar-se mais definitivamente no calendário eclesiástico. Permanecem, contudo, certas indefinições quanto à datação. No oriente, a festa foi celebrada após Epifanias, enquanto que, no ocidente, optou-se por junho (cf. Lc. 1.36). Na reforma luterana o Dia de João Batista não foi abandonado. Lutero o valida e recomenda (cf. WA 12.37). Neste dia festivo proferiu diversos sermões (veja Bibliografia). Em uma prédica de 1525 atribui o seguinte sentido à festa: Não comemoramos esta festa de São João Batista por causa dele, mas por causa de seu ministério. . . Este dia de festa se refere a Cristo. Por isto a Festa de João Batista deve ser enaltecida como a de Cristo. (WA 17/1, 285) Nela não se celebra a austeridade do Batista, mas sua palavra e seu ministério. Portanto, para Lutero foi um dia significativo. Contudo, no luteranismo posterior foi perdendo em relevância, talvez não por último devido ao declínio de popularidade das festas juninas entre o povo alemão.
2. Ao Brasil a Festa de São João chega em sua versão lusitana. Do solstício do verão passa para o do inverno, sem perder em importância. Chega a concorrer com o Natal, constituindo-se numa festa muito popular em todo pais. A Festa de São João é a principal festa do solstício de inverno realizada em todo o território brasileiro. (A. M. Araújo, p. 18) Se bem que existam muitas peculiaridades regionais, as características mais frequentes são as seguintes:
A fogueira não pode faltar. A festa gira em torno do fogo. Nem faltam o foguetório e os balões.
Há toda uma variedade de expressões culturais de vestimentas, danças, cantos e encenações que perfazem o colorido da animação.
A festa tem suas comidas e bebidas típicas, naturalmente variando conforme as regiões. No sul, pipoca e pinhão não podem estar ausentes. Busca-se representar fartura e vida abençoada, o que por vezes aproxima nossa festa da de colheita.
A solidariedade grupal é revigorada. A família se congraça. Em certas áreas, até exista um compadrio específico para a ocasião: o compadre de fogueira.
Portanto, a Festa da São João apresenta todo um conjunto de usos e costumes diferenciadores que lhe dão um colorido todo peculiar. Contudo, talvez não seja o jeito próprio da festa que a faça merecedora de nossa atenção. Bem mais decisivo me parecer ser que optamos diante de uma das festas eminentemente populares em nossa terra. É folclore organizado e orquestrado pelo povo, na roça e nas periferias das cidades. Em boa medida, inclusive continua ileso do cooptação da propaganda. Como folclore popular, a Festa de São João requer nosso especial carinho.
3. No âmbito das comunidades evangélico-luteranas a Festa de São João, via de regra, não recebe destaque maior, se nos ativermos a olhar para suas programações (por estar em declínio no folclore alemão?). Se bem que as programações da comunidade não espelhem um envolvimento maior, tenho observado que nossos membros estão presentes aos festejos. Em especial os jovens participam de seus usos. Consequentemente, há condições de correlacionar a Festa de São João com os cultos da época de junho.
4. A tradição eclesiástica vinculou o nascimento de João Batista com as festividades do solstício de junho. O nascimento de João é o motivo precípuo para os folguedos. Contudo, esta data não só serviu para relembrar o nascimento. Foi atraindo a si também os demais episódios da vida do Batista. Se bem que existisse uma data específica para recordar sua decapitação (em 29.8, na Igreja Ocidental), esta não chegou a ter importância maior; foi sendo incorporada à memória das festas juninas. Os textos bíblicos vinculados à festa tanto são os do nascimento quanto os da decapitação. Por exemplo, Lutero pregava sobre a morte de João na data em que se comemorava seu nascimento (veja W A 37,462ss).
Teologicamente é relevante que se relacione o nascimento com a morte deste pregador do deserto. Pois, é em sua decapitação que sua vida se expressa do modo mais inequívoco. Na morte con¬fluem sua pregação e sua vida: É decapitado por denunciar as autoridades! No nascimento de João celebra-se o advento de um mártir. Ao preparar o caminho do Senhor (Lc 1.76), o Batista segue as pisadas daquele mesmo Senhor. Sem entender sua cruz, não se entende a vida de João. Nesse sentido é bom que o sermão para as festas juninas tematize a execução do Batista. Passemos a meditar o texto em questão.
II — Banquetes e massacres
1. A perícope de Mc 6.14-29 tem um jeito peculiar. Desdobra-se à base de contrastes. Para percebê-lo, basta atentar para início, e fim (o texto começa com um rei e termina com um túmulo!) ou para os papéis atribuídos aos personagens principais: Somente o rei e os seus falam e agem; João Batista nada diz; sua fala pertence ao passado {v. 18). Existem muitos outros contrastes e tensões na perícope. Restrinjo-me a referir alguns. Herodes escuta João de boa mente; Herodias persegue-o. Dum lado há gente em banquete e orgia, do outro gente massacrada no cárcere. O prato que serve a cabeça de João faz parte do banquete; a cabeça que nele é servida vem da prisão. Portanto, existem diversos contrastes. Como avaliar esta diversidade?
Num item falta o contraste. Entre João Batista e Jesus, entre os discípulos de um e de outro não há nenhuma oposição. Pelo contrário, Jesus é tido como o João ressurreto (v. 14) e os discípulos de João agem como os de Jesus ( cf. 6.7ss,30; veja também 15.42ss).
2. A origem desta narração à base de contrastes está carregada de sentido. Seu conhecimento direciona a avaliação de seu con¬teúdo.
A narração é anterior a Marcos. Basta verificar os vv.14-16 para conferi-lo: Através deles o evangelista a integra em sua obra.
A descrição da cena sobre a decapitação de João (i.e., em especial vv. 17-29) nem mesmo é oriunda da comunidade crista que, via de regra, é responsável pelas demais perícopes de Marcos. Devemos buscar suas raízes entre os discípulos de João, mencionados no v. 29. Sabemos que estes sucessores do Batista constituíram um movimento significativo no primeiro século). Aqui, estes discípulos memorizam o martírio de seu mestre. Para tal valem-se também de outras cenas da vida do povo de Deus, em especial de Elias (cf. 1 Rs 21) e do livro de Ester (cf. Et 7.2!). Portanto, estes seguidores de João padronizaram a estória do martírio de seu mestre com auxílio de tradições vétero-testamentárias.
Os articuladores da perícope de modo algum parecem ser es¬pecialistas na letra. Pelo contrário, diversos indícios exigem que se reconheça nela uma obra popular, pré-literária A estória gira em torno de poucos personagens. Põe a corte a nu em seu desmando e desregramento, como não o faria alguém que se soubesse identificado com ela. Além do mais, a narração não se mostra muito bem informada sobre certos detalhes. Herodes Antipas — filho de Herodes o Grande — não chegou a ser agraciado com o título de rei (v. 14) pelos romanos; tão somente era um tetrarca. Contudo, estas minúcias de titulação pouco sentido faziam para o povo que tinha que pagar pelas festas dos soberanos. Por fim, Herodias não esteve casada com Filipe (cf. v. 17), mas com um irmão de Herodes Antipas, cujo nome igualmente era Herodes. A esposa de Filipe não foi Herodias mas a filha desta, como podemos verificar no historiador Josefo, do qual também sabemos que João Batista foi executado num forte junto ao Mar Morto e não na Galiléia, em Tiberias, como pressupõe nosso texto. Como se vê, o povo que contou e moldou nossa estória desconhecia certos detalhes das sociais e dos desregramentos palacianos.
A comunidade de Marcos certamente já associara conteúdo e vida de João Batista, de sorte que ao integrar nossa cena e as do cap. 1 em seu evangelho fazia-o alicerçado em tradições comunitárias. É muito evidente que Marcos intercalou a estória do martírio de João. Por um lado, percebemo-lo no fato de que ela está nitidamente interposta entre envio (6.7-13) e retorno (6.30ss) dos apóstolos. Para preencher este ínterim entre envio e retorno, o evangelista lança mão de um episódio que inclusive já ocorrera há mais tempo, conforme o v. 14 (veja também 1.14). Por outro lado, os vv. 14-16 são uma níti¬da formulação do evangelista, como se pode ver na comparação com 8.28. Através destes vv.14-16 Marcos quer integrar a cena do martírio em seu Evangelho de Jesus.
A trajetória que nossa perícope percorreu até ser intercalada em Marcos carrega em si um rico sentido. Tentemos delineá-lo.
3. Ao descrever o conteúdo, levo em conta o jeito, a origem e a intencionalidade peculiar desta perícope.
3.1 Antes de mais nada devemos avaliar os contrastes. São muitos. Porém, nem todos estão num mesmo nível; há um topo: O rei Herodes encontra-se de um, João Batista de outro lado. Á contradição elementar opõe a corte de um tetrarca romano e um pregador do deserto. Este é o conflito que marca nossa história e está em seu ápice: Herodes manda executar o Batista. As demais tensões do texto são daí derivadas ou estão sujeitas a esta. Se o sermão perder de vista esta contraposição elementar, estará correndo o risco de desfocar o texto. Isso estaria ocorrendo, por exemplo, se procurássemos inocentar Herodes e deduzir tudo da sede de vingança de Herodias. Não é o ódio de uma mulher, mas o poder arbitrário do rei e de sua corte que provoca a denúncia de João (v. 18) e sua matança (vv. 16,17,27). Portanto, a avaliação dessa nossa perícope não deve esquivar-se da confrontação com o cerne das oposições que a perpassam. A cabeça de João Batista rola por causa do sistema político!
3.2 Não há dúvida: Nossa história visa Jesus. Falando de He¬rodes e João, ela tem em mira o Cristo que opera milagres (v. 14, cf. v. 7 e v. 30ss), que foi morto, sepultado e ressuscitado (v. 16 e v. 29). O destino de João como que prefigura o de Jesus. Nossa perícope clama, pois, por uma leitura cristológica.
Antes de mais nada, é o evangelho de Marcos, em seu conjun¬to, que evoca o sentido cristalógico do que narra nossa história. E, em particular, são os vv. 14-18 e o contexto imediato do cap. 6 que veiculam a vida de João com Jesus de Nazaré. Neles ocupa função de destaque a frasezinha que encabeça as referências a Jesus: o nome de Jesus já se tornara notório (v. 14). Esta frase provém da missão; ela dá notoriedade ao nome de Jesus (Lc 24.46s; At 9.15,27s; 19.17; Rm 15.20). Ora, o contexto de nossa perícope justamente é o envio missionário dos apóstolos (v.7ss e v.30). A notoriedade que o evento crístico adquire através da propagação de sua obra induz à pergunta por seus antecedentes. Quem é este Jesus, o Cristo? Contando a história de João, o evangelista o vai identificando através de seus antecessores. Além desta referência mais detalhada a João, também a breve menção de Elias e dos profetas (v. 15) visa dar identidade ao Nazareno. Cristo está ancorado na profundidade da história de seu povo. Abaixo pretendo aprofundar esta questão (cf. 3.3); antes de poder fazê-lo, torna-se necessário interpor a seguinte reflexão:
Nossos versículos por certo atestam a continuidade existente entre Jesus e seus antecessores: João Batista, Elias e os profetas. Porém, não são estes que conduzem àquele, mas é este que ilumina aqueles. Jesus estabelece continuidade em relação a João Batista, não o inverso. De João Batista para Jesus há descontinuidade. Se assim não fosse, os vv. 14-16 não dariam margem a divergências quanto ao sentido da vida de João. A vida do Batista praticamente termina em obscuridade total (J. Gnilka, p. 251). Em Jesus, sua morte e ressurreição, é que ela resplandece. Atenhamo-nos, agora, a este resplendor que vern do João Batista, relido aos olhos do evento crístico.
3.3 Ancorar nossa perícope cristologicamente não pode equivaler à sua sutil supressão, i. e., no sermão não basta falar da crucificação e ressurreição. Será necessário pregar a partir da estória da decapitação do Batista. Uma leitura cristológica de nosso texto não o apaga, mas o faz luzir de um modo inusitado do seguinte modo: A decapitação do Batista não o lança na obscuridade mas, em Jesus, o torna um martírio, um testemunho pré-figurador do Filho de Deus. Justamente neste sentido a cena da morte de João é um auxilio extraordinário para soletrar e trocar em miúdos o sentido que a morte do Cristo traz para as mortes deste mundo. Uma perícope como a nossa exige falar das cruzes e dos mártires em meio à história. Atribui sentido ao que aparentemente não faz sentido. É o que o próximo capítulo pretende tematizar.
Ill — Resistência e martírio
Esta percepção contundente da radical insuficiência humana, em especial também de sua sensibilidade religiosa ou de sua boa vontade humanitária, não pode ser em nada diminuída numa reflexão sobre o martírio.
]Deus cria sua história a partir do nada e através dele. A trajetória de Deus conosco (conquanto pessoas e conquanto história) é mediada pelo que nada é. Deus inverte a história; olha-a desde aqueles que nada são. A fé cristã propicia, pois, uma inversão; vê a história desde seu reverso, desde os fracos, não porque houvesse alguma dignidade no reverso ou na fraqueza, mas porque a morte e a ressurreição do Filho de Deus os revela. Aí também há espaço para os mártires, não porque neles houvesse obras ou qualidades especiais, mas porque apraz a Deus tirar sentido do que não o tem. Aprouve a Deus, em Jesus, retirar vida e sentido de túmulos, de cemitérios clandestinos, de gente martirizada.
2. Portanto, o martírio emerge, com sentido, desde dentro da teologia da cruz, o que o torna um tema inadiável. Aliás, ele até é uma das especificidades da tradição judaico-cristã. A fase tardia do AT e o judaísmo já colocavam a questão do martírio, i. e., do sofrimento e da morte implicados no testemunho do Deus único e da justiça Nesta época a profecia, em cuja conexão também são colocados João Batista e Jesus de Nazaré, é vista como trajetória de mártires (veja 2 Cr 36.15s; Mt 5.12; At 7.52). Portanto, para o NT, no sangue inocen¬te de Cristo também o sangue de seus precursores adquire significado.
3. O martírio não ocorre num espaço genérico e indefinido. Tem um lugar social peculiar: O martírio ocorre no conflito com as autoridades. No caso, o Estado aparece como agente dos poderes da morte e de seus ídolos. Basta apontar para João Batista, a fim de sensibilizar-se para o contexto político do testemunho cristão que implica em morte. O martírio é resistência a autoridades.
4. Portanto, em Cristo é resgatado o sentido dos que, como o mestre, pagam com a vida pelo testemunho. Porém, não deveríamos individualizar estes mártires. Pois, afinal, nenhum dos que foram massacrados — pensemos em João Batista— o foram como personalidades individuais e isoladas. Tinham contexto. Eram figuras representativas das dores do povo, dos conflitos de seus dias. Ao martírio é, pois, inerente uma vicariedade popular. A rigor, este é, em nosso continente, o aspecto precípuo do martírio cristão: o ato de partilhar o destino de milhões de seres humanos triturados nas prisões e definhados pela fome. Ao meu ver, esta é a questão que, neste instante, desafia nossa criatividade teológica e nossa resistência organizada. Na cruz de Cristo os milhões de índios assassinados em nosso continente não pereceram para o esquecimento. Na ressurreição de Jesus os milhares de crianças massacradas pela fome, em especial no Nordeste, não somem da memória. Do mesmo modo como João Batista emerge na vida do Cristo (cf. vv.14-16!), transformando-se num memorial (v.29) de resistência que faz estremecer os soberanos degoladores (v. 16), do mesmo modo dos famintos mortos no Nordeste e dos cemitérios clandestinos na Argentina emergem cadáveres e memoriais de resistência. Na fé em Jesus, até túmulos não calam. Portanto, nossa perícope nos ajuda a retomar a perspectiva do martírio no seguinte sentido: Em Jesus, o crucificado e ressurreto, abre-se a história em sua profundidade e em seu reverso, aparecendo João batistas, abeis, profetas, nordestinos...
Interrompo aqui sabendo que a avaliação da temática do martírio não está concluída, e nem é fácil completá-la já que, entre nós, carece de articulação teológica.
IV — Sugestão para prédica
1. Iniciaria a prédica com alusões à Festa de São João, em preparação ou andamento no mês de junho. Relacionaria a alegria da festa com o nascimento de João Batista e com a situação angustiante em nosso povo. Isso conduziria para a cena da decapitação de João.
2. Continuaria com a leitura do texto e sua breve explicação, visando situá-lo no contexto da memória da comunidade e no contexto de Jesus.
3. Daria ênfase especial à morte de João Batista como morte que abre os olhos para os crucificados de nossos dias. Nesta terceira parte da prédica traria detalhes de nossa atualidade.

V —Subsídios litúrgicos
1. Intróito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti (Mt 11.10).
2. Confissão de pecados: Senhor, nosso Deus! Teus profetas foram perseguidos e mortos, lá nos tempos da Bíblia. Nos dias de hoje muitos são mortos por causa da sua fé. E muitos outros vão morrendo por falta de alimento. Nós não somos inocentes. Senhor! Apagamos de nossa memória os cristãos que, em nossa terra, foram mortos por causa de sua fé. Nem queremos lembrar-nos dos que morrem de fome. Tem piedade de nós. Senhor!
3. Anúncio da graça: Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor (Jo 15.9).
4. Oração de coleta: Bondoso Deus! Agradecemos-te que teu Filho veio a nós anunciado por tantas testemunhas, por profetas e pregadores. Louvamos-te por João Batista, aquele que preparou tão carinhosamente a vinda de Jesus. Reúne-nos em torno destas testemunhas e destes mártires. Ajuda para que a sua vida nos encaminhe para teu Filho que contigo e com o Espírito Santo vive e reina de eternidade a eternidade. Amém.
5. Leituras bíblicas: Is 40.1-11 e Lc 1.57-66.
6. Assuntos para a intercessão na oração final: pelos que sofrem na comunidade e na localidade, em especial em hospitais, por carência de alimento, por falta de escola; pelos que são explorados em seu trabalho na cidade e no campo, em particular no município; pelos que testemunham a Jesus Cristo em meio às dores do mundo e são por isso perseguidos, em especial em nossa pátria; pelos milhares de índios massacrados pela colonização; pelos colonos mortos por reivindicarem um pedaço de chão para plantar; pelos operários assassinados porque reclamavam salários dignos; pelos líderes políticos que perderam suas vidas na defesa dos interesses de todos; pelos milhões que vão definhando por falta de comida e condições de vida, ignorando até as causas de suas mortes; pela vinda do reino de Deus...
Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante.


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