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segunda-feira, 13 de abril de 2015

ESTUDO É NA DOR QUE APRENDEMOS MAIS COM DEUS, VEJA O EXEMPLO DE JÓ...


ESTUDO É NA DOR QUE APRENDEMOS MAIS DE DEUS, VEJA O EXEMPLO DE JÓ...
CAPÍTULOS 1-10
Esboço do Livro de Jó
Tema: Jó, um exemplo de paciência nas aflições. (Ou, por que o justo sofre?)
1: 1-5 - A FELICIDADE E PIEDADE DE JÓ
1: 6-22 - O PRIMEIRO ATAQUE DE SATANÁS – PERDA DOS BENS E FILHOS
2: 1-10 - O SEGUNDO ATAQUE DE SATANÁS – DOENÇA
2: 11 ATÉ 37: 24 O TERCEIRO ATAQUE DE SATANÁS- ACUSAÇÕES DOS AMIGOS
3 - A LAMENTAÇÃO DE JÓ
4-14 - PRIMEIRA SÉRIE DE DEBATES
4-5 ELIFAZ
6-7 JÓ
8 BILDADE
9-10 JÓ
11 ZOFAR
12-14 JÓ
15-21 SEGUNDA SÉRIE DE DEBATES
15 ELIFAZ
16-17 JÓ
18 BILDADE
19 JÓ
20 ZOFAR
21 JÓ
22-26 TERCEIRA SÉRIE DE DEBATES
22 ELIFAZ
23-24 JÓ
25 BILDADE
26 JÓ
27-31 JÓ CONTINUA A DEFENDER SEU CASO
32-41 A SOLUÇÃO DAS AFLIÇÕES
32-37 A RESPOSTA DE ELIU
38-41 A RESPOSTA DE DEUS
42 O ARREPENDIMENTO DE JÓ E AS GRANDES BÊNÇÃOS DE DEUS
O Problema: Não é a questão do “Por que o povo sofre?” Mas antes, “Por que o justo sofre?”
O ponto: não para explanar porque nós sofremos, mas para mostrar que a submissão é o caminho da sabedoria. Deus sabe o que é melhor para nós!
Há muitas coisas que nós não entendemos.
Deus está ensinando seus atributos para os seres angélicos pelo modo como trata com seus eleitos. Ver Efésios 3:10.
No final, Deus é glorificado, Satanás derrotado e Jó santificado (o homem bom é feito melhor).
Deus está no controle das causas secundárias, apesar deles reconhecerem a responsabilidade pessoal para com Deus.
A confusão de satanás sobre o “por que” alguém serve a Deus.
A meta de Satanás: Fazer Jó amaldiçoar Deus.
Métodos de Satanás:
- A remoção de todas as bênçãos externas.
- A remoção da saúde
- Amigos que não entendem o que está ocorrendo. Eles pensam estar falando por Deus. Não há maior prova terrena do que a de ser mal entendido e rejeitado pelos melhores amigos e pelas pessoas mais consagradas que conhecemos.
Jó tem bons argumentos, mas sua defesa é pobre. Seu amigo tem argumentos fracos, mas os defendem muito bem.
Dilema de Jó: Abrir mão da sua integridade ou acusar Deus de injustiça.
A resposta de Jó: Deus é Justo e tem me afligido por razões que eu desconheço.
Jó amaldiçoa tudo, exceto a Deus. Deus só precisa aumentar um pouco a temperatura do forno para que a impureza apareça no melhor de todos os santos. Entretanto, foi necessário mais calor no caso de Jó do que no de sua esposa e amigos.
Satanás quer que os crentes pensem que Deus é seu inimigo.
O evangelho da prosperidade está correto no contexto da eternidade, mas forçá-lo no presente é um erro. Ele é insuficiente, unidimensional e incompetente para tratar com os sofrimentos dos justos.
Conflito: Sentimento versos Fé.
Sem lugar para onde ir, Jó tem que confiar na mão dAquele que o açoita. Não há outra opção para o verdadeiro crente!
Seus amigos o responsabilizam dizendo que o que está ocorrendo é fruto de algum pecado. Jó insiste que Deus é quem fez isto com ele, não como uma forma de castigo por algum pecado específico. (Jó admite que seja pecador, mas não um hipócrita. Ele não pecou na proporção em que seus amigos insistem em acusá-lo.)
A consciência de Jó é clara. Ele sabe que estas provações não estão ocorrendo devido ao seu pecado. Mas ele é levado a pensar que elas não têm nenhum propósito. (Veremos isto melhor nos capítulos 1 e 2.)
Quando a providência parece discordar das promessas, continue a confiar nas promessas. A mão de Deus nem sempre revela seu coração!
Em certo sentido, Jó errou. Ele faria melhor argumentando com seus amigos do que com Deus.
O capítulo (19: 25-27) é a virada do livro. Quanto disso ele por si mesmo entendeu claramente?
Talvez não fosse claro para Jó o estado da alma após a morte. Mas Deus deu a ele esperança na verdade da ressurreição final.
No contexto de “Quem conhece Deus melhor?”, o perigo é sempre o orgulho.
Mais tarde, Jó iria se arrepender de algumas declarações (27: 2; 30: 21; 31: 37.)
O silêncio de Jó fala por ele mesmo, prova que a perspectiva de Elifaz é muito diferente da perspectiva dos seus outros amigos. (Como alguém ousaria dizer que ele não acrescentava nada as discussões!) Elifaz acrescentou muito.
Os três amigos só podiam defender a Deus acusando a Jó – “Aflição é uma forma de julgamento”. Jó podia apenas defender a Deus dizendo: “Deus aflige tanto o justo quanto o ímpio.” (9: 22). Mas Elifaz defende a Deus dizendo: “Aflição é para o teu bem! Ela é uma prova da graça e misericórdia de Deus. Jó seria edificado, santificado e seu ouro seria refinado muito mais do que antes! O método que Deus utiliza em cada caso é de acordo com as Sua soberana vontade. Ele sabe o que é melhor! Sendo assim, Deus é justo e sua justiça se torna mais evidente o tempo todo, e Jó é um homem de integridade, integridade esta, que aumenta o tempo todo.
Jó foi muito longe ao defender-se. Ele “pecou com seus lábios” após a prolongada provocação de seus três amigos. (Quem não faria o mesmo naquelas circunstâncias?!)
O silêncio de Jó diante de Elifaz (e diante de Deus no cap. 42) indica que ele ouviu alguma coisa distinta da parte de Elifaz.
“Matthew Henry”: Tudo isto Jó não somente suportou pacientemente, mas gentilmente, porque ele viu a boa intenção de Elifaz; e embora seus outros amigos o tivessem acusado daquilo que sua consciência estava em paz, Elifaz o responsabilizava por aquilo pelo qual, é provável, seu próprio coração, agora refletindo, começava a acusá-lo.”
Green: “Na boca de Elifaz era diferente, pois seu discurso não continha uma censura oculta ou dissimulada .....nenhuma insinuação....distorção ou falsas conclusões.”
Elifaz simplesmente justifica a justiça de Deus, mostrando aonde Jó tinha insistido tão fortemente na sua inocência.
Deus em seu discurso não se desvia do objeto a sua frente. Antes, o confronta, ainda que indiretamente. Seu poder, sabedoria e bondade são evidentes na criação, e, portanto, Jó não deveria questionar estes atributos no seu próprio caso. Deus estava direcionando os assuntos primordiais e falando exatamente as coisas que Jó precisava ouvir. A resposta de Jó é prova disso: Ele é humilhado por ter duvidado da bondade de Deus no exercício da Sua soberania.
A criação é uma escola para nossa instrução. Deus não revela a Jó o desafio envolvendo a Satanás. Por quê? Porque Jó não necessita saber disso e assim tirar proveito desses eventos em sua vida. (Nem nós!)
Deus tem motivos para tudo o que Ele faz, mas não tem que revelar para nós a razão de todos estes motivos.
O Jó que emerge após isto é um Jó mais humilde e santo. Assim, Deus frustra o propósito de Satanás. Seu ataque, inconscientemente, se torna uma ocasião para promover a santificação!
Qual foi o propósito para o do exame feito a respeito da Ciência de Deus? Falando claramente, isto foi para o benefício de Jó. Para ele crescer em humildade, pois este é o efeito que ela produz. Mas como isso tornou Jó mais humilde? Alguns dizem que isto ocorreu ao dominá-lo totalmente, lançando-o para longe. Porém, como Green aponta, foi mais pela demonstração de sua bondade em toda criação. Jó não pode conter-se de questionar a bondade de Deus. (Ele admitiu sua confusão e transtorno.) E aqui Deus abundantemente prova Sua bondade sobre toda criação.
A mensagem não foi meramente: Eu sou Todo-Poderoso. Você não tem alternativa a não ser se submeter. Nem “Eu tenho sabedoria e mistério além do seu alcance.”...embora isso seja uma verdade! Nem “Nenhum conhecimento mais profundo pode ser alcançado. Você terá que esperar até chegar ao céu para obter uma resposta.”
Não, há uma solução aqui para Jó. O poder e sabedoria de Deus, unidos a sua bondade, brilham através deste diálogo. Jó veio a conhecer mais do que o caráter de Deus, (42: 5) Especialmente sua misericórdia e piedade (Tiago 5:11). Há uma face sorridente atrás da franzida providência! Um Deus de propósitos...propósito de graça.
A harmonia entre poder, sabedoria e bondade. Green: “Deus é igualmente amoroso e gracioso quando permite aflição e quando concede prosperidade e abundância...É muito bom se Deus faz isto; é a melhor coisa que pode acontecer.”
Deus está determinado a fazer com que Jó confesse seus erros.
Por que Deus é tão duro com Jó e ainda não fala nada para seus três amigos? Talvez porque Ele vá usar a Jó como exemplo de um verdadeiro e humilde arrependimento para eles.
Quando Jó tem a sua tão desejada oportunidade de falar com Deus, sua coragem havia partido, ele se encontra humilde, arrependido e vê a si mesmo como homem vil. Não somente por ter pecado com seus lábios, mas por tudo que ele é diante de Deus, o leva a estar de boca fechada. Um humilde silêncio é tudo o que ele pode trazer diante de Deus!
Resumindo: Submeta-se a Deus com alegria.
#1 Introdução ao Livro de Jó
Jó 1: 1; 42:17
Quanta coisa exala destes dois versos! Um sonho meu se realiza ao começar este estudo. Ainda que reconheça minha incapacidade. (Quem é idôneo para estas coisas?)
Talvez mais sábio dos homens desistisse ao se deparar com tantas dificuldades encontradas neste livro. Não se trata da falta de material, mas, infelizmente, a falta de consenso. Dificilmente dois escritores concordam no objetivo principal do livro e em uma multidão de detalhes. (Eu consultei cerca de 15 ou mais professores. Nenhum deles reivindica originalidade.)
Se somente aqueles que sofreram tivessem o direito de pregar este livro, então eu não seria muito qualificado. Talvez Deus nos prepare para o sofrimento por meio disto.
Considerações Gerais
1. Um livro literal. Um relato verdadeiro de pessoas reais. Veja Ezequiel 14: 14 -20. Jó é tão real quanto Noé e Daniel.
2. Inspirado. Veja citações de Jó 5: 17 em Hebreus 12: 5. E de Jó 5: 13 em I Coríntios 3: 19. (Outros paralelos em Provérbios, Isaías.) Ver Henry Morris p. 21.
3. A Época em que Jó viveu. A julgar pela sua idade (140 anos após os eventos aqui ocorridos; e ele tinha 10 filhos maduros no começo deste relato), assim como outras dicas, ele provavelmente viveu em 2.000AC, sendo contemporâneo dos patriarcas. (Após o dilúvio, antes da escravidão no Egito.)
No próximo estudo, veremos a linhagem de Jó. Mas, por agora, ele parece não ter tido nenhuma prévia revelação escrita (31: 35). Todos os argumentos levam a tradição dos pais.
Nomes de pessoas e lugares correspondem ao povo que fora recentemente disperso na Torre de Babel. Também, não temos nenhuma menção de panteísmo, politeísmo, idolatria, etc..
Sistema Patriarcal de Oferecimento de Sacrifícios
4. Autor. Moisés é o candidato mais provável. Moisés esteve em Midiã por 40 anos, com muitas oportunidades de ouvir a história daquela parte da terra, ou mesmo ter conversado pessoalmente com os descendentes de Jó. Moisés era um homem inteligente, letrado e instruído em toda a ciência dos egípcios e poderoso em suas palavras e obras (Atos 7: 22), sendo qualificado para escrever na linguagem científica encontrada aqui. Além disso, o problema de sofrimento do povo de Deus era, sem dúvida, relevante na vida de Moisés. Sem dúvida nenhuma, um livro antigo, talvez só sobrepujado por Gên. 1-11.
Embora o autor humano seja incerto, não há dúvidas a respeito do divino!
A maior parte do diálogo foi feito de forma poética.
Propósito e Tema do Livro
Não “O problema do sofrimento humano” em geral. Pois é fato: o pecado trouxe ruína para o mundo. A causa do sofrimento pode ser encontrado em Gênesis 3.
Mas, de maneira mais específica “O problema do sofrimento do justo”. Apesar de tudo, eles são favorecidos por Deus, e aqueles a quem Ele concedeu misericórdia e graça salvadora. Por que o justo sofre nesta vida? Jó é um exemplo de paciência na aflição. Este é o tema principal do livro.
[Nota: Quanto Jó sabia? Ele não tinha Romanos 8: 28 ainda. O que ele sabia a respeito da existência de Satanás? Do estado da alma após a morte? Eu me inclino a concordar com aqueles que falam de Jó como “um santo no escuro” que vence Satanás pela fé, sustentado graciosamente pela mão de Deus.]
Outras Lições do Livro
Elas são quase que ilimitadas. Mencionaremos algumas que considero mais importantes:
- Os filhos de Deus devem esperar pacientemente nEle para resolver toda dificuldade e providência misteriosa. Romanos 8: 28; Tiago 5: 11.
- Todo Cristão tem pontos fortes e pontos fracos. Alguns ataques parecem não nos afetar, mas outros, nos levam ao limite de nossa tolerância. Quando colocado em tais testes, mesmo o mais consagrado, pode e irá vacilar. Porém, nunca iremos nos perder.
Ou, todo crente tem o pecado habitando nele, o qual permanece adormecido, até que colocado em teste e pressionado até ao seu limite.
- Nossa perseverança depende inteiramente da graça de Deus, nos capacitando a estarmos sob pressão, a despeito de nós mesmo.
- Nós todos deveríamos ser humilhados pela nossa ignorância a respeito de Deus, por seus inescrutáveis e incompreensíveis caminhos.
- Nunca tire conclusões precipitadas.
- Todos nós estamos errados! (Em certo sentido)
- Deus não tem que dar respostas ou defender a si mesmo quanto a Seus atos. Nenhum homem está acima de Deus em julgamento. Ele pode fazer conosco o que bem entender. Porém, Ele nunca é caprichoso e nem apressado (Impulsivo), mas faz tudo para o nosso bem. Aqueles que questionam que “Deus nunca responde a pergunta: `Por que o justo passa por aflições?”´ deveriam considerar que a resposta de Deus nos capítulos 38-41 é a resposta que Deus achou adequada para aquele estágio da história humana, mais tarde, viria mais, de acordo com a revelação progressiva de Deus.
- As aflições fazem do justo um homem melhor. Compare Jó no capítulo 1 e no capítulo 42.
O Evangelho da prosperidade não tem uma perna aonde se apoiar!
Esboço do Livro
No final: Deus ganha em glória e Jó em piedade (é refinado; aprende a respeito da misericórdia e piedade de Deus); Satanás é derrotado (Jó não amaldiçoou a Deus). Assim, Jó é uma miniatura da história da redenção, a experiência, por extensão, de cada filho de Deus; também uma alegoria do conflito de Gênesis 3: 15, um quadro ainda informe de Cristo sendo ferido no calcanhar, enquanto esmaga a cabeça de Satanás.
A Chave de Calvino: Jó tem bons argumentos, mas sua defesa é pobre. Seu amigo tem argumentos fracos, mas os defendem muito bem. A pergunta: “Deus sempre castiga os homens na terra de acordo com a medida dos seus pecados?” Ou, “Todo sofrimento é uma espécie de retribuição ou castigo?” Eles afirmam, mas Jó nega. O debate continua.
*Nunca abuse das escrituras para vencer um argumento!
(Eles pensam em justificar a Deus acusando Jó em seu caráter. Jó deseja justificar a Deus, mas sabe que é “inocente”; ele fica confuso, chega ao ponto de ficar contente de ser visto como um inimigo de Deus, enquanto espera justificar tanto a si mesmo quanto a Deus na eternidade.)
Conclusão: É sempre estimulante começar uma exposição e poder completá-la. Espero que não venhamos a nos perder nos detalhes desta exposição. (Joseph Caryl pregou uma vez por semana, durante 25 anos, o livro de Jó. Dizem que ele esvaziou a igreja durante este processo.) Vamos manter em mente a mensagem principal do livro enquanto prosseguimos neste estudo.
Este livro foi escrito para nós! Romanos 15: 4. Vamos estudá-lo em espírito de oração, com o desejo de aprender com ele.
#2 Um Homem Perfeito
Jó 1:1
Na semana passada nós fizemos a introdução no Livro de Jó e abordamos seu(s) tema(s). A paciente fé de um santo sofrendo sob a mão de Deus. No final nós vemos que:
- Deus ganha em glória.
- Jó em piedade (é refinado; aprende a respeito da misericórdia e piedade de Deus (Tiago 5: 1)
- Satanás é derrotado (Jó não amaldiçoou a Deus).
Assim, Jó é uma miniatura da história da redenção, a experiência, por extensão, de cada filho de Deus; também uma alegoria do conflito de Gênesis 3: 15, um quadro ainda informe de Cristo sendo ferido no calcanhar, enquanto esmaga a cabeça de Satanás.
Agora vamos considerar o primeiro versículo.
1- A LINHAGEM E HISTÓRIA DE JÓ.
Um Homem. Um homem real. Não é ficção. Sujeito as mesmas paixões que nós.
Na terra de Uz. Este termo é usado em duas possíveis conexões que remontam a época de Jó.
Gênesis 10: 23 bisneto de Noé (através de Sem)
Gênesis 22: 21 Sobrinho de Abraão (através de seu irmão Naor). Vale à pena notar que Deus é chamado de “Deus de Naor” (Gênesis 31: 53). Uz tinha um irmão chamado Buz, e Elifaz é chamado de Buzita (Jó 32: 2, 6).
A localização de Uz é incerta. Provavelmente perto de Sabá e da Caldéia (Jó 1: 15, 17). Oriente, v.3.
Possivelmente, localizada na mesma região de Ur. *Se assim for, Deus deixou um testemunho mesmo antes de Abraão ter saído da Mesopotâmia!
Cujo nome era Jó. Seu significado é debatido, talvez “odiado”.
II. O CARÁTER DE JÓ
Declarado de quatro maneiras, dois pares de termos. Temos aqui, no Velho Testamento, os termos que definem o que é um Cristão. (Se você acha estes versos enfadonhos, eu temo pela sua alma! “Vamos pular esta parte....?” seria uma vergonha para você!
1. Os Primeiros pares de termos:
(1.) Integro (perfeito). Raramente significa sem pecado, como na eternidade. No V.T (com homens como Noé) isto significava puro, irrepreensível, honesto. Imaculado em Cantares de Salomão. Denota o caráter interior; o que você é. No N.T, isto significa maduro, completo, totalmente desenvolvido, que atingiu a plenitude.
Jó rapidamente confessa sua própria falta de perfeição com relação ao pecado, cap. 9: 20; 42: 1-6 e 6: 24.
Esta não é a marca de um coração perfeito?!
*O que você é interiormente? Quando Deus olha para você, o que Ele vê?
(2.) Reto. É mais do que uma ênfase externa. A qualidade anterior determina esta. Jó vivia o que pregava. O termo significa: correto, justo, franco. Indica honestidade, integridade. Jó era um bom vizinho. Decente, justo e inofensivo.
A virtude da piedade se resume nestes termos. Salmo 37: 37.
*O verdadeiro cristão é alguém interna e externamente correto, justo. Será que o que falamos é aquilo que realmente vivemos? Você é consistente? Vamos nos esforçar para vivermos assim. Jó era consistente.
E, além disso, ele se destacava (distinguia, sobressaía) nestas graças. Não um menino na fé, mas forjado, sincero, um homem provado....prestes a ser mais provado ainda.
Segundo par de termos:
(3.) Temente a Deus. Não um serviçal, servil, amedrontado e assustado. Mas um temor filial, semelhante ao afeto entre pai e filho, reverência, temor, submissão. De fato, isto significa estar consciente da presença de deus, colocando Deus em primeiro lugar na vida, acima de tudo e de todos.
Nesta frase, toda a verdadeira religião na alma é entendida, sendo a soma daquilo que toda criatura deve a Deus. É o começo da sabedoria espiritual (Salmo 111:10; Prov. 9: 10). Bem-aventurado o homem que continuamente teme (Prov. 28: 14).
(4.) Ele desviava-se do mal. Desviar = Evitar. Jó fugia do pecado, passava longe dele, batia em retirada, corria. Esta é a contraparte do temor a Deus (Jó 28: 28; Prov. 8: 13; 16: 6. Aqueles que não fogem do mal, mostram que o temor de Deus é algo estranho em suas almas. III João: 11
Implica em:
- Evitar ambientes que conduzem ao pecado; sem dúvida, ele cuidadosamente escolheu seus amigos!
- Resistir a tentação. José é um exemplo clássico de como escapar.
- Abster-se de todo mal, “o prazer temporário do pecado”, como em 31: 1.
- Abster-se da aparência do mal (I Tessalonicenses. 5: 22).
- Arrepender-se imediatamente do pecado cometido. Philip Henry, redargüido se tinha se arrependido muito nesta vida, ele disse que esperava adentrar as portas do céu carregado de arrependimento.
A tentação não era algo estranho para Jó. Seu sucesso em passar por várias delas, foi o que o capacitou a enfrentar um dos testes mais severos.
*Um dever para nós. I Pedro 3: 11. Você teme a Deus e se desvia do mal? É isto que define ser um Cristão. O cristianismo popular de hoje é vazio do temor a Deus tanto quanto o desviar-se do mal. Não seja enganado por uma tão obvia falsificação!
Por que precisamos conhecer estes fatos a respeito de Jó?
1. Certamente, para dar ênfase ao que já temos ressaltado, ou seja, um exemplo para nós do que devemos ser. Ênfase no caráter espiritual, nas qualidades internas que determinam e governam nossas atitudes externas. Falar é fácil! O que somos é o que realmente interessa, e um dia virá à tona.
2. Também, mostrar que as acusações feitas pelos seus três amigos eram falsas. Eles o acusaram de ser “hipócrita”.
Porém, Deus mesmo se encarregou de aprová-lo (1: 8). A própria consciência de Jó estava tranqüila neste assunto.
E mais ainda, após o inicial e severo golpe que sofreu, Jó permaneceu firme na graça (2: 3). Não foi facilmente abalado. Isto, por si só, é uma prova da graça presente na alma.
3. Nós poderíamos pensar que Jó era tão bom que estava acima das dúvidas e temores. Mas, embora sendo justo e consagrado, foi provado em extremo, até que suas fraquezas começaram a aparecer. Evidentemente, sua vida consagrada foi a razão pela qual ele foi colocado diante de Satanás como um alvo, e Deus disse: “Jó está em suas mãos!”
*Não espere já estar maduro o suficiente para não ser provado. Esteja pronto para que Deus permita que você venha a ser um alvo de Satanás! Esteja pronto para isso, esperando vencer e ser carregado nos braços eternos de Deus como um triunfo. Dos tais, Deus não se envergonha de ser chamado de “seu Deus.”!
#3 A prosperidade e piedade de Jó
Jó 1: 2-5
Tendo visto, de forma geral, a conduta espiritual e moral de Jó diante de grandes provas, veremos alguns detalhes a respeito de quem ele era e seu caráter. Um olhar mais no intimo de sua vida pessoal.
1. Prosperidade. Vs 2-4
(1.) Bens materiais. V3.
(1.) Animais. Uma forma de medir riqueza, como o dólar em nossos dias.
- 7.000 ovelhas. Forneciam lã e alimento.
- 3.000 camelos. Para viagens e expedição de negócios.
- 1000 Bois Para trabalhar na terra (Não como nômade, como os Patriarcas)
- 500 Jumentas. Transporte e leite
(2.) Um grande número de empregados domésticos. Servos para cuidar de todos os bens mencionados acima!
Jó era um bom comerciante, empreendedor. Um bom gerente de recursos humanos.
Tudo isso era simplesmente uma benção de Deus. (Não há nenhuma evidência desses bens terem sido adquiridos de maneira escusa.). Alguns santos do V.T foram abençoados com riquezas por Deus. Porém, mesmo no V.T eles parecem ter sido uma exceção. I Cor. 1: 26. Se Deus te der riquezas, agradeça a Ele, seja consciente dos perigos que acompanham as riquezas, e utilize-as para glória de Deus.
• Embora tudo isso seja relativo, há algumas coisas a serem ditas com respeito ao justo normalmente não ser menos abastado financeiramente por ser um cristão. Eles desperdiçam menos e são mais sábios na administração daquilo que Deus lhes dá. Ademais, eles desfrutam mais daquilo que possuem, pois não estão tentando encontrar alegria nas coisas materiais (principalmente)!
[“O egoísmo derrota-se a si mesmo” (Green). Se você quer encontrar a sua vida, deverá perdê-la para Cristo! Luca 9: 24.]
2. Família, v 2, 4.
Uma benção muito maior do que os bens mencionados acima. Sete filhos e três filhas.
Todos (ou pelo menos os homens) já eram adultos e tinham suas próprias casas. Eles, assim como Jó, também eram ricos. Uma família com coisas muito raras de ser ver hoje em dia, pois eram unidos em afeto e proximidade, v4. Reuniões familiares agendadas regularmente durante o ano. Vários dias de festa. As irmãs eram convidadas, mostrando que não eram festas para solteirões, mas, antes, que seus irmãos tinham um conceito elevado a respeito da mulher, diferente dos demais daquela época (as mulheres eram obrigadas a comer separadamente). Jó, provavelmente, não participava, devido a sua idade, e também para deixá-los mais a vontade. (Henry diz: Aos jovens deve ser permitida uma liberdade saudável a fim de que fujam dos desejos da mocidade.) Como eles deviam ser felizes!
Importante: Uma festa legítima é: 1. Moderada. 2. Na ocasião apropriada. 3. No temor de Deus. 4. Com espírito de gratidão a Deus. 5. Sem ofender a outros. 6. Lembrando-se dos pobres e necessitados.
Estes jovens parecem caminhar nos mesmos passos de seu pai, demonstrando a mesma graça. Não falhe em deixar de observar a influência de Jó sobre seus filhos e filhas. Ele era um homem que construiu uma boa família.
*Aqui vemos a família ideal. Grande, feliz, próspera e amigável. Vivendo uma boa vida.
Mas Jó não estava iludido ou cego por sua prosperidade e felicidade temporária. Ele buscava o reino de Deus e toda a sua justiça e Deus acrescentou a ele todas as outras coisas (Mateus 6: 33). Embora suas riquezas aumentassem, ele não colocava seu coração nelas (Salmo 62: 10). Acima de tudo isso, estava o temor de Deus e o desviar-
se do mal (v.1).
II. Piedade, v5.
Vemos aqui um dos maiores e mais extraordinário exemplo, em todo V.T, de um coração cheio do amor ao único Deus.
Aparentemente, após as festas, Jó chamava seus filhos e os recordava das suas responsabilidades com Deus. Embora ele não pudesse santificá-los em suas almas, ele os mantinha cerimonialmente limpos como sacerdote da família (como nos tempos pré-levítico). Ele os trazia para sua casa, após as festas, e oferecia sacrifícios matinais. Não eram poucos, mas um sacrifício para cada membro da família. A preocupação de Jó era que eles pudessem ter pecado, como é o caso quando estamos numa festa, onde os excessos de vários tipos tendem a ocorrer mais do que o normal, e onde as fraquezas carnais tendem a aparecer. Veja como Jó tinha um especial interesse a respeito dos pecados do coração.
Amaldiçoar a Deus. Um termo interessante para estudarmos. Talvez a melhor interpretação seja a de ter esquecido a Deus em meio aos seus afazeres diários e divertimentos legítimos. (Compare Provérbios 30: 9.)
Um fascinante e breve olhar das prioridades de Jó:
1. Ele era o líder espiritual de sua família. Ele tomava iniciativa.
2. Ele colocava Deus acima de todo e qualquer prazer terreno.
3. Ele possuía um conhecimento apurado da natureza humana caída, uma saudável desconfiança dela.
Potencial de pecar. Ele não era descuidado, presunçoso ou orgulhoso- “Meus filhos nunca farão nada de errado.” Mas, era humilde, interessado e sempre alerta pelas almas de sua família. Tinha lucidez!
4. Ele não podia fazer deles adoradores espirituais, mas podia trazê-los as ordenanças espirituais. Embora nem sempre podendo abrigá-los debaixo do seu teto, podia abrigá-los em suas orações e ofertas!
5. Ele estava primeiramente interessado em seus corações.
6. Ele era consciente da necessidade do constante perdão e confissão do pecado.
*Temos aqui algumas lições para todos os pais que temem a Deus. Jó é um excelente exemplo.
Obviamente, Jó tinha um grande amor por seus filhos e desfrutou de muitos dias felizes com eles. Quão cedo todos eles morreriam em um só dia!
Conclusão:
V.3b. Jó era um grande homem, não somente exteriormente, como interiormente. Aqui estava um homem que reunia todas as qualidades. Sem dúvida nenhuma a sua fama se espalhou. Era respeitado, estimado e uma autoridade moral. Ele era o que você gostaria de ser quando crescer!
O capítulo 29 nos mostra esta verdade. Isto ajuda a montar o cenário para a grande virada, o contraste, a esmagadora devastação. Nos bastidores, planos estão sendo elaborados para testá-lo.
Tudo isso lhe será tirado, exceto Deus. Como Jó reagirá?
Tudo o que você tem hoje e desfruta pode ser tirado, exceto Deus. Como você reagiria? Deus é tudo o que você precisa? A nossa “alegria no Senhor” é apenas uma alegria por todos os benefícios terrenos que recebemos da parte de Deus?
#4 Atrás dos bastidores
JÓ 1: 6-12
A cena diante do trono de Deus com seus mensageiros (os filhos de Deus aqui mencionados, devem ser os anjos) os quais vinham prestar contas v6.
Pode parecer uma surpresa que esta passagem seja considerada por muitos como uma parábola (assim como para Calvino, Matthew Henry, Durham. Ela corresponde a palavra de Micaías para acabe.)
“Como Satanás podia estar presente?” (Quando ele foi expulso?)
“Por que Deus questionaria Satanás? V.7? (Deus questionou Adão, Caim.)
Tenho por certo que há algum antropomorfismo aqui. De qualquer forma, nós pretendemos aprender alguma verdade substancial a respeito de Satanás, Deus e Jó.
Satanás
Um ser criado, que está sob autoridade de Deus. Uma pessoa real. Um anjo caído. “O adversário.” Notemos:
1. Ele está presente juntamente com outros anjos, v6. Ele também deve prestar contas de si mesmo e de suas ações a Deus. V7 “Donde vens.” Um pensamento que nos conforta: Deus chama satanás para prestar contas.
2. Ele é ativo, v7. “De rodear a terra e passear por ela.” Deus entende os propósitos das idas e vindas de Satanás (v.8 Observastes = provou seu coração). Ele está ativamente buscando a quem possa tentar e destruir. I Pedro 5: 8; II Coríntios 2: 11 tirar vantagem. Acusa constantemente os irmãos diante de Deus (Apocalipse 12: 10).
Mas para os eleitos de Deus, ele nem mesmo pode intentar alguma acusação, Romanos 8: 33. Ele nem mesmo pode mencionar o nome de Jó até que Deus o convide a fazê-lo!
*Imagine Satanás considerando você!
3. Ele não é onipresente. Somente Deus o é. No livro de Daniel, os anjos são retratados como estando atrasados (Daniel 10: 13). Aqui Satanás está a rodear. Ele está inquieto, um errante, um vagabundo como Caim, vagueando, malicioso, buscando, mas não encontrando descanso.
*Cuidado para não atribuir a Satanás além do lhe é devido. (Mas não deixe de considerá-lo seriamente.)
4. Satanás já havia sido derrotado em Jó. Deus, vs8, pode usar a Jó como uma testemunha de que o plano de Satanás em Gênesis 3 falhou em se concretizar, pois alguns dos descendentes da raça de Adão, estão ainda servindo a Deus. [Note que Jó servia a Deus continuamente e não em espasmos.]
Satanás deve ter imaginado: Por que Jó não caiu em tentação à semelhança de Adão ou prossegui a pecar como Caim?”
5. Satanás não entende a motivação daqueles que servem a Deus. V9. Como ele não encontrou nada em que acusar Jó quanto ao serviço que este prestava a Deus, ele passa a difamá-lo e acusá-lo de motivos interesseiros e egoístas. “Porventura teme Jó a Deus Debalde? O Senhor o fez rico, por isso te serve. Ele é um adorador dos tempos fáceis, um profissional da fé” v10.
Satanás sabe que Deus leva em conta a motivação! Porém, ele não pode enxergar a motivação do coração de Jó. (Ele não é onisciente! Nem sabe quem são os eleitos).
Satanás pensa que Jó é semelhante a ele, egoísta e interesseiro. (freqüentemente, as pessoas esperam ver nos outros algo que abrigam em si mesmos.)
Ele entende a motivação do evangelho da prosperidade que é: “Sirva a Deus esperando obter alguma coisa por isso. Ou, “Tire a prosperidade da vida do cristão e você tirará dele a sua religião. Você pode desfrutar das bênçãos sem ter que tratar com um Deus Santo! “V.11 “Eu posso fazer Jó apostatar assim como eu o fiz um dia!”
Sem dúvida, Satanás tinha inveja da prosperidade de Jó e queria destruir isto, assim como fez com Adão. (Quando teve oportunidade, ele se lançou com furor contra Jó, v12.)
Em se tratando da natureza humana, Satanás é um expert, porém, não pode entender a natureza de Deus, que em Sua Graça, preserva os pecadores salvos por Ele! “Por que alguém o serviria?”
“Os amigos de Jó o acusaram de hipocrisia porque ele foi tremendamente afligido; Satanás o acusou porque ele foi tremendamente próspero.” (Henry)
Deus
É um Monarca que em Seu trono governa toda a criação, que faz com que todas as coisas contribuam para o bem do seu povo e para a destruição de Satanás. Ele possui um total e absoluto controle de toda e qualquer situação.
Ele conhece a sua criação pessoalmente, tanto a Jó como a Satanás e todos os outros.
Até mesmo Satanás confessa que Deus é Soberano, v10. “Não posso fazer coisa alguma sem a Sua permissão.” O poder de Satanás deriva-se de Deus. Não é Dualismo. Ele não é soberano em um reino rival, mas um rebelde a quem Deus dá muita corda a fim de glorificar Seu nome (Ellison). Em Jó, Satanás simplesmente se torna uma ferramenta para uma santificação ainda maior de Jó (embora ele não queira admitir isto). Como Hitler, que quando em apuros, não podia acreditar que a guerra havia terminado! (Derek Thomas).
Satanás não é um ateísta e nem um arminiano!
Deus estabelece os limites, v12. Satanás é um Leão enjaulado. (Pense quão facilmente Cristo disse: Vai-te, Satanás e Então o diabo o deixou, Mateus 4: 10-11.) Olhe para ele implorando para ter permissão no v.11.
Nós dependemos totalmente de Deus. Sem Ele, pereceríamos 100.000 vezes por dia (Calvino). Sejamos agradecidos pelas cercas que Ele coloca ao nosso redor.
Deus não foi conduzido a deixar que Jó fosse provado e tentado. Antes, tudo ocorreu conforme o seu eterno propósito. Ele é que trouxe a tona o nome de Jó. Mais do que Satanás desafiar a Deus, è Deus quem desafia Satanás!
Deus deu a Satanás mais do que ele pediu. Satanás disse: “estende a tua mão e toca-lhe em tudo quanto tem. Deus replicou: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão. “Satanás, faça o seu melhor”
Observe
Satanás ainda está fazendo rondas? Cuidado com os seus ataques. Não fique surpreso quando ele vier.
Prosperidade, tranqüilidade e conforto não são provas da satisfação e aprovação de Deus. Assim como a pobreza não é prova da sua insatisfação.
Caminhe por fé e não por vista! (como evangelho da prosperidade trai a si mesmo!)
As provações são proporcionais a nossa fé. I Coríntios 10: 13. Ninguém foi provado como Jó (v.8) e ninguém tão severamente. Jó deve ter visto nestas provas a respeito de um Pai extremamente amoroso. “Deus deve me amar muitíssimo!”
Evite creditar a Satanás além da conta, negando assim a soberania de Deus (Carismania.)
Evite creditar a Satanás menos do que o devido, culpando a Deus pelo pecado e tentação. Deus não é o autor do mal, mas aquele que decreta e controla todas as coisas (Restringindo ou permitindo).
Dr. Nicolle: “O silêncio das escrituras quanto a origem do mal é um testemunho da sua sutileza.”
Satanás é o exator que executa os julgamentos de Deus sobre os ímpios. Ele também é a vara de Deus para castigo dos Seus filhos (Calvin).
Com relação ao ímpio, Ele é o Deus deste século que cega o entendimento dos homens para que não vejam e creiam (II Coríntios 4: 4). Ele, conforme a sua vontade, leva cativo, em suas armadilhas, aqueles que estão dormindo espiritualmente (II Timóteo 2: 25). Ele, em certo sentido, tem o poder da morte (Hebreus 2: 14).
Quanto aos Crentes, Satanás impediu a Paulo de ir a Tessalônica não somente uma vez (I Tessalonicenses 2: 18), porém, Deus tinha algo melhor em mente, ou seja, escrever cartas todo o tempo! O espinho na carne de Paulo foi um mensageiro de Satanás (II Coríntios 12: 8), mas ainda assim, para o bem dele.
Calvino: “Deus torna o mal em bem ao fazer com que todos os aguilhões sirvam como remédio, para nos expurgar dos vícios que estão ocultos em nós.”
Resumo: Há, certamente, um mistério aqui, mas devemos nos alegrar em aguardar por mais luz no céu.
#6 Um dia Inesquecível
Jó 1: 13-19
O dia de Jó começou de forma habitual. Mais um dia sob o temor de Deus, desfrutando de Sua bondade terrena.
Ele soubera da reunião costumeira de família na casa de seu filho mais velho. Jó já estava antecipando a vinda de seus dez filhos á sua casa em poucos dias, aonde, mais uma vez, ele iria liderá-los em adoração e sacrifício. Mas, antes do cair da noite, o mundo de Jó desabou. Ele estava quebrado, um homem quebrado, em pobreza, desolação e uma inimaginável angústia.
Jó não sabia nada a respeito do desejo de Satanás de arruiná-lo, nem do desafio feito por Deus a Satanás a seu respeito, e nem mesmo do fato de Deus ter entregado a Satanás tudo o que ele possuía.
Lembre-se: O alvo de Satanás para Jó era vê-lo amaldiçoar a Deus (v.11), ex: apostatar, retroceder, abandonar a Deus. Ele começou a tirar vantagem da oportunidade que lhe fora permitida por Deus.
[Foi Satanás ou Deus quem tocou em Jó? Em certo sentido, ambos. Satanás intencionava o mal, mas Deus é quem determinou que tipo de mau Satanás iria fazer, sendo que Deus intencionava o bem de Jó e a Sua própria glória. Note mais uma vez o v.11, onde Satanás confessa que o poder está nas mãos de Deus, e no v12, quando Deus coloca todos os bens de Jó nas mãos de Satanás. Embora nem um pardal cai sem que Deus o saiba, Satanás tem em suas mãos a responsabilidade dos bens materiais de Jó]
*Santo, há uma coisa que Satanás deseja de você: Que você amaldiçoe a Deus. Nosso texto contém um quadro detalhado de como ele tenta realizar isso através dos bens materiais, prosperidade e família.
1. Ele escolhe a ocasião mais apropriada para nos tentar.
V13, um dia de festa. Um dia de alegria e felicidade.
Compare: Elias após o grande dia no Monte Carmelo, foge de uma mulher e pede para que Deus lhe tire a vida!
*Esteja em alerta em tempos de calmaria, conforto, grandes vitórias espirituais, quando se sente invencível e intocável.
2. Ele envia seus dardos inflamados em uma seqüência muito rápida.
V. 16, 17, 18. Sem tempo para se recompor, avaliar, aplicar as escrituras, orar ou encontrar conforto. Simplesmente devastador.
Compare: As táticas de Bin Laden contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. Choque, medo e um efeito cascata.
* Se você for tomado de forma abrupta por diversas provas a fim de derrubá-lo de uma só vez, provavelmente Satanás está tentando fazer com que você amaldiçoe a Deus. (E Deus está testando você. Refinando seu ouro.)
3. Ele envia uma variedade de provas.
Não são todas focadas em uma área apenas. Diferentes formas, algumas atingem seus bens, enquanto outras, sua família.
Diferentes fontes. Algumas aqui na terra (assassinos, saqueadores, v.15, 17), outras do céu (v. 16, 19). Como se Satanás utilizasse uma metralhadora, dando tiros para todos os lados.
*Espere o mesmo. Grandes dificuldades no trabalho, com os filhos, na área financeira (veremos mais tarde, doenças, instabilidade no casamento, e, finalmente, falsas acusações feitas por amigos).
Nenhuma área da vida é poupada de ataques.
Vamos considerar as quatro mensagens trazidas a Jó:
(1.) V. 14-15. Os Sabeus roubaram 1000 bois e 500 jumentas (importantes na produção de leite); todos os servos que guardavam o rebanho foram assassinados. (A destruição não foi causada por negligência humana, falta de cuidado ou rebelião por parte dos servos). Simplesmente por inimigos estrangeiros que eram maliciosos e cruéis. Satanás quer que Jó pense: “Como vou adquirir comida para o próximo ano? Como posso confiar em Deus?”
*Não se preocupe com o dia de amanhã. Se os seus melhores planos não deram certo, confie em Deus!
(2.) V. 16. 7.000 ovelhas, e todos os servos que com elas se encontravam, foram queimadas a fogo. Talvez um raio? Uma lembrança de Sodoma e Gomorra. Satanás queria que Jó pensasse: “Não somente os homens estão contra mim, mas Deus mesmo está contra mim. Eu poderia muito bem amaldiçoá-lo.”
Provavelmente, eram os mesmos animais que Jó utilizava para o sacrifício de holocausto. Satanás queria que Jó dissesse:
“Não tem sentido oferecer sacrifícios a Deus, pois Ele vai queimar tudo mesmo!”
*Nunca pense que Deus está conta você! (se você é um cristão)
*Nunca pense que é vão servir a Deus.
*Não tente medir o amor de Deus por você através dos bens materiais e prosperidade. O evangelho da prosperidade não se encaixa no livro de Jó.
(3.) V17. 3.000 camelos roubados pelos notórios e furiosos Caldeus (comp. Habacuque 1: 6-10), e os servos assassinados a sangue frio.
*Roubo e assassinato são satânicos. Caso seja provado nisto, não amaldiçoe a Deus.
*Jó era evidentemente invejado por muitos. Espere ser provado nesta parte também. (ex: José)
(4.) V18-19. O pior guardado para o final. Se houvesse sido o primeiro, o restante não teria importância. Um tornado destrói a propriedade e seus 10 filhos que lá se encontravam. Satanás assim planejou, a fim de levar Jó a uma grande angústia e ira, para que viesse assim a culpar a Deus, blasfemando dEle. Não foi uma tempestade usual, pois atingiu os quatro cantos da casa derrubando as paredes sobre os filhos de Jó. Não foi um evento comum, pois todos tiveram morte instantânea e prematura, em meio a uma tempestade incomum, e no momento em que Jó mais necessitava deles. “Isto foi a mão de Deus! Você devia amaldiçoá-lo!” Satanás sussurra. (é claro que a princípio, isto veio de Deus, Provérbios 30: 4. Maravilhoso mistério.)
*Uma fina, mas essencial distinção entre creditar e culpar a Deus. Pense como muitos hoje em dia dizem: “O diabo fez isto, se fosse Deus, eu não iria querer saber dEle.” Não se torne amargo contra Deus.
*Satanás quer nos confundir com dúvidas, temores e questionamentos deste tipo: Será que meus filhos pecaram e blasfemaram de Deus em seus corações, como imaginei que um dia ocorreria? Deixe as questões sem respostas para Deus, aguardando até o dia do julgamento para saber a resposta.
4. Ele quer que nos afundemos no poço da autopiedade.
Toda espécie de conforto foi tirada de Jó. Somente sua esposa foi deixada (!), e quatro mensageiros com más notícias. Nesta situação, somos vulneráveis a pensamentos de abandono de Deus. “Nenhuma razão para continuar vivendo.”
Entre na profunda tristeza de Jó. Que perda! Talvez ninguém sofreu mais, com exceção de Nosso Senhor Jesus Cristo.
*Não deixe que nenhuma prova o afaste de Deus, mas o aproxime dEle. (V. 20-22). Como o menino que aprendeu que remar é menos doloroso perto do seu pai.
*Nunca se dê ao luxo da autopiedade. Mantenha os seus pensamentos centrados em Deus, não em você mesmo. Não vale a pena viver para Deus? Se, não, você precisa de um Deus melhor ou um melhor conhecimento de Deus.
Observe: Somos criaturas vulneráveis. A vida é uma incógnita. Não sabemos como um dia pode mudar para melhor ou para pior para nós. Provérbios 27: 1. “Mudanças e decadências estão presentes em todos os lugares para onde olhamos.”
*Seja humilde, dependente, agradecido e fique surpreso quando tudo vai muito bem. Seja consciente como Jó, que sabia mudanças podem ocorrer.
2. Seja super cauteloso em tempos de tranqüilidade e prosperidade. Veja a citação de Calvino.
É mais doloroso sofrer a perda de tudo do que ter sido sempre pobre.
3. Pense a respeito de todas as coisas que Jó não perdeu, como John Gill escreveu:
Podemos observar, entre todas as perdas de Jó, que ele não perdeu nada de natureza espiritual, nenhuma benção espiritual, embora tenha perdido as bênçãos externas, não perdeu o Deus das bênçãos, nem Seu interesse por Jó, nem Seu amor, favor, e aceitação, todos os quais ainda continuaram. Ele não perdeu o interesse pelo redentor que vive. Todos seus filhos morreram, mas seu redentor vivia, e ele sabia disso, ele não perdeu o princípio da graça presente nele, sua raiz ainda estava lá, nenhuma graça particular, nem sua fé e confiança em Deus, nem sua esperança de vida eterna, nem seu amor e afeição a Deus, e o desejo de segui-lo, nem sua paciência e humildade, nem sua integridade, fidelidade e honestidade, as quais ele reteve e as mantinha firme, nenhuma de suas riquezas espirituais guardadas no céu, onde os ladrões não minam nem roubam, uma melhor e mais firme possessão, uma herança incorruptível, guardada nos céus.”
*Mantenha esta perspectiva a qualquer custo!
4. Mais uma vez, Satanás deseja que você se volte contra Deus, fazendo-o pensar que Deus se voltou contra você. Não caia nesta mentira!
#7 Jó mantém sua Perspectiva
Jó 1: 20-22
Que extraordinária compostura!...depois de uma inimaginável e devastadora angústia. Ao invés de amaldiçoar a Deus em sua face, ele o adora com uma submissão e alegria incomuns. Oh, se fossemos como Jó!...com a mesma confiança e autodisciplina. Será que servimos ao mesmo Deus?
*A maneira como reagimos às aflições é um indicador importante da presença ou ausência da graça de Deus em nós. As provações irão nos fazer ou desfazer. A graça fará com que adoremos enquanto somos corrigidos.
*As aflições provam o que realmente somos e que Deus é na verdade (ex: Jeová ou materialismo). Nosso amor a este mundo é provado quando somos chamados a nos desligarmos dele.
A Aflição de Jó, v.20.
Ele se levanta do seu assento (para realizar algum negócio?).
Ele rasga o seu manto. Uma demonstração de emoção, muito comum naqueles tempos. (Gênesis 37: 29, 34)
Ele raspa a sua cabeça. Não se trata de arrancar os cabelos, como numa atitude descontrolada, mas raspá-lo de forma deliberada e calculada. Mais um costume daqueles tempos, em demonstração de tristeza e angústia. (Isaías 5: 2.)
Ele se lança em terra. Novamente, uma ação premeditada, após raspar-se. Não como uma criança mimada numa ação de rebeldia e raiva. Uma marca da angústia, humilhação (rebaixado ao chão), submissão, arrependimento e adoração.
*Não é pecado demonstrar tristeza (ver v.22). Tristeza e luto são demonstrações apropriadas em situações e calamidades destas dimensões. Não devemos nos entristecer como os demais que não tem esperança (I Tessalonicenses 4: 13 – desespero). Antes, uma tristeza moderada, lembrando-se das mesmas verdades que Jó se lembrou.
*É muito triste vermos pessoas “rindo” nos funerais. Como uma mãe jovem disse no funeral de sua filha “Este é o dia mais feliz da minha vida.” Chamá-lo de “celebração da vida” para tentar escapar da realidade da morte. Não devemos imitar os Estóicos em sua indiferença e negação, assim como demonstrar “alegria”, seria puro orgulho.
“Jesus chorou no túmulo de Lázaro e a religião não tem como propósito tornar o coração do homem insensível ou incapaz de sentir tristeza. Piedade, como todo tipo de virtude, sempre aumenta a suscetibilidade da alma pelo sofrimento. A filosofia e o pecado destroem a sensibilidade, mas a religião se aprofunda nisso. A filosofia faz isso por principio, -- pois seu grande objetivo é a banir a sensibilidade dos corações mortificados, vale lembrar, que o pecado produz naturalmente o mesmo efeito. O homem bêbado, imoral, e o avarento, são insensíveis as cenas de ternura da vida. A culpa neutralizou seus sentimentos, mortificando-os. Mas a religião permite ao povo a demonstração de sentimentos, mostrando seu poder de sustentar a alma e compartilhar consolo com o coração que está quebrantado e triste. Enxuga as lágrimas dos que choram, ao invés de proibi-las, derrama o bálsamo da consolação sobre o coração, ao invés de ensiná-lo a ser desprovido de sentimentos.” (Barnes)
*Lembre-se da sua frágil condição humana ao moderar suas demonstrações de tristeza e aflição, para que sejam feitas de forma apropriada aos costumes da nossa cultura.
*Não tente ser o que você não é. Seja sempre autêntico, como filho de Deus.
II. A Adoração de Jó, v.20-21.
Nu saí e nu tornarei. Não deve ser considerado como algo absurdamente impossível. Jó simplesmente indicou que da mesma maneira que ele veio a este mundo, com absolutamente nada, também o deixaria da mesma maneira. Veja esta a mesma verdade em Salmo 139: 13, 15 e Eclesiastes 5: 15.
“Eu tinha tudo e perdi tudo, mas na verdade, não era realmente meu. Tudo aqui é temporário, e é só uma questão de tempo para saber para as mãos de quem irão passar.” (Isto é uma realidade!)
*Em tempos de tristeza, pense a respeito da sua vida e da sua morte. Isto coloca as coisas dentro de uma perspectiva correta. O mesmo princípio utilizado em I Timóteo 6: 7 que reforça o dever do contentamento. Ninguém nasce com uma colher de prata na boca. Nada aqui é realmente nosso. Não somos Senhores e Reis. Até mesmo nossos filhos não são nossos....pertencem a Deus e estão a sua disposição.
*Seja agradecido pela roupa do corpo. É mais do que você tinha no começo e mais do que você poderá levar com você um dia. É mais do que você merece! Estar ainda vivo não é uma pequena benção. (Jeremias 45: 5).
Nós merecemos o inferno. E ser poupado mesmo por um momento, é uma grande benção.
*As únicas bênçãos que podemos manter são aquelas que não retemos, ou seja: trabalhos, ofertas e orações.
O Senhor o tomou. Deus é a fonte de tudo.
“Tudo que temos nos foi emprestado por Deus. Ele não prometeu que seria permanente. Somos apenas Seus mordomos e administradores. Ele não tem nenhuma obrigação de nos dar ou nos manter com alguma coisa. Ao tirar o que nos deu, está simplesmente exercendo seu direito de proprietário e dono de tudo.”
*Fique confortado pela soberania total de Deus....acompanhada pela Sua sabedoria e bondade para com seus remidos. Ele não veio para destruir sua alma, mas para salvar, edificar, refinar e restaurar Sua imagem em você, aquela que Adão perdeu. Confie em Sua excelsa sabedoria e propósito. “Se Deus decretou algo, certamente será para o meu bem.”
Não há outro conforto neste mundo de tristezas. Calvino: “Se pretendemos glorificar a Deus e bendizer o seu nome como digno de nossa adoração, devemos crer que tudo o que Ele faz, tem um propósito.
*Seja agradecido pela lembrança dos momentos de felicidade que Deus proporcionou através das bênçãos do passado. Henry diz, “Quando nosso conforto nos é tirado, deveríamos ser gratos a Deus pelo tempo que nos concedeu desfrutando dele, que certamente foi muito maior do que merecíamos.” Pense naquilo que Henry escreveu na noite em que foi assaltado.
*Seja agradecido pelas bênçãos que Deus prometeu que nunca seriam tiradas de nós, ou seja: Ele mesmo, A vida eterna, Sua graça. Olhe para as promessas! Firme-se nelas! Isaías 50: 10
Bendito seja o nome do Senhor. É o oposto de amaldiçoar! Jó verdadeiramente adorou e agradeceu, e não foi apenas de boca. O caráter de Deus e Suas obras são retos, admiráveis, nobres e uma fonte de felicidade. Note que três vezes aparece a palavra Senhor. O foco estava nEle!
*Não espere encontrar alegria eternal nas coisas temporais (incluindo família). Você só pode ser eternamente feliz com Deus.
III. Satanás Frustrado, v22.
Quão chocante deve ter sido! Ele pensava que a piedade de Jó era fruto de um “egoísmo refinado” (Green). “Seu deu é o seu ventre.” Mas Jó prova que Satanás era um mentiroso.
(Quantos que fazem um “profissão de fé fácil” provam que Satanás está certo?!)
Nenhum pecado ao dizer ou fazer as coisas que mencionamos acima. Nenhuma acusação contra Deus do tipo: “Ele cometeu um erro.”
Jó não errou ao creditar a Deus, em ultima estância, tudo o que estava ocorrendo. Não foram os Sabeus, os Caldeus, a tempestade, a má sorte e nem mesmo Satanás, embora tivesse a sua mão nisso tudo. As flechas pertencem a Deus, ainda que o arqueiro seja Satanás! Ver 2: 3.
*Olhe além das causas secundárias, meios e instrumentos. O poder exercido por eles provém de Deus.
Conclusão.
Jó é um pioneiro para nós. Dele vamos:
- Aprender a nunca acusarmos a Deus, nem amaldiçoá-lo. (Já o culpamos algum dia por nossas frustrações? Arrependamo-nos!)
- Entender que as nossas maiores provas são, com freqüência, nossas maiores bênçãos de misericórdia. Elas nos amadurecem, alimentam e abrem um espaço maior em nossas vidas para Deus.
- Esteja preparado para mudanças. (Somente Deus é quem nunca muda.) Fique firme e mostre ao mundo que o Deus de Jó é o seu Deus. Seja totalmente submisso. Em tudo dê graças (I Tess. 5: 18). Esteja contente como Paulo aprendeu a estar em toda e qualquer situação (Fil. 4: 11-13). Quando as coisas não derem certo, adore a Deus, até que você aprenda que com Deus, nada pode dar errado! Diga como José, “Homens e demônios fizeram isso para o mal, mas Deus o transformou em bem!”
#8 O Segundo Ataque de Satanás
Jó 2: 1-6
A despeito das violentas mudanças, da grandeza e riqueza para o rebaixamento e pobreza, Jó adorou. Agora, vamos olhar mais uma vez para a forma de Deus tratar com os anjos, especialmente aquele caído, Satanás. Novamente, vamos repetir algumas coisas importantes.
Qualquer coisa que possa ser dita em termos de acomodar o limitado conhecimento do homem (ex: Deus questionando Satanás, Satanás incitando a Deus contra Jó), nós vemos que Deus exerce um controle total e Satanás aparece quando intimado por Deus, v.1, Satanás está verdadeiramente numa cadeia e Deus o guarda do outro lado.
V. 2 A mesma resposta dada anteriormente...adequada ao Todo-Poderoso e Imutável Deus!
Ele continua a se “orgulhar” de Jó perante Satanás. A mera repetição envergonha Satanás – Satanás, você perdeu!”Deus não se envergonha de ser chamado de o Deus de Jó. (Tudo isso devido a graça, é claro.)
A perspectiva de Efésios 3: 10. Deus está ensinando aos anjos (e demônios?). Seu caráter através do modo como trata com os Seus remidos.
*Nós devemos guardar o nome de Deus na terra. Não devemos envergonhar o nome da nossa família. Poderá Deus se orgulhar de você perante Seus inimigos?
Homem íntegro (mesma raiz de perfeito cap.1. v.1). A constância e perseverança de Jó, (paciência em Tiago 1: 1).
*Fique firme! O quanto é necessário para abalar você, ou fazê-lo desistir, se render, fugir de medo, comprometer a verdade, se conformar com o mundo? Tenha o propósito, com a ajuda de Deus, em ficar firme, custe o que custar. Hebreus 3: 14; 4: 14; 10: 23. Conservando a fé , e a boa consciência - I Timóteo 1: 19.
James Durhan: “Nenhuma parte da religião agrada mais a Deus, e o honra mais, do que manter a integridade e a sinceridade durante as provações.”
Havendo-me tu incitado...Não é que Satanás pode manipular a Deus. Deus é quem decide. Mas, Deus certamente fala desta maneira, a fim de entendermos que Ele não é o autor do pecado, Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens (Lamentações 3: 33).
Deus não estava contra Jó, mas a seu favor. Não tinha a intenção de destruí-lo, mas de destruir Satanás!
Assim, Deus cumpre o Seu propósito ao fazer com que todas as coisas cooperem para o bem de Jó, através de um instrumento diferente como Satanás! (comp. Nabucodonosor, rei da babilônia, meu servo – Jeremias 25: 9).
Sem causa. Novamente, isto mostra a mentira do evangelho da prosperidade.
Jó, como Cristo, está sendo odiado sem causa.
Como se Deus dissesse: “Satanás, Jó é muito melhor do que você pensa! Agora ele é testado e prova que é Meu filho!”
*Somos ignorantes a respeito dos pensamentos de Deus sobre nós em meio a provações. Oh, Se Jó tão somente pudesse ter ouvido esta declaração de Deus dirigida ao Adversário! Aprendamos com Jó a não deixar que nossa ignorância nos torne desencorajados e murmuradores.
V. 4-5 Satanás não ficou satisfeito com isso.
“Aquilo foi injusto, mas não severo demais. Vá mais fundo, pressione mais e então verá quem ele realmente é.”
Pele por pele...Provavelmente um antigo provérbio. Obviamente indica que a autopreservação é um instinto extremamente poderoso da humanidade, o qual Satanás supõe ser um dos mais poderosos instintos do homem.
- Ele é conhecedor da personalidade humana, composição e feitura. Doença e dor alcançam nosso interior como nenhum outro meio o faz. Uma dor intensa e a pior das provações de todas é o que Jó sofreu até aqui.
- Satanás mostra seu ponto de vista a respeito da motivação de Jó. “A pele dos outros não é do interesse genuíno de Jó, ele é egoísta e busca seus próprios interesses, sendo assim, quero permissão para tocar fisicamente nele. Todo homem tem seu preço e Jó não é diferente.”
- Talvez Satanás pensasse em matar Jó, como fez com seus 10 filhos, na esperança de que o veria, em seu último suspiro, amaldiçoar a Deus em Sua face. (Talvez Jó pensasse que iria morrer.)
E verás se não blasfema...O mesmo objetivo anterior.
Pense em Apocalipse 16: 10-11 - E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor. E por causa das suas dores, e por causa das suas chagas, blasfemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras. O Arcebispo Cranmer renunciou a sua fé a fim de escapar de ser queimado vivo (mais tarde, voltou atrás e morreu gloriosamente como mártir).
*Considere a persistência de Satanás. Embora derrotado, ele continua a pressionar. Ele deveria estar de cabeça baixa e com vergonha, mas, ao invés disso, dobra seus esforços na tentativa de derrubar Jó. Não espere entrar em batalha com Satanás apenas uma vez! Ele não desiste, nem nós deveríamos. Devemos buscar forças nos esforçando.
V. 6 Mais uma vez, note as duas mãos – a de Deus e a de Satanás. Grande mistério; Deus no absoluto controle de tudo, ainda que permita as causas secundárias (mesmo que más) operarem com uma aparente liberdade e nenhum impedimento. Deus controla e limita os estragos (Preserva a vida de Jó). Deste modo, Satanás é limitado ao acesso que Deus lhe dá, sendo responsável pela suas obras e desígnios maldosos. Compare Lucas 17: 1 e João 19: 10-11.
Satanás está preso. Deus pode alongar esta cadeia conforme Sua vontade, mas nunca irá abrir tal cadeia (ou deixar Satanás sem controle).
*Encontre conforto na verdade. Satanás podia matar Jó? Não. Jó era como um imortal neste ponto (devido aos propósitos de Deus). Deus não tinha decretado a morte de Jó, assim Satanás e toda a sua hoste infernal não podiam matá-lo.
*Nossa vida está nas mãos de Deus. Ele pode dispor dela a qualquer momento. Mas, até que Ele determine, somos imortais. Busque conforto no Pai soberano e amoroso que você tem, cujo amor está colocado sobre você, cujos propósitos de graça devem ser consumados em você!!! Satanás não pode tocar em você sem a permissão de Deus, e Deus não permitirá, a menos que seja para o seu bem, para glória dEle e para a derrota de Satanás. (E Suas permissões são nada menos do que decretos da Sua vontade eterna.)
Mantenha esta perspectiva na hora em que a próxima surpresa vier. PENSE BIBLICAMENTE.
“Nem bomba nem artifício nenhum pode me atingir sem que Deus permita isto primeiro.”
#9 Doente e Tentado
Jó 2: 7-10
Satanás, com a permissão de Deus, vem agora até Jó para um segundo ataque. Pior do que o primeiro, pois engendrará uma tortura física, da qual não há escape. Satanás está confiante de que isso irá quebrar Jó.
Este ataque é feito em duas fases, após o golpe da doença, o golpe da esposa.
1. A doença de Jó, v. 7.
Solapado com úlceras malignas (no Hebraico está no singular, como se o corpo todo fosse uma só ferida).
Úlceras inflamadas. Sintomas: Pele desfigurada (7: 5), aparência de quem está prestes morrer (16: 8); Cheiro insuportável (16: 16), (17:1), descoloração e Febre (30: 30).
Barnes: “A doença parece ter sido uma úlcera universal, produzindo uma erupção sobre o seu corpo inteiro, atingindo-o com violentas dores e uma constante inquietação. Uma moléstia ou série de moléstias sobre o corpo, de acordo com o relato da doença em várias partes do livro.” (Alguns dizem assemelhar-se com a Elefantíase (Moléstia caracterizada por um inchaço volumoso e duro da pele e do tecido adiposo, ou algum tipo de lepra.)
Causava insônia (7: 4) e pesadelos (7: 14). Um estado miserável. Aparentemente fatal?
O homem mais íntegro da terra torna-se o mais afligido.
Nem toda doença é fruto do julgamento de Deus. (Neste caso, isto era mais um julgamento sobre o próprio Satanás!). No fim do dia, Jó ainda continuava a ser “perfeito”, v. 10. (OH! Que alegria goza a consciência pura em tempos de doenças! Jó não tinha nada, em especial, do que se arrepender.)
*Graça especial é necessária em tais situações. O espinho na carne de Paulo clamava por graça extra (II Coríntios 12: 9). Uma contínua e constante dor leva a uma prova severa do caráter. Jó se deparou com isto, e nós também iremos.
*Entenda que as doenças físicas são o caminho para uma maior saúde espiritual, vigor e força.
2. A Resposta de Jó, v. 8.
Um caco de barro era o seu único remédio, com o qual ele raspava suas feridas ou sentia algum alívio ao se coçar. (Nenhum dinheiro, nem médico.)
Ele parecia estar totalmente abandonado. Ninguém para ajudá-lo ou confortá-lo.
Assentando no meio das cinzas. Talvez, cumprindo quarentena como um leproso, mas cap. 19: 15 pode indicar que talvez ele estivesse em casa. Cinzas simbolizam humilhação e proximidade com a morte. Pode ser que tinham algum valor medicinal na secagem das úlceras.
Entretanto, ele não diz nada. Nem amaldiçoa a Deus!
*Em tempos de doença e enfermidade, submeta-se pacientemente ao seu Pai Celestial. Ele ama seus filhos e os castiga tendo um bom propósito.
*Não se queixar é uma marca da maturidade na graça. Silenciosamente confie em Deus.
3. Jó é tentado por sua esposa, v. 9.
Por que Satanás não a destruiu no primeiro ataque? “Se Satanás deixar qualquer coisa que ele tenha permissão de tirar, é porque ainda vai usá-la para futuros propósitos malignos.” Agora ela, como Eva, se torna uma fonte de tentação e adicional provação para Jó.
Quem era ela? Alguns pensam que tenha sido uma daquelas pessoas de profissão vazia, pois aqui ela amaldiçoa a Deus e a si mesmo, tornando-se uma apóstata no final.
Mas, é mais provável que ela tenha sido uma cristã verdadeira. Ela tinha sido fiel até aqui, e a alegria e piedade do seu lar aponta para uma mulher consagrada, juntamente com um marido consagrado. Ela pacientemente suportou a perda dos bens e família. A declaração dela aqui não condiz com o seu caráter (v. 10). Evidentemente, ela sobreviveu e foi a mãe dos outros filhos que Deus deu a Jó (cap. 42). Mas, sua fé foi colocada “sob suspeita” neste tempo, e ela realmente pecou com seus lábios. Ela aparentemente desistiu. (Conceda a ela o benefício da dúvida, pois talvez amasse tanto a Jó, que ficou com muita raiva de vê-lo sofrendo desta maneira. Seu conforto humano estava prestes a morrer. Por que não acompanhá-lo. Afinal de contas, sua qualidade de vida estava diminuindo rapidamente e a morte parecia certa.)
*Os santos podem ser tentados da fonte mais surpreendente e improvável. Irmãos e irmãs, cuidado para não se tornarem um impedimento para o seu cônjuge!
*Alguns santos podem suportar o que outros não agüentariam. A mesma provação que Jó sofreu, foi o suficiente para abater sua esposa, mas ele permaneceu firme (mesmo com esta carga adicional a sua provação).
Isto deve ter sido um grande choque para Jó. Agora ele não tinha conforto nem da pessoa mais querida da terra, com a qual ele era uma só carne. (Não tinha outras esposas). Era pior do que a doença? (Estava verdadeiramente abandonado, exceto por Deus).
Ainda reténs a tua sinceridade? Cap. 2 v. 9. Ela já não existe mais!
Amaldiçoa a Deus. “Diga-lhe adeus! Abandone-o.”
Ela se tornou porta-voz de Satanás! Como Pedro, que foi repreendido por Cristo (Mateus 16: 23). Ela segue os passos de Eva, que “alimentou pensamentos” errados a respeito de Deus (“Ele não quer a sua felicidade”).
Pense em Cristo sendo tentado no Calvário, “Desça daí”. Sem dúvida, este foi o teste mais duro para Jó até aqui.
Morre. Henry e outros acham que isso foi um convite ao suicídio.
A mentira de Satanás: A morte termina com tudo isso. Deixando assim uma brecha no sexto mandamento com nenhuma possibilidade de arrependimento. Ademais, o este é o ato mais egoísta do qual o ser humano é capaz. Se entregue a vontade daquele que introduziu a morte no mundo, ao introduzir o pecado.
Assim Jó, um dos homens mais santos da terra, fica a mercê da mais horrível e blasfema tentação.
*Pensamentos de blasfêmia contra Deus e o desejo de suicídio, vem de Satanás. Não lhe dê ouvidos nem por um momento, Antes, responda como Jó...
4. A resposta de Jó, v.10.
“Querida esposa, você fala como um descrente! O que é normal para você! Preste atenção no que disse. Você fala como um ateu! Uma gentil repreensão, desprovida de amargura (Col. 3: 19). Não “Sua tola!”
Repreenda com amor, paciência e especial gentileza: a sua esposa e aos mais velhos.
Receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Jó não estava limitado a uma visão unidimensional de Deus. Ele tinha noção que todo direito de reivindicar as bênçãos foi perdido em Adão.
*Seja grato pelas bênçãos do passado, ainda que elas já não façam parte da sua vida.
*O bem sempre se sobrepõe ao mal para o crente que tem um interesse genuíno (salvação eterna) por Cristo.
*Não limite Deus a uma maneira única de tratar com seus filhos. Erro dos carismáticos. “Todo conforto, nenhuma Cruz.” Visão utilitária de Deus-“Minha felicidade temporária é o seu objetivo maior, Sua razão de existir.” Não, nossa santidade aqui e a futura é o Seu objetivo, e nisto está a verdadeira felicidade.
*Não “perdoe a Deus” pela maneira que tem tratado conosco.
5. Recomendação de Jó, v. 10.
Nada errado na maneira de falar (resposta a sua esposa e a Deus). Mais do que vencedores! Maior do que suas misérias. A língua sob controle (Tiago 2: 10). *História do hino 398 “Sou feliz com Jesus”.
#10 O Conforto Chega
Jó 2: 11-13
De forma exemplar, Jó sobrevive espiritualmente intacto aos primeiros dois ataques. Ele passa pelo teste de maneira digna. Ao invés de amaldiçoar a Deus, ele o adora e o defende. (Você não tem a impressão de que estamos olhando para um gigante espiritual?! Andrew Fuller disse: “Um homem não tem mais de sua religião do que quando ele passa por provações. Tudo o que desaparece nestes tempos não é real, e ficamos mais ricos sem elas.”)
Mais recentemente, vimos o ataque de Satanás a saúde de Jó, acompanhado com uma vil tentação por parte de sua esposa. Satanás esperava que Jó provasse que a vida do homem é a sua possessão mais preciosa, que a autopreservação seu maior objetivo e instinto (v. 4). Mas para Jó, a benignidade de Deus é Melhor do que a vida (Salmo 63: 3)! *Vamos pensar da mesma maneira.
Vemos Jó como alguém que foi abandonado, sem ninguém para ajudar, nem mesmo com uma palavra de conforto ou simpatia. Nós não sabemos quanto tempo isto durou. Porém, foi o suficiente para que a doença o consumisse a ponto de deixá-lo com a aparência de quem estava prestes a morrer. Mas, finalmente o conforto chega!
1. A chegada dos três amigos, v. 11.
Elifaz, descendente de Temã, que foi neto de Esaú (Gênesis 36: 11). A terra de Temã ficava ao Sul da Palestina ou Península do Sinai, conhecido por sua sabedoria (Jeremias 49: 7). Ele foi o líder dos outros, em todas as ocasiões sempre falou primeiro, enquanto os outros repetiam ou baseavam opiniões em cima de seus argumentos.
Bildade era descendente de Suá, um dos filhos que Abraão teve com Quetura (Gênesis 25: 2).
Zofar, talvez Zefô de Gênesis 36: 11? Se sim, então temos outro descendente de Esaú.
Possivelmente, todos os três eram descendentes de Abraão, mas não da linhagem de Isaque e Jacó. Eles tinham idade suficiente para ser pai o de Jó (15: 10).
2. O caráter deles:
Evidentemente, eram amigos chegados e especiais para Jó. Viviam a certa distância, mas mantinham contato constante. Possivelmente, os amigos mais íntimos, com quem compartilhava as mesmas convicções. Outros amigos o abandonaram (19: 14). Estes, porém, faziam parte de um círculo de amigos fiéis. (Sem dúvida outras vieram, ex: Eliú.) Estes três combinaram em se encontrar para visitar Jó. Cada um do seu lugar e todos se encontraram na casa de Jó.
3. O propósito em visitar Jó.
Combinaram condoer-se dele, para o consolarem. Não temos razão para duvidar da amizade que demonstravam e de suas boas intenções para com Jó. Se tivessem uma má reputação, arrogância ou orgulho, seus discursos não teriam sido uma provação tão grande para Jó. A preocupação, interesse e amor deles fez com que os dias subseqüentes fossem os mais difíceis. No começo, eles provaram que verdadeiramente eram amigos, ao permanecerem ao lado de Jó, compartilhando do seu luto (Ecles. 7: 2).
*A benção de se ter amigos. Em certo sentido, Deus escolhe os amigos que você vai ter. Amigos cristãos são tesouros especiais a serem valorizados, apreciados, guardados e cultivados. Eles nos ajudam na adversidade (Pro. 17: 17). “Muito do conforto que recebemos nesta vida, vem do relacionamento e amizade com aqueles que são prudentes e virtuosos, e aqueles que têm, ainda que poucos amigos assim, deveriam valorizá-los muito.” (Henry).
Seja amigo e procure ser amigável. Seja leal e fiel. Seja um filho da consolação como Barnabé. Conforte, chorando com os que choram (Rom. 12: 15). Compartilhe dos sentimentos dos outros, tenha simpatia, encoraje e edifique.
É normal e aconselhável visitar os amigos nas adversidades, dificuldades e aflições, a fim de oferecer ajuda, encorajamento e conforto. Seja tudo o que estes três aparentam ser até aqui.
II. O choque na chegada, v. 12-13.
Evidentemente Jó estava fora de casa, sentado sozinho num monte de cinzas e se coçando, quando eles lançaram primeiramente o olhar para ele. Eles não estavam preparados para aquilo que estavam prestes a ver. Ele estava tão diferente na aparência e nas circunstâncias que eles não o reconheceram a primeira vista. “Este não pode ser o mesmo homem! A situação dele é pior do que nos contaram. Muito pior do que podiam ter imaginado! É inacreditável! Nunca poderíamos imaginar uma cena como esta”
Um choque, impressionante! Um sofrimento e dor inigualáveis.
Eles se identificam com Jó o tanto quanto lhes é possível. Eles lamentam, choram, rasgam suas capas, se cobrem de cinzas e se sentam na terra (prova de angústia, surpresa e humilhação perante Deus).
Eles se juntam a ele na dor e na miséria. Uma semana de lamentação, típica do V.T.
*Novamente, um bom exemplo para nós de sincera simpatia. Dedique tempo para se identificar com aqueles que são provados.
Eles não perguntaram nada a Jó a respeito do que tinha acontecido.
- Devido a estarem muito chocados e não saber o que dizer.
- Devido a estarem despreparados para tratar com uma situação tão difícil. “Que tipo de esperança podemos oferecer a Jó?” Talvez eles mesmos perderam a coragem.
- Devido a confusão de como Deus estava tratando com um homem de tão elevado caráter.
- Devido a estarem formulando uma nova opinião sobre Jó.
Isto parece um pouco estranho para nós. Sentar-se e não dizer nenhuma palavra de conforto por uma semana inteira, isto é difícil de imaginar em qualquer cultura ou tempo.
Temos a dizer em favor deles, que não fizeram nenhuma acusação ou repreensão, ainda que estivessem pensando em tais coisas.
(Não era ocasião apropriada para isto. Embora, após as palavras de Jó no cap. 3, a porta para falar tivesse sido aberta).
*Em certas ocasiões, o silêncio é a melhor opção. Melhor que a repreensão, as frases vazias e de nenhum valor (expressão sentimental de quem não conhece nada a respeito das profundezas da dor e tristeza). Mas a oração é sempre apropriada!
Observe
É desta maneira que começa o terceiro e mais severo ataque de Satanás. Não nos é mostrado o diálogo entre Deus e Satanás neste momento, mas podemos seguramente assumir, que ele ocorreu. Este ataque começa de maneira inocente, com a visita de amigos amorosos e com boas intenções de ajudar. “Estamos aqui para ajudá-lo, Jó. Falaremos por Deus.” Cedo eles se tornaram seu pior inimigo, acusando-o de vários tipos de maldade e a suspeitar de cada palavra que ele dizia. Eles agiram (esperamos que inconscientemente) como a voz de Satanás.
A ajuda deles era tão cruel como o evangelho da prosperidade de hoje.
*Coisas piores que a morte! Ser ferido em casa de amigos (Zacarias 13: 6).
Nenhuma provação é tão grande quanto aquelas que se estendem, prolongam e persistem no sofrimento. “A dor que pode ser tolerada pacientemente durante um curto período, pode tornar-se insuportável após um período longo. (Green)
As muitas formas da dor de Jó: doença, luto, solidão e a falsa acusação e incompreensão dos amigos mais chegados que ele tinha nesta vida.
A persistência da dor de Jó: Parece que nunca acabaria.
*Pense no que Cristo suportou! Esteja preparado para suportar as mesmas coisas. Agradeça a Deus pelos amigos, porém, às vezes somos reduzidos a um apenas, Deus!..nada exceto a Deus.
#11 Jó amaldiçoa o dia em que nasceu.
Jó 3: 1-10
Aqui vemos um contraste com o homem que vimos anteriormente, pacientemente confiando em Deus durante as provações e não pecando com seus lábios (2: 10). Aqui ele aparenta recuar. Vamos observar esta porção das escrituras com muito cuidado.
Não devemos ser críticos demais com Jó. “Aqui é um momento em que Jó pecou!” É a atitude dos seus três amigos que não devemos imitar.
Não devemos ser tão complacentes com Jó. Ele está sempre pronto a admitir que é um homem pecador.
Devemos entender que ele é um homem sujeito as mesmas paixões como nós! (Se não tivéssemos este capítulo, pensaríamos que ele fosse mais do que um ser humano. Um paralelo com nosso Senhor no Getsêmani.)
Observações gerais sobre este capítulo.
1. Sete dias sem nenhuma palavra de conforto dos melhores e mais sábios amigos deve ter levado Jó a beira do desespero. Dúvida, depressão, confusão e autocomiseração. È neste estado que ele fala.
*Cuidado com o que você fala o tempo todo, mas principalmente em tempos de grande estresse, sofrimento e desânimo. É muito fácil pecar com os lábios nestas ocasiões.
O silêncio pode ter sido a melhor política aplicada a Jó. (Mas a situação clamava por algo a mais que os homens não poderiam dar.)
2. Jó pecou aqui? (Esta pergunta deve ser feita com humildade e senso de justiça). Com tristeza e consciência de nossos próprios pecados, devemos responder: “Sem dúvida”. Ele questiona a sabedoria de Deus ao permitir que ele viesse ao mundo. Ele reprova Deus.
Nenhum homem pode domar a sua língua (Tiago 3: 8). O limite da perfeição de Jó (Salmo 119: 96 - Tenho visto fim a toda a perfeição. Eclesiastes 7: 20 - Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.
*O salvo pode pecar, e grandemente, mas não pode abandonar a Deus para sempre.
3. Satanás obteve sucesso? Não. A promessa de Satanás a Deus não era provar que Jó era um pecador, mas um hipócrita, apóstata e egoísta. Durham: “O grande debate entre Deus e Satanás não se tratava de discutir se Jó era ou não um homem pecador, mas se ele se revelaria como hipócrita, possuindo ou não a graça de Deus.
Jó realmente amaldiçoou o seu dia, mas não seu Deus!
4. Jó foi preservado pelo fio da graça. Quão perto ele chegou do ponto de amaldiçoar a Deus!
*Não falhe em enxergar a grande graça preservadora de Deus trabalhando neste capítulo. Se deixado sozinho, Jó certamente teria sucumbido e derrotado, sem chances de recuperação. Mas Deus sustenta Seus servos, a despeito de suas fraquezas, fragilidades e confusão.
Santos, agradeçam a Deus pelo fio da graça que continuamente nos sustenta!
5. Resumo: Tendo visto o melhor de Jó, aqui o vemos em seu pior. Isto não é um fato incomum, ver (Jeremias 20: 14-18 e Romanos cap. 7, onde vemos Paulo no seu pior). Mas ainda o princípio da graça estava vivo nele! * Não exija perfeição dos crentes, ou você ficará desapontado. Você ficará desapontado um dia com você mesmo!
* Não veja neste capítulo apenas um santo em pecado, mas um santo sob agonia, confusão e dor insuportável. Considere quantas vezes pecou em palavras e terá compaixão de Jó.
Um olhar mais apurado nestes versos.
V. 3 é um esboço dos versos 4 a 10. Dia e noite
V. 4-5 Amaldiçoa o dia do seu nascimento.
Linguagem forte: “Que aquele dia e ato da criação sejam revertidos: de luz para trevas.” Ex: Apague aquele dia da história.
V. 6-7 Amaldiçoa o dia da concepção.
Que aquela data seja apagada do calendário! (V. 6)
Que seja estéril e árido! (V. 7 solitário; usado para mulheres sem filhos)
V. 8-10 Dia do nascimento é novamente amaldiçoado.
V. 8 Lamento = Leviatã (41: 1) Que os encantadores que pronunciam maldição e atraem as criaturas mais ferozes para destruí-las. – Sejam eles que amaldiçoem e destruam o dia em que nasci.”
“Oh que eu nunca tivesse nascido ou mesmo concebido!” Jó chega ao fundo do poço. Isto é o ponto mais baixo que alguém pode chegar! (amaldiçoar os passado – é fútil e irracional.)
Aplicações:
1- Se você nunca disse as mesmas palavras de Jó (ou até pior), não seja propenso ao orgulho, mas reconheça que você não foi tão severamente tentado como ele o foi, levado ao limite. Agradeça a Deus por poupar você. Fique alerta, para não cair!
2- Somente Cristo, o Salvador é sem pecado. O melhor dos santos luta contra o pecado. Durhan: “A maior medida de graça quando colocada a prova, apresentará muita corrupção acompanhando-a.” Em temos de extrema dificuldade, qualquer um de nós pode ser irracional como Jó. Um cristão pode ser levado ao fundo do poço e ainda assim levantar vitorioso. Deus preserva os Seus...por aquele fio de graça!
3- Não se defenda a si mesmo culpando a Deus, Suas providências e decretos. Pois isto é extremamente perigoso por chegar muito perto da blasfêmia.
4- Se Satanás não puder fazer você blasfemar na face de Deus, nem se tornar um ateísta, tentará fazê-lo duvidar da sabedoria e bondade de Deus. Quando a esposa de C.S Lewis estava morrendo, devido a um câncer, ele disse: O perigo de eu deixar de crer em Deus não é tão grande quanto o de pensar em coisas horríveis sobre Ele. A conclusão que eu temia não era a de: “Deus não existe”, mas a de pensar: “Isto é o que Deus é realmente, não se deixe enganar”. Em ocasiões como esta diga: Para trás de mim, Satanás!(Mateus 16: 23).
5- Quem pode legitimamente amaldiçoar o dia em que nasceu? Aqueles cujo destino final é o inferno. Mateus 26: 24 (Judas).
6- Os santos quando a beira do desespero podem chegar a amaldiçoar o dia em que nasceram, mas nenhum amaldiçoou o dia do seu novo nascimento.
7- Agradeça a Deus por trazê-lo ao mundo! Pense biblicamente. “Deus me trouxe ao mundo para a sua glória. Ele tem um propósito...! Compare Salmo 139: 14-17.
Que o dia do seu nascimento seja um dia de ação de graças a Deus.
Considere o exemplo de Cristo. No momento de maior angústia e sofrimento da Sua alma e do Seu corpo, Ele se regozijou do dia do seu nascimento (Salmo 22: 9-10).
8- Agradeça a Deus por não nos dar tudo o que pedimos. (Ele não deu a Jó o que este pediu).
9- Admire a paciência de Deus para com Jó. Ele considera Jó um homem paciente! Tiago 5: 11. Sua avaliação geral é a de que Jó foi um homem paciente. Que bondade da parte de Deus em ocultar nossos pecados em Cristo e apenar enxergar a bondade que sua graça nos concede!
10. Quando as trevas parecerem ocultar a face de Deus, descanse na Sua imutável graça. Isaías 50: 10.
#12 Jó Amaldiçoa sua vida
Jó 3: 11-19
Um diamante “Perfeito” tem que ser ampliado 10 vezes para que qualquer inclusão possa ser vista. Jó era perfeito, até que pressionado ao extremo, e então pudemos enxergar algum pecado. Porém, ainda assim, ele não amaldiçoa a Deus. Somente uma vez ele menciona Deus neste capítulo (V. 23). Isto nos dá uma dica para qual direção segue o primeiro discurso de Jó. Ele está pensando nas coisas terrenas, temporais, na doença e no corpo, na alma e suas aflições. Esta perda de perspectiva é o assunto e conteúdo do seu discurso tão forte.
*Cuidado quando sua visão se torna muito focada neste mundo, para que as tuas palavras não cheguem a beira da blasfêmia.
Vemos Jó (1.) amaldiçoando a sua concepção, assim como (2.) seu nascimento. Agora o vemos lamentando mais.
1. Ele lamenta ter sobrevivido ao nascimento e não ter sido um natimorto. Ele deseja ter morrido no ventre, v. 11, 16. Abortado, um aborto natural.
Quão mórbido e egoísta! Desejar que seus parentes tivessem sofrido e passado por uma grande angústia para que ele fosse poupado disso.
II. Ele lamenta ter sido alimentado e cuidado, v. 12.
Os joelhos da parteira que o receberam e sustentaram. “Por que não me deixaram cair no chão para lá morrer!”
“Porque minha mãe não me abandonou e me deixou morrer de inanição!”
Ingratidão para com seus pais e com aqueles que o amaram e cuidaram dele (mesmo Deus, ainda que de forma indireta). Ele fala como se todos tivessem que agir de forma desumana para que ele pudesse escapar do atual sofrimento.
III. Ele fala da cova com expectativa e desejo, considerando-a como um convite atrativo e uma alternativa para o tipo de vida que está vivendo neste momento.
1- “É um lugar de paz”, v. 13 (não dormir, como vemos no N.T, mas simplesmente comparando a similar aparência do corpo em ambos estados v. 17-18 “Ali não teria problemas com os Sabeus, Caldeus e etc.)...descanso para o fraco e cansado....prisioneiros estão livres dos seus senhores, e os endividados de seus cobradores.”
“Seria boa esta mudança! Eu desejaria estar morto!”
2- “É um lugar de igualdade”, v.14 (constroem grandes túmulos?), 15, 19. Jó entendia que a morte era um grande nivelador da humanidade. Um rei não é melhor na morte do que um infante. (Mas isto dificilmente se torna uma razão para se desejar a morte! O que faz com que a sepultura tenha pouca atração ao pensador mais racional!)
Aprenda:
1- Não somos sábios ao questionarmos o “por quê?” Como Jó fez aqui repetidamente. Isto coloca o coração numa condição perigosa (não necessariamente irregenerável). Deus não é obrigado a nos dar explicações sobre o “por quê?” (mesmo que sejamos capazes de entender suas razões). Deus agiu desta maneira e pronto. Deus tem nos dado a vida e as experiências de alegria e provações na proporção que Ele determinou. Simplesmente confie que tudo o que Ele fizer em sua vida tem bons propósitos. Confie mesmo não tendo nenhuma resposta a respeito se seus questionamentos.
Novamente, note que Jó faz uma série de questionamentos a Deus, porém, não o amaldiçoa. Apegue-se àquelas coisas que são dignas. Nunca cruze esta linha! Fique o mais longe possível do seu limite.
2- Como pode um cristão chegar a um estado tão desesperador como Jó chegou? Vamos responder a esta questão com grande humildade e não com arrogância, considerando a nós mesmos para que não sejamos tentados. (você não se vê a si mesmo em Jó?)
Resposta: Certamente Jó perdeu a perspectiva. Ele estava pensando mais de maneira temporal do que eterna neste momento. Contestar enquanto afligido interna e externamente, nós podemos entendê-lo, embora não possamos justificá-lo. Não teria sido melhor que ele orasse ao invés de amaldiçoar? (Mas quantas vezes nós murmuramos ao invés de orarmos?)
Perspectiva Cristã: Olhe para as coisas eternas II Coríntios 4: 16-18.
3- Vamos ficar de olho na nossa própria hipocrisia, para que possamos evitá-la e vencê-la.
Jó havia repreendido amorosamente sua esposa por lhe tentar a tirar a sua própria vida (2: 9-10). Naquele momento ele estava alicerçado na soberania absoluta de Deus. Mas agora, ele está falando a língua dela! Embora ele nunca tenha saltado para o abismo, ficou olhando a beira deste com algum desejo de fazê-lo. Mas o suicídio seria como amaldiçoar a Deus em Sua face, e a graça de Deus poupou a Jó deste terrível pecado.
*É fácil resistir a tentação num primeiro momento, mas a exposição prolongada a ela, pode nos enfraquecer. É fácil dar bons conselhos, mas falhamos em segui-los quando estamos sob teste.
Seja cuidadoso ao aconselhar, não faça com orgulho e autoconfiança. Lembre-se que não viveremos mais um dia sequer sem que Deus assim o queira.
4- Pensamentos ou desejo de morrer, ou mesmo nunca ter nascido, ou que a morte seja uma solução atrativa, são diabólicos, devendo ser reconhecidos como tal, cabendo a nós fugir imediatamente deles. Leia a Palavra de Deus, ore e pense em coisas dignas (Fil. 4:8). Pense em Cristo e em Sua agonia no Getsêmani e no Calvário.
5- Não pense mal de Deus pela benção de conceder a você o dom da vida. Isto é ser manipulado pelas mãos de Satanás para colocá-lo contra o Deus das bênçãos e da vida. (Não que Jó tivesse feito isto, mas chegou bem perto de fazê-lo.)
6- Ao invés disso, agradeça a Deus pelo seu nascimento e por tê-lo sustentado até aqui. (Assim como Cristo fez no Salmo 22.)
7- Agradeça a Deus pelo nascimento de Cristo, em Belém, há 2.000 anos, o qual deu sentido e propósito a nossa vida agora, não importando o quanto cheio de problemas ela possa estar.
8- Agradeça a Deus por não abandonar o Seu povo mesmo quando pensamos e falamos coisas tolas em meio a dor, depressão e autocomiseração. Ele tem propósitos muito mais elevados do que pensamos.
Deus cumpriu o Seu propósito em Jó ao permitir que suas fraquezas fossem expostas tão abertamente e com isso nos mostrar que o poder e graça de Deus, por si só, é que sustaram a Jó.
(Felizmente, o propósito de Jó não se cumpriu, pois ele não teria feito nada, exceto morrer, caso sua vontade prevalecesse. Agradeça a Deus por não nos conceder o que queremos em tempos como estes!)
#13 “Deixe-me morrer agora”
Jó 3: 20-26
Tendo desejado nunca ter nascido (v. 1-10) ou nascido morto (v. 11-19), Jó agora deseja que Deus rapidamente tire a sua vida, e que de modo algum a preserve mais.
Vamos considerar o que Jó diz nestes versos e fazer algumas observações.
Note que ele pergunta novamente “Por que”. (vs. 11, 12 e 20). Ele faz duas perguntas.
I. Primeira pergunta v. 20-22.
Embora ele não mencione Deus até a segunda pergunta, Deus e Providência estão implícitos aqui.
“Por que Deus mantém vivo uma pessoa que deseja morrer? Já que estou cercado de miséria e amargura, e minha qualidade de vida chegou ao fundo do poço, a morte seria um ato de misericórdia para comigo. Não posso tirar a minha própria vida, porém Deus pode fazê-lo a qualquer momento.... e por que não agora? (v.20). Eu anseio pela morte, pareço estar sendo conduzido rapidamente para ela, mas a doença me puxa (ao invés de me matar). (v. 21). Se eu pudesse apenas morrer, isto seria uma grande alegria para mim! (v. 22).”
*A morte parece convidativa a distância, mas quando está realmente próxima, todos nós nos recuamos naturalmente dela.
*A qualidade de vida tem se tornado um tema extremamente difícil, mesmo com o avanço da medicina e tratamentos, como nos mostra o caso de Terry Schiavo, cujo marido optou pela eutanásia, embora seus sogros fossem contrários a isso. È suficiente dizer, que o suicídio nunca será uma opção para o cristão.
*Nossa vida está nas mãos de Deus. Ele é quem determina os nossos dias. Nós devemos receber humildemente o que Ele nos dá, seja uma vida longa ou curta. Ele é quem aponta o dia da nossa morte e devemos deixar este assunto em suas mãos.
II. Segunda pergunta v. 23.
“Por que Deus preserva a minha existência miserável aqui? Ele tem me cercado de aflição (contr. a 1: 10) e não tenho como sair disso. Estou tateando no escuro e preferiria não ter vida (Luz) de forma alguma.
Jó está perdido em um labirinto. “Qual é a direção onde posso encontrar a saída? Por que Deus está fazendo isto comigo? Ele apenas está prolongando a minha miséria. Isto parece cruel, uma tortura, é como zombar de uma pobre criatura.”
Note que ele não amaldiçoa Deus, mas faz severos questionamentos. Pecado, mas não de apostasia.
III. A avaliação de Jó sobre sua situação, v. 24-26.
v. 24 “Eu não posso nem desfrutar da minha comida. Sou um completo miserável. Não tenho como evitar gritar de dor. Meus gemidos são como o som das muitas águas.”
v. 25 Jó não era uma pessoa pessimista, que ruminava seus problemas de um dia para o outro (caso contrário, não seria considerado um homem íntegro e reto). Ele era um humilde servo de Deus, dependente dEle em tudo. Este verso poderia ser interpretado desta maneira:
(1.) Que os temores de Jó começaram a partir do momento que ele recebeu a primeira má notícia, e assim temeu que mais notícias ruins chegariam, como realmente aconteceu.
Uma série de ondas de notícias ruins, uma após a outra. E então, após uma breve pausa, mais uma onda de problemas vieram (cap. 2).
(2.) Jó sempre esteve consciente de que Deus poderia, em algum momento, por um fim em todos aqueles anos de prosperidade e bênçãos temporais. Como pudemos ver, ele oferecia sacrifício por seus filhos com “receio” de que tivessem amaldiçoado a Deus (1:5). (Nós todos não temos também a tendência de fazermos esta pergunta em temos de calmaria: “Quanto tempo isto vai durar? Por quanto tempo minha saúde vai continuar?”)
V. 26 “Em tempos em que gozava de calmaria, não fui descuidado, autoconfiante, presunçoso e auto-indulgente. Eu fui vigilante e andava no caminho da obediência a Deus. Entretanto, todos estes problemas me assolaram.”
*Erro do evangelho da prosperidade: “Aflição só vem para aqueles que são desobedientes, descrentes e que não oram etc.”
Observações adicionais
1. Nossa vida é um dom de Deus e não devemos desprezar isto. Devemos valorizar e ter o desejo de viver enquanto Deus nos der vida. Ele não está preparado para tirar a vida daqueles que não desejam mais viver...Suportar as cargas desta vida é melhor do que ter a vida tirada. A graça faz o homem desejar a vida, mesmo em meio a grandes sofrimentos e privações, e o faz desejar a morte, mesmo em meio aos maiores confortos e prazeres (Thomas Robinson) “A graça nos ensina, no meio dos maiores confortos da vida, a desejar a morte, e no meio da cruz mais pesada, a desejar a vida.” (Henry)
2. Devemos nos submeter a vontade de Deus em tudo. Veja o exemplo de Cristo no Getsêmani: todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. faça-se a tua vontade. Marcos 26: 36-42.
3. Use esta vida para a glória de Deus e o bem de nossas almas. “Faça com que as grandes e constantes preocupações o preparem para o mundo vindouro, e então deixe que Deus cuide dos detalhes de como nos levará para lá, da maneira que achar mais conveniente.” (Henry)
4. Seja paciente com aqueles que sofrem fisicamente. Mostre simpatia. “Pessoas na condição de Jó não conseguem reagir de maneira racional ou pensar além da sua dor. (Derek Thomas) Poucas provas desafiam mais a nossa fé do que a doença, a dor e o luto. (Mas quem poderia, além de tudo isso, suportar ser acusado pelos amigos?!)
5. Não deseje a morte apenas para escapar das provações terrenas. (Um ateísta pode desejar a morte com base nisto). Não confunda este desejo com a declaração de Paulo em II Coríntios 5: 8 (também v. 4b); Filipenses 1: 21-23. É bom desejar o céu. Escapismo versos estar com Cristo! (Jó parece ter somente “pensado alto” em escapar.)
6. Há razões para o “por quê?” Sim, porque Deus é um Deus de propósito. Jó não conseguia enxergar este propósito, e nós também, na maioria das vezes. Todavia, olhe para o que Deus fez para Jó e para nós, através de tudo isso! Deus tem muitos propósitos naquilo que não entendemos e alcançamos! (Nós mencionamos muitas delas anteriormente.) Ele purifica, ensina (nós e outros), gera frutos, conforto em Cristo, nos conduz ao céu e faz que tudo isso se torne mais doce. Em tudo, Ele recebe maior glória desta maneira!)
#14 Elifaz entra
Jó 4: 1-6
Simão, chamado Pedro, andou sobre as águas e começou a afundar, mas nosso Senhor não permitiu que se afogasse. Jó era um homem (relativamente) perfeito, e começou a se afundar nas águas da aflição, mas Jeová o susteve em meio a isto tudo!
Tendo agora quebrado o longo silêncio com palavras compreensíveis, porém sem fundamento, um dos seus três amigos começa a falar. (*Um disrcurso errado pode ser o alicerce de toda uma estrutura de discursos errados!)
Observações Gerais
1. Não devemos olhar estes homens como sendo maus e frios diante da aflição de Jó. Eles eram amigos que vieram com a intenção de confortá-lo. Provavelmente, eram homens tementes a Deus e regenerados (e por isso Deus lhes pede um sacrifício no cap. 42). Isto faz com que uma série de discursos se tornem uma provação maior para Jó.
*Extrema dificuldade e dor de um bom homem, engajado numa disputa com um outro bom homem. (Compare Paulo e Barnabé.) Cada um com suas boas intenções, mas com pontos de vista bem diferentes. Somente Deus pode por isto em ordem.
2. Elifaz fala primeiro. Provavelmente o líder. (Ele fala em nome dos outros, v.2) Ele parece mais polido e gentil que os outros. Ele até oferece alguma esperança no primeiro discurso (5: 17-19). Mesmo assim, ele acaba se tornando cada vez mais antagônico e crítico contra Jó.
3. Como é comum nas relações humanas, os outros dois amigos, na maioria das vezes, repetiam o que ouviam de Elifaz, porém seguiam sempre para o extremo e acrescentavam mais prejuízo. E como é típico, as disputas se agravavam cada vez mais. E quanto maior era a disputa, mais determinados, confiantes e severos eles se tornavam.
4. O centro do conflito girava em torno da dificuldade de reconciliar a justiça de Deus e a integridade de Jó. “Como a justiça de Deus se harmoniza com Sua providência para com Jó, se este é, como afirma e aparenta ser, um homem íntegro?”
II. Paráfrase com algumas explicações
v. 1-2. “Jó, minha intenção não é prejudicar você, mas tem certas coisas que sou obrigado a dizer. Não posso evitar falar sobre a sua situação e responder ao que você falou.
*Eu não tenho dúvidas sobre as boas intenções de Elifaz, embora no final ele acabe pecando com suas palavras (42: 7-8). Cuidado para não fazer mais estragos do que o bem. Ore para que Deus lhe dê sabedoria. Seja disciplinado ao falar. (Pais, não agradem seus filhos em meio a disciplina, dando a eles um mau exemplo enquanto está no processo de corrigi-los “ajudá-los”.)
v. 3-4. “Jó, você (não eu!) freqüentemente é aquela pessoa que está sempre falando e instruindo. E você tem sido um dos melhores nesta função. Você é um grande homem. Você tem ajudado e fortalecido muitas almas cansadas.”
*Jó tinha vivido desta maneira e ninguém podia repreender sua conduta. Aqui Elifaz dá testemunho da sua retidão. É muito melhor do que ser capaz de apontar para um padrão completo de erros. Que possamos nos manter na mesma trilha clara deste relato!
v. 5. “Jó, agora você não encontra conforto para si mesmo. Você não está praticando o que pregava. O confortador sem conforto. Médico, cura-te a ti mesmo!”
*Jó era um alvo fácil devido ao seu excelente caráter e visibilidade. Não pise num gigante (ou qualquer cristão) enquanto está caído. Antes, seja um ajudador, como o bom Samaritano. Busque edificar, não destruir. Cortar a cabeça de alguém não aumenta uma polegada da sua estatura.
*Jó experimenta o mesmo sofrimento de Cristo. “Cura-te a ti mesmo.”
*Elifas minimiza a severidade das aflições de Jó – “tocando-te”. É muito mais do que tocar, é ferir! Ele esperava que Jó não demonstrasse nenhuma emoção, que ficasse passivo. O que faria com que tudo isso não fosse realmente um teste, e Jó não fosse . considerado um homem normal. Seja cuidadoso em demonstrar carinho, simpatia, compaixão e consideração. Coloque-se no mesmo lugar da outra pessoa! Como seria melhor se Elifaz tivesse agido assim!
v. 6. (Tradução difícil, mas provavelmente...) “Jó, esta é a sua religião? È o que há de maior valor em sua religião. É para onde ela te leva e te deixa – desmaiar no dia da adversidade?” Não uma afirmação ou acusação, mas um questionamento.
*Inconscientemente, Elifaz se torna um tentador para Jó, dando a entender em suas perguntas que Jó poderia ser um hipócrita, que é exatamente o que Satanás tinha esperança de provar a respeito de Jó. “Seja um hipócrita! Volte-se contra Deus. Tenha coragem de amaldiçoá-lo.” Vamos guardar nossas palavras, para que não venhamos, na tentativa de fazer o bem, a nos tornar uma fonte de dificuldades, tentações ou pedra de tropeço para irmãos ou irmãs em tempos de adversidade.
III. Mais Aplicações
1. Cuidado em não se apressar no seu julgamento, tirando conclusões precipitadas. Henry admoesta: “Aqueles que são precipitados e sem amor, censurando seus irmãos e os condenando como hipócritas, fazem o trabalho do Diabo e servem os seus interesses, mais do que possam estar cientes.” É melhor permanecer em silêncio, quando em dúvida, do que arriscar-se, pela acusação precipitada (apressada), a causar um grande estrago.
2. Não julgue o caráter de uma pessoa por uma simples ação. Pessoas boas são capazes de fazer coisas muito estúpidas, ações e palavras tolas e tristes.
-Erramos ao julgar Jó por suas palavras de maldição no cap 3. O panorama geral é muito diferente.
-Erramos (provavelmente) ao julgar Elifaz por este discurso de acusação.
*Seja paciente, generoso e conceda o benefício da dúvida até que não haja mais uma boa razão para agir assim.
3. Devemos prestar muita atenção para a prática daquilo que pregamos. Nós todos não falhamos muito nisso, mais do que admitimos? Jó era culpado...e assim também Elifaz! – Ele veio para confortar, mas foi tão antipático, que seu conforto se tornou em pura miséria para Jó!
4. Cuidado com a inadequada e unidimensional visão de Deus que o leve a ficar sem explicações, sem esperança e sem conforto, restando somente a suspeita e a condenação. Se não tem uma boa resposta, não ofereça uma tola e pobre! (aguarde outra oportunidade.)
5. Maravilhe-se da graça de Deus que o sustenta quando está ferido na casa de seus amigos. Olhe para Ele. Você tem todo direito de esperar ajuda da parte de Deus, que se responsabiliza por tudo que acontece com você, pela Sua graça.
#15 O.T. Evangelho da Prosperidade
Jó 4: 7-11
Foi uma dura prova para Jó que o seu melhor amigo, Elifaz, fosse tão antipático e questionasse a sinceridade da sua fé. Ele ficou muito longe do conforto que veio trazer e daquilo que Jó esperava receber.
No texto, vem á tona o tema principal do debate que vai continuar. Na mente de Elifaz, o sofrimento de Jó só evidencia uma coisa: Deus está irado com Jó porque ele pecou. Dois assuntos, ambos do interesse dos três amigos, estão em pauta: A impaciência de Jó em suas aflições e as aflições por si só. “Pense no que elas implicam!” dizem eles.
I. Elifaz expõe sua opinião em dois pensamentos paralelos
1. Os homens bons nunca sofrem, v7. “Homens inocentes e justos (como você tem sido, Jó) não perecem, nunca são destruídos. Antes, suas vidas são plenas, felizes e tranqüilas.”
2. Os homens maus sofrem, v.8. “O princípio de plantar e colher se aplica aqui. Semeie iniqüidade e maldade – colha iniqüidade e maldade.”
V. 9 “Deus se vinga rapidamente contra os malfeitores. Ele os assopra para longe em sua ira.” Compare com o vento de 1: 19.
V. 10-11 Os leões representam, freqüentemente, as pessoas de grande poder, que abusam desta prerrogativa de maneira cruel e tirânica. Henry diz que o Hebraico têm cinco palavras diferentes para leão, e todas a cinco estão aqui. Tudo foi quebrado, espalhado e pereceu nas mãos da justiça de Deus. “Sendo eles tão grandes (como você, Jó) Deus os esmagou!”
Aqui temos o Evangelho da prosperidade no Velho Testamento! Ele não é novo. Enquanto este apelo parece soar errado aos nossos ouvidos, está, entretanto, compelindo multidões hoje em dia, e fez o mesmo com pessoas mal orientadas, até no tempo do Velho Testamento.
Por que tantas pessoas estão confusas a respeito disso? Porque há algum tipo de mérito neste caso.
II. O mérito no caso de Elifaz.
Em termos de eternidade, no que diz respeito a final e eterna destruição, o princípio é verdadeiro, ou seja: os justos nunca perecerão (porque Deus, que os fez justos, os conduzirá para a glória), mas os ímpios, (todos os incrédulos) perecerão e serão lançados eternamente fora da presença de Deus, no inferno.
O perigo: Todo erro contém alguma parcela de verdade a fim de ser aceito (até um relógio parado está certo duas vezes por dia). Minta raramente, caso sinta uma coceira para fazê-lo. De preferência, distorça a verdade, manipule, torça os fatos, ou como neste caso, aplique incorretamente. Então, a decepção virá!
III. A aplicação errada do seu argumento.
Aplicando princípios eternos no tempo apropriado. “Todas as calamidades temporais são devido aos pecados temporais.” (Tanto Jó quanto Elifaz, parecem pensar somente em termos do tempo aqui.)
Certamente, todo sofrimento é, em última estância, resultado do pecado (ex: o pecado de Adão e a maldição universal sobre toda a criação). Mas, ligar qualquer aflição que ocorra com algum pecado específico cometido aqui, não tem apoio das escrituras.
(Não fique confuso! Esteja sempre pronto para responder aos Elis da vida.)
Assumir que Deus sempre trata com os homens nesta vida de acordo com os seus merecimento.
Embora Ele possa tratar desta maneira com alguns, não temos base para assumir que Ele fará com todos.
Simplificação demasiada do princípio de semear e colher.
Falha em distinguir entre o fim e o imediato, o eterno e o temporal, o espiritual e o material (como é freqüente em nossos dias).
Brechas no caso:
1. O primeiro homem a morrer, morreu como mártir por causa da sua fé. Abel não morreu sendo porém inocente? Um padrão para milhões que viriam a seguir. Pense em Romanos - 8: 36-Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia.
2. A experiência prova que um mesmo evento ocorre com todos (Ecles. 9: 2), que nem sempre o julgamento é tão rápido como também nem sempre é administrado aqui (Ecles. 8: 11)
3. Jó não foi cortado, nem pereceu! O capítulo final da vida de Jó ainda não tinha sido escrito. O que Elifaz fez, foi nas melhores das hipóteses, um julgamento prematuro.
Observação:
1. Seja cauteloso ao tirar conclusões através das evidências de um julgamento baseado em fatos momentâneos ou mesmo no exercício da misericórdia. Ter a certeza, tendo somente isto como base, é impossível. Nosso melhor palpite, não passa de um palpite.
“Deus tirou a vida de fulano de tal como forma de julgamento pelo pecado de....” (Porém, deveríamos temer e estar atentos.)
A maneira como Deus trata com o homem em determinada ocasião nem sempre indica a natureza do seu caráter (homem).
Espere pacientemente para ver qual será o fim.
Aplique este princípio em sua vida, especialmente em tempos de tribulação.
2. Cuidado em não aplicar aquilo que geralmente ocorre com freqüência como uma regra universal que sempre deva ocorrer.
3. As religiões pagãs pensam como Elifaz. Atos 28: 3-6.
4. Não faça confusão entre o material e o espiritual.
5. Não julgue baseado em uma fase de experiência, mas num padrão de longo prazo.
6. As vezes Deus trata com maior rigor os seus amigos do que os seus inimigos, e isto por um determinado tempo e razão.
7. Alguns homens sofrem por causa dos seus pecados, alguns porque são santos! Sempre tenha um lugar em sua teologia para o último caso. Evite a visão unidimensional de Deus.
8. Um diagnóstico errado levará a um tratamento errado.
9. Alguns mistérios não podem ser solucionados sem que nosso entendimento receba ajuda. Somente a revelação nos mostra que as aflições podem ser uma prova de amor, um meio de graça e uma benção na angústia. (compare com a disciplina dos pais Prov. 3: 11-12).
10. Agradeça a Deus por ter punido Seu inocente e justo Filho para servir de resgate a nós! (Jó foi uma sombra de Cristo)
Evangelho da prosperidade não! Somente o evangelho!
#16 A visão de Elifaz
Jó 4: 12-21
Vimos a repreensão de Elifaz e sua unidimensional visão de Deus (falha em reconhecer os outros propósitos de Deus nas aflições). Agora veremos a sua visão ou sonho.
Se trata de uma passagem difícil em alguns aspectos. Importante por colocar alguns fundamentos para tudo o que veremos em seguida. Os 3 amigos estão entrincheirados na posição de que Jó está errado, por causa da visão da Palavra de Deus, que eles tem como certa.
Algumas possibilidades:
1. Elifaz realmente recebeu uma revelação de Deus. O conteúdo estava correto, mas a aplicação era errada. (Deus, naqueles dias, revelava verdades para homens desta maneira. Muito pouca revelação escrita. O teor disso tudo concorda com o que veremos mais tarde entre Deus e Eliú. Esta é uma visão tradicional de Deus.
2. Elifaz recebeu uma revelação, mas não de Deus. Isto deve ter sido um engano de Satanás para confundir Elifaz e para levar Jó a crer que Deus estava contra ele. (Esta mensagem contém verdades, mas somente parciais, nenhuma indicação de bondade, misericórdia, redenção, e nem da derrota de Satanás. Deus, mais tarde, irá acusar Elifaz por não falar o que é reto, cap. 42: 7-8. Tudo isso é parte do plano de Satanás para sabotar Jó). Este argumento não deve ser totalmente descartado.
3. Elifaz não teve realmente nenhuma visão, mas maquinou tudo isso a fim de tornar legítima sua posição equivocada de Jó. (Uma maquinação extravagante. A mensagem da visão era tão simples que não era necessário uma revelação para saber disto! Isso soa como as pessoas de hoje em dia que dizem: “Deus me revelou...” ou “Eu orei sobre isto e....”)
Respostas:
#3 Pode ser descartada, se cremos que Elifaz era um homem sincero e consagrado. Ele não poderia, em sã consciência, inventar tudo isso e apresentar como sendo verdade.
Quanto a mim, não consigo dizer qual das duas primeiras possibilidades é mais convincente. Este é um dos grandes mistérios deste livro. (Estou aberto a sugestões!)
[* Sejamos agradecidos a Deus por Sua completa e Inspirada Palavra! E temos, mui firme, a palavra dos profetas (II Pedro 1: 19). Assim como o seu Autor, ela é uma grande benção.]
Qualquer que seja o caso, podemos concordar que o princípio do que está escrito é verdade, mas o erro de Elifaz foi o de aplicá-lo na época errada na vida de Jó. Como Barnes diz: “Tudo o que foi dito estava de acordo com a verdade revelada nas escrituras, embora Elifaz a tenha pervertido a fim de provar que Jó era hipócrita e mentiroso.”
Outra dificuldade: Qual parte diz respeito a mensagem da visão? V. 17 somente ou v. 17-21? Resposta: Não temos com saber. (Felizmente, isto não faz diferença alguma.)
I. O cenário da visão, v. 12-16.
Não é necessário muita explanação. Note que ele não diz que foi Deus quem falou, ele não conseguia ver quem era! V.16. Simplesmente uma voz. Mas de quem? (Talvez Elifaz mesmo não soubesse!)
II. A mensagem da visão, v. 17.
Deus, que é a essência da vida, o doador da vida para a sua criação, é maior do que suas criaturas caídas. O homem, que é mortal (sujeito a morte por causa do pecado) nunca poderá ser mais justo ou reto do que o Deus imortal (sem pecado) que o fez.
Desde que todas as coisas procedem da pureza de Deus, seria possível que qualquer criatura O superasse em Sua pureza? Nunca! Deus é infinito e nós somos finitos, assim como caídos. Tudo isso é verdade, mas:
Implicações: “Jó, você pretendia ser mais justo e puro do que Deus. Este é um grande erro da nossa parte.” Entretanto, Jó nunca declarou nada semelhante a isso. Ele, como um homem regenerado, nunca pensou em tais coisas!
*Vamos nos preocupar não somente em dizer a verdade, mas aplicá-la corretamente. Esta não era a verdade que Jó precisava ouvir naquele momento. Falar isto, implicava que ele não conhecia, acreditava ou tinha dito o contrário disto. Seja cuidadoso quanto as implicações e aplicações que você faz.
Compare Atos 21: 11. Seja cuidadoso quantos as suas conclusões. Não seja apressado!
*Não seja precipitado para repreender. (Na verdade, você encontrará pecado em toda pessoa que você conviver por algum tempo, mas não é necessário repreendê-la a todo momento.) Sim, Jó falou inadvertidamente, mas seja benevolente com ele! – Se trata de alguém muito angustiado. Elifaz, de maneira irrealista, espera que ele sofra todas estas calamidades sem ao menos notá-las.
III. A visão reforçada, v. 18-21.
V. 18 Servos ou anjos acusados de loucura, tolice? Obviamente, são aqueles caídos. Mas isto se refere provavelmente aos não caídos. Eles são (foram) sujeitos a caírem, finitos, vãs e vazios, comparados com Deus. (Conhecimento imperfeito: Efésios 3: 10; I Pedro 1: 12; Lucas 15: 10) Deus é independente dos seres criados. Nada podemos acrescentar á Ele.
V. 19. Do maior para o menor. “Se Ele não precisa dos anjos, e se eles estão infinitamente mais abaixo dEle, quanto menos ainda precisa dos homens, Jó! ....Quão infinitamente mais abaixo dEle nós devemos estar?!” Esta distância deve ser bem maior. Nós temos corpos, seres formados de espírito e poeira. Somos frágeis, fracos, sujeitos a decadência e a morte física a qualquer momento.
V. 20. A morte é um procedimento padrão e operante para nós (diferente dos anjos). Não somos nada! (Vaidade = Aquilo que carece de sentido ou valor - Eclesiastes.)
V. 21. Na morte, tudo se perde! Somente uma concha vazia é deixada. Morremos com menos sabedoria do que os anjos, que são taxados de tolos!
Aprenda:
1. Cuidado como você liga os pontos. Diagnóstico errado, tratamento errado. “Este julgamento é de Deus. Jó deve ter pecado. Jó, você tem que se arrepender! Deus é justo!” Deixe um lugar para poder respirar quando treinado por Deus, mesmo diante de desafios satânicos.
2. Princípio: A verdade, ainda que erroneamente aplicada, é muito melhor do que o erro em sua totalidade. Peça sabedoria a Deus para falar e aplicar a verdade corretamente em cada situação.
3. Não pense que já sabe de tudo! Não haja como quem já sabe tudo. Admita sua ignorância. Sabedoria: Reconhecer quão pouco nós sabemos.
4. Não pense o pior a respeito dos outros. O amor não suspeita mal. Não pensa mal.
5. Não condene totalmente uma pessoa por causa de uma ação ou palavra. Neste padrão, ninguém seria considerado como redimido! Cuidado com o espírito excessivamente crítico.
6. Mostre compaixão diante do sofrimento. Esta não é a ocasião apropriada para repreensões.
7. Vigie suas palavras! A explosão de Jó no capítulo 3 foi errada e levou a esta repreensão. Não murmure contra a providência de Deus, não fique descontente. Isto pode ser tomado como “Eu sou mais sábio, reto e puro do que Deus.”
#17 O conselho de Elifaz
Jó 5
Um longo discurso num livro longo. Talvez seja a maneira de Deus ressaltar o ponto todo; sofrimento é insuportavelmente longo! Paciência é levada ao seu limite!
Elifaz, um enigma. Como ele poderia ser um amigo tão bom, um dos mais consagrados homens da terra, e ainda assim ser tão falho em trazer conforto a Jó? Por que ele foi tão insensível e tinha uma visão tão curta (unidimensional)?
*Você procura confortar seus amigos? Vamos aprender através dos pontos fortes e fracos de Elifaz para que não venhamos a causar mais estrago do que fazer o bem. Ore diariamente por sabedoria!
Algumas qualidades admiráveis: Sincero, honesto, firme e possuía muito conhecimento dos caminhos de Deus. (Não o tenha como um ignorante.) Mas também: Apressado, não muito amoroso e simpático e falava como se possuísse todo conhecimento dos caminhos de Deus. Era autoconfiante, confuso, mas achava que era esclarecido.
As vezes declarava muitas verdades, embora em outras ocasiões, se parecesse com um carismático moderno.
Seu grande erro estava na aplicação das verdades que ele conhecia... assumindo que todos os princípios eternos de justiça são aplicados de acordo com o tempo e as regras de medida dos homens.
*Vamos fazer a correta aplicação da verdade que conhecemos – Primeiro para nós mesmos e depois para os outros.
Lembre-se que neste estágio da história, os homens estão aprendendo a respeito de Deus, sem terem uma revelação escrita. Sem as escrituras para apelar.
Análise do conselho de Elifaz no capítulo 5.
1. v. 1-7 Mais evangelho da prosperidade. “Simplesmente plantar e colher aqui e agora.”
v. 1 O favorito dos Romanistas para ensinar a oração aos santos. Mas, há somente um exemplo na Bíblia da oração dirigida a um santo que já partiu. Lucas 16 (Literal?) onde o rico pede duas vezes a Abraão (por uma gota de água e depois por um mensageiro), cujos pedidos foram negados!
Lemos muitas vezes nas escrituras que há somente um Mediador, um Advogado, ninguém vai a Deus exceto por Ele (I Timóteo 2: 5; I João 2: 1; João 14: 6).
O apelo sugerido aos santos não era par ajuda ou proteção, mas como exemplo. “Jó, nenhum santo sofreu como você está sofrendo. Ninguém passou por isso antes. Portanto, você deve estar errado de alguma maneira!” Sem dúvida, em alguns aspectos isto é verdade. Jó deixa pegadas em um caminho novo; nós o seguimos e voltamos muitas vezes para ouvi-lo novamente.
Novamente, Jó é uma figura de Cristo, que foi assim tentado. Salmo 22: 4-6.
v. 3 “É verdade, o ímpio pode prosperar por um tempo, mas isto logo acaba.” Mas, Elifaz não pode ver o oposto! – o justo pode sofrer um pouco (I Pedro 5: 10).
v. 4 Quão insensível e cruel! Culpando a Jó pela morte dos seus filhos.
v. 5 Culpa Jó pela perda da lavoura, animais e riquezas. “Julgamento de Deus!” (na verdade foi Deus, mas não da forma como Elifaz pensa! Não tinha o conceito de que os filhos obedientes de Deus as vezes passam alguns semestres na Sua escola de aprendizado!)
v. 6-7 “Não foi um evento inesperado. O sofrimento é dado a todo que é nascido neste mundo.” (V.7 parece suavizar um pouco a margem fina. A aflição comum a todos. Elifaz parece confuso!)
Problemas com o evangelho da prosperidade – pois assume que as bênçãos de Deus são um direito, não dons, recompensas ou favor imerecido. Deus não deve nada ao homem.
2. v. 8-16 O caminho de Deus com o homem.
v. 8 “Isto é o que eu faria....” como se Jó não houvesse feito isto!
*Não seja apressado em dar conselhos ou dizer o que você faria. É fácil falar, até que nos encontremos em circunstâncias desconhecidas para nós. Você já não ficou tristemente surpreso com você mesmo antes? Humildade. Conheça você mesmo.
v. 9-16 Muitas verdades. v.13 citado em I Coríntios 3: 19. Mas não é relevante para a situação em que Jó se encontra. A verdade de uma declaração não justifica a sua aplicação errada.
Elifaz, um teólogo de banco. Frio, distante e pretensioso: expõe sua “filosofia do sofrimento” de maneira antipática, distante e fria. Um amador que nunca passou por tal experiência! Os melhores confortadores são aqueles que já passaram por algum sofrimento (II Coríntios 1: 4).
3. v.17-18 Elifaz no seu melhor.
O mais perto que ele vem de um real conforto, esperança. Citado no Salmo 94: 12, similar em Provérbios 3: 11-12 (Hebreus 12: 5-6). Dica de misericórdia! Misericórdia freqüentemente vem encoberta, disfarçada! Correção precede as bênçãos. Mantenha isto em vista.
Mas, como acontece com muitos, esta declaração pode ser interpretada de diversas maneiras. Será que Elifaz queria dizer a Jó que ele deveria sempre sentir alegria e nunca demonstra nenhuma dor ou pesar? (Se for isso, que espírito crítico ele deve ter tido em resposta a esta situação tão grave e séria?!) * Como dizemos certas coisas, e o que pretendemos com isso, é tão importante quanto o que falamos. Ore por sabedoria! Busque desenvolver discrição e diplomacia.
5. v. 19-26 De volta a uma visão unidimensional.
“Viva sempre alegre!” Como se você vivesse em outro mundo! Como a utopia retratada nas revistas “Torre de vigia – Testemunhas de Jeová”
v. 25 Insensível. Como soou dolorido aos ouvidos de Jó!
*Esta não é a verdade toda. Deus cuida e sustenta os Seus. Ele nos preserva de acordo com Sua vontade. Ao invés de nos privar das aflições, Ele nos fortalece, nos sustenta, nos purifica no fogo das aflições e nos livra delas de uma maneira ou de outra.
5. v. 27 “O caminho é este. Q.E.D. O qual já foi demonstrado”
“Eu trabalhei neste assunto e fiz um cuidadoso estudo sobre ele. Ouça e aprenda. Isto é para o seu bem, Jó.”
Certamente que isto não prova por si só ser verdadeiro. Confiança no erro. Tome cuidado com a autoconfiança. Esteja certo de estar se baseando na Palavra de Deus, não na sua própria opinião, não importando o quanto você se sinta seguro dela.
Observe:
Elifaz não suspeitou nenhum pouco de que pudesse ser uma ferramenta de Satanás para agravar a tentação de Jó.
Como Pedro. Alvo de Satanás: Nos separar de Cristo, questionar Sua bondade e justiça.
Esteja certo de que tenha algum lugar em seu sistema de crenças para dizer: “Provações podem vir sobre aqueles que já são obedientes. Deus tem propósitos que não entendemos neste tempo presente.”
Isto era uma coisa que Elifaz não podia dizer por si mesmo. Era simplista em extremo.
Nós precisamos de um sistema de teologia cujo coração não seja frio e indiferente, mas de carne e osso, completo, profundo, vivo e com uma alma. Compare João 9: 2, interesse especulativo versus, simpatia, que Cristo manifestou.
Certifique-se de que esteja falando a verdade no tempo e no espírito correto.
#18 A ira de Jó
Jó 6
Elifaz pensou que havia feito uma completa e inquestionável argumentação, 5: 27. (Note o que ele fala aos outros.) Embora ele se faça perfeitamente entendido, e não tão ofensivo quanto poderia ter sido, ele, entretanto, falha em oferecer conforto e é muito simplista, super confiante e distante. Vagas acusações, insinuações e generalidades não específicas.
*Convicção do Espírito Santo e usualmente precisa, específica e definida. (Elifaz, a despeito de suas boas intenções, se torna um acusador, como o próprio demônio.)
Agora Jó responde.
Resumo: “Particularmente Jó, em tudo isso, falou muitas coisas razoáveis, mas com uma mistura de fortes emoções e enfermidade humana. E neste contexto, como na maioria dos contextos, há falhas dos dois lados.” (Henry) Jó estava certos em alguns pontos mas errado em alguns aspectos. Santificado, mas não sem pecado.
1. Jó se defende, v. 1-7.
As lamentações de uma alma em profunda dor – e aprofundando-se.
* Há ocasião para a autodefesa. Mas, precisamos de sabedoria para saber quando e como.
v. 2-3 “Você diz que eu não sei lidar com a calamidade (4: 5). Mas, você não sabe quão grande é a minha dor e sofrimento. Estes não são pequenos montes, mas grandes montanhas. Mais pesados do que areia molhada! Portanto, longe de ter falado muito, eu não falei tudo o que poderia ser dito! Eu tenho engolido mais palavras do que dito1” Dor insuportável.
*Não subestimemos o grau e a intensidade e das provações de outros.
*Esteja certo de ter entendido o caso antes de tratá-lo. Elifaz apressou-se em responder (depois de 7 dias de silêncio!).
v. 4 “Deus tem Sua mão nisso. Fui atingido por flechas agudas, Seu exército está contra mim.” Note que ele não culpa Satanás (como sendo uma autoridade maior).
* Mas esta é a pior aflição de todas, sentir o terror do Senhor, ser tratado como Seu inimigo! Durham: É uma das maiores alegrias ter Deus como nosso amigo, e uma das piores misérias tê-Lo como nosso inimigo.”
* Jó aqui é uma figura do nosso Senhor Jesus Cristo, quando Sua alma agonizava, diante da cruz. Veja João 12: 27, Mateus 26: 38 (Getsêmani). Nenhum sofrimento é tão severo quanto estar sob a ira de Deus! Sabendo que isto vem da parte de Deus é amargoso (Isaías 53: 10a.)
* Lembre-se, em Cristo, Deus não é nosso inimigo! Isto é engano e dúvida plantado por Satanás. Deus é por nós! Cristo na cruz é a prova disso. Dúvida, ira, autopiedade são assaltos do maligno contra a nossa alma. (Espere ser tentado e testado da mesma maneira.)
v. 5-7 “Eu não tenho reclamado injustamente. Suas palavras só acrescentaram mais motivos as minhas queixas! Elifaz, as suas palavras tem um gosto tão bom quanto a clara do ovo. Mas o meu prato está cheio de coisa alguma, exceto de coisas insípidas. Estou verdadeiramente desesperado!”
Resumo: “Eu não estou sendo irracional, tenho boas razões para as minhas queixas.”
2. Jó reitera seu desejo de morrer, v. 8-13.
Para a nossa admoestação, não para imitarmos!
Ele deseja isso (v. 8). Reconhece que somente a mão de Deus o sustém (v. 9). “Eu ficaria tão feliz se morresse. A morte parece muito melhor do que a vida!” (v. 10a, ou deveríamos ler um pouco mais sobre isto?). “Eu me apegaria a morte - deixe que ela venha! (v. 10bc). “Minha consciência é clara. Eu tenho falado a verdade a respeito da minha situação (v. 10d.)
v. 11 “Não há mais esperança para mim nesta terra. Estou além de qualquer recuperação. Não há mais necessidade da minha existência. Minha utilidade já se foi.”
* É verdade, se nosso trabalho acabasse, não haveria mais motivo para permanecermos aqui! Mas, nunca assuma que sua utilidade tenha acabado! Não podemos ver o futuro. Embora possamos estar nos minutos finais da prorrogação, Deus pode fazer muita coisa nos minutos finais! Ele pode pedir que você fique e faça umas horas extras.
v. 12-13 “Eu não sou invencível, permanente; Eu sou fraco, frágil, temporário e passageiro. Meus recursos se esgotaram, não sobrou nada.”
* Seja cuidadoso com o que você pede em oração. Você pode estar pedindo algo incorreto (ex: errôneo) por motivos egoístas, que são um insulto a Deus e um mau uso do privilégio de orar.
* Seja paciente. Espere em Deus. Romance da vida Cristã: Você nunca sabe que bênçãos podem estar reservadas para você!....bem pertinho de alcançá-las.
3. Jó expõe os maus tratos da parte de seus amigos, v. 14-30.
v. 14 “Vocês deveriam demonstrar compaixão (lit. misericórdia) e ser verdadeiros amigos.”
* Um dever que acompanha a amizade: ter compaixão do aflito. “A maior da misérias é não ter um amigo que se simpatize conosco em nossas tristezas.”
*Novamente, como nosso Senhor no Getsêmani: Nenhum amigo para apoiá-lo, sustentá-lo, encorajá-lo, encorajá-lo e ter compaixão. Totalmente só. (Pense em Paulo na sua primeira audiência.)
v. 15-20 uma ilustração mais abrangente. Um riacho que surge da geada e do tempo úmido: das camadas de neve. Parece ser bom, mas lamacento, impróprio para beber e logo seca-se. Uma esperança para os exércitos fatigados que a ele se atiram. Promete algo que não pode realizar. Assim eram os três amigos: enganoso (v13) e assim Jó fica confundido (v. 20 confuso e envergonhado).
[Note que Jó os chama de meus irmãos! Era mais amigo do que eles eram.]
v. 21 “vocês vieram para nada! A compaixão demonstrada, que parecia tão promissora, quando chegaram há uma semana, se secou. Agora vocês tem receios de me chamar de amigo, para que eu não peça nenhum favor a vocês. Não tenho pedido nada (v. 22-23), além de um pouco de simpatia!”
v. 24-25 Um pedido sincero: “Mostre qual é o meu pecado. Palavras de verdade e carregadas de peso. Vocês não podem provar nada do que tem dito.”
v. 26-27 “Vocês encontraram pecado em minhas palavras, mas eu tenho falado a verdade, e além disso, palavras não são nada comparadas a deslealdade para com o seu velho amigo Jó.” (v. 27 uma metáfora usada para ilustrar o pecado). Vocês estão tão focados em corrigir cada sílaba minha, que negligenciam a forma desleal com que me tratam e me acusam.”
v. 28-30 Exortação: “Faça a gentileza de olhar para mim: Minha face se parece com a de um mentiroso? Reveja seus conceitos, pense corretamente, não de forma errada. O que há de incorreto no que falei? Será que eu não tenho discernimento para saber quando alguma coisa errada é dita?”
Observe:
1. “Sem esperança. Ninguém se importa. Nenhuma razão para viver. Deus é meu inimigo.” Estas são as armas da tentação. Fique em guarda contra elas. Reconheça-as e se oponha a elas. Arme-se com a verdade e com a preceptiva eterna.
2. Temos a tendência de reforçar nossa posição, ao invés de abandoná-la, mesmo que seja errada. (Elifaz, com certeza, mas Jó no seu desejo de morrer.) Jonas, fazes bem que assim te ires?”“ Faço bem que me revolte até a morte.” Seja rápido para detectar e abandonar o erro.
3. Jó um homem irado. Nem toda a ira é pecado. Tente manter o eu fora de cena.
4. Recebemos menos do homem do que esperamos, mas muito mais de Deus! Ele faz mais do que pensamos! Os homens nos despontam, mas Deus, nunca!
5. Seja paciente com os irmão na fé que passam por tribulações. Não espere perfeição e nem julgue cada pequena palavra. Olhe para o quadro geral. Seja um genuíno confortador. (Procure a ocasião certa para a repreensão.)
#19 Ansioso pela morte
Jó 7
Dificuldades na interpretação. Algumas passagens admitem mais de uma interpretação ou atitudes da parte de Jó. Queremos ser justos, errarmos para o lado da generosidade, sem negligenciarmos seus erros. Certamente há algumas grandes verdades, mas misturadas com enfermidade humana, ira, impaciência (embora ele agora seja conhecido por sua paciência!). *Não ocorre o mesmo conosco? Nossas melhores ações misturadas com muito do nosso ego. Num momento nós louvamos, no outro, murmuramos. Oh, como é difícil ser sempre constante nas ações de graças!
Cap. 6 – “Meus problemas são piores do que você imagina. Eu tenho o direito de desejar a morte. Vocês não servem de conforto algum.”
V. 1-6 Jó continua a se queixar com Elifaz.
Desespero, 6: 26. Consumido pelo seu desejo de morrer. Porém, mais como um escape do que como uma esperança positiva.
v. 1 Perguntas retóricas. Guerra. Como um soldado mercenário (contratado), que é pago para lutar apenas num certo período de tempo. “Não seria o término do meu tempo? Já não lutei e servi o bastante?...tempo de passar em revista?
v. 2-3 Comparações. “Servos aguardam ansiosos o fim do dia a fim de descansarem. Os assalariados aguardam o pagamento. Da mesma forma, eu estou ansioso para chegar este fim. Mas, ao invés disso, meses de vazio, inutilidade e futilidade continuam a vir. Eu nem mesmo consigo descansar a noite!”
v. 4 A noite não oferece descanso e forças, apenas temor e insônia.
Note o v. 3 preparam. Embora em um estado desesperado de espírito, Jó não perdeu totalmente a perspectiva, ainda reconhece que é Deus prepara todas estas provas. “Ele tem um propósito pré-programado e alguns desígnios para mim”
*Mantenha em mente o fato de que Deus está no controle! (e agradeça a Ele pela boas noites que você tem.)
v. 5 A doença física tem cobrado o seu preço. Coberto de úlceras, as vezes vertendo líquido, as vezes formando crostas e ficando expostas. “Este tipo de lepra (Elefantíase?) tem me deixado dolorido, cheirando mal, feio e um abrigo para proliferação de vermes.”
*Não coloque muita ênfase neste corpo. Não seja orgulhoso de sua beleza e aparência. Ela logo murchará, podendo se tornar muito feia e doente, curvada e quebrada. Um dia você poderá vir a detestar o corpo que agora mima!
v. 6 “Minha vida tem rapidamente chegado ao fim.” (Sem dúvida ele se arrastava naqueles dias.) “Agora eu não tenho esperança... até onde eu entendo a vida neste mundo. Eu já era.”
*Não enfatize demasiadamente a vida neste mundo, mantenha a perspectiva eterna. Lá está a nossa esperança! Olhar somente para esta vida é exercitar-se na falta esperança. Tudo está sob maldição, até mesmo os melhores prazeres e alegrias são temporários. “Cada sorriso termina som um suspiro.”
Resumo: “Você não deveria ser tão duro comigo por desejar a morte, eu sou realmente miserável.”
V. 7-21 Jó faz as suas queixas para Deus.
v. 7 Implica num discurso dirigido a Deus, juntamente com o v. 12b
v. 7-11 Resumo: A morte é uma coisa horrível a ser considerada, mas é melhor do que a vida que estou vivendo agora.”
v. 7ª Um clamor por misericórdia, para ser lembrado. “Lembre-se, olhe quão fraca e frágil minha vida está. Conhece a minha estrutura; lembra-se de que sou pó.” (Salmo 103:14)
v. 7b “Eu não viverei para ver mais nada de bom na terra.”
v. 8 “Ninguém mais me verá. Eu morrerei com os teus olhos terríveis a me contemplar, Oh Deus!”
v. 9-10 “Minha vida é um vapor, que aparece e logo se desvanece. Uma vez que se desvanece, nunca reaparece. Não retorna.”
*Passamos por este caminho apenas uma vez. Morrer dá trabalho só uma vez e, portanto, tem que ser um trabalho bem feito.” (Henry)
v. 11 “Portanto, Eu estou certo de dizer o que estou dizendo, até mesmo para Deus!”
Não podemos desculpar Jó aqui, mas podemos entendê-lo. É melhor se queixar com Deus do que se queixar de Deus!
É muito melhor responder como Davi no Salmo 39 (especialmente v. 9). Emudeci; não abro a minha boca, porquanto tu o fizeste.
Pergunta: Por que tão pouca ênfase na perspectiva eterna? (Apesar de tudo, Jó tinha algum conhecimento dela.)
A. Quando em meio a duras provações, nós temos a tendência de nos focarmos nelas e neste mundo. Embora o sol de Jó estivesse obscurecido, ainda não era um eclipse total! Ele ainda ora!
*Por que empregamos tanto a nossa vida neste mundo passageiro? Com tantas passagens das escrituras para nos ensinar, nós não temos desculpas de perder a perspectiva quando passamos aflições.
*Admire a paciência de Deus, Devemos ser pacientes com aqueles que, em sua tolice, explodem durante as aflições.
v. 12-21 Uma série de perguntas dirigidas a Deus. Todas implicam em descontentamento com Providência, mas misturadas com confissão de pecado e um desejo de perdão.
v. 12 “Eu sou um monstro, caçado para ser morto.”
v. 13-16 Novamente, sem conforto ou paz quando do descanso do sono da noite. Pesadelos. “Eu odeio minha vida e ela se tornou, Deixe-me morrer! Deixe-me chocar-me com a morte, tire o fôlego da minha vida!”
v. 17-18 A pequinês do homem. Similar ao Salmos 8, falado em meio a assombros e adoração, porém aqui, num tom mais de ira. “Deus, por que estás tão interessado em mim? Sou tão pequeno, e o Senhor tão grande. Por que se aborrece comigo? Por que me envia provações?”
v. 19 “Olhe para outro lado e deixe-me respirar!”
v. 20 Confissão (boa coisa!), mas ainda não como aquela do capítulo 40: 4-5. Esta é mais teórica e parcial. Ainda em forma de queixa. “O que eu fiz? Por que sou seu alvo?”
v. 21 Pedido de perdão (boa coisa!)... mas ainda com muito do eu em vista?
“Se eu morrer em meu pecado, estarei eternamente sem esperança.” *Pensamentos de morte nos preparam para sabermos que nossos pecados estão todos perdoados.
Observe:
1. Este é o ponto mais baixo que um santo pode atingir. “Fim da vida = fim das tribulações.” Uma verdade somente para os cristãos. Escolher a morte ao invés do pecado (como os mártires), porém, escolher a vida e o serviço a Deus ao invés de escapar das tribulações.
2. Não esqueça as misericórdias passadas. Não presuma que não haverá futuras misericórdias aqui. Seja agradecido pelas pequenas bênçãos, até mesmo por uma boa noite de descanso.
3. As provações fazem brotar o melhor e o pior em nós, normalmente as duas ao mesmo tempo. O mais forte dos santos não está isento de pecar, assim como mais fraco, não está sob o domínio do pecado.
4. Combata o combate da fé versus sentido. Fé: “Provações são boas.” Sentido: “Provações são más.” Esta é a guerra! Pense biblicamente! Renove bastante a sua mente na Palavra de Deus.
5. Não deixe que a brevidade e provações desta vida faça de você uma pessoa amarga contra a vida e contra Deus.
Descontentamento com providência = discutir com Deus. “Melhor morrer orando e louvando do que morrer queixando-se e brigando.” (Henry)
6. Embora Jó estivesse impaciente aqui, ele iria crescer no final em paciência. Testado. O final é que importa.
#20 “Hipócrita injusto!”
Jó 8
Bildade tenta novamente ter acesso a Jó. Como os mensageiros no capítulo 1, seus amigos se revezam numa rápida sucessão.
(Se Jó tivesse respondido como Davi, no Salmo 39, Talvez Bildade não falaria.
Entretanto, *o erro de Jó não serve de desculpas para eles. A responsabilidade é pessoal.)
Resumo: Ele fala muitas verdades de maneira abstrata, mas falha na aplicação. Ele pensa muito no tempo presente e muito pouco na eternidade. Ele não diz nada de novo, mas fala com mais rigor e menos simpatia do que Elifaz. Primeiras palavras: “Cala a boca, seu saco de vento!” v. 2. (ele deveria ter demonstrado misericórdia, 6: 14)
*Quão rapidamente os amigos podem ofender!...virar-se contra e desapontar.
V. 3-7 “Jó, você não é justo, nem reto.”
v. 3 “Você espera que Deus torça a Sua justiça por tua causa?” Correto, mas não era o que Jó precisava ouvir. Sob a aparência de conforto, Bildade está condenando.
*Nós somos pobres juízes da justiça Divina. Compare Lucas 13: 2, 4. Quanto o pseudo-discernimento não passa de orgulho disfarçado! “Eu conheço Deus melhor do que você. De fato, eu sou como um deus para você.”
v. 4 A sentença mais cruel, vazia de todo tato.
v. 5-7 “Você precisa se arrepender. Arrependa-se e tudo vai se acertar, as suas circunstâncias serão corrigidas imediatamente.”
Bildade tinha um lugar em sua teologia para o pecador arrependido ser abençoado, mas não para o homem justo ser provado. Mas, como Henry diz: Aflições Extraordinárias nem sempre são formas de castigar os pecados Extraordinários, mas, algumas vezes, a prova de graças extraordinárias.
Ele presume que Jó não seja um homem de oração, v.5, *Não presuma o pior dos outros, deixe que as evidências falem por si mesmas. (E esteja certo de que saiba quais evidências deve procurar!)
Deus sempre dá alívio imediato? A fórmula de Bildade: Os injustos sempre são julgados nesta vida; todos os que estão sendo julgados, são injustos.
Interessantemente, Deus dá a volta, mas isto ocorre mais tarde (no cap. 40).
V. 8-10 Apelo a história, tradição
“A história prova que minha posição é correta. (Nós somos meninos quando comparados com as gerações que viveram centenas de anos, e ajuntaram mais conhecimento.)”
Mas e quanto a Abel, que morreu jovem, como um mártir? E Caim que viveu muitos anos, embora sendo mau? E Enoque, cuja mensagem de julgamento deve ter lhe causado ameaças e rejeição?
V. 11-19 O legado dos hipócritas (em 3 ilustrações)
1. Junco, espadana ou papiro, v. 11-13. “Começa em lodo, floresce, mas bruscamente morre por simples causas naturais. Assim ocorre com o hipócrita. Os hipócritas não têm esperança.” Assim Jó é tido e tratado como sendo um hipócrita. Sem esperança.
2. Teia de aranha, v. 14-15. “A aranha trabalha muito e tece uma teia, mas ela é frágil e facilmente destruída por qualquer transeunte. Assim ocorre com a casa do hipócrita.” Como se a casa terrena fosse a única esperança! Tudo o que Bildade pensa é baseado nas coisas terrenas.
3. Árvore, v. 16-19. “Tem a aparência de forte e de raízes bem firmes! Mas quando desarraigada, o lugar onde estava fica completamente coberto. Não há mais memória dela. Outras vem a crescer no mesmo lugar. Assim acontece com o hipócrita.” Muita verdade é dita aqui, como no Salmo 37: 35-36, mas não era o que Jó necessitava.
Ponto de vista de Bildade: “Jó, os hipócritas injustos sempre caminham da riqueza para a pobreza.”
*Desmascarar um hipócrita é um esporte popular. Cristo corretamente fez isto. Esteja certo de você não é um Fariseu! (Bildade foi alguém injusto aqui, apesar de tudo!)
V. 20-22 Resumindo o Argumento: Evangelho da Prosperidade.
Problemas com o evangelho da prosperidade: Está correto em uma parte! Muitas passagens dizem o mesmo, como Salmos 112; 128. Mas, considere:
- Devemos sempre deixar um lugar para exceções como a de Jó. (Deus é muito grande para caber em nossa caixa!)
- Estas promessas do Velho Testamento tinham uma implicação de âmbito nacional, para Israel, enquanto eles fossem obedientes. A terra prometida, etc.
- No Velho Testamento, estas promessas tinham implicações espirituais, como nós hoje somos a semente espiritual de Abraão.
* Seja cuidadoso na aplicação de verdades eternas para época de hoje, elas nem sempre se aplicam.
Observe:
1. Há uma maneira de apresentar a verdade e defender a Deus que é cruel, dura e sem amor. Seja misericordioso (I Pedro 3: 8), tenha compaixão daqueles com quem você fala.
2. É mais fácil aprender a verdade, repetir a verdade, do que sabiamente aplicar a verdade.
3. Imagine a pressão que Jó estava sofrendo, sabendo que estavam olhando para sua prosperidade exterior a fim de avaliarem sua piedade. Não coloque outros sob tal pressão, pois se trata de uma regra de medida sem sentido e desprovida de fundamento bíblico!
4. Não se alegre com os erros alheios (quer sejam reais ou imaginários). Isto é uma marca de imaturidade. (Não faça piadinhas a respeito, mesmo que seja verdade).
5. Não meça a sua maturidade pelas evidências de suas orações atendidas. (v. 5-7) Não há dúvidas de que Jó estivesse orando, mas suas orações ainda não tinham sido atendidas. “Não julgue o Senhor pelos seus sentimentos de fraqueza...”
6. Seja paciente, espere pelo tempo de Deus. Aguarde a justiça eterna, se necessário. Somente a eternidade é que irá desvendar completamente a justiça de Deus. Não podemos forçar Deus a cumprir o nosso calendário!
Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo.
7. Não deixe que eu raciocínio seja apenas terreno. Tempo versus eternidade. “Deus não abandona um homem justo, pode abandoná-lo por um tempo, mas não para sempre (Isaías 54: 7-8). É verdade que, ainda que não seja neste mundo, mas no vindouro, a boca do justo se encherá de alegria. Embora o seu sol possa estar nebuloso pela presença de nuvens, surgirá novamente em pleno esplendor, para nunca mais ser obscurecido” (Henry) Abatidos, mas não destruídos (II Coríntios 4: 9). “A fé não é a maneira pela qual a nossa cruz nos é tirada, mas a maneira pela qual a tomamos.” (Mike Mason)
8. O evangelho da prosperidade nos deixa sem esperança. Não precisamos dela....tudo é pra agora, neste momento...não no futuro ou na eternidade. “Deus não manterá esta regra aqui. Aquele de quem Ele é o Pai e Salvador vive numa vida de calmaria e descanso aqui? Isso não faria sentido para nós. Por exemplo: Se em nossos dias os homens bons fossem tratados gentilmente nas mãos de Deus, tivessem tudo o que desejassem, e o ímpio fosse duramente punido, onde estaria a esperança dos últimos dias? (Calvino)
9. Pense em Cristo na Cruz, sofrendo mais do que Jó: Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos. Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus. (Mateus 24: 42-43). Deus o livrou de muito mais, até mesmo da sepultura! (Mas os sacerdotes, anciãos e escribas tinham um calendário como o de Bildade!)
#21 Jó responde a Bildade
Jó 9
Não podemos deixar de ter compaixão de Jó. A miséria prolongada, juntamente com o contínuo ataque dos seus amigos, o levaram a exaustão. Sua fé foi abalada. Deus parece distante. Ele deseja a morte a fim de escapar da aflição. Talvez o melhor resumo destes dois capítulos seja a passagem do capítulo 10, verso 15: farto estou da minha ignomínia. Ele não está falando diretamente a Bildade (como num argumento pessoal), mas mantém Deus como o foco da discussão. Aqui vemos algumas declarações importantes e outras não tão grandes.
I. A grande questão, v. 2.
Jó admite que muito do que Bildade fala, seja verdade, ou seja: Deus pune os malfeitores e recompensa os justos. Porém, há mais a ser dito a este respeito.
“Como o homem se justificaria para com Deus?” “Como alguém pode até mesmo se aproximar dEle?”
Eu não considero isto como uma reclamação contra Deus (como se Ele fosse tão restrito), mas antes uma genuína confissão da pecaminosidade do homem e a falta de\esperança em si mesmo. Jó está se humilhando diante da grandiosidade de Deus.* Um lugar seguro para se estar! Talvez a resposta das perguntas do cap. 8, v. 3. “Bildade, todos nós somos pecadores!”
II. O grande poder e sabedoria de Deus, v. 3-13.
v. 3 “Se entrarmos num debate com Deus, Sua sabedoria nos deixará sem palavras.”
V. 4 “Sabedoria e poder pertencem a Ele. Opor-se a Ele é uma proposição perdedora. Eu não sou tão tolo para lutar contra Deus!”
v. 5-10 Demonstrações do grande poder de Deus:
Montanhas (dilúvios), terremotos, eclipses e dias nublados, atmosfera, mares, universo distante (estrela: Ursa maior, constelação de Orion, (Plêiade) Sete estrelas, e todas aquelas do hemisfério sul). A primeira de várias passagens neste livro que detalham a criação. Resumo: v.10 Estas são apenas algumas poucas!
*Quem ousaria resistir a tamanho Deus! Ele é um inimigo terrível, mas um grande amigo.
*O que podemos fazer, exceto nos submeter a Ele? Adorá-lo?
v. 11 “Estou em trevas, não sei o que Ele está fazendo comigo. Nem posso imaginar!”
*Não tenha medo de admitir sua ignorância! É bom para nós ser humilhados.
*Esta é a batalha da fé, continuar confiando em Deus, embora você não possa vê-LO.
Não pode operar onde existe vista.
Faz parte da glória de Deus ocultar algo (Provérbios 25: 2) O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois (João 13: 7).
v. 12 “Quem pode questioná-lo em qualquer negócio? Ele tem tirado muito de mim...Eu posso impedi-lo de fazer isso? Eu poderia colocá-Lo a prova somente por questioná-Lo?”
v. 13 “A menos que Deus seja misericordioso e retire a Sua ira, os inimigos que obstinadamente se ajuntaram contra Ele, serão destruídos.” Compare Salmo 2.
*É importante para nós que sempre nos lembremos da grandeza de Deus. É uma parte vital para mantermos a perspectiva correta diante de uma longa provação. Olhe para a criação e ficará humilhado. Considere o quão pequeno você é, e quão grande é Deus. “Pensamentos duros a respeito de Deus, são pequenas brechas para pensamentos muito mais enganosos” (Henry).
III. A indignidade de Jó, v. 14-21
v. 14 “Quem sou eu para entrar num debate com tamanho Deus?!”
v. 15 “Mesmo que eu tivesse sem pecado, eu ainda teria razões para me humilhar e submeter á Ele, que é o Criador. Melhor se submeter do que disputar.”
*Mesmo que o pecado não tivesse entrado na criação, nós teríamos razões suficientes para nos humilharmos diante de Deus. Muito mais agora, estando em pecado!
v. 16 “Minhas orações são tão fracas! Ele não precisa da minha fraca e imperfeitas orações.” (Ou talvez um tom de amargura, como vs 17 indica.)
v.17-18 Fácil de ver a razão dos três pensarem que ele estava dizendo que Deus não é justo, pois eles interpretaram erroneamente estas palavras. Para eles, ele fala como se não fosse um pecador – Alguém que sofre sem motivo.
Será que Jó está dizendo que Deus não tem nenhum propósito nestas provações? Eu penso que não. (Sem motivo no caso de Jó, mas não totalmente sem motivo! – Como vemos no capítulo 1 e 2.)
Jó não se defenderia diante de Deus, mas ele o faria diante dos homens.
Talvez, estas linhas se tornem um pouco embaçadas! *Seja cuidadoso aqui!
v. 19 “Eu não me comparo á Ele.”
v. 20 Talvez explique o v. 17. Jó não estava reivindicando sua perfeição diante de Deus, somente uma perfeição relativa diante dos homens, como o capítulo 1 e 2 corrobora.
“Eu quero que Deus me justifique. Minha própria autojustificação termina quando encaro o meu estado de condenação.” Há muita verdade aqui!
v. 21 “Se eu falasse que sou perfeito, estaria somente mentindo e me tornando meu próprio inimigo.”
*È bom pensarmos com humildade a respeito de nós mesmos diante de Deus. Cuidado com a autoestima e o orgulho daquilo que aprende. Mantenha Deus sempre em vista.
IV. O argumento inquestionável de Jó, v. 22-24.
“Os caminhos de Deus não são tão fáceis de discernir como vocês pensam. O justo sofre com os injustos. As circunstâncias externas nem sempre indicam o caráter de uma pessoa (Salmo 73). A questão não é se Deus é justo, mas se: “As minhas provações são evidências de que há algum pecado em mim?”
v. 24 “Olhe para todas as autoridades malignas na terra. Os juízes justos são privados de enxergar. Se não é Deus quem faz isto, diga-me então, quem é!”
*há somente um Deus, e Ele está no absoluto controle de tudo!
V. As lamentações de Jó, v. 25-35.
v. 25-26 A brevidade da vida.
v. 27-28 Vãs tentativas de encontrar conforto: “Simplesmente ignore os fatos”, “Deus não pedirá contas para mim.” não funcionam. Desespero “Tristeza e temor não irão me abandonar.”
v. 29 “Se eu sou o pecador que Bildade diz que sou, então é sem serventia nenhuma minha defesa diante de Deus”
v. 30-31 “Tentativas de melhorar-se, não uma resposta. “Deus vê quem eu sou realmente.” “Não posso ocultar nada.”
Resumo: Estou perdido. Não sei o que fazer!”
v. 32 “Não estou tratando de igual para igual. “Não posso trazê-lo a mesa de negociações."
v. 33 “Não há ninguém acima dEle para trazê-lo a mesa a fim de negociar uma solução. Nenhuma corte suprema para apelar” Árbitro: Juiz. “De outra maneira, eu encontraria conforto, não medo; solução, não a vara, mas isto está longe da realidade” (V. 34-35).
Jó não era muito claro a respeito de alguns detalhes da redenção, apesar de confiar em Deus.
*Agradeça a Deus pela luz do Novo Testamento! Deus tem apontado um Árbitro, Mediador (I Timóteo 2: 5), Advogado (I João 2: 1). Faça uso do seu Árbitro! Veja nEle, um pai gracioso!
#22 A fé versus sentimento
Jó 10
É interessante notar que enquanto o diálogo progride, os amigos falam menos e Jó fala mais (como de regra).
Revisão:
Pontos que Satanás quer provar: que Jó serve a Deus somente visando tirar proveito e benefícios temporais, um interesseiro. “Ele vai amaldiçoá-Lo!”
Deus permite que Satanás remova todos os benefícios temporais, exceto a vida de Jó.
Jó ainda serve a Deus. Embora em meio a uma nuvem de dúvidas e confusão, não amaldiçoa a Deus.
A maior de todas as armas de Satanás são os seus próprios amigos, que vieram para confortá-lo! Eles oferecem respostas fáceis a questões difíceis, falando verdades suficientes para se tornarem perigosos. Eles dão a Jó somente duas opções:
1. “Admita o seu pecado. Todo este sofrimento é merecido.” Eles agem como sua consciência.
2. “Considere Deus injusto pela maneira como está tratando você.
Como estudamos no #2, Jó não ousou dizer tal coisa. Isto seria a mesma coisa que amaldiçoar a Deus! Ele estaria se jogando nas mãos de Satanás. Porém, seus amigos consideraram suas reclamações como sendo demasiadas.
Como estudamos no #1, Isto seria como confessar aquilo que não é verdade. Seria como perder sua integridade. Sua clareza de consciência não o permitiria fazer isto. (É evidente que ele é um pecador como todo homem o é, mas não havia nenhum pecado tão extraordinário assim para levá-lo a um tão extraordinário sofrimento, como seus amigos propuseram.)
A posição de Jó: “Não há respostas fáceis. Nenhuma das posições é aceitável. Deus é justo e eu sou sincero e reto. Portanto, o justo sofre por alguma razão que está fora do nosso alcance. Eu gostaria de obter alguma resposta por parte de Deus sobre o que está acontecendo. Eu desejaria que Ele simplesmente liquidasse comigo!
Jó parece mais interessado em defender a si mesmo do que a Deus. Ele acabou sendo justamente reprovado por causa disso.
Aqui Jó se dirige á Deus (como no capítulo 7).
Jó fala algumas coisas boas e outras ruins. Ele, no mesmo capítulo, freqüentemente se move das profundezas para as alturas. Ele está no meio de uma luta feroz da fé contra o sentimento (ex: o que ele sente e vê), promessas versus providência. Henry: “Longe está de Jó pensar que Deus fez alguma coisa errada para ele, mas ele está quase que totalmente perdido tentando reconciliar Suas providências com Sua justiça, como alguns bons homens tentaram, e tiveram que aguardar até que “aquele dia” o declare. Portanto, não vamos abrigar pensamentos errados contra Deus, pois um dia veremos que não havia motivos para isso.
O que você diria se estivesse na situação de Jó?
I. Jó desabafa suas queixas, v. 1-2.
v. 1 “Eu vou desabafar tudo aquilo que sinto.” Capítulo 7: 11. *Isto geralmente é uma posição perigosa. Na vossa paciência possuí as vossas almas (Lucas 21: 19). Num momento de dificuldades, uma vida inteira de confiança pode ser manchada, se não destruída.
v. 2 Ele não perdeu completamente a perspectiva! “Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo” *Agradeça a Deus por Romanos 8: 1!
Pelo menos Jó continua a confiar em Deus, que Ele tem um motivo e que poderia revelá-lo se assim o quisesse. “Faze-me saber por que contendes comigo.”
*Deus não tem nos que revelar as Suas razões em permitir que sejamos provados. Vamos manter um coração humilde diante dEle.
II. Jó questiona Deus (teoricamente – O que ele diria), v. 3-17.
(Esboço de Durham) V. 3 è a base para os vs 4-17. Mostra um a um os três pensamentos que Jó levanta.
- “Oprimes alguém sem que haja uma boa causa?” (v. 4-7).
- “Tendo permitido que tais problemas me atinjam, agora vais me lançar fora? 9v. 8-13).
- “Justificarás estes três homens em seus erros? (v. 14-17).
1. v. 4-7. “Deus deve tem um motivo para estar fazendo tudo isso. Ele não é ignorante como o homem, que tortura os prisioneiros para extrair alguma confissão deles. Senhor, Tu sabes e conheces tudo, sabes tudo a meu respeito. Conheces o meu caráter. Não estou escondendo nada.”
*O tesouro de uma consciência pura. “Se uma mosca pudesse falar, ela testificaria das minhas orações, comprometimento e pureza.”
2. v. 8-13. “Há incongruência aqui: Tu me fazes, mas me destróis.”
V. 10-11 Intrigante descrição do desenvolvimento da vida no ventre materno.
V. 12 Preservação.
v. 13 *Fique firme na verdade que você já conhece! O combate da fé. “Deus sabe o que está fazendo!” Atos 15: 18. Conforto da criação (neste caso das almas, individualmente). Ela (criação) mostra sabedoria, poder e bondade. O propósito principal de Deus, Sua grandeza.
3. v.14-17 Jó numa maré baixa. “Eu sei que Tu és justo e que julgas o culpado. Meus amigos estão certos? – Há algum pecado assim tão grande em mim? Eu não espero que Tu vás isentar a culpa.”
V. 15 “Se não tivesse cometido nenhum pecado, não me vangloriaria disto. Eu sou tão fraco! Estou tão confuso! Tem misericórdia de mim, Ó Deus!” (“Meus inimigos estão certos, apesar de tudo? Tu vais ficar do lado deles contra mim?”)
*A criança debaixo da vara da disciplina pode ficar muito confusa. Ele dificilmente poderia compreender seus próprios pensamentos e palavras. Que nível tão baixo podemos chegar!
*Quando confuso, guarde seus lábios (e coração).
V. 16-17 “Aparentas ser meu inimigo! Todas estas mudanças foram para pior, não foram apenas um ou dois golpes, mas Tu desencadeaste uma série de ataques numa guerra total contra minha vida.” Henry: “Enquanto vivermos neste mundo, devemos esperar que as nuvens voltem após as chuvas, e que talvez uma provação mais séria e difícil esteja reservada para o final.”
III. Jó lamenta por sua vida, v. 18-22
...pela 3º vez. (Capítulo 3, 7). *Algumas tentações e pensamentos retornam. Podemos lutar com alguns até a hora da morte.
Ele tinha considerado a vida como um favor (v. 12), agora era uma maldição. (Que inconstância!)
v. 20 “Me deixe sozinho, me deixe morrer em paz!”
V. 21-22 Jó tinha o mesmo ponto de vista terrível sobre a morte como os outros homens, mas sua presente miséria era tão grande, que esta lhe parecia pior do que a morte. (Os santo do V.T não viam a felicidade da partida de suas almas, isto não lhes foi revelado até o tempo do N.T, II Coríntios 5, Filipenses 1.)
*Há conforto na própria oração e não somente na resposta dela. Veja o comentário de Durham: Mesmo que sua oração seja fraca e deficiente, continue orando! Orai sem cessar...

Bispo. Capelão/Juiz. Mestre e Doutor em Ciência da Religião Dr. Edson Cavalcante

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