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domingo, 30 de março de 2014

CASAMENTO SEM AMOR SERÁ QUE VALE APENA...


                           CASAMENTO SEM AMOR SERÁ QUE VALE APENA...
"...Não serão dois, mas uma só carne" - Marcos 10:8
 O membro da Nova Igreja tem ao seu alcance uma noção bem clara do casamento como instituição Divina. Graças à abertura do Sentido Interno da Palavra, pode saber que essa união tem sua origem no casamento do Divino Amor e a Divina Sabedoria em Deus, e que essa união se realiza em vários níveis, tanto na pessoa, entre sua vontade e seu entendimento, como fora, entre um marido e uma esposa. Por isso é que se pode compreender com maior profundidade por que o Senhor disse que, no casamento, "não serão mais dois, mas uma só carne"..
É evidente, mesmo tendo à sua disposição um imenso tesouro de arcanos, o membro da Nova igreja não pretende saber tudo nem se arroga possuir resposta para todas as questões de sua vida. No entanto, sabe que, se se dirigir à Palavra em sua forma integral, na letra e no seu Sentido Interno, poderá ver, a seu tempo, as respostas que procura. Assim, à medida que atinge a idade espiritualmente adulta, vê solucionadas inúmeras dúvidas e questões que se colocavam antes como mistério.
Os Escritos da Nova Igreja nos trazem uma espécie de instrução que difere dos dogmas de outras religiões pelo fato de serem informações bastante práticas, que podem ser logo aplicadas a vida de cada um de nós. Por isso é que se diz que esta é a Doutrina para a vida da Nova Igreja.
Tomemos hoje como confirmação disso algumas questões sobre o casamento. Um ponto difícil em que os Escritos lançam sua luz esclarecedora e prática, no que diz respeito ao casamento, é o que expõe as razões por que muitos casais acabam se separando. Os Escritos nos falam que existem várias causas de frieza que acabam acarretando a separação, vários tipos de frieza que põem fim a muitos casamentos; essas causas de frieza podem ser classificadas em três tipos: causas interiores, causas exteriores e causas acidentais de separação. Procuraremos examinar seriamente estas causas em três sermões. Vejamos hoje o que a obra "Amor Conjugal" nos expõe sobre as causas internas das friezas no casamento. A importância de conhecermos essas causas torna-se por si mesma evidente.

O livro citado, "Amor Conjugal", dedica um capítulo inteiro ao tema das causas de frieza, de separação e também das causas de divórcio. São tratadas num mesmo capítulo porque essas causas são interligadas, como se poderá ver depois.
De início, os Escritos esclarecem que as separações vêm de friezas internas e não das friezas externas. Essas friezas vêm a existir no casamento por várias razões, aparecendo junto com o casamento ou vindo a aparecer depois. (Am.Con. 234). Porque, em geral, todo casamento tem seu início de calor, um abrasamento do amor que leva um homem e uma mulher se unirem. Esse primeiro calor é o amor que normalmente se chama "paixão" ou então o calor do amor físico, chamado de "amor do sexo" nos Escritos.
No mundo se conhecem as causas de friezas externas, mas não as internas, que, realmente, são as que mais levam o casamento ao seu fim. As friezas internas dizem respeito à alma humana, e por isso somente a revelação Divina poderia nos ensinar com segurança a sua natureza. Realmente, a frieza externa tem origem nas frieza internas e é derivada desta. Quando um casamento se rompe, em geral se manifesta como causa a frieza externa, mas a interna, que foi a razão real da separação, jaz oculta.
Para que saibamos o que são essas friezas internas, é preciso que saibamos antes que existe um calor espiritual e um frio espiritual. O calor espiritual vem do Sol dos céus, e é a esfera de Amor que procede do Senhor Deus Jesus Cristo. E a luz é a sabedoria. A essência de Deus é o amor com a sabedoria que procede desse amor. Pelo influxo desses dois essenciais, o Senhor aquece todas as criaturas com o amor espiritual e dá a todo ser humano a faculdade de compreender a verdade (Am 235). Lemos no Apocalipse a este respeito, quando é dito que nos céus, a saber, na Santa Jerusalém, não há necessidade de sol e de lua, porque o Senhor é o sol.
O sol do mundo natural foi criado em correspondência com o Sol dos céus. O calor e a luz naturais são para aquecer o corpo e dá a luz dos olhos, fazendo vivo corpo e mente naturais, da mesma forma e ao mesmo tempo que o calor espiritual aquece a vontade com o amor de Deus e esclarece com o entendimento com o brilho da fé. Quando o homem é receptivo do influxo do sol natural ao mesmo tempo que o é do Sol espiritual, ele está na ordem da criação; esses dois calores e essas duas luzes se conjuntam nele e o fazem criatura realmente humana, natural e espiritual.
Mas quando isso não acontece, ou seja, o homem deixa de receber o influxo do Sol espiritual que é o Senhor, o calor natural está nele separado do calor espiritual, e então o homem se afasta de sua qualidade realmente humana. Isto ocorre quando a pessoa ama as coisas naturais e rejeita as espirituais. Quanto mais ela faz isso, mais o calor espiritual se retira, e os interiores do homem se esfriam, pois não são receptivos do calor e da luz dos céus. No mundo espiritual, isto foi presenciado por quando viu espíritos que eram de caráter inteiramente natural serem tomados de um frio intenso quando estavam ao lado de um anjo que estava em um estado de amor, porque o calor espiritual, quando não é recebido, se torna em semelhante frieza. (Am Con. 235).
Nos casamentos, essa frieza espiritual é o que provoca a desunião de almas e a disjunção de mentes, e daí a separação. Pois o amor verdadeiramente conjugal foi inscrito na alma como um amor que reside acima de a todos os outros amores. É o fundamental de todos os amores porque é a correspondência do casamento Divino do Amor e a Divina Sabedoria. Assim, quando os interiores não estão na recepção de calor e luz espirituais, esse influxo Divino que tende a formar uma imagem sua, que é o casamento não pode prosseguir em sua descida da alma, pois os interesses abaixo dali são contrários, estão voltados para si mesmo e por tendem para a disjunção.
Em consequência, tão logo o primeiro calor do casamento se esvai e a paixão natural entre duas pessoas se apaga, como o calor espiritual não pode ser recebido, o amor oposto começa a tomar o seu lugar, e desse amor oposto não pode vir senão a ausência do calor, isto é, a frieza espiritual. Daí vem primeiro a indiferença de um pelo bem do outro, depois a discórdia entre os dois, depois o desgosto de um com o outro, em seguida a falta de esperança, depois ainda a aversão e finalmente a separação, do leito, do quarto e de casa (ver Am.Con 236). "Daí vem que esta frieza aí começa, e decorre sucessivamente nas coisas que seguem, e as infecta, e assim muda as alegrias e os prazeres do amor primitivo em tristezas e desprazeres".
O amor conjugal é recebido e reside em regiões tão íntimas e tão elevadas da criatura humana, para que, quando o bem e a verdade se conjuntarem ali, todas as coisas abaixo estejam em ordem e formam na pessoa uma imagem do casamento Divino. É esse casamento de bem e vero, caridade e fé, que constitui a Igreja na pessoa.
Vê-se, então, que uma religião sã é o único meio pelo qual esse amor pode descer e se realizar como casamento na mente natural, porque a religião ensina quem é o Deus que deve ser adorado qual é a fé salvífica. Portanto, se não houver religião, também não há o amor verdadeiramente conjugal. Este é o motivo pelo qual há hoje um descaso tão grande para com o casamento: é o mesmo motivo pelo qual se despreza a religião como conduta de vida. É certo que existem muitíssimas religiões, mas cada religião é qualificada pelos os veros de sua doutrina. Assim, se não há veros reais na religião, ela deixa de ser religião e passa a ser uma fé persuasiva e falsa (Ver Am.Con. 239), o que dificulta a existência do amor verdadeiramente conjugal nas mentes e corações de seus seguidores.
As Doutrinas Celestes nos ensinam que há quatro causas internas de frieza no casamento. A primeira causa de frieza interna é quando um dos dois rejeita a religião. Porque "naquele que repele a Igreja não há nenhum amor bom". Pode até haver alguma bondade no corpo e na mente natural, mas não no espírito. Quem rejeita a religião, rejeita ao mesmo tempo as coisas espirituais a que a religião conduz e, consequentemente, rejeita o amor conjugal, que é um amor espiritual por excelência. E quando a religião é rejeitada, o amor oposto, que é o amor pelo adultério, não pode deixar de ser favorecido e finalmente é recebido em lugar do casamento. É dito que os que rejeitam a religião têm mais frieza pelo cônjuge do que todos os outros, e só se unem ao cônjuge por motivos externos. (Am. Con. 240). Pela rejeição das coisas espirituais os interiores do espírito são fechados e os interiores do corpo, por não receber vida espiritual, ficam obstruídos. É então que o amor natural pelo sexo oposto se torna amor vil, lascivo e finalmente desaparece.
A segunda causa interna de frieza no casamento existe quando um tem religião e outro não. No caso anterior era a rejeição, agora é a ausência da religião. Quando este é o caso, as almas estão em desacordo, porque, enquanto a de um está aberta para receber o conjugal verdadeira, a do outro, pela falta da religião, está fechada. O calor do casamento que um recebe não é sentido pelo outro senão como frieza. Lemos que "essa frieza desce da alma ao corpo até à pele, donde resulta que enfim um não suporta olhar diretamente a face do outro cônjuge, nem lhe falar respirando o mesmo ar, ou de outro que não seja em tom seco, nem tocá-la com a mão, mas apenas de costas, sem falar das loucuras que, por esta frieza, se insinuam nos pensamentos, e que eles não divulgam, o que é causa de que esses casamentos se rompem por si mesmos..." (Am. Con. 241).

A terceira causa interna de frieza no casamento é quando um é de uma religião e outro de outra. Porque, sendo assim, o bem de um não pode ser unido ao seu vero correspondente, e sabe-se que a esposa é o bem do vero do marido e o marido é o vero do bem da esposa; de duas almas, não podem ser feitas uma só alma. Por isso, naquele que está nos ensinamentos falsos da religião começa a existir uma frieza que é proporcional à diferença dos veros. (Am 242). Lemos também no Amor Conjugal a seguinte passagem: "Um dia, em uma grande cidade, percorri as ruas para encontrar um alojamento, e entrei em uma casa onde moravam esposos de religiões diferentes. Então como eu nada sabia a respeito, os anjos, dirigindo-me a palavra, disseram: "Não podemos morar contigo nesta casa porque os esposos são de religiões discordantes". Eles percebiam isso pela desunião interna de suas almas".
Algumas pessoas da Nova Igreja acreditam que, por isso, não se deve celebrar um casamento quando um dos nubentes não pertence à nossa Igreja. No entanto, parece-me que deve ser exatamente o contrário: deve-se realizar a cerimônia, porque quando se aproximam do altar do Senhor para se unirem a Ele, reconhecendo-O como um só Deus e Salvador Jesus Cristo, e fazendo isso consciente e sinceramente, o casal pode estar tendo a oportunidade de dar o primeiro passo na direção de virem a ter a mesma fé, os mesmos bens e veros, por conseguinte o amor verdadeiramente conjugal. E essa oportunidade não lhes pode ser negada, o que certamente ocorre se se impede a eles esse acesso.
Mas a diferença de religião é realmente uma questão séria que se coloca diante de todos os casais, jovens e velhos. E é claro que a religião de que se fala aqui não é somente a filiação a uma Igreja, mas a crença e o viver da pessoa. Os casais devem conversar sobre este assunto, porque a vida espiritual e a felicidade deles depende muito disso. Caso contrário, deixa-se uma porta aberta a que a frieza entre mais tarde. Duas almas não poderão buscar elevação a Deus, se creem em deuses diferentes. Não andarão pelo mesmo caminho, se tiverem rumos diferentes.
Finalmente, a quarta causa interna de frieza interna existe quando os ensinamentos da religião ou são falsos ou foram adulterados. Quando os ensinamentos são falsos ensinos, mas, apesar disso e ignorando isso, a pessoa se afastar do mal como pecado contra Deus e faz o bem, o Senhor pode, ainda assim, fazer que haja uma união entre as tais crenças errôneas e o bem da vida. Por isso, é possível, que haja nela o princípio do amor conjugal. Mas quando as verdades da fé foram deturpardes o que acontece quando a pessoa se esconde atrás de sua fé a fim de desculpar o mal da vida, então não é possível nenhuma conjunção, porque no mal e em sua falsidade não pode haver a imagem do casamento que está em Deus. E mesmo, esses podem acabar adotando a ideia de que os adultérios são lícitos e que não são tão graves (v. Am.Con 243). Assim, a frieza espiritual entra e faz separação.
Todas estas quatro causas internas de frieza no casamentos têm a ver com a religião. E essas causas internas podem provocar friezas por dentro sem que haja nenhuma manifestação nos externos. Na realidade, muitos casais coabitam com essa frieza interna sempre presente um pelo outro, embora conservando nos exteriores da mente conservem várias aparências de amor (amizade, amor mútuo, amor carnal) por razões de harmonia natural e conveniência. As aparências de amor podem conjuntar até as suas mentes e corpos, mas não conjuntam as suas almas nem fazem que elas sejam um como é o propósito do Senhor. Os Escritos dizem que, nesse caso, como a frieza neles está oculta, eles não conhecem realmente os encantos e os prazeres do amor verdadeiramente conjugal, os quais, para eles são apenas fábulas.
Diante disso, a lição mais importante que podemos tirar deste ensinamento é uma verdade já bastante conhecida: amor e felicidade verdadeiros nunca existirão no casamento sem a regeneração. Por isso dizemos que, se a esposa for sábia, procurará inspirar no marido a afeição pelos veros da fé, pois, por esses veros, ele alcançará elevação do seu entendimento e a inteligência espiritual que o guiará pela regeneração, em direção ao amor verdadeiro que vem de Deus. Por semelhante modo, se o marido for inteligente, procurará conduzir a esposa à luz de uma instrução racional que a elevará no amor conjugal.
Em outras palavras, um deve inspirar instruir, fortalecer e animar o outro na busca inteligente, procurará conduzir a esposa à luz de uma instrução racional que a elevará no amor conjugal.
Em outras palavras, um deve inspirar instruir, fortalecer e animar o outro na busca e na prática da religião sã, tanto no entendimento como na vida. Sem isso, dificilmente os casamentos duram, porque há causas internas de friezas que estão instaladas nos interiores e elas irão, mais cedo ou mais tarde, aparecer nos externos e separar um do outro, se não aqui, certamente na vida eterna, quando os externos forem removidos. Amém...

BISPO/JUIZ. MESTRE E DOUTOR EM ÊNFASE E DIVINDADES DR.EDSON CAVALCANTE

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